Notas


FERRARI9 – Quando você vê um piloto chegando em primeiro e o outro em 16º, fica quase impossível avaliar se o F2012 e a equipe italiana são bons de verdade. Ninguém nega que o desempenho no treino oficial, com Fernando Alonso e Felipe Massa largando em 11º e 13º, foi uma tristeza só. No domingo, os dois tiveram sortes diferentes: Alonso fez uma das melhores corridas de sua vida e venceu na frente de 38 mil fãs. Felipe Massa se deu mal com os pneus novamente e ainda tomou uma paulada daquelas de Kamui Kobayashi. É bom destacar o excelente trabalho de boxes que a equipe fez, em especial o 2s9 que permitiu que Alonso ganhasse boas posições ainda na primeira parte da prova.

LOTUS8 – É incrível o que uma merda de alternador pode fazer com um ser humano. Eu já fiquei parado no meio de uma estradinha sem acostamento por causa desta porcaria. Romain Grosjean teve prejuízos um pouco mais desagradáveis: abandonou na volta 40 quando estava em segundo e perdeu talvez sua melhor chance de vitória até aqui. Uma pena, já que ele vinha fazendo um fim de semana impecável. Quem herdou a segunda posição foi exatamente Kimi Räikkönen, que segue nessa de não ir tão bem nos treinos oficiais, aparecer pouco nas primeiras voltas e ganhar posições no final. O carro estava muito bom e, não se enganem, a vitória virá logo.

MERCEDES7,5 – O resultado do domingo pouco refletiu o sábado meia-boca que a equipe de três pontas teve. Michael Schumacher obteve seu primeiro pódio desde 2006 após um final de corrida espetacular, no qual ultrapassou vários carros e ainda se aproveitou das maldonadices alheias. Foi um pódio que o próprio piloto disse não acreditar que viria, pois o fim de semana vinha sendo bem discreto até então. Menos surpreendente, Nico Rosberg largou em sexto e terminou na mesma posição após se enrolar um pouco com os pneus. A grande sacada da Mercedes, que sempre se complica com os compostos, foi deixar seus dois pilotos em ótimas condições na última volta. Funcionou legal.

RED BULL5,5 – Para este fim de semana, trouxe uma modificação nos sidepods que teria aumentado drasticamente a pressão aerodinâmica na parte traseira. Graças à novidade, Sebastian Vettel conseguiu uma pole sossegada no treino classificatório de sábado. No dia seguinte, liderou com autoridade até a volta 33, quando a mesma porcaria de alternador que fodeu com Romain Grosjean acabou com sua festa. Quem teve de compensar o dia foi Mark Webber, que largou numa indecorosa 19ª posição e conseguiu o quarto lugar nas últimas voltas. Alternador à parte, a equipe ainda é a melhor da Fórmula 1, ao menos nesta fase intermediária do campeonato.

FORCE INDIA9 – Vem se recuperando de maneira notável e foi premiada com 16 pontos somente na etapa valenciana. Os dois pilotos andaram muitíssimo bem nos treinos livres e se classificaram em oitavo e décimo no grid. No domingo, Nico Hülkenberg e Paul di Resta adotaram estratégias diferentes e até meio estrambólicas, como a tática de uma única parada no caso do escocês. Ambos se deram bem e foram vistos andando lá na frente no final da corrida, com Hülkenberg quase pegando seu primeiro pódio. Infelizmente, os pneus dos dois carros apodreceram nas últimas voltas, mas tanto Paul como Nico terminaram muito bem.

MCLAREN2,5 – Um dos pilotos é uma anta e o outro apagou desde as brumas chinesas. Os mecânicos parecem sofrer de esclerose múltipla e o carro, sem aquele degrau medonho, definitivamente perdeu aquela vantagem confortável das primeiras etapas. Em Valência, a equipe de Woking foi para casa com apenas quatro pontos no bolso e uma baita enxaqueca. Jenson Button foi mal de novo e só marcou pontos no final porque foi um dos poucos que não se envolveram em besteiras. Infelizmente, isso não aconteceu com Lewis Hamilton. Ele fez seu trabalho direito, largou na segunda fila e estava em segundo até poucas voltas para o fim. Pastor Maldonado, sempre ele, acabou com sua corrida e seu dia. Antes disso, no segundo pit-stop, um mecânico também fez alguma burrada e atrasou um pouco mais a vida do piloto inglês. Tudo errado.

SAUBER5 – Seus dois pilotos faziam corridas tão opostas que era improvável apontar um destino em comum para eles no fim da corrida. Kamui Kobayashi mandou bem pacas nos treinos, obteve o sétimo lugar no grid de largada e ainda ganhou algumas boas posições no início da corrida. Enquanto isso, Sergio Pérez se complicou no treino oficial e ficou travado no meio do pelotão da merda nas primeiras voltas. Conforme o tempo passava, a fortuna dos dois pilotos se invertia. O japa bateu nos dois pilotos brasileiros, perdeu o bico na primeira porrada e o rumo na segunda. Já Pérez fez a lição de casa direito e conseguiu salvar a honra suíça com dois pontos. O trabalho de pits foi um dos pontos negativos dos sauberianos.

WILLIAMS4 – Você olha para aquele belo carro azul escuro e pensa que ele está sendo subaproveitado por causa de seus pilotos. O venezuelano é rápido e esquizofrênico. O sobrinho apenas faz seu trabalho honesto, e às vezes nem isso. Pastor Maldonado andou muito bem nos treinos e tinha totais chances de chegar ao pódio, mas atirou tudo pela janela ao surrar a lateral da McLaren de Lewis Hamilton numa manobra digna de um buscapé aceso. Bruno também se envolveu em um acidente com Kamui Kobayashi e foi punido por isso. Na minha irrelevante opinião, merecidamente. Marcou um ponto, mas na mais pura cagada. Nesse horário, Frank Williams até suspira de saudade pelos doentios Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher.

TORO ROSSO0,5 – Nunca antes na história deste touro vermelho ele esteve em uma fase tão apagada. Nesta altura, a equipe azulada parece estar mais próxima das agruras da Caterham do que das concorrentes estabelecidas. Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne foram superados por Heikki Kovalainen no treino classificatório e deixaram o sempre agradável Helmut Marko com apenas um olho aberto de reprovação. Na corrida, as coisas não melhoram. Ricciardo não fez nada e Vergne ainda causou um acidente babaca com Kovalainen, o que resultou em um pneu furado e uma merecida multa. A Red Bull já anunciou que o francês, que ganha 400 mil euros por ano, arcará sozinho com os 25 mil euros da multa. Coitado.

CATERHAM7 – Será que ela, após dois anos e meio, finalmente chegou lá? Pelo segundo grande prêmio consecutivo, a equipe verde conseguiu deixar ao menos um Toro Rosso para trás. Neste fim de semana valenciano, foi até melhor: Heikki Kovalainen deixou os dois carros da equipe italiana para trás e ainda enrabou Mark Webber, da poderosa Red Bull Racing. Só que o carma de 2010 se repetiu para ele: um carro rubrotaurino voltou a lhe atingir durante a prova. Dessa vez, Heikki conseguiu seguir em frente e chegou ao final. Menos espetacular, Vitaly Petrov também foi bem e até andou em décimo. Finalizou em 13º, seu melhor resultado até aqui. Numa corrida tão amalucada quanto esta, já dá para apontar a Caterham como uma possível pontuadora.

MARUSSIA2 – Assim como a Caterham, a Marussia também está mudando. Só que para pior. Sem Timo Glock, que comeu dobradinha e foi internado com um nó no estômago, a equipe russa teve de depender unicamente dos esforços do novato Charles Pic. Ele ficou atrás dos dois carros da HRT no treino oficial e ainda foi prejudicado pelo trabalho porco dos mecânicos da Marussia, talvez os piores da categoria. Pelo menos, chegou ao fim e à frente de Felipe Massa. Se muitas coisas não mudarem, não seria de todo descabido pensar que o time soviético poderá ser rebaixado para o honroso papel de lanterninha da Fórmula 1.

HRT5 – Esta daqui também não é nem um pouco genial em se tratando de estratégias de corrida e trabalho nos pit-stops, mas ao menos vem melhorando a cavalgadas. Na sexta-feira, Pedro de la Rosa estampou uma barreira de pneus com força e deu o maior trabalho aos mecânicos, que tiveram de se matar para consertá-lo a tempo para o sábado. Na qualificação, De la Rosa e Narain Karthikeyan deixaram Charles Pic para trás e escaparam da última fila. Os dois terminaram a corrida sem grandes dores de cabeça, embora o indiano tenha sido punido por ser ligeiro demais nos boxes – e só lá.

TRANSMISSÃOAS MALDADES – A transmissão brasileira, que anda iniciando com vinte minutos de antecedência e incomodando aqueles que preferiam assistir às novas técnicas de cultivo de jenipapo, acertou em cheio ao mostrar trechos da corrida de GP2 antes da largada. Pronto: Luiz Razia se transformou no mais novo ídolo instantâneo do automobilismo brasileiro, mas tudo bem. Uma corrida como a desse domingo teve vários momentos de destaque, mas minha memória falha me impede de lembrar deles. A revolta do narrador sobre o acidente entre Bruno Senna e Kamui Kobayashi foi particularmente interessante. É incrível como um cara pode se tornar o maior energúmeno do planeta se bater em um sujeito nascido por aqui. O mais engraçado é que o nacionalismo tacanho extrapola fronteiras. Na Finlândia, há um ex-piloto que faz o trabalho de lobbista de seus compatriotas na Fórmula 1. Por desejar ver Bruno Senna empalado, frito, assado ou morto para abrir uma vaga na Williams para seu protegido, ele angariou a antipatia de um Brasil inteiro. O narrador aqui não deixou barato: “Não há Mika Salo no mundo que me faça acreditar que o acidente foi culpa do Bruno. Vou fazer uma maldade: o reserva da Williams é finlandês e o Mika Salo também é finlandês. Pronto, fiz a maldade”. Não, não foi maldade. Foi apenas uma constatação certeira. Nacionalismo besta versus nacionalista besta. Quem perde somos nós, é claro.

CORRIDAQUEM DIRIA, VALÊNCIA – Alguém poderia imaginar que uma das pistas mais odiadas do calendário atual poderia render uma das corridas mais emocionantes da temporada? Estamos falando da Fórmula 1 2012, onde qualquer bizarrice pode acontecer. Após as divertidíssimas corridas da GP2, todo mundo imaginou que haveria uma chance ínfima de diversão para a prova principal. Mas ninguém esperava tanto. Até antes do acidente entre Jean-Eric Vergne e Heikki Kovalainen, que trouxe o safety-car à pista, o GP da Europa vinha morno como chuveiro vagabundo em dia frio. De repente, os dois líderes, Sebastian Vettel e Romain Grosjean, abandonaram com o alternador alternado e tudo ficou mais legal. Diante de uma torcida alucinada, Fernando Alonso assumiu a ponta e de lá não saiu mais. Atrás dele, as brigas foram inúmeras e intensas. Nomes como Pastor Maldonado e Kamui Kobayashi serviram para deixar as coisas ainda mais picantes. E o pódio foi o máximo. Em suma, somente uma pessoa de caráter duvidoso e inteligência limitada não pôde ver graça neste que foi um dos melhores GPs dos últimos anos.

GP2BORA BAHÊA – No ano passado, Luiz Razia era só mais um participante discreto e sem futuro que servia apenas para encher linguiça na GP2. Neste ano, algum espírito maligno se apoderou de seu corpo e fez do piloto baiano um sério candidato ao título. Em Valência, ele começou mal e só fez o 11º lugar no grid de largada. Numa pista de rua sem grandes possibilidades de ultrapassagem, o fim de semana parecia acabado logo de cara, mas ainda bem que as coisas mudaram logo no sábado. O pole-position James Calado vinha para uma vitória fácil, mas foi prejudicado pela infinita sequência de interrupções com safety-car e acabou ficando para trás. Ganhou Esteban Gutiérrez, que precisou atropelar Giedo van der Garde e foder com Fabio Leimer para se dar bem. Enquanto isso, Razia ganhava posições e terminava em terceiro. No domingo, o piloto de Barreiras passou um monte de gente nas três últimas voltas e saiu da sexta para a primeira posição meio que do nada. Com o resultado, Luiz ficou a apenas um ponto do líder Davide Valsecchi. Nunca um piloto brasileiro esteve tão próximo do título da GP2, essa é a verdade.

GP3OS MAIS PROFISSIONAIS – Por incrível que pareça, a criançadinha da GP3 demonstrou mais profissionalismo e sensatez do que os adolescentes da GP2, que fizeram bobagem atrás de bobagem em Valência. Na corrida de sábado, m verdadeiro sonífero, os pilotos foram econômicos em barbeiragens e as emoções praticamente inexistiram. Quem venceu foi o neozelandês Mitch Evans, que largou na pole e liderou de ponta a ponta. É bom ficar de olho no cara, que fez 18 anos no fim de semana. A corrida de domingo foi um pouquinho mais movimentada. A vitória ficou com o suíço Patrick Niederhauser, mas o destaque fica para a bela briga pelo terceiro lugar, que envolveu uns duzentos pilotos. O cipriota (!!) Tio Ellinas levou a melhor, mas ele foi desclassificado por ter batido no carro de Kevin Ceccon. Com isso, perdeu o troféu do pódio e voltou para Chipre chifrado. O grid de 24 carros não animou ninguém. A GP3 não seduz já faz um bom tempo.

FERNANDO ALONSO10 – Qualquer elogio para este cara é pouco. El Fodón das Astúrias. O melhor piloto do grid atualmente. O cara. A corrida inteligente, agressiva e esperta que fez em Valência, um circuito onde seu retrospecto era risível, foi digna de um desses grandes campeões que todos idolatramos. O mais incrível de tudo é que Fernando havia largado lá da 11ª posição, pois não tinha conseguido sequer vaga no Q3 da classificação. Mas sendo o grande piloto que é, conseguiu superar as adversidades e fez uma de suas melhores corridas na vida. Largou bem, fez ultrapassagens a rodo, foi beneficiado por um trabalho de boxes excepcional da Ferrari e ainda contou com a sorte quando Sebastian Vettel e Romain Grosjean abandonaram. Vitória excepcional, comemoração fantástica, choro tocante. Para mim, e graças a ele, foi uma das melhores corridas que já vi na vida.

KIMI RÄIKKÖNEN8,5 – Fez uma excelente corrida, mas não chamou tanto a atenção como seus outros dois colegas de pódio e ainda saiu insatisfeito, pois achava que poderia ter vencido. Não há como discordar, já que seu carro era realmente muito bom. O ébrio finlandês voltou a largar atrás de Romain Grosjean e também se viu preso atrás de carros mais lentos, como o de Pastor Maldonado, no início da corrida. No fim da corrida, tinha pneus em ótimo estado e conseguiu ultrapassar Lewis Hamilton, assumindo a segunda posição. Em termos de mérito, não merecia tanto este resultado como seu companheiro. Mas o esporte é assim mesmo. Estar na hora certa, às vezes, vale mais a pena que o simples esforço.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Foram necessários dois anos e meio e 46 corridas de espera até que este dia chegasse. Após um início de ano tenebroso, repleto de azares, o heptacampeão mundial finalmente obteve um resultado à altura de seu talento. É verdade que o desenrolar foi meio fortuito e o próprio piloto não esperava obter um resultado tão genial, mas ele veio. Michael andou bem nos treinos livres, mas empacou no Q2 da classificação e saiu apenas em 12º. No início da corrida, chegou a ser tocado por outro piloto e se viu preso no meio do pelotão. O que o salvou foi a estratégia de largar com pneus médios e utilizar os macios lá na frente. Nas últimas voltas, tinha um carro bom o suficiente para pular de 11º para terceiro em apenas 16 voltas. Dessa vez, a sorte colaborou e Schumacher pode celebrar seu primeiro pódio desde o GP da China de 2006.

MARK WEBBER8 – Não deixou de fazer uma corrida muito boa, embora a posição no grid de largada tenha sido horrível. Devemos, neste caso, responsabilizar a porcaria da asa móvel, que ficou travada durante o Q1 da classificação. Para tentar contornar o desastre do sábado, o australiano decidiu largar com pneus médios e ver no que dava. Durante a corrida, recuperou-se bastante e andou sempre próximo de Michael Schumacher, que utilizava tática semelhante. No final da corrida, também tinha pneus em ótimo estado e conseguiu ganhar uma baciada de posições, finalizando na quarta posição. Assumiu uma inesperada vice-liderança do campeonato e parece estar recuperando, pelas beiradas, parte do ânimo de 2010.

