Qualquer pretexto para se colocar uma foto da Hispania é um bom pretexto

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Só pra dar um pouco de emoção à vida, o alemão teve algumas de dificuldades. Na sexta-feira, perdeu constantemente para Mark Webber nos treinos livres. No sábado, ficou dois décimos atrás na briga pela pole. No domingo, sucumbiu à excepcional largada de Fernando Alonso. Mas nada isso foi páreo para impedir sua quarta vitória. Dessa vez, o segredo foi antecipar suas duas primeiras paradas, o que o permitiu ter caminho livre para deixar os adversários para trás após suas paradas. E segurar Lewis Hamilton no final foi fundamental. Vitória construída, talvez a melhor do ano até aqui. Yabadabadoo!

LEWIS HAMILTON9,5 – Grande corrida. Largou em um terceiro lugar absolutamente esperado para seu carro, mas também deu o que falar na corrida. Tentou fazer uma parada a menos, mas não conseguiu. No entanto, tinha pneus em relativo bom estado no final e conseguiu ameaçar a vitória de Vettel. Não conseguiu vencer, mas não deixou de ser um dos astros da corrida.

JENSON BUTTON8,5 – De onde ele veio? Fez o quinto tempo no treino oficial, largou pessimamente mal e fechou a primeira volta em décimo. Depois, apostou em uma estratégia de apenas três paradas e conseguiu se dar bem, poupando tempo e galgando posições. Destacou-se por ter ultrapassado Alonso e Webber em uma única volta, tendo pneus em melhor estado. No fim, terminou em terceiro lugar. É o rei desse tipo de atuação misteriosa.

MARK WEBBER5,5 – Muito bem em todos os treinos, fez sua primeira pole-position no ano, mas seu bom fim de semana acabou aí. Largou mal, perdeu duas posições na primeira curva e nunca mais conseguiu brigar pela vitória. Passou boa parte da corrida engalfinhado com Fernando Alonso, com direito a confusão nos pits. Terminou fora do pódio e jogou mais uma boa oportunidade no lixo.

FERNANDO ALONSO9,5 – Se tivesse vencido a corrida, ganharia um onze. Fernando iniciou sua série de milagres ao fazer uma volta incrível no Q3 da classificação, tomando o quarto lugar de Button. Largou muitíssimo bem e tomou a liderança na primeira volta, ficando por lá durante as primeiras voltas. Depois, sucumbiu ao mau trabalho da Ferrari nos pits e perdeu a ponta para Vettel. Com pneus duros, seu carro passou a se comportar mal e até mesmo o pódio se tornou impossível. Ainda assim, não há como não ter admirado seu início de corrida.

MICHAEL SCHUMACHER8 – Trabalho digníssimo na corrida. No treino oficial, sequer marcou volta no Q3 e ficou em décimo. Seu bom resultado começou com a costumeira ótima largada, que lhe deu quatro posições. Depois, andou com prudência e conseguiu se manter à frente de Rosberg durante todo o tempo, mesmo tendo de poupar pneus para manter a estratégia de três paradas. Melhor resultado do ano até aqui.

NICO ROSBERG6,5 – O que mais me irrita nele é sua extrema previsibilidade. Ele largou em sétimo e terminou em sétimo, sem ameaçar Schumacher a qualquer momento. Alegou ter problemas no rádio e na asa traseira, o que é compreensível, mas não ajuda a melhorar sua imagem de piloto pouco criativo e improvisador. Numa prova com tantos destaques, não há muito o que falar dele.

NICK HEIDFELD8,5 – É outro especialista em recuperações fulminantes e misteriosas. No último treino livre, seu carro virou uma fogueira de São João e impediu que ele participasse do treino oficial, sendo obrigado a largar em último. A partir daí, só alegria. Largou com pneus duros, conseguiu atrasar sua primeira parada, fez uma troca de pneus a menos e utilizou seus bons pneus macios para passar um por um na parte final. Conseguiu terminar em oitavo, a poucos metros das duas Mercedes.

SERGIO PÉREZ8 – Fez seus primeiros pontos do ano em uma corrida competentíssima. Foi melhor que Kobayashi no treino oficial, adiantou sua primeira parada e fez dois stints longuíssimos durante a prova. No fim, tinha pneus macios em bom estado e estava competitivo no final, tendo terminado à frente do badalado companheiro japonês. E o Galvão deveria falar menos merda sobre ele.

KAMUI KOBAYASHI7 – Largou atrás do companheiro e ainda foi tocado na primeira volta, tendo de parar nos pits para trocar um pneu furado. Depois, assim como o companheiro, insistiu em períodos longos com seus jogos de pneus e conseguiu fazer apenas três paradas. Ficou atrás de Pérez, mas fez uma competente corrida de recuperação e marcou o último ponto.

VITALY PETROV6 – Fez um bom início de corrida, mas só se complicou depois. Bom sexto colocado no treino oficial, o russo largou bem e chegou a andar em quarto no começo. Seu maior problema foi ter escolhido andar com pneus macios logo no começo. No fim, teve de se arrastar com pneus duros e acabou terminando fora dos pontos.

PAUL DI RESTA5,5 – Não foi mal, mas esteve longe de brilhar como nas etapas anteriores. Sua equipe decidiu sacrificar o treino oficial para poupar um jogo de pneus, mas o escocês ainda conseguiu superar com folga seu companheiro Adrian Sutil no Q2. Na corrida, Paul largou bem e conseguiu manter um ritmo aceitável. Assim como Petrov, errou ao deixar os pneus duros para o final. Mas terminou à frente de Sutil novamente.

ADRIAN SUTIL4 – Vive um inferno astral na vida, tendo de responder a um processo criminal por agressão e ainda levando surra do companheiro novato. Largou atrás dele e sempre andou bem atrás durante toda a prova, só se aproximando no final por ter pneus em condições bem melhores. E os pontos ficaram nos sonhos, é claro.

SÉBASTIEN BUEMI5 – Corrida honesta, o que não necessariamente põe mesa. Sébastien andou bem no treino oficial e fez uma ótima largada, chegando a fechar a primeira volta em nono. Depois, só se aproximou dos pontos quando pilotos mais à frente faziam suas paradas. Perdeu tempo com a estratégia equivocada de deixar os pneus duros para o final. Ainda assim, ficou bem à frente de Alguersuari mais uma vez.

PASTOR MALDONADO5 – É até estranho dizer isso para um piloto da Williams, mas fez uma corrida boa, até. Destaque do treino oficial, conseguiu colocar um carro de sua equipe pela primeira vez no Q3 neste ano e saiu em um bom nono lugar. Foi seu último bom momento. Na corrida, largou mal, fez quatro paradas e teve de usar pneus duros após as duas últimas. Por isso, a grande perda de posições. Só que a fase da Williams é tão ruim que este 15º é simplesmente a melhor posição obtida pela equipe até aqui.

JAIME ALGUERSUARI3 – Nos dias de hoje, não vejo algo bom em um piloto que termina atrás de um Williams dirigindo um Toro Rosso. Jaime ficou bem atrás do companheiro Buemi no treino oficial e ainda optou pela pior estratégia possível na corrida, a de quatro paradas com colocação de pneus duros nas duas últimas. Por isso, a má posição.

RUBENS BARRICHELLO1 – Sofreu com os recorrentes problemas de câmbio  durante os treinos e acabou conseguindo a proeza de ficar atrás das duas Lotus no treino oficial. Na corrida, chegou a perder uma posição para um Hispania na largada, parou quatro vezes e nunca esteve sequer entre os quinze primeiros. Uma de suas piores corridas na vida. Para alguém que já largou mais de 300 vezes, algo bem ruim.

JARNO TRULLI7 – Não me lembro de corrida tão boa do piloto italiano na Lotus. No treino oficial, fez um bom 18º tempo, à frente do Williams de Barrichello. Na corrida, largou muitíssimo bem e chegou a ocupar a oitava posição durante a primeira rodada de paradas. Depois, esteve sempre misturado com o meio do pelotão. Terminou atrás somente porque seu carro ainda é bem fraco. Mas os avanços são inegáveis.

TIMO GLOCK3 – Dessa vez, teve um fim de semana um pouco melhor. Largou à frente de D’Ambrosio e terminou à sua frente. Ainda assim, andou atrás do Hispania de Liuzzi durante um bom tempo. Depois da depressão, a resignação, um sentimento perigosíssimo para um jovem piloto de Fórmula 1.

JERÔME D’AMBROSIO3 – Fez a lição de casa, mas nada além disso. No treino oficial, conseguiu ficar atrás dos dois carros da Hispania. Na corrida, ficou à frente de Karthikeyan e teve de se virar com pneus ruins no final. Pelo menos, terminou.

NARAIN KARTHIKEYAN4 – Honestamente, acho que vem fazendo um trabalho acima das minhas expectativas, que não eram muitas. Nos treinos livres, chegou a ficar à frente de Liuzzi. No treino oficial, ficou a apenas um décimo dele. Na corrida, largou mal, mas foi o único piloto da Hispania a conseguir levar o inguiável F111 até a bandeirada.

FELIPE MASSA2,5 – Estranhamente, foi o piloto que mais sofreu com os pneus nesta corrida. No final, pouco antes de abandonar com o câmbio quebrado, chegou a rodar após uma freada. Foi a cereja do bolo de um fim de semana discreto, marcado pelo oitavo lugar no grid e por um início sem brilho. De quebra, a estratégia de quatro paradas e o uso dos pneus macios no início se mostraram ineficientes.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – O finlandês foi a grande atração do início do treino oficial, já que conseguiu superar a dupla da Force India e um Williams. Na corrida, largou muitíssimo bem e chegou a andar nos pontos em algumas poucas voltas. Depois, na parte final, começou a ter problemas com pneus, escapou na curva 4 e bateu. É seu segundo acidente neste circuito.

VITANTONIO LIUZZI5 – Apareceu bem no começo, quando largou muitíssimo bem e andou durante um bom tempo à frente dos dois carros da Virgin. Depois, começou a ter problemas de câmbio e foi o primeiro piloto a abandonar. Levando em conta a desgraça do comportamento de seu carro, fez um bom fim de semana. Vem mostrando bem mais talento aqui do que na Force India.

