PASTOR MALDONADO10 – Quem imaginaria que um GP da Espanha seria uma das melhores corridas dos últimos tempos? E a maior parte da graça da corrida obviamente se deve a Pastor Maldonado, o surpreendente vencedor. Discretíssimo na sexta-feira, a sorte do venezuelano começou a mudar no sábado, com o segundo tempo no terceiro treino livre e a liderança no Q2 da classificação. Obteve um sensacional segundo lugar no grid de largada que virou pole-position após a punição de Lewis Hamilton. Na corrida, perdeu a ponta para Fernando Alonso logo na primeira curva, mas tratou de recuperá-la logo após a segunda rodada de pit-stops. Mantendo quase sempre um ritmo muito forte, ele conseguiu permanecer à frente do espanhol em plena Catalunha sem maiores dificuldades. E venceu. Um dia histórico para o automobilismo, sem dúvida.

FERNANDO ALONSO9,5 – Faltou-lhe somente a vitória. Nos treinos, contrariou o que vinha sendo a lógica desta temporada e foi bem, liderando o primeiro treino livre e obtendo um notável segundo lugar no grid. Bom largador em Barcelona, Alonso passou Pastor Maldonado na primeira curva e foi o líder de facto até a volta 26, quando fez seu segundo pit-stop e voltou atrás do venezuelano. Após isso, esteve quase sempre mais lento que Maldonado. Nas últimas quinze voltas, até chegou a se aproximar perigosamente, mas foi obrigado a desistir da briga por causa do péssimo estado de seus pneus. Chegou em segundo poucos décimos à frente de Kimi Räikkönen. Não venceu, mas ainda não deixou a liderança do campeonato.

KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – É, sem dúvida, um dos melhores pilotos do ano. Em Barcelona, assim como Alonso, também esteve muito próximo da vitória. Sempre competitivo nos treinos, Kimi obteve um bom lugar quarto lugar do grid, embora seu companheiro tenha ido ainda melhor novamente. Mas sua sorte sempre muda na corrida. Largou bem, assumiu a terceira posição e esteve sempre ali, esperando que algo acontecesse com os hispanohablantes à sua frente. Achava que seria o único espertão a fazer apenas três paradas, mas acabou sendo surpreendido com a decisão de Maldonado e Alonso de não fazer uma quarta parada. Tinha pneus em condições muito melhores nas últimas voltas e quase ultrapassou o espanhol, mas teve de se contentar com o terceiro lugar. De qualquer jeito, outra corridaça.

ROMAIN GROSJEAN8 – Fez mais uma boa prova, mas já começa a ficar definitivamente atrás de Kimi Räikkönen dentro do coração da Lotus. Fica claro que sua especialidade maior é o treino classificatório, onde o falso francês conseguiu ser mais rápido que o colega de equipe pela terceira vez no ano. Largou da terceira posição, mas perdeu posições logo no começo e ainda furou um pneu de Sergio Pérez com o bico do seu carro. Depois do primeiro pit-stop, subiu para a quarta posição e manteve-se lá até o fim. Nunca conseguiu se aproximar de Räikkönen durante a corrida. Em compensação, fez a volta mais rápida de todas.

KAMUI KOBAYASHI9 – Japonês doido de pedra. Ele definitivamente não é um piloto genial na maioria das vezes, mas sabe assombrar a concorrência em um dia inspirado. Andou bem em todos os treinos e só não obteve posição melhor no grid porque teve um problema hidráulico no Q2 da classificação. E o dia seguinte foi legal demais da conta. Kobayashi permaneceu quieto na primeira metade da corrida, mas decidiu tocar o foda-se na parte final e empreendeu ultrapassagens inacreditáveis sobre Jenson Button e Nico Rosberg enquanto teve pneus melhores. Terminou numa belíssima quinta posição e trouxe para si as atenções que vinham até então se concentrando no companheiro de equipe.

SEBASTIAN VETTEL8,5 – Dou risada de quem acha que este daqui só funciona bem com um carro intergaláctico. O que dizer de um piloto que não tem o melhor carro do grid, larga em sétimo, toma punição por desrespeito à sagrada bandeira amarela, é obrigado a trocar o bico em um de seus pit-stops e ainda consegue terminar em sexto? Vettel foi muito bem na sexta-feira, mas não conseguiu ser tão feliz no treino classificatório. Na corrida, assim como Kobayashi, começou o dia silencioso e terminou como um dos grandes destaques. Com pneus em ótimas condições, deixou um bocado de gente para trás no final e até se deu ao luxo de ultrapassar Lewis Hamilton por fora. Se não tivesse sido punido, poderia ter terminado mais à frente.

NICO ROSBERG7 – Numa corrida com tantos destaques, este aqui foi um que desapareceu. Seu sétimo lugar está longe de ser um resultado ruim, ainda mais considerando o que aconteceu com o companheiro de equipe, mas também não houve lapso de brilhantismo algum. O filho de Keke Rosberg obteve um honesto sexto lugar no grid de largada e ainda conseguiu subir para quarto logo na primeira volta. Mas as coisas não melhoraram muito mais. Um stint final muito longo com pneus duros o fez perder duas posições nas últimas voltas. Terminou com Lewis Hamilton colado em sua caixa de câmbio. Definitivamente, um resultado que só será lembrado na contagem final de pontos.