NICO HÜLKENBERG8,5 – Melhor corrida no ano e melhor resultado na vida. O campeão da GP2 em 2009 vinha devendo um resultado destes, especialmente após as sucessivas boas atuações de Paul di Resta. Em Valência, Nico andou surpreendentemente bem nos dois treinos livres em que participou e qualificou-se numa ótima oitava posição. Deu trabalho para Fernando Alonso nas dez primeiras voltas e apostou numa interessante estratégia de dois stints com pneus médios. No final da corrida, após ter herdado várias posições, chegou a sonhar em ocupar a terceira posição por instantes, mas foi ultrapassado por Schumacher e Webber por não ter mais pneus. Mesmo assim, não tem do que reclamar.

NICO ROSBERG7,5 – Ninguém viu, mas diz a lenda que ele participou da corrida, terminou numa boa sexta posição e ainda fez a melhor volta da prova. O alemão obteve uma interessante sexta posição no grid e prometia uma corrida competitiva, mas ameaçou colocar tudo a perder numa péssima largada. Ele imaginava poder fazer apenas uma parada, mas se viu obrigado a parar pela segunda vez para colocar pneus macios. Não foi uma estratégia ruim assim, já que ele pulou de 11º para sexto nas duas últimas voltas da prova. Mesmo assim, foi, sem a menor sombra dúvida, o mais discreto entre os seis primeiros colocados.

PAUL DI RESTA7,5 – Assim como o companheiro de equipe, também esteve competitivo durante os três dias de grande prêmio, embora não tenha sido tão chamativo. No grid, foi o último colocado do Q3 e largou de uma razoável décima posição. Para o domingo, decidiu apostar em uma ensandecida estratégia de apenas uma parada, com um primeiro stint de mais de 20 voltas com pneus macios, uma doideira só. Deu certo em partes, já que ele perdeu algum tempo antes do pit-stop. No fim da corrida, assim como Nico Hülkenberg, tinha pneus em boas condições até as voltas finais, quando foi ultrapassado por alguns pilotos. Ainda assim, terminou em sétimo e somou mais seis pontos.

JENSON BUTTON4,5 – Sua má fase é um mistério. Nos treinos livres, andou bem mais próximo de Lewis Hamilton do que vinha acontecendo nas corridas anteriores e até ponteou a terceira sessão. Tinha bons prognósticos para o treino classificatório, mas só obteve um discreto nono lugar no grid. Para piorar tudo, largou muito mal e caiu para 13º. Foi o primeiro piloto a fazer seu pit-stop e ficou com pneus médios entre a volta 10 e a bandeirada. Graças a isso, conseguiu ganhar algumas boas posições do nada nas últimas voltas e foi o único piloto da McLaren a pontuar.

SERGIO PÉREZ5,5 – Corrida discreta, mas muito mais eficiente do que a do companheiro de equipe. Voltou a andar mal no treino oficial e só conseguiu a 15ª posição no grid. No domingo, optou por uma estratégia esquisita, como é a regra na Sauber: largar com pneus médios e dar o mínimo de voltas possível para depois fazer dois stints com pneus macios. Não foi a melhor das decisões, mas ele ao menos conseguiu chegar ao fim e marcar dois pontos, coisa que Kamui Kobayashi não fez.

BRUNO SENNA3 – É aquele caso que você não entende muito bem como é que o piloto conseguiu marcar algum ponto. O único grande momento de Bruno Senna no fim de semana foi o quinto lugar no segundo treino livre. Na qualificação, tomou quase sete décimos de Pastor Maldonado no Q2 e teve de largar em 14º. Com uma estratégia de apenas um pit-stop, poderia ter se dado muitíssimo bem, mas causou um acidente estúpido e perigoso com Kamui Kobayashi na volta 20, o que resultou em um pneu traseiro furado e uma posterior punição aplicada pelo comissário Mika Salo, seu nêmesis. Depois disso, o brasileiro apenas tentou se aproveitar dos pneus médios para tentar ganhar algumas posições no finalzinho. Terminou em 11º, mas herdou uma posição a mais com a desclassificação de Pastor Maldonado. Um resultado até bom para um fim de semana magérrimo.

DANIEL RICCIARDO3 – Não consegue marcar pontos nem mesmo em uma corrida onde tudo vira de ponta-cabeça em questão de segundos. Mal nos treinos, o australiano da Toro Rosso apostou tudo em um segundo stint bem longo. Em determinado momento, quando o safety-car estava na pista, chegou a ocupar a quarta posição. Prejudicado pela entrada do carro de segurança, acabou perdendo um monte de posições no segundo pit-stop. Com isso, a chance de pontos evaporou. Fase muito ruim.

PASTOR MALDONADO3,5 – É um especialista em jogar pontos no lixo e estragar corridas perfeitas. Nesse caso, nem adianta muito ser o piloto veloz que é. E olha que ele caprichou aqui: líder no primeiro treino livre de sexta-feira e piloto mais rápido do Q1 da classificação. No Q3, chegou perto da pole-position, mas teve de se contentar com a ainda ótima terceira posição. O domingo foi bem típico de um cara desequilibrado como o venezuelano. Logo na largada, quase se pegou com os dois pilotos da Lotus. Nas voltas seguintes, se complicou com os pneus e foi ultrapassado facilmente por alguns adversários. Só se recuperou no final da corrida, quando tinha pneus em bom estado e era mais rápido que Lewis Hamilton. Só que o cara, cabeçudo como ele só, tentou uma ultrapassagem arriscadíssima sobre Lewis numa curva estreita. Resultado: toque, bico arrebentado e uma bela corrida evaporada. Pastor ainda cruzou em décimo, mas tomou vinte segundos de punição e ficou chupando o dedo. Como seu torcedor, digo o seguinte: bem feito!

VITALY PETROV5 – Não foi mal, mas fez tanto pit-stop nesta corrida que nem deveria precisar parar mais nas corridas restantes deste ano. Uma das quatro paradas foi feita para troca de bico e somente a última delas serviu para o russo colocar pneus médios. Se formos considerar o desempenho individual de Petrov, não há muito o que reclamar. Não foi para o Q2 por pouco e fez uma corrida honesta, sem se envolver em problemas maiores. Em determinado momento, chegou a andar em décimo. É justo que se ressalte, no entanto, que ele só terminou à frente de Heikki Kovalainen por causa da encrenca que o finlandês se envolveu.

HEIKKI KOVALAINEN5,5 – Foi bem pra caramba no sábado, quando conseguiu uma milagrosa 16ª posição no grid. Poderá contar aos netos que deixou nada menos que três carros Red Bull (Webber, Ricciardo e Vergne) para trás na classificação. Na corrida, deu o maior trabalho a Jean-Eric Vergne, mas este lhe deu ainda mais trabalho ao bater na asa dianteira de seu Caterham e estragar sua corrida. Heikki voltou lá no fim do pelotão, mas aproveitou-se dos azares alheios e terminou em 14º. Com o bico inteiro, felizmente.

CHARLES PIC4 – Nunca vou entender a Marussia, que comete erros babacas no pit-stop e ainda faz seu bom piloto francês andar apenas 11 voltas com um set de pneus médios. Charles Pic anda sofrendo pra caramba com a lerdeza ainda pior do que o normal de sua Marussia e voltou a largar atrás dos dois carros da HRT. Na corrida, pelo menos chegou ao fim e ainda deixou as duas diligências espanhóis para trás correndo na casa do adversário. E, olha só, finalizou à frente de uma Ferrari!

FELIPE MASSA1,5 – Fernando Alonso anda bem e é sortudo, Felipe Massa anda mal e é azarado. Esta frase aí é mais do que o suficiente para explicar como um vence a corrida e o outro chega em 16º. O paulista não foi bem nos treinos, mas Alonso também não foi e muita gente passou a enxergar isso como uma positiva aproximação entre os dois. Na classificação, ficou em 13º, a apenas duas posições do espanhol. A corrida começou muitíssimo bem, com uma ótima largada e uma sequência de ataques a Paul di Resta. De repente, a Ferrari perdeu bastante desempenho e Massa se distanciou de Alonso. Como se não bastasse, quando já não tinha chances de pelejar pelas primeiras posições, tomou uma pancada dolorosa de Kamui Kobayashi e teve de ir aos pits trocar o pneu furado. Pelo menos, não morreu e nem cruzou com um gato preto ou uma mola perdida no meio do caminho.

PEDRO DE LA ROSA4,5 – Equipe pequena é uma merda, mesmo. O espanhol quarentão tinha boas chances de ter terminado a corrida à frente de Charles Pic (e, quem sabe, até mesmo à frente de Felipe Massa), mas algum energúmeno na HRT decidiu fazê-lo andar com um único set de pneus macios durante 29 intermináveis voltas. Assim não dá, né? O chato é que Pedro fez um trabalho muito bom, tendo largado novamente à frente da Marussia de Charles Pic e se esforçado ao máximo para fazer os pneus funcionarem. Mas não dá para fazer milagres, mesmo em casa. A propósito, que pancada dolorida aquela da sexta-feira, hein?

NARAIN KARTHIKEYAN3,5 – O indiano estava bem rápido neste fim de semana. Tão rápido que deixou Charles Pic para trás no treino oficial, escapando da última fila. Tão rápido que até punição por excesso de velocidade nos pits ele tomou. Seu Narain, rapidez não é tudo, ainda mais quando não se tem um carro veloz. Exatamente por isso, ele só tentou levar o carro até o fim sem problemas. Fez seu serviço.

LEWIS HAMILTON8 – Esse cara, definitivamente, nunca terá tranquilidade em sua carreira na Fórmula 1. Neste fim de semana, ele trabalhou direito, não fez bobagens e seu único crime foi não ter cedido espaço ao perigoso Pastor Maldonado nas últimas voltas. Chega a ser, sei lá, meio revoltante. No treino classificatório, Lewis obteve uma boa primeira fila ao lado de Sebastian Vettel. Partiu bem e manteve a segunda posição, mas tomou uma boa ultrapassagem de Romain Grosjean ainda no começo e teve de parar nos pits para colocar pneus médios. Após o safety-car e o abandono de Vettel, voltou à segunda posição e parecia destinado a terminar por lá. Só que ele não contava com o desgaste de pneus, que possibilitou a ultrapassagem de Kimi Räikkönen e as investidas de Maldonado, uma das quais resultou no acidente. Com isso, Hamilton ficou bem longe da liderança do campeonato. Sem culpa no cartório, diga-se de passagem.

ROMAIN GROSJEAN9 – Se Fernando Alonso não existisse, eu diria que o franco-suíço foi o piloto mais impressionante da corrida. Sua evolução é notável. Fica provado que quando ele sobrevive aos primeiros metros, é capaz de fazer maravilhas com a Lotus. Neste domingo, quase que isso não aconteceu: ele chegou a se bicar com Kimi Räikkönen nos primeiros metros e poderia ter causado um belo e custoso acidente doméstico. Nas primeiras voltas, Romain atacou Lewis Hamilton e chegou a ultrapassá-lo na volta 10. Após o safety-car retornar aos boxes, ele ganhou a posição de Sebastian Vettel e perdeu uma para Fernando Alonso, mantendo-se em segundo. Infelizmente, a merda do alternador quebrou e a corrida acabou para ele na volta 40.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Se os deuses da velocidade não fossem asturianos, a vitória neste GP da Europa seria a 23ª da carreira do bicampeão alemão. Sua pole-position, com três décimos de vantagem sobre o segundo numa pista onde todo mundo estava andando embolado, foi humilhante. A largada foi limpa e tranquila, assim como o decorrer da corrida. Antes do safety-car, ele já tinha aberto quase 20s para Romain Grosjean. Vettel entrou nos boxes, fez sua parada e voltou para a pista pronto para prosseguir com o desfile até a bandeirada. Mas o alternador não deixou. E Vettel, sempre cirúrgico, teve de deixar o caminho livre para a vitória de Alonso.

KAMUI KOBAYASHI4 – Se dependesse somente da velocidade mostrada em pista, mereceria uma nota até acima de oito. Como a Fórmula 1 também envolve variáveis como cérebro, prudência e até mesmo sorte, fui obrigado a rebaixar a avaliação. O japa mandou bem no treino oficial e obteve um ótimo sétimo lugar no grid. Na largada da corrida, foi melhor ainda e subiu para quarto. Mas as coisas começaram a dar errado a partir do primeiro pit-stop, quando um mecânico teve problema com uma das rodas e perdeu um bocado de tempo. Kobayashi voltou à pista no meio do pelotão e teve de remar para tentar recuperar posições. Em uma dessas brigas, bateu em alta velocidade com Bruno Senna e teve de ir aos boxes fazer reparos. Não demorou muito e ele se envolveu em outro acidente, dessa vez com Felipe Massa. Dessa vez, os danos foram extensos e Kamui teve de abandonar. Pô, cara, se não gosta de brasileiro, é só não chegar perto!

JEAN ERIC-VERGNE1 – Treinos horrorosos, corrida pior ainda. O francês definitivamente não se dá bem com esse negócio de andar o mais rápido possível contra o cronômetro. No treino oficial, apanhou de uma Caterham novamente e não perdeu para Vitaly Petrov por pouco. Na corrida, irritado com aqueles carros esverdeados, perpetrou um acidente bobo com Heikki Kovalainen e destruiu um dos pneus traseiros de seu carro, causando o safety-car que mudaria a vida de muita gente. Esta foi a única coisa de bom que o francês fez durante o fim de semana.

TIMO GLOCKS/N – É injusto dar uma nota a alguém que não teve sequer condições físicas de participar do treino oficial e da corrida. Diagnosticado com uma infecção estomacal, o alemão só participou dos três treinos livres e terminou dois deles em último, mostrando que não tinha condições sequer de jogar peteca. Arregou no treino oficial e preferiu nem dar as caras no autódromo no domingo. Diante da assombrosa possibilidade de caganeira no cockpit, fez bem.

MCLAREN7 – Não é porque Lewis Hamilton ganhou a corrida que a equipe merecerá lá uma grande nota. O campeão de 2008 fez boa parte do trabalho pesado e poderia ter perdido a corrida em mais um erro cometido no trabalho de pit-stop, mais precisamente na roda traseira direita. Na verdade, a turma de Woking deve agradecer e muito pela pilotagem de Hamilton, pois o carro estava longe de qualquer brilhantismo em Montreal. O companheiro Jenson Button foi um exemplo claro dessa dificuldade. Largou em décimo e terminou, vixe, lá na conchinchinésima posição, com enormes problemas nos pneus. É uma equipe que anda fazendo de tudo para se complicar.

LOTUS7,5 – Se querem saber, o resultado de Montreal foi bastante fiel à realidade da equipe preta e dourada. Não tem carro para peitar diretamente as equipes de ponta, mas pode apostar em estratégias mais heterodoxas e sabe que seu piloto mais veloz atualmente é Romain Grosjean, que só precisa parar de fazer merda nas primeiras voltas. O suíço largou em sétimo e obteve um segundo lugar sensacional por ter parado para colocar pneus macios mais cedo. Kimi Räikkönen, sempre mais badalado, esteve sumido novamente. Tentou uma estratégia mais ou menos oposta à de Grosjean ao parar mais tarde que os demais, mas não conseguiu nada além do oitavo lugar.

SAUBER8 – Kamui Kobayashi pode até se esforçar muito e andar mais rápido, mas o cara que obtém os resultados mais expressivos para a esquadra de Peter Sauber se chama Chapolin Colorado, também conhecido com Sergio Pérez Mendoza. O mexicano não vinha bem no fim de semana, mas decidiu parar mais tarde que os demais e acabou varrendo a concorrência até chegar ao pódio. Koba dançou, pois optou por uma estratégia mais conservadora e não passou do nono lugar. De brilhos esporádicos em 2012, a Sauber vai seguindo na dignidade.

RED BULL7,5 – Tinha o melhor carro neste fim de semana novamente, o que poderia indicar um período de recuperação dos rubrotaurinos em relação ao início do ano. No entanto, não conseguiu nem mesmo o pódio. Sebastian Vettel deu as cartas nos treinos e largou na pole-position, mas ficou para trás no trabalho de boxes de sua equipe e na estratégia furada que o fez sofrer com pneus ruins durante várias voltas na segunda metade da prova. Mark Webber não apareceu e ainda terminou pior do que começou. Em Montreal, a esquadra sofreu da síndrome mclarenística que alija favoritos das primeiras posições.

