RED BULL9,5 – Chega a incomodar o fato de quase nunca conseguir dar um dez à equipe rubrotaurina. Sebastian Vettel faz tudo certinho, ganha corridas e ruma ao título. Enquanto isso, Mark Webber não consegue sequer largar direito e frequentemente se complica com carros mais lentos pilotados por gente mais talentosa. Assim, fica difícil ter uma equipe perfeita. Mas o restante, felizmente, funciona muito bem. E a equipe sai de Cingapura com mais uma vitória e um terceiro lugar no bolso.

MCLAREN8 – Ao contrário da Red Bull, tem uma dupla equilibrada e colhe os frutos deste equilíbrio. Lewis Hamilton está uma besta nestes últimos tempos, errando demais e obtendo resultados tão irregulares quanto seu intelecto. Pelo menos, sempre há um Jenson Button andando bem, obtendo um ótimo segundo lugar e impedindo que Vettel se sagrasse campeão já na cidade-estado asiática. O carro segue como o melhor do resto.

FERRARI7 – Como sempre, a equipe começa muito bem e termina com os dois pilotos sapateando em tomates e tendo problemas para manter suas posições. O trabalho de pits, ao menos, foi competente e permitiu que Fernando Alonso voltasse à frente de Webber após a primeira rodada de pits. O espanhol terminou em quarto com os pneus em estado de petição. Felipe Massa foi atingido por Lewis Hamilton, ficou extremamente puto e só conseguiu finalizar em nono. Com os pneus em estado de petição.

FORCE INDIA9 – Excelente fim de semana dos indianos. Velozes desde a sexta-feira, Adrian Sutil e Paul di Resta não tiveram problemas para largar entre os dez primeiros. Na corrida, ambos optaram por estratégias diferenciadas e o escocês, que parou apenas duas vezes, se deu melhor, terminando em sexto. Sutil também pontuou, finalizando em oitavo. O carro se comportou muitíssimo bem e a equipe conseguiu ser, com alguma folga, a quinta melhor deste fim de semana.

MERCEDES 6 – Corrida sem-graça e resultado normal. Nico Rosberg e Michael Schumacher dividiram a quarta fila e estiveram sempre próximos um do outro durante a prova. O heptacampeão se acidentou enquanto tentava ultrapassar Sergio Pérez, mas o filho de Keke conseguiu salvar as honras mercedianas com um razoável sétimo lugar.

SAUBER3,5 – Mais um fim de semana infeliz para os suíços, que não estão conseguindo desenvolver seu C30. Sergio Pérez salvou a equipe da total mediocridade com um pontinho após ter optado pela estratégia de duas paradas. Kamui Kobayashi, por outro lado, bateu no sábado e teve vários pequenos contratempos no domingo, ficando longe dos pontos. Com mais uma corrida negativa, a Sauber definitivamente ficou para trás na briga com a Force India. Agora, é hora de se preocupar em não perder a sétima posição para a Toro Rosso.

WILLIAMS4 – O carro continua ruinzão como sempre, mas até que o resultado não foi tão negativo. Rubens Barrichello e Pastor Maldonado não andaram bem no treino classificatório, mas ambos ficaram próximos dos pontos. Faltou a Rubens um pouco mais de sorte com o safety-car e ritmo de corrida e faltou ao venezuelano ter economizado uma parada. Por isso, a falta de pontos.

TORO ROSSO3 – Nas últimas corridas, a priminha mais pobrezinha da Red Bull parecia vir em uma notável curva de crescimento, mas a corrida de Cingapura parece ter representado um belo passo para trás. Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari não foram bem no sábado e somente o suíço conseguiu terminar a corrida, já que o espanhol bateu quando faltavam poucas voltas para o fim. Ambos sofreram com graves problemas nos pneus.

RENAULT1 – Desde a sexta-feira, todo mundo sabia que a Renault, que estreava algumas atualizações, teria sérios problemas em Cingapura. Ninguém esperava, no entanto, que Vitaly Petrov sobrasse no Q1 da classificação e Bruno Senna tivesse tantos problemas para passar para o Q2. Na corrida, os dois chegaram ao fim, mas lá atrás. O russo, inclusive, não conseguiu sequer superar o Lotus de Kovalainen. Parece que a Renault nunca vai conseguir ser feliz na cidade-estado – não pelos meios lícitos.

