Um é campeão de Fórmula 1, já ganhou as 500 Milhas de Indianápolis e já comeu a irmã da Kylie Minogue. O outro só tem uma enorme monocelha e um título na desconhecida Fórmula Renault V6 asiática. Ambos completarão (ou deverão completar) o grid de 26 (ou 24; nesse caso, um deles não viria) carros da Fórmula 1 em 2010.

À minha maneira, vou ser breve sobre eles, escrevendo verdadeiros memorandos pretensamente resumidos. Mesmo com a expansão de 6 carros no grid para 2010, eu não acreditava ver Jacques Villeneuve e Karun Chandhok entre os 26 felizardos. Há gente mais interessante do que os dois: Nick Heidfeld, Pastor Maldonado, Álvaro Parente, Giancarlo Fisichella e por aí vai. Nada contra Villeneuve, seu maior problema é a idade. Já Chandhok, que começou na GP2 como um piloto promissor de um país sem tradição, estagnou e deixou o bonde passar. Mas ambos estão aí e o blogueiro não pode reclamar, apenas noticiar e comentar.

Jacuqes Villeneuve em seu ano de estréia. Tempos já distantes...

Jacques Villeneuve é aquele cara que faz o avesso do arquétipo de um piloto de ponta da Fórmula 1: desleixado, não liga para nada nem para ninguém, ouve música alternativa, canta, pinta o cabelo e dá uma de resenhista literário em seu site. Se eu tivesse de escolher um piloto de F1 para ser amigo, seria ele. Na pista, anda como um piloto de ponta, embora tenha conseguido a proeza de ficar 8 anos da carreira em carros não tão bons. O problema é que por mais que ele apanhe dos seus bólidos, por mais que ele fique lá atrás e por mais ridicularizado e subestimado que ele seja, o canadense ainda insiste em ser um participante da Fórmula 1. Nesse caso, a situação é ainda mais dramática: correrá o risco de ser o segundo piloto de um Kazuki Nakajima em uma equipe que sequer existe oficialmente, a Stefan.

Muito ruim, ainda mais em se tratando de quem é. Jacques é o filho mais velho de Gilles Villeneuve, ídolo dos tifosi da Ferrari. Foi vice da Fórmula Atlantic em 1993, rookie do ano da Indy em 1994, campeão da Indy em 1995, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis no mesmo ano, vice-campeão de F1 em 1996 e campeão em 1997. Só Lewis Hamilton, 11 anos depois, estrearia de maneira melhor. Depois, pegou uma Williams capenga, uma BAR desorganizada, um bico de três corridas na Renault e uma Sauber, que viraria BMW Sauber, que não decolava. Sua última corrida na F1, Hockenheim/2006, terminou com um acidente forte e patético. Terminou demitido e dando lugar a um polonês muito do promissor, Kubica. E hoje está por aí, fazendo uma corridinha na Nascar, outra na Speedcar, ouvindo Blur e torrando seu dinheiro.

Chandhok em sua vitória mais importante na vida: uma vitória dominical em Spa/2007 na GP2...

Já Karun Chandhok, estreante pela Hispania, é o contrário: é um piloto apenas razoável mas que está ascendendo muito rapidamente no automobilismo. Seu pai, Vicky, é só o presidente do Automóvel Clube da Índia, e muito amigo de Bernie Ecclestone. Está há três anos na GP2 e sempre se notabilizou pela capacidade de sofrer acidentes e de ser rápido mas errático. Uma curiosidade: em entrevista ao GP2 Insider, ele disse que sua agenda telefônica no celular possui 1551 números! Deve ter algo a ver com a enorme população indiana, sei lá…

Ainda não há muito a dizer sobre eles, especialmente sobre o dalit. Ambos não deverão passar do Q1 nas corridas e sofrerão muito com carros que nem serão testados antes do Bahrein. Mas é curioso ver um campeão do mundo e um estreante indiano em situações tão próximas. E tão ruins.

Anúncios