FERRARI5,5 – É uma equipe que não está tão mal como parecia, mas que também não dá para confiar durante todo o tempo. No Canadá, os dois pilotos voltaram a sofrer com o alto desgaste dos pneus Pirelli e terminaram a corrida tomando ultrapassagens de tartarugas e preguiças. Fernando Alonso ainda deu uma de Schumacher e, em trabalho conjunto com os mecânicos, conseguiu assumir a liderança da corrida por alguns instantes após algumas voltas voadoras. Uma pena que os pneus e o baixo desempenho nas retas impediram o espanhol de obter algo melhor que a quinta posição. Felipe Massa não apareceu tão mal, mas a rodada e a questão dos pneus não ajudaram muito.

MERCEDES4 – Michael Schumacher saiu da corrida graças a um problema digno de HRT. A danada da asa móvel de seu W03 travou graças a um problema hidráulico e Schumi não pôde continuar, dando adeus a mais uma corrida neste ano infeliz. Como nos velhos tempos, os mecânicos tentaram resolver o abacaxi com a mais primitiva das soluções: a porrada. Não deu e o alemão mais velho teve de continuar assistindo à corrida por uma televisão Sharp. Nico Rosberg, como sempre, salvou as honras da casa e terminou em sexto. Mas ele também teve lá suas dores de cabeça com um carro lento no início da corrida. É outra escuderia a quem não se deve dar muito crédito mesmo nos bons momentos.

FORCE INDIA3 –Está aí uma equipe que tinha carro, pilotos e condições para ter saído de Montreal com vários pontos na conta-corrente, mas que terminou o fim de semana com uma mão na frente e outra atrás. Paul di Resta tinha como trunfo maior a boa oitava posição no grid. Nico Hülkenberg, por outro lado, havia optado pela estratégia mais eficaz, a de largar com pneus macios. Ambos se deram fragorosamente mal com o desgaste dos pneus e terminaram fora da zona de pontuação. O escocês desapareceu logo após seu primeiro pit-stop. O alemão em momento algum esteve em uma boa posição e ainda foi prejudicado pela equipe nas duas paradas.

WILLIAMS1 – Horrorosa a corrida da equipe de Grove, horrorosa! Os pilotos não colaboraram, o carro não colaborou, os mecânicos não foram tão ágeis, os muros canadenses não colaboraram e a sorte também não deu as caras. Pastor Maldonado se complicou com um câmbio quebrado (pelo segundo fim de semana consecutivo) e um erro na qualificação. Bruno Senna bateu sozinho em um dos treinos livres, largou lá atrás e passou boa parte da corrida atrás de gente da Caterham. Pelo menos, os dois sobreviveram às agruras típicas de Montreal e chegaram ao fim. Mas atrás de muita gente.

TORO ROSSO2 – Anda numa fase complicada. Os dois pilotos, reconhecidamente bons, sofrem como porcos no abate no sábado e não conseguem se recuperar na corrida. O pior é que cada um deles parece se complicar mais em um determinado dia. Enquanto Jean-Eric Vergne se embanana no treino oficial, Daniel Ricciardo costuma por tudo a perder na corrida. O francês largou atrás dos dois carros da Caterham e, por isso, mereceu ter terminado lá atrás. O australiano errou feio na primeira curva e não tem muito o que comentar. Com um carro ruim e uma estratégia sem-graça, a Toro Rosso passou mais uma em branco.

CATERHAM6 – Apareceu muito bem, até. Tudo bem, não estamos esperando que ela brigue pau a pau com as equipes do meio do pelotão, mas os esverdeados conseguiram até mesmo largar à frente de um Toro Rosso que não teve problemas. Na corrida, Heikki Kovalainen meteu-se no meio dos carros de Toro e Williams e pôde experimentar um pouco a vida de um piloto minimamente competitivo, assim como aconteceu em Mônaco. Vitaly Petrov não foi tão bem assim, mas chegou ao fim da corrida. Muito, mas muito lentamente, se aproxima das equipes mais tradicionais.

MARUSSIA0 – Seu maior pesadelo virou realidade. Pela primeira vez em três anos, a equipe preta e vermelha deixou uma impressão ainda pior do que a arquirrival HRT. No primeiro treino de sexta, para se ter uma ideia, Timo Glock e Charles Pic dividiram as duas últimas posições na tabela. No treino oficial, os dois ficaram atrás de Pedro de la Rosa por uma margem razoável. Na corrida, somente Pic chegou ao fim, pois o alemão teve problemas nos freios. E o trabalho nos pits foi pura vergonha alheia: dois dos três piores tempos de parada se referiram exatamente aos trabalhos nos carros de Glock e Pic. Muito feio.

HRT6 – Chupem, detratores. O que aqueles que diziam que a equipe não sobreviveria, que nunca conseguiria sair das últimas posições, pensaram após este fim de semana? Em todos os treinos, ao menos um carro espanhol deixou os dois da Marussia para trás. E o mais legal é que, no treino oficial, Pedro de la Rosa ficou a menos de um segundo do Toro Rosso de Jean-Eric Vergne. Uma pena que o outro bólido seja ocupado por Narain Karthikeyan, que definitivamente não tem cancha para explorar o máximo a evolução da equipe. Uma pena também que os dois abandonaram em questão de minutos por causa de problemas nos freios. A HRT, apesar de tudo, ainda é um time nanico e problemático.

TRANSMISSÃODANÇA IMPRESSIONANTE – Corrida narrada pelo Sr. Impressionante é uma coisa linda de se ver. Tudo é bonito, tudo é legal, as flores estão sempre coloridas, os coelhinhos pulam pelo vale verdejante, o carrinho vermelho duela com o carrinho prateado e o “Regi” sempre sabe das coisas. Que os leitores me perdoem, mas o narrador titular da transmissão brasileira faz falta, e como. Mas já que ele estava ocupado com jogos de ludopédio, a tarefa acabou sobrando nas mãos do segundão. Não me lembro de nada muito escabroso ou engraçado, talvez apenas o “Reginaldo, você já se inscreveu para a Dança dos Famosos”. A resposta de “Regi” foi uma risadinha amarela, meio que com vontade de tomar um gole de estricnina por ouvir tal pergunta. Devo destacar, no entanto, o bom espaço que a emissora oficial anda dando à Fórmula 1, com a geração de imagens sendo iniciada cerca de vinte minutos antes. Diz-me um passarinho azedo, fonte de lá de dentro, que a intenção da supracitada emissora realmente é emular a qualidade oferecida pelas televisões de outros países. Curiosamente, uma das transmissões inspiradoras seria a dos EUA, que nem tem tanta tradição de Fórmula 1 assim. Mas falei.

CORRIDADEZ ÚLTIMAS VOLTAS – As últimas corridas em Montreal vinham sendo pautadas pelo nonsense total. É chuva que não acaba mais, é acidente de piloto polonês, é asfalto que se desfaz, é piloto batendo em outro nos boxes, é nego sendo punido por sair dos boxes com a luz vermelha e a lista não para. Neste domingo, as coisas ficaram um pouco mais tranquilas. Ninguém bateu, a primeira curva foi mais ou menos limpa, a chuva não deu as caras e quase todos estavam comportados no início da corrida. Até parecia que a gente terminaria o dia chateado com a falta de ação. Mas eis que as coisas mudaram drasticamente nas últimas voltas. Os apuros que os dois primeiros, Alonso e Vettel, passavam com os pneus dariam uma graça especial ao grande prêmio. Lewis Hamilton parou nos boxes para colocar pneus novos e ganhou a corrida graças a esta decisão. Outros também se deram muito bem no final, como Romain Grosjean e Sergio Pérez. No fim, todos ficaram contentes. O GP do Canadá nunca decepciona.

LEWIS HAMILTON9,5 – Só não gabaritou porque perdeu a pole-position para Sebastian Vettel, algo absolutamente perdoável. Na corrida, não foi espetacular, mas deu um banho de eficiência nos concorrentes. Não deixou o líder Vettel fugir nas primeiras voltas e conseguiu tomar sua posição logo após a primeira rodada de pit-stops. Pouco depois, Fernando Alonso chegou a assumir a liderança, mas Lewis não teve o menor trabalho para ultrapassá-lo e tomar a ponta pela primeira vez. Mas o que garantiu definitivamente o resultado final foi o segundo pit-stop, que, embora lento, proporcionou ao inglês pneus novos em folha. Com um carro em ótimo estado, ele conseguiu recuperar na pista sua primeira posição e partiu para sua primeira vitória na temporada.

ROMAIN GROSJEAN9 – Quando inventou de dividir a primeira curva com Felipe Massa, muitos dos fãs do piloto franco-suíço prenderam a respiração. Será que ele abandonaria logo no começo mais uma vez? Dessa vez, não. Romain aproveitou-se da boa sétima posição no grid de largada e da excelente estratégia empreendida pela Lotus para obter seu melhor resultado na carreira até aqui. Discreto nas primeiras voltas, ele parou na volta 21 para colocar pneus macios e não precisou mais retornar aos boxes. Nas últimas voltas, estava voando baixo e conseguiu tomar o segundo lugar de Fernando Alonso sem maiores pepinos. Se continuar assim, sem bater em ninguém, terá grandes chances de superar Kimi Räikkönen no Mundial.

SERGIO PÉREZ9 – Esse daqui mereceu até mesmo elogios do Chespirito, o maior mexicano de todos os tempos, que o congratulou pelo Twitter. Tudo bem que o carro da Sauber permite algumas estratégias doidas, mas também não precisava exagerar. Discreto em quase todos os treinos, Pérez foi obrigado a largar da 15ª posição. Como de costume, optou por querer ser o do contra, largando com pneus macios num dia em que quase todos estavam calçados com supermacios. A ousadia o permitiu parar apenas na volta 41. De volta à ação, Pérez tinha pneus supermacios em ótimo estado e desembestou a ganhar posições até o final. Pódio surpreendente e merecidíssimo.

SEBASTIAN VETTEL8,5 – Mesmo tendo ficado de fora do pódio, não dá para criticar a atuação do bicampeão. No treino oficial, ignorou a concorrência e liderou o Q1, o Q2 e o Q3, que é o mais importante. Largou bem da posição de honra e manteve uma liderança honesta nas primeiras voltas, embora nunca tenha conseguido se livrar de quem vinha atrás. Foi o primeiro a fazer seu pit-stop entre os ponteiros e se deu mal com isso, caindo para o terceiro lugar. Esperava poder terminar a corrida sem fazer um segundo pit-stop, mas começou a perder rendimento e se viu obrigado a trocar pneus. Voltou rápido pacas, subiu para o quarto lugar e ainda marcou a melhor volta da prova na bandeirada. Resultado mais válido para o campeonato do que para o prazer pessoal.

FERNANDO ALONSO8 – O asturiano faz milagres mas também não abusa. Esteve sempre lá nas cabeças durante os treinamentos e arrancou um terceiro lugar no grid pilotando um carro meio ruinzinho de retas. No começo da corrida, escoltou os dois primeiros e deu o pulo do gato ao fazer duas voltas velocíssimas antes de parar, o que lhe permitiu driblar Vettel e Hamilton e assumir a liderança. Mas a felicidade acabou aí. Hamilton assumiu a primeira posição sem grandes dificuldades e restou ao espanhol ficar segurando Vettel até onde dava. Chegou um momento em que os pneus macios acabaram e Fernando não só perdeu posição para o alemão como também para uma negada numerosa aí. Quinto lugar frustrante para o cara que chegou a Montreal como líder do campeonato.

NICO ROSBERG6,5 – Corrida normal, desempenho correto, este é o Nico Rosberg de sempre. Apareceu melhor no treino oficial, quando obteve o quinto lugar no grid após um bom desempenho no Q3. Nas primeiras voltas, atrasou o comboio com um ritmo mediano e tomou ultrapassagens fáceis de Felipe Massa e Paul di Resta. As coisas melhoraram posteriormente e, mesmo tendo feito duas paradas, Nico conseguiu terminar num aceitável sexta posição. Foi isso.

MARK WEBBER5,5 – Mal vi correr. Com o mesmo carro de Sebastian Vettel, conseguiu perder três posições para carros bem piores durante a corrida. Não foi tão mal nos treinos e até pegou um bom quarto lugar no grid. Manteve a mesma posição nas primeiras voltas, mas começou a se perder após o pit-stop, quando ficou para trás. Recuperou a quarta posição mais para frente, mas acabou tendo de fazer uma segunda parada e foi obrigado a se contentar com a sétima posição.

KIMI RÄIKKÖNEN4 – Esteve sumidão em Montreal e ainda teve o desprazer de ver o companheiro de equipe entornar uma garrafa de champanhe no pódio. Não esteve bem desde a sexta-feira e sequer passou para o Q3 da classificação no sábado. Visando tentar fazer algo diferente, Kimi largou com pneus macios e pilotou 40 voltas com eles. Após seu único pit-stop, voltou em nono e, tendo de lidar com pneus que se desgastavam rapidamente, não conseguiu melhorar muito mais. Precisa começar a se esforçar um pouco, pois Romain Grosjean está sendo constantemente mais veloz.

KAMUI KOBAYASHI4,5 – Ah, se ele tivesse utilizado a mesma estratégia de Sergio Pérez… Os resultados no fim de semana não desmentem: o japonês foi o piloto mais rápido da Sauber durante quase todo o tempo. Faltou-lhe apenas uma pitada de sorte. Ao contrário do mexicano, optou por largar com pneus supermacios e empreender uma estratégia conservadora. Chegou a andar em quinto, mas acabou caindo bastante com o pit-stop e não conseguiu se recuperar muito mais com pneus macios. Teve de chorar as pitangas com apenas dois pontos no bolso.

FELIPE MASSA5 – Se não tivesse rodopiado sozinho na sexta volta, teria obtido uma nota bem maior. O brasileiro andou razoavelmente bem nos treinos e chegou a ocupar a terceira posição na segunda sessão livre de sexta-feira. No sábado, fez um trabalho digno e colocou sua Ferrari na sexta posição do grid. Foi bastante agressivo nas primeiras voltas, dividiu a primeira curva com Romain Grosjean e chegou a fazer uma boa ultrapassagem sobre Nico Rosberg por fora. A rodada o fez perder várias posições, mas nunca a volúpia. O paulista foi o primeiro a fazer sua troca de pneus e conseguiu recuperar boas posições com os compostos macios. Infelizmente, eles acabaram no final da corrida e Massa foi obrigado a fazer uma segunda troca para, ao menos, segurar um ponto.

PAUL DI RESTA4,5 – Outro que se deu muito mal com a degradação dos pneus. O escocês rendeu bem nos treinamentos e obteve um ótimo oitavo lugar no grid. Na largada, passou Grosjean e subiu para sétimo. Depois, fez uma boa ultrapassagem sobre Nico Rosberg e ainda herdou uma posição de Felipe Massa, subindo para quinto e deixando a impressão de que seria um dos grandes nomes da corrida. Mas a impressão acabou logo, logo. Com sérios problemas nos pneus supermacios, Paul teve de antecipar seu primeiro pit-stop e acabou despencando para o meio do pelotão. Após isso, ainda teve de fazer uma segunda parada e não conseguiu pontuar.

NICO HÜLKENBERG3 – Animou um pouco seus (poucos) fãs ao fazer o sexto tempo no primeiro treino de sexta-feira.  Os dois dias seguintes não foram tão interessantes assim. Fez apenas o 13º tempo no grid de largada e achou que poderia se recuperar bastante se largasse com pneus macios. Graças ao enorme desgaste proporcionado pelo seu carro indiano, isso não aconteceu e o alemão andou a maior parte do tempo fora das posições pontuáveis. Outro que fez dois pit-stops e não se deu bem com isso.

PASTOR MALDONADO3,5 – Depois da esplendorosa vitória na Espanha e da corrida desastrada de Mônaco, um fim de semana discreto na Ilha de Nossa Senhora. Assim como há duas semanas, foi obrigado a trocar o câmbio do seu Williams e teve de largar lá do fim do grid. No Q2 do treino oficial, errou na última chicane e não estampou o Muro dos Campeões por pouco. A corrida, pelo menos, não foi de todo horripilante. Pastor se recuperou bem no primeiro stint e chegou a andar em décimo, mas voltou à má realidade após fazer seu pit-stop.