LOTUS3,5 – Trouxe algumas pequenas atualizações, mas não teve grandes novidades com relação a desempenho. Heikki Kovalainen e Jarno Trulli lotearam a 10ª fila nesta ordem, mas só o finlandês terminou. Pelo menos, pode contar para os amigos que ficou à frente da Renault de Petrov. O italiano acabou ficando a pé com o câmbio quebrado. Uma pena, pois ele tinha boas chances de terminar à frente do companheiro.

VIRGIN2,5 – No treino oficial, nenhum dos dois pilotos conseguiu ficar muito à frente dos carros da HRT. Na corrida, Timo Glock teve problemas sérios com a dirigibilidade do carro e acabou batendo sozinho após apenas nove voltas. Jerôme D’Ambrosio não teve tantos problemas assim e conseguiu chegar ao fim tendo feito apenas duas paradas. E a equipe seque na mesma.

HRT2,5 – Depois de ontem, o estoque de bicos da equipe acabou. Tanto Daniel Ricciardo quanto Vitantonio Liuzzi quebraram seus respectivos bicos em batidas solitárias no complicado circuito cingapuriano e tiveram de fazer paradas extras nos pits, o que não mudou muito as coisas. Pelo menos, os dois pilotos terminaram e sua equipe foi a única entre as nanicas a conseguir o feito. Mas o calvário de ser a mais lenta da classe continuou o mesmo.

TRANSMISSÃOHOUSE MD – O locutor brasileiro é sujeito amigo. Bom para Lewis Hamilton. O inglês não está bem. No sábado, ele quase bateu em Felipe Massa no Q1 da classificação. Na corrida, ele conseguiu atingir o cara e destruiu a asa dianteira de sua McLaren. Preocupado, o supracitado locutor, que também entende bastante de doenças psíquicas, concluiu rapidamente que os acidentes de Lewis Hamilton eram caso de psiquiatra. Faz todo o sentido, embora eu pondere bastante sobre a possibilidade do diagnóstico ser o mesmo no caso de Lewis bater, sei lá, em Jerôme D’Ambrosio. Gostei também dele dizendo no sábado que a vértebra lombar L5 e o osso sacro S1 são, na verdade, vértebras cervicais.  Por que ele não trabalha como médico? No mais, Keke Rosberg fez mais uma rápida apresentação de gala no começo da prova. E os replays foram poucos, como vem sendo o comum nesta temporada. Ainda bem que os prédios ao fundo são bonitos.

CORRIDABOEMIA MORNA – Vocês gostaram? Eu gosto de Marina Bay por causa do cenário. A corrida só valeria a pena se chovesse. Como não choveu, foi mediana. Não, foi ruim mesmo. Sebastian Vettel é um gênio e suas vitórias dominadoras incomodam os que querem brigas mais encarniçadas pela vitória. Jenson Button até tentou animar as coisas no fim da corrida, mas os retardatários não deixaram. E a briga de Fernando Alonso e Mark Webber foi morna só se decidiu pelos pneus. Apenas Lewis Hamilton, que fez de tudo no fim de semana, e Michael Schumacher, que sofreu o grande acidente do fim de semana, poderiam animar a festa. Mas o saldo foi negativo. Como eu disse lá em cima, ainda bem que os prédios ao fundo são bonitos.

Ops, cingalês não é de Cingapura, e sim de Sri Lanka. Quem nasce em Cingapura é cingapuriano. Ficamos combinados?

SEBASTIAN VETTEL10 – Faz tudo parecer ridiculamente fácil. Mesmo tendo liderado apenas um dos três treinos livres, o futuro bicampeão marcou a pole-position sem o menor esforço, largou bem, abriu boa vantagem logo no começo e conseguiu administrar a liderança até o fim. Jenson Button tentou se aproximar, mas a legião de retardatários no final aplacou o sonho do britânico. Nona vitória em catorze corridas. Em Suzuka, se ele marcar um único ponto, já é campeão do mundo e rei das latinhas.

JENSON BUTTON9,5 – Faltou só a vitória. Nesse fim de semana, foi o principal piloto da McLaren desde o treino de classificação, algo até incomum. Saindo da terceira posição, passou Webber na primeira curva e manteve-se em segundo durante todo o tempo. Nas últimas voltas, começou a se aproximar perigosamente de Vettel e até marcou a melhor volta da prova, mas não conseguiu tomar a liderança. Mesmo assim, terminou a menos de dois segundos de distância e é o único que ainda tem chances matemáticas de título. Chances tão grandes quanto às de achar chocolate em Plutão, mas não inexistentes.

