MCLAREN7 – Não é porque Lewis Hamilton ganhou a corrida que a equipe merecerá lá uma grande nota. O campeão de 2008 fez boa parte do trabalho pesado e poderia ter perdido a corrida em mais um erro cometido no trabalho de pit-stop, mais precisamente na roda traseira direita. Na verdade, a turma de Woking deve agradecer e muito pela pilotagem de Hamilton, pois o carro estava longe de qualquer brilhantismo em Montreal. O companheiro Jenson Button foi um exemplo claro dessa dificuldade. Largou em décimo e terminou, vixe, lá na conchinchinésima posição, com enormes problemas nos pneus. É uma equipe que anda fazendo de tudo para se complicar.

LOTUS7,5 – Se querem saber, o resultado de Montreal foi bastante fiel à realidade da equipe preta e dourada. Não tem carro para peitar diretamente as equipes de ponta, mas pode apostar em estratégias mais heterodoxas e sabe que seu piloto mais veloz atualmente é Romain Grosjean, que só precisa parar de fazer merda nas primeiras voltas. O suíço largou em sétimo e obteve um segundo lugar sensacional por ter parado para colocar pneus macios mais cedo. Kimi Räikkönen, sempre mais badalado, esteve sumido novamente. Tentou uma estratégia mais ou menos oposta à de Grosjean ao parar mais tarde que os demais, mas não conseguiu nada além do oitavo lugar.

SAUBER8 – Kamui Kobayashi pode até se esforçar muito e andar mais rápido, mas o cara que obtém os resultados mais expressivos para a esquadra de Peter Sauber se chama Chapolin Colorado, também conhecido com Sergio Pérez Mendoza. O mexicano não vinha bem no fim de semana, mas decidiu parar mais tarde que os demais e acabou varrendo a concorrência até chegar ao pódio. Koba dançou, pois optou por uma estratégia mais conservadora e não passou do nono lugar. De brilhos esporádicos em 2012, a Sauber vai seguindo na dignidade.

RED BULL7,5 – Tinha o melhor carro neste fim de semana novamente, o que poderia indicar um período de recuperação dos rubrotaurinos em relação ao início do ano. No entanto, não conseguiu nem mesmo o pódio. Sebastian Vettel deu as cartas nos treinos e largou na pole-position, mas ficou para trás no trabalho de boxes de sua equipe e na estratégia furada que o fez sofrer com pneus ruins durante várias voltas na segunda metade da prova. Mark Webber não apareceu e ainda terminou pior do que começou. Em Montreal, a esquadra sofreu da síndrome mclarenística que alija favoritos das primeiras posições.

FERRARI5,5 – É uma equipe que não está tão mal como parecia, mas que também não dá para confiar durante todo o tempo. No Canadá, os dois pilotos voltaram a sofrer com o alto desgaste dos pneus Pirelli e terminaram a corrida tomando ultrapassagens de tartarugas e preguiças. Fernando Alonso ainda deu uma de Schumacher e, em trabalho conjunto com os mecânicos, conseguiu assumir a liderança da corrida por alguns instantes após algumas voltas voadoras. Uma pena que os pneus e o baixo desempenho nas retas impediram o espanhol de obter algo melhor que a quinta posição. Felipe Massa não apareceu tão mal, mas a rodada e a questão dos pneus não ajudaram muito.

MERCEDES4 – Michael Schumacher saiu da corrida graças a um problema digno de HRT. A danada da asa móvel de seu W03 travou graças a um problema hidráulico e Schumi não pôde continuar, dando adeus a mais uma corrida neste ano infeliz. Como nos velhos tempos, os mecânicos tentaram resolver o abacaxi com a mais primitiva das soluções: a porrada. Não deu e o alemão mais velho teve de continuar assistindo à corrida por uma televisão Sharp. Nico Rosberg, como sempre, salvou as honras da casa e terminou em sexto. Mas ele também teve lá suas dores de cabeça com um carro lento no início da corrida. É outra escuderia a quem não se deve dar muito crédito mesmo nos bons momentos.

FORCE INDIA3 –Está aí uma equipe que tinha carro, pilotos e condições para ter saído de Montreal com vários pontos na conta-corrente, mas que terminou o fim de semana com uma mão na frente e outra atrás. Paul di Resta tinha como trunfo maior a boa oitava posição no grid. Nico Hülkenberg, por outro lado, havia optado pela estratégia mais eficaz, a de largar com pneus macios. Ambos se deram fragorosamente mal com o desgaste dos pneus e terminaram fora da zona de pontuação. O escocês desapareceu logo após seu primeiro pit-stop. O alemão em momento algum esteve em uma boa posição e ainda foi prejudicado pela equipe nas duas paradas.

WILLIAMS1 – Horrorosa a corrida da equipe de Grove, horrorosa! Os pilotos não colaboraram, o carro não colaborou, os mecânicos não foram tão ágeis, os muros canadenses não colaboraram e a sorte também não deu as caras. Pastor Maldonado se complicou com um câmbio quebrado (pelo segundo fim de semana consecutivo) e um erro na qualificação. Bruno Senna bateu sozinho em um dos treinos livres, largou lá atrás e passou boa parte da corrida atrás de gente da Caterham. Pelo menos, os dois sobreviveram às agruras típicas de Montreal e chegaram ao fim. Mas atrás de muita gente.