DANIEL RICCIARDO3,5 – Vem numa fase muito ruim. Nos treinos, não chega a passar vergonha como seu companheiro de equipe, mas as coisas sempre ficam mais pretas na hora da corrida. Na primeira curva, ameaçou sair da pista e perdeu várias posições. Utilizando uma estratégia conservadora de dois pit-stops, não pôde galgar tantas posições assim. Terminou ali no bolo, como sempre.

JEAN-ERIC VERGNE2,5 – Dele, não dá para esperar absolutamente nada nos treinos. O problema é quando a corrida também não é boa. No sábado, errou no Q1 e ficou atrás até mesmo dois dois carros da Caterham, situação inaceitável para uma equipe que se diz média. Na corrida, também tendo optado por uma estratégia conservadora, ficou entalado no meio do pelotão e sequer chegou a andar entre os dez primeiros. Como se não bastasse, ainda tomou um stop-and-go por excesso de velocidade. Bem que ele poderia ser excessivamente veloz também nos treinos.

JENSON BUTTON0,5 – O buraco parece não ter limite. Há um ano, o britânico conseguiu a proeza de vencer a corrida após ter andado em último durante algum tempo. Neste último domingo, ele fez praticamente o caminho inverso. Só não levou zero porque chegou a aparecer muito bem no Q1 da classificação, embora tenha terminado o sábado apenas com a décima posição no grid. Na corrida, sofreu tanto com os pneus macios como com os supermacios e foi o único entre os 24 pilotos que fez três trocas. Foda foi tomar uma volta de seu próprio companheiro de equipe, que por acaso acabou vencendo a prova. Triste situação de um piloto que estava em grande fase até há pouco tempo.

BRUNO SENNA1,5 – Talvez seu pior fim de semana no ano até agora. Padecendo muito na pista canadense, ele até que não foi tão absurdamente mal no sábado: fez o oitavo tempo no Q1 e conseguiu marcar um tempo melhor que o de Pastor Maldonado no Q2, mesmo tendo ficado de fora dos dez primeiros. O domingo é que foi de lascar. O sobrinho de Ayrton iniciou pessimamente a corrida e chegou a tomar ultrapassagem da Caterham de Heikki Kovalainen. Na volta 19, errou sozinho e caiu para 19º. Durante um bom tempo, ficou atrás dos dois pilotos da Caterham. Conseguiu superá-los, mas até aí, pelamor, né?

HEIKKI KOVALAINEN6 – Deu uma pancada daquelas na sexta-feira, mas sua equipe conseguiu consertar o carro a tempo para a qualificação do sábado. Nesta sessão, conseguiu a proeza de meter quatro décimos no Toro Rosso de Jean-Eric Vergne. 24 horas depois, Kova largou bem e chegou a andar à frente dos dois Toro Rosso e dos dois Williams nas primeiras voltas. A verdade se restabeleceu com o tempo, mas o finlandês ainda conseguiu levar seu carro ao fim com grande competência.

VITALY PETROV4 – Corrida normal, bem menos chamativa do que a do companheiro de equipe. Também conseguiu a proeza de superar Jean-Eric Vergne no treino oficial, ainda que a diferença entre os dois tenha sido menor que dois décimos. Na corrida, foi ultrapassado por Pedro de la Rosa (!) na largada e perdeu muito tempo em relação a Kovalainen. No fim das contas, o melhor do dia foi ter visto a bandeira quadriculada.

CHARLES PIC3 – Sofreu feito um desgraçado na sexta-feira, quando foi superado não por um, mas pelos dois carros da HRT. Melhorou um pouco no dia seguinte e até deixou Narain Karthikeyan para trás no Q1 da classificação. Na corrida, manteve-se no patamar de sempre. Durante um bom tempo, andou à frente do companheiro Timo Glock. E foi o único piloto da Marussia a chegar ao fim. No andar da carruagem, não foi tão ruim assim.

TIMO GLOCK2 – Lamentável ver um sujeito que subia no pódio com a Toyota estar levando surra de vara de uma HRT. Para quem está acostumado a largar quase sempre à frente do companheiro de equipe e das duas carroças espanholas, perder para Pedro de la Rosa em quase todas as sessões foi doloroso demais. Fora isso, não há muito mais o que dizer. Abandonou com problemas nos freios na volta 57. Enquanto esteve na pista, nem apareceu.

MICHAEL SCHUMACHER2 – É um dos melhores pilotos de todos os tempos e certamente o homem mais azarado da Fórmula 1 nesta temporada. Dessa vez, a carambola que o tirou da pista é tão bizarra que precisaria ser explicada pelo finado Doutor Stock: um problema hidráulico em seu W03, sabe-se lá como, fez com que o elemento do aerofólio traseiro que se move com o acionamento do DRS ficasse travado, como se a asa móvel estivesse constantemente acionada. Por regulamento, isso não poderia acontecer e Michael teria de trocar de aerofólio ou simplesmente abandonar a prova, o que acabou acontecendo. E até o momento da saída, verdade seja dita, o alemão não vinha fazendo nada de brilhante.

PEDRO DE LA ROSA7,5 – Excelente fim de semana. Pela primeira vez desde que as nanicas invadiram a Fórmula 1, um piloto da HRT deixou para trás os dois carros de uma equipe adversária na maior parte do tempo. O veterano espanhol deu um jeito e até arranjou um excepcional 20º lugar do grid, a menos de um segundo do Toro Rosso de Jean-Eric Vergne. Na corrida, enquanto esteve na pista, Pedro chegou a andar na frente dos dois Caterham e não foi superado pela Marussia em momento algum. Abandonou por problemas nos freios.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – Num fim de semana onde a HRT não era a pior equipe do grid, tinha obrigação de ter feito melhor. No primeiro treino livre de sexta-feira, até chegou a superar os dois carros da Marussia, mas também não conseguiu repetir o feito dali para frente. Largou em último e esteve na lanterna durante todo o tempo, até abandonar com os mesmos problemas de freios de Pedro de la Rosa.

RED BULL9,5 – Em uma temporada onde todas as equipes têm seu fim de semana dos sonhos, Mônaco pertenceu aos touros avermelhados: Mark Webber foi o grande vencedor e Sebastian Vettel foi um dos grandes nomes da corrida. O australiano herdou a pole-position a partir da punição de Michael Schumacher e permaneceu na liderança até o fim. Já Vettel brilhou com uma excelente estratégia de fazer um primeiro stint bem longo com pneus macios. Beneficiado pelo excelente trabalho da Red Bull nos pits, conseguiu ganhar duas posições e terminou em quarto. Mesmo sem ter o melhor carro do ano, a Red Bull já lidera o campeonato de construtores com facilidade.

MERCEDES8 – O velho pode até ser heptacampeão, tirar seus coelhos da cartola e arrancar uma pole-position do nada, mas quem anda pondo comida à mesa é Nico Rosberg, segundo colocado na prova. O alemão mais menininha do grid largou da segunda posição e tão somente escoltou o vencedor Mark Webber, sendo bastante conservador e consciente. Sem sua pole-position, Michael Schumacher teve um domingo do cão. Foi tocado por Romain Grosjean na largada e voltou a ter problemas no carro, desta vez relacionados à bomba de combustível. Em compensação, o trabalho nos pits anda muito bom. Com Schumacher, seus mecânicos fizeram o melhor pit-stop do ano: 3s2.

FERRARI8,5 – Estou vendo que esse negócio de carro vermelho ruim é o maior mito do ano até aqui. Se o F2012 é tão desastroso assim, como é que Fernando Alonso chega ao pódio e assume a liderança isolada do campeonato? E como Felipe Massa obtém um sexto lugar após uma corrida razoavelmente forte? O brasileiro chegou a dar calor a Alonso na primeira metade da corrida, mas acabou perdendo uma posição para Vettel após o pit-stop. Fernando das Astúrias, por outro lado, foi o oportunista rabudo de sempre. Os cavalos rampantes definitivamente já tiveram dias piores.

MCLAREN2 – Quem teve um fim de semana daqueles foi a McLaren. Dessa vez, não teve pole-position de Lewis Hamilton, que não anda lá em uma grande fase. Para piorar, seu companheiro parece estar mergulhado num inferno astral ainda pior. Hamilton ao menos largou em terceiro e terminou em quinto, embora tenha penado novamente com o precário serviço de boxes da equipe. Button sequer avançou ao Q3 da classificação e perdeu uma corrida inteira atrás do Caterham de Heikki Kovalainen. No fim das contas, foi até bom ter abandonado a corrida com um pneu furado, pois o vexame acabou sendo menor. Para quem tinha o melhor carro nas primeiras etapas, a McLaren é uma das decepções do ano.

FORCE INDIA7,5 – Melhor atuação dos indianos até aqui. Nico Hülkenberg foi o melhor piloto da equipe nos dias de treinos, mas Paul di Resta simplesmente brilhou no domingo. Um dos poucos que largaram com pneus macios, o escocês se aproveitou dos imprevistos ocorridos à sua frente e do fato de ter um carro em ótimas condições na metade da corrida para assumir a sétima posição. Hülkenberg, discreto como sempre, também fez seu trabalho corretamente e terminou logo atrás. Seria a Force India uma equipe boa para pistas de rua?

LOTUS4 – Ouvi aqui e acolá que a equipe preta e dourada seria a favorita para o GP de Mônaco. Teria um carro ótimo, dois pilotos excelentes e ainda haveria aquela macumba de ter uma equipe vitoriosa para cada corrida até então. Mas a Lotus decepcionou a todos. Kimi Räikkönen largou apenas em oitavo, arrastou-se durante todo o tempo e terminou em nono. O homenageado James Hunt não poderia ter se sentido mais ultrajado. Romain Grosjean fez o de sempre: andou muitíssimo bem no treino oficial e bateu logo na primeira volta. Chega a ser incrível a incapacidade da equipe de Eric Boullier em fazer um fim de semana totalmente perfeito. Bahrein e Espanha foram dois pontos fora da reta, pelo visto.

WILLIAMS3,5 – A equipe vencedora do GP da Espanha não conseguiu nada além de um mísero ponto, obtido pelo sensato Bruno Senna. O brasileiro não foi brilhante em momento algum, mas ao menos não se envolveu em celeumas, sobreviveu aos vários abandonos, herdou uma posição a partir da estratégia infeliz de Jean-Eric Vergne e terminou grudado em Kimi Räikkönen. Pastor Maldonado, o fodão de Barcelona, fez tanta merda que não dá nem para apontar todas aqui. A equipe afirmou que tinha carro para fazer um amontoado de pontos. Não há como discordar.

SAUBER2,5 – Outra equipe que tinha boas chances de ter marcado vários pontos. Mas não marcou nenhum. Kamui Kobayashi era a maior esperança da equipe, já que largava em 11º. Porém, foi pego de bobo no acidente da largada e ficou de fora. Sergio Pérez se envolveu em tantos problemas durante todo o fim de semana que até pode se considerar um sortudo por ter finalizado a corrida. Não há como avaliar corretamente a equipe quando os dois pilotos se metem em confusões.

TORO ROSSO2 – Em uma corrida sem grandes pegadinhas na hora de desenvolver uma estratégia, a Toro Rosso conseguiu a proeza de se embananar com os dois carros. Jean-Eric Vergne vinha numa sétima posição confortável nas últimas voltas, mas algum abençoado de sua equipe achou que iria chover e obrigou o francês a entrar nos pits para colocar pneus intermediários. Não choveu e Vergne perdeu os pontos de bobeira. Menos brilhante, Daniel Ricciardo também se deu mal com os pneus: teve de fazer um stint longo demais com pneus supermacios no início da corrida e se afastou de qualquer chance de pontos. Boa, Toro!

CATERHAM4 – Em termos de velocidade, aparenta já ter tido fins de semanas melhores: Vitaly Petrov ficou no mesmo segundo da Marussia de Timo Glock e da HRT de Pedro de la Rosa. A graça maior ficou reservada ao domingo. Heikki Kovalainen pulou para 13º na primeira volta e passou o dia inteiro segurando um feroz Jenson Button. Mesmo após o pit-stop, Heikki retornou à frente – e ainda se meteu num duelo complicado com Sergio Pérez. Esquecido no outro carro, Petrov não fez muita coisa e abandonou com problemas na bateria. Noto também que a equipe precisa melhorar um pouco no trabalho de boxes.

MARUSSIA3,5 – Por incrível que pareça, estou em dúvida se o fim de semana da equipe anglo-russa foi bom ou não. No treino oficial, os dois carros tiveram problemas para duelar com a tristonha dupla da HRT e Charles Pic chegou a largar atrás de Pedro de la Rosa. Por saírem tão lá no fundão, escaparam da meleca da primeira volta e subiram lá para o meio do pelotão sem problemas. Charles Pic teve problemas elétricos, mas Timo Glock conseguiu terminar em 14º, sua melhor posição no ano até aqui.

HRT3,5 – Pedro de la Rosa mandou muito bem ao superar Charles Pic e quase deixar Timo Glock para trás também. Pena que sua corrida não durou uma volta, graças ao desequilibrado do Maldonado. Narain Karthikeyan continuou na mesma de sempre, mas tomou apenas duas voltas e terminou em 15º. Era triste vê-lo tentando comandar aquele touro desgovernado pelas estreitas ruas monegascas.

TRANSMISSÃOSKY SPORTS BRASILEIRA – Geralmente, os fãs brasileiros de Fórmula 1 invejam os britânicos porque a cobertura televisiva da categoria no Reino Unido é fora de série. Reportagens detalhadas ao extremo, transmissão que se inicia dezoito horas antes, atenção maior aos detalhes técnicos e menos ao nacionalismo porco, companhia de gentes como Martin Brundle e Eddie Jordan e mimos afins. Neste fim de semana, talvez preocupada com a acentuada queda na audiência, a emissora brasileira decidiu fazer sua primeira transmissão caprichada na história. Iniciou a geração de imagens uns vinte minutos antes, colocou sua repórter loira para fazer matérias diretamente lá no grid de largada e até fez questão de mostrar os rostinhos dispensáveis do trio que faz os comentários. É óbvio que uma novidade sempre vem acompanhada de alguns deslizes, mas isso acontece nas melhores e principalmente nas piores famílias. Fora isso, o que há para ser dito? Que bullying é uma coisa muito feia, senhor narrador. “Do jeito que você anda batendo na Stock Car, é melhor ficar só comentando a Fórmula 1“. “Você trocou de capacetes com o Alain Prost. Digo que você saiu no lucro, hein?”. E, por fim, uma pequena curiosidade: não, a Red Bull não é sediada na Suíça.

CORRIDAFILA MONEGASCA – Quem gosta de Mônaco, gosta. Quem não gosta, não gosta. Estas duas frases geniais clarificam qual é o estado de espírito dos que assistiram ao GP deste último fim de semana. Os apreciadores não se importam com a impossibilidade de ultrapassagens, a estreiteza indecorosa de alguns trechos e as filas que se formam no decorrer da prova. Os detratores ignoram a beleza do cenário, a história do grande prêmio, algumas das curvas mais desafiadoras do calendário e o fato do circuito monegasco ser um árduo teste para carros e pilotos. Eu estou no segundo grupo, é claro. Mas convenhamos que a corrida esteve muito longe da animação das etapas anteriores. Mark Uéba largou na pole-position e ganhou. Nico Rosbife largou em segundo e chegou em segundo. Quem veio atrás pouco pode fazer. De destaque, apenas os dois ex-rivais de Fórmula 3 Euroseries, Sebastian Vettel e Paul di Resta, que se aproveitaram da estratégia para ganhar posições. Somente os imprevisíveis Pastor Maldonado, Romain Grosjean, Sergio Pérez e Michael Schumacher puderam animar um pouco a festança, se bem que as fechadas de Heikki Kovalainen entram para os anais desta temporada como um dos melhores momentos até aqui.

GP2PAIS E FILHOS – Não é bonito quando o filho continua a obra do pai? Não que Jonathan Palmer e Johnny Cecotto tenham lá deixado um grande legado no automobilismo. O negócio de Cecotto era andar de motos, enquanto que Palmer é médico de formação. Mas os dois tiveram totais motivos para sorrir em Mônaco. Na sexta-feira, Johnny Amadeus Cecotto Jr. ganhou sua primeira na GP2 após ter largado da pole-position, liderado quase todas as voltas e resistido aos ataques de Marcus Ericsson. Corrida mediana, sem grandes apelos. No dia seguinte, a piração ficou reservada para a primeira volta. O pole-position Stéphane Richelmi (outro filho de piloto) foi tocado por James Calado na largada e rodou na Saint Devote, sendo acompanhado pelo compatriota Stefano Coletti. Os dois monegascos, a propósito – que tristeza para os pachecos do principado. Alguns metros depois, nosso querido Cecotto Jr. acabou rodando em plena Beau Rivage em decorrência de um pneu furado, atrapalhando o caminho de quem vinha atrás. A partir daí, carnificina. Felipe Nasr voou por cima de Victor Guerin e não saiu do circuito por pouco. Outros cinco pilotos se envolveram na bagunça e não houve mortos ou feridos. Jolyon Palmer, que assumiu a ponta na primeira curva, aproveitou-se da lerdeza de James Calado para abrir enorme distância e vencer pela primeira vez na GP2. Um verdadeiro Dia dos Pais adiantado.

