Mandei um e-mail à Cypher semana passada. Lembram-se dela? É aquele grupo americano que criou conta no Facebook e no Twitter para anunciar sua inscrição à temporada 2011. Bastante curioso, insisti em uma entrevista com a equipe. Disse baboseiras como “estou muito interessado no projeto de vocês” e “tenho certeza que os brasileiros passarão a apoiar esta iniciativa assim que a descobrirem”. Como os caras são meio obscuros, não achei que estariam dispostos a responder o e-mail de alguém do baixo clero como eu.

Mas eles responderam.

Olá Leandro,

Agradecemos pelo e-mail e pedimos desculpas pela demora em responder. Como você pode perceber, a questão da Fórmula 1 na América é bastante complicada. E como nós respeitamos nossos fãs e parceiros, esperamos que você entenda nossa posição.

Nesse momento, nós não estamos prontos para divulgar informações a respeito de nossa empreitada. Nós evitamos fazer isso para evitar que qualquer coisa nos distraia ou atrapalhe o rumo que pretendemos tomar. Portanto, evitamos comentar sobre quem está envolvido de fato e espero que você compreenda.

Tudo o que posso dizer é que a idéia da equipe gira em torno da intenção da Fórmula 1 em ter uma equipe americana. No entanto, garantimos que Ken Anderson e Peter Windsor não estão envolvidos nessa história. E nós pretendemos nos estabelecer no estado da Carolina do Norte, algo que faz sentido por inúmeras razões.

Com relação à presença de antigos membros da USF1, nós temos conhecimento sobre o que falado por aí sobre isso e digo que as pessoas frequentemente ouvem apenas o que elas querem ouvir. Mesmo que nós tenhamos alguns ex-funcionários da USF1 em nosso staff, a Cypher não surgiu a partir de um grupo de membros desta equipe. O Grupo Cypher e seus membros internacionais simplesmente perceberam um enorme potencial em ter uma equipe americana e o sonho, alimentado por muitos engenheiros americanos, de estarem em uma equipe nacional. Nós queremos dar à América o que ela merece.

Nós reconhecemos que o momento não é o ideal para se fundar uma equipe. No entanto, sabendo que há uma vaga disponível no grid, a Cypher acredita que a oportunidade deverá ser aproveitada. Porém, nós deixamos bem claro: não faremos uma inscrição definitiva antes de conseguirmos completar o orçamento necessário.

Saudações,

Grupo Cypher 

Novidades até aí? Pra dizer a verdade, nenhuma que tenha chamado a minha atenção. Apenas algumas confirmações: a equipe quer se instalar na Carolina do Norte, alguns de seus funcionários são da USF1 e Ken Anderson e Peter Windsor não estão entre eles. A inscrição foi feita, mas não há dinheiro para levar tudo isso a sério ainda.

Duas coisas me chamaram a atenção. Uma delas é que, ao contrário do que andaram dizendo, a equipe não é uma iniciativa de ex-funcionários da USF1. Os caras da Cypher, a princípio, são neófitos com relação à Fórmula 1.

Outra coisa: nós pretendemos nos estabelecer no estado da Carolina do Norte, algo que faz sentido por inúmeras razões. Que razões seriam essas? Sabe-se que o estado, e sua maior cidade Charlotte (correção by Samuel), concentra a maioria das sedes das equipes da NASCAR. Teria alguém da categoria envolvido nisso? Outra coisa: Charlotte é onde fica a sede da USF1. Sabe-se, porém, que os poucos bens da equipe foram leiloados para pagamento de dívidas. Será que algo teria sobrado para os cypherianos?

Enfim, um e-mail que me trouxe mais perguntas do que respostas.

Tenho, porém, duas peças de quebra-cabeça em minhas mãos.

– No Twitter, a Cypher soltou hoje algo como Cypher – Ferrari, has a ring to it!, o que significaria algo como “Cypher-Ferrari, muito interessante”. Sabe-se que a montadora italiana quer apoiar uma equipe americana. E aí?

– O Youtube quer se envolver, de fato, com uma equipe de Fórmula 1. No entanto, os caras aprenderam com a USF1 e, dessa vez, pretendem patrocinar, investir ou até comprar uma equipe pronta. Se o projeto for minimamente mais confiável, não seria o caso de pensar em uma parceria?

Anúncios