Tem corrida neste fim de semana. Em Interlagos. É o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. Quadragésima edição. Derradeira etapa do campeonato de 2011. Tédio. Sono.

Às voltas com mil problemas financeiros e acadêmicos, confesso que estou dando de ombros ao grande prêmio. Vou assistir, é claro. Mas o ânimo não é o mesmo de outras edições, como a de 2008. Pelo visto, o sentimento é compartilhado por muitos. Ainda há ingressos disponíveis na bilheteria e nada indica que eles serão comprados por uma horda de hunos retardatários. É um panorama meio diferente do visto em anos anteriores, quando os ingressos se esgotaram muito antes da realização do evento.

Podemos enumerar várias razões. À Fórmula 1 e aos promotores das últimas provas, Sebastian Vettel lhes fez o grandessíssimo favor de resolver o campeonato lá em Suzuka e transformar as etapas remanescentes em amistosos da Seleção Brasileira contra Nicarágua. O fato de nenhum brasileiro estar em grande fase também contribui. Felipe Massa não se desprende do sexto lugar, Rubens Barrichello faz uma infeliz temporada com a caquética Williams e Bruno Senna padece na escuridão da Renault. Por fim, convenhamos, Fórmula 1 é tão anos 80 quanto Menina Veneno. As atenções do populacho estão com o MMA, esporte de honra e técnica para alguns e rinha de galo pós-moderna para outros.

Mas não nos desesperemos ainda. Ainda. A Fórmula 1 no Brasil tem destes altos e baixos, mesmo. O automobilismo não tem uma base fiel de fãs por aqui como tem na Inglaterra, por exemplo. Sua audiência sempre dependeu das vitórias de um ou do marketing de outro. Não tendo nada disso, não tem gente nas arquibancadas, equação simplíssima. Quanto aos outros fatores, como o domínio do Vettel, eles acontecem de vez em quando e não podem ser controlados. O Top Cinq de hoje relembra cinco edições mais recentes do Grande Prêmio do Brasil que foram simplesmente desinteressantes para a torcida, para a Fórmula 1 ou para ambos.

5- 1990

Naqueles dias finais do mês de março de 1990, quem é que realmente estava pensando em Fórmula 1 no Brasil? No dia 16 daquele fatídico mês, a destrambelhada ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello anunciou o plano mais absurdo que a história econômica brasileira presenciou.

Perdida no meio de explicações que nem mesmo o economista mais experiente conseguiria destrinchar, ela anunciou uma série de medidas que visavam controlar a hiperinflação que derretia a renda dos brasileiros e os obrigava a estocar bens e a aplicar seus parcos valores no famigerado overnight. A mais espúria das medidas, sem dúvida, era o congelamento das poupanças, das contas-corrente e dos depósitos de overnight. Resumindo muito porcamente, as pessoas só poderiam retirar o equivalente a US$ 1.500 de suas contas. O restante ficava preso durante 18 meses. Imagine o que é você não poder ter acesso ao dinheiro que é seu. Desnecessário dizer que esta estupidez estraçalhou a economia e a vida de muita gente.

Naqueles dias, a grana era escassa para todos. Mesmo assim, cem mil pessoas se dispuseram a pagar entre 500 e 8 mil cruzados novos para acompanhar ao menos um dos três dias do evento, que retornava à Interlagos após dez anos de hiato e uma enorme reforma promovida pela prefeita Luiza Erundina.  O circuito melhorou drasticamente em infraestrutura, mas perdeu boa parte do antigo e louvado traçado. Mas não era o retorno de Interlagos ao calendário que motivou a vinda de tanta gente. Uma única pessoa fazia o sujeito gastar seu parco dinheiro nos caríssimos ingressos: Ayrton Senna.

Senna vivia um inferno astral naqueles dias. Perdeu o título de 1989 para uma tramoia de Alain Prost, foi espinafrado por Jean-Marie Balestre, quase ficou sem a superlicença e ainda tomou um fora da Xuxa. A vitória em Phoenix revigorou os ânimos do então candidato ao bicampeonato. Mesmo assim, a fase ainda não era boa. E a torcida brasileira, que só podia contar com as alegrias da Fórmula 1, havia sentido o baque ao seu lado. Para piorar, o ex-nazista Balestre ainda aproveitou para ironizar a precária situação financeira daquela torcida que o acusava de ter ajudado Prost na cara dura no ano anterior. Ao perceber a fúria daquele povo que o vaiava e até atirava alguns tomates, Jean-Marie mandou uns beijos e ainda proferiu a seguinte pérola: “Na Córsega, eles jogam bombas ao invés de tomates. E, de qualquer forma, os brasileiros nem têm dinheiro para comprar tomates”.

4- 1992

O fator Senna realmente foi o fiel da balança do sucesso do Grande Prêmio do Brasil na primeira metade dos anos 90. Em 1992, a economia brasileira ainda continuava atolada na hiperinflação e a estabilidade política também estava com os dias contados. Quase dois meses depois do GP do Brasil, Pedro Collor, o irmão do então presidente Fernando Collor, concedeu uma entrevista à Veja revelando um portentoso esquema de corrupção orquestrado pelo presidente e seu ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias. Ou seja, o Brasil estava na merda e somente Ayrton Senna poderia trazer alguma felicidade à população.

Mas naquele ano, nem ele poderia. A Williams trabalhou duro e entregou a Nigel Mansell e Riccardo Patrese o FW14B, um dos melhores veículos automotores criados pelo homem. No início da temporada, Senna não tinha armas muito boas contra a esquadra de Frank Williams. O MP4/6 era excelente, mas apenas para a temporada de 1991. E o MP4/7A era simplesmente fracote perto dos belíssimos e ultratecnológicos FW14B, descritos pelo próprio brasileiro como “carros de outro planeta”.

Nas duas primeiras etapas do campeonato, a McLaren levou surras vergonhosas da Williams. Em Hermanos Rodriguez, Senna bateu forte em um dos treinos e não quebrou as pernas por pouco. Imagine se algo tivesse acontecido com ele. Interlagos, que sediava a corrida seguinte, ficaria vazia. Se bem que, mesmo com Senna e suas duas pernas em bom estado, não mais do que 26 mil pessoas estiveram presentes no domingo da corrida, número absurdamente inferior ao dos dois anos anteriores (38 mil em 1991, 47 mil em 1990). Mesmo com as pequenas reformas feitas pelas prefeitura, muitos brasileiros e estrangeiros ainda se lembravam do choque do Plano Collor em 1990 e do dilúvio que atingiu São Paulo na semana do GP de 1991. Nada menos que 16 mil ingressos ficaram encalhados nas bilheterias.

Tudo estava ruim, inclusive para os pilotos brasileiros. Roberto Moreno, coitado, tentou pré-classificar o carro de brinquedo da Andrea Moda e não conseguiu. Ayrton Senna, Mauricio Gugelmin e Christian Fittipaldi largaram, mas nenhum terminou a corrida. Quem queria ver Senna vencer se deu mal. Muita gente foi embora mais cedo. Enfim, cenário melancólico do GP do país do então tricampeão mundial.

3- 1995

Se 1992 teve lá seus ares de depressão, o que dizer do primeiro Grande Prêmio do Brasil pós-Senna? Sem seu grande ídolo, o que o povo poderia fazer em Interlagos? No máximo, dar todo o apoio aos três representantes brasileiros que poderiam tentar manter a bandeira verde, amarela e azul lá no topo do pódio. Mas não dava para esperar muito. Rubens Barrichello pilotava um Jordan-Peugeot apenas médio. Roberto Moreno e Pedro Paulo Diniz apenas faziam número no cacareco da Forti Corse, talvez a grande atração para os pachecos. Afinal de contas, era uma equipe com capital brasileiro, tinha as cores da bandeira e a mídia dava o mesmo apoio mambembe dos tempos da Copersucar.

Senna fez falta. O paddock, os torcedores, os pilotos, todo mundo sentia que uma corrida de Fórmula 1 no Brasil sem ele era uma coisa bastante esquisita, como se não houvesse mais qualquer razão para ela continuar acontecendo. As homenagens foram inúmeras. Cinco dias antes da corrida, cerca de duas mil pessoas, incluindo aí pilotos e mecânicos de várias equipes, fizeram um mutirão para visitar o túmulo de Ayrton no Cemitério do Morumbi. Pouco antes da largada, um paraquedista pulou exibindo a mensagem “Senna, saudades de você…”.

Entre os pilotos, ninguém parecia mais abatido e deprê do que Rubens Barrichello. Alçado ao status de maior representante brasileiro no grid, ele decidiu homenagear seu ilustre amigo pintando aquela parte habitualmente vermelha de seu capacete com as cores do casco de Senna. Infelizmente, Barrichello não o homenageou pelo seu desempenho. Tendo sérias dificuldades para frear com o pé esquerdo, ele largou em 16º e abandonou com problemas no câmbio. Desacostumado com a nova posição dos pedais, Rubens esquecia o pé esquerdo no freio enquanto acelerava na reta. Com isso, perdia muita velocidade na reta. Ele repetiu a cagada nas etapas seguintes e só percebeu algo errado lá pelos idos de Mônaco e Canadá.

Até houve um aumento no número total de pagantes em relação ao ano anterior (60 mil contra 40 mil em 1994), mas isso pode ser explicado pela inédita estabilidade na moeda, que aumentou bastante os padrões de consumo. Quanto à prova, ela foi chata e só ganhou alguma emoção cinco horas e meia após a bandeirada, quando Michael Schumacher e David Coulthard foram desclassificados porque a gasolina Elf que ambos utilizaram nos treinos não era a mesma apresentada antes do início da temporada. Os dois recuperaram seus resultados alguns dias depois após suas equipes recorrerem. É. Senna fez falta.

