NICO ROSBERG10 – Fez em Shanghai a corrida de sua vida. Não digo isso apenas pela vitória, a primeira de sua já longa carreira na Fórmula 1, mas pela atuação em si, impecável. Sempre veloz em todos os treinos, o filho de Keke Rosberg aproveitou de seu bom retrospecto na China para sentar a bota no treino oficial e marcar sua primeira pole-position na vida. No domingo, contrariou todas as expectativas e venceu com folga. Largou bem, não teve os sérios problemas de consumo de pneus que o prejudicaram nas duas primeiras corridas e pôde até mesmo fazer uma parada a menos. Disse que as últimas trinta voltas pareciam tão longas como as 24 Horas de Le Mans. Não gosto dele, mas mereceu o triunfo.

JENSON BUTTON9,5 – Um desgraçado do caramba. Não há como torcer contra. Isso é, bem que eu tentei no sábado, quando o piloto da McLaren não conseguiu nada além da quinta posição do grid, resultado da punição do companheiro Lewis Hamilton. Mas a sorte deste cara é tamanha que praticamente todos à sua frente se deram mal e ele se encontrou na segunda posição após a primeira rodada de pit-stops. Parecia estar vindo rumo à vitória, pois faria uma parada a mais e teria pneus bons durante mais tempo, mas Nico Rosberg manteve-se surpreendentemente bem na liderança. Ainda perdeu seis segundos no último pit-stop, mas conseguiu segurar o segundo lugar, tremendo de um lucro para uma corrida que complicou a vida de tantos.

LEWIS HAMILTON8 – O rei do terceiro lugar até aqui. Lewis começou o fim de semana já em desvantagem, já que ele perderia cinco posições no grid por ter de trocar a caixa de câmbio. Mesmo assim, não desistiu e foi à batalha. Liderou dois treinos livres, tentou tomar a pole-position de Nico Rosberg no Q3 e não conseguiu, tendo de largar apenas da sétima posição. Partiu bem, fez ultrapassagens e aproveitou bem a estratégia de três paradas. Nas últimas voltas, deixou Sebastian Vettel para trás para obter o terceiro posto pela terceira vez seguida. Com esta fileira de resultados, assumiu a liderança do campeonato de maneira até surpreendente.

MARK WEBBER8 – Neste fim de semana, foi o único a ter utilizado o novo escapamento que a Red Bull tinha preparado para esta corrida. A escolha foi certeira e ele conseguiu ser, em média, três décimos mais veloz que o companheiro Sebastian Vettel. Foi o único de sua equipe a ir para o Q3 e acabou obtendo o sexto lugar no grid, superando Vettel pelo terceiro fim de semana seguido. Apostou em fazer suas três paradas antes do resto dos pilotos e parece ter se dado bem com isso. Chamou a atenção pelo lado positivo (uma bela disputa roda a roda com Kimi Räikkönen) e pelo negativo (que vôo foi aquele?). No fim, terminou uma razoável quarta posição. Não é um aluno genial, mas vem fazendo bem suas lições de casa.

SEBASTIAN VETTEL5 – Ao contrário de Mark Webber, escolheu utilizar o escapamento antigo e parece ter tido problemas com isto. Não andou tão bem nos treinos livres e sequer passou para o Q3, situação inaceitável para alguém em sua posição. Na corrida, apostou em uma estratégia de apenas duas paradas e dois stints longuíssimos com os pneus médios. Parecia ter se dado muito bem até o final da corrida, quando chegou a ocupar a segunda posição. Mas a péssima situação dos pneus cobrou a fatura e ele acabou caindo para o quinto lugar.

ROMAIN GROSJEAN7,5 – Finalmente fez seus primeiros pontos na Fórmula 1. Menos espetacular do que em Melbourne e Sepang, o suíço só conseguiu andar forte pela primeira vez no treino de classificação, quando ficou em décimo. No dia seguinte, foi um dos que apostaram na estratégia de duas paradas para economizar tempo nos pits. Por incrível que pareça, não teve problemas sérios de desgaste de pneus e pôde se meter em boas disputas no final da corrida com os dois pilotos da Williams. Sexto lugar muito bem-vindo.

BRUNO SENNA7,5 – É, sem dúvida, uma agradabilíssima surpresa deste início de campeonato. Não foi tão genial como em Sepang, mas também apareceu muitíssimo bem na China. Mal nos treinos, o brasileiro decidiu apostar em apenas dois pit-stops e acabou subindo um monte de posições entre as voltas 30 e 40. Não conseguiu segurar o sexto lugar dos ataques de Romain Grosjean, mas ainda conseguiu ótimos seis pontos e, neste momento, está numa surpreendente nona posição no campeonato.