RED BULL10 – O que há de negativo para falar sobrea equipe? A calvície precoce do Christian Horner, o sorriso do Sebastian Vettel ou a habilidade do Mark Webber para conduzir bicicletas? O caso é que a equipe levou mais uma dobradinha para casa: Sebastian Vettel fez o de sempre e Mark Webber tomou a segunda posição de Alonso no final. O carro é bom e o alemão faz o que quer. Enfim, tudo literalmente azul.

FERRARI 6 – Vou te falar uma coisa: quando não caga na entrada, caga na saída. A escuderia não faz um carro bom para os treinamentos, mas também não anda fazendo um trabalho decente na corrida, que é o momento no qual o carro melhora. Felipe Massa perdeu tempo em três de suas quatro paradas e se deu mal. Fernando Alonso também teve problemas nos pits e só andou lá na frente porque o cara é bota. De quebra, o chefe Stefano Domenicali indiretamente atribuiu a culpa do resultado de Massa ao próprio piloto. Ridícula, a Ferrari comandada por italianos.

MCLAREN7 – É outra que, em menor quantidade, também cometeu suas besteiras. A estratégia de apenas três paradas não funcionou com Jenson Button e o britânico terminou apenas em sexto. Lewis Hamilton fez lá suas próprias bobagens, mas foi prejudicado em um de seus pit-stops. Além disso, as disputas renhidas entre os dois pilotos no início da corrida devem ter deixado Martin Whitmarsh e amigos de cabelo em pé. Fim de semana meia-boca.

MERCEDES7,5 – Pelo visto, foi a equipe que mais avançou de Shanghai para cá. Nico Rosberg e Michael Schumacher andaram bem na sexta-feira, mas apenas o primeiro teve um fim de semana satisfatório. Enquanto Rosberg largava em terceiro e andava lá na frente, Schumacher só levava ultrapassagem de gente com carro pior. As coisas estão ficando negras para ele. Quanto à Mercedes, o de sempre, embora o carro realmente tenha melhorado.

RENAULT7 – Algo me diz que o clima na equipe só tende a piorar daqui para frente. Nick Heidfeld e Vitaly Petrov, que estão se engalfinhando com incômoda frequência, se acharam no meio do caminho em duas ocasiões. Ambos marcaram pontos, mas Heidfeld estava bem incomodado com o russo, que esteve mais agressivo que a média.

TORO ROSSO7,5 – Por alguma razão, o STR6 se comportou muito bem com a estratégia de três paradas, ao contrário do que aconteceu com as demais equipes. Sébastien Buemi foi um dos melhores pilotos da corrida, fez ultrapassagens e chegou a andar em sétimo. Infelizmente, Jaime Alguersuari não conseguiu acompanhar o companheiro suíço. Bom fim de semana.

SAUBER6 – O sistema de combustível do C30 ferrou a vida de Kamui Kobayashi no treino oficial, o que o deixou lá atrás. Só que o japonês, que corre com sangue nos olhos, fez uma belíssima corrida de recuperação e marcou um ponto. Quem não foi bem foi o companheiro Sérgio Perez, que não estava rápido e se envolveu em um acidente com Maldonado na primeira volta. A Sauber tem a dupla mais explosiva do grid – para o bem e para o mal.

FORCE INDIA3,5 – Como vem sendo o padrão nesta temporada, apareceu em Istambul como uma típica equipe entediante do meio do grid. Nem Adrian Sutil e nem Paul di Resta puderam andar lá entre os dez primeiros, e o escocês ainda foi o único piloto a largar e abandonar a corrida.

WILLIAMS2,5 – Rubens Barrichello e Pastor Maldonado fizeram milagre no treino oficial ao largarem, respectivamente, em 11º e em 14º. Só que ambos só perderam posições durante a corrida. O brasileiro ainda teve problemas com KERS. E o venezuelano não fez nada, como sempre. Uma tristeza.

LOTUS4 – Silenciosamente, a equipe avança e se aproxima de concorrentes mais experientes. Heikki Kovalainen e Jarno Trulli nunca foram ameaçados pelas suas duas rivais mais próximas e ambos chegaram a ganhar posições de equipes mais fortes no início da corrida. Os dois terminaram, com Trulli à frente de Kovalainen.

VIRGIN1,5 – Quem salvou o fim de semana da equipe foi o novato Jerôme D’Ambrosio, que bateu Timo Glock no treino oficial e terminou a corrida. O alemão foi muito mal no treino e sequer largou, vítima de problemas no câmbio. E a equipe é ruim demais, caramba.

HISPANIA4,5 -No treino oficial, Vitantonio Liuzzi conseguiu a proeza de deixar o Virgin de Glock para trás. Na corrida, tanto o italiano como Narain Karthikeyan conseguiram chegar ao final sem problemas. Pelo orçamento e cronograma apertados que os espanhóis possuem, o trabalho realizado vem sendo bem mais digno que o da Virgin.

TRANSMISSÃOTIN, TIN, TIN! – Onomatopeias são figuras de linguagem das mais estranhas que existem. O ato de reproduzir um determinado som não-humano é sempre minimamente bizarro e pode ficar ainda pior se feito em plena transmissão esportiva por um narrador experiente com voz consagrada. E o negócio piora ainda mais se o tal narrador está imitando a onomatopeia de outra pessoa. Pois foi isso que Galvão Bueno fez quando quis imitar Rubens Barrichello descrevendo o ruído que o seu FW33 fazia quando o piloto passava pela curva oito. “Eu vou tentar fazer aqui o ruído do Rubinho fazendo como é que ele fazia a curva oito ontem: ‘eu jogava para zebra e o carro fazia TIN TIN TIN TIN TIN’ e a cabeça puxava para o lado e o carro ia para o outro e vinha outra zebra e TIN TIN TIN TIN’”. Surreal. Galvão fazendo imitações é uma das coisas mais engraçadas que existem.

CORRIDADIVERSÃO PURA – Istambul é um circuito dos mais legais do planeta, talvez a obra-prima do subestimadíssimo arquiteto Hermann Tilke. A pista é larga e veloz o suficiente para proporcionar muitas ultrapassagens, e foi exatamente isso que aconteceu. As brigas foram intensas do início ao fim e houve até mesmo três carros dividindo a mesma curva (Schumacher, Alguersuari e Massa entrando juntos na curva 14). Alguns pilotos, como Kobayashi e Buemi, saíram lá de trás e ganharam posições com estratégias arriscadas e muitas ultrapassagens. E o vencedor deu um show de pilotagem. Enfim, foi tudo muito legal. Só que eu dormi da metade para o final. Isso que dá ficar em camarote de show cujo interesse seu é nulo até quatro da matina.

GP2EXCELENTE INÍCIO – Ah, a GP2, minha categoria de monopostos preferida atualmente. As quatro corridas da GP2 Asia foram um lixo e eu não estava muito esperançoso sobre esta primeira etapa em Istambul. Felizmente, meu pessimismo estava equivocado e tivemos duas excelentes corridas no território turco. Na primeira, Romain Grosjean fez o que quis e venceu de ponta a ponta, seguido por um arrojado Sam Bird e por Jules Bianchi. O destaque maior fica para o acidente de Fabio Leimer, que catapultou por sobre o carro de Max Chilton e deu umas piruetas até cair na área de escape. Na segunda corrida, o monegasco Stefano Coletti fez outra ótima apresentação e venceu a corrida. Destaque para outro acidente, entre Davide Rigon e Julian Leal, que deixou o italiano com fraturas em uma perna. O baiano Luiz Razia marcou alguns pontos, mas não deverá ter um ano fácil. O saldo começou positivo.

SEBASTIAN VETTEL10 – Mais um nocaute, e os concorrentes choram. O alemão começou mal o fim de semana, estourando o carro no primeiro treino de sexta e ficando de fora no segundo. O mau momento, no entanto, acabou aí. No sábado, pole-position fácil. Na corrida, mais um domínio clínico, assustador e humilhante sobre a concorrência. Não dá mais. Salvo uma mudança na posição dos astros, é caso para entregar o caneco e mandá-lo para casa.

MARK WEBBER8 – Fez corrida condizente com sua posição de segundo piloto da melhor equipe da Fórmula 1 atualmente. Obteve o segundo tempo no treino oficial, largou clamorosamente mal e teve carro para ultrapassar Rosberg no início e Alonso no final, embora tenha levado uma ultrapassagem do espanhol na volta 28. O segundo lugar é bom, mas é forte a impressão de que o carro número dois está sendo subutilizado.

FERNANDO ALONSO9,5 – Fez sua melhor corrida desde há muito tempo, e provavelmente sua melhor corrida neste circuito. Apesar de ter largado em um discreto quinto lugar, o asturiano se aproveitou do bom desempenho do 150th Italia em corrida para largar bem, ganhar a posição de Rosberg no início e se manter à frente de Webber durante boa parte da prova. No fim, ficou sem pneus e perdeu o segundo lugar para o australiano. Ainda assim, ótimo domingo.

LEWIS HAMILTON6,5 – Não teve um fim de semana fácil. No treino oficial, não ficou feliz em ter de largar em quarto. Na primeira volta da corrida, errou uma curva e perdeu duas posições. Depois, perdeu algum tempo na briga doméstica contra Button. No terceiro pit-stop, a equipe se complicou com um dos pneus e o inglês acabou perdendo muito tempo. Ao menos, seu ritmo estava bom no fim da corrida. Diante disso, o quarto lugar é um resultado positivo.

NICO ROSBERG7,5 – Parecia ter um carro muito bom na sexta-feira, quando foi um dos destaques. No sábado, marcou um ótimo terceiro lugar e parecia ser o melhor piloto fora da panelinha da Red Bull. A corrida, no entanto, não correspondeu às expectativas. Apesar de ter largado bem, Rosberg não teve carro para se manter à frente de adversários em melhores condições e perdeu posições no decorrer da corrida. Teve um bom duelo com Felipe Massa, mas acabou derrotado na disputa. No fim, o quinto lugar foi decepcionante para alguém com prognósticos tão bons.