2- 1998

Não consigo vislumbrar ano pior do que o de 1998 para quem quisesse torcer por pilotos brasileiros. Você pode até falar que este ano está ruim, mas nenhum dos três pilotos atuais está em uma equipe propriamente ruim: Massa é ferrarista, Barrichello corre por uma equipe tradicional e a Renault de Bruno Senna também não é ruim. Pior é ter de escolher entre o mesmo Barrichello com a pior Stewart de todas, Pedro Paulo Diniz com uma Arrows ridícula e Ricardo Rosset tentando permanecer na pista com os restos de um Tyrrell.

É evidente que o cenário desolador dos brasileiros foi refletido na vendagem dos ingressos. Enquanto 65 mil ingressos haviam sido vendidos em 1997, apenas 50 mil foram comercializados em 1998. Não que a situação do ano anterior fosse muito melhor, com Rubinho em uma equipe novata e Pedro Paulo em uma equipe reestruturada. Mas a incógnita é sempre melhor do que a certeza. E a certeza de 1998 é que os brazucas não pelejariam por nada melhor que o 13º lugar. Dali para frente, território cativo de McLaren, Ferrari, Williams, Benetton, Jordan e Sauber.

E mesmo para quem não ligava para torcidas patrióticas as coisas não eram tão atraentes assim. Poucas pessoas estavam empolgadas pelo início da temporada. A FIA havia implantado uma série de exigências que tornaram a categoria definitivamente pior em 1998: carros mais estreitos, pistas mais estreitas e o pior, o advento dos pneus sulcados. Estas medidas visavam tornar a pilotagem mais complicada e aumentar as ultrapassagens. Pois só o primeiro objetivo foi obtido. Com isso, os muitos que ficaram maravilhados com a excelente temporada de 1997 estavam simplesmente aborrecidos com a “nova” Fórmula 1.

Meio à contragosto, todo mundo acompanhou tudo. A McLaren dominou os treinos e, mesmo deixando de usar um sistema de freios independentes devido aos protestos da Ferrari, ganhou a corrida com tranquilidade. Barrichello largou em 13º e abandonou. Rosset e Diniz dividiram a última fila e… abandonaram também. Foi um evento tão aborrecido que até eu me incomodei de ter de escrever sobre ele.

1- 2004

2004 foi outro ano bem chato. Chatíssimo. Michael Schumacher ganhou seu sétimo título mundial com extrema antecedência lá na região das Ardenhas, na Bélgica. De Monza para frente, somente corridas inúteis que serviriam para completar a tabela. A última etapa, tadinha, seria a mais marginalizada de todas. O pessoal do paddock nem estava mais com a cabeça na temporada. O peru de Natal e o IPVA eram assuntos mais relevantes.

Pois a última prova daquele ano aconteceu justamente no Brasil Varonil. Seria a primeira vez em mais de trinta anos que isso aconteceria. Até então, nós sediávamos uma das primeiras corridas do campeonato, se não a primeira. Se não estou enganado, a mudança foi feita para evitar as torrenciais águas de março, ou abril, que fecham o verão. Mudança besta, é claro, pois quem conhece Sampa sabe que a chuva não tem frescuras e cai quando quer. Mesmo em novembro, a corrida continuou sendo cortejada por nuvens e precipitações. De canivetes, às vezes.

Para os estrangeiros, foi um saco ter de sair lá dos confins da Ásia em direção à América do Sul cheia de malária, canibais e jacarés andando nas ruas. Verdade seja dita, boa parte dos xenos não suporta o Brasil. Na verdade, eles até gostam das praias, do churrasco, da caipirinha e dos clichês de costume, mas São Paulo é um lugar detestável para eles. Os torcedores brasileiros sempre estão presentes, no entanto. Em 2004, 70 mil se reuniram para ver a corrida. Neste Top Cinq, é o único caso em que o interesse nacional foi bem maior que o interesse dos de fora.

Afinal, Rubens Barrichello pilotava a Ferrari F2004, um dos melhores carros de todos os tempos, e monopolizava todas as atenções da equipe mafiosa naquele fim de semana chuvoso. Para quem não gosta dele, havia ainda o emergente Felipe Massa na Sauber e o defenestrado Ricardo Zonta na Toyota. Rubinho não decepcionou no sábado e marcou uma celebrada pole-position, mas foi deixado para trás por Juan Pablo Montoya e Kimi Räikkönen e consolou-se com seu primeiro pódio em Interlagos. Massa, ao menos, liderou suas duas primeiras voltas na vida, a seis e a sete.

Vale registrar que foi a última vitória na Williams na Fórmula 1. Sete anos. Puxa, mas faz tempo, hein?

MCLAREN9 – Sem Sebastian Vettel para atrapalhar, a McLaren se deu ao luxo de fazer sua festa particular no Golfo Pérsico. Sua dupla de pilotos, a mais balanceada do grid, sempre aproveita qualquer boa oportunidade que surja. Em Abu Dhabi, Lewis Hamilton foi constantemente um dos personagens principais desde o primeiro treino e ganhou a corrida após o abandono de Vettel na primeira volta. Menos brilhante, Jenson Button ainda conseguiu pegar o pódio após o pit-stop de Webber na última volta. Para ser a melhor equipe do grid, só lhe falta um carro que derrube o império rubrotaurino.

FERRARI8 – Neste fim de semana, a maior demonstração de rapidez foi vista no conserto do carro de Fernando Alonso, que bateu em um dos treinos livres de sexta. O espanhol também não perdeu tempo, deixou Button para trás na primeira volta e rumou a um bom segundo lugar. Felipe Massa até teve alguns momentos de arrojo, mas não passou do quinto lugar. Por incrível que pareça, quem parece estar se dando melhor com o 150TH é Jules Bianchi, o marrentinho metido a estrelinha que está andando bem nos testes de novatos em Abu Dhabi.

RED BULL1 – Venhamos e convenhamos que, RB7 à parte, tudo deu errado para a equipe campeã nos Emirados Árabes Unidos. Sebastian Vettel, pole-position, bateu sozinho na sexta-feira. Mark Webber, quarto colocado, perdeu sua melhor chance de ser o salvador da pátria rubrotaurina no ano. Os mecânicos, sempre eficientes, se complicaram no primeiro pit-stop do australiano. E aquele maldito pneu traseiro direito do carro nº 1, tadinho, explodiu ainda na segunda volta da corrida. Não, não tem como dar nota maior.

MERCEDES5,5 – Corrida até mais apagada que o normal. Nico Rosberg e Michael Schumacher terminaram naquelas posições que lhes pertencem, atrás das três grandes equipes e à frente do resto. Nico se deu melhor, mas não muito. Michael também não teve grandes problemas, mas Adrian Sutil chegou a dar um pouco de trabalho em alguns poucos instantes. Há algo mais a ser comentado? Acho que não.

FORCE INDIA 7,5 – Neste exato momento, é a quinta melhor equipe do grid e parece não ter adversários. Tanto Adrian Sutil como Paul di Resta conseguiram passar para o Q3 da classificação e, mesmo com estratégias diferentes, terminaram nos pontos. Sutil ainda chegou a andar à frente de Schumacher por algum tempo, mas teve de se contentar com o oitavo posto, resultado longe de ser ruim para alguém que poderá ficar a pé no ano que vem. Com este bom fim de semana, a Force India abriu 15 pontos de vantagem para a Sauber e está a 15 da Renault. Vai que acontece um milagre em Sampa…

SAUBER5,5 – Diante da falta de evolução do C30, não fez uma má corrida, não. Kamui Kobayashi, que não está em boa fase, até marcou um pontinho. Quem merecia ter ido melhor, no entanto, é Sergio Pérez, que só não pontuou porque teve de trocar o bico na primeira volta e foi parar lá no fim do pelotão. Mesmo assim, a vida está dificílima, a Force India se isolou na sexta posição do campeonato e a Toro Rosso está apenas um ponto atrás dos suíços.

WILLIAMS3 – Sorte sua que seus dois pilotos são bons, porque o restante… Tanto Rubens Barrichello como Pastor Maldonado tiveram de trocar seus motores nos dias de treinos e o brasileiro ainda teve um problema de vazamento de óleo que o fez largar na última fila. Como Maldonado havia sido punido pela troca de motor, ele largou na última posição, o que coroou um dos piores sábados da história da equipe de Frank Williams. O domingo foi bem melhor e tanto Rubens quanto Pastor fizeram boas corridas de recuperação. Na verdade, não faltou muito para pontuar. Por isso que a Williams não deveria trocar o talento pelo dinheiro. Se ficar sem pilotos bons, a equipe morrerá de vez.

RENAULT1,5 – Para ela, o ano já acabou. O carro já não está sendo desenvolvido há algum tempo e os pilotos são tratados como meros patrocinadores que podem desfilar com seus bólidos pretos durante alguns fins de semana. Em Abu Dhabi, Vitaly Petrov e Bruno Senna não conseguiram passar para o Q3 da classificação. Na corrida, o russo teve problemas com o DRS e o sobrinho não conseguiu fazer o KERS funcionar. A mudança de estratégia que a Renault fez com este último também não surtiu efeito. Enfim, mais um fim de semana jogado no lixo. Triste final da Renault como equipe de Fórmula 1.

TORO ROSSO2,5 – Não compensou o mau fim de semana da Red Bull. Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari ficaram no meio da tabela no treino oficial e não conseguiram pontos. Buemi até tinha boas chances, mas abandonou com problemas no sistema hidráulico, azarado como só ele. Alguersuari terminou, mas não andou bem e a equipe ainda não ajudou muito errando em um dos seus pit-stops. Mesmo assim, tem boas chances de deixar a Sauber para trás na classificação final em Interlagos.

LOTUS4 – Tudo como de costume. Heikki Kovalainen continuou deixando Jarno Trulli para trás e até sonhou em andar misturado no meio do pelotão. Os dois terminaram e não tiveram maiores problemas. Algo mais para falar? Não.

