SEBASTIAN VETTEL9,5 – O dez não veio por estúpidos 74 milésimos de segundo, que representam o que lhe faltou para tomar a pole-position de Mark Webber. No mais, o alemão foi estupendo novamente – infelicidade enorme para mim, fã de Fernando Alonso. Líder nos dois últimos treinos livres, o bicampeão só perdeu a ponta no grid por mero detalhe, já que havia sido o primeiro colocado também nas duas primeiras sessões da qualificação. Na corrida, compensou tudo ultrapassando Webber sem dificuldades na primeira curva e despachando o resto do povo. Sem problema algum, ganhou pela 25ª vez na vida. Verde chora. E reverencia.

MARK WEBBER8 – Atuação de funcionário público no domingo. Não tem o direito de reclamar do carro, pois Adrian Newey é o verdadeiro mestre dos magos dos circuitos tilkeanos. Sem ser brilhante em momento algum, o ponto alto do australiano foi a pole-position conseguida de maneira até meio fortuita no sábado. Apático, deixou Sebastian Vettel fugir na liderança logo na primeira curva. Tentou dar o troco, mas não tinha gás para isso. Depois disso, ficou naquela de deixar um olho para tentar enxergar o companheiro no binóculo e outro olho para espiar no retrovisor se havia algum carro vermelho se aproximando. Terminou em segundo, chorou e também foi obrigado a reverenciar o vencedor.

FERNANDO ALONSO7,5 – Um progresso para quem não havia sequer completado a primeira curva em Suzuka e uma injúria para quem era líder do campeonato até sábado. Longe de ter o melhor carro do fim de semana, Alonso fez o que pôde: não muito. Não andou estritamente mal nos treinos livres, mas quase ficou no Q1 da classificação no sábado. Partindo da quarta posição no grid, Fernando passou Lewis Hamilton na primeira curva e até sonhou em ameaçar a dupla da Red Bull no retão coreano. Sonhos não necessariamente condizem com a realidade e ele teve de se contentar em ficar em terceiro. Na segunda metade da corrida, começou a render bem menos que Felipe Massa e só conseguiu o pódio devido à famigerada ordem de equipe. Está agora seis pontos atrás de Sebastian Vettel no campeonato.

FELIPE MASSA8,5 – Está em ótima fase, o que me deixa bastante feliz. Pela segunda corrida consecutiva, o brasileiro demonstrou um nível de competitividade à altura de um piloto da Ferrari. Continua apanhando um pouco nos treinos, mas pelo menos assegurou um sexto lugar no grid, um avanço em relação a Suzuka. No domingo, foi um dos melhores pilotos na pista. Ultrapassou Kimi Räikkönen logo no começo, largou Sergio Pérez e Lewis Hamilton para trás quando estes não estavam em boa forma e só não tomou o pódio das mãos de Fernando Alonso porque, bem, vocês sabem o porquê. Mas andou bem pra caramba e, como prêmio, assegurou um lugar na Ferrari em 2013. Prêmio? Dadas as circunstâncias, Felipe pode se considerar um sortudo por ter um emprego remunerado na Fórmula 1 no ano que vem.

KIMI RÄIKKÖNEN7 – Aqueles papos de “maior rival de Alonso” e  “a primeira vitória está próxima” já viraram coisa de museu. O finlandês segue fazendo seu trabalho discreto de formiguinha, conseguindo pontos aqui e acolá e se acotovelando nas primeiras posições da tabela de pilotos. Na terra do PSY, Kimi mineiramente fez o quinto tempo no Q3 do treino oficial. Logo no começo da corrida, Felipe Massa o deixou para trás, mas o nórdico não se abateu. Envolveu-se numa excelente briga com Lewis Hamilton, embora só tenha conseguido assumir sua posição após o inglês entrar nos pits. Terminou em quinto – não dava para fazer muito mais que isso, mesmo.