JENSON BUTTON6 – Apesar de ter sido o único piloto, além de Vettel, a ter conseguido liderar ao menos uma volta na corrida, Jenson esteve longe de ter tido um bom fim de semana. Seu melhor momento foi ter liderado o segundo treino de sexta-feira. No sábado, fez apenas o sexto tempo na classificação. Na corrida, chamou a atenção na primeira parte por ter protagonizado um belo duelo com seu companheiro Hamilton. Apostou em uma estratégia de três paradas e se deu mal, perdendo desempenho em vários momentos. Magro sexto lugar.

NICK HEIDFELD6 – Nem sei se mereceu terminar em sétimo. Ficou atrás de Petrov durante quase todo o fim de semana, só terminando à sua frente por ter um carro mais rápido no final da corrida. No treino oficial, insistiu na estúpida estratégia de fazer sua volta rápida apenas no final, o que quase o deixou de fora do Q3. Na corrida, quase bateu com Petrov na primeira volta e foi empurrado para fora pelo russo algum tempo depois, o que o deixou puto com o russo. Depois disso, só ficou na sua e amealhou mais alguns bons pontos.

VITALY PETROV7 – Ao contrário do apático companheiro, o russo brilhou bem mais sem, no entanto, conseguir um resultado melhor. Sempre agressivo, conseguiu um interessante sétimo lugar no grid em uma pista na qual ele anda bem desde os tempos de GP2. Na corrida, se meteu em encrencas com o companheiro Heidfeld e com Michael Schumacher. Mesmo assim, sempre esteve rápido e levou mais três pontos para casa. Avança a passos largos na Fórmula 1.

SÉBASTIEN BUEMI8,5 – Estou gostando de ver. Apesar de não ter ido bem no treino oficial, Buemi se superou e fez talvez uma das grandes atuações do fim de semana. Apostou em uma estratégia de três paradas e foi o que se deu melhor com isso. Além disso, esteve combativo e fez algumas boas ultrapassagens durante a prova. No fim, perdeu o sétimo lugar porque seu carro começou a apresentar trepidações. Ainda assim, fez mais uma corrida que poderá salvá-lo na Toro Rosso. E, quem sabe, projetá-lo à Red Bull.

KAMUI KOBAYASHI8,5 – Esse cara é um doido de pedra. E as adversidades só servem para tentar complicar um pouco sua vida, algo que nem sempre ocorre. No treino oficial, teve um problema de sistema de combustível no Q1 e acabou tendo de largar lá atrás. Na corrida, ao contrário da maioria dos oponentes, escolheu a estratégia de três paradas e partiu para o tudo o nada. Fez um monte de ultrapassagens, sendo a melhor uma suicida sobre Schumacher na curva 12. Pontinho milagroso e merecido para o verdadeiro showman da Fórmula 1 atual.

FELIPE MASSA5,5 – Difícil julgar, já que alternou momentos ótimos, ultrapassagens, erros e azares. Desistiu de fazer tempo no Q3 porque havia errado em sua única tentativa e preferiu poupar pneus. Na corrida, esteve combativo e conseguiu fazer algumas boas ultrapassagens, com destaque para aquelas sobre os dois pilotos da Mercedes. Teve problemas em três dos seus quatro pit-stops, especialmente na terceira parada, quando um mecânico se complicou com o pneu traseiro direito. E o paulistano ainda escapou na curva 8 na parte final. Até acho que merecia ter marcado pontos, mas não aconteceu. De bom, o fato do Felipe Massa de hoje estar mais parecido com o de 2008 do que com o de 2010.

MICHAEL SCHUMACHER2,5 – É, tá feio o negócio para o heptacampeão.  Além de apanhar impiedosamente do companheiro, ele já não desperta respeito em mais ninguém e ainda é azarado pra caramba. No treino oficial, ficou cinco posições atrás de Rosberg. Na corrida, bateu com Petrov logo no começo e teve de trocar um bico. Apesar de ter ultrapassado pilotos com carros bem piores, sofreu bastante e até foi ultrapassado por carros inferiores ao Mercedes. Ele disse que cumprirá o contrato até o fim de 2012. Sei não…

ADRIAN SUTIL4 – Dessa vez, se deu melhor que o companheiro Di Resta, o que não significa muito. Bateu o escocês no treino oficial e até apareceu bem no início da corrida, mas as limitações de seu VJM04 e da estratégia de três paradas não permitiram lá grandes feitos. Pelo menos, disse ter se divertido na parte final. No fundo, isso é o que importa.

SERGIO PÉREZ2,5 – É um Kobayashi sem grife e sem muita sorte, o que não é algo tão grave. E não teve um bom fim de semana. Mal no treino oficial, o mexicano acabou com suas chances em um toque com Maldonado na primeira volta, o que o obrigou a trocar o bico de seu Sauber. A estratégia de três paradas permitiu que ele ganhasse algumas posições, mas o deixou lento em alguns momentos fundamentais. No fim, não dava pra esperar por pontos, mesmo.

RUBENS BARRICHELLO4,5 – No Q2 do treino oficial, fez uma volta excelente e quase foi para o grupo dos dez mais rápidos. Na corrida, conseguiu uma bela ultrapassagem sobre Schumacher no começo. Estes foram os melhores momentos de mais um fim de semana problemático, no qual o carro não teve um bom ritmo na corrida e o KERS não funcionou direito. E Rubens é outro velhinho que também está começando a pensar em aposentadoria.

JAIME ALGUERSUARI 3 – Mesmo fazendo as mesmas quatro paradas que a maioria do grid, não conseguiu acompanhar o ritmo do companheiro, que fez apenas três e andou com pneus ruins por mais tempo. Esse déficit para Buemi pôde ser visto desde o treino oficial e não mudou durante a corrida. E o espanhol deixou de marcar pontos em mais uma corrida. Se continuar assim, não vai durar muito tempo em sua equipe.

PASTOR MALDONADO2 – Está pagando os pecados pelos absurdos de seu mecenas, o ditador Hugo Chavez. Na sexta-feira, bateu em um dos treinos. No sábado, teve seu melhor momento ao fazer um razoável 14º lugar. Na corrida, bateu em Pérez na primeira volta e nunca conseguiu sequer sonhar com pontos. Terminou em último entre os pilotos das equipes estabelecidas. Se bem que, do jeito que está, é difícil ver a Williams como uma equipe estabelecida a longo prazo.

JARNO TRULLI4,5 – Nessa fase da carreira, seu único objetivo é bater o companheiro de equipe. Em Istambul, apesar de ter largado atrás, conseguiu. Poderia até ter ido melhor, mas teve problemas com pneus e decidiu suprimir um de seus quatro pit-stops. O que, talvez, nem deve ter mudado muita coisa.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Terminou atrás, mas fez um trabalho ligeiramente melhor que seu companheiro. No treino oficial, conseguiu um bom 18º lugar no grid. Na corrida, fez uma boa largada e teve algumas boas disputas lá atrás. Um problema hidráulico fez com que ele perdesse uma posição para Trulli no final. O curso do planeta não mudou por causa disso.

JERÔME D’AMBROSIO 6 – E não é que o belga está fazendo seu trabalho direitinho? No treino oficial, meteu cinco décimos em seu experiente companheiro e só largou em 23º porque havia sido punido. Na corrida, foi o único que apostou na estratégia de duas paradas e conseguiu se manter à frente da Hispania com facilidade. Na minha modesta opinião, o grande destaque do final do grid até aqui.

NARAIN KARTHIKEYAN4 – Um sujeito desses não tem muito com o que sonhar. No treino oficial, foi o mais lento entre todos que puderam marcar um tempo. Na corrida, apostou em uma estratégia de três paradas e se deu bem, deixando o companheiro Liuzzi para trás. Não errou e não fez nada de absurdo. Enfim, fez o dever de casa.

VITANTONIO LIUZZI4 – Também não tem muito com o que sonhar e reclamar. Foi bem no treino oficial, deixando o Virgin de Glock para trás. Na corrida, apostou em quatro paradas e, ainda assim, conseguiu ter problemas com os pneus dianteiros. A nota é esta pelo treino ter compensado a corrida.

PAUL DI RESTA3,5 – Foi o único piloto a abandonar durante a corrida, com um problema na roda. Até o momento do abandono, vinha fazendo uma corrida discreta, mas nunca esteve muito atrás do companheiro Sutil. Foi seu primeiro abandono da temporada até aqui, saldo satisfatório.

TIMO GLOCK0 – Está em seu pior momento na carreira. No treino oficial, conseguiu perder para o companheiro D’Ambrosio e para um Hispania. E nem participou da corrida, vítima de um problema no câmbio. Se não arranjar um lugar melhor no ano que vem, não consigo vê-lo sequer seguindo na Fórmula 1.

GP DA TURQUIA: É um mistério da humanidade. O circuito de Istambul é um dos melhores da temporada e talvez até mesmo um dos melhores do mundo: veloz, composto por várias curvas desafiadoras, largo e bom para ultrapassagens. A curva oito, um compêndio de quatro sucessivas curvas velozes à esquerda, é a mais complicada da Fórmula 1 atualmente. No entanto, nunca houve uma corrida de Fórmula 1 inesquecível por lá. No ano passado, até que houve um pouco mais de diversão, com os dois Red Bull batendo um no outro e os dois McLaren brigando pela vitória até o fim. Ainda assim, é um pista que nunca teve uma prova à sua altura. E a possibilidade de não haver corrida por lá no ano que vem é bem alta. Os turcos já se cansaram de gastar tanto por uma corrida de carros.

KERS: Tremei, Fórmula 1. Ontem, a Red Bull anunciou que resolveu seus problemas com o tal dispositivo de recuperação de energia. O consultor zarolho Helmut Marko anunciou que a equipe rubrotaurina passou a Páscoa testando alterações no sistema e, para desespero dos rivais, tudo deu certo. O veloz circuito de Istambul é um bom lugar para uma avant-première destas alterações. O que resta para a concorrência? Chorar. E esperar que os pneus Pirelli baguncem um pouco as coisas.

PURE: Propulsion Universelle et Recpueration d’Energie, ou simplesmente PURE. Isso, que parece ser simplesmente o nome de mais um KERS da vida, é a nova empresa do inglês Craig Pollock, amante de Jacques Villeneuve, criador da BAR na Fórmula 1 e da PK Racing na ChampCar. Em parceria com a Mecachrome, a PURE desenvolverá um motor para a nova Fórmula 1 de 2013, quando os V8 darão lugares a compactos, ecológicos e politicamente corretos 1.6 de quatro cilindros turbinados. Dizem que a primeira unidade já estará pronta para testes no final do ano. Pollock é um safado, um dos maiores filhos da puta da Fórmula 1 e eu recomendo total distância dele. A conferir.