VIRGIN3 – Também não apresentou nenhuma novidade. Timo Glock sofreu para andar à frente de Daniel Ricciardo, mas conseguiu terminar a corrida. Por outro lado, Jerôme D’Ambrosio abandonou com problemas nos freios e, enquanto esteve na pista, teve muitas dificuldades com os pilotos da HRT. Nos próximos dias, os virginianos deverão anunciar a demissão do belga e a contratação de Charles Pic.

HRT2,5 – De volta à Fórmula 1, Vitantonio Liuzzi perdeu novamente para Daniel Ricciardo, mas foi o único piloto da equipe espanhola a chegar ao final. O australiano, diga-se, foi bem novamente, deixou D’Ambrosio para trás e deu o maior trabalho para Timo Glock. É um ótimo piloto e precisa de uma equipe melhor no ano que vem. Infelizmente, o alternador de seu carro quebrou.

TRANSMISSÃOIMPRESSÕES DE ABU DHABI – A emissora que transmite Fórmula 1 para o Brasil não escalou seu narrador principal para o GP de Abu Dhabi. Bom para ele, que foi enviado a Los Angeles para narrar umas rinhas de galo por aí. No seu lugar, aquele sujeito IMPRESSIONANTE, que se empolga com jogo da Bulgária, salada sem tempero, cerveja sem álcool e aula de Biologia. Previsível, pouco carismático e corporativo, é aquele tipinho que deve repassar todas as correntes que recebe no e-mail, que anda de Honda Fit cinza e que leva uma camiseta de time de futebol para o chefe. Como nada no fim de semana automobilístico foi exatamente marcante para mim, até mesmo por ter dormido na parte final da corrida, lembro-me apenas dos muitos, milhares, trocentos elogios tecidos por ele ao autódromo. Porque a pista é bonita, o hotel é impressionante e o pôr-do-sol é mais impressionante ainda. Como não me recordo de mais nada, ficam apenas os meus comentários sobre o quanto seu comportamento conformista, sua voz de bobo gratuito e sua cara de cidadão que vai ao bar tomar água gaseificada desagradam a este blogueiro que sempre enxerga o copo vazio.

CORRIDAVALEU, VETTEL – Não, não foi a corrida mais legal que eu já vi. Não que eu esperasse por algo diferente, uma vez que Yas Marina está muito longe de ser um circuito brilhante. Mas certamente poderia ter sido pior. Não fosse o maldito furo no pneu traseiro direito e Sebastian Vettel teria vencido pela ducentésima vez neste ano, quebrando algum recorde obscuro e atabalhoando calculadoras e tabelas. Felizmente, Sebá rodopiou delicadamente e abandonou a corrida ainda no comecinho. Lewis Hamilton ganhou sem grandes problemas, Fernando Alonso foi o segundo sem grandes problemas e nem Jenson Button teve lá tanto trabalho. Houve algumas brigas envolvendo os pares Button/Webber, Massa/Webber e Di Resta/Buemi, mas nada que merecerá muitas observações posteriores no Youtube. Para muitos, a graça da corrida de Abu Dhabi é o ocaso, o hotel todo azulado e a pujança. Pois bem, faço meus comentários. Ocaso é um negócio que vale a pena ser visto do alto de uma montanha ou de um prédio. O hotel azulado é de um tremendo mau gosto, tão cafona quanto a costeleta do Emerson Fittipaldi. E pujança, pra mim, é nome de doença de cachorro. Dito isso, a corrida passou de ano e só. E não é um diamante ou uma Ferrari que mudará a cabeça do professor aqui.

GP2QUIETÃO E DILMÃO – Olha só a GP2 aqui! Neste fim de semana, a melhor categoria do mundo realizou uma etapa extracampeonato como preliminar da Fórmula 1 no pseudocircuito de Yas Marina. Foi bacana porque as corridas da GP2 são sempre legais de se assistir. As equipes puderam testar alguns pilotos e, ao mesmo tempo, embolsaram algum pondo-os para correr. E a molecada que veio diretamente da GP3 pôde disputar um prêmio meio mixuruca dado aos dois melhores pilotos que estão neste grupo. A primeira corrida, que me fez acordar às cinco da manhã, foi vencida pelo suíço Fabio Leimer. Ele ganhou de ponta a ponta e não deu espaço a Luiz Razia e Jolyon Palmer, filho do médico. Não foi lá aquela corrida boa pra cacete, mas deu para se divertir um pouco com as traquinagens de gente ávida pelo sucesso como Nigel Melker e James Calado. A propósito, nosso querido britânico mudo foi a grande atração da corrida do dia seguinte. Oitavo colocado na primeira corrida, James largou na pole-position no domingo e não deu chances a Marcus Ericsson e Tom Dillmann, que soa quase como Dilmão. Com a vitória, Calado embolsou os 15 mil euros de premiação da Pirelli. Dillmann, segundo melhor calouro, levou 10 mil. E a temporada 2011 da GP2 silencia aqui.

É tudo a mesma merda feita de gesso e petróleo

LEWIS HAMILTON9,5 – Mesmo em má fase e carente, o inglês ainda mostra que é um dos grandes do grid. Desde o início, provou ser o grande adversário de Sebastian Vettel em Abu Dhabi. Liderou dois treinos livres, as duas primeiras fases do treino oficial e perdeu a pole-position por pouco. Na largada, manteve-se em segundo e ganhou de presente a primeira posição após o infortúnio de Vettel. Depois, ninguém mais conseguiu alcançar o ex-Nicole Scherzinger. Vencendo de maneira brilhante, conseguiu reverter o azar de 2009, quando teve um problema no motor enquanto liderava.

FERNANDO ALONSO8,5 – Segundo lugar suado, batalhado e sortudo. Seu carro não era páreo para os da Red Bull e McLaren, mas o espanhol não é bobo e compensa esta deficiência com uma astúcia de raposa. Embora tenha feito apenas o quinto tempo, Fernando largou muito bem e se viu em segundo após a rodada de Vettel. Durante a prova, não conseguiu ameaçar Hamilton e também não foi ameaçado por Button. Além disso, perdeu um pouco de tempo em uma de suas paradas. Mesmo assim, excelente segundo lugar.

JENSON BUTTON7 – Dessa vez, não encontrou coelho em sua cartola. Liderou o primeiro treino livre, mas não conseguiu mais nada. Largou em terceiro, meteu-se em um duelo encarniçado com Alonso na primeira volta, perdeu e não conseguiu sonhar com uma posição melhor no pódio. Ainda teve problemas com o KERS e sofreu para manter Mark Webber atrás, tanto é que os dois protagonizaram a briga mais bonita da corrida. Mesmo assim, ainda ficou em terceiro e conquistou pontos importantíssimos para o vice-campeonato.

MARK WEBBER5 – Assim não dá. Sem Sebastian Vettel na pista e pilotando o melhor carro da temporada, o mínimo que deveria ter obtido é a vitória. Mesmo com o vento a favor, não conseguiu nem o pódio. Em momentos distintos, viu-se obrigado a duelar com Massa e Button e perdeu as duas disputas. De quebra, não foi auxiliado pela sorte, pois o primeiro pit-stop foi muito ruim e o fez cair de quarto para quinto. E a estratégia de três paradas, com a última ocorrendo na última volta, foi patética. Como patético está sendo o piloto australiano neste ano.

FELIPE MASSA6 – Quinto lugar pela milésima vez neste ano, o paulista não trouxe novidade alguma nesta sua insípida temporada. Na classificação, não fez nada além do costumeiro sexto lugar. Na corrida, permaneceu em quinto durante a maior parte do tempo. Pôde sonhar com o quarto lugar quando Webber teve problemas em seu primeiro pit-stop, mas uma rodada na volta 49 enterrou seus planos. Pelo menos, a briga com Webber na volta 30 foi boa e terminou a favor de Massa. Nada que compense este domingo discreto, no entanto.

NICO ROSBERG6,5 – Outra competente encheção de linguiça do piloto teutônico. Sem se destacar muito nos treinos, ele só chamou a atenção quando devolveu uma ultrapassagem do companheiro Schumacher ainda na primeira volta. Da segunda volta em diante, as coisas não mudaram nada: os carros mais rápidos continuaram tranquilamente à sua frente e os demais permaneceram atrás. Ao menos, não foi ruim terminar a dois segundos da Ferrari de Massa.

MICHAEL SCHUMACHER5,5 – Dessa vez, o heptacampeão foi ainda mais discreto que Rosberg e reduziu drasticamente suas chances de terminar o ano à frente do companheiro. Mediano nos treinos, ele até chegou a ultrapassar o outro Mercedes na primeira curva, mas tomou o troco alguns segundos depois. Não conseguiu ameaçar Rosberg novamente, mas também não teve muitos problemas para ficar à frente dos demais, embora tenha ficado atrás de Adrian Sutil por algumas voltas. Ou seja, só fez um monótono passeio dominical.

ADRIAN SUTIL7 – Mais uma boa corrida de um cara que, definitivamente, não merece estar na situação complicada que está. Sempre entre os dez primeiros nos treinos, o alemão tentou apostar em uma estratégia de apenas uma parada na corrida, mas foi obrigado a mudar para duas. Ainda assim, esteve sempre nos pontos e chegou a andar à frente de Schumacher durante um bom tempo. Infelizmente para ele, o heptacampeão recuperou sua posição na última parada, mas o oitavo lugar não deixou de ter sido um ótimo resultado para Sutil.

PAUL DI RESTA6 – Se a sexta posição pertence a Felipe Massa, a nona é território cativo de Paul di Resta. O escocês foi nono nos três treinos livres e na corrida, além de ter feito a nona melhor volta. No treino classificatório, ele largou em décimo graças àquela sacanagem de não treinar no Q3. No caso dele, valeu a pena, pois ele pôde completar a corrida tendo feito apenas uma parada. O abandono de Sébastien Buemi, que chegou a ultrapassá-lo no início da corrida, facilitou bastante as coisas.

