GP DO BAHREIN: Vamos supor que esteja tudo bem, xiitas e sunitas se amam e a única coisa que aflige os barenitas é o desempenho de Felipe Massa. Começo falando de Sakhir, que voltará à Fórmula 1 após um ano fora. Não que muitos tenham sentido lá enorme falta, para ser honesto. A última corrida realizada por lá, em 2010, foi chata de doer os escrotos. Inventaram um trecho lento e macarrônico entre as curvas 4 e 5 que algum idiota puxa-saco logo tratou de apelidar de “Nordschleife dos desertos” – tamanha infâmia só poderia ser retribuída com uma prova cansativa e desagradável. Ademais, a pista é bastante limitada aos olhos do espectador: retas, grampos, retas, grampos, mais retas, já falei dos grampos? Ao redor disto tudo, areia. Muita areia. Umidade que é bom, nada. Depois de duas horas de puro calor e aborrecimento, o piloto desce de seu carro aliviado com o fim do sofrimento e sobe ao pódio esperando molhar a boca seca com um pouco de Möet & Chandon, certo? Errado. Como o álcool é proibido em terras muçulmanas, resta aos três primeiros colocados matar a sede com um elixir chamado warrd. Do que é feito isso aí? Água gaseificada com essência de rosas, romã e trinj, uma fruta alaranjada e meio amarga que se assemelha à toranja. Não parece ruim, mas tem cara de ser doce e enjoativo. Quente, então, deve ser algo próximo daqueles chás aromatizados que compramos em supermercado. Tudo o que um piloto de corrida em pleno deserto não gostaria de botar garganta abaixo.

SUNDAY BLOODY SUNDAY: OK, de volta ao mundo real. A confirmação da realização do GP do Bahrein na semana passada irritou profundamente muitos barenitas opositores ao regime de Hamad bin Isa al Khalifa. A lógica é simples e certeira: se a corrida é realizada em plena crise interna com a bênção do governo, é razoável supor que a Fórmula 1 esteja do lado do governo do Bahrein e de seus desmandos. Nesta semana, sei lá quantas manifestações ocorreram pelos populares em todo o país por causa da realização do evento. Correu ao mundo, por exemplo, uma foto de alguns manifestantes ateando fogo num cartaz de publicidade da Fórmula 1. Em outra foto, um cara picha o logotipo da Fórmula 1 com o “F” se assemelhando a uma metralhadora. Em várias outras, cartazes com dizeres como “boycott Formula One in Bahrein”. Ontem, o inglês John Yates, membro do Ministério do Interior barenita, afirmou que não tinha como garantir a segurança de pilotos, equipes e espectadores do Grande Prêmio. Foi a primeira vez que um elemento ligado diretamente ao governo fez uma declaração oficial sobre a incapacidade de conter as tensões no caso delas atingirem o Bahrein International Circuit, o que é até provável que ocorra. O fato é que o domingo tem infelicíssimas chances de ser sangrento.

MUNDO DA LUA: Enquanto isso, os pilotos agem como se não tivessem absolutamente nada a ver com isso. No Twitter, o jornalista Adam Cooper usou uma citação do antigo filme Grand Prix para ilustrar o comportamento em uníssono dos artistas do circo: “Para ser piloto de corrida, é necessário não possuir alguma capacidade de imaginação”. Os caras de hoje em dia levam esta frase muito a sério e simplesmente preferem falar das belezas do Bahrein e do quanto estão se divertindo naquele condomínio de luxo que é o autódromo de Sakhir. Acompanhar suas contas no Twitter é algo digno de estupefação. Obviamente não espero palavras de revolta e mensagens contando o dia-a-dia de um país enterrado no caos, mas penso ser simplesmente impossível que os pilotos da Fórmula 1 e da GP2 estejam tão sossegados e contentes quanto demonstram. Alguns, como Felipe Massa e Pastor Maldonado, falam de suas voltas de bicicleta pelo traçado. Outros comentam seu novo capacete ou o almoço que tiveram com o engenheiro. Fernando Alonso até tirou uma foto da janela de seu avião, mostrando a tranquilidade do céu. Que bom que a vida anda tranquila para ele.