RUPERT MURDOCH: Alô, você, leitor de esquerda: tenha medo. A Fórmula 1, que já se encontra nas mãos do supercapitalista Bernie Ecclestone, pode passar para as mãos de alguém ainda mais radical: o übercapitalista Rupert Murdoch, dono da News Corporation.  Para os que não conhecem muito esse negócio de mídia e política, Murdoch é o mandachuva da Fox, aquele canal que representa todos os corações pulsantes do Partido Republicano, do Tea Party e de todos os carolas Zé Buscapé do interiorzão yankee. Pra dizer a verdade, eu nem ligo muito, direitista reacionário que sou, até porque pouco mudará na prática. Murdoch só fará a categoria ter ainda mais cara de espetáculo bilionário do que já tem normalmente. O chato é que ele quer fazer sociedade com a investidora italiana Exor, ligada à Fiat, que é a dona da Ferrari. A categoria se tornaria mais “ferrarizada” do que ela já é. Aí, não.

GP2: Nesse fim de semana, começa a temporada 2011 da “rê-pê-dôs” europeia. Vinte e seis moleques disputarão as duas primeiras corridas do ano como preliminares do GP da Turquia de Fórmula 1. O grid está ótimo lá na frente e bastante meia-boca lá atrás, mas o nível das equipes é bem alto. O carro novo, inspirado no Hispania de Fórmula 1, pode até ser uma merda na hora de permitir ultrapassagens, mas os pneus Pirelli, que são os mesmos da Fórmula 1, podem ajudar. Tenho de apostar em algo? A briga pelo título fica entre o Jules Bianchi, o Romain Grosjean, o Giedo van der Garde, o Davide Valsecchi e o Sam Bird. Bianchi leva por ser o primeiro piloto da melhor equipe. O único brasileiro do grid é o baiano Luiz Razia, da equipe que quer mudar seu nome de Team Air Asia para Caterham. Não fique muito empolgado, no entanto. Apesar de Razia ser muito bom piloto, o companheiro Valsecchi andou bem melhor que ele até aqui.

MCLAREN 9 – Como principal adversária da Red Bull, não precisou de mais do que três corridas para aproveitar uma adversidade e transformá-la em sucesso. Lewis Hamilton se aproveitou do ótimo estado de seus pneus para arrancar em direção a uma bela vitória. Menos hábil no trato com a borracha nesta corrida, Jenson Button perdeu o pódio no final. Ainda assim, uma excelente corrida. A cada bobeada da Red Bull, a sombra da equipe inglesa aparecerá com mais força.

RED BULL8,5 – Ainda tem o melhor carro de longe, mas já provou que não é completamente imune a problemas. Sem o KERS, os pilotos apresentam dificuldades em momentos cruciais, como a largada. Não por acaso, Sebastian Vettel começou a perder a corrida na péssima largada, na qual perdeu duas posições. Depois, com problemas de pneus, perdeu a vitória no fim. Já Mark Webber se deu bem com os pneus macios no final e se desembestou a ganhar posições. Pela primeira vez, os dois chegaram ao pódio. Muito pouco pra uma equipe que tem um carro para dobradinhas.

MERCEDES8,5 – Tinha um carro muito bom para essa etapa, e os dois pilotos se deram muito bem. Nico Rosberg andou bem nos treinos e chegou a liderar a corrida, só ficando para trás por uma série de problemas. Michael Schumacher também esteve bem e terminou em oitavo. A equipe parece avançar aos poucos, mas ainda precisa dar um salto maior se quiser desafiar a Ferrari.

FERRARI6,5 – A imprensa italiana está desolada. Os fãs choram afogados em vinho e molho ao sugo. Os dois carros da Ferrari ficaram distantes da vitória e a equipe começa a se desesperar. Felipe Massa, pela segunda vez seguida, se saiu melhor, esteve combativo e chegou a liderar. Fernando Alonso não fez nada de muito relevante. Apesar da melhora do brasileiro, ninguém na equipe está satisfeito. E quando a crise bate à porta de Maranello, as coisas desandam ainda mais.

RENAULT3 – A equipe insiste, por algum motivo escuso, na estupidez de mandar os pilotos para a pista nos últimos minutos de cada sessão do treino oficial. Com isso, os dois pilotos se dão mal. Para piorar, Vitaly Petrov quebrou o Renault no Q2, estacionou o carro no meio da pista e causou uma bandeira vermelha. Na corrida, nem ele e nem Nick Heidfeld fizeram nada de relevante, apesar da qualidade do carro. Petrov ainda marcou dois pontos, mas ninguém ficou muito feliz.

SAUBER4,5 – Os dois pilotos se envolveram nas pequenas bobagens de sempre e prejudicaram suas corridas devido a isso. Kamui Kobayashi abriu um buraco no bico de seu carro após um toque e Sergio Perez acertou o pobre Adrian Sutil. Foram os pontos baixos de um fim de semana que não foi brilhante, mas também esteve longe de ser ruim. E a equipe marcou um ponto com o décimo lugar de Kobayashi. Nada digno de aplausos.

FORCE INDIA4 – Esteve melhor nos treinos do que na corrida, e não marcou pontos por pouco. O novato Paul di Resta voltou a andar melhor que Adrian Sutil, o que complica um pouco a imagem do alemão. O carro esteve aquela coisa mediana de sempre, mas os pneus não facilitaram a vida de nenhum dos dois. Sutil ainda foi acertado por Sergio Perez, o que o derrubou ainda mais. Enfim, mais um fim de semana como outros.

WILLIAMS1 – O buraco é bem fundo, mas nada que não pode ser piorado. O carro não melhora e o avanço dos adversários ameaça mandar a Williams para o fundão do grid definitivamente. Rubens Barrichello e Pastor Maldonado conseguiram terminar a corrida pela primeira vez no ano, mas, fora isso, nada mais deu certo. Maldonado até ficou atrás do Lotus de Kovalainen. É o pior ano da equipe desde que Frank Williams saiu do fundo do grid nos anos 70.

TORO ROSSO1,5 – A equipe jogou no lixo sua melhor oportunidade ao não colocar corretamente o pneu traseiro direito no carro de Jaime Alguersuari em sua primeira parada. O espanhol acabou abandonando a prova com um pneu a menos, caso único de abandono na corrida. Sebastien Buemi terminou bem longe dos pontos. Péssima corrida para uma dupla que havia conseguido largar entre os dez primeiros.

LOTUS6,5 -A equipe anglomalaia avança lentamente, mas avança. Heikki Kovalainen fez uma ótima prova e terminou à frente de um Sauber e de um Williams. Jarno Trulli também terminou a corrida, feito notável para alguém que sempre está abandonando. E o finlandês ainda conseguiu colocar uma volta nos adversários da Virgin e da Hispania. Se as coisas continuarem avançando dessa forma, a Williams que se cuide.

VIRGIN3,5 – Não sai daquele patamar, de equipe que apanha da Lotus mas que não tem grandes dificuldades para bater a Hispania. A novidade foi a ótima atuação de Jerôme d’Ambrosio, que andou melhor que Timo Glock no treino oficial e na corrida. O alemão está desmotivado com um carro tão ruim. De fato, o VR02 é lamentável. Se não houver alguma mudança, a Hispania tenderá a se aproximar mais.

HISPANIA 4,5 – Pela primeira vez, os dois carros terminaram. E Narain Karthikeyan conseguiu o feito de completar a corrida com uma única parada, o que mostra que o carro pode ser uma carroça, mas pelo menos não gasta muito pneu. Vitantonio Liuzzi tentou o mesmo, mas não teve sucesso. Ainda assim, os dois chegaram ao fim. Se as novidades prometidas para a corrida turca realmente derem certo, a equipe poderá até dar um enorme salto… à 11ª fila do grid.

CORRIDALEGAL, MAS O HORÁRIO… – Fiquei acordado até tarde esperando esta porcaria começar. Quando começou, o sono até que não estava forte. Na vigésima volta, eu estava piscando e torcendo para que aquela corrida acabasse logo. Na trigésima, já estava quase em coma. Daí para frente, sono REM de ótima qualidade. Pena, pois perdi um ótimo final de corrida. A primeira metade foi boa, mas a segunda parece ter sido melhor, com carros com pneus em bom estado deixando impiedosamente para trás carros com pneus em estado de petição. As ultrapassagens foram várias e nada menos que seis pilotos ocuparam a liderança em algum momento. Enfim, foi ótimo. Mas ver corrida às cinco da matina do domingo não dá…

TRANSMISSÃOALGO ACONTECEU? – Não vi o treino oficial e vi apenas metade da corrida. Logo, não dá pra comentar muito sobre a atuação do trio global. Dizem que Galvão Bueno estava muito mais impressionado com o sexto lugar aguerrido de Massa do que com a vitória de Hamilton. Vindo de quem vem, normal. No mais, realmente não tenho como comentar muito sobre o que aconteceu. Estou começando a achar que a Globo faria melhor se transmitisse um VT na íntegra das corridas asiáticas às nove da manhã. Duvido que ela teria menos audiência por isso.

LEWIS HAMILTON 9,5 – Começou comendo quieto pelas beiradas, largando atrás do companheiro e ficando atrás dele no começo. Seu carro havia apresentado um indesejabilíssimo vazamento de combustível e ninguém lá na McLaren acreditava que ele pudesse chegar até o final. Mas chegou, e voando. Com pneus em melhores condições na segunda metade da corrida, Lewis passou um bocado de gente e partiu para sua primeira vitória desde Spa no ano passado.

SEBASTIAN VETTEL8 – Humilhou os colegas ao fazer sua pole-position em apenas uma volta no Q3, mas sua felicidade acabou por aí. Largou mal e, com isso, decidiu reduzir o número de paradas para duas de modo a não perder tempo. A princípio, a mudança até funcionou, mas o alemão se encontrou sem pneus na parte final. Com isso, foi engolido por Hamilton a cinco voltas do fim e teve de se contentar com o segundo lugar.