KAMUI KOBAYASHI5,5 – Depois de muito tempo, voltou a pontuar na Fórmula 1. Tudo bem, foi apenas um ponto, mas é melhor do que nada. Como sempre, foi mal no treino oficial e largou cinco posições atrás de Sergio Pérez. Na corrida, deu a volta por cima e ganhou um monte de posições logo na primeira volta. Kamui sofreu com os pneus médios nas primeiras voltas, mas pôde utilizar bons pneus macios a partir da quinta volta e conseguiu fazer uma boa corrida de recuperação. Mas não dá para ficar apostando sempre em estratégias abiloladas para tentar reverter uma má posição no grid.

SERGIO PÉREZ6 – O ponto da Sauber deveria ter sido dele e não de Kobayashi. No treino oficial, andou bem novamente e conseguiu o 11º lugar. Na corrida, bateu em Adrian Sutil logo no começo e teve de ir aos pits para trocar o bico. Posteriormente, teve problemas com os pneus médios e perdeu tempo. No final, ainda ficou sem o KERS. Mesmo assim, ficou a uma posição de pontuar. Injusto, definitivamente.

RUBENS BARRICHELLO7 – Mesmo à beira da aposentadoria, o cara é esforçado e determinado. Rubens tinha tudo para iniciar o domingo desanimado, especialmente após a troca de motor na sexta-feira e o problema de vazamento de óleo no sábado, que o impediu de marcar um tempo no Q1 da classificação. Mas ele preferiu deixar a depressão de lado e fez uma de suas melhores corridas nos últimos tempos. Largou bem, ganhou posições e aproveitou-se do fato de ter utilizado os pneus médios logo no começo, deixando os macios para o final. Terminou em 12º, a duas posições da pontuação. Fez a 11ª melhor volta da corrida. Excelente atuação, mas insuficiente para resolver sua vida após Interlagos.

VITALY PETROV3 – Fim de semana absolutamente esquecível. Com um carro ruim, Petrov não conseguiu sair do meio do pelotão durante todo o fim de semana. No treino classificatório, ficou em 12º. Na corrida, ficou sem o DRS e não conseguiu disputar posições. Ficou atrás de uma Williams, algo péssimo nos dias atuais. Lamentável fim de temporada.

PASTOR MALDONADO4 – Bem menos brilhante que Barrichello, também fez uma boa corrida, apesar dos pesares. No sábado, foi punido com a perda de dez posições no grid por ter utilizado um nono motor. No domingo, fez das suas, atrapalhou algumas gentes e tomou punição por ignorar as pobres bandeiras azuis. Ainda assim, deixou para trás pilotos com bólidos melhores. Não ganha nota maior por solidariedade minha com as bandeiras azuis.

JAIME ALGUERSUARI2,5 – Seu único mérito foi ter terminado uma corrida que o azarado companheiro Buemi abandonou. Perdeu para o suíço no treino oficial e não conseguiu superá-lo no início da corrida. Para piorar, sua equipe ainda lhe tomou algum tempo no primeiro pit-stop. Mesmo sem o problema, não acredito que ele teria marcado pontos. Se tivesse, não teria merecido.

BRUNO SENNA2,5 – Não foi tão pior que o companheiro Petrov, o que não é animador se considerarmos que o russo foi mal. Sonolento nos treinos, o sobrinho largou em uma convencional 14ª posição. Então, a Renault decidiu mudar tudo e o mandou fazer seu primeiro pit-stop logo no fim da primeira volta. A mudança de estratégia lhe deixou com pneus macios para o resto da prova, mas o carro não colaborou, o KERS também não deu as caras e o próprio piloto cavou uma punição após ignorar as bandeiras azuis. Somando tudo isso, dá para entender o porquê de ter sido o pior dos pilotos das equipes normais.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – Este é outro que foi capturado pela maldição dos números. Na sexta e no sábado, foi 18º nos três treinos livres e ainda marcou o 18º tempo no Q1. Na corrida, largou em 17º graças à punição de Maldonado, terminou em 17º e ainda fez a 17ª melhor volta da corrida. Ainda assim, não dá para dizer que ele foi mal. Kova fez uma boa prova e andou em 13º durante um bom tempo. Só perdeu tempo no final por ter utilizado pneus médios, mas o domingo não deixou de ter sido ruim.

JARNO TRULLI3,5 – Levou outra surra de Kovalainen. Nos treinos, não houve nada de novo e ele ficou sempre atrás do companheiro. Na corrida, enquanto Heikki brigava com a turma do meio do pelotão, Trulli batia cartão lá no final, perdendo algum tempo com os carros da HRT. Espero que os boatos que apontam uma quebra de contrato no fim deste ano sejam verdadeiros.

TIMO GLOCK4 – Nenhuma novidade. Largou atrás das Lotus, ficou apenas um décimo à frente do HRT de Daniel Ricciardo e fez mais uma corrida autista, sem disputar seriamente com ninguém. Teve mais dificuldades no final, quando foi obrigado a utilizar os pneus médios.

VITANTONIO LIUZZI2,5 – Foi o único de sua equipe a terminar a prova, o que representa sua única vantagem neste fim de semana de retorno à categoria. No treino classificatório, fez o último tempo e só fugiu da última fila graças aos dramas da Williams. Na corrida, destacou-se por mais uma boa largada, mas foi perdendo todas as posições com o passar das voltas. Não está oferecendo resistência a Daniel Ricciardo.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Já é o melhor piloto de sua equipe com sobras. No treino oficial, deixou Liuzzi e D’Ambrosio para trás de uma só vez. Poderia ter ganho várias posições na largada, mas cometeu um erro e acabou ficando para trás. Mesmo assim, manteve um ótimo ritmo e chegou a ameaçar Glock durante algumas voltas. Infelizmente, o alternador falhou e seu carro parou. Mau sinal para mim. Meu mecânico disse que o alternador do meu Corsa também está prestes a quebrar.

SÉBASTIEN BUEMI6 – Faltou-lhe sorte novamente. O sistema hidráulico de seu carro apresentou vazamento no pior fim de semana possível, aquele em que o suíço conseguiu render bem mais que o colega Alguersuari. No treino oficial, Buemi foi apenas razoável, mas o espanhol foi bem pior. Na corrida, ele chamou a atenção com uma bela disputa com Paul di Resta pelo nono lugar. Após algumas voltas, conseguiu a ultrapassagem e começou a sonhar em tomar as posições de Sutil e Schumacher. Infelizmente, o abandono não tardou a acontecer.

JERÔME D’AMBROSIO1,5 – Se a demissão logo após uma temporada soa injusta, também é certo dizer que D’Ambrosio não está fazendo muito para merecer uma renovação de contrato. No Q1 da classificação, voltou a largar atrás do HRT de Ricciardo. Na corrida, andou por algum tempo em último até abandonar com problemas nos freios. Ninguém notou. Como sempre.

SEBASTIAN VETTEL4 – Que coisa, hein? O atual bicampeão mundial não sabia o que era abandonar logo na primeira volta desde o GP da Inglaterra de 2008, quando rodou logo na curva 14. Dessa vez, o abandono não foi culpa sua. Longe disso, até. Logo na terceira curva, o carro rodopiou após um furo no pneu traseiro direito. Sebastian até conseguiu voltar para os pits, mas a suspensão estava totalmente danificada e o fim de semana acabou exatamente ali. O mais curioso é que este foi o segundo incidente dele no fim de semana: na sexta-feira, ele bateu sozinho na primeira curva em um dos treinos livres. Para compensar, ele fez mais uma pole-position impecável, a 14ª na temporada. Fim de semana tão estranho que é até difícil atribuir-lhe uma nota. Como eu considero o conjunto carro-piloto, não dá para perdoar muito.

Porque não dá para beber nada naquela porra de região

GP DE ABU DHABI: A pista não é grandes coisas e também não é o pior desastre de todos, mas é absolutamente secundária em Yas Marina. O que importa, é claro, é o que se passa fora do asfalto. Eu nunca fui aos Emirados Árabes Unidos e não tenho a menor vontade de ir para lá também, mas imagino que deve ser um lugar insuportável de tão artificial. Hotéis com torneiras de ouro, ilhas em formato de coqueiro, pistas de esqui, shoppings portentosos, burcas de grife e areia. As pessoas que habitam este eldorado movido a óleo refinado devem ser igualmente imbecis: aqueles xeiques obesos e barbudos que fumam compulsivamente, andam de Ferrari e fingem saber inglês porque cursaram Economia na London School of Business. Não, não tenho inveja de nada disso. Para mim, aquela região continua sendo tão primitiva, autoritária, estéril e dependente unicamente do aumento de preços do petróleo como nunca deixou de ser. Ou seja, são todos idiotas. E seu Grande Prêmio de Abu Dhabi simboliza tudo o que há de ruim na Fórmula 1 como um espetáculo comercial e na riqueza como um fim em si mesmo. Enfim, detesto. E nem me venham com esta de “mas se você recebesse um convite para ver uma corrida lá, aceitaria no ato”. Pegaria o convite, venderia para algum otário deslumbrado, ignorante e absurdamente consumista (existem muitos) por um preço altíssimo e utilizaria a grana para passar uns dias na Europa.

MERCEDES: A equipe de Stuttgart fechou hoje sua dupla para 2012 e, provavelmente, para 2013. Os pilotos serão Ayrton Senna e Jimmie Johnson, com Alex Yoong trabalhando como piloto de testes. Mentira. Nada irá mudar no futuro, assim como nada mudou do ano passado para este. Michael Schumacher, que andou ganhando uns títulos por aí, já tinha contrato assinado com a Mercedes para o próximo ano, mas o confiável e nem um pouco escandaloso noticiário alemão Sport Bild afirmou que ele deverá correr também em 2013. Mesmo que a fonte seja uma droga, em se tratando de Schumacher, nada é impossível. Aos 42 anos, ele continua animado e disposto a erguer mais uma equipe ao estrelato. Seu companheiro, o discreto Nico Rosberg, anunciou hoje a renovação de seu contrato por vários anos. A equipe confia em Nico, que nunca ganhou uma corrida e nem tem lá um portfólio de grandes atuações, e acredita que ele será campeão um dia. Eu não acho. Rosberg filho é, na melhor das hipóteses, um Elio de Angelis contemporâneo, piloto conservador de imagem sofisticada. Eu quase nunca acerto meus palpites, mas penso que a primeira vitória desta nova Mercedes deverá ocorrer numa corrida mais inspirada de Schumacher.