MARK WEBBER 6,5 – Fez o de sempre: passou apuros mesmo tendo o melhor carro. Ao conseguir uma posição na primeira fila, até sonhou com uma boa corrida, mas não se lembrou de seu curioso hábito de largar pessimamente mal. E lá foi ele: perdeu duas posições na largada e passou boa parte do tempo atrás de Alonso. Precisou se aproveitar da costumeira má situação dos pneus da Ferrari para executar duas ultrapassagens na pista em momentos distintos e terminar em terceiro. Com isso, o sonho do título acabou ali.

FERNANDO ALONSO8 – Pilotando um carro pior do que os da Red Bull e McLaren, o asturiano fez a lição de casa. Não brilhou, mas também não passou vergonha. Fez o quinto tempo na classificação, largou bem e assumiu o terceiro lugar na primeira curva. Com o passar do tempo, sofreu com os rotineiros problemas nos pneus e teve de antecipar suas duas primeiras paradas. Além disso, chegou a ser ultrapassado por Webber em duas ocasiões. Com isso, não havia como obter algo melhor do que um quarto lugar. E as chances de ser campeão também acabaram para ele neste domingo.

LEWIS HAMILTON2 – O que será que acontece com ele? O próprio pai criticou a atuação de seus novos empresários, gente ligada à popularesca indústria do entretenimento. O caso é que Hamilton, que não anda em boa fase, aprontou das suas novamente. O alvo deste fim de semana foi Felipe Massa. No treino oficial, o inglês tentou uma ultrapassagem estúpida e quase bateu na Ferrari do brasileiro. No domingo, ele tentou outra ultrapassagem sobre o mesmo Massa e só conseguiu enfiar o bico de seu carro no pneu traseiro da Ferrari. Com isso, teve de trocá-lo, tomou uma punição e foi obrigado a fazer uma corrida de recuperação. Ganhou posições e terminou em quinto, mas foi eleito o palhaço do dia. Good job, Lewis!

PAUL DI RESTA9 – O atual pupilo de Anthony Hamilton fez uma grande corrida. Começou bem ao conseguir passar para o Q3. Na corrida, apostou em uma estratégia de apenas duas paradas e uma primeira perna bem mais longa que a dos demais concorrentes. Com isso, o escocês chegou a andar em terceiro e finalizou em uma ótima sexta posição. Disse ter feito sua melhor corrida no ano. Não há como discordar.

NICO ROSBERG6,5 – Apareceu muito pouco neste fim de semana, mas foi o único piloto de sua equipe a sair de Cingapura com pontos na cesta. Largou da sétima posição, subiu para sexto na primeira volta e esteve sempre naquelas posições pontuáveis mas não geniais. Só chamou a atenção quando, devido a problemas com pneus, escorregou e foi ultrapassado por Sergio Pérez na volta 28. Na curva seguinte, o alemão conseguiu dar o troco e recuperou sua posição. Sem ter as melhores condições de aderência, restou a ele terminar apenas em sétimo.

ADRIAN SUTIL7 – Tentou uma estratégia diferente da do companheiro Di Resta e não se deu tão bem, mas também conseguiu marcar alguns bons pontos. Largou à frente do companheiro unicamente pelo fato de ter uma numeração menor, já que nenhum dos dois treinou no Q3. Na corrida, começou como o melhor piloto da Force India, mas foi ultrapassado por Di Resta na volta 25. Depois, teve problemas com os pneus macios e acabou não conseguindo nada melhor que o oitavo lugar. Ainda assim, um bom fim de semana.

FELIPE MASSA5,5 – Tinha chances razoáveis de ter terminado em quinto, mas foi prejudicado pela idiotia de Hamilton e não passou do nono lugar. No treino classificatório, chamou mais a atenção por quase ter sido atingido pelo inglês no Q1 do que pelo sexto lugar. Na corrida, apareceu razoavelmente bem nas primeiras voltas, mas foi atingido por Lewis na volta 12, teve um pneu furado e caiu para o fim do grid. A partir daí, teve de efetuar uma corrida de recuperação e ganhou boas posições nas últimas voltas.  Depois da prova, demonstrou toda sua raiva com Hamilton. E nasceu aí uma bela inimizade entre os dois.