MARK WEBBER6 – Da água da privada para um Château Petrus, o australiano foi a vergonha do fim de semana até a primeira metade da corrida e a grande atração da segunda metade. No treino oficial, saiu coberto de paus e pedras após conseguir a proeza de sobrar no Q1 com um RB7. Na corrida, ficou preso no tráfego logo no começo, tomou uma ultrapassagem humilhante de Sergio Perez e desgastou demais os pneus duros. Com os macios, as coisas se inverteram e Webber saiu ganhando posições feito um louco no final. Terminou em terceiro, mas poderia ter vencido se houvesse mais umas três ou quatro voltas. Ainda assim, só ganhou nota acima da média pelo final espetacular.

JENSON BUTTON7 – Com a segunda posição obtida no treino classificatório, poderia sonhar com um grande resultado. Jenson largou bem e tomou a liderança na primeira curva, ficando por lá nas primeiras voltas. Depois, as coisas começaram a desandar. Primeiramente, ele conseguiu o feito de quase parar nos boxes da Red Bull, perdendo um bom tempo e uma posição para Vettel. Depois, teve problemas para administrar o consumo de pneus e perdeu o pódio para Webber no final da corrida. Ao contrário do australiano, ganha a nota pelo início do fim de semana.

NICO ROSBERG8,5 – Sem dúvida, um dos grandes destaques no fim de semana. Muito bem nos treinos, conseguiu uma ótima quarta posição no grid de largada. Na corrida, após quase tomar o terceiro lugar de Vettel na primeira curva, apostou em parar mais cedo para não pegar tráfego no retorno e assumiu a liderança de maneira notável. Após a segunda parada, no entanto, seu carro começou a ter problemas nos pneus, nos freios e no consumo de combustível. E ele acabou terminando em quinto. Injusto, pra dizer a verdade.

FELIPE MASSA 7,5 – Outra boa corrida, talvez até melhor que a prova malaia. Largou imediatamente atrás de Alonso, mas ultrapassou o espanhol na primeira curva. Depois, manteve um bom desempenho, chegando a ultrapassar Hamilton e a assumir a liderança por alguns instantes. Mas a estratégia de fazer uma parada a menos deu errado e o brasileiro perdeu várias posições no final. Ainda assim, saldo positivo.

FERNANDO ALONSO5,5 – Para alguém que se supõe candidato ao título, fim de semana de bosta, acompanhando a mediocridade de seu carro. Razoável no treino oficial, perdeu uma posição para o companheiro Massa e ficou preso atrás dele no começo. Depois de sua primeira parada, ainda perdeu mais tempo atrás de Schumacher. E como sua estratégia também era a de duas paradas, o asturiano ainda perdeu mais tempo com os pneus desgastados no final da corrida. Sétimo lugar magérrimo.

MICHAEL SCHUMACHER6,5 – Aproveitando o bom de fim de semana da Mercedes na China, o heptacampeão também foi bem. No treino oficial, vacilou ao demorar para marcar um tempo competitivo no Q2 e se ferrou com a bandeira vermelha de Petrov, tendo de largar em 14º. Na corrida, ganhou cinco posições na largada e esteve sempre competitivo no meio do pelotão. Segurou Alonso por um bom tempo e conseguiu terminar em um bom oitavo lugar. Para o novo Schumacher, muito bom.

VITALY PETROV5 – Foi o malandrão dos treinos ao estacionar o carro no meio da pista no Q2, o que causou a interrupção do treino e prejudicou muitos adversários diretos seus. Na corrida, largou mal e não brilhou em momento algum. De quebra, ainda errou ao escolher a estratégia de duas paradas. Sabe-se lá como, terminou em nono.

KAMUI KOBAYASHI 5 – Fim de semana praticamente normal para um cara sempre fora dos padrões. No treino oficial, ficou uma posição atrás de Perez. Na corrida, foi prejudicado por um toque que abriu um pequeno rombo no bico de seu Sauber. No final, estava sem pneus, mas conseguiu ultrapassar Paul di Resta para pegar o último ponto da corrida.

PAUL DI RESTA7 – Um dos destaque do treino oficial, obteve um ótimo oitavo lugar no grid de largada. Largou bem e tinha boas chances de conseguir terminar em sétimo ou oitavo, mas a estratégia de parar apenas duas vezes o deixou em maus lençóis no final da prova. Uma pena ter deixado de marcar pontos pela terceira vez seguida.

NICK HEIDFELD 1,5 – Fez tudo errado e ainda não teve sorte, assim como em Melbourne. Na classificação, deixou para fazer sua volta nos últimos minutos e se deu muito mal com a bandeira vermelha de Petrov, ficando de fora do Q3. Na corrida, largou mal e ficou preso no meio do grid. Com o KERS quebrado, não conseguiu se recuperar. De quebra, ainda escolheu a errônea estratégia de duas paradas e ficou de fora dos pontos. Péssimo fim de semana.

RUBENS BARRICHELLO4 – O FW33 está ruim demais, e Rubens se desdobra para conseguir extrair algo a mais, mas está sendo quase impossível. Mal nos treinos novamente, o brasileiro se arrastou na corrida com um carro lento e uma equivocada estratégia de duas paradas. Seu 13º até lhe surpreendeu positivamente, já que a expectativa era terminar duas posições abaixo.

SEBASTIEN BUEMI3,5 – Só não leva menos por ter ido bem no treino oficial – embora tenha ficado atrás de Alguersuari. Na corrida, largou mal e não conseguiu se recuperar. De quebra, além de ter escolhido erradamente fazer duas paradas, teve de parar para uma terceira para trocar o bico. Como consolação, se é que isso vale alguma coisa, foi o único piloto de sua equipe a chegar ao final.

ADRIAN SUTIL4 – E o Sutil, cadê ele? Levou do novato Di Resta pela terceira vez consecutiva, e dessa vez a distância entre eles foi até maior. Não foi mal no treino oficial e até largou bem, mas teve problemas com os pneus e ainda foi atingido por Perez. Não fosse tudo isso e ele até poderia ter terminado entre os dez primeiros, mas está na hora de começar a acelerar um pouco mais. A surra que o alemão deu em Christijan Albers em 2007 poderá se voltar contra ele próprio nesse ano.

HEIKKI KOVALAINEN8 – Certamente, o grande destaque entre os pilotos de trás. Além de ter sido o mais rápido entre as nanicas no treino oficial, o finlandês deu show na corrida. Largou bem, deixou o Williams de Pastor Maldonado para trás e ganhou mais uma posição do punido Perez. Terminou à frente de sete carros, algo inédito em sua passagem pela Lotus.

SERGIO PÉREZ3,5 – Ando tendo a impressão de que será um ímã de problemas nessa temporada. Na corrida chinesa, o mexicano bateu em Sutil, arranjou problemas para os dois pilotos e tomou uma punição pela gracinha. Até então, não vinha fazendo um grande fim de semana, embora tenha superado Kobayashi na classificação e tenha optado pela boa estratégia de três paradas. Terminar atrás da Lotus não estava nos planos.

PASTOR MALDONADO2,5 – Outro fim de semana terrível. Acompanhando o péssimo ritmo de seu carro, foi muito mal nos treinos. Na corrida, mesmo fazendo três paradas, nunca teve carro para sequer sonhar em avançar algumas posições. Tomou ultrapassagem da Lotus do Kovalainen e não conseguiu se recuperar. De bom, apenas o fato de ter terminado sua primeira corrida. É o único estreante que não conseguiu fazer nada de interessante até aqui.

JARNO TRULLI4,5 – Não foi mal, mas esteve longe de brilhar como seu companheiro. Largou na costumeira 20º posição, se envolveu em algumas boas brigas no meio do pelotão e chegou a passar Maldonado no começo da corrida. Teve problemas em uma de suas duas paradas, mas conseguiu voltar incólume e terminou à frente dos adversários das demais equipes pequenas.

JERÔME D’AMBROSIO7 – Ótimo fim de semana, talvez o estreante mais expressivo desta etapa. Meteu seis décimos em Timo Glock no treino oficial, envolveu-se em boas brigas com o experiente companheiro e terminou a corrida à sua frente, mesmo fazendo uma parada a menos que ele. Sinto dizer isto aos fãs de Lucas di Grassi, mas o subestimado belga parece estar dando mais dor de cabeça a Glock do que o brasileiro jamais fez.

TIMO GLOCK 2,5 – Tudo bem que seu carro é um lixo e que sua motivação está zerada. Mas não pegou bem ter levado a surra que levou de seu companheiro estreante. Timo largou atrás dele, teve algumas disputas e tinha tudo para ter ficado à frente, já que sua estratégia de três paradas era a mais correta. Mas não ficou. Um de seus piores fins de semana na carreira.

NARAIN KARTHIKEYAN6 – Um herói. Além de ter andado à frente do companheiro Liuzzi em algumas sessões livres de treinamentos, o indiano conseguiu a proeza de fazer apenas uma parada nos boxes e ganhou a batalha interna da Hispania. Para quem era visto com muita desconfiança pelo tempo fora da categoria, uma bela resposta aos incrédulos.

VITANTONIO LIUZZI3 – Tinha tudo para ter feito melhor que o companheiro, mas não fez. Chamou a atenção por ter ultrapassado os dois Virgin no início, mas a realidade veio à tona quando foi anunciada uma punição por queima de largada. Depois, tentou executar a estratégia de uma única parada, mas não foi bem sucedido como seu companheiro e teve de fazer uma segunda. Esperava um pouco mais dele em Shanghai.

JAIME ALGUERSUARI4,5 – Sétimo no grid de largada, era o nome da Toro Rosso para conseguir um bom resultado na China. Mas a própria equipe jogou o fim de semana no lixo ao não colocar direito a roda traseira direita na primeira parada do espanhol. A roda se soltou algumas centenas de metros depois e o espanhol foi o único gaiato a abandonar a corrida.