LEWIS HAMILTON9 – É incrível o que acontece com este cara na temporada. Mesmo tendo feito o melhor tempo do Q3 da classificação pela terceira vez, Hamilton ainda não conseguiu ganhar nenhuma corrida. Na Espanha, a razão foi patética: uma pane seca o impediu de retornar aos pits na volta de desaceleração e resultou em sua desclassificação. Restou ao cara tentar fazer uma corrida de recuperação. Conseguiu. Fez apenas duas paradas e imprimiu um ritmo de corrida muito forte especialmente na primeira parte da corrida. Com várias ultrapassagens e uma boa estratégia, chegou em oitavo e não subiu para sétimo por pouco. Mas a vitória ainda não veio.

JENSON BUTTON2 – Terminar atrás do companheiro que largou da última posição definitivamente não estava nos planos dominicais de Jenson Button, que fez um de seus piores fins de semana desde que virou piloto de ponta. Embora tenha liderado um treino livre, o campeão de 2009 não conseguiu sequer passar para o Q3 da classificação e as coisas não melhoraram na corrida. Mesmo com dois stints curtos, teve problemas com os pneus e sofreu várias ultrapassagens – Kobayashi e Vettel certamente o deixaram envergonhado. No último stint, mais longo, somente se arrastou esperando ansiosamente pela bandeira quadriculada. Finalizou em nono e marcou apenas dois pontos.

NICO HÜLKENBERG4,5 – Um verdadeiro especialista em discrição. Sem ter um carro tão bom, o alemão não teve um fim de semana fácil. Embora não tenha ido tão mal nos treinos livres, só conseguiu o 13º lugar no grid e largou atrás do companheiro pela quarta vez consecutiva. Na corrida, fez uma corrida normal e não se envolveu em grandes problemas. Aparentemente, tinha pneus em melhores condições do que a maioria dos adversários no final da corrida, o que o ajudou a segurar Mark Webber durante tanto tempo. Ponto suado e bem-vindo.

MARK WEBBER 1,5 – Fim de semana horroroso. Horroroso mesmo. Não andou rápido e nem deu sorte. Na classificação, sequer passou para o Q3 e foi obrigado a largar no meio do bolo. As coisas não melhoraram no dia seguinte. Tendo mais problemas de desgaste de pneus que os demais, foi o cara que abriu a primeira e a segunda rodada de pit-stops. Logo após a primeira parada, voltou em último e quase bateu em Narain Karthikeyan. Mesmo após tantas coisas acontecendo na corrida, não conseguiu entrar na zona de pontuação. Terminou a prova preso atrás de Nico Hülkenberg. Enquanto isso, o companheiro finalizou em sexto mesmo tendo sofrido punição. Bom trabalho, Mark.

JEAN-ÉRIC VERGNE4 – Teve alguns bons momentos, mas acabou ficando de fora da pontuação. Não foi bem de novo no treino oficial, mas os sábados não parecem ser os dias mais frutíferos da semana para o francês. Jean-Eric largou bem, ganhou várias posições na primeira volta e parecia estar seguindo rumo aos pontos, mas a sorte não lhe favoreceu muito. Perdeu muito tempo atrás de Paul di Resta e acabou se afastando das dez primeiras posições. Por outro lado, também fez Felipe Massa perder bastante tempo no seu encalço. Não foi um fim de semana estritamente ruim, apenas inútil.

DANIEL RICCIARDO3 – Este daqui foi ainda mais discreto que o companheiro de equipe. O australiano da Toro Rosso nunca conseguiu andar entre os dez primeiros nos treinos e a situação não mudou durante a corrida. Só apareceu quando atrasou ao máximo seu pit-stop e chegou a ocupar a sexta posição durante uma volta. De volta à realidade, cruzou a linha de chegada apenas em 13º.

PAUL DI RESTA3 – Não sei exatamente o que aconteceu com este daqui, pois sua corrida não foi tão pior do que a de Nico Hülkenberg. Largou à frente do alemão e sua volta mais rápida também foi melhor, mas algum mistério da natureza o deixou em uma posição tão fraca. A culpa provavelmente deve ser dos pneus duros, que não funcionaram como o escocês gostaria. Chega a ser incômodo, de qualquer modo, o fato dele ser incapaz de fazer qualquer coisa diferente numa corrida mais adversa.