NICO HÜLKENBERG8,5 – Outro bom destaque da corrida. Foi muito mais rápido do que o companheiro Paul di Resta durante todo o tempo, terminou a corrida numa excelente sexta posição, ultrapassou Di Resta no campeonato de pilotos e ainda foi para casa sorrindo por ter feito uma das melhores ultrapassagens do ano. Competente no treino oficial, conseguiu um bom lugar na quarta fila do grid. Passou Romain Grosjean na largada e só foi superado pelo franco-suíço após a segunda rodada de pit-stops. Sem esmorecer, aproveitou-se do duelo homicida entre Grosjean e Lewis Hamilton e ganhou as posições dos dois num único movimento, coisa legal de se ver. Mesmo não sendo o perfil mais emocionante do grid, certamente merece um lugar numa equipe melhor. Mas não no lugar do Kobayashi, por favor.

ROMAIN GROSJEAN6,5 – Esteve irreconhecível na Coréia: ficou atrás de Kimi Räikkönen no treino oficial e não se envolveu em estultice alguma na corrida. Muito estranho. Não brilhou nos treinamentos e ficou apenas em sétimo no grid, sempre prometendo a todos que seria um bom garoto nas primeiras curvas. Bem que o destino tentou complicar sua vida novamente, com algumas confusões acontecendo perto dele na primeira curva, duelos com os igualmente perigosos Pastor Maldonado e Lewis Hamilton e até um quase-acidente com Nico Hülkenberg nos pits. Felizmente para ele, nada conseguiu barrá-lo e a recompensa foi o sétimo lugar.

JEAN-ÉRIC VERGNE8 – Sua melhor corrida no ano até agora. Não se enganem: foi boa, mesmo. Os treinos livres indicavam que a vida de JEV seria a mesma lamúria dos demais fins de semana, mas tudo mudou da água para o vinho no sábado. No Q1, sabe-se lá como, ficou em sexto. No Q2, garantiu um razoável 16º lugar no grid. O domingo é que foi realmente bacana. O francês fez ultrapassagens em gente como Bruno Senna e Lewis Hamilton e ainda deixou o companheiro Daniel Ricciardo para trás, provando que é ele o cara para liderar a Toro Rosso nos dias de carro bom. Nesse momento, está três pontos a frente do australiano.

DANIEL RICCIARDO7,5 – Esteve tão bem quanto Jean-Éric Vergne, mas terminou atrás dele novamente. Tristeza para ele, que sempre fica atrás do francês no dia em que o carro colabora. No mais, o desempenho dos dois foi bastante semelhante durante todo o fim de semana. No Q2 da qualificação, Ricciardo até conseguiu superar Vergne, mas precisou trocar o câmbio e teve de largar em 21º. Sem grandes apuros, recuperou boas posições durante a corrida e esteve à frente do companheiro até as últimas voltas, quando foi superado por ter pneus mais lentos. Mesmo assim, não pode reclamar do nono lugar.

LEWIS HAMILTON1 – Quem imaginaria, após o primeiro lugar no primeiro treino livre, que Lewis Hamilton teria seu fim de semana mais difícil na temporada? Pois é, mas tudo começou a ficar bastante ruim a partir do sábado, quando ele não sobrou no Q1 da classificação por muito pouco. No Q3, conseguiu o terceiro lugar no grid e esboçou um sorriso, mas o domingo foi um desastre de proporções épicas. O inglês não largou bem e foi superado por Fernando Alonso logo de cara. Seu ritmo não esteve tão ruim até a volta 20, quando Felipe Massa surgiu das trevas e o superou. Depois disso, o carro da McLaren piorou demais e Hamilton só foi perdendo posições. No fim da corrida, após ter feito uma terceira parada meio que no desespero, ainda passeou fora da pista e levou junto um pedaço de grama sintética no sidepod. Marcou um ponto, mas praticamente deu adeus à disputa pelo título.