GP DA CHINA: Sou sinófobo. Não existe essa palavra, né? Pois agora passa a existir, inclusive no vocabulário do Microsoft Word. Não gosto da China, tenho aversão a basicamente tudo o que existe por lá. Por mim, ela poderia ter se tornado uma província do Quirguistão imediatamente após lançar ao mundo o macarrão e o sorvete. Se você é chinês ou fanático pelo país e ficou aí irritado, pode seguir esperneando. E seu circuito de Shanghai só torna meu desgosto ainda maior. Pista mediana em tudo, não chama a atenção por nada. OK, não serei tão radical. O Caracol e a curva 13 são legais, mas nada que deixe o saldo final positivo. E a corrida nunca é grandes coisas. Nos dois últimos anos, a chuva veio de grande ajuda e tivemos boas disputas. Mas se o sol bater forte, a possibilidade de ter uma das piores corridas da temporada é grande.

SILLY SEASON: E a tal da temporada boba (nunca entendi esse nome) já começou. O alvo da vez é o segundo carro da Red Bull. Como Sebastian Vettel é elemento pétreo na equipe, muita gente anda secando o australiano Mark Webber, que não está em boa fase e pode ser sumariamente dispensado no final do ano. A equipe da SporTV divulgou que Nicolas Todt, empresário de Felipe Massa, esteve conversando recentemente com o pessoal da equipe rubrotaurina. Difícil de acreditar, mas um boato sempre pode acender uma faísca. Por outro lado, o noticiário alemão Bild afirmou que Nico Rosberg, o andrógino de Wiesbaden, seria um bom candidato à vaga. Não sei o motivo de tanto oba-oba. Quem quer que entre na equipe, só estará lá para comboiar o atual campeão.

WEBBER: E o australiano realmente anda em uma fase dos diabos. Na Red Bull, todos só têm olhos para Vettel. Nas duas primeiras corridas do ano, Mark não obteve nenhum pódio mesmo pilotando um RB7 impecável. A mídia já anda palpitando sobre possíveis substitutos seus para o ano que vem. E para terminar, até mesmo a calma já foi embora. Na entrevista coletiva oficial, Webber se irritou profundamente com uma pergunta que o comparava a Eddie Irvine, notório escudeiro de Michael Schumacher na Ferrari. Ele respondeu energicamente que se tratava de uma pergunta ridícula, que todos o conheciam e que Vettel ganhou de todo mundo e não só dele. Mais do que qualquer um no grid, Mark Webber precisa de um bom resultado na China. Para afastar essa nuvem negra que não sai de cima dele.

WILLIAMS: Se Webber é a bola um entre os pilotos do grid atual, a Williams é a mais problemática entre as doze equipes. Nesse momento, seu lamentável FW33 só anda mais que os carros das três nanicas. E além de lerdo, ele também não é confiável: quatro abandonos nas duas corridas. Na Austrália, a revolucionária transmissão compactada quebrou nos dois carros. Na Malásia, o motor de Pastor Maldonado foi pro saco, enquanto que Rubens Barrichello abandonou devido a gremlins apelidados de “problemas hidráulicos”. Enfim, tá tudo errado. E não há sequer dinheiro para consertar esse desastre. Se seguir assim, não há como enxergar viabilidade nisso aí.

RICHARD BRANSON: Lembram-se daquela disputa entre os magnatas Tony Fernandes e Richard Branson para ver qual das suas equipes terminaria a temporada de 2010 à frente? O perdedor, no caso, faria o papel de aeromoça na companhia do outro. A Virgin levou um nabo da Lotus e Branson, resignado, aceitou a derrota. O excêntrico inglês servirá suquinho de laranja, Butter Toffees e Club Social desejando uma boa viagem a todos no dia 1 de maio em um voo especial de Londres a Kuala Lumpur. Enquanto Richard Branson, que não leva nada a sério, se diverte, por que ele não toma essa derrota como algo preocupante e não investe um pouco mais em sua equipe, que corre o risco de perder para a Hispania a qualquer momento?

Na Austrália sem ultrapassagens, tava tudo chato

Na Austrália, deu errado. Na Malásia, deu certo. O pacotão que inclui o mecanismo da asa móvel, o famigerado KERS e a inépcia dos pneus Pirelli era o maior motivo de expectativa para esta temporada de Fórmula 1. Nos últimos tempos, sempre insatisfeitos com a temporada anterior, estamos sempre entrando em um novo ano cheios de expectativas por uma reviravolta, por alguma coisa que desse dor de cabeça a engenheiros, por uma novidade que pudesse inverter o establishment. Com o pacotão, não havia erro: as coisas seriam diferentes em 2011.

Na Austrália, deu errado. A corrida foi até mais chata do que a média, e a asa móvel se mostrou incapaz de permitir mais ultrapassagens lá no meio do pelotão. Na Malásia, deu certo. Até demais. Era um samba pra lá, samba pra cá, neguinho se colocando atrás do colega, pegando o vácuo do carro da frente, esterçando para o lado e partindo para o abraço na primeira curva. Segundo estatísticas nem um pouco oficiais, foram 56 ultrapassagens na corrida, média de uma por volta. O GP da Malásia de 2011 foi, de longe, a corrida com mais ultrapassagens da história do circuito na Fórmula 1. Imediatamente atrás, temos a edição de 2001, com doze a menos. O que uma asinha que se mexe, um pneuzinho que não aguenta o ritmo e um trambolho que não serve para nada fazem em uma corrida, hein?

Engraçado é ler o que as pessoas acharam disso. Gente grande da Fórmula 1, como o piloto espanhol Fernando Alonso e o poderoso chefão ferrarista Stefano Domenicali, enalteceu as mudanças. Muitos fãs, no entanto, tiveram opiniões bem críticas quanto ao resultado final. E não bastando serem críticas, elas também foram basicamente contraditórias. Esse é o cuore do texto de hoje.

Após a corrida australiana, todos ficaram indignados com o tédio proporcionado pela total falta de ação. Ultrapassagens, cadê vocês? E a indignação, nesse caso, foi ainda maior porque a etapa de Melbourne sempre proporciona boa diversão noturna. Até aí, tudo bem, eu também fiquei puto da cara por ter jogado duas valiosíssimas horas de sono no lixo para ver um troço chato pacas. Duas semanas depois, a corrida malaia.

E na Malásia com ultrapassagens... tava tudo chato também!

A situação foi basicamente inversa à da corrida anterior. Como apresentei lá em cima, as ultrapassagens eram muitas, eram fáceis e tal. E não é que boa parte das pessoas não gostou? Se a corrida de Melbourne pecou pela falta de ação e de ultrapassagens, a de Sepang foi ruim por ter tido muita ação e muitas ultrapassagens, o que banalizaria o esporte! Pode?

Em tempos nos quais exigimos a perfeição de tudo o que nos ronda, estamos sempre prontos para criticar algo, nem que cheguemos ao ponto de reclamar que o branco é muito claro, o preto é muito escuro e o cinza é deveras intermediário. Se a corrida não teve ultrapassagens, foi obviamente péssima. Se ela teve muitas ultrapassagens, foi artificial e banalizada. Se ela teve algumas ultrapassagens, poderia ter tido um pouco mais. Ou um pouco menos, diriam alguns patológicos. Se o grid está cheio, é ruim porque permite a entrada de pilotos de baixa qualidade. Se está vazio, é ruim porque poucos pilotos bons encontram vagas. Se o piloto fala demais, é um idiota. Se o piloto não fala nada, é um autista. Se o piloto fala coisas normais, é um normalzinho previsível. O copo está sempre meio vazio, portanto.

Antes que você aponte o dedo no meu nariz dizendo que eu sou um dos maiores implicantes dessa blogosfera automobilística, reconheço que critico demais e que reclamo sobre coisas bem insignificantes. O que não dá pra admitir é crítica sem fundamento. E sem coerência. Se me meto a falar mal de algo, devo pesquisar a respeito e expor claramente as opiniões, independente do fato delas valerem algo ou não. Não tenho nada contra gente reclamona. Na verdade, dependendo da pessoa, até gosto, pois a reclamação pode ser uma bela arte retórica. O problema é sair por aí disparando besteiras por emotividade ou pelo simples prazer do destrutivismo gratuito. Destrutivismo, gostei da palavra.

Quer saber de uma coisa? Os fãs de automobilismo, no geral, não têm a menor ideia sobre o que querem e sobre o que não querem. A esmagadora maioria. Não acredita? Jogo uns exemplos.

Lá pelos idos de 2003 ou 2004, era socialmente aceitável dizer que as montadoras haviam tornado a Fórmula 1 um negócio extremamente caro e as equipes garageiras não tinham vez. “Ah, que saudade da Tyrrell, da Lotus e da Brabham, dos tempos em que um engenheiro cheio da boa vontade poderia abrir uma equipezinha com seus dez amigos sem ter de enfrentar balancetes trilionários”, diziam. A Minardi acabou se tornando o xodó dessa gente. Era pobrezinha, gastava anualmente os mesmos 30 milhões de dólares da Hispania, não incomodava ninguém, não tinha perspectiva nenhuma de crescimento e representava a luta de Davi contra Golias. Ah, os bons tempos das garageiras!

Jaguar, Toyota e Honda (BAR) - execradas em sua época, desejadas hoje em dia

Quase dez anos depois, o que temos aí? Das doze equipes da temporada, apenas três representam montadoras diretamente. Ou melhor, nem isso, já que a Renault é comandada por um grupo financeiro de sei lá o quê. Temos aí um monte de equipes independentes, algumas garageiras (Williams, Sauber) e outras até abaixo disso, como a chineleira Hispania. E aí? “Esse monte de equipezinha emporcalha o grid”. “Ah, como era bom o tempo em que só havia montadora”. Como é que é?

Outro bom exemplo é o das pistas. Em tempos não tão remotos, alguns circuitos eram tão rejeitados quanto órfão gago. O antigo Hockenheim era um deles: “um oval travestido de misto, não demanda talento, é só seguir acelerando nos intermináveis retões”. A versão mista de Indianápolis: “aquele trecho misto é pavoroso, e a curva oval é muito perigosa”. A versão remodelada de Imola: “depois do acidente do Senna, destruiram o circuito”.  Ou o circuito franco de Magny-Cours: “travadíssimo, não permite ultrapassagens e é muito estreito”.