LOTUS: Encerrou-se ontem a guerra judicial mais besta dos últimos tempos. Lotus e Lotus confirmaram que um acordo foi feito e aquela disputa pelo uso da famosa marca criada por Colin Chapman há um bom tempo foi finalmente encerrada. No fim das contas, a Lotus deixará de ser Lotus a partir do ano que vem, quando será apenas Caterham, um nome simpático e de relevância no automobilismo britânico. A outra Lotus assumiu o direito de ser Lotus por meio da Renault, que deixará de existir como equipe definitivamente em 2012. Logo, só vai existir uma Lotus. É bom porque situações como aquela vista na GP2, na qual cada Lotus tinha sua equipe e pintava seu carro de verde e amarelo, não vão ocorrer mais. É bom porque cada equipe terá identidade própria – e uma equipe Caterham não deixa de ser charmosa. É ruim porque provavelmente não teremos um carro preto e um verde no ano que vem. É ruim porque o nome Lotus ficou bastante desgastado nesta polêmica. No fim, se colocarmos tudo na balança, você vê que sua vida não mudou em nada.

NOVATOS: Como a corrida de Abu Dhabi será chata e inútil, vamos cavar outros assuntos. Entre os dias 15 e 17 de novembro, a pista emiratense de Yas Marina promoverá a única oportunidade que jovens doidos para pilotar um carro de Fórmula 1 terão no ano. Estas sessões são interessantes para todos. As equipes não aproveitam muito em termos técnicos e esportivos, mas as maiores podem testar talentos visando o futuro e as menores embolsam uma boa grana com pilotos milionários. Os pilotos obviamente aproveitam a chance de dirigir um carro de Fórmula 1, o que nunca é ruim. Quem acompanha o esporte terá a oportunidade de conhecer o pessoal que poderá aparecer nas manchetes nos próximos anos. Por fim, Bernie Ecclestone e o pessoal de Abu Dhabi devem embolsar bastante de alguma forma. Os perfis dos testadores são ecléticos. Gary Paffett, 30, é o tiozão, possui carreira sólida no DTM e nem deve mais pensar em ser piloto titular de Fórmula 1. Sam Bird, Jules Bianchi, Jean-Eric Vergne, Esteban Gutierrez, Valtteri Bottas, Mirko Bortolotti, Kevin Korjus, Robert Wickens e Alexander Rossi são apostas sérias para os próximos anos. Luiz Razia, Oliver Turvey e Jan Charouz já estão há algum tempo no automobilismo de base e não querem perder o bonde. Max Chilton, ao que me parece, é o pior da turma. Achei legal. No ano passado, avacalharam demais com gente como Vladimir Arabadzhiev e Rodolfo Gonzalez.

GP2: Corrida extracampeonato. Há quanto tempo não vejo algo do tipo em uma categoria top. A Fórmula 3 sempre realiza as famosas provas de Macau e Zandvoort, mas iniciativas do gênero não ocorrem dali para cima. Neste ano, o presidente da GP2 Bruno Michel decidiu promover algo diferente e legal. Sua categoria terá uma rodada dupla em Abu Dhabi que não valerá pontos, mas sim dinheiro. Todos os pilotos que vieram da GP3 estarão concorrendo a uma singela porém fácil premiação concedida pela Pirelli. O piloto da GP3 que tiver conseguido mais pontos embolsará quinze mil euros. O segundo melhor receberá dez mil euros. Parece pouco, mas consideremos algumas coisas. No grid de 26 carros, haverá apenas seis pilotos que fizeram a temporada da GP3 neste ano, James Calado, Tom Dillmann, Rio Haryanto, Nigel Melker, Simon Trummer e Antônio Félix da Costa. Ser o melhor deles, portanto, não é a coisa mais difícil do mundo. Além disso, quinze mil euros não é pouco para um garoto de 20 anos que paga muito para correr. Por fim, você mesmo dispensaria este dinheiro?

Jerôme D'Ambrosio, o sujeito mais esquecido da atual temporada

Quando abri este blog, determinei que uma das coisas que eu não faria seria deixar de lado um piloto que não tivesse lá muito espaço em outros veículos. Isso vale ainda mais para um piloto de Fórmula 1, aquela categoria que despeja luzes de milhões de holofotes sobre as cabeças de seus astros. Por isso, eu nunca poderia deixar de mencionar aquele que é, com certa folga para os demais, o piloto mais deixado de lado no grid atual.

Jerôme D’Ambrosio, o belga de 25 anos que compete ao lado do discreto Timo Glock na discreta Marussia Virgin, é um sujeito que consegue superar seus pares com louvor em se tratando de não chamar a atenção. Até aqui, não consigo pensar em nenhum outro nome mais esquecido. Narain Karthikeyan foi lembrado por ter sido o único representante dravídico no Grande Prêmio da Índia. Daniel Ricciardo é a nova cria da Red Bull, está andando direitinho na HRT e recebendo elogios de todas as partes. Timo Glock é macaco velho, não tem como ser totalmente esquecido. Vitantonio Liuzzi, com sua cara de maloqueiro, não passa despercebido em lugar nenhum.

Ao contrário deles, Jerôme não tem nenhuma característica especial. Nenhuma. O nome, talvez. Pelo lado negativo. Jerôme D’Ambrosio não é nome de campeão. Não é simples como Jim Clark. Não é forte como Michael Schumacher. Não é sonoro como Nigel Mansell. É apenas uma combinação longa, desconfortável e de pronúncia incerta. Jerrôme Dambrrosiô? É a pronúncia que eu uso, embora eu nunca tenha precisado pronunciar seu nome. Jerrôme Dambrósio? É a pronúncia da Globo e, imagino eu, da maioria das pessoas. Não considero esta maneira errada porque D’Ambrosio é um sobrenome italiano como Barrichello ou di Resta. Enfim, o que importa é a mensagem passada. E o nome Jerôme D’Ambrosio não sugere nada. Talvez o nome de um cineasta, um estilista ou um chef de cozinha.

D’Ambrosio também não se destaca nos demais aspectos. Ele tem 1m72 de altura e 62 quilos. Seu Índice de Massa Corpórea é de 21, absolutamente dentro da normalidade. Sua altura é completamente comum para um piloto de Fórmula 1, nem pouca como em Felipe Massa (1m66) e nem muita (1m85) como em Mark Webber. Sua aparência também não se destaca por um nariz de Prost, um bigode de Mansell, uma sobrancelha de Alonso ou um queixo de Schumacher. Ele tem olhos grandes, bizarramente grandes, mas e daí? Não é por isso que você irá reconhecê-lo na rua, gritar “Jerôme, meu querido!” e correr atrás de um autógrafo.

O belga também não se destaca em termos comportamentais. Este é um padrão na soturna equipe Virgin, que se notabilizou pela sua enorme discrição – algo que, diga-se de passagem, não deixa de ser curioso em se tratando de uma ideia criada pelo ególatra e marqueteiro Sir Richard Branson. O companheiro Timo Glock também é um cidadão normal e tal, mas é também um sujeito de carreira consolidada que não precisa se expor muito. Além disso, ele mesmo já teve seus 15 minutos de fama, como aquela fatídica corrida de Interlagos. D’Ambrosio, ao contrário, ainda precisa de um momento realmente chamativo na Fórmula 1.

D'Ambrosio no ano passado, quando fez alguns treinos de sexta-feira pela Virgin. Alguém deu bola?

Peguei uma entrevista do cara, concedida à Autosport há alguns meses. Cara entediada, voz de adolescente, inglês relutante, comentários genéricos. Até o clichê for sure, expressão detestada pelos britânicos, esteve presente logo na primeira pergunta. Vamos dizer que a personalidade do piloto Jerôme mistura o corporativismo dos garotos criados a leite condensado com achocolatado que estão surgindo no automobilismo com a timidez de um sujeito sem brilho e sem grandes coisas para dizer.

Imagino eu que vários de vocês devem estar indignados com este texto até aqui. Quem é você, blogueiro medíocre, para apontar como um piloto deve se comportar ou não? D’Ambrosio não está em seu direito de ser tímido, entediante e discreto? Por acaso, um piloto de corrida é pago para pilotar bem ou para agradar a um povo ridículo, ignorante e sedento pelas manchetes de um noticiário de fofocas? Todo piloto é obrigado a ser midiático como Jacques Villeneuve?

Eu concordo com o teor de todas estas perguntas. Na verdade, sou daqueles que defendem a naturalidade no comportamento de uma pessoa pública. Se a cantora gospel quer ir a uma festa para beber absinto e abrir as pernas para um rapper paulistano, não podemos criticá-la. Se o ator global quer participar de um bacanal com doze garotos de programa, qual é o problema? Ninguém tem a obrigação de fazer o papel de norte moral ou messiânico do povo. Ninguém deve, ou ao menos deveria, agir de modo a agradar aos outros. Exposta minha opinião, encaremos a realidade.

Como alguém que provavelmente gostaria de ser um piloto de Fórmula 1 de sucesso, Jerôme D’Ambrosio deveria aparecer mais nas manchetes por aí por uma única razão: um piloto bom precisa ser, além de tudo, midiático. Ele precisa agir como um Fernando Collor em época de eleição, demonstrando todo o seu heroísmo, o seu destemor e a sua genialidade. Deve se aproximar do repórter e proferir alguma frase bombástica, chocante ou filosófica. Deve também buscar algum diferencial, seja pela aparência, por algum gestual ou até mesmo pela sua indumentária. Por quê?

