LEWIS HAMILTON9,5 – O cara está invicto nos Estados Unidos: duas corridas, duas vitórias. A deste último domingo veio de forma inesperada, até. Lewis mandou muito bem no primeiro e no terceiro treino livre, mas parecia não ter cancha para ameaçar Sebastian Vettel, o rei da sexta e do sábado. No treino oficial, ainda saiu no lucro conseguindo um lugar na primeira fila. Perdeu uma posição logo na largada, para o dundee Mark Webber. Depois disso, as coisas melhoraram muito. Lewis não demorou muito para deixar Webber para trás, perseguiu Sebastian Vettel durante um bom tempo e conseguiu roubar a liderança na volta 42. Não disparou, mas seguiu na frente até a bandeirada de chegada. Este é o Lewis Hamilton que a gente gosta de ver.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O cara, que chega a Interlagos como favorito, foi brilhante. Só lhe faltou a vitória. Desde a sexta-feira, Sebastian foi muito mais rápido do que qualquer outro na Fórmula 1: liderou os três treinos livres e as três sessões da qualificação, garantindo mais uma pole-position na temporada. Na corrida, largou bem e abriu razoável vantagem logo nas primeiras voltas. Então, o que faltou? Consistência aos pneus Pirelli, que parecem não ter funcionado tão bem em seu carro como no de Lewis Hamilton. Vettel batalhou, brigou e até reagiu em alguns momentos, mas não conseguiu conter a ultrapassagem do piloto da McLaren e perdeu a liderança pela primeira vez no fim de semana. Terminou em segundo e adiou a decisão do título para o GP do Brasil. Dificilmente não será campeão.

FERNANDO ALONSO7,5 – Olha, se não fosse pela cara-de-pau da Ferrari em infringir uma regra de maneira proposital para beneficiar seu pupilo… O asturiano não tinha carro para brigar por nada em Austin e se realmente tivesse largado da oitava posição, teria sido ultrapassado por uma caravana de carros antes da primeira curva devido à sujeira do lado par do grid. Mas os ferraristas deram um jeitinho, retiraram o lacre da caixa de câmbio de Felipe Massa, cavaram uma punição de perda de cinco posições no grid para o brasileiro e entregaram a sétima posição de presente a Alonso, que pôde largar na linha limpa da pista. E Fernando fez sua parte. Largou muitíssimo bem, subiu para a quarta posição logo na primeira curva, herdou o terceiro lugar com o abandono de Mark Webber e não foi ameaçado de verdade por ninguém. Com o resultado, empurrou a decisão do título para Interlagos. Que seja tricampeão. E sem as ajudas esdrúxulas da Ferrari.

FELIPE MASSA8,5 – Fez uma ótima corrida e tinha grandes chances de terminar à frente de Fernando Alonso, mas é óbvio que a Ferrari não deixou… O brasileiro andou razoavelmente bem nos treinos livres (três sextos lugares, coisa do demônio) e arranjou uma boa sexta posição no grid. Mas como Alonso acabou ficando duas posições abaixo, a brilhante Ferrari decidiu sabotar o câmbio de Massa e arranjou uma punição para o brasileiro, que teve de largar em 11º. Esportividade pra quê, né? Mesmo assim, Felipe não se abateu e pilotou como em poucas ocasiões. Largou bem, ganhou várias posições durante a prova, teve um bom ritmo durante todo o tempo e finalizou em quarto andando mais rápido que o próprio Alonso. Uma pena que Massa não tenha espaço para mostrar o que pode fazer.

JENSON BUTTON7 – Passou por boas, mas conseguiu finalizar bem o GP dos EUA. Tinha carro para disputar as cinco primeiras posições tranquilamente, mas um problema no acelerador durante o Q2 o fez largar em 12º, no lado sujo da pista. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Jenson perdeu ainda mais posições e terminou a primeira volta em 15º. O que o salvou da pasmaceira foi a estratégia de largar com pneus duros. Graças a isso, ele pôde atrasar ao máximo seu pit-stop e ganhar várias posições no interregno. Ao parar na volta 35, Button conseguiu voltar em sétimo e ainda ultrapassou mais dois caras nos giros seguintes, terminando na quinta posição.