Hoje em dia, não é necessário muito esforço pra encontrar em fóruns e locais onde qualquer um fala o que quer opiniões um tanto quanto distintas do parágrafo anterior. “Hockenheim faz muita falta, é um circuito muito bonito e muito veloz”. “Indianápolis era bem legal, os engenheiros tinham de escolher entre fazer um carro veloz no trecho oval ou um carro estável no trecho misto”.

As opiniões relacionadas a Magny-Cours e à última versão de Imola são as mais absurdas. “Magny-Cours era muito legal, o tempo sempre pregava uma peça”. “Gostaria muito de ver Imola de volta”. “Sinto falta da pista francesa, pois ela era seletiva e permitia haver boas corridas”. Não me conformo em ver gente elogiando estas duas últimas pistas. No tempo em que elas estiveram no calendário, todo mundo reclamava. O que explica? É um eurocentrismo medroso da expansão asiática?

Magny-Cours, que é relembrada com carinho por muitos. PORRA! Na minha época, era uma das pistas mais odiadas do calendário!

Em 2006, em uma coluna da revista F1 Racing, o ex-dirigente Max Mosley proferiu que as reclamações daqueles que pediam por mais ultrapassagens poderiam ser perigosas, pois tudo aquilo que é desejado pode ocorrer, e aí ficaria muito difícil voltar atrás. Na época, cobri Mosley de pensamentos negativos, cobras e lagartos. Hoje em dia, vejo que ele estava rigorosamente certo nesse sentido. Ninguém sabe bem o que deseja para o automobilismo. E exatamente por isso, uma mesma pessoa pode ter duas reações completamente distintas a uma única coisa.

E creio ser por isso que a Fórmula 1, de alguma forma, ignora os anseios dos espectadores. Por mais que pensemos o contrário, Bernie Ecclestone e companhia sabem mais das deficiências de seu esporte do que qualquer outro. Bernie tem consciência de que a Fórmula 1 é caríssima, que as corridas são chatas, que lidar com a burguesia asiática é uma merda, que a audiência vem caindo e que todo mundo está insatisfeito. Mas até quando ceder às voláteis opiniões externas fará com que o esporte melhore?  Se depender da maioria das opiniões que leio por aí, a tendência seria piorar muito.

Portanto, se você acha que está tudo errado, pondere um pouco. Se você quer palpitar sobre alguma coisa, estude um pouco sobre a história dessa coisa. Busque entender o porquê dessa coisa ser de tal maneira e não de outra. E não saia por aí mudando de lado e deixando a racionalidade de lado, porque você pode se encontrar como um pateta falando mal de algo que, teoricamente, corresponde ao que você defendia, e vice-versa. Que nem está acontecendo com esse negócio de “excesso de ultrapassagens”.

Quer dizer que critico demais? E que reclamo de coisas insignificantes? Pois reclamo mesmo. E eu reclamo mais ainda de gente que não sabe criticar. Mas não vou chegar lá na frente e reclamar dos que criticam bem. É a coerência, meu amigo.

RED BULL9 – Quem precisa de KERS quando se tem um RB7 insuperável? Nesse momento, a única coisa que falta à equipe rubrotaurina é um segundo piloto. Mark Webber não fez nada novamente e nem pódio conseguiu. Por outro lado, Sebastian Vettel fez tudo direitinho e ganhou a corrida sem adversários. Nesse momento, as equipes adversárias vão precisar trabalhar muito pra conseguir uma aproximação.

MCLAREN8 – Em uma corrida atípica, é mais negócio confiar em Jenson Button do que em Lewis Hamilton. O campeão de 2009 salvou as honras de Woking ao finalizar em segundo após fazer uma corrida discreta e absolutamente eficiente. Hamilton, ao contrário, se meteu em brigas, teve problemas com os pneus e até punição de 20 segundos levou. Ainda assim, a equipe não tem motivos para reclamar. Só a infalível Red Bull está à sua frente.

RENAULT8,5 – Tirando a questão da briga com a Lotus do Fernandes, tudo corre bem lá pelos lados da equipe da Genii Capital. O carro é realmente bom e os pilotos conseguiram aparecer bem em Sepang, o que traz um pouco de conforto a quem apostava tudo em Robert Kubica. Nick Heidfeld reverteu o revés australiano e fez uma prova inspiradíssima, que o premiou com um pódio. Vitaly Petrov também vinha bem, mas saiu da pista no final, voou e aterrissou no fracasso. O sistema de largada da equipe é sensacional.

FERRARI6,5 – Ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos tempos, Felipe Massa foi o maior motivo de orgulho dos italianos. O brasileiro fez uma corrida aguerrida e terminou em um bom quinto lugar. De ruim, apenas o trabalho dos mecânicos na sua primeira parada. Já Fernando Alonso teve um fim de semana daqueles e ficou apenas com o sexto lugar. O carro estava mais para Renault do que para McLaren ou Red Bull e os mecânicos já não são tão eficientes como outrora. Pelo visto, outro ano difícil vem por aí.

SAUBER7,5 – É a Renault do meio do grid: carro ajeitadinho, dupla eficiente, ótima aceitação por parte dos fãs. O sempre combativo Kamui Kobayashi se envolveu em boas brigas e cruzou a linha de chegada em um oitavo que se transformou em sétimo após a punição de Hamilton. Sergio Perez, por outro lado, não foi tão bem e abandonou tão cedo. Ainda assim, é uma das duplas mais empolgantes do grid. E o carro vem se mostrando o maior amigo dos pneus entre todos do grid.

MERCEDES3,5 – Definitivamente, não está em boa fase. Embora não tenha passado vergonha nos treinos, o desempenho na corrida foi bem pior do que o esperado. Nico Rosberg largou mal e ficou preso lá no meio da turma. Michael Schumacher só aparecia na transmissão sendo ultrapassado por Kamui Kobayashi. Ainda assim, o velho heptacampeão marcou dois pontos. Muito pouco para uma equipe que se supõe grande.

FORCE INDIA6 – Vem tendo mais alegrias com o novato Paul di Resta do que com o experiente Adrian Sutil. Em Sepang, o escocês andou melhor no treino oficial e sempre esteve muito à frente do alemão na corrida, desempenho este que resultou em mais um ponto nas tabelas. Sutil bateu na largada e prejudicou sua corrida a partir daí, mas se aproveitou do relativo baixo consumo de pneus do seu carro para fazer uma parada a menos. A equipe precisa melhorar um pouco nos treinos.

TORO ROSSO3 – A velha Toro Rosso de sempre. Embora o carro tenha andado muito bem na pré-temporada, ele simplesmente não disse a que veio até aqui. Sébastien Buemi andou melhor que Jaime Alguersuari, mas nenhum dos dois fez pontos. E como solta peças esse carro! Um pedaço do carro do Buemi caído no meio da pista chegou a interromper o Q2 do treino oficial.

LOTUS3,5 – Outra equipe que parece não sair da mesmice. Assim como em 2010, Heikki Kovalainen liderou a tropa verde em sua corrida caseira. O finlandês terminou, ao contrário de Jarno Trulli, vítima de mais um dos inúmeros problemas do T128. Falta confiabilidade. E também um pouco mais de velocidade.

VIRGIN2,5 – No treino oficial, seu piloto mais rápido foi apenas um segundo mais rápido do que a circense Hispania, o que não é um bom sinal para uma equipe que fez toda a pré-temporada. Na corrida, Jerôme d’Ambrosio abandonou com problemas eletrônicos. Apenas Timo Glock chegou ao final.

HISPANIA 3 – Todos ficaram surpresos com o fato da equipe espanhola ter se qualificado com os dois carros – e com tanta facilidade. Infelizmente, problemas estruturais fizeram com que os dois pilotos se retirassem voluntariamente da prova. Vitantonio Liuzzi parou o carro temendo uma quebra na asa traseira. E Narain Karthikeyan estacionou após perceber um anormal aumento de temperatura da água do radiador. O indiano, aliás, padeceu com os problemas do carro desde a sexta, quando o motor Cosworth fumou duas vezes nas duas sessões livres.

WILLIAMS0 – Não me lembro de um fim de semana tão ruim para a tradicional equipe de Frank Williams. Os dois pilotos apanharam da falta de velocidade e confiabilidade do FW33 desde os treinos de sexta e foram os últimos colocados entre as equipes estabelecidas no treino oficial de sábado. Na corrida, nenhum dos dois pilotos andou muito. Rubens Barrichello, com problemas hidráulicos. Pastor Maldonado, com o motor quebrado. Trágico, trágico.

TRANSMISSÃOPUTA BARBEIRAGEM, HEIN? – Por mais que os palavrões já não sejam mais um tabu na televisão aberta, é sempre engraçado ouvir um em uma transmissão ao vivo, ainda mais quando a referida transmissão é feita pela organizada e profissionalizada Rede Globo. Durante a briga entre Lewis Hamilton e Fernando Alonso, o convidado Bruno Senna soltou o comentário mais espontâneo que eu já vi em uma transmissão esportiva da emissora: “puta barbeiragem isso aí!”. Até mesmo o sempre irreverente Galvão Bueno deu risada. Mesmo sempre sendo crítico com relação ao piloto Bruno, o sujeito parece ser muito mais aberto e divertido que seu tio jamais foi. No mais, a transmissão foi apenas média. As câmeras perderam alguns momentos decisivos de maneira meio infantil. E a turma global cometeu alguns erros, mas não me lembro de nenhum muito expressivo. Aliás, a pronúncia dos nomes dos novatos está bem feia. Qual é a dificuldade em falar “Diwresta”, “Sêrrio Pêres” e “Dambrrôsiô”? “Dirrésta”, “Sérjo Péris” e “Dambrósio” não dá.

CORRIDASEPANG, EU TE AMO – Muita gente acha que Sepang é uma pista chata e tipicamente tilkeana. Calúnia! A corrida malaia não precisou da chuva, dos acidentes e do imponderável para ser divertida. As ultrapassagens aconteceram a rodo, muito mais pelo desgaste dos pneus do que pela dispensável asa móvel. E o KERS é ainda mais dispensável.  Quem se interessa apenas pelo vencedor deve ter bocejado com o domínio de Sebastian Vettel. Da segunda posição para trás, no entanto, o pau comeu solto. E os nomes que sempre costumam alegrar as corridas (Hamilton, Alonso, Petrov, Kobayashi) chamaram bastante a atenção. Para mim, que sou fã de Nick Heidfeld, só faltou a vitória.