SERGIO PÉREZ5,5 – Parece estar se dando melhor nesta má fase da Sauber do que o badalado companheiro nipônico. No treino classificatório, ficou a uma posição do Q3. Na corrida, apostou em duas paradas para tentar se infiltrar nas dez primeiras posições e até conseguiu se dar bem, embora tenha sido atropelado por Schumacher na volta 29 e, com isso, tenha tido de antecipar sua segunda parada. Levou o último ponto para casa.

PASTOR MALDONADO6 – Está cada vez mais adaptado à Williams e à Fórmula 1. Nos treinos, deu muito trabalho a Rubens Barrichello. Na largada, ele efetivamente deixou o experiente companheiro para trás e nunca mais foi superado. Tinha chances de pontos, mas os pneus se desgastaram rapidamente e o venezuelano acabou ficando sem aderência no final da prova. Com isso, o sonho dos pontos acabou ali.

SÉBASTIEN BUEMI4 – Em um fim de semana no qual a Toro Rosso não esteve bem, o suíço passou longe dos pontos. Pelo menos, conseguiu deixar o companheiro Alguersuari no treino oficial e na corrida. Teve problemas com a falta de agilidade do carro nas curvas e com o excessivo desgaste de pneus. Com isso, não deu para obter nada além do 12º lugar.

RUBENS BARRICHELLO3,5 – Ele tentou fazer uma parada a menos que o companheiro e se deu mal com o safety-car, que o obrigou a permanecer na pista com os problemáticos pneus macios. Mesmo assim, não dá para ignorar o fato de ele ter ficado atrás do companheiro venezuelano desde a largada. Com um carro muito ruim, dá para dizer que não foi uma corrida tão desastrosa. Mas é por uma corrida não tão desastrosa que Rubens espera neste momento da vida?

KAMUI KOBAYASHI2 – É bastante chegado aos muros de Cingapura. No Q2 do treino oficial, voou por sobre a zebra daquela chicanezinha ingrata e bateu com força considerável na barreira de proteção. Com isso, o japa teve de largar de uma distante 17ª posição. Na corrida, foi prejudicado pelo safety-car, que arruinou a estratégia prevista por sua equipe. Além disso, tomou uma punição por desrespeitar uma bandeira azul. O 14º lugar foi até bom diante de tudo isso.

BRUNO SENNA4 – Não foi um fim de semana tão bom quanto os dois anteriores, mas dá para creditar na conta da Renault, que teve talvez seu pior fim de semana na temporada. Mesmo assim, Bruno conseguiu aparecer bem ao deixar Petrov para trás no treino classificatório pela segunda vez em três fins de semana. Na corrida, ele teve problemas com o desgaste dos pneus e chegou a danificar o bico em um toque no muro, o que acabou resultando em uma indesejável parada extra nos pits. Com quatro paradas e um carro instável, não dava para ter sonhado com um resultado melhor do que o 15º lugar.

HEIKKI KOVALAINEN6 – Mais uma vez, foi o melhor das equipes pequenas. A grande novidade, neste caso, foi ter terminado com uma ótima vantagem sobre o Renault de Vitaly Petrov. No treino oficial, fez o 19º tempo que costuma lhe cair bem. Na corrida, optou pela conservadora estratégia de três paradas e não teve problemas para deixar o russo definitivamente para trás a partir do safety-car. Inspirado, chegou a andar também à frente de Bruno Senna. Foi, de fato, o melhor piloto Lotus da corrida.

VITALY PETROV1 – Não pegou nem um pouco bem ter sobrado no Q1 e ter terminado tão atrás do Lotus de Kovalainen. Tudo bem, ele tinha um carro bastante problemático, mas seu companheiro conseguiu fazer bem mais com o mesmo equipamento. Na corrida, teve problemas com os pneus – assim como a maior parte dos pilotos – e com o KERS. Mas terminar atrás de um Lotus não estava nos planos. Foi, talvez, seu pior fim de semana na carreira.

JERÔME D’AMBROSIO5 – Trabalho digno, como de costume. Largou atrás de Glock, mas deixou o companheiro para trás na largada e, enquanto ambos estiveram na pista, sempre foi o comandante. Depois, teve a solitária tarefa de levar o carro até o fim poupando os pneus macios, já que ele havia optado pela estratégia de duas paradas. Não teve maiores problemas e fez aquilo que lhe cabia, ao contrário de seu colega.