GP3TODOS DOIDOS – Nunca antes na história deste blog eu tinha comentado sobre a GP3 neste meio. Pois falo dela hoje. A categoria imediatamente anterior à GP2 realizou sua primeira corrida em Mônaco acreditando que tudo daria certo. Mais ou menos. A primeira corrida, mais longa e tranquila, foi vencida pelo finlandês Aaro Vainio, que não teve trabalho para conter a sanha do húngaro Tamas P’al Kiss (SIC!). Loucura, loucura, loucura mesmo foi a segunda corrida, realizada no pôr-do-sol do sábado. Na largada, William Buller foi tocado pelos compatriotas Alice Powell e Alex Brundle e terminou de ponta-cabeça na Saint Devote. Mas incrível mesmo foi a presepada entre o bielorrusso Dmitry Suranovich e o americano Conor Daly. Após um toque entre os dois, o carro preto e vermelho de Suranovich ficou sem a asa traseira, mas o diabo do soviético decidiu seguir em frente por mais algumas voltas. Impaciente, Daly tentou ultrapassá-lo na saída do túnel. Suranovich não facilitou e fechou a porta, o que acabou causando um dos maiores acidentes do ano até aqui. Conor decolou, bateu no alambrado e caiu de volta à pista para se arrastar por alguns metros. Ninguém se machucou, mas Dmitry brigou com a equipe e com a organização da prova, aparentando ser um cara de cabeça quente. Dizem que perdeu o emprego. A ver. Quem ganhou foi o filipino Marlon Stöckinger, que resistiu à forte pressão de Antônio Felix da Costa. Foi a primeira vitória de um piloto das Filipinas na Europa, exatos vinte anos após a morte de Jovy Marcelo em Indianápolis. Muito legal!

MARK WEBBER10 – O sexto vencedor da temporada vinha devendo uma atuação destas já fazia algum tempo. Nos treinos livres, nada indicava que seu domingo terminaria tão bem. As coisas melhoraram bastante com o segundo tempo no Q3 da classificação, que virou pole-position após a punição aplicada a Michael Schumacher. No domingo, resolveu sua vida largando bem e completando a primeira curva em primeiro. Após isso, só levou o carro ao fim. Algumas vezes pressionado por Nico Rosberg, outras sossegado na dianteira, o australiano não teve problemas para segurar a fila de cinco carros que se formou atrás nas últimas voltas.

NICO ROSBERG9 – Fez a lição de casa com primor, ainda que não tenha tido nenhum momento de brilhantismo como seu companheiro. Liderou a terceira sessão livre e esteve sempre competitivo nas demais sessões. No treino oficial, embora tenha sido mais lento que Michael Schumacher no Q3, acabou abocanhando uma boa primeira fila. Se quisesse ter vencido, deveria ter ultrapassado Mark Webber logo na primeira curva. Como não o fez, somente dirigiu seu Mercedes rumo ao segundo lugar. Terminou a corrida com quatro carros grudados em seu cangote.

FERNANDO ALONSO8 – Também fez a lição de casa direitinho e acabou premiado com a liderança isolada no campeonato. Não tinha o melhor carro em Mônaco, mas fez da água vinho e logrou um ótimo quinto lugar no grid. Seu ritmo não era dos melhores no início da prova e Felipe Massa lhe deu algum trabalho durante algumas voltas, mas a impossibilidade de se ultrapassar deixou o espanhol tranquilo. Tentou adiar sua parada para ver se aproveitava o início da chuva, mas ela não veio. Assim como os dois primeiros, terminou a corrida na mesma posição em que largou, algo longe de ser ruim. Não por acaso, Fernando era o mais feliz dos homens do pódio.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O grande destaque da corrida. Pena que seu desempenho nos treinos não foi tão genial – o que, de alguma forma, também se sucedeu com o vencedor Mark Webber. Largando apenas da nona posição, o bicampeão decidiu largar com pneus macios para ver se conseguia parar após todo mundo. A ideia funcionou bem e Vettel ganhou as posições de Lewis Hamilton e Felipe Massa após seu pit-stop. Nas últimas voltas, conseguiu se juntar aos três primeiros e terminou na mesma foto do vencedor. O resultado final não fez jus à atuação do cara.

LEWIS HAMILTON6 – Fim de semana insatisfatório, embora o resultado final não tenha sido dos piores. Sem ter o melhor carro, Lewis teve dificuldades nos treinos e passou longe do brilhantismo das primeiras etapas. Cavou um terceiro lugar no grid, mas largou mal e só não perdeu posições porque Mônaco é um lugar triste para quem está atrás. No decorrer da corrida, não conseguiu andar tão rápido e se afastou dos dois primeiros. No pit-stop, os mecânicos da McLaren voltaram a bobear e Hamilton acabou perdendo duas posições de graça. Também terminou grudado entre os primeiros, mas totalmente distante do pódio.

FELIPE MASSA6,5 – Finalmente uma boa corrida no ano. OK, um sexto lugar não é lá um resultado genial. Mas para quem vinha trocando posições com Toro Rosso e Force India, terminar apenas seis décimos atrás do vencedor pode ser considerado uma façanha. Felipe esteve razoavelmente bem em todos os treinos e largou da sétima posição. No início de corrida, tinha mais carro que Fernando Alonso e chegou a pressioná-lo, mas não dava para ultrapassar. No pit-stop, perdeu uma posição para Sebastian Vettel. Mesmo assim, seguiu em frente e foi o último do trenzinho dos ponteiros.

PAUL DI RESTA8,5 – Grande corrida, uma de suas melhores na Fórmula 1 até aqui. Não foi bem nos treinos, é verdade, mas sua caranga alaranjada, verde e branca não é das melhores em treinos. Apostou na melhor estratégia de todas, a de largar com pneus macios. Ganhou boas posições na largada graças aos acidentes e tratou de não perder tanto tempo mesmo usando pneus mais lentos que os supermacios. Fez seu pit-stop muito depois do resto e galgou mais algumas boas posições. Para quem havia saído do meio do pelotão, terminar em sétimo foi excepcional.

NICO HÜLKENBERG7 – Fez sua melhor corrida no ano até aqui, mas acabou driblado pela estratégia genial de Paul di Resta. Sempre esteve muito melhor que Paul di Resta no principado monegasco, chegando a liderar o Q1 da classificação. Conseguiu um bom lugar na quinta fila e tinha totais chances de ter sido o salvador da pátria da Force India. De fato, ele andou direitinho, não cometeu erros e chegou ao fim em oitavo. Mas quando o companheiro consegue subir sete posições em uma pista como Mônaco e termina na frente, não dá para ficar totalmente feliz.

JAMES HUNT3 – Fim de semana estranhíssimo para o piloto finlandês. Antes da corrida, todo mundo estava dizendo que a Lotus teria o melhor carro para o travado circuito monegasco. Isso não aconteceu e Kimi só largou da oitava posição. Na corrida, seu carro milagrosamente piorou muito e nas poucas vezes em que foi visto, estava segurando um pelotão de pilotos insatisfeitos atrás. Tomou uma fechada bizarra de Sergio Pérez na entrada dos pits e quase bateu. Terminou num nono lugar sofrido, poucos palmos de distância à frente de Bruno Senna.

BRUNO SENNA4 – Fim de semana fraquinho, mas ainda pode esfregar na cara de todos que o único ponto marcado pela Williams em Mônaco veio com ele. Largou lá do meio do grid e se beneficiou muito com o acidente da primeira curva, ganhando quatro posições de bandeja. Perdeu muito tempo atrás de Kimi Räikkönen, que pilotava uma lesma negra. No final da corrida, só subiu para décimo porque Jean-Eric Vergne decidiu estragar sua corrida ao ir para os pits colocar pneus intermediários. Terminou grudado em Räikkönen e só não pegou o nono lugar porque ultrapassar em Mônaco não é pra qualquer um.

CHAPOLIN COLORADO2 – Teve um fim de semana que os anglo-saxões costumam chamar de eventful: aconteceu de tudo com ele. No grande prêmio em que decidiu homenagear o humorista Chespirito, ficou de fora dos pontos após passar por várias barras. No último treino livre, foi atacado por um imprevisível Pastor Maldonado e quase danificou seu carro. No Q1 do treino oficial, teve um problema na suspensão e bateu no guard-rail pelo segundo ano seguido, sendo obrigado a largar do fim do grid. Na corrida, conseguiu ter problemas com os dois finlandeses: fechou Kimi Räikkönen escandalosamente na entrada dos pits, sendo devidamente punido por isso, e tomou boas fechadas de Heikki Kovalainen. Só chegou ao fim porque não contavam com sua astúcia.

JEAN ALESI3,5 – O francês da Toro Rosso perdeu uma belíssima chance de pontos por culpa de algum meteorologista aloprado. Foi mal novamente nos treinos e sobrou de novo no Q1, mas se recuperou bastante na corrida. Por ter largado mal e ficado preso atrás dos dois (!) carros da Marussia na primeira volta, decidiu antecipar sua primeira parada e colocou pneus macios. A estratégia funcionou e ele chegou a subir para a sétima posição. Só que, demasiado ambicioso, decidiu colocar pneus intermediários para ver se ganhava mais algumas posições. Como só caíram umas catorze gotas na pista, seu último pit-stop só serviu para cansar um pouco mais os mecânicos.

HEIKKI KOVALAINEN7 – Numa corrida sem grandes atrativos, o finlandês foi o grande animador do meio do pelotão. Não fez nada de novo nos treinos, mas se deu muito bem com o acidente da primeira volta, que o catapultou à 13ª posição, justamente à frente do McLaren de Jenson Button. Com destreza notável, Heikki manteve seu modesto Caterham à frente do piloto inglês durante 28 voltas. Após a rodada de pit-stops, conseguiu deixar Button para trás por alguns fios de cabelo. Não o deixou ultrapassar e também tornou a vida de Sergio Pérez um inferno. Sobreviveu aos assédios e obteve a melhor posição de sua equipe no ano até aqui. Merecia um pontinho.

TIMO GLOCK5,5 – Também obteve seu melhor resultado no ano, embora não tenha sido nenhum Kovalainen durante a corrida. Sofreu um bocado para ficar à frente da HRT no treino oficial e só conseguiu colocar dois décimos de vantagem sobre Pedro de la Rosa. Deu-se muitíssimo bem no acidente da largada e chegou a estar à frente de Vergne e Pérez. Mais à frente, teve problemas com a asa dianteira, mas conseguiu chegar ao fim. E fez a 15ª volta mais rápida da corrida.

NARAIN KARTHIKEYAN5 – Pelo pouco que deu para ver, foi praticamente um dos heróis do dia. Seu carro era inguiável e eu realmente não sei como ele conseguia completar a Mirabeau sem bater. Mas conseguiu e merece aplausos. Apesar de sua nacionalidade ser indiana, a estratégia de uso de pneus foi bastante portuguesa: dois stints longos com pneus supermacios e uma parada na volta 74 para colocar os pneus macios, que duram bem mais. Eita, HRT.

JENSON BUTTON1 – Este Jenson Button abandonado pela sorte é paraguaio, não é possível. Mais uma vez, o inglês esteve simplesmente desaparecido e terminou o fim de semana com as mãos abanando. De bom, apenas o fato de ter liderado o segundo treino livre. Na qualificação, não conseguiu passar para o Q3 e teve de largar em 13°. Quase foi envolvido no acidente da largada e acabou ficando atrás da Caterham de Heikki Kovalainen. A partir daí, sua corrida praticamente acabou. Mesmo com um carro infinitamente melhor, não conseguiu ultrapassá-lo sequer após os pit-stops. Acabou abandonando com um pneu furado, em decorrência de um toque com o finlandês.

DANIEL RICCIARDO2,5 – Outro que anda numa fase meio complicada. Sempre nas posições intermediárias, o australiano não conseguiu fazer muita coisa nem nos treinos e nem na corrida. Tentou adiar ao máximo seu primeiro pit-stop, mas não conseguiu ganhar tempo porque estava calçado com pneus supermacios que estavam o pó da rabiola em suas últimas voltas. Abandonou porque passou por cima de uma zebra e começou a sentir o volante meio solto. Dirigir assim, num lugar com guard-rails aqui e ali, não dá.

CHARLES PIC3 – Saiu da corrida e ninguém percebeu. Teve problemas elétricos. O domingo, contudo, não foi dos piores. O francês aproveitou-se das confusões da largada e subiu para 16º logo na primeira volta. Embora tenha tido dificuldades para segurar os carros que vinham atrás, fazia um trabalho bastante digno até o abandono da volta 64. Garoto notável, fez a 14ª melhor volta da corrida.

MICHAEL SCHUMACHER6,5 – Chega a ser inacreditável o que acontece com o heptacampeão mundial, que ficou conhecido como um sujeito de sorte apurada nos seus tempos de Benetton e Ferrari. Justamente no grande prêmio em que perderia cinco posições no grid pelo acidente com Bruno Senna em Barcelona, Michael decidiu mostrar o que ainda sabe e marcou o melhor tempo da Q1, o que lhe daria a pole-position. Punido, teve de se expor às loucuras do meio do pelotão. Foi tocado por Romain Grosjean na largada e quase ficou por ali. Ficou preso no trem do Räikkönen e perdeu um tempão nessa. Tentou se recuperar adiando ao máximo seu pit-stop, mas só conseguiu perder uma posição. Para finalizar um domingo horrível com chave de estrume, teve um problema na bomba de combustível e abandonou pela bilionésima vez. Tem apenas dois pontos marcados.

VITALY PETROV1,5 – Ao contrário do companheiro de equipe, teve um fim de semana horrível. No treino oficial, ficou a poucos décimos à frente da Marussia e da HRT de Pedro de la Rosa. Na largada, tomou uma pancada de Kamui Kobayashi e acabou ficando com o bico quebrado. Após isso, sua corrida não durou mais do que quinze voltas. Um problema elétrico foi o responsável pelo fim da festa.

KAMUI KOBAYASHI2,5 – Pelos resultados apresentados em alguns treinos livres e no Q1 da classificação, parecia estar em condições boas o suficiente para obter um grande resultado. Mas não conseguiu sair do Q2 e teve de largar no meio do grid. Na largada, foi atingido pelo carro descontrolado de Romain Grosjean e decolou, esbarrando em alguns azarados pelo caminho. Acabou tendo a suspensão de seu Sauber danificada e não conseguiu fazer mais do que algumas voltas.

PEDRO DE LA ROSA3 – Só ganha esta nota pela excelente volta que conseguiu fazer no Q1 da classificação, três décimos mais rápida que a de Charles Pic e apenas dois décimos mais lenta que a de Timo Glock. Nunca um HRT foi tão competitivo num treino oficial. Infelizmente, a corrida acabou bem cedo para ele. Pastor Maldonado confundiu freio com acelerador e cérebro com intestino e acabou fazendo um strike na traseira de seu carro na St. Devote. Sem aerofólio traseiro, o veterano espanhol não conseguiu continuar.

PASTOR MALDONADO0 – Se não me engano, é a primeira vez neste blog que um piloto ganha um zero redondinho logo após ter ganhado dez na corrida anterior. Mas ele, um tonto, mereceu. No terceiro treino livre, sabe-se lá a razão, arremessou o carro sobre o de Sergio Pérez na descida da Mirabeau Bas e tomou uma merecida punição pela gracinha. Tendo de sair da última posição, ele deve ter ficado ainda mais nervoso e descontrolado. Na primeira curva, não freou a tempo e encheu a traseira do carro de Pedro de la Rosa. Abandonou no ato. Ainda bem, pois poderia terminar o dia tendo matado uns quinze se tivesse seguido em frente.