FELIPE MASSA2 – Este daqui não tem mais jeito. No treino oficial, foi o último colocado do Q2. Por incrível que pareça, apareceu muito bem na primeira parte da corrida ao largar bem e se meter em boas brigas no meio do pelotão. Mas as coisas não funcionam perfeitamente bem para quem não colabora. Massa se afastou definitivamente dos pontos quando não respeitou uma bandeira amarela e teve de pagar uma punição nos boxes. Além do mais, ele perdeu um bocado de tempo atrás de Jean-Eric Vergne. Com isso, Felipe teve de se satisfazer em terminar à frente apenas dos carros das equipes nanicas.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Boa corrida. No sábado, surpreendeu negativamente ao tomar três décimos de Vitaly Petrov no Q1 da qualificação. Dentro das possibilidades de sua carroça verde, o domingo foi bem mais interessante. Heikki largou muito bem e permaneceu à frente de Bruno Senna durante várias voltas. Ao atrasar ao máximo seu primeiro pit-stop, chegou a ocupar a quinta posição. Depois disso, a cruel verdade se restabeleceu. Ainda assim, foi o vencedor moral de sua classe.

VITALY PETROV4 – O ponto alto do fim de semana foi ter batido Heikki Kovalainen no treino oficial. Contudo, a ordem das coisas voltou ao seu normal no dia seguinte e o finlandês voltou a ficar na frente. Mesmo assim, o russo pôde fazer sua corrida honesta, fugiu das confusões e chegou ao final da corrida. Diz ter ficado para trás por problemas com os pneus e com o KERS. Mesmo se não tivesse tido os problemas, dificilmente teria terminado o domingo à frente de Kovalainen.

TIMO GLOCK3 – Terminou o sábado pensando sobre o que havia dado errado, já que Charles Pic havia conseguido ser meio segundo mais rápido no Q1 da classificação. Na verdade, tráfego e bandeiras amarelas o atrapalharam em suas melhores voltas – problemas comuns a todos em um sistema de classificação tão apertado. De qualquer jeito, a corrida aconteceu sem sobressaltos e Glock até se divertiu um pouco em um falso duelo com Lewis Hamilton. A comemorar, o fato de ter chegado ao fim e o companheiro, não.

PEDRO DE LA ROSA3,5 – Foi o único de sua equipe até aqui a receber as novas atualizações. Não por acaso, a distância entre ele e o companheiro Narain Karthikeyan foi bem maior que o normal. Fez um bom trabalho na qualificação ao ficar apenas meio segundo atrás de Timo Glock. Na corrida, Pedro andou bem, não se envolveu em bobagens e sobreviveu à estratégia de quatro pit-stops sem perder muito tempo. Terminou um GP da Espanha pela segunda vez na carreira.

SERGIO PÉREZ3,5 – Tinha grandes chances de ter feito um resultado ainda melhor que o de Kamui Kobayashi, pois havia conseguido um ótimo quinto lugar no grid. No entanto, era melhor ter ficado dormindo no hotel no domingo. Na largada, foi atingido por trás por Romain Grosjean e teve de trocar um pneu furado. Com isso, despencou para as últimas posições e nunca mais conseguiu se recuperar. Pelo menos, a transmissão do seu Sauber quebrou num momento em que os pontos não passavam de utopia.

CHARLES PIC3,5 – A nota maior em relação a Timo Glock se dá pelo ótimo resultado no treino oficial, onde ele conseguiu enfiar meio segundo na conta do experiente companheiro alemão. Na primeira volta, deu uma bela rodada à la Keke Rosberg em Long Beach, mas conseguiu prosseguir. Só que não por muito tempo, já que o semi-eixo quebrou e ele teve de se retirar na volta 36.

NARAIN KARTHIKEYAN0,5 – Fiquei com dó dele. O indiano conseguiu ter inúmeros problemas nos três dias de evento. Na qualificação, acabou tendo de encostar o carro, não fez nenhuma volta minimamente aceitável e só conseguiu largar porque sua equipe corria em casa. No domingo, fez apenas algumas voltas e abandonou. Foi talvez seu fim de semana mais difícil na vida.

BRUNO SENNA0 – Um fim de semana doloroso para o companheiro do vencedor Pastor Maldonado. Enquanto o venezuelano teve o melhor GP de sua vida, dá para dizer que Bruno Senna jamais teve três dias tão amargos em sua carreira. Nos dois treinos livres que fez, não andou bem. Na qualificação, enquanto tentava salvar o pescoço da degola do Q1, rodou sozinho na curva 12 e sequer passou pela linha de chegada. Na largada, conseguiu ser superado pelo Caterham de Heikki Kovalainen. Ao abrir a volta 13, tentou conter os ataques de Michael Schumacher e acabou atropelado pelo alemão na primeira curva. Já fora da prova, ainda foi chamado de “idiota” pelo heptacampeão. Como se não bastasse, seu carro ficou bastante danificado no incêndio dos boxes. De bom, só o fato de ter sobrevivido. Meio chamuscado, mas vivo.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Poderia ter feito uma ótima corrida, mas estragou tudo com uma cagada absolutamente primária. Foi para o Q3 da classificação e registrou uma razoável oitava posição no grid. Largou bem e chegou a ameaçar a quinta posição de Romain Grosjean. Tudo acabou na volta 13, quando atingiu o Williams de Bruno Senna de maneira grosseira na freada para a primeira curva. Abandonou a prova ali, puto da vida e crente de que tinha razão. Tinha nada. Os reflexos é que não funcionam mais, considerando que estamos falando de um senhor de 43 anos de idade.

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