LEWIS HAMILTON9,5 – Só não gabaritou porque perdeu a pole-position para Sebastian Vettel, algo absolutamente perdoável. Na corrida, não foi espetacular, mas deu um banho de eficiência nos concorrentes. Não deixou o líder Vettel fugir nas primeiras voltas e conseguiu tomar sua posição logo após a primeira rodada de pit-stops. Pouco depois, Fernando Alonso chegou a assumir a liderança, mas Lewis não teve o menor trabalho para ultrapassá-lo e tomar a ponta pela primeira vez. Mas o que garantiu definitivamente o resultado final foi o segundo pit-stop, que, embora lento, proporcionou ao inglês pneus novos em folha. Com um carro em ótimo estado, ele conseguiu recuperar na pista sua primeira posição e partiu para sua primeira vitória na temporada.

ROMAIN GROSJEAN9 – Quando inventou de dividir a primeira curva com Felipe Massa, muitos dos fãs do piloto franco-suíço prenderam a respiração. Será que ele abandonaria logo no começo mais uma vez? Dessa vez, não. Romain aproveitou-se da boa sétima posição no grid de largada e da excelente estratégia empreendida pela Lotus para obter seu melhor resultado na carreira até aqui. Discreto nas primeiras voltas, ele parou na volta 21 para colocar pneus macios e não precisou mais retornar aos boxes. Nas últimas voltas, estava voando baixo e conseguiu tomar o segundo lugar de Fernando Alonso sem maiores pepinos. Se continuar assim, sem bater em ninguém, terá grandes chances de superar Kimi Räikkönen no Mundial.

SERGIO PÉREZ9 – Esse daqui mereceu até mesmo elogios do Chespirito, o maior mexicano de todos os tempos, que o congratulou pelo Twitter. Tudo bem que o carro da Sauber permite algumas estratégias doidas, mas também não precisava exagerar. Discreto em quase todos os treinos, Pérez foi obrigado a largar da 15ª posição. Como de costume, optou por querer ser o do contra, largando com pneus macios num dia em que quase todos estavam calçados com supermacios. A ousadia o permitiu parar apenas na volta 41. De volta à ação, Pérez tinha pneus supermacios em ótimo estado e desembestou a ganhar posições até o final. Pódio surpreendente e merecidíssimo.

SEBASTIAN VETTEL8,5 – Mesmo tendo ficado de fora do pódio, não dá para criticar a atuação do bicampeão. No treino oficial, ignorou a concorrência e liderou o Q1, o Q2 e o Q3, que é o mais importante. Largou bem da posição de honra e manteve uma liderança honesta nas primeiras voltas, embora nunca tenha conseguido se livrar de quem vinha atrás. Foi o primeiro a fazer seu pit-stop entre os ponteiros e se deu mal com isso, caindo para o terceiro lugar. Esperava poder terminar a corrida sem fazer um segundo pit-stop, mas começou a perder rendimento e se viu obrigado a trocar pneus. Voltou rápido pacas, subiu para o quarto lugar e ainda marcou a melhor volta da prova na bandeirada. Resultado mais válido para o campeonato do que para o prazer pessoal.

FERNANDO ALONSO8 – O asturiano faz milagres mas também não abusa. Esteve sempre lá nas cabeças durante os treinamentos e arrancou um terceiro lugar no grid pilotando um carro meio ruinzinho de retas. No começo da corrida, escoltou os dois primeiros e deu o pulo do gato ao fazer duas voltas velocíssimas antes de parar, o que lhe permitiu driblar Vettel e Hamilton e assumir a liderança. Mas a felicidade acabou aí. Hamilton assumiu a primeira posição sem grandes dificuldades e restou ao espanhol ficar segurando Vettel até onde dava. Chegou um momento em que os pneus macios acabaram e Fernando não só perdeu posição para o alemão como também para uma negada numerosa aí. Quinto lugar frustrante para o cara que chegou a Montreal como líder do campeonato.

NICO ROSBERG6,5 – Corrida normal, desempenho correto, este é o Nico Rosberg de sempre. Apareceu melhor no treino oficial, quando obteve o quinto lugar no grid após um bom desempenho no Q3. Nas primeiras voltas, atrasou o comboio com um ritmo mediano e tomou ultrapassagens fáceis de Felipe Massa e Paul di Resta. As coisas melhoraram posteriormente e, mesmo tendo feito duas paradas, Nico conseguiu terminar num aceitável sexta posição. Foi isso.

MARK WEBBER5,5 – Mal vi correr. Com o mesmo carro de Sebastian Vettel, conseguiu perder três posições para carros bem piores durante a corrida. Não foi tão mal nos treinos e até pegou um bom quarto lugar no grid. Manteve a mesma posição nas primeiras voltas, mas começou a se perder após o pit-stop, quando ficou para trás. Recuperou a quarta posição mais para frente, mas acabou tendo de fazer uma segunda parada e foi obrigado a se contentar com a sétima posição.