KIMI RÄIKKÖNEN6,5 – Fim de semana OK para ele, longe de qualquer brilhantismo. Faltou um pouco de velocidade em seu Lotus, como foi provado no desempenho abaixo da média nos três treinos livres. Na qualificação, foi o quinto mais rápido e ganhou uma posição a mais no grid com a punição de Romain Grosjean. Na primeira volta, largou mal e ainda teve um toque com Nico Hülkenberg, mas seguiu adiante. Daí para frente, Kimi teve algumas boas disputas, chegou a andar em segundo durante a rodada de pit-stops e só não finalizou em quarto porque os pneus não deixaram. É o verdadeiro Senhor Consistência.

ROMAIN GROSJEAN6 – Seu desempenho mudava da água para o vinho a cada instante, mas o resultado final não foi ruim. Muito mal nos treinos livres, Romain conseguiu um milagroso quarto lugar no grid, mas a troca de câmbio após a terceira sessão o fez largar em oitavo. Com os pneus macios, estava como uma tartaruga na pista, atrapalhando a todos, e até rodou sozinho na sétima volta. Aí a Lotus decidiu antecipar a troca de pneus e Grosjean voltou à pista com pneus duros. A partir daí, seu único trabalho foi não tostar os pneus e aproveitar o bom desempenho do seu carro. Ele ganhou posições aos montes e terminou a apenas seis segundos de Kimi Räikkönen.

NICO HÜLKENBERG6,5 – Mais uma boa corrida do futuro piloto da Sauber. Competitivo desde os treinos livres, o alemão superou novamente o companheiro Paul di Resta na qualificação e amealhou um ótimo sexto lugar no grid. Nas primeiras voltas, com pneus macios, andou em quinto durante um bom tempo. O pit-stop que colocou compostos duros em seu carro não trouxe resultados positivos e Nico teve de ralar bastante para conseguir andar entre os dez primeiros. Nas últimas voltas, sofreu grande pressão dos dois carros da Williams. Contra tudo e contra todos, o oitavo lugar.

PASTOR MALDONADO6 – Está numa nova fase, menos esquentada. Em Austin, pela primeira vez na Fórmula 1, conseguiu pontuar pelo segundo fim de semana consecutivo. O seu carro, que estava bem veloz em Abu Dhabi, não encontrou tanta velocidade em solo americano e Maldonado só conseguiu andar bem de verdade no terceiro treino livre, quando ficou em terceiro. Na sessão oficial, conseguiu um lugar na quinta fila, nada de muito impressionante. Saiu muito mal na largada e passou a maior parte do tempo andando fora da zona de pontuação. No final da corrida, com pneus duros, tinha um bom desempenho e chegou a ameaçar Nico Hülkenberg, mas não passou do nono lugar. De qualquer jeito, um avanço para quem vivia batendo até há pouco tempo.

BRUNO SENNA6 – Será que a participação nos três treinos livres fez diferença? Não acredito nisso, pois o sobrinho já vem andando melhor em treinamentos há algum tempo. Nos EUA, ele esteve sempre veloz e não passou para o Q3 por causa de um erro besta em sua volta rápida, mas ainda conseguiu um ótimo décimo lugar no grid. Na corrida, teve um desempenho até mais constante do que o de Pastor Maldonado, chegou a ser o dono da volta mais rápida durante algum tempo e não cometeu erros. Assim como o venezuelano, também está aprendendo. E marcou mais um pontinho. Resta ver se essa evolução será o suficiente para convencer a Williams a ficar com ele em 2013.

