Mandei um e-mail à equipe Durango pedindo uma entrevista. Algo feito meio que na má vontade, já que estava com uma enorme preguiça de escrever em inglês. Responderam rapidamente e sucintamente. Enfim, aqui está:

COMO SURGIU A IDÉIA DE SE INSCREVER PARA A DISPUTA PELA 13ª VAGA NA FÓRMULA 1 EM 2011?

Após 25 anos disputando corridas no automobilismo internacional, esta decisão de se inscrever para disputar a categoria máxima do automobilismo representa um processo natural de evolução e amadurecimento.

VOCÊS JÁ ESTÃO FALANDO COM ALGUM PILOTO?

Sim, é claro. Se nós formos os escolhidos, não haverá duvida de que Jacques Villeneuve pilotará um dos carros. O outro piloto será revelado no tempo certo.

VOCÊS JÁ TEM ALGUM PATROCÍNIO OU OUTRO TIPO DE APOIO?

Temos, sim. Se não fosse assim, não teríamos a menor chance de sermos escolhidos no processo seletivo da FIA.

SABEM QUANDO A FIA IRÁ REVELAR A EQUIPE ESCOLHIDA?

No fim de agosto.

COMO ANDAM AS COISAS?

Bem, nós enviamos à FIA uma extensa documentação a respeito de como iremos corresponder às requisições da FIA. Acreditamos que esta documentação é séria e concreta o suficiente para consolidar nossa inscrição.

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O que importa nessa minúscula entrevista: Jacques Villeneuve faz parte do projeto porque quer pilotar. Assim como ocorria na BAR, ele fará o papel de sócio e  piloto. Interessante.

Ao mesmo tempo, a equipe parece confiante com relação à sua escolha. Sem muitas delongas, afirma que possuem parceiros e que, caso eles não existissem, não haveria a menor chance de ser escolhida. Interessante.

Por fim, só saberemos quem, de fato, será escolhido no fim de agosto. Portanto, esperemos sentados.

Pouco se fala sobre esse assunto. Nas últimas semanas, venho buscando de maneira doentia notícias a respeito. E não venho obtendo muito sucesso. As informações são vagas e pouco confiáveis. O Bandeira Verde, órgão de prestação de serviços ao público brasileiro, fará o relevantíssimo favor à nação de juntar tudo o que se sabe até aqui.

Nos Estados Unidos, o canal Speed noticiou o número de equipes que se inscreveram até o dia 15 de Abril de 2010: quinze. Dessas quinze equipes, uma será escolhida como a décima terceira equipe da Fórmula 1 e uma ficará como equipe-reserva para o caso de haver desistência de uma das 13.

É evidente que há projetos mais e menos sérios. Na verdade, vamos demorar para saber a respeito de todas as inscritas, se é que ficaremos sabendo de todas. Abaixo, os projetos conhecidos até aqui:

EPSILON EUSKADI – A intenção de Joan Villadelprat subir com sua equipe basca para a Fórmula 1 é conhecida por todos há algum tempo. E, aparentemente, é o que há de mais sólido entre os projetos. A Epsilon disputa com relativo sucesso corridas de protótipos, a Eurocup Renault 2.0 e a World Series by Renault. Seu cartão de visitas é uma gigantesca fábrica localizada no Parque Tecnológico de Álava pronta para a construção dos carros. Se a infraestrutura é o fator decisivo para a escolha da equipe, a Epsilon deve ganhar de goleada.

O Bandeira Verde informa que, nesse exato instante, Jean Todt está no País Basco fazendo uma visita às instalações da Epsilon Euskadi ao lado de Carlos Gracia, presidente da Federação Espanhola de Automobilismo, e Jaime Lissavetzky, secretário dos esportes. O objetivo é claro: vistoriar as condições técnicas e financeiras da equipe. Dizem que é a favorita de Todt.

STEFAN – E os sérvios estão de volta! Depois de tentarem, sem sucesso, uma inscrição-relâmpago para a temporada 2010, a equipe se divorciou da Toyota e decidiu encarar o desafio de competir na Fórmula 1 por conta própria. Para isso, lançou um site mostrando seus planos e também alguns bonés e canecas para vender. O plano mais ambicioso é a construção do Stefan Technology Park, um complexo localizado a 25km de Belgrado que sediará a fábrica da equipe e um circuito para testes. Ambição é o que não falta. Um pouco de credibilidade ajudaria.

DURANGO – A escuderia de Ivone Pinton possui larga experiência no automobilismo de base, tendo competido durante anos na Fórmula 3000 Internacional e na GP2. O sucesso, porém, nunca foi uma constante na equipe. Mesmo assim, Pinton anunciou que tentará a 13ª vaga. Para isso, diz já contar com patrocinadores. Honestamente? Me parece blefe. A Durango nunca foi nada. Na GP2, era uma equipe precária lotada de minúsculos patrocinadores italianos. Se vier, vai fazer o papel da Osella.

SHOTOVER JET – É aquela empresa neozelandesa que fabrica jet skis há mais de 40 anos. Seu maior trunfo é o domínio da dinâmica de fluidos computacional, embora um carro de Fórmula 1 seja ligeiramente mais complexo que um jet ski. Além do mais, a equipe diz que está em fase de negociação com patrocinadores e fornecedores de pneus. E já teria até mesmo uma pista para testes na Nova Zelândia. Diante da qualidade duvidosa de alguns concorrentes e da possibilidade de poder representar a Oceania, eu não descartaria a Shotover Jet. A empresa divulgou até mesmo um possível layout para o carro. Se depender dele, por mim, tá dentro.

CYPHER – É o projeto mais fanfarrão até aqui. Anunciado no Twitter e no Facebook, a equipe seria composta por ex-funcionários da USF1 que visam trabalhar sem as incômodas presenças de Ken Anderson e Peter Windsor. A equipe alega já ter infraestrutura pronta no estado da Carolina do Norte. Tudo indica que utilizará boa parte do esquema da USF1.

ANDERSON – Eu falei que a Cypher era a mais fanfarrona? Então estou sendo injusto com ela. O projeto mais bizarro é esse daqui. Reconheceu o sobrenome? Pois é. Ken Anderson está de volta! Depois do fracasso da USF1, ele tentará mais uma vez coordenar uma equipe de F1. Nada mais se sabe sobre a equipe.

E aí? O que acham desses projetos?

É isso mesmo. Pequena equipe que disputou a GP2 até o ano passado, a italiana Durango Corse será uma das candidatas à 13ªvaga da Fórmula 1 em 2010. É o Autosport que está dizendo.

O projeto da Durango é antigo. Ela existe desde 1980 e compete em monopostos de alto nível desde 1993, quando estreou na Fórmula 3000. Lá pelos idos de 1995, quando ainda não passava de uma equipe mixuruca na F3000, ela contratou Enrique Scalabroni (o projetista oficial das equipes natimortas) para fazer um projeto para a Fórmula 1. Faltou dinheiro e a idéia foi arquivada. Quinze anos depois, a Durango volta a sonhar com a categoria máxima.

Se a Campos, que era uma das grandonas da GP2, sofreu um bocado, o que garante que a Durango obteria mais sucesso?