DANIEL RICCIARDO 4,5 – É realmente um sujeito para se prestar atenção no futuro. No treino oficial, já deixou claro quem é que manda na HRT ao colocar quatro décimos no experiente companheiro de equipe. A corrida não foi tão tranquila, já que Daniel bateu sozinho na primeira volta e danificou o bico, o que o fez perder mais tempo do que ele já faria com a sua carroça. Mesmo assim, sabe-se lá como, terminou à frente de Liuzzi. Se não conseguir vaga na Toro Rosso em 2012, é melhor explodir o mundo e recomeçar do zero.

VITANTONIO LIUZZI3,5 – Já está ficando feio. O italiano, que tinha a obrigação de andar na frente do colega novato, ficou definitivamente para trás. No treino oficial, fez um tempo quatro décimos mais lento que o de Ricciardo. Na corrida, assim como o australiano, chegou a tocar o muro e teve de trocar o bico. Devemos considerar que ele teve de fazer uma parada a mais que o companheiro, o que pode ter lhe prejudicado. Mas se considerarmos de maneira cruel que o que importa é terminar na frente, o italiano não tem motivos para ficar feliz.

JAIME ALGUERSUARI3 – Retomou um padrão mais comum no início do ano, quando ele largava atrás e terminava atrás do companheiro Buemi. Apostou em uma estratégia de largar com pneus macios e não conseguiu se dar bem com isso. Para encerrar o mau fim de semana, bateu sozinho nas últimas voltas e passou o restante da corrida vendo a novela. De quebra, ainda irritou o compatriota Fernando Alonso por supostamente não ter lhe facilitado a ultrapassagem em bandeira azul.

JARNO TRULLI4 – Chamou a atenção por ter largado muito bem e por ter chegado a ocupar a 11ª posição durante duas voltas, quando todo mundo estava parando. Mas Alguersuari não estava muito disposto a colaborar e tocou a traseira de seu Lotus, o que prejudicou todo o comportamento da Lotus. Mais para a frente, o câmbio quebrou e sua noite acabou mais cedo.

MICHAEL SCHUMACHER3 – O gênio de Spa-Francorchamps e Monza se transformou no bobo de Marina Bay. Mas não precisamos ser tão injustos. Schumacher ficou atrás de Rosberg durante todo o tempo, mas nunca ficou tão distante. No momento de seu perigoso acidente, ele estava imediatamente atrás do companheiro e tentou se aproveitar da briga dele com Sergio Pérez. Em determinada curva, o velho alemão colocou de lado para ultrapassar o mexicano por dentro, mas calculou mal e bateu na roda traseira do Sauber. Com isso, sua Mercedes decolou e bateu de frente na barreira de proteção. Não se machucou, mas provou que a vista cansada pode atingir até mesmo os campeões mundiais.

TIMO GLOCK2,5 – Não teve um domingo fácil. No treino oficial, não teve problemas para deixar o companheiro D’Ambrosio para trás, embora a diferença entre os dois não tenha sido maior do que dois décimos. Na corrida, perdeu uma posição para o belga na largada e ainda foi acertado por Ricciardo na traseira. Com isso, seu carro ficou todo desalinhado e o resultado foi uma rodada e uma batida de traseira na volta nove.

GP DE CINGAPURA: Em se tratando de Extremo Oriente, há apenas duas cidades que eu faria questão de conhecer na minha vida. Uma é Tóquio, a maior cidade do mundo. A outra, definitivamente, é Cingapura. Mesmo que a altura dos prédios seja limitada por lei e mesmo que coisas estúpidas como chicletes sejam proibidas, imagino eu que deve ser um lugar espetacular. São três milhões de habitantes amontoados em uma ilhota que mescla modernidade, com seus prédios imponentes e suas empresas de tecnologia, com tradição, marcada especialmente pela presença inglesa de alguns séculos atrás. O circuito de rua do país, Marina Bay, não é dos mais divertidos, mas compensa com um cenário de tirar o fôlego. Que me desculpem os fãs de Mônaco, mas o GP de Cingapura é o mais belo do calendário. No mais, dá para dizer que as ultrapassagens são menos impossíveis do que no principado monegasco ou em Valência, mas isso não significa muito. Eu prefiro é contemplar a cidade mesmo.