SERGIO PÉREZ2 – O dia estava tão ruim para a McLaren que nem mesmo ele, contratado de Woking para 2013, conseguiu andar bem. O carro da Sauber não parecia tão competitivo para esta pista, mas o mexicano ainda conseguiu superar Kamui Kobayashi na qualificação. Sendo um dos poucos a largar com pneus macios, Checo esperava fazer o de sempre: surpreender a todos, ganhar dezenas de posições e terminar com o sorrisão latino no pódio. Não deu. Ele chegou a estar lá na frente, mas começou a perder desempenho rapidamente e a tal estratégia maluca não funcionou desta vez. No fim da corrida, ainda tinha um carro bom e conseguiu ultrapassar Paul di Resta e Michael Schumacher, mas lhe faltou apenas um teco para roubar o ponto de Lewis Hamilton.

PAUL DI RESTA2,5 – Fim de semana ruim. Mesmo tendo um treino livre a mais à disposição, não conseguiu superar Nico Hülkenberg em momento algum. Não passou para o Q3 da classificação e culpou o tráfego pelo infortúnio. Apostou em pneus macios para o primeiro stint e foi penalizado pela decisão, perdendo desempenho logo no começo. Com os supermacios, também não melhorou muito. Poderia até ter feito um pontinho, já que Lewis Hamilton estava muito lento, mas a ultrapassagem de Sergio Pérez na volta 53 acabou com qualquer possibilidade.

MICHAEL SCHUMACHER1,5 – Pois é, a carreira do heptacampeão está chegando ao fim e de maneira melancólica. Na Coréia, Michael Schumacher teve um desempenho simplesmente indigno de alguém que frequentemente é comparado a nomes como Ayrton Senna e Juan Manuel Fangio. A culpa nem foi tanto dele, pois o carro da Mercedes está fraquinho, tadinho. Mas o alemão, que nem foi tão horrivelmente mal assim nos treinos, apanhou de vara da molecada durante a corrida. Discreto, ele ainda tinha alguma chance de marcar um pontinho, mas foi ultrapassado por três na segunda parte da corrida e terminou lá atrás.

PASTOR MALDONADO2 – Um pit-stop só? Péssima ideia, cara. Já faz algum tempo que Pastor Maldonado não apronta alguma. Deve ter levado uma bela dura dos capos da Williams. Na Coréia, ele nunca teve um carro bom e também não quis levar o que tinha na mão ao limite. Largou apenas em 15º e decidiu dar uma de Sergio Pérez, apostando em apenas uma parada nos boxes. A estratégia não funcionou e Maldonado ficou se arrastando com o carro durante várias voltas. Mesmo assim, ainda foi o melhor piloto da Williams no fim de semana.

BRUNO SENNA1 – E ele, com estratégia normalzinha e tudo, ainda conseguiu terminar atrás do companheiro Pastor Maldonado. O brasileiro teve mais um fim de semana medonho, mas dessa vez não bateu em nada ou ninguém, nem mesmo na largada. Foi mal nos treinos e não passou sequer pelo Q1 na qualificação. Na largada, partiu bem e chegou a ganhar algumas posições, mas não conseguiu segurá-las durante muito tempo. Foi o pior das equipes normais.

VITALY PETROV4 – Bom grande prêmio, um dos raros em que ele conseguiu superar Heikki Kovalainen tanto no grid de largada como na chegada. Mesmo sem ter feito um dos treinos livres (Giedo van der Garde entrou em seu lugar), o russo foi o melhor das equipes pequenas no treino oficial. Na corrida, Kovalainen chegou a ficar à sua frente na maioria das voltas, mas Vitaly recuperou a posição no finalzinho. Interessante atuação para quem corre sério risco de ficar de fora da Fórmula 1 no ano que vem.

HEIKKI KOVALAINEN3 – Teve um único rival neste fim de semana, o companheiro Vitaly Petrov, e perdeu. Andou na mesma tocada de sempre e não teve grandes dificuldades ou emoções no fim de semana coreano. Passou a maior parte da corrida na frente de Petrov, embora não tenha conseguido desafiar ninguém à sua frente. Nas últimas voltas, perdeu a posição para o russo e ficou em 17º.