SERGIO PÉREZ3 – Sem ter um carro bom nas mãos e sem apostar em uma estratégia diferenciada, foi apenas mais um na corrida. O novo contratado da McLaren, que não tem uma atuação realmente digna de sua futura equipe há um bom tempo, não passou vergonha nos treinos livres, mas sofreu como um porco à beira do abate na classificação e ficou apenas em 15º no grid de largada. Largou bem e até andou entre os dez primeiros durante um tempo, mas o fato de utilizar a mesma estratégia dos demais e um problema nos pneus o impediram de ir além do 11º lugar.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Foi muito melhor do que Jean-Éric Vergne novamente – o que se passa com o francês? Longe de ser brilhante, o australiano levou seu Toro Rosso a posições melhores do que a média nos treinos livres, mas foi o infelizardo do sábado ao fazer companhia às equipes pequenas na clausura do Q1. Boa mesmo foi a prova. Ricciardo largou muito bem e sentou o pé no acelerador nas primeiras voltas, ultrapassando vários pilotos com carros mais velozes nas primeiras voltas. Ao fazer seu pit-stop, estava em quinto. Infelizmente, não tinha carro para ter marcado pontos. Uma boa atuação que chamou a atenção de poucos.

NICO ROSBERG1 – Esse daí só está cumprindo tabela esperando pelas férias. Nos três treinos livres, ficou entre os dez primeiros e alimentou suas esperanças para uma boa corrida. Mas a felicidade acabou aí. No treino oficial, deu tudo errado: quase ficou no Q1 e não passou da última posição do Q2, ficando apenas com o 17º lugar no grid. Para o domingo, foi um dos únicos que apostaram num primeiro stint com pneus duros. Mesmo atrasando ao máximo seu pit-stop, não conseguiu ficar entre os dez primeiros. Está há cinco GPs sem marcar pontos, algo que não ocorre desde 2008.

KAMUI KOBAYASHI2 – Triste situação. O GP dos EUA foi, provavelmente, sua penúltima corrida na Fórmula 1. E ela não foi boa, longe disso. Nos dois treinos de sexta-feira, ficou entre os dez primeiros, mas não conseguiu mais nada nos dias seguintes. Foi mal na qualificação e garantiu apenas o 16º posto no grid. Na corrida, antecipou seu pit-stop e ficou umas trezentas voltas com pneus duros. Nunca esteve perto da zona de pontuação.

PAUL DI RESTA3 – Mais um fim de semana discreto e improdutivo. Ficou atrás de Nico Hülkenberg nos três treinos livres e na qualificação, sendo o único da Force India a não passar para o Q3. Mandou bem na largada, onde ganhou quatro posições, e passou todo o primeiro stint andando entre os dez primeiros. A situação piorou quando Paul teve de usar compostos duros. Em determinado momento, o escocês rodou e danificou seus pneus, sendo obrigado a fazer uma segunda parada extra. Aí, as chances de pontos evaporaram de vez.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Parece aquele jogador que foi campeão de Copa do Mundo, mas não soube parar na hora certa e terminou a carreira disputando a terceira divisão do Campeonato Paulista. O heptacampeão teve mais um fim de semana completamente dispensável para seu currículo. De positivo, só o surpreendente quarto lugar no grid de largada. A corrida foi exaustiva e deprimente. Michael largou mal e foi perdendo posições volta após volta. O negócio estava tão feio que o alemão foi o único piloto da pista que precisou fazer duas trocas obrigatórias de pneus, já que tanto os compostos médios como os duros não ofereciam nenhuma aderência. Foi o último colocado das equipes normais. Esta é a vida no XV de Piracicaba.

VITALY PETROV4 – O tovarich da Caterham teve um fim de semana muito melhor do que o do desanimado companheiro Heikki Kovalainen, o que representa uma grande vitória moral. O resultado no treino oficial foi bastante curioso: embora tenha superado Kovalainen, Vitaly ficou atrás dos dois carros da Marussia, situação inédita. Na corrida, o russo largou bem e ponteou a turma do fundão durante todo o tempo. Embora não seja um gênio, também não merece o desemprego.