FORCE INDIA: Mas a vida real, mais cedo ou mais tarde, acaba batendo à porta. Na noite de quarta-feira, alguns integrantes da equipe Force India tiveram sérios problemas enquanto saíam do autódromo de Sakhir. O carro que ocupavam ficou preso no meio de um engarrafamento justamente no momento em que ocorria mais uma manifestação. Um revoltoso atirou um coquetel Molotov que acabou caindo a poucos metros de onde estavam os quatro homens da Force India, que não se feriram. Mesmo assim, o susto foi tão grande que um deles, engenheiro de performance de Paul di Resta, nem quis saber e foi embora do Bahrein ainda hoje. Diz a mídia inglesa que outro funcionário da equipe de Vijay Mallya também estaria interessado em deixar o país. Sabe-se, também, que a informação sobre o ocorrido chegou rapidamente aos ouvidos dos membros das demais equipes, que cobraram de seus chefes alguma atitude e tiveram como resposta um absurdo “fiquem tranquilos porque nada disso aconteceu de verdade”. Este é o Grande Prêmio do Bahrein de 2012, marcado para o próximo domingo, às 9h00, horário de Brasília.

MEIO: Mudo um pouco de assunto. Ontem, graças ao texto sobre Felipe Massa, o Bandeira Verde alcançou a marca de meio milhão de pageviews. Não que isso signifique muita coisa, até porque um blog grande chega facilmente nisso daí em um único dia. Mas não tem problema, porque já é o suficiente para me deixar contente. Milhão é uma palavra meio forte, mesmo que aqui ela venha pela metade. É uma prova de que este troço, a princípio, deu certo. Devo agradecer a quem? Unicamente aos leitores, pois somente eles justificam a continuidade de um trabalho ao mesmo tempo cansativo, prazeroso e nem um pouco lucrativo. Mas apenas por enquanto. Nunca neguei a ninguém que pretendo fazer desta merda algo que me torne bilionário. Pois isso pode começar a acontecer em breve. Mas não vou falar muito mais. Um muitíssimo obrigado a você aí, que dispensa um tempo que poderia ser utilizado para beber, fazer sexo, trabalhar ou fofocar acompanhando este punhado de sílabas desconexas aqui.

Buenos días, monos.

Como alguns dos senhores devem saber, até semana passada, era quase impossível encontrar um artigo antigo. O negócio era simplesmente fazer uma busca interna a partir de uma palavra-chave aleatória ou simplesmente consultar aquela bagunçada página “Arquivo”. Decidi tomar vergonha na cara e cataloguei quase todos os textos que escrevi entre 18 de fevereiro de 2010 e a última sexta-feira.

Quase todos? Sim, suprimi alguns textos que não convinham. Mas nada que faça muita falta a vocês, devo dizer.

Portanto, se vocês quiserem reler qualquer um dos textos que escrevi desde a gênese deste site, basta clicar em Todos os Artigos, um link que você pode achar no canto superior direito da página. Se não tiver mais ou que fazer, dê uma olhada em qualquer um dos Top Cinq ou das notícias antigas. Sei lá, é legal. E os alérgicos a pelo de gato não terão problemas.

Bom dia, macacos. Macacos. Gostei disso.

Seguinte, estou na semana mais absurda da minha vida. Se não é a mais absurda, pega um pódio no melhor estilo Jenson Button. Tenho duas provas (uma hoje), um carro para consertar, um celular para desbloquear (moro em Barão Geraldo, não há nenhum lugar que desbloqueie esta porcaria, preciso do carro para ir para algum lugar que o faça) e um monte de coisas para entregar no trabalho. Resumindo: vocês não terão posts hoje, amanhã e quinta. Na sexta, volto com um Top Cinq.

O que posso fazer é copiar a ideia do excelente F1 Corradi (quem não conhece esse blog não merece o céu) e postar uma ou outra foto que tenho no acervo. Aí vocês adivinham quem é o piloto, qual é o carro, o ano, o time de futebol do mecânico-chefe, essas coisas. Tenho bastante foto legal, até.

Como, por exemplo, desse carro da Indy patrocinado pela Crush. Encontrei ela em um fórum em 2008 e, desde então, está no meu HD. Eu realmente não tenho informações sobre o carro, a pista, o piloto ou qualquer outra coisa. Alguém aí tem um palpite?