Porque o automobilismo exige este tipo de coisa, e não é de hoje. Nos anos 80, cada um dos quatro grandes pilotos tinha lá seu papel. Ayrton Senna era o jovem emergente que se mostrava absolutamente obcecado pela Fórmula 1 e que não se contentava com qualquer outra coisa além da vitória. Alain Prost era o macaco velho que entendia de política, que sabia se livrar das más situações como ninguém, que conservava o carro na pista como poucos e que manipulava as pessoas ao seu redor como um bom discípulo de Maquiavel. Nelson Piquet era o playboy que fazia as coisas naturalmente, que não gostava do mundo hipócrita da Fórmula 1 e que só queria se divertir um pouco. Finalmente, Nigel Mansell era apenas o mortal ingênuo e desprovido de jogo de cintura que pilotava um carro de corridas como poucos e que foi alçado à condição de estrela de maneira meteórica. Os quatro tinham personalidades completamente distintas e cabia ao fã escolher seu piloto preferido.

Jerôme na GP2, categoria na qual ficou durante três anos. Ele bateu Kamui Kobayashi nos dois anos em que correram juntos, mas ninguém viu

Pensem agora em uma situação contrária. Imagine se Prost fosse um afável colega de todos os seus adversários, se Piquet trocasse as festas por noites de sono bem dormidas e visitas à igreja, se Senna fosse um sujeito resignado que gostasse de tomar uma cervejinha com os amigos após uma derrota e se Mansell fosse um piloto de corridas de carreira normal e sem sofrimento. Estaríamos nós, após duas décadas, discutindo seus feitos ou suas rivalidades? Teriam eles sobrevivido a uma Fórmula 1 de pilotos extremamente profissionalizados que precisavam possuir um mínimo diferencial que fosse? Não, porque pilotos de corrida não são pessoas comuns. Se fossem, ninguém perderia tempo com automobilismo.

Não que eu ligue muito para estas coisas, mas muita gente liga, este grande público que só assiste às corridas se tiver alguém para torcer – a favor ou contra. Sebastian Vettel é o mocinho, o cara simpático e sorridente que ganha todas as corridas, Fernando Alonso é o vilão que está metido em todas as canalhices, Jenson Button é o playboy gente boa, Michael Schumacher é o velho campeão que ainda dá o ar da graça e cada um vai assumindo uma posição. Com isso, Jerôme D’Ambrosio acaba sendo tão importante quanto aquela criança vestida de arbusto na peça da escola.

Se o piloto não se destaca, fica difícil obter patrocínio, utilizar a mídia para reclamar um melhor lugar na categoria, reunir fãs ou mesmo ser lembrado por alguém importante. Sem destaque, não há dinheiro, não há carro e não há carreira na Fórmula 1. Por isso que, infelizmente, um piloto profissional de corridas precisa, sim, ser tão competente quanto chamativo.

É um processo longo e muito difícil para alguém como D’Ambrosio. No seu caso, até mesmo uma ou outra cena mais inusitada de sua carreira não serve para mudar sua imagem de sujeito apagado. Imagine se, por outro lado, tivesse sido Sebastian Vettel o infeliz piloto a mergulhar seu carro na poça. Ou se Lewis Hamilton tivesse sido o desastrado que tivesse rodado nos boxes de Hungaroring. Os dois incidentes estariam sendo discutidos até agora e os dois astros estariam crucificados com muitos pregos.

O chato é que Jerôme D’Ambrosio é um bom piloto, sim. Não consigo dizer se ele é melhor que Lucas di Grassi, que ocupou seu carro no ano passado e que conseguiu um bom vice-campeonato na GP2 em 2007. Na pista, os dois se assemelham bastante: nenhum deles faz o estilo agressivo. A grande vantagem de Di Grassi é o seu marketing pessoal. O brasileiro sempre ressaltou suas qualidades de sujeito de inteligência acima da média e um dos poucos pilotos do país que são aptos para pilotar decentemente um carro de Fórmula 1. Mesmo que tudo isso seja verdade, Di Grassi não conseguiu traduzir sua genialidade em resultados. Pilotando o VR01, ele ficou muito atrás de Timo Glock, sofreu para superar os carros da Hispania em algumas ocasiões e não obteve nada melhor do que um 14º lugar.

Lucas di Grassi, que fez um papel muito parecido com o de D'Ambrosio no ano passado. Resultado: está a pé

A descrição da temporada 2010 de Lucas cabe perfeitamente à temporada 2011 de D’Ambrosio: o belga não consegue andar próximo de Glock, sofre para superar os carros da HRT e nunca terminou em uma posição melhor que a 14ª. Se há diferenças técnicas entre os dois, são pontuais e insuficientes para apontar quem foi o melhor segundo piloto da Virgin. Para infelicidade do belga, seu destino também deverá ser semelhante ao do brasileiro: no ano que vem, ele deverá dar lugar a Robert Wickens, Charles Pic ou Giedo van der Garde. D’Ambrosio seria, desta maneira, o segundo piloto a ser jogado no lixo pela Virgin.

Desde sempre, o piloto de Etterbeek nunca foi uma das últimas bolachas do pacote. Ele obteve até hoje dois títulos, um na Fórmula Renault belga e outro na Fórmula Master, tendo sido o único piloto da curta história desta categoria a ter chegado à Fórmula 1. Ele teve também algumas passagens curtas pela World Series by Renault e pela Fórmula Renault europeia, mas não obteve sucesso.

Quieto, D’Ambrosio conseguiu subir para a GP2 no fim de 2007, pouco após ganhar o título da Fórmula Master. Sempre pilotando pela DAMS, ele disputou duas temporadas da série asiática e três da série europeia. Na Ásia, conseguiu um vice-campeonato em 2008/2009, tendo perdido para seu companheiro Kamui Kobayashi. Este relacionamento entre ambos, aliás, é bastante curioso. Nos dois anos em que correram juntos na GP2 europeia, D’Ambrosio bateu Kobayashi com enorme folga. Hoje em dia, na Fórmula 1, quem se atreveria a dizer que o belga é superior ao japonês?

D’Ambrosio venceu apenas uma corrida na GP2, a etapa de sábado da rodada dupla de Mônaco em 2010. Foi uma vitória magra e discreta, na qual ele herdou a pole-position após ter terminado em oitavo no sábado, se aproveitou da enorme dificuldade de quem largava da segunda posição para trás e liderou de ponta a ponta. Fora isso, ele obteve seis pódios em três temporadas. Os números pouco brilhantes podem ser justificados pela incompetência da DAMS em lhe fornecer um carro competitivo. Mesmo assim, a impressão que Jerôme deixou na categoria de base é a de um piloto excessivamente conservador e discreto. Na GP2, sabemos que o sujeito não pode ter este perfil. Na Fórmula 1, pior ainda.

Hoje, ele está aí, esperando para ver o que acontece. Sem grandes ambições, ele não é mencionado por nenhuma outra equipe da Fórmula 1 quando se fala em 2012. Talvez não se lembrem dele nem na Indy, no DTM ou na Stock Car Brasil. E D’Ambrosio não se esforçará para ser muito mais do que ele é hoje, um bom piloto escondido atrás de um perfil completamente inexpressivo. Infelizmente, gente como ele não encontra lugar na performática Fórmula 1.

Hamilton, Webber e Massa: sintam-se aliviados. É melhor serem mal falados do que simplesmente esquecidos.

RED BULL – 9,5 – Mais um fim de semana quase perfeito. Quase porque Mark Webber nunca consegue fazer seu trabalho por completo. O crocodilo dândi até largou na primeira fila, mas perdeu posições para Jenson Button e Fernando Alonso e nem subiu ao pódio. Restou, portanto, celebrar a milésima vitória de Sebastian Vettel. As coisas são muito fáceis, mas vai ser difícil contar com o carro número dois para o vice-campeonato.

MCLAREN – 8 – É outra que só anda tendo felicidade com um de seus pilotos. Neste caso, quem vem fazendo seu trabalho direitinho é o segundão Jenson Button, que fez uma ótima primeira volta, deixou Mark Webber para trás e terminou a corrida na segunda posição. Lewis Hamilton, o badalado primeiro piloto, ainda padece do fim de seu conturbado namoro, fez cagada na sexta-feira, se envolveu em um toque com Felipe Massa pela centésima vez no ano e desperdiçou mais uma corrida que poderia ter sido boa. E a McLaren segue em seu papel constante de segunda melhor equipe.

FERRARI 6,5 – A corrida nem foi aquelas coisas, mas este nem foi o assunto principal. Saiu um boato de que os ferraristas teriam surrupiado um suporte da asa dianteira do Red Bull de Mark Webber lá em Monza. Este suporte teria sido instalado no carro de Felipe Massa, o que explicaria as constantes batidas que sua asa dava no asfalto neste fim de semana. O brasileiro destruiu suspensões dianteiras de seu carro no sábado e no domingo e não terminou a prova. Fernando Alonso, ao menos, chegou em terceiro. E ainda há quem chame a McLaren de McLadra. Ironia.

MERCEDES 6 – Começou assustadoramente mal na sexta-feira, andando nas últimas posições. No dia seguinte, melhorou, mas não muito, e Michael Schumacher acabou ficando de fora do Q3. O melhor dia dos teutônicos foi o domingo. O alemãozão fez uma boa corrida de recuperação e deixou Nico Rosberg para trás. Este daqui foi o mesmo taxista enervante de sempre, mas pode ser perdoado pela equipe não ter feito um grande trabalho na última parada.