HEIKKI KOVALAINEN2,5 – Está de mal da vida, deprimido, praticamente desempregado e é óbvio que tal estado de espírito se refletiu nos resultados na pista. Quem é que imaginaria que o finlandês, que deu muito trabalho aos caras da Toro Rosso na metade do ano, estaria apanhando de Vitaly Petrov e dos dois carros da Marussia no treino oficial? Na corrida, Heikki não fez muito mais do que superar os marússicos, mas ainda finalizou atrás do colega soviético. Pelo tom de suas palavras, está à beira da aposentadoria.

TIMO GLOCK4,5 – Curiosamente, o alemão é o único piloto do grid que já disputou uma categoria americana de monopostos: correu na falida ChampCar em 2005. Sete anos depois, ele retornou aos States para tentar ao menos impedir que a Caterham superasse a Marussia no mundial de construtores. O trabalho foi relativamente bom. No treino oficial, Glock surpreendeu a todos sendo o melhor das equipes nanicas no grid de largada. A corrida não foi tão magnífica assim, embora Timo tenha tido uma boa batalha com Heikki Kovalainen. Pelo menos, chegou ao fim e a Marussia continua na décima posição entre as equipes.

CHARLES PIC4 – Também foi razoavelmente bem. No primeiro treino de sexta-feira, foi o melhor dos pilotos das equipes pequenas. No sábado, embora tenha sido superado por Timo Glock, ainda conseguiu se qualificar à frente dos dois carros da Caterham, novidade neste ano. A corrida ficou prejudicada devido a um toque na primeira volta que danificou sua asa dianteira. Mesmo assim, o competente francês seguiu até o fim.

PEDRO DE LA ROSA3 – Está naufragando junto à sua equipe, que deverá fechar as portas logo após o GP do Brasil. Nos EUA, mesmo pilotando um carro todo remendado com fita crepe, o veterano espanhol manteve a dignidade. Foi penúltimo colocado nos três treinos livres, no grid de largada, na corrida e até mesmo na lista de voltas mais rápidas. Pelo menos, chegou ao fim. Fica até difícil dar uma nota.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – O que dizer de alguém que ficou em último em todos os treinos livres, a classificação e a corrida? A título de curiosidade, Narain foi um dos poucos pilotos do grid a ter feito parte de sua carreira na América: fez algumas corridas marotas na NASCAR Truck Series em 2010 e até foi eleito o “Piloto Mais Popular” da categoria. Em Austin, o indiano não fez nada de novo. Ainda assim, também completou a corrida. Que deverá ser sua penúltima na Fórmula 1.

MARK WEBBER5 – Justiça seja feita: ele tinha lugar garantido no pódio. Tudo bem, o pódio é uma obrigação para quem pilota o RB8, mas sair dos Estados Unidos não tendo marcado ponto nenhum é bastante desagradável. O australiano não foi genial em momento nenhum nos treinos livres e sequer conseguiu um lugar na primeira fila, mas tentou dar a volta por cima largando bem e roubando a segunda posição de Lewis Hamilton na primeira curva. Três voltas depois, Hamilton recuperou o segundo lugar e Webber parecia contente com o terceiro posto. Infelizmente, o alternador de seu carro virou pó e o australiano teve de abandonar a corrida na volta 16. Chega a Interlagos morrendo de medo de terminar o ano em sexto.

JEAN-ÉRIC VERGNE3,5 – Teve como maior feito o fato de ter sido o único piloto da Toro Rosso a ter passado para o Q2 do treino oficial, ficando num razoável 14º lugar no grid. Largou mal devido ao fato de ter partido da linha suja da pista, andou no meio do pelotão durante todo o tempo e abandonou a prova com a suspensão arrebentada. No entanto, não foi o pior de seus fins de semana na temporada – o que é um mau sinal.

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