ROMAIN GROSJEAN3 – Era um dos candidatos sérios à vitória, ainda mais se considerarmos o excelente desempenho apresentado nos dois primeiros treinos livres. Na qualificação, caprichou e obteve um bom quinto lugar no grid, novamente à frente do companheiro Kimi Räikkönen. Mas é óbvio que tudo acabaria mal logo no comecinho. Encurralado por Fernando Alonso nos primeiros metros, Romain decidiu ir o mais para a esquerda possível e acabou abalroando Michael Schumacher. Com isso, rodou e perpetrou uma confusão daquelas. Terminou ali, parado e sem perspectivas. Mais uma corrida perdida por alguma bobagem nos primeiros instantes.

WILLIAMS8,5 – Que Pastor Maldonado foi o rei da Espanha no último domingo, ninguém tem o direito de discordar. Mas é injusto deixar de lado o papel da Williams nesta vitória, sua primeira desde 2004. O venezuelano só conseguiu largar da pole-position, deixar Fernadno Alonso para trás e manter a liderança mesmo com os pneus em condições precárias porque seu carro estava impecável e a estratégia adotada pela equipe deu um baile na Ferrari. Mas o fim de semana não foi perfeito, longe disso. O próprio Maldonado perdeu alguns preciosos segundos em um dos pit-stops e poderia ter arruinado sua corrida aí. O outro piloto da equipe, Bruno Senna, também não colaborou muito com aquela rodada na qualificação. Na corrida, levou uma pancada de Michael Schumacher e saiu da corrida bem cedo. Mas nada foi mais desagradável do que o incêndio iniciado lá nos boxes da equipe, que causou enormes prejuízos e mandou um bocado de gente ao hospital. Um fim de semana quente, por assim dizer.

FERRARI7,5 – É de se filosofar bastante se o carro é tão ruim como todos estão falando. Em Barcelona, nem parecia. Os ferraristas andaram trazendo algumas boas modificações que aparentemente fizeram bom efeito. Fernando Alonso cavou uma segunda posição no grid e pilotou como nunca no domingo. Poderia ter vencido, mas teve lá seus pequenos contratempos e também sofreu com os pneus nas últimas voltas. Felipe Massa dispensa maiores explicações: 17º no grid, 15º na corrida com direito a punição por não respeitar a bandeira amarela. Nem mesmo a Ferrari esconde a insatisfação com o piloto paulista. Se o carro não é brilhante, até dá para culpá-lo. Mas e quando o companheiro de equipe quase embolsa uma segunda vitória no ano?

LOTUS8,5 – Pode não ter exatamente o carro mais veloz do ano, mas concorrente nenhum supera a esquadra preta e dourada em termos de consistência. Em Barcelona, os dois pilotos se meteram entre os primeiros novamente e um deles abocanhou mais um pódio. Kimi Räikkönen largou bem pra caramba, andou em terceiro durante todo o tempo e tinha pneus bons o suficiente para caçar a vitória, mas ela acabou não acontecendo. Podemos colocar o revés na conta da própria equipe, que anda deslizando nas estratégias e acaba deixando seus pilotos muito distantes da liderança nas últimas voltas. Romain Grosjean largou em terceiro e terminou em quarto, tendo feito mais uma corrida sensata. Não se enganem: a primeira conquista da equipe virá logo. Desde que os estrategistas colaborem.

SAUBER7,5 – É outra que tem um carro bom o suficiente para sonhar com uma vitória, mesmo que ela tenha passado longe da realidade em Barcelona. Desta vez, quem salvou as honras da equipe foi Kamui Kobayashi, que fez uma de suas melhores corridas na carreira, inventou novos pontos de ultrapassagem e se premiou com uma excelente quinta posição. Sergio Pérez poderia ter ido tão bem quanto, mas deu muito azar, tomou pancada de Romain Grosjean e teve problemas de transmissão. O acordo com o Chelsea fez muito bem. Pelo visto, quem estampa o emblema azul e branco sempre se dá bem em Barcelona.

RED BULL6,5 – Liderou um treino livre e só. O RB8 realmente não mete medo em mais ninguém, embora também esteja muito longe de ser ruim. E sem um carro excepcional, Mark Webber derrapa e padece. Não passou para a fase final da classificação, teve problemas com sua estratégia de paradas e não marcou ponto algum. Pelo menos, o outro piloto da equipe é bom demais, sô. Sebastian Vettel conseguiu manter os pneus em ótimo estado nas últimas voltas e ganhou algumas posições, terminando em sexto e mantendo-se na liderança do campeonato empatado com Fernando Alonso.

MERCEDES5,5 – As adversárias apareceram tão bem em Barcelona que a Mercedes acabou o fim de semana um tanto obliterada. Nico Rosberg e Michael Schumacher não tiveram um carro prateado tão bom como nas primeiras etapas e passaram longe até mesmo do pódio. O mais jovem ainda conseguiu terminar em sétimo mesmo tendo sofrido novamente com os pneus na parte final da corrida. Já o velho Schumacher é o grande encrenqueiro do momento. Bateu de maneira prosaica em Bruno Senna e saiu da corrida achando que estava certo. Não estava e será punido em Mônaco. Como se não bastasse, o diretor Ross Brawn ficou doente e sequer apareceu na Espanha. A equipe precisa trabalhar mais se quiser voltar à forma do início da temporada.

MCLAREN2 – Para quem tem o melhor carro da temporada, um verdadeiro fim de semana de merda. Terminar a corrida espanhola em oitavo e nono definitivamente não estava nos planos. E o pior é que os pilotos não tiveram culpa alguma. Lewis Hamilton, pelo contrário, se esforçou ao máximo e fez uma pole-position tranquila. Um erro crasso fez com que ele ficasse sem combustível e sequer conseguisse retornar aos pits. Com isso, Lewis acabou punido e teve de largar em último. Mesmo assim, ele enfrentou todas as adversidades e ainda terminou à frente de Jenson Button. Este daqui, diga-se, fez uma porcaria de fim de semana. E ainda não foi ajudado pelo alto consumo de pneus de seu carro. Devo dizer que a temporada 2012 só está divertida graças aos inúmeros erros da McLaren.

FORCE INDIA3,5 – Num fim de semana onde quase todo mundo que conta andou bem, a Force India simplesmente não deu as caras. Paul di Resta e Nico Hülkenberg, pilotos de carisma escasso, não fizeram muita coisa nem nos treinos e nem na corrida. O escocês parecia estar em melhores condições, mas quem acabou marcando o único ponto da equipe foi Hülkenberg, que se deu melhor com a questão dos pneus. O carro definitivamente só disputa alguma coisa com a Toro Rosso nos dias atuais.

TORO ROSSO3 – Foi a única equipe daquelas que contam que não marcou ponto algum em Barcelona. Na verdade, o único momento em que ela apareceu mais foi naquela sensacional ultrapassagem dupla que seus dois pilotos sofreram de Lewis Hamilton. Jean-Eric Vergne sempre vai mal no sábado, mas apareceu melhor na corrida, meteu-se em algumas brigas e poderia até ter pontuado. Mas não pontuou. Já Daniel Ricciardo não fez nada de interessante em momento algum e ficou preso lá no meio do pelotão.

CATERHAM4 – Seu grande mérito foi ter terminado a prova com os dois carros, fato único entre as equipes pequenas. Vitaly Petrov até ameaçou fazer um trabalho melhor que o de Heikki Kovalainen ao superá-lo no treino oficial, mas o finlandês reestabeleceu a verdade das coisas no domingo. Heikki tentou adiar ao máximo seus pit-stops, mas o resultado final não mudou muito. Já Petrov teve alguns pequenos problemas, mas também conseguiu cruzar a linha de chegada. Não há muitas novidades aqui.

MARUSSIA3 – Corrida convencional. O sábado foi um pouco diferente, já que Charles Pic conseguiu bater Timo Glock em cinco décimos no treino oficial. Mas o francês rodopiou de maneira artística na primeira volta da corrida, atrapalhou Fernando Alonso durante alguns segundos e abandonou com o semieixo arrebentado. Glock fez seu trabalho honesto de sempre e levou o carro vermelho e preto ao fim. A equipe aparenta estar um pouco mais próxima da Caterham, mas nada que assombre demais os malaios esverdeados.

HRT2,5 – Sortes totalmente distintas na equipe mais furreca da Fórmula 1. Correndo em casa, Pedro de la Rosa estava bem feliz, já que só ele utilizaria as novidades que a equipe espanhola traria em seu carro. O desempenho realmente melhorou um pouco e o veterano conseguiu até mesmo ficar no mesmo segundo da Marussia no treino oficial, um verdadeiro milagre neste ano. Já Narain Karthikeyan teve problemas para dar e vender nos três dias. Não conseguiu sequer fazer um tempo normal na classificação e, como esperado, não chegou ao fim da corrida. Coitado do indiano, que ainda tem de conviver com a sombra incômoda de Dani Clos ali nos boxes.

TRANSMISSÃOÍDOLOS – E não é que rei morto, rei posto? Até duas horas atrás, Felipe Massa era o cara. Há alguns minutos, Bruno Senna era a salvação do automobilismo brasileiro. Hoje em dia, resignado, o locutor oficial da Fórmula 1 no Brasil decidiu que era hora de apoiarmos o único piloto sul-americano que conseguiu ganhar uma corrida nesta temporada até aqui. Nunca vi uma narração tão empolgada com a vitória de um estrangeiro. Honesto, o locutor até soltou um “torci pra ele memo!”. No mais, não são muitas as coisas a serem lembradas. As orelhas de Michael Schumacher ficaram mais vermelhas do que mocinha tímida quando ele atropelou o carro de Bruno Senna. Atropelar um brasileiro não pode! Caramba, o país já não anda ganhando nada e ainda aparece um alemão nazista filho da puta e mau caráter pra piorar ainda mais as coisas? Por fim, a memória de narrador e comentarista, que “estão nesse meio faz quarenta anos”, anda meio falha. Primeiramente, acharam que a última pole-position da Williams havia ocorrido em 2004. Depois, alguém se lembrou de uma que o Nico Hülkenberg fez em Interlagos há dois anos. Pô, e o Nick Heidfeld em Nürburgring? Ninguém se lembra dele…

CORRIDABARCELONA? – E quem diria que uma pista de merda como Barcelona poderia protagonizar uma das melhores corridas dos últimos, sei lá, dez anos? E sem chuva ou engavetamentos. A Fórmula 1 até que anda bem divertida e nada como uma vitória de um sujeito gente boa de uma equipe admirada para deixar todo mundo um pouco mais contente. A Williams não ganhava nem jogo de bolinha de gude desde 2004 a.C. e estava devendo as calças até alguns meses atrás. E Pastor Maldonado deixou de ser apenas um sujeito meio desastrado patrocinado por um presidente polêmico para se tornar um dos alunos bons da sala. Maldonado fez a corrida de sua vida e segurou um Fernando Alonso colérico e ansioso para ganhar em frente aos torcedores. Lá atrás, gentes como Kamui Kobayashi, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton davam um jeito de animar as coisas no meio do pelotão. Cara, sei lá, o fim de semana foi legal pra caramba. Até Barcelona tem salvação.

GP2GERIATRIA – O que o vencedor do sábado e o do domingo têm em comum? Ambos estão fazendo a GP2 pelo quarto ano seguido, uma eternidade em se tratando de uma categoria de base. Para Giedo van der Garde, a vitória não poderia vir em melhor hora: ele não ganhava uma corrida no certame desde setembro de 2009 e suas últimas provas haviam sido deprimentes. Vale dizer, no entanto, que ele só levou o troféu para casa porque sua equipe fez um trabalho de troca de pneus muito melhor do que a Lotus de James Calado e a Racing Engineering de Fabio Leimer. No dia seguinte, Razia largou da pole-position após ter terminado a corrida de sábado em oitavo e manteve-se em primeiro até a bandeirada final, sem grandes problemas para conter os ataques do francês Nathanaël Berthon. Felipe Nasr teve um fim de semana discreto, perdoável para um primeiranista. Dessa vez, a Fórmula 1 foi mais emocionante, devo admitir.

PASTOR MALDONADO10 – Quem imaginaria que um GP da Espanha seria uma das melhores corridas dos últimos tempos? E a maior parte da graça da corrida obviamente se deve a Pastor Maldonado, o surpreendente vencedor. Discretíssimo na sexta-feira, a sorte do venezuelano começou a mudar no sábado, com o segundo tempo no terceiro treino livre e a liderança no Q2 da classificação. Obteve um sensacional segundo lugar no grid de largada que virou pole-position após a punição de Lewis Hamilton. Na corrida, perdeu a ponta para Fernando Alonso logo na primeira curva, mas tratou de recuperá-la logo após a segunda rodada de pit-stops. Mantendo quase sempre um ritmo muito forte, ele conseguiu permanecer à frente do espanhol em plena Catalunha sem maiores dificuldades. E venceu. Um dia histórico para o automobilismo, sem dúvida.

FERNANDO ALONSO9,5 – Faltou-lhe somente a vitória. Nos treinos, contrariou o que vinha sendo a lógica desta temporada e foi bem, liderando o primeiro treino livre e obtendo um notável segundo lugar no grid. Bom largador em Barcelona, Alonso passou Pastor Maldonado na primeira curva e foi o líder de facto até a volta 26, quando fez seu segundo pit-stop e voltou atrás do venezuelano. Após isso, esteve quase sempre mais lento que Maldonado. Nas últimas quinze voltas, até chegou a se aproximar perigosamente, mas foi obrigado a desistir da briga por causa do péssimo estado de seus pneus. Chegou em segundo poucos décimos à frente de Kimi Räikkönen. Não venceu, mas ainda não deixou a liderança do campeonato.

KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – É, sem dúvida, um dos melhores pilotos do ano. Em Barcelona, assim como Alonso, também esteve muito próximo da vitória. Sempre competitivo nos treinos, Kimi obteve um bom lugar quarto lugar do grid, embora seu companheiro tenha ido ainda melhor novamente. Mas sua sorte sempre muda na corrida. Largou bem, assumiu a terceira posição e esteve sempre ali, esperando que algo acontecesse com os hispanohablantes à sua frente. Achava que seria o único espertão a fazer apenas três paradas, mas acabou sendo surpreendido com a decisão de Maldonado e Alonso de não fazer uma quarta parada. Tinha pneus em condições muito melhores nas últimas voltas e quase ultrapassou o espanhol, mas teve de se contentar com o terceiro lugar. De qualquer jeito, outra corridaça.

ROMAIN GROSJEAN8 – Fez mais uma boa prova, mas já começa a ficar definitivamente atrás de Kimi Räikkönen dentro do coração da Lotus. Fica claro que sua especialidade maior é o treino classificatório, onde o falso francês conseguiu ser mais rápido que o colega de equipe pela terceira vez no ano. Largou da terceira posição, mas perdeu posições logo no começo e ainda furou um pneu de Sergio Pérez com o bico do seu carro. Depois do primeiro pit-stop, subiu para a quarta posição e manteve-se lá até o fim. Nunca conseguiu se aproximar de Räikkönen durante a corrida. Em compensação, fez a volta mais rápida de todas.

KAMUI KOBAYASHI9 – Japonês doido de pedra. Ele definitivamente não é um piloto genial na maioria das vezes, mas sabe assombrar a concorrência em um dia inspirado. Andou bem em todos os treinos e só não obteve posição melhor no grid porque teve um problema hidráulico no Q2 da classificação. E o dia seguinte foi legal demais da conta. Kobayashi permaneceu quieto na primeira metade da corrida, mas decidiu tocar o foda-se na parte final e empreendeu ultrapassagens inacreditáveis sobre Jenson Button e Nico Rosberg enquanto teve pneus melhores. Terminou numa belíssima quinta posição e trouxe para si as atenções que vinham até então se concentrando no companheiro de equipe.

SEBASTIAN VETTEL8,5 – Dou risada de quem acha que este daqui só funciona bem com um carro intergaláctico. O que dizer de um piloto que não tem o melhor carro do grid, larga em sétimo, toma punição por desrespeito à sagrada bandeira amarela, é obrigado a trocar o bico em um de seus pit-stops e ainda consegue terminar em sexto? Vettel foi muito bem na sexta-feira, mas não conseguiu ser tão feliz no treino classificatório. Na corrida, assim como Kobayashi, começou o dia silencioso e terminou como um dos grandes destaques. Com pneus em ótimas condições, deixou um bocado de gente para trás no final e até se deu ao luxo de ultrapassar Lewis Hamilton por fora. Se não tivesse sido punido, poderia ter terminado mais à frente.

