RED BULL10 – Só não ganha onze porque não pode. O que dizer da equipe que lidera os três treinos livres, o Q2 e o Q3 da classificação, a corrida de ponta a ponta e ainda bota seus dois pilotos no pódio? Que esta equipe é genial demais da conta e merece, sim, o título deste ano. Sebastian Vettel foi supremo durante todo o fim de semana e só não esteve na frente no Q1 da qualificação porque Pastor Maldonado pregou uma peça em todos. Mark Webber é o cara que poderia ter ido um pouco melhor, mas ao menos ele salvou um pódio mesmo sem ter o KERS funcionando. E não há como se esquecer dos mecânicos, que são tão rápidos nos pit-stops quando o próprio RB8.

FERRARI6,5 – Era claramente a terceira equipe do fim de semana, anos-luz atrás da Red Bull e também inferior à McLaren. Ninguém conseguiu acertar o carro corretamente, Felipe Massa rodopiou para lá e para cá graças à falta de estabilidade e até Fernando Alonso perdeu a paciência com sua equipe. No treino oficial, os dois colegas lotearam a terceira fila e não tinham muitas esperanças sequer de obter um pódio. Alonso ainda foi muito bem, peitou os dois pilotos da McLaren e ultrapassou Mark Webber quando este tinha problemas no carro, garantindo o segundo lugar. Massa teve problemas de consumo de combustível, mas ainda assegurou o sexto lugar. Ruma para perder mais um título, os ferraristas.

MCLAREN7,5 – Embora estivesse em melhor forma que a Ferrari, não tinha como brigar com a Red Bull. Na sexta-feira, a falta de estabilidade dos MP4-27 era visível, ainda que o carro não estivesse tão lento assim. Jenson Button e Lewis Hamilton asseguraram a segunda fila do grid de largada, mas passaram perto de um belo acidente na primeira volta, quando os dois se envolveram numa carambola com Fernando Alonso. Hamilton e Button acabaram sendo superados por Alonso e terminaram, respectivamente, em quarto e quinto. Destaque para o mecânico ninja que trocou o volante do carro de Hamilton em um punhado de segundos.

LOTUS5,5 – Está devendo até as calças, dizem. O carro refletiu o excesso de escorpiões no bolso e não colaborou, para desespero daqueles que sonham com a primeira vitória da equipe nesta temporada – vitória esta que não virá, que fique claro. Kimi Räikkönen e Romain Grosjean, principalmente este último, sofreram pra caramba nos treinamentos e só o cachaceiro passou para o Q3. Na corrida, os dois marcaram pontos, embora tenham sofrido com a falta de velocidade nas retas. Kimi ficou em sétimo após ter tentado superar Felipe Massa durante toda uma corrida. Grosjean se envolveu em algumas disputas e conseguiu um razoável nono lugar. A primeira curva deixou de ser um grande empecilho.

FORCE INDIA5,5 – Tinha um carro apenas correto, insuficiente nos treinos e competente nas mãos de Nico Hülkenberg durante a corrida. O alemão, novo contratado da Sauber, não foi brilhante nos treinos, mas largou com competência e terminou numa boa oitava posição. Quem não se deu tão bem assim foi Paul di Resta, que teve grandes dificuldades tanto nos treinos como na corrida e acabou terminando fora dos pontos. Em resumo, foi mais um típico fim de semana da Force India. Quem anda passando por maus bocados é o chefão Vijay Mallya, outro que terá de vender as calças para pagar os salários atrasados de seus funcionários.

WILLIAMS5 – Tinha um carro bom, melhor do que nas etapas anteriores. Pastor Maldonado pôde provar este fato sendo o piloto mais rápido do Q1 da classificação, única vez em que algum piloto cujo sobrenome não seja “Vettel” liderou algo na Índia. Até mesmo Bruno Senna, ameaçado pelo desemprego, foi bem. Infelizmente, somente Maldonado traduziu a qualidade de seu FW34 em uma boa posição no grid. Na corrida, os dois andaram próximos durante algum tempo e até se envolveram em boas brigas. Pastor conseguiu escapar das garras de Romain Grosjean, mas acabou tocado por Kamui Kobayashi e perdeu um pneu traseiro. O sobrinho não se envolveu em nenhum problema e conseguiu um pontinho redondinho.

MERCEDES2,5 – Não marca pontos há três corridas, para consternação de Lewis Hamilton. Em Buddh, os carrinhos prateados não eram dos piores e Nico Rosberg até conseguiu alguns bons resultados nos treinos livres. A realidade dura só começou a se manifestar quando realmente valeu, isto é, no treino oficial. Michael Schumacher ficou lá atrás no Q2 e nem Rosberg se deu ao trabalho de se esforçar demais no Q3. Na corrida, o azarado Schumacher teve um pneu furado na primeira volta e Rosberg ficou se arrastando o tempo todo. Um péssimo final de temporada para uma equipe que havia iniciado o ano tão bem.