TORO ROSSO – 8 – Se o motor Ferrari do carro do Sébastien Buemi não tivesse virado poeira, certamente teria recebido uma nota bem maior. Tanto o suíço como o companheiro Jaime Alguersuari andaram muito bem desde a sexta-feira, conseguiram passar para o Q3 no treino oficial e apareceram bem no domingo. Só o espanhol conseguiu avistar a bandeira quadriculada e marcou os quatro pontos da oitava posição. Nas últimas corridas, vem em boa briga com a Force India pelo status de quinta melhor equipe do final do ano.

FORCE INDIA – 7 – Também não foi mal, mas marcou pontos com apenas um carro quando tinha totais possibilidades de ter marcado dois. O problema foi a estratégia fracassada de Paul di Resta, que quis largar com pneus duros e teve de fazer uma troca a mais. Enquanto isso, Adrian Sutil largou entre os dez primeiros e terminou em nono. O carro continua muito bem e, em casa, a equipe fez bonito e agradou a todos. O que não foi tão bonito assim foi o lado visual: aquele novo logotipo da equipe, com a palavra Sahara, ficou horrível. E tão horrível quanto foi o anúncio daquele tal filme de Bollywood no bico. Os indianos não aprendem.

SAUBER – 3 – Só não saiu da Índia na pindaíba porque marcou um minúsculo pontinho com Sergio Pérez, que passou por tudo quanto é tipo de pepino neste fim de semana e ainda conseguiu se recuperar de modo a terminar em décimo. O companheiro Kamui Kobayashi teve mais um fim de semana triste e sequer completou a primeira volta. O carro está muito ruim e não consegue mais bater a Force India, a Toro Rosso ou sequer a Renault. É a falta de dinheiro, bebê.

RENAULT – 3,5 – Outra equipe que está decaindo porque a carteira esvaziou. Nenhum de seus dois pilotos, Vitaly Petrov e Bruno Senna, conseguiu passar para o Q3 do treino oficial. O soviético ainda teve o revés de perder cinco posições no grid. Na corrida, os dois continuaram fora da turma dos dez primeiros e só levaram o carro até o fim. O carro do sobrinho ainda estava com o KERS todo estraçalhado. De positivo, só a perspectiva de ser a única Lotus da próxima temporada.

LOTUS – 6 – Segue naquela evolução lenta, segura e gradual, como diria o general. Tony Fernandes não quis saber de empregar Karun Chandhok neste fim de semana e manteve a dupla original, decisão corretíssima. Heikki Kovalainen conseguiu fazer uma boa corrida e pode comemorar o fato de ter terminado à frente de um carro da Williams. Jarno Trulli, sempre cheio dos fantasmas ao redor, foi tocado na primeira volta e teve a corrida prejudicada. Em algum momento, cheguei a pensar que a equipe esverdeada marcaria seu primeiro ponto na Fórmula 1.

WILLIAMS – 1 – Pois é. Em um dos piores fins de semana de sua existência, a tradicional equipe britânica só pode registrar que um de seus carros abandonou com o câmbio quebrado e o outro terminou atrás de um Lotus. Este que chegou ao fim, Rubens Barrichello, só perdeu tanto tempo porque acabou sendo tocado justamente por aquele que saiu da prova com o problema no câmbio, Pastor Maldonado. E o carro seguiu lento como de costume. É isso mesmo que você quer, Kimi?

VIRGIN – 2,5 – Na pista, nenhuma novidade. Os pobres mecânicos tiveram de varar a noite de sexta para sábado consertando o carro que o engraçadinho do Jerôme D’Ambrosio tratou de destruir no treino livre. Na sessão oficial, o câmbio do carro de Timo Glock falhou e ele nem conseguiu marcar um tempo válido. Como o belga também não foi rápido, os dois ficaram nas duas últimas posições e só não largaram na última fila graças às desventuras da HRT. Na prova, o alemão se envolveu no acidente da largada e abandonou cedo. D’Ambrosio fez o passeio dominical de sempre e chegou ao final. Em 2012, muda de nome: desvirgina-se e vira somente Marussia.

HRT 3 – A presença ilustre de Narain Karthikeyan fez os indianos voltarem suas bilhões de atenções à pequena equipe hispânica. Tanto ele como Daniel Ricciardo não foram mal no treino oficial e até conseguiram fazer o 21º e o 22º tempos, mas não se separaram da última fila porque o indiano atrapalhou Schumacher em um treino livre e o australiano teve o câmbio de seu carro trocado. Na corrida, apesar de ambos terem atrapalhado o caminho da galera e de um deles ter empurrado Trulli para grama na primeira volta, os dois carros cruzaram a linha de chegada.

TRANSMISSÃO – HMM, TEDDY – Momento antológico. Para nós, micos-leões da Amazônia, a transmissão do Grande Prêmio da Índia não teve nada de mais. O narrador oficial foi substituído pelo seu colega impressionante, aquele que se empolga até com a vida cultural de Campinas. Algo digno de nota? Não que eu me lembre, embora os erros sejam absolutamente comuns em uma transmissão realizada às sete e meia da madrugada de domingo. Foda-se. O melhor momento da temporada aconteceu logo após o toque entre Lewis Hamilton e Felipe Massa. Lá dos boxes da McLaren, o mestre Rowan Atkinson, que mereceria ganhar um Nobel da Paz, da Física e um Pulitzer, encarnou seu personagem mais famoso quando houve o acidente. Nunca mais teremos um momento igual a esse na Fórmula 1. Mas Senhor Feijão deveria olhar um pouco no espelho quando faz careta para alguém batendo um carro da McLaren. Afinal, ele é bem experiente nisso.

CORRIDA NOVA ISTAMBUL – Parece nome de bairro de pobre, né? Não é isso. Buddh é realmente uma pista fofinha, com um tobogã bem bonito, algumas chicanes muito velozes, uma curva com cara de rotatória, um grampo em subida e algumas outras coisas legais. Nem parece pista daquele nazista viado do Hermann Tilke, diriam os odiadores de plantão. Tudo bem. Mas custava ter proporcionado uma corrida mais legal? O circuito indiano sofreu, ao menos neste ano, do mesmo mal que costuma afligir o igualmente belo circuito de Istambul: o traçado é muitíssimo mais interessante do que a diversão que ele proporciona. É claro que dá para culpar Sebastian Vettel, que ganhou mais uma de ponta a ponta, pelo tédio. Mas as ultrapassagens foram poucas e quase todas ajudadas pela asa movel. Lewis Hamilton, é claro, foi quem tentou um caminho diferente, mas só conseguiu um novo acidente com Felipe Massa. Jenson Button alegrou a corrida lá na frente, Fernando Alonso foi sorrateiro, quem é do meio ficou lá no meio e quem é do fundão fechou o grid. Enfim, absolutamente nada de novo. E as pistas mais legais seguem nos aborrecendo com corridas chatíssimas.

Lembre-se: Pedro Álvares Cabral cometeu o mesmo engano
SEBASTIAN VETTEL10 – No Japão, perdeu a vitória. Na Coréia, perdeu a pole. Dessa vez, ele voltou à sua perfeição habitual. Fez a pole-position com 0,3s de vantagem para Hamilton, largou bem e desapareceu na frente. Ganhou sua décima primeira corrida neste ano. Como liderou todas as voltas e marcou a melhor volta da prova, registrou seu primeiro Grand Chelem na carreira. Não posso dar nota 11 para ele?

JENSON BUTTON9 – No Q3, fez apenas o quinto tempo, mas e daí? Sua posição verdadeira no grid era a quarta, já que Hamilton havia sido punido e perderia três posições. Na largada, ele ultrapassou Alonso na primeira curva e deixou Mark Webber para trás alguns segundos depois, pulando para a vice-liderança da prova. As coisas permaneceram assim até o final. Vem rumo ao vice-campeonato.

FERNANDO ALONSO7,5 – Já fez corridas mais interessantes, mas esta daqui esteve longe de ter sido ruim. Na verdade, considerando que não houve nenhum grande lampejo de genialidade, ele fez o melhor possível. Conseguiu largar em terceiro, mas perdeu uma posição para Button na largada. Depois, ultrapassou Mark Webber no segundo pit-stop e assegurou o pódio. Neste momento, o terceiro lugar no campeonato cabe perfeitamente a ele.

MARK WEBBER5 – Não dá. Este sujeito não anda merecendo sequer o terceiro lugar no campeonato e nem deveria pensar em vice-campeonato. Mesmo com o suporte declarado do patrão Christian Horner, Webber não passou perto da vitória. Pior: nem subir ao pódio ele conseguiu. O australiano só pegou a primeira fila graças à desclassificação de Lewis Hamilton. Na largada, contrariando os prognósticos, ele até conseguiu completar a primeira curva na mesma posição em que largou, mas foi ultrapassado Jenson Button logo depois. Nas voltas seguintes, até tentou devolver a ultrapassagem, mas não obteve sucesso. Depois, ficou para trás e ainda perdeu mais uma posição para Alonso. Mais uma prova risível.

MICHAEL SCHUMACHER7,5 – É a reserva de genialidade da Mercedes, definitivamente. No treino oficial, bobeou e nem passou para o Q3. O show ficaria por conta do domingo. Logo na largada, ele papou uma série de posições e subiu para oitavo na primeira volta. Depois, ganhou mais duas posições com o acidente entre Hamilton e Massa. O mais legal, porém, foi ter tomado a posição do companheiro Nico Rosberg pela maneira que o consagrou na Ferrari, andando muito forte nas voltas anteriores ao seu pit-stop. Com isso, pegou um excelente quinto lugar.

NICO ROSBERG6,5 – Arroz com feijão. Não fez nada além de suas possibilidades nem no sábado, quando obteve o sétimo lugar no grid, e nem no domingo, quando terminou em sexto. Tinha certa obrigação de ter terminado à frente do companheiro, que largou quatro posições atrás, mas parece ter tido problemas no segundo pit-stop e acabou ficando imediatamente atrás dele. Parafraseando Galvão Bueno, não é o que se espera de um possível piloto da Ferrari.