PASTOR MALDONADO6,5 – Superou Bruno Senna por meio cabelo de diferença no treino oficial e dividiu a sétima fila com ele. Na primeira volta, perdeu algumas posições e teve dificuldades para se recuperar, não conseguindo mais ficar à frente do companheiro. Mesmo assim, também foi beneficiado pela estratégia de apenas duas paradas e conseguiu subir para a oitava posição, obtendo, assim, seu melhor resultado na carreira até agora.

FERNANDO ALONSO3 – Voltou à realidade de abóbora após a estonteante vitória de Sepang. Na verdade, sua realidade foi até pior do que o esperado. Sofreu para ficar à frente do decadente Felipe Massa no treino oficial e não ficou de fora do Q3 por pouco. Na corrida, apostou em uma estratégia de três paradas achando que ultrapassaria todo mundo facilmente, mas nada disso aconteceu. Quanto tentou ultrapassar Pastor Maldonado por fora, escapou e quase acertou Sergio Pérez ao voltar para pista. Terminou preso atrás do venezuelano e não conseguiu nada além de dois pontos.

KAMUI KOBAYASHI6 – Uma tremenda decepção se considerarmos o inacreditável terceiro lugar no grid. Andou sempre entre os dez primeiros em todos os treinos livres e foi a grande sensação da sessão oficial do sábado. Infelizmente, o domingo foi arruinado por uma péssima largada. A estratégia de três paradas não ajudou muito e ele não ficou de fora dos pontos por pouco. Só pegou o último pontinho porque arriscou o pescoço numa manobra suicida contra o companheiro Pérez na grande reta. Fez a volta mais rápida da prova.

SERGIO PÉREZ4,5 – Fim de semana frustrante para alguém que quase havia vencido a corrida anterior. Chegou a ser o mais veloz do Q1 da classificação, mas só conseguiu o oitavo tempo, cinco posições atrás do companheiro Kobayashi. No domingo, foi relativamente melhor que o japonês, mas não pontuou. Fez uma largada digna e apostou no velho baixo consumo de pneus do carro da Sauber, sendo um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop. Mesmo assim, não conseguiu melhorar muito e foi visto travando pneus e se embolando para segurar carros mais rápidos. Tentou fechar Kamui Kobayashi na grande reta, mas não conseguiu segurar a décima posição e ficou de fora dos pontos.

PAUL DI RESTA4 – Num dia em que Nico Rosberg deu show, alguém tinha de fazer o papel de mosca-morta do grid. Pode-se dizer que o escocês é bastante apto para esta função. No treino oficial, não fez mais do que superar o companheiro Nico Hülkenberg, outro que preza pelo conservadorismo. O dia seguinte foi apenas correto e Di Resta empreendeu sua estratégia de duas paradas enquanto esperava ganhar algumas posições e até mesmo um ou outro ponto. Não deu certo e ele ficou apenas em 12º.

FELIPE MASSA1,5 – Está numa fase simplesmente negra. Ter dito que o 13º lugar foi um passo para frente definitivamente não pegou bem, ainda mais em se tratando de um piloto da Ferrari. O pior é que ele tem alguma razão. Fez talvez seu melhor treino oficial da temporada ao conseguir ficar a poucos décimos do companheiro Fernando Alonso no Q2, embora não tenha conseguido ir ao Q3. Na corrida, foi o único de sua equipe a apostar em duas paradas e até conseguiu liderar uma volta inteira, mas foi ultrapassado com facilidade por todos que estavam atrás. Por outro lado, a dificuldade para ele conseguir sequer tentar passar Paul Di Resta foi constrangedora. A Autosprint classificou o piloto como “desperdício de gasolina”. Como contestar?

KIMI RÄIKKÖNEN5 – Parece destinado a ser um dos mais rápidos e mais problemáticos pilotos desta temporada. Não conseguiu andar bem de jeito nenhum na sexta-feira, mas a Lotus acertou o carro no sábado e deu para Kimi fazer um excelente quarto tempo. Ainda insatisfeito, ele partiu para a corrida e manteve-se em quarto nas primeiras voltas. Chamou a atenção quando tentou ultrapassar Mark Webber e tomou um belo troco. Fez apenas duas paradas e vinha rumo a um bom segundo lugar, mas alguma maldição afetou seu carro na volta 48, quando ele começou a ser ultrapassado facilmente por quase todo mundo. Até Felipe Massa o deixou para trás, veja só.