CHUVA: Será? O Weather Channel diz que a previsão para o fim de semana é de calor infernal alternado com chuva daquelas típicas de clima equatorial, torrencial e imprevisível. No sábado e no domingo, a possibilidade de precipitação é de 60%. Não é aquela coisa muito animadora, mas o fato é que a matemática dá vantagem à água. Nós, da telinha, ansiamos por isso. Todo mundo quer saber como é que os caras vão conseguir correr debaixo de chuva e à noite. Eu odeio dirigir nestas condições, imagino o que é enfrentar um circuito travado que só pode ser visto por iluminação artificial. Mas não ligo para os pilotos. Eles ganham milhões para enfrentar desafios e correr na chuva à noite é só mais um deles.

VETTEL: Vamos aos números. Restam seis etapas para o fim do campeonato – são 150 pontos em disputa. Sebastian Vettel lidera a temporada com 284 pontos. Logo atrás dele, Fernando Alonso tem 172, nada menos que 112 a menos. Isso garante a liderança a Vettel até o Grande Prêmio do Brasil, mesmo que Alonso consiga a proeza de vencer as quatro corridas até lá. Se o alemão sair de Cingapura com 125 pontos de vantagem – 13 a mais do que hoje – sobre o segundo colocado, já é campeão do mundo. Para isso acontecer, se ele vencer a corrida, o que é bem provável, Alonso terá de terminar no máximo em quarto, Button e Webber poderão terminar em terceiro e Hamilton pode chorar no travesseiro. Há outras combinações, mas não quero perder tempo com isso. O que quero mostrar é como o pequeno germânico está perto do segundo título. E eu acho que, se ele não vier agora, vem na próxima corrida.

KARTHIKEYAN: O indiano com cara de fanfarrão está de volta. Após ter sido obrigado a ceder seu carro para o aussie Daniel Ricciardo, Narain Karthikeyan voltará a pilotar pela HRT nos treinos livres desta próxima sexta-feira. O objetivo é ganhar quilometragem pensando no Grande Prêmio da Índia, corrida que ele disputará como titular. Em tese, pelas diferenças entre Marina Bay e Jaypee, eu não vejo como algumas voltas em uma pista de rua poderão lhe ajudar, mas é isso que o regulamento permite e a HRT que se vire. Se for assim, é de se supor que Karthikeyan também andará nos treinos livres de Suzuka e Yeongam. Mas eu nem sei o porquê de estar filosofando tanto sobre isso. Afinal, ele vai largar e terminar em último mesmo. Mesmo na frente de seu bilhão de compatriotas.

FRENTZEN: Tenho a impressão de que nunca escrevi nada sobre ele, o Heinz-Harald, por aqui. Sacrilégio. Frentzen é um dos primeiros pilotos para quem mais torci quando comecei a ver corridas, especialmente durante aquela belíssima temporada de 1999. Ele foi o primeiro grande rival de Michael Schumacher, a começar pelo fato de ter perdido a namorada Corinna para o heptacampeão no fim de 1991. Enquanto Schumacher ganhou um monte de corridas, Heinz-Harald Frentzen passou a maior parte do tempo sendo considerado apenas um fracassado simpático que poderia ter sido algo na vida se estivesse no lugar certo e na hora certa. Muitos o consideravam o melhor dos jovens pilotos alemães no início dos anos 90, mas aquelas duas infelizes temporadas na Williams derreteram sua reputação. Uma pena. E por que falo dele? Frentzen será o piloto-comissário deste Grande Prêmio de Cingapura.

Foto tirada pelo piloto holandês Giedo van der Garde, da Addax, da janela de seu hotel, em Manama

Pois é, não tem mais GP2 Asia nesse fim de semana. Agora pouco, a Federação de Automobilismo do Bahrein, tão importante como um Ministério da Agricultura em Cingapura, anunciou que a rodada dupla a ser realizada no autódromo de Sakhir, segunda dessa temporada, foi cancelada por motivos de força maior. Os tais motivos de força maior são óbvios: a revolta do povo, que exigia reformas econômicas, políticas e o fim das diferenças institucionais entre sunitas e xiitas. O governo barenita, sempre amigável e disposto a conversar, tentou pacificar a situação com tanques de guerra e bombas de gás lacrimogênio. É óbvio que não funcionou.