NICO ROSBERG7 – Numa corrida com tantos destaques, este aqui foi um que desapareceu. Seu sétimo lugar está longe de ser um resultado ruim, ainda mais considerando o que aconteceu com o companheiro de equipe, mas também não houve lapso de brilhantismo algum. O filho de Keke Rosberg obteve um honesto sexto lugar no grid de largada e ainda conseguiu subir para quarto logo na primeira volta. Mas as coisas não melhoraram muito mais. Um stint final muito longo com pneus duros o fez perder duas posições nas últimas voltas. Terminou com Lewis Hamilton colado em sua caixa de câmbio. Definitivamente, um resultado que só será lembrado na contagem final de pontos.

LEWIS HAMILTON9 – É incrível o que acontece com este cara na temporada. Mesmo tendo feito o melhor tempo do Q3 da classificação pela terceira vez, Hamilton ainda não conseguiu ganhar nenhuma corrida. Na Espanha, a razão foi patética: uma pane seca o impediu de retornar aos pits na volta de desaceleração e resultou em sua desclassificação. Restou ao cara tentar fazer uma corrida de recuperação. Conseguiu. Fez apenas duas paradas e imprimiu um ritmo de corrida muito forte especialmente na primeira parte da corrida. Com várias ultrapassagens e uma boa estratégia, chegou em oitavo e não subiu para sétimo por pouco. Mas a vitória ainda não veio.

JENSON BUTTON2 – Terminar atrás do companheiro que largou da última posição definitivamente não estava nos planos dominicais de Jenson Button, que fez um de seus piores fins de semana desde que virou piloto de ponta. Embora tenha liderado um treino livre, o campeão de 2009 não conseguiu sequer passar para o Q3 da classificação e as coisas não melhoraram na corrida. Mesmo com dois stints curtos, teve problemas com os pneus e sofreu várias ultrapassagens – Kobayashi e Vettel certamente o deixaram envergonhado. No último stint, mais longo, somente se arrastou esperando ansiosamente pela bandeira quadriculada. Finalizou em nono e marcou apenas dois pontos.

NICO HÜLKENBERG4,5 – Um verdadeiro especialista em discrição. Sem ter um carro tão bom, o alemão não teve um fim de semana fácil. Embora não tenha ido tão mal nos treinos livres, só conseguiu o 13º lugar no grid e largou atrás do companheiro pela quarta vez consecutiva. Na corrida, fez uma corrida normal e não se envolveu em grandes problemas. Aparentemente, tinha pneus em melhores condições do que a maioria dos adversários no final da corrida, o que o ajudou a segurar Mark Webber durante tanto tempo. Ponto suado e bem-vindo.

MARK WEBBER 1,5 – Fim de semana horroroso. Horroroso mesmo. Não andou rápido e nem deu sorte. Na classificação, sequer passou para o Q3 e foi obrigado a largar no meio do bolo. As coisas não melhoraram no dia seguinte. Tendo mais problemas de desgaste de pneus que os demais, foi o cara que abriu a primeira e a segunda rodada de pit-stops. Logo após a primeira parada, voltou em último e quase bateu em Narain Karthikeyan. Mesmo após tantas coisas acontecendo na corrida, não conseguiu entrar na zona de pontuação. Terminou a prova preso atrás de Nico Hülkenberg. Enquanto isso, o companheiro finalizou em sexto mesmo tendo sofrido punição. Bom trabalho, Mark.

JEAN-ÉRIC VERGNE4 – Teve alguns bons momentos, mas acabou ficando de fora da pontuação. Não foi bem de novo no treino oficial, mas os sábados não parecem ser os dias mais frutíferos da semana para o francês. Jean-Eric largou bem, ganhou várias posições na primeira volta e parecia estar seguindo rumo aos pontos, mas a sorte não lhe favoreceu muito. Perdeu muito tempo atrás de Paul di Resta e acabou se afastando das dez primeiras posições. Por outro lado, também fez Felipe Massa perder bastante tempo no seu encalço. Não foi um fim de semana estritamente ruim, apenas inútil.

DANIEL RICCIARDO3 – Este daqui foi ainda mais discreto que o companheiro de equipe. O australiano da Toro Rosso nunca conseguiu andar entre os dez primeiros nos treinos e a situação não mudou durante a corrida. Só apareceu quando atrasou ao máximo seu pit-stop e chegou a ocupar a sexta posição durante uma volta. De volta à realidade, cruzou a linha de chegada apenas em 13º.

PAUL DI RESTA3 – Não sei exatamente o que aconteceu com este daqui, pois sua corrida não foi tão pior do que a de Nico Hülkenberg. Largou à frente do alemão e sua volta mais rápida também foi melhor, mas algum mistério da natureza o deixou em uma posição tão fraca. A culpa provavelmente deve ser dos pneus duros, que não funcionaram como o escocês gostaria. Chega a ser incômodo, de qualquer modo, o fato dele ser incapaz de fazer qualquer coisa diferente numa corrida mais adversa.

FELIPE MASSA2 – Este daqui não tem mais jeito. No treino oficial, foi o último colocado do Q2. Por incrível que pareça, apareceu muito bem na primeira parte da corrida ao largar bem e se meter em boas brigas no meio do pelotão. Mas as coisas não funcionam perfeitamente bem para quem não colabora. Massa se afastou definitivamente dos pontos quando não respeitou uma bandeira amarela e teve de pagar uma punição nos boxes. Além do mais, ele perdeu um bocado de tempo atrás de Jean-Eric Vergne. Com isso, Felipe teve de se satisfazer em terminar à frente apenas dos carros das equipes nanicas.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Boa corrida. No sábado, surpreendeu negativamente ao tomar três décimos de Vitaly Petrov no Q1 da qualificação. Dentro das possibilidades de sua carroça verde, o domingo foi bem mais interessante. Heikki largou muito bem e permaneceu à frente de Bruno Senna durante várias voltas. Ao atrasar ao máximo seu primeiro pit-stop, chegou a ocupar a quinta posição. Depois disso, a cruel verdade se restabeleceu. Ainda assim, foi o vencedor moral de sua classe.

VITALY PETROV4 – O ponto alto do fim de semana foi ter batido Heikki Kovalainen no treino oficial. Contudo, a ordem das coisas voltou ao seu normal no dia seguinte e o finlandês voltou a ficar na frente. Mesmo assim, o russo pôde fazer sua corrida honesta, fugiu das confusões e chegou ao final da corrida. Diz ter ficado para trás por problemas com os pneus e com o KERS. Mesmo se não tivesse tido os problemas, dificilmente teria terminado o domingo à frente de Kovalainen.

TIMO GLOCK3 – Terminou o sábado pensando sobre o que havia dado errado, já que Charles Pic havia conseguido ser meio segundo mais rápido no Q1 da classificação. Na verdade, tráfego e bandeiras amarelas o atrapalharam em suas melhores voltas – problemas comuns a todos em um sistema de classificação tão apertado. De qualquer jeito, a corrida aconteceu sem sobressaltos e Glock até se divertiu um pouco em um falso duelo com Lewis Hamilton. A comemorar, o fato de ter chegado ao fim e o companheiro, não.

PEDRO DE LA ROSA3,5 – Foi o único de sua equipe até aqui a receber as novas atualizações. Não por acaso, a distância entre ele e o companheiro Narain Karthikeyan foi bem maior que o normal. Fez um bom trabalho na qualificação ao ficar apenas meio segundo atrás de Timo Glock. Na corrida, Pedro andou bem, não se envolveu em bobagens e sobreviveu à estratégia de quatro pit-stops sem perder muito tempo. Terminou um GP da Espanha pela segunda vez na carreira.

SERGIO PÉREZ3,5 – Tinha grandes chances de ter feito um resultado ainda melhor que o de Kamui Kobayashi, pois havia conseguido um ótimo quinto lugar no grid. No entanto, era melhor ter ficado dormindo no hotel no domingo. Na largada, foi atingido por trás por Romain Grosjean e teve de trocar um pneu furado. Com isso, despencou para as últimas posições e nunca mais conseguiu se recuperar. Pelo menos, a transmissão do seu Sauber quebrou num momento em que os pontos não passavam de utopia.

CHARLES PIC3,5 – A nota maior em relação a Timo Glock se dá pelo ótimo resultado no treino oficial, onde ele conseguiu enfiar meio segundo na conta do experiente companheiro alemão. Na primeira volta, deu uma bela rodada à la Keke Rosberg em Long Beach, mas conseguiu prosseguir. Só que não por muito tempo, já que o semi-eixo quebrou e ele teve de se retirar na volta 36.

NARAIN KARTHIKEYAN0,5 – Fiquei com dó dele. O indiano conseguiu ter inúmeros problemas nos três dias de evento. Na qualificação, acabou tendo de encostar o carro, não fez nenhuma volta minimamente aceitável e só conseguiu largar porque sua equipe corria em casa. No domingo, fez apenas algumas voltas e abandonou. Foi talvez seu fim de semana mais difícil na vida.

BRUNO SENNA0 – Um fim de semana doloroso para o companheiro do vencedor Pastor Maldonado. Enquanto o venezuelano teve o melhor GP de sua vida, dá para dizer que Bruno Senna jamais teve três dias tão amargos em sua carreira. Nos dois treinos livres que fez, não andou bem. Na qualificação, enquanto tentava salvar o pescoço da degola do Q1, rodou sozinho na curva 12 e sequer passou pela linha de chegada. Na largada, conseguiu ser superado pelo Caterham de Heikki Kovalainen. Ao abrir a volta 13, tentou conter os ataques de Michael Schumacher e acabou atropelado pelo alemão na primeira curva. Já fora da prova, ainda foi chamado de “idiota” pelo heptacampeão. Como se não bastasse, seu carro ficou bastante danificado no incêndio dos boxes. De bom, só o fato de ter sobrevivido. Meio chamuscado, mas vivo.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Poderia ter feito uma ótima corrida, mas estragou tudo com uma cagada absolutamente primária. Foi para o Q3 da classificação e registrou uma razoável oitava posição no grid. Largou bem e chegou a ameaçar a quinta posição de Romain Grosjean. Tudo acabou na volta 13, quando atingiu o Williams de Bruno Senna de maneira grosseira na freada para a primeira curva. Abandonou a prova ali, puto da vida e crente de que tinha razão. Tinha nada. Os reflexos é que não funcionam mais, considerando que estamos falando de um senhor de 43 anos de idade.

MERCEDES9 – Veja só. Há apenas alguns dias, vazou uma informação de que alguns acionistas da Daimler estavam muito insatisfeitos com o desempenho da equipe e queriam tirá-la da Fórmula 1 para economizar um pouco. De repente, Nico Rosberg e Michael Schumacher voam nos treinos, abocanham a primeira fila e ganham a primeira corrida desta nova era da Mercedes. Nico, que obteve seu primeiro sucesso na Fórmula 1, liderou quase que de ponta a ponta e não teve problemas com desgaste de pneus. A escuderia só não leva dez porque seu mecânico não conseguiu colocar corretamente uma roda no carro de Schumacher, que acabou abandonando a prova. Graças a isso, não houve dobradinha. Mas Stuttgart foi dormir feliz.

MCLAREN9 – Ainda é a equipe do ano até aqui. Lewis Hamilton poderia ter vencido se não tivesse tido de trocar a caixa de câmbio ainda antes da sexta-feira. Mesmo assim, andou o mais rápido que podia e terminou em terceiro. Jenson Button, sempre sortudo e sempre muito eficiente, largou em quinto e terminou em segundo. Com exceção do próprio Rosberg, todos os que largaram à frente do Sr. Michibata se deram mal – é um verdadeiro iluminado. O carro continua exemplar e somente um problema no terceiro pit-stop de Button conta negativamente para a equipe de Woking.

RED BULL6,5 – Precisará melhorar um bocado se quiser ao menos retornar ao patamar de 2009. Sebastian Vettel e Mark Webber utilizaram escapamentos e estratégias diferentes durante o fim de semana, mas os resultados foram parecidos: um terminou em quarto e o outro em quinto, tendo perdido um pódio certo nas últimas voltas. Webber andou constantemente mais rápido que Vettel, mas pode não ter se dado bem por causa da parada a mais e também graças aos seus instintos de piloto de avião. Vettel apostou em duas paradas para se recuperar do péssimo primeiro lugar do sábado e passou perto do segundo lugar. O RB8 definitivamente não é o melhor carro. Quiçá, nem o segundo melhor.

LOTUS7 – Na sexta-feira, estava usando um carro da HRT. No sábado, percebeu a cagada, arrendou dois carros da Mercedes e os pintou de preto e dourado. Qual outra explicação seria mais razoável para o desempenho tão diferente de um dia para outro. Kimi Räikkönen pôs fim a uma desagradável tendência de largar atrás do companheiro Romain Grosjean e fez um ótimo quarto tempo no treino oficial. Na corrida, o finlandês vinha andando em segundo até seu pneu virar fóssil e todo mundo passar tranquilamente pelo seu Lotus. O outro carro, de Grosjean, se comportou melhor e chegou em sexto, dando ao cara seus primeiros pontos na Fórmula 1. O carro é muito bom, mas que tal um fim de semana sem encrencas?

WILLIAMS7,5 – Ainda bem que a sombra de 2011 ficou para trás. O FW34 é um carro muito bonito e ainda é muito constante. Faltou, sim, ser mais ligeiro no treino oficial, porque monopolizar a sétima fila nunca é algo animador. Mas Pastor Maldonado e Bruno Senna se recuperaram aproveitando da regularidade do bólido para fazer duas paradas sem perder tanto terreno. Os dois subiram um bocado de posições e marcaram pontos. Nem me lembro qual foi a última vez que dois Williams terminaram na zona de pontuação. A propósito, já falei que o carro é muito bonito?

FERRARI2,5 – Nossa Senhora das Astúrias… Ninguém esperava bulhufas de Felipe Massa, que simplesmente perdeu qualquer traço da competitividade que ele tinha até 2009. O problema é ver Fernando Alonso, até então líder do campeonato, sofrendo no treino classificatório e na corrida. Ele até tentou as estripulias de sempre, mas não conseguiu recuperar posições mesmo tendo pneus bons por mais tempo e ficou apenas em nono. Massa fez sua não-corrida de sempre e terminou o dia como o único piloto das equipes normais a não ter marcado pontos ainda. O que a Ferrari está esperando para tomar uma atitude?

SAUBER3,5 – Com essa montoeira de pit-stop, eu costumo me perder na hora de analisar as estratégias dos pilotos. Mas fica claro que a Sauber complicou a vida de seus dois pilotos sabe-se lá como. Não que Kamui Kobayashi e sua largada deprimente tenham ajudado, mas sair de Shanghai tendo marcado apenas um ponto com o japonês é muito pouco. O novo astro Sergio Pérez até largou melhor, mas teve problemas com os pneus e com o tráfego e terminou fora dos pontos. Os dois ainda protagonizaram o momento mais arrepiante da prova, com Pérez fechando Kobayashi a trezentos e tantos por hora na grande reta. Depois do céu malaio, Shanghai foi uma verdadeira estadia no purgatório.

FORCE INDIA2,5 – Sabe de uma coisa? Eu achava que Paul di Resta e Nico Hülkenberg formavam uma dupla muito promissora, mas o que vi até aqui foi uma equipe conservadora e até meio chata de se ver. O burocrático Di Resta, que não entusiasma nem os britânicos, foi o melhor neste fim de semana, mas não marcou pontos. Hülkenberg, a meu ver mais promissor, foi ainda pior e mal conseguiu andar entre os quinze primeiros. Fica claro, também, que o carro não é aquela maravilha. Não é feio, mas briga com a Toro Rosso pelo posto de pior bólido das equipes normais.

TORO ROSSO2 – Esta é outra que parece ter errado a mão no carro. Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne são dois pilotos interessantes, mas nenhum deles conseguiu fazer o STR7 andar na China. Ricciardo ainda andou melhor no treino, mas Vergne deu um banho na corrida, com direito a ter marcado a segunda melhor volta da prova. No fim, tudo isso significou o 16º e o 17º lugares na classificação final.

CATERHAM3 – Segue na sua vida medíocre de sempre. Na verdade, o resultado final não foi muito diferente do de Sepang. Heikki Kovalainen e Vitaly Petrov continuaram naquela de andar muito à frente de HRT e Marussia e muito atrás do resto. Petrov voltou a terminar à frente, mas unicamente porque não teve os problemas do companheiro de equipe. Kovalainen até vinha fazendo um papel bacana, andando no meio do pelotão durante alguns instantes, mas o carro teve todos os problemas de pneus do planeta e restou a ele ficar atrás até mesmo da HRT. Isso mesmo, dos dois carros da HRT!