TORO ROSSO2,5 – Pra variar, mais uma corrida ruim. OK, injustiça minha com uma equipe que havia marcado pontos nas três provas anteriores, mas também não seria justo dizer que o STR7 é bom. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne continuaram andando lá atrás tanto nos treinos como na corrida. O australiano, como sempre, largou melhor e andou melhor. Vergne, um tantinho desastrado em alguns momentos pontuais nesta temporada, atropelou Michael Schumacher na primeira volta e prejudicou a corrida dos dois. A jovem dupla dinâmica prosseguirá na Toro em 2013. Talentosos, os dois. Que tenham um bom carro à disposição.

SAUBER2,5 – Outra das montanhas russas desta temporada, a Sauber não teve lá um grande carro na Índia. Na sexta-feira, a equipe decidiu dar uma chance a Esteban Gutiérrez, que participou do primeiro treino livre e ficou apenas em 20º. Mas nem mesmo Kamui Kobayashi e Sergio Pérez fizeram muito mais do que isso. O mexicano até foi mais rápido, mas não muito, embora tenha conseguido o milagre de se qualificar para o Q3. Na corrida, os dois não tiveram vida fácil. Kobayashi fez a segunda cagada consecutiva em corridas e acabou com a corrida de Pastor Maldonado. Pérez teve problemas de equilíbrio, se envolveu em um toque com Daniel Ricciardo e abandonou. Zero pontos para o exército de Hinwil.

CATERHAM2 – Já que não acontece nada de novo na equipe, que nem consegue mais desafiar a Toro Rosso, vamos fazer um breve comentário sobre sua situação de pilotos. Tony Fernandes quer gente com grana, tutu, gaita, verdinhas. Heikki Kovalainen não tem dinheiro e corre o risco de dançar. Vitaly Petrov tinha algumas moedas até uns dias atrás. Agora, está correndo atrás de verba soviética para tentar permanecer na Fórmula 1 no ano que vem. Giedo van der Garde e Charles Pic, dois pilotos com piscinas de dinheiro familiar, estão à espreita. A dupla só será definida quando o departamento financeiro fechar as contas para o ano que vem. Quanto ao GP da Índia, a mesma ladainha de sempre.

MARUSSIA3 – A equipe do pai de Max Chilton também está passando por dificuldades financeiras, mas ninguém se surpreende. Afinal, são russos e ninguém sabe de onde vem seu dinheiro. O carro, que até vinha melhorando a passos de tartaruga, estagnou e até levou pau da HRT em alguns momentos. Charles Pic largou em último, mas ganhou boas posições e até terminou à frente do companheiro Timo Glock, que teve problemas aqui e acolá. Os mecânicos continuam ruins de doer nos pit-stops.

HRT3 – Não achei o desempenho dela ruim, não. OK, não dá para elogiar demais uma equipe cujo melhor carro larga em 22º, mas a distância dela para a Marussia aqui foi bem menor do que nas etapas anteriores. Correndo em casa sob a bênção de Krishna, Narain Karthikeyan até foi melhor do que o esperado e conseguiu chegar ao fim da corrida mesmo sem freios, dinheiro, sorte e felicidade. Pedro de la Rosa também não andou tão mal: fez uma superlargada e poderia ter brigado mais com a Marussia, mas os freios brecaram sua corrida. Gostei da metáfora.

TRANSMISSÃOALGUÉM? – Eu até tinha uma ou outra coisa mais engraçadinha proferida na transmissão brasileira para postar aqui, mas minha memória de Alzheimer não me permitiu tal coisa. Então vamos cornetar um pouco o Sr. IMPRESSIONANTE, narrador da bagaça pela terceira vez consecutiva. O outro narrador, mais antigo, mais soberbo, mais petulante, mais irritante, é muito mais divertido. Como já está muito rico e mais perto da eternidade do que da vida, pode se dar ao luxo de falar a merda que quiser que não há nenhum problema. Já o outro narrador, um bom funcionário, correto, que veste a camisa da empresa e demonstra empolgação mesmo na mais filha da puta das horas, apenas fala coisas amenas, feitas para o netinho e a vovó escutarem. Lá vai o carro vermelhinho! Lá vai o piloto e sua plantação de coelhinhos! Não gosto deste estilo. Meu negócio é punk, é sujeito que chega com os dois pés no peito. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDANINGUÉM – Ninguém. Ninguém gostou desta corrida. A verdade é que Sebastian Vettel é um vencedor irritante. Larga na frente, desaparece na primeira volta e ganha. No melhor estilo Michael Schumacher em 2004. Eu gostava quando era o Schumacher, piloto pra quem sempre torci. Ver alguém para quem você não torce ganhando tudo aborrece. Talvez seja isso, questão de torcida. Não importa. A corrida foi chata. Vettel ganhou fácil, Fernando Alonso ultrapassou Mark Webber sem grandes encrencas e as brigas lá atrás até aconteceram, mas não encheram tanto os olhos. Teve Felipe e Kimi numa eterna disputa pela sexta posição, os pilotos da Williams se metendo em duelos com os Grosjeans e Kobayashis da vida e até mesmo uma troca de volantes no carro de Lewis Hamilton. A pista é legal, uma das mais deste campeonato. Mas não sei, não gostei da corrida, e vários outros também não gostaram. Deve ser o Vettel. Ou deve ser eu, que estou ficando velho e ranzinza como um aposentado.

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