KIMI RÄIKKÖNEN4 – Esteve sumidão em Montreal e ainda teve o desprazer de ver o companheiro de equipe entornar uma garrafa de champanhe no pódio. Não esteve bem desde a sexta-feira e sequer passou para o Q3 da classificação no sábado. Visando tentar fazer algo diferente, Kimi largou com pneus macios e pilotou 40 voltas com eles. Após seu único pit-stop, voltou em nono e, tendo de lidar com pneus que se desgastavam rapidamente, não conseguiu melhorar muito mais. Precisa começar a se esforçar um pouco, pois Romain Grosjean está sendo constantemente mais veloz.

KAMUI KOBAYASHI4,5 – Ah, se ele tivesse utilizado a mesma estratégia de Sergio Pérez… Os resultados no fim de semana não desmentem: o japonês foi o piloto mais rápido da Sauber durante quase todo o tempo. Faltou-lhe apenas uma pitada de sorte. Ao contrário do mexicano, optou por largar com pneus supermacios e empreender uma estratégia conservadora. Chegou a andar em quinto, mas acabou caindo bastante com o pit-stop e não conseguiu se recuperar muito mais com pneus macios. Teve de chorar as pitangas com apenas dois pontos no bolso.

FELIPE MASSA5 – Se não tivesse rodopiado sozinho na sexta volta, teria obtido uma nota bem maior. O brasileiro andou razoavelmente bem nos treinos e chegou a ocupar a terceira posição na segunda sessão livre de sexta-feira. No sábado, fez um trabalho digno e colocou sua Ferrari na sexta posição do grid. Foi bastante agressivo nas primeiras voltas, dividiu a primeira curva com Romain Grosjean e chegou a fazer uma boa ultrapassagem sobre Nico Rosberg por fora. A rodada o fez perder várias posições, mas nunca a volúpia. O paulista foi o primeiro a fazer sua troca de pneus e conseguiu recuperar boas posições com os compostos macios. Infelizmente, eles acabaram no final da corrida e Massa foi obrigado a fazer uma segunda troca para, ao menos, segurar um ponto.

PAUL DI RESTA4,5 – Outro que se deu muito mal com a degradação dos pneus. O escocês rendeu bem nos treinamentos e obteve um ótimo oitavo lugar no grid. Na largada, passou Grosjean e subiu para sétimo. Depois, fez uma boa ultrapassagem sobre Nico Rosberg e ainda herdou uma posição de Felipe Massa, subindo para quinto e deixando a impressão de que seria um dos grandes nomes da corrida. Mas a impressão acabou logo, logo. Com sérios problemas nos pneus supermacios, Paul teve de antecipar seu primeiro pit-stop e acabou despencando para o meio do pelotão. Após isso, ainda teve de fazer uma segunda parada e não conseguiu pontuar.

NICO HÜLKENBERG3 – Animou um pouco seus (poucos) fãs ao fazer o sexto tempo no primeiro treino de sexta-feira.  Os dois dias seguintes não foram tão interessantes assim. Fez apenas o 13º tempo no grid de largada e achou que poderia se recuperar bastante se largasse com pneus macios. Graças ao enorme desgaste proporcionado pelo seu carro indiano, isso não aconteceu e o alemão andou a maior parte do tempo fora das posições pontuáveis. Outro que fez dois pit-stops e não se deu bem com isso.

PASTOR MALDONADO3,5 – Depois da esplendorosa vitória na Espanha e da corrida desastrada de Mônaco, um fim de semana discreto na Ilha de Nossa Senhora. Assim como há duas semanas, foi obrigado a trocar o câmbio do seu Williams e teve de largar lá do fim do grid. No Q2 do treino oficial, errou na última chicane e não estampou o Muro dos Campeões por pouco. A corrida, pelo menos, não foi de todo horripilante. Pastor se recuperou bem no primeiro stint e chegou a andar em décimo, mas voltou à má realidade após fazer seu pit-stop.

DANIEL RICCIARDO3,5 – Vem numa fase muito ruim. Nos treinos, não chega a passar vergonha como seu companheiro de equipe, mas as coisas sempre ficam mais pretas na hora da corrida. Na primeira curva, ameaçou sair da pista e perdeu várias posições. Utilizando uma estratégia conservadora de dois pit-stops, não pôde galgar tantas posições assim. Terminou ali no bolo, como sempre.

JEAN-ERIC VERGNE2,5 – Dele, não dá para esperar absolutamente nada nos treinos. O problema é quando a corrida também não é boa. No sábado, errou no Q1 e ficou atrás até mesmo dois dois carros da Caterham, situação inaceitável para uma equipe que se diz média. Na corrida, também tendo optado por uma estratégia conservadora, ficou entalado no meio do pelotão e sequer chegou a andar entre os dez primeiros. Como se não bastasse, ainda tomou um stop-and-go por excesso de velocidade. Bem que ele poderia ser excessivamente veloz também nos treinos.