Há dois dias, escrevi um memorando sobre a situação árabe, as consequências que a revolta no Bahrein poderia trazer para o automobilismo e a desfaçatez de Bernie Ecclestone em ignorar solenemente o que se passa fora dos autódromos. Naquele momento, eu achava que as manifestações não chegariam a um ponto extremo e que haveria corrida de GP2. Como sempre, estava completamente errado. Depois da Tunísia e do Egito, as atenções da mídia se voltaram para o pequeno país insular.

Por isso, volto a falar no assunto. Dessa vez, com outro enfoque. Temos vinte corridas realizadas em dezenove países no calendário atual, além de outros tantos países querendo sediar etapas.

O automobilismo é um esporte dos mais inúteis. Qualquer assunto é mais importante do que este, mesmo para uma pessoa que quer arranjar um emprego lá no meio, como é o meu caso. Na verdade, o esporte em si é inútil perante outras áreas, como a economia e a política. Durante a Segunda Guerra Mundial, campeonatos de futebol, olimpíadas e corridas foram sumariamente deixados de lado. Em meados dos anos 70, devido ao aumento brusco dos preços do petróleo estabelecido pelo cartel da OPEP em 1973, a prática do automobilismo chegou a ser proibida no Brasil. E muito se falou, naquela época, sobre o fim do esporte a motor como um todo no mundo ocidental.  

Jenson Button em Abu Dhabi: lá dentro, tudo lindo; lá fora...

Com Bernie Ecclestone, no entanto, a Fórmula 1 se transformou em um eldorado isento das nuances do mundo exterior. Faça chuva ou faça sol, com ou sem crise, com ou sem estouros de bolhas especulativas, crashes, guerras, crises políticas, incongruências jurídicas, violência e toda a sorte de problemas, haverá Fórmula 1 onde, como e quando o pequeno judeu quiser. Vale dizer: só ele e a estrutura do seu esportezinho está protegida, já que equipes, pilotos e patrocinadores continuam vulneráveis à história do mundo real. Se a economia inglesa quebrar, as equipes locais estão fodidas. Se a economia alemã for pro saco, a Mercedes repensa sua participação na mesma hora. Se os espanhóis se afundarem, como quase aconteceu alguns meses atrás, Santander, Hispania e os seus dois grandes prêmios dançam. Mas a Fórmula 1 segue incólume.

No texto que escrevi há dois dias, falei sobre a sanha de Ecclestone em buscar as tais “economias emergentes”, aquelas que estão crescendo rapidamente nos últimos dez anos e ameaçando a tal “supremacia ocidental judaico-cristã do Hemisfério Norte”. Por mais que elas cresçam, apareçam na Forbes e se tornem casos a serem estudados em cursos de Economia, continuam sendo aquilo que sempre foram: países miseráveis e instáveis comandados por governos tiranos, enlouquecidos e desinteressados pelas mazelas do povo. Há dez ou quinze anos, quem comandava o calendário da Fórmula 1 eram os países ricos. As exceções eram Brasil, Argentina, Malásia e talvez a Hungria. Quer dizer, por mais problemas que venham a ter, nenhum desses países nos dias atuais é um problema em si.

Hoje em dia, a situação é outra. Listo os países problemáticos que constam no calendário:

BAHREIN: Está aí para todos verem. Economia combalida com relação aos vizinhos, governo sunita que beneficia sua denominação minoritária e ignora a maioria xiita, liberdade de expressão e liberdade política restritas.

CHINA: Uma metástase. Economia que cresce artificialmente, à base de câmbio artificialmente desvalorizado, exportações de produtos de baixa qualidade, desrespeito ao meio-ambiente e regime de semiescravidão. O governo é comandado pelo Partido Comunista, único partido do país. Liberdade nula de expressão e de imprensa. Movimentos fortes de independência no Tibete e no Uiguristão. Maior exército do mundo, com sobras. De fato, um câncer em metástase. Se realmente se tornar o país mais poderoso do mundo, é melhor que um meteoro venha e destrua o planeta.

TURQUIA: Apesar de ser uma economia em franca expansão, de tudo ser muito bonito e de haver democracia, as influências das vertentes mais totalitárias do islamismo ainda são fortes. As mulheres, apesar de mais livres do que em alguns países vizinhos, ainda estão longe de ter todos os direitos básicos. A liberdade de imprensa é restrita e a corrupção rola solta lá nos altos escalões do governo. Os juros estão entre os mais altos do mundo. Mas a questão mais delicada é a dos curdos, minoria étnica que luta pela independência e que é sumariamente maltratada pelo governo.