MARUSSIA4 – Confesso que a Marussia vem me agradando mais que a Caterham neste início de temporada. Dentro de suas enormes limitações, a equipe russa vem fazendo aquilo que se espera dela: quase nada, isto é, andar à frente da HRT sem problemas e incomodar a Caterham vez ou outra. Na corrida, isso chegou a acontecer, mas não por muito tempo. De qualquer jeito, Timo Glock e Charles Pic não tiveram grandes pepinos e terminaram em 19º e 20º. Não foi o resultado dos sonhos, é claro, mas foi o melhor que deu para entregar.

HRT4 – Não consigo pensar em outra nota. Avanço houve, pois nem mesmo o dalit Narain Karthikeyan sofreu para se qualificar. Os problemas patéticos que afetaram os F112 nas duas primeiras corridas não retornaram e tanto Narain como Pedro de la Rosa tiveram um fim de semana sem sobressaltos. As novidades aerodinâmicas apareceram, mas fizeram alguma diferença a olho nu? No mais, os dois largaram, não incomodaram ninguém e terminaram. É a HRT calando a boca de quem achava que ela nem participaria das provas pelo terceiro ano seguido.

TRANSMISSÃOAVIÕES DO FORRÓ – O melhor momento da transmissão brasileira foi no sábado, definitivamente. Após um infográfico deixar claro aos espectadores o que era exatamente aquela solução aerodinâmica da Mercedes que havia deixado toda a Fórmula 1 de cabelo em pé, o locutor não titubeou em louvar aquilo que havia feito “um avião voar para trás”. É isso mesmo: Ross Brawn gastou horas e mais horas bolando um negócio simples porém muito engenhoso para a asa traseira para chegar um e dizer que ele fazia o avião voar para trás! A aerodinâmica global agradece. No domingo, sem a companhia do ex-piloto brasileiro, a dupla narrou sem grandes sobressaltos – afinal, isso é coisa do Mark Webber. Talvez a vitória de Keke Rosberg, a primeira desde 1985, tenha emocionado muita gente. E não, não vai batê, não vai batê, não vai batê: nem sempre Lewis Hamilton e Felipe Massa juntos resultam em merda.

CORRIDAUM LUXO – Apesar da pista de Shanghai continuar sendo uma porcaria sonolenta, as corridas que acontecem por lá estão sendo muito divertidas e sou obrigado a dar o braço a torcer. Mesmo que o resultado tenha me irritado profundamente (Rosberg, Vettel e Button andando bem; Schumacher, Kobayashi, Grosjean e Maldonado só nos apuros), não vou dizer que deixei de gostar da prova. Ultrapassagens aconteceram, fechadas aconteceram, disputas roda a roda aconteceram, decolagens aconteceram e a vitória da Mercedes, uma equipe que respeito pra caramba, aconteceu também, embora com o piloto errado. Não dá para reclamar da Fórmula 1 neste início de temporada, convenhamos. O problema é que a diversão vai minguar a partir das próximas etapas, a começar pelo Grande Prêmio de semana que vem, que será realizado em Granada e terá as participações de Timo Glock, Olivier Beretta e Miguel Angel Guerra.

NICO ROSBERG10 – Fez em Shanghai a corrida de sua vida. Não digo isso apenas pela vitória, a primeira de sua já longa carreira na Fórmula 1, mas pela atuação em si, impecável. Sempre veloz em todos os treinos, o filho de Keke Rosberg aproveitou de seu bom retrospecto na China para sentar a bota no treino oficial e marcar sua primeira pole-position na vida. No domingo, contrariou todas as expectativas e venceu com folga. Largou bem, não teve os sérios problemas de consumo de pneus que o prejudicaram nas duas primeiras corridas e pôde até mesmo fazer uma parada a menos. Disse que as últimas trinta voltas pareciam tão longas como as 24 Horas de Le Mans. Não gosto dele, mas mereceu o triunfo.

JENSON BUTTON9,5 – Um desgraçado do caramba. Não há como torcer contra. Isso é, bem que eu tentei no sábado, quando o piloto da McLaren não conseguiu nada além da quinta posição do grid, resultado da punição do companheiro Lewis Hamilton. Mas a sorte deste cara é tamanha que praticamente todos à sua frente se deram mal e ele se encontrou na segunda posição após a primeira rodada de pit-stops. Parecia estar vindo rumo à vitória, pois faria uma parada a mais e teria pneus bons durante mais tempo, mas Nico Rosberg manteve-se surpreendentemente bem na liderança. Ainda perdeu seis segundos no último pit-stop, mas conseguiu segurar o segundo lugar, tremendo de um lucro para uma corrida que complicou a vida de tantos.

LEWIS HAMILTON8 – O rei do terceiro lugar até aqui. Lewis começou o fim de semana já em desvantagem, já que ele perderia cinco posições no grid por ter de trocar a caixa de câmbio. Mesmo assim, não desistiu e foi à batalha. Liderou dois treinos livres, tentou tomar a pole-position de Nico Rosberg no Q3 e não conseguiu, tendo de largar apenas da sétima posição. Partiu bem, fez ultrapassagens e aproveitou bem a estratégia de três paradas. Nas últimas voltas, deixou Sebastian Vettel para trás para obter o terceiro posto pela terceira vez seguida. Com esta fileira de resultados, assumiu a liderança do campeonato de maneira até surpreendente.

MARK WEBBER8 – Neste fim de semana, foi o único a ter utilizado o novo escapamento que a Red Bull tinha preparado para esta corrida. A escolha foi certeira e ele conseguiu ser, em média, três décimos mais veloz que o companheiro Sebastian Vettel. Foi o único de sua equipe a ir para o Q3 e acabou obtendo o sexto lugar no grid, superando Vettel pelo terceiro fim de semana seguido. Apostou em fazer suas três paradas antes do resto dos pilotos e parece ter se dado bem com isso. Chamou a atenção pelo lado positivo (uma bela disputa roda a roda com Kimi Räikkönen) e pelo negativo (que vôo foi aquele?). No fim, terminou uma razoável quarta posição. Não é um aluno genial, mas vem fazendo bem suas lições de casa.

SEBASTIAN VETTEL5 – Ao contrário de Mark Webber, escolheu utilizar o escapamento antigo e parece ter tido problemas com isto. Não andou tão bem nos treinos livres e sequer passou para o Q3, situação inaceitável para alguém em sua posição. Na corrida, apostou em uma estratégia de apenas duas paradas e dois stints longuíssimos com os pneus médios. Parecia ter se dado muito bem até o final da corrida, quando chegou a ocupar a segunda posição. Mas a péssima situação dos pneus cobrou a fatura e ele acabou caindo para o quinto lugar.

ROMAIN GROSJEAN7,5 – Finalmente fez seus primeiros pontos na Fórmula 1. Menos espetacular do que em Melbourne e Sepang, o suíço só conseguiu andar forte pela primeira vez no treino de classificação, quando ficou em décimo. No dia seguinte, foi um dos que apostaram na estratégia de duas paradas para economizar tempo nos pits. Por incrível que pareça, não teve problemas sérios de desgaste de pneus e pôde se meter em boas disputas no final da corrida com os dois pilotos da Williams. Sexto lugar muito bem-vindo.

BRUNO SENNA7,5 – É, sem dúvida, uma agradabilíssima surpresa deste início de campeonato. Não foi tão genial como em Sepang, mas também apareceu muitíssimo bem na China. Mal nos treinos, o brasileiro decidiu apostar em apenas dois pit-stops e acabou subindo um monte de posições entre as voltas 30 e 40. Não conseguiu segurar o sexto lugar dos ataques de Romain Grosjean, mas ainda conseguiu ótimos seis pontos e, neste momento, está numa surpreendente nona posição no campeonato.

PASTOR MALDONADO6,5 – Superou Bruno Senna por meio cabelo de diferença no treino oficial e dividiu a sétima fila com ele. Na primeira volta, perdeu algumas posições e teve dificuldades para se recuperar, não conseguindo mais ficar à frente do companheiro. Mesmo assim, também foi beneficiado pela estratégia de apenas duas paradas e conseguiu subir para a oitava posição, obtendo, assim, seu melhor resultado na carreira até agora.

FERNANDO ALONSO3 – Voltou à realidade de abóbora após a estonteante vitória de Sepang. Na verdade, sua realidade foi até pior do que o esperado. Sofreu para ficar à frente do decadente Felipe Massa no treino oficial e não ficou de fora do Q3 por pouco. Na corrida, apostou em uma estratégia de três paradas achando que ultrapassaria todo mundo facilmente, mas nada disso aconteceu. Quanto tentou ultrapassar Pastor Maldonado por fora, escapou e quase acertou Sergio Pérez ao voltar para pista. Terminou preso atrás do venezuelano e não conseguiu nada além de dois pontos.

KAMUI KOBAYASHI6 – Uma tremenda decepção se considerarmos o inacreditável terceiro lugar no grid. Andou sempre entre os dez primeiros em todos os treinos livres e foi a grande sensação da sessão oficial do sábado. Infelizmente, o domingo foi arruinado por uma péssima largada. A estratégia de três paradas não ajudou muito e ele não ficou de fora dos pontos por pouco. Só pegou o último pontinho porque arriscou o pescoço numa manobra suicida contra o companheiro Pérez na grande reta. Fez a volta mais rápida da prova.

SERGIO PÉREZ4,5 – Fim de semana frustrante para alguém que quase havia vencido a corrida anterior. Chegou a ser o mais veloz do Q1 da classificação, mas só conseguiu o oitavo tempo, cinco posições atrás do companheiro Kobayashi. No domingo, foi relativamente melhor que o japonês, mas não pontuou. Fez uma largada digna e apostou no velho baixo consumo de pneus do carro da Sauber, sendo um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop. Mesmo assim, não conseguiu melhorar muito e foi visto travando pneus e se embolando para segurar carros mais rápidos. Tentou fechar Kamui Kobayashi na grande reta, mas não conseguiu segurar a décima posição e ficou de fora dos pontos.

PAUL DI RESTA4 – Num dia em que Nico Rosberg deu show, alguém tinha de fazer o papel de mosca-morta do grid. Pode-se dizer que o escocês é bastante apto para esta função. No treino oficial, não fez mais do que superar o companheiro Nico Hülkenberg, outro que preza pelo conservadorismo. O dia seguinte foi apenas correto e Di Resta empreendeu sua estratégia de duas paradas enquanto esperava ganhar algumas posições e até mesmo um ou outro ponto. Não deu certo e ele ficou apenas em 12º.

FELIPE MASSA1,5 – Está numa fase simplesmente negra. Ter dito que o 13º lugar foi um passo para frente definitivamente não pegou bem, ainda mais em se tratando de um piloto da Ferrari. O pior é que ele tem alguma razão. Fez talvez seu melhor treino oficial da temporada ao conseguir ficar a poucos décimos do companheiro Fernando Alonso no Q2, embora não tenha conseguido ir ao Q3. Na corrida, foi o único de sua equipe a apostar em duas paradas e até conseguiu liderar uma volta inteira, mas foi ultrapassado com facilidade por todos que estavam atrás. Por outro lado, a dificuldade para ele conseguir sequer tentar passar Paul Di Resta foi constrangedora. A Autosprint classificou o piloto como “desperdício de gasolina”. Como contestar?

KIMI RÄIKKÖNEN5 – Parece destinado a ser um dos mais rápidos e mais problemáticos pilotos desta temporada. Não conseguiu andar bem de jeito nenhum na sexta-feira, mas a Lotus acertou o carro no sábado e deu para Kimi fazer um excelente quarto tempo. Ainda insatisfeito, ele partiu para a corrida e manteve-se em quarto nas primeiras voltas. Chamou a atenção quando tentou ultrapassar Mark Webber e tomou um belo troco. Fez apenas duas paradas e vinha rumo a um bom segundo lugar, mas alguma maldição afetou seu carro na volta 48, quando ele começou a ser ultrapassado facilmente por quase todo mundo. Até Felipe Massa o deixou para trás, veja só.

NICO HÜLKENBERG3 – Conseguiu ser ainda mais discreto que o companheiro Paul di Resta e passou muito longe dos pontos. Não foi bem no treino oficial e arruinou de vez seu fim de semana quando bateu em alguém na primeira volta e danificou a asa dianteira, perdendo bastante desempenho nas primeiras voltas e tendo de trocar o bico na primeira parada. Parou mais uma vez e nunca conseguiu sair lá do meio do pelotão.

JEAN-ERIC VERGNE4 – Foi mal pra caramba no treino oficial e sequer passou para o Q2, mas salvou o fim de semana com um domingo razoável. Escolheu largar dos pits para trocar algumas peças de seu Toro Rosso e parecia estar condenado devido à desvantagem, mas preferiu ir à luta e se recuperou bastante. Chegou a andar à frente de Hülkenberg e conseguiu terminar à frente do companheiro Daniel Ricciardo, que largou normalmente. Fez a segunda melhor volta da corrida. Se tivesse largado numa posição boa, poderia ter feito bons pontos.

DANIEL RICCIARDO3 – Ficou devendo, especialmente na corrida. No treino oficial, bateu o companheiro Jean-Eric Vergne por pouco, mas também sofreu com a falta de velocidade do STR7. Na corrida, teve problemas na largada e perdeu posições. Recuperou-se, mas ficou bem atrás dos seus adversários diretos e só terminou à frente dos pilotos das equipes nanicas. Não estava no roteiro finalizar atrás do companheiro que largou dos boxes.

VITALY PETROV 3,5 – Terminou a segunda consecutiva à frente de Heikki Kovalainen, mas o resultado não fez jus ao real desempenho da dupla da Caterham. Largou atrás do finlandês e chegou a ter problemas com Timo Glock durante a prova, mas não enfrentou grandes desastres e conseguiu ser o melhor das equipes pequenas.

TIMO GLOCK4 – Não faz uma má temporada, considerando que sua equipe é uma droga. Não tem muito o que fazer no treino oficial, ficando atrás das duas Caterham e à frente do companheiro de equipe. No domingo, chegou a aparecer bem em alguns momentos e deu algum trabalho a Vitaly Petrov, mas teve vários problemas com os pneus e também chegou a ser ameaçado por Charles Pic durante algum tempo. No fim, chegou ao fim no patamar de sempre.

CHARLES PIC3,5 – Também fez o arroz-com-feijão de sempre, não tendo problemas para terminar a corrida. Terminou o Q1 à frente da HRT, ganhou uma posição com a escolha de Jean-Eric Vergne em largar dos pits e fez sua corridinha de sempre. Chegou a dar alguma dor de cabeça ao companheiro Timo Glock enquanto teve pneus em melhores condições, mas acabou terminando atrás.

PEDRO DE LA ROSA4 – Difícil analisar. O carro aparenta ter melhorado, o que não significa lá muito. O quarentão espanhol não teve problema para se qualificar e também não teve grandes dificuldades na corrida, tendo chegado a ocupar a 18ª posição durante uma volta. Com apenas um abandono, não deu para terminar numa posição melhor.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – Mesmo dentro da HRT, é possível perceber uma grande disparidade entre os dois pilotos. Embora também não tenha tido problemas para se qualificar, andou claramente atrás de De La Rosa durante todo o tempo. Não atrapalhou ninguém na corrida e cruzou a linha de chegada, mas duas voltas atrás.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Apesar do péssimo resultado, foi o melhor piloto das equipes miseráveis com sobras. Saiu em 18º, ganhou algumas posições na largada e chegou a ocupar a 11ª posição durante alguns momentos. Fez a 13ª volta mais rápida da corrida e parecia vir bem para terminar em 18º, mas um problema nos pneus o fez perder muito tempo, obrigando-o a fazer uma parada extra. Só isso explicaria o fato dos dois HRT terem terminado à sua frente.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Anda numa ótima fase em termos de pilotagem e numa péssima fase em termos de sorte, aquela que sempre esteve presente em sua carreira. Liderou um treino livre, andou bem nos outros e esteve sempre no páreo na disputa pela pole-position. Graças à punição a Hamilton, conseguiu um lugar na primeira fila pela primeira vez desde 2006. Largou razoavelmente bem e manteve-se em segundo nas primeiras voltas, embora bastante atrás de Nico Rosberg. Ao fazer o primeiro pit-stop previsto, um mecânico de pouca destreza não conseguiu colocar o pneu dianteiro direito corretamente e Michael não conseguiu andar mais do que alguns metros antes de abandonar.

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