JENSON BUTTON0,5 – O buraco parece não ter limite. Há um ano, o britânico conseguiu a proeza de vencer a corrida após ter andado em último durante algum tempo. Neste último domingo, ele fez praticamente o caminho inverso. Só não levou zero porque chegou a aparecer muito bem no Q1 da classificação, embora tenha terminado o sábado apenas com a décima posição no grid. Na corrida, sofreu tanto com os pneus macios como com os supermacios e foi o único entre os 24 pilotos que fez três trocas. Foda foi tomar uma volta de seu próprio companheiro de equipe, que por acaso acabou vencendo a prova. Triste situação de um piloto que estava em grande fase até há pouco tempo.

BRUNO SENNA1,5 – Talvez seu pior fim de semana no ano até agora. Padecendo muito na pista canadense, ele até que não foi tão absurdamente mal no sábado: fez o oitavo tempo no Q1 e conseguiu marcar um tempo melhor que o de Pastor Maldonado no Q2, mesmo tendo ficado de fora dos dez primeiros. O domingo é que foi de lascar. O sobrinho de Ayrton iniciou pessimamente a corrida e chegou a tomar ultrapassagem da Caterham de Heikki Kovalainen. Na volta 19, errou sozinho e caiu para 19º. Durante um bom tempo, ficou atrás dos dois pilotos da Caterham. Conseguiu superá-los, mas até aí, pelamor, né?

HEIKKI KOVALAINEN6 – Deu uma pancada daquelas na sexta-feira, mas sua equipe conseguiu consertar o carro a tempo para a qualificação do sábado. Nesta sessão, conseguiu a proeza de meter quatro décimos no Toro Rosso de Jean-Eric Vergne. 24 horas depois, Kova largou bem e chegou a andar à frente dos dois Toro Rosso e dos dois Williams nas primeiras voltas. A verdade se restabeleceu com o tempo, mas o finlandês ainda conseguiu levar seu carro ao fim com grande competência.

VITALY PETROV4 – Corrida normal, bem menos chamativa do que a do companheiro de equipe. Também conseguiu a proeza de superar Jean-Eric Vergne no treino oficial, ainda que a diferença entre os dois tenha sido menor que dois décimos. Na corrida, foi ultrapassado por Pedro de la Rosa (!) na largada e perdeu muito tempo em relação a Kovalainen. No fim das contas, o melhor do dia foi ter visto a bandeira quadriculada.

CHARLES PIC3 – Sofreu feito um desgraçado na sexta-feira, quando foi superado não por um, mas pelos dois carros da HRT. Melhorou um pouco no dia seguinte e até deixou Narain Karthikeyan para trás no Q1 da classificação. Na corrida, manteve-se no patamar de sempre. Durante um bom tempo, andou à frente do companheiro Timo Glock. E foi o único piloto da Marussia a chegar ao fim. No andar da carruagem, não foi tão ruim assim.

TIMO GLOCK2 – Lamentável ver um sujeito que subia no pódio com a Toyota estar levando surra de vara de uma HRT. Para quem está acostumado a largar quase sempre à frente do companheiro de equipe e das duas carroças espanholas, perder para Pedro de la Rosa em quase todas as sessões foi doloroso demais. Fora isso, não há muito mais o que dizer. Abandonou com problemas nos freios na volta 57. Enquanto esteve na pista, nem apareceu.

MICHAEL SCHUMACHER2 – É um dos melhores pilotos de todos os tempos e certamente o homem mais azarado da Fórmula 1 nesta temporada. Dessa vez, a carambola que o tirou da pista é tão bizarra que precisaria ser explicada pelo finado Doutor Stock: um problema hidráulico em seu W03, sabe-se lá como, fez com que o elemento do aerofólio traseiro que se move com o acionamento do DRS ficasse travado, como se a asa móvel estivesse constantemente acionada. Por regulamento, isso não poderia acontecer e Michael teria de trocar de aerofólio ou simplesmente abandonar a prova, o que acabou acontecendo. E até o momento da saída, verdade seja dita, o alemão não vinha fazendo nada de brilhante.

PEDRO DE LA ROSA7,5 – Excelente fim de semana. Pela primeira vez desde que as nanicas invadiram a Fórmula 1, um piloto da HRT deixou para trás os dois carros de uma equipe adversária na maior parte do tempo. O veterano espanhol deu um jeito e até arranjou um excepcional 20º lugar do grid, a menos de um segundo do Toro Rosso de Jean-Eric Vergne. Na corrida, enquanto esteve na pista, Pedro chegou a andar na frente dos dois Caterham e não foi superado pela Marussia em momento algum. Abandonou por problemas nos freios.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – Num fim de semana onde a HRT não era a pior equipe do grid, tinha obrigação de ter feito melhor. No primeiro treino livre de sexta-feira, até chegou a superar os dois carros da Marussia, mas também não conseguiu repetir o feito dali para frente. Largou em último e esteve na lanterna durante todo o tempo, até abandonar com os mesmos problemas de freios de Pedro de la Rosa.

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