CINGAPURA: O país, olhando por fora, é sensacional. Prédios belíssimos (mas não muito altos, já que a lei proíbe), economia poderosa, tecnologia saindo pelo ladrão e povo muito bem educado. Mas o governo é bastante autoritário e as leis são rigorosíssimas. Não me furto em dizer que, nesse sentido, é o país mais coercitivo do mundo.

CORÉIA DO SUL: É outro país excelente para se viver, com skylines altíssimas, tecnologia de ponta, uma das melhores educações do mundo, corpo político sólido e respeito por parte dos ocidentais. Mas há uma Coréia do Norte logo acima, gerida por um ditador esquizofrênico e oligofrênico que não tem o menor compromisso com a sensatez ou com o bom convívio. No ano passado, pouco tempo antes da corrida, os militares de seu Kim Jong-Il afundaram um navio de guerra sul-coreano, matando 46 tripulantes. Uma guerra é algo sempre iminente.

ÍNDIA: A economia cresce a taxas galopantes, mas o restante do país é deplorável. As relações sociais ainda são definidas por castas: rico não se mete com pobre e vice-versa, como acontecia naquela novela da Globo. Os indianos ganham muito pouco e ainda migram para outros países, aceitando ganhar bem menos que outros profissionais e causando uma espécie de dumping salarial. As grandes cidades do país são uma sujeira que só elas. Não há políticas de contenção de crescimento demográfico, e especialistas dizem que é uma questão de tempo para o país ultrapassar a China como o mais populoso do mundo. Para piorar, há um conflito eterno com o Paquistão pela região da Caxemira que pode descambar para uma guerra nuclear entre os dois países, portadores da bomba atômica.

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS: É um desses países ilusórios que se sustentam com suas intermináveis reservas de petróleo. Suas duas jóias, Dubai e Abu Dhabi, são cidades imponentes e modernas que atraem abastados de todo o mundo. Por fora, bela viola… Por dentro, aquele autoritarismo típico de países que levam a Sharia, o código de leis islâmico, ao pé da letra. Além disso, é um país ridiculamente desigual: se você acha que só existem as duas grandes cidades, sheiks bilionários e ocidentais esbanjadores, está enganadíssimo. Há um povo bem sofrido e bem esquecido nas demais regiões.

Nova Délhi, capital da Índia: é pra lá que a Fórmula 1 vai no final do ano

Eu poderia falar também do Brasil e de seus costumeiros problemas sociais ou da combalida economia espanhola, mas prefiro me ater ao período expansionista da Fórmula 1. Basicamente todos os países novos que entraram no calendário desde 2004 são extremamente problemáticos. Endinheirados, mas problemáticos. Tudo bem que Bernie Ecclestone só fala a língua monetária, mas a tendência paradoxal é esta: seu esporte, por mais que tente se isolar em seu mundinho, estará cada vez mais vulnerável aos absurdos destes países. O episódio da GP2 Asia pode ter sido só a ponta do iceberg.

E há outros países duvidosos querendo entrar no calendário. A Rússia quer ter uma corrida em Sochi daqui a alguns anos. O que ela tem grande, tem de problemática. Conflitos étnicos (Chechênia, Ossétia do Norte e Daguestão), política feita por baixo dos tapetes, intimidações a jornalistas opositores, crime organizado fortíssimo, enormes problemas sociais e um presidente-marionete comandado pelo mafioso ex-comunista Vladimir Putin. O Cazaquistão do ditador Nursultan Nazarbayev também já chegou a pleitear uma corrida. O Vietnã, regime totalitário e obscuro comandado por militares comunistas, também. Bernie Ecclestone é aberto a conversas com todos. Quem pagar, leva. E quem acaba sobrando são corridas como a belga, a inglesa, a francesa, a alemã, todas realizadas em pistas históricas e em países bons.

Bernie ainda sorri porque a grana entra. Mas quero ver o dia em que houver um bombardeio durante um GP asiático qualquer. Podem matar os pilotos, os mecânicos e os espectadores que ele não liga. Podem matar suas duas filhas que ele não liga. Podem matar sua namorada brasileira que ele não liga. Podem matá-lo, mas ele também não liga. O problema é que sobra pra sua carteira e pros seus cartões de crédito também. Aí ele chora.