NICO HÜLKENBERG3 – Conseguiu ser ainda mais discreto que o companheiro Paul di Resta e passou muito longe dos pontos. Não foi bem no treino oficial e arruinou de vez seu fim de semana quando bateu em alguém na primeira volta e danificou a asa dianteira, perdendo bastante desempenho nas primeiras voltas e tendo de trocar o bico na primeira parada. Parou mais uma vez e nunca conseguiu sair lá do meio do pelotão.

JEAN-ERIC VERGNE4 – Foi mal pra caramba no treino oficial e sequer passou para o Q2, mas salvou o fim de semana com um domingo razoável. Escolheu largar dos pits para trocar algumas peças de seu Toro Rosso e parecia estar condenado devido à desvantagem, mas preferiu ir à luta e se recuperou bastante. Chegou a andar à frente de Hülkenberg e conseguiu terminar à frente do companheiro Daniel Ricciardo, que largou normalmente. Fez a segunda melhor volta da corrida. Se tivesse largado numa posição boa, poderia ter feito bons pontos.

DANIEL RICCIARDO3 – Ficou devendo, especialmente na corrida. No treino oficial, bateu o companheiro Jean-Eric Vergne por pouco, mas também sofreu com a falta de velocidade do STR7. Na corrida, teve problemas na largada e perdeu posições. Recuperou-se, mas ficou bem atrás dos seus adversários diretos e só terminou à frente dos pilotos das equipes nanicas. Não estava no roteiro finalizar atrás do companheiro que largou dos boxes.

VITALY PETROV 3,5 – Terminou a segunda consecutiva à frente de Heikki Kovalainen, mas o resultado não fez jus ao real desempenho da dupla da Caterham. Largou atrás do finlandês e chegou a ter problemas com Timo Glock durante a prova, mas não enfrentou grandes desastres e conseguiu ser o melhor das equipes pequenas.

TIMO GLOCK4 – Não faz uma má temporada, considerando que sua equipe é uma droga. Não tem muito o que fazer no treino oficial, ficando atrás das duas Caterham e à frente do companheiro de equipe. No domingo, chegou a aparecer bem em alguns momentos e deu algum trabalho a Vitaly Petrov, mas teve vários problemas com os pneus e também chegou a ser ameaçado por Charles Pic durante algum tempo. No fim, chegou ao fim no patamar de sempre.

CHARLES PIC3,5 – Também fez o arroz-com-feijão de sempre, não tendo problemas para terminar a corrida. Terminou o Q1 à frente da HRT, ganhou uma posição com a escolha de Jean-Eric Vergne em largar dos pits e fez sua corridinha de sempre. Chegou a dar alguma dor de cabeça ao companheiro Timo Glock enquanto teve pneus em melhores condições, mas acabou terminando atrás.

PEDRO DE LA ROSA4 – Difícil analisar. O carro aparenta ter melhorado, o que não significa lá muito. O quarentão espanhol não teve problema para se qualificar e também não teve grandes dificuldades na corrida, tendo chegado a ocupar a 18ª posição durante uma volta. Com apenas um abandono, não deu para terminar numa posição melhor.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – Mesmo dentro da HRT, é possível perceber uma grande disparidade entre os dois pilotos. Embora também não tenha tido problemas para se qualificar, andou claramente atrás de De La Rosa durante todo o tempo. Não atrapalhou ninguém na corrida e cruzou a linha de chegada, mas duas voltas atrás.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Apesar do péssimo resultado, foi o melhor piloto das equipes miseráveis com sobras. Saiu em 18º, ganhou algumas posições na largada e chegou a ocupar a 11ª posição durante alguns momentos. Fez a 13ª volta mais rápida da corrida e parecia vir bem para terminar em 18º, mas um problema nos pneus o fez perder muito tempo, obrigando-o a fazer uma parada extra. Só isso explicaria o fato dos dois HRT terem terminado à sua frente.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Anda numa ótima fase em termos de pilotagem e numa péssima fase em termos de sorte, aquela que sempre esteve presente em sua carreira. Liderou um treino livre, andou bem nos outros e esteve sempre no páreo na disputa pela pole-position. Graças à punição a Hamilton, conseguiu um lugar na primeira fila pela primeira vez desde 2006. Largou razoavelmente bem e manteve-se em segundo nas primeiras voltas, embora bastante atrás de Nico Rosberg. Ao fazer o primeiro pit-stop previsto, um mecânico de pouca destreza não conseguiu colocar o pneu dianteiro direito corretamente e Michael não conseguiu andar mais do que alguns metros antes de abandonar.

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