SEBASTIAN VETTEL10 – Cirúrgico. Detém o melhor carro do grids nas mãos e também o mérito de fazer o melhor uso dele possível. Pole-position e vitória de ponta a ponta sem pestanejar. Se continuar nessa forma, poderá até mesmo repetir 1992 ou 2004.

JENSON BUTTON 9 – Ninguém sabe exatamente como, mas terminou em segundo. Especialista em poupar pneus e em aproveitar as oportunidades mais obscuras possíveis, o inglês fugiu dos problemas que seus adversários tiveram, não teve problemas nas paradas e conseguiu um excelente lugar no pódio. Se há qualquer adversidade, há sempre um Jenson Button sedento por perto.

NICK HEIDFELD9 – Esse é outro oportunista filho da puta que sabe como poucos aproveitar qualquer adversidade para ganhar algumas posições. O baixote alemão reverteu o péssimo fim de semana australiano marcando um bom sexto tempo no treino oficial e fazendo uma superlargada que lhe deu a segunda posição nas primeiras voltas. Depois, Nick até chegou a perder rendimento em alguns momentos, mas também conseguiu se dar bem com os infortúnios de Hamilton e Alonso. No fim, segurou bem a terceira posição contra um emergente Mark Webber. Calou a boca de muita gente que o considerava um merda.

MARK WEBBER4 – Se estivesse pilotando um Renault, poderíamos até ter dito que foi uma ótima corrida. Como, no entanto, seu carro era um impecável Red Bull RB6, o australiano só teve outro fim de semana terrível. Perdeu a primeira fila para Hamilton, fez mais uma de suas típicas largadas horríveis e teve novamente problemas de pneus, sendo obrigado a fazer suas paradas bem antes da concorrência. Só subiu para quarto porque pilota um foguete. Tá na hora de voltar a fazer uma corrida boa, né?

FELIPE MASSA8,5 – Dessa vez, deu gosto de ver. O brasileiro fez uma de suas melhores corridas nos últimos anos e poderia ter ido até melhor se a Ferrari não tivesse feito cagada no primeiro pit-stop. Felipe fez o sétimo tempo no treino oficial, ganhou duas boas posições na largada e sempre esteve competitivo. Teve como melhor momento uma boa ultrapassagem sobre Webber. Cruzou a linha de chegada com Alonso grudado em sua caixa de câmbio. É esse tipo de apresentação que lhe dará uma força extra.

FERNANDO ALONSO6 – Difícil fazer um julgamento. Quinto colocado no grid, o espanhol extraiu o máximo de seu 150th Italia no treino oficial. Na corrida, não largou bem e ficou preso atrás de outros concorrentes. Tentou atrasar um pouco sua primeira parada visando se dar bem com uma pretensa chuva iminente, mas nada aconteceu. Depois, teve problemas com pneus e também com sua asa móvel, que não estava funcionando. Em uma briga com Hamilton, a asa dianteira da Ferrari tocou a roda traseira direita da McLaren. Terminou em sexto, e a punição de 20 segundos não alterou seu resultado.

KAMUI KOBAYASHI8 – Tem todos os motivos do mundo para deixar a Malásia com um enorme sorriso na cara. Kamui andou bem nos treinos e esteve sempre competitivo na corrida, com destaque para seus divertidos duelos com Michael Schumacher. Foi muito feliz ao aproveitar o baixo consumo de pneus de seu Sauber para fazer uma parada a menos. A punição de Hamilton ainda lhe deu uma posição a mais de presente.

LEWIS HAMILTON5 – Assim como Alonso, corrida de difícil julgamento para mim. Seu melhor momento, sem dúvida, foi o ótimo segundo lugar no treino classificatório. Na corrida, ficou preso atrás de Heidfeld nas primeiras voltas e só conseguiu um pouco de pista livre após a primeira parada. Mesmo assim, foi um dos que mais tiveram problemas com pneus, como pôde ser visto na ultrapassagem que levou de Heidfeld. No final, acabou sendo tocado pela asa da Ferrari de Alonso. Por ter supostamente se defendido com muita volúpia, levou uma punição de 20 segundos e caiu de sétimo para oitavo. Saldo negativo e a nota média só pode ser explicada pelo treino oficial.

MICHAEL SCHUMACHER6 – Nessa nova fase de piloto coadjuvante, até que não fez uma má corrida. Embora tenha ficado no Q2 novamente, Michael fez uma boa largada e se colocou em oitavo nas primeiras voltas. Depois, se envolveu em brigas com gente do meio do pelotão, principalmente com Kobayashi. Nunca chamou muito a atenção, mas também não passou vergonha, visto que seu carro está longe de ser uma maravilha. E se deu bem melhor que seu companheiro.

PAUL DI RESTA7,5 – Ótima corrida. Bateu Sutil na classificação pela segunda vez seguida e sempre esteve muito à frente de seu experiente companheiro de equipe, que é sua referência maior nesse momento. Poderia ter terminado em nono, mas seus pneus acabaram no final e Schumacher tomou sua posição. Ainda assim, é o único estreante que tem motivos para sorrir.

ADRIAN SUTIL4 – Quem diria que o estreante Di Resta lhe daria tanta dor de cabeça? Batido pelo escocês tanto nos treinos como na corrida, o alemão já vê com binóculo os tempos em que não tinha problemas com companheiros de equipe. Na largada, se envolveu em um toque com Barrichello e teve de trocar o bico do Force India. Voltou à pista tentando uma arriscada estratégia de apenas duas paradas. Até conseguiu ganhar algumas posições, mas não foi o suficiente para marcar pontos.

NICO ROSBERG2,5 – Fez uma de suas piores corridas na Mercedes, se não a pior. Seu nono lugar no grid foi normal, mas a corrida foi inteiramente ruim, a começar pela péssima largada. Depois, não conseguiu recuperar posições e terminou atrás de um cara que havia trocado o bico na primeira volta. Dirigindo um Mercedes, foi muito pouco.

SÉBASTIEN BUEMI4 – Não foi tão mal nos treinos oficiais e até conseguiu empreender um ritmo bom no início da corrida. O que estragou tudo foi a punição por excesso de velocidade nos pits, problema originado pela falha do limitador de velocidade de seu Toro Rosso. Por isso, o resultado discreto.

JAIME ALGUERSUARI3 – Este daqui não pode sequer culpar limitador de velocidade, punição ou algo que o valha. O espanhol perdeu para seu companheiro durante todo o fim de semana e nunca conseguiu sequer sonhar com pontos. Na briga interna de sua equipe, está em desvantagem.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Alguém entre as equipes nanicas tinha de terminar à frente, né? Como não poderia deixar de ser, este alguém foi Kovalainen, que sempre foi o ponteiro entre a turma do fundão. O ritmo de seu carro nem estava tão ruim, assim como o trabalho de sua equipe nos pit-stops. O problema é continuar na mesma situação do ano passado.

TIMO GLOCK4 – Teve um duelo bacana com Trulli durante boa parte da corrida. Fora isso, o mesmo desempenho de sempre.  Ao menos, levou seu infelicíssimo bólido ao final.

VITALY PETROV7 – Longe do brilhantismo apresentado em Melbourne, o russo não foi tão mal também. Desfrutando do excelente sistema de largada da Renault, ele ganhou três boas posições e fechou a primeira volta em quinto. Duas voltas depois, Vitaly saiu da pista e perdeu algumas posições. Após isso, restou andar lá entre sétimo e oitavo esperando por algum problema dos adversários à frente. Mas quem teve problemas foi ele mesmo, que escapou da pista no finalzinho e bateu em um absurdo calombo que fez seu Renault levantar voo e cair com tudo no meio do pista. Destaque para o volante, que escapou na sua mão na hora da queda.

VITANTONIO LIUZZI6,5 – Fim de semana bastante positivo para o líder da equipe lanterninha. Para quem estava morrendo de medo de não passar pela barreira dos 107%, ficar a apenas meio segundo de D’Ambrosio representou um lucro enorme. Largou pensando apenas em terminar. Quase conseguiu, mas como a asa traseira estava vibrando demais, a equipe preferiu pedir para ele abandonar a apenas algumas voltas do fim.

JERÔME D’AMBROSIO3 – Um piloto em sua posição não tem muito o que fazer. Largou na esperada 22ª posição e, na corrida, só passeou à frente dos concorrentes da Hispania. Abandonou com problemas eletrônicos.

JARNO TRULLI3 – Só apareceu um pouco no duelo com Glock. No mais, perdeu para Kovalainen no treino oficial e nunca esteve em posição de superá-lo na corrida. Dessa vez, o abandono não se deu pelos problemas hidráulicos que lhe deixaram com muita dor de cabeça em 2010. A embreagem não estava funcionando.

SERGIO PÉREZ3,5 – Dessa vez, o mexicano não foi tão bem e também não foi ajudado pela sorte. Nos treinos oficiais, levou uma surra do companheiro Kobayashi. Na corrida, andou lá no meio do pelotão até acertar um pedaço do carro de Buemi, que pegou no assoalho e acionou o sistema anti-incêndio. Com isso, houve uma pane elétrica e a corrida foi para o saco. Curioso, né?

RUBENS BARRICHELLO1 – Pelo tanto de problemas, lembra o Rubens de 2008. Seu FW33 não funcionou no treino oficial e ele quase ficou de fora do Q2. Na corrida, bateu com Sutil na largada e teve de trocar um pneu estourado. Depois, andou em último até abandonar com problemas hidráulicos. Fico pensando se, no caso do carro continuar assim, não seria um momento de repensar a continuidade da carreira. Para quem já dirigiu os dois piores carros já feitos pela Honda, penar mais um ano com a Williams não acrescentará nada à sua vida.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – Deve se considerar um felizardo por ter conseguido superar o limite de 107% em mais de um segundo, o que lhe permitiu participar de sua primeira corrida desde 2005. Mas o motor começou a esquentar demais e a equipe pediu para ele abandonar após apenas algumas voltas.

PASTOR MALDONADO1 – Triste início de carreira. No treino oficial, acompanhando a péssima fase de sua equipe, ficou no Q1. Na corrida, andou apenas algumas voltas. O motor Cosworth falhou miseravelmente.