TORO ROSSO2 – Anda numa fase complicada. Os dois pilotos, reconhecidamente bons, sofrem como porcos no abate no sábado e não conseguem se recuperar na corrida. O pior é que cada um deles parece se complicar mais em um determinado dia. Enquanto Jean-Eric Vergne se embanana no treino oficial, Daniel Ricciardo costuma por tudo a perder na corrida. O francês largou atrás dos dois carros da Caterham e, por isso, mereceu ter terminado lá atrás. O australiano errou feio na primeira curva e não tem muito o que comentar. Com um carro ruim e uma estratégia sem-graça, a Toro Rosso passou mais uma em branco.

CATERHAM6 – Apareceu muito bem, até. Tudo bem, não estamos esperando que ela brigue pau a pau com as equipes do meio do pelotão, mas os esverdeados conseguiram até mesmo largar à frente de um Toro Rosso que não teve problemas. Na corrida, Heikki Kovalainen meteu-se no meio dos carros de Toro e Williams e pôde experimentar um pouco a vida de um piloto minimamente competitivo, assim como aconteceu em Mônaco. Vitaly Petrov não foi tão bem assim, mas chegou ao fim da corrida. Muito, mas muito lentamente, se aproxima das equipes mais tradicionais.

MARUSSIA0 – Seu maior pesadelo virou realidade. Pela primeira vez em três anos, a equipe preta e vermelha deixou uma impressão ainda pior do que a arquirrival HRT. No primeiro treino de sexta, para se ter uma ideia, Timo Glock e Charles Pic dividiram as duas últimas posições na tabela. No treino oficial, os dois ficaram atrás de Pedro de la Rosa por uma margem razoável. Na corrida, somente Pic chegou ao fim, pois o alemão teve problemas nos freios. E o trabalho nos pits foi pura vergonha alheia: dois dos três piores tempos de parada se referiram exatamente aos trabalhos nos carros de Glock e Pic. Muito feio.

HRT6 – Chupem, detratores. O que aqueles que diziam que a equipe não sobreviveria, que nunca conseguiria sair das últimas posições, pensaram após este fim de semana? Em todos os treinos, ao menos um carro espanhol deixou os dois da Marussia para trás. E o mais legal é que, no treino oficial, Pedro de la Rosa ficou a menos de um segundo do Toro Rosso de Jean-Eric Vergne. Uma pena que o outro bólido seja ocupado por Narain Karthikeyan, que definitivamente não tem cancha para explorar o máximo a evolução da equipe. Uma pena também que os dois abandonaram em questão de minutos por causa de problemas nos freios. A HRT, apesar de tudo, ainda é um time nanico e problemático.

TRANSMISSÃODANÇA IMPRESSIONANTE – Corrida narrada pelo Sr. Impressionante é uma coisa linda de se ver. Tudo é bonito, tudo é legal, as flores estão sempre coloridas, os coelhinhos pulam pelo vale verdejante, o carrinho vermelho duela com o carrinho prateado e o “Regi” sempre sabe das coisas. Que os leitores me perdoem, mas o narrador titular da transmissão brasileira faz falta, e como. Mas já que ele estava ocupado com jogos de ludopédio, a tarefa acabou sobrando nas mãos do segundão. Não me lembro de nada muito escabroso ou engraçado, talvez apenas o “Reginaldo, você já se inscreveu para a Dança dos Famosos”. A resposta de “Regi” foi uma risadinha amarela, meio que com vontade de tomar um gole de estricnina por ouvir tal pergunta. Devo destacar, no entanto, o bom espaço que a emissora oficial anda dando à Fórmula 1, com a geração de imagens sendo iniciada cerca de vinte minutos antes. Diz-me um passarinho azedo, fonte de lá de dentro, que a intenção da supracitada emissora realmente é emular a qualidade oferecida pelas televisões de outros países. Curiosamente, uma das transmissões inspiradoras seria a dos EUA, que nem tem tanta tradição de Fórmula 1 assim. Mas falei.

CORRIDADEZ ÚLTIMAS VOLTAS – As últimas corridas em Montreal vinham sendo pautadas pelo nonsense total. É chuva que não acaba mais, é acidente de piloto polonês, é asfalto que se desfaz, é piloto batendo em outro nos boxes, é nego sendo punido por sair dos boxes com a luz vermelha e a lista não para. Neste domingo, as coisas ficaram um pouco mais tranquilas. Ninguém bateu, a primeira curva foi mais ou menos limpa, a chuva não deu as caras e quase todos estavam comportados no início da corrida. Até parecia que a gente terminaria o dia chateado com a falta de ação. Mas eis que as coisas mudaram drasticamente nas últimas voltas. Os apuros que os dois primeiros, Alonso e Vettel, passavam com os pneus dariam uma graça especial ao grande prêmio. Lewis Hamilton parou nos boxes para colocar pneus novos e ganhou a corrida graças a esta decisão. Outros também se deram muito bem no final, como Romain Grosjean e Sergio Pérez. No fim, todos ficaram contentes. O GP do Canadá nunca decepciona.

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