TIMO GLOCK2,5 – Segundo o próprio, teve um fim de semana difícil. O carro da Marussia não avançou muito e o alemão não conseguiu desafiar os caras da Caterham. Ainda fez um tempo pior do que o de Charles Pic na qualificação, mas largou mais à frente porque o francês foi punido com a perda de posições no grid. Numa corrida apenas normal, não dava para esperar muito. Ficou em 18º.

CHARLES PIC3 – Nos quatro treinos em que tomou parte, inclusive o oficial, ficou em 21º. Teria largado à frente do companheiro Timo Glock se não tivesse tido de trocar o motor Cosworth, o que lhe rendeu a perda de dez posições no grid – ele teria de largar lá na Coréia do Norte, portanto. Na corrida, sem grandes ambições, deixou o indiano Narain Karthikeyan para trás e finalizou atrás de Glock. Nada de novo no front.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – É sempre melhor ter um problema no treino oficial do que na corrida, não acha? O indiano não conseguiu fazer muita quilometragem na sexta-feira, pois teve de ceder o carro a Dani Clos. No sábado, seu carro quebrou logo no comecinho da qualificação e ele não completou nenhuma voltinha, mas ainda lhe permitiram a participação na corrida. Chegou a ganhar algumas posições na largada, mas retornou ao seu lugar de direito, o último, pouco tempo depois. Pelo menos, viu a bandeira quadriculada.

PEDRO DE LA ROSA2 – Primeira corrida sua em Yeongam. Fez o máximo de quilometragem possível na sexta-feira e se qualificou em 22º no sábado graças aos infortúnios de Narain Karthikeyan e Charles Pic. Logo na quinta volta da corrida, começou a ter problemas com o acelerador. O carro, que já não é aquela delícia de se dirigir, começou a se comportar de maneira cada vez pior e a equipe achou melhor retirá-lo da corrida. Nada que mude a cotação do milho, porém.

KAMUI KOBAYASHI0,5 – O herói de Suzuka não demorou mais do que uma semana para virar o vilão coreano, o que faz todo o sentido em se tratando do eterno conflito entre japas e coreanos. O carro da Sauber não colaborou em momento algum, assim como o próprio Kamui. No treino oficial, diz ter perdido meio segundo por ter pegado bandeiras amarelas. Com isso, largou no meio do bolo. Na corrida, não demorou mais do que uma volta para atropelar alguém, o McLaren de seu freguês Jenson Button. Koba conseguiu permanecer na corrida, mas ficou tão para trás e com o carro tão torto que preferiu se retirar voluntariamente na volta 16.

NICO ROSBERG1 – Tá numa maré de azar danada. Pelo segundo fim de semana consecutivo, não conseguiu andar mais do que alguns metros. A Mercedes não consegue preparar um bólido legal e a loira alemã não está contando com a sorte. Seus resultados nos treinos não foram tão deprimentes, mas abandonar por causa da barbeiragem de outrem novamente é de sair por aí matando todo mundo com um AK47. Dessa vez, quem bateu em seu carro foi o desesperado Kamui Kobayashi. Rosberg tentou seguir em frente, mas abandonou na segunda volta e foi pra casa tomar sorvete de framboesa e chorar para as amigas.

JENSON BUTTON0,5 – Outro que foi esquecido pela sorte em Yeongam. Como sempre, o algoz foi Kamui Kobayashi, o mesmo que o impediu de subir ao pódio em Suzuka. Jenson não foi brilhante nos treinos livres, mas também não contava com a não-classificação para o Q3 do treino oficial. Na largada, enquanto planejava uma prova de recuperação, foi atropelado sem dó nem piedade por Kobayashi. Com a suspensão destruída, teve de abandonar a corrida no ato.

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