LEWIS HAMILTON3 – Está em uma fase tão zicada na vida que não duvido que o encontrem com uma forca no pescoço e uma foto rasgada da Nicole Scherzinger no chão. Na sexta-feira, iniciou as malcriações ignorando uma bandeira amarela, o que lhe rendeu uma perda de três posições no grid. No sábado, veloz como sempre, fez o segundo melhor tempo no Q3, mas a punição o fez largar em quinto. Na corrida, largou mal e acabou ficando preso atrás de Felipe Massa. Na volta 24, Lewis tentou ultrapassar o brasileiro, mas este fechou a porta e os dois acabaram se tocando. A asa do McLaren quebrou e ele precisou ir aos pits para trocá-la. Depois disso, ele não fez mais nada e terminou em sétimo. Benzedeira para Hamilton!

JAIME ALGUERSUARI8 – Está em ótima fase, e no momento certo, quando a Toro Rosso já discute seriamente o que fazer com seus dois pilotos. Na Índia, ele fez uma de suas melhores atuações na carreira e marcou mais quatro pontos, o que o deixa com enorme vantagem sobre o companheiro Buemi. Com um carro bem acertado, ele passou para o Q3, superou Buemi ainda na primeira volta, ultrapassou Senna e Sutil e ainda herdou uma posição de Massa. Belo oitavo lugar.

ADRIAN SUTIL6 – A essa altura, sua situação soa até meio injusta. Nesse momento, ele tem boas chances de perder seu lugar para Nico Hülkenberg na Force India e pequenas chances de encontrar uma vaga na Williams. Ao menos, conseguiu fazer uma corrida bem melhor que a  de Di Resta em Buddh. Salvou seu pescoço no Q2 por muito pouco e obteve o oitavo lugar no grid por ser o piloto de menor numeração entre aqueles que não fizeram volta no Q3. Na corrida, largou mal e não conseguiu segurar os carros da Toro Rosso. Mesmo assim, se aproveitou de alguns abandonos e terminou em nono.

SERGIO PÉREZ7 – Treino ruim, corrida bonita. O mexicano não conseguiu fazer milagres com um carro que não evoluiu do início do ano para cá e fez apenas o 17º tempo, mas largou em 20º por ter desobedecido uma bandeira amarela em uma sessão de sexta-feira. Ao menos, foi o único piloto da Sauber a passar para o Q2. Na corrida, se envolveu no acidente da largada e teve de fazer uma parada prematura, aproveitando-se da situação para mudar de estratégia. Ele economizou uma parada e ainda fez várias ultrapassagens, o que o fez terminar em décimo. É o melhor piloto da Sauber neste ano.

VITALY PETROV5,5 – Queria dar uma nota menor, mas tenho de dar o braço a torcer. O russo até obteve um razoável 11º posto no treino oficial, mas teve de largar cinco posições atrás por conta de uma punição sofrida pelo acidente com Schumacher na Coréia. Na corrida, fez uma parada prematura e apostou em uma estratégia de fazer dois stints longos. Deu certo e ele ganhou várias posições, mas acabou batendo na trave.

BRUNO SENNA3 – Não foi bem novamente e precisa tomar cuidado, pois Romain Grosjean fará os treinos de sexta-feira dos dois últimos fins de semana e visa seu lugar em 2012. Mal nos treinos, não conseguiu fazer nada melhor que o 15º tempo, que virou 14º graças à punição do companheiro Petrov. Na corrida, foi visto mais no começo, quando foi ultrapassado facilmente pelos dois carros da Toro Rosso e quase perdeu uma posição para Maldonado. O motivo para o mau desempenho foi um problema no KERS, que realmente fez falta. Cruzou a linha de chegada em 12º.

PAUL DI RESTA3,5 – Seu grande erro foi estratégico: ter optado por pneus duros no início da corrida. Devido ao grande desgaste, ele teve de fazer três paradas, sendo um dos poucos pilotos que passaram por isso. Com isso, acabou ficando bem longe dos pontos. Tivesse optado por uma estratégia ortodoxa, Paul poderia ter convertido seu bom 12º lugar do treino oficial em pontos.

HEIKKI KOVALAINEN7 – Ótima corrida. Mais ainda: digo que o finlandês é o único piloto da Lotus a explorar as ligeiras melhoras da equipe. No treino classificatório, ficou a apenas sete décimos de Kobayashi. Na corrida, largou muito bem novamente e chegou a ocupar a décima posição por duas voltas. De volta à realidade, Heikki ainda saiu no lucro, pois terminou a corrida à frente de Rubens Barrichello. Gostaria muito que esse cara voltasse a ter um carro melhor.

RUBENS BARRICHELLO1 – Chega a ser deprimente. O brasileiro, que parece implorar por um lugar na Fórmula 1 em 2012, tem sérias dificuldades para superar o companheiro Pastor Maldonado e não parece ter muito mais a oferecer para a Fórmula 1. Em terras indianas, Rubinho sofreu para não ficar no Q1 e parou no Q2, tomando quase sete décimos de Maldonado. Na corrida, foi tocado pelo companheiro e perdeu o bico, tendo de ir para os pits para colocar um novo. De volta à ação, não tinha equipamento para se recuperar e acabou terminando atrás de uma Lotus. Pela primeira vez desde que comecei a ver Fórmula 1, considero que a hora da aposentadoria chegou a Rubens Barrichello.

JERÔME D’AMBROSIO3 – Como não dá para analisá-lo pelo que vemos na pista, já que a televisão nunca o mostra, o negócio é ver os números. Na sexta-feira, Jerôme destruiu a traseira do carro em uma bela pancada. No sábado, fez o pior tempo no Q1, mas se deu bem graças às punições dos dois pilotos da HRT. Na corrida, o belga voltou a perder posições para os dois carros espanhóis, mas recuperou-se e conseguiu terminar a corrida em um razoável 16º. É um cara muito mais constante do que veloz.

NARAIN KARTHIKEYAN5 – Teve um desempenho bastante razoável correndo em casa. Embora não tenha vencido a prova, como esperavam seus desinformados conterrâneos, conseguiu agradar a muitos com uma boa atuação. No treino oficial, ficou no mesmo décimo de Daniel Ricciardo e conseguiu ser mais rápido que D’Ambrosio. Na corrida, deixou o companheiro para trás após o último pit-stop. Constante e sem errar, ele só não ganha uma nota maior por ter bloqueado vários pilotos durante a prova.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Vem mantendo boa impressão. Dessa vez, teve um pouco mais de dificuldades com seu novo companheiro de equipe, Narain Karthikeyan. No Q1, foi apenas 22 milésimos mais rápido que o indiano e teve a grande chance de largar em 21º, mas foi punido e teve de largar em penúltimo. Na largada, ganhou várias posições com as confusões à frente e chegou a estar em 14º. Próximo do final, teve problemas com os pneus e acabou ficando atrás de Karthikeyan. Mesmo assim, não foi mal.

JARNO TRULLI3 – Disse ter sido vítima do azar novamente. De fato, foi. Na classificação, ficou a dois décimos de Kovalainen e só não largou em sua posição cativa, o 20º lugar, porque Pérez foi punido e teve de ocupar este lugar no grid. Na terceira curva da corrida, foi tocado por uma HRT, rodou e teve de ir aos pits colocar novos pneus. Tendo perdido muito tempo, ele não conseguiu sair da última posição.

FELIPE MASSA2,5 – Um fim de semana que começou muito bem terminou chafurdado em fezes animais. Felipe terminou a sexta-feira tendo feito o melhor tempo geral no segundo treino. No sábado, as coisas começaram a desandar com o sexto lugar no Q3 e com a quebra de uma suspensão dianteira após o paulista ter atravessado a parte mais alta de uma chicane nos últimos segundos. No dia seguinte, ele até largou bem e conseguiu passar Hamilton, mas começou a sofrer os ataques do inglês mais à frente. Na volta 24, após Lewis tentar uma ultrapassagem, os dois se tocaram e Massa acabou saindo da pista. Algumas voltas depois, após ter cumprido uma punição, ele voltou a cometer o mesmo erro do sábado, quebrou outra suspensão e abandonou a corrida. Fim de semana ruim até mesmo para seus padrões atuais.

SÉBASTIEN BUEMI6 – Uma pena, o seu abandono. Novamente azarado, o suíço não marcou pontos e ficou a distantes doze pontos do companheiro Alguersuari nas tabelas. Rápido desde a sexta-feira, ele conseguiu passar para o Q3 no treino oficial e conseguiu largar da nona posição. No domingo, largou mal e ficou atrás de Alguersuari durante todo o tempo, mas tinha chances ótimas de pontos. Infelizmente, o motor Ferrari quebrou após 25 voltas.

PASTOR MALDONADO3,5 – Nestes dias derradeiros da temporada 2011,é o melhor piloto da Williams, o que não quer dizer muito. Conseguiu largar em 14º e iniciou a corrida bem, atacando Bruno Senna. Infelizmente, o câmbio falhou após apenas treze voltas. Não fosse isso e ele poderia até mesmo ter sonhado com pontos.

TIMO GLOCK1,5 – Pagou alguns de seus pecados neste fim de semana que praticamente não existiu. No treino oficial, deu apenas três voltas e só conseguiu um tempo nove segundos mais lento do que o melhor tempo. Como já havia marcado voltas competitivas em outras sessões, pôde largar. Mas nem precisava. Na largada, se envolveu na meleca da primeira curva, acabou danificando o carro e teve de abandonar após apenas três voltas.

KAMUI KOBAYASHI1 – Este é outro que anda em uma fase infernal. No treino oficial, deu apenas seis voltas e não conseguiu passar pelo Q1. Na largada, foi tocado por trás e teve de abandonar ainda na primeira volta, com o carro envolto em chamas, fumaça e gremlins.

OBS: A segunda parte das notas ficará para amanhã. Rotina dura, pessoal. As notas serão divididas em dois dias até o final do ano.