Aliás, ainda existe Crush? Eu coleciono latinhas e tenho uma do fim dos anos 90. Nunca mais vi para vender. Decerto, era meia-boca. Assim como boa parte dos refrigerantes daquela década.

Não tem nada a ver com o assunto, mas qualquer pretexto é o suficiente para se colocar uma foto da Onyx ORE-1

Bom dia, pessoas. Não tem post sobre corrida de carro hoje. Aliás, o post de hoje é sobre o fato de não ter post. Um metapost, se me permitirem o neologismo.

Por menos que o tamanho dos meus posts possa indicar, sou atarefado pra caramba. Mesmo. Na verdade, não tenho muitas horas livres por semana. O fato de conseguir escrever aqui demonstra que meu trabalho pode não ser o mais sufocante, mas também não é uma mamata. Eu é que conseguia, aos trancos e barrancos, lidar com o tempo. Mas o tempo deu uma bela escasseada neste semestre. Trabalho mais pesado, aulas mais pesadas, carro quebrado, está é minha vida, este é o meu mundo.

Então eu terei de fazer algumas mudanças desagradáveis aqui, até mesmo porque não quero encerrar este blog, que está crescendo razoavelmente. Só que também não quero fazer nada unilateral. Embora eu esteja do lado de Bernie Ecclestone, que acha que a ditadura é a melhor maneira de resolver as coisas, também acredito em Pôncio Pilatos. Vocês aí, da poltrona, decidem o que vai acontecer.

Tenho duas ideias. Eu poderia continuar escrevendo textos grandes, mas não todo dia. O Bandeira Verde teria dois ou três posts substanciais em semanas mais complicadas, como estas próximas duas. Em semanas tranquilas, poderia tentar escrever normalmente, mas não poderia garantir nada. Para ser honesto, é a minha escolha preferencial, já que gosto de escrever e, por incrível que pareça, tenho dificuldades para escrever textos pequenos.

A outra ideia seria continuar postando todo dia, mas os textos seriam consideravelmente menores. Coisa de sete ou oito parágrafos, sei lá. A vantagem é óbvia: tem texto fresquinho saindo do forno todo dia. Com menos coisa para escrever, daria para aumentar a qualidade das informações. Mas o nível de detalhamento vai cair.  

Enfim, vocês decidem. A única coisa certa é que, para o alívio dos mais preguiçosos, os textos de vinte e tantos parágrafos vão diminuir um pouco.

 

Eu sei, hoje (ou ontem, sei lá) foi basicamente mais um dia sem post. Esse tipo de situação tá meio recorrente de uns dois meses para cá.

Minha vida tá corrida pacas, essa é a verdade. Tive um semestre um tanto quanto infernal, ando fazendo um monte de coisas e falta-me tempo para escrever coisas mais legais. Não escrevo um Top Cinq há tempos.

Enfim, peço desculpas. Nessa semana, provavelmente não teremos sua seção favorita de sexta novamente. Mil desculpas, de novo. A partir de agosto, creio que as coisas se normalizarão. Mas não se assustem se não normalizarem também. Estarei sempre buscando escrever todo dia. Se não der, paciência.

Como forma de compensação, fiquem c0m esta linda e poética foto de Andrea de Cesaris.

GP DA EUROPA: Muito antes dos burocratas do Velho Continente se unirem em algo chamado União Europeia, a Fórmula 1 já reservava um espaço para uma corrida disputada em um circuito europeu aleatório qualquer que pudesse substituir uma eventual prova cancelada. Esta corrida já foi disputada em Brands Hatch, Jerez, Donington Park e Nürburgring antes de ganhar uma sede definitiva, a cidade portuária de Valência. Muita gente não gosta deste circuito, por ser travado, feio e criado pelo mal-amado Hermann Tilke. Eu gosto, por lembrar Long Beach lá de longe. Além do mais, convenhamos, uma região portuária de uma velha cidade europeia é sempre muito mais simpática do que aquelas cidades de mentira do Oriente Médio.

DIFUSOR SOPRADO: Taí um negócio que já ganhou inúmeras denominações: difusor aquecido, difusor soprado, ignição tardia e por aí vai. Pelo que minha limitada compreensão captou, trata-se de um sistema que espirra um pouco de gasolina para o motor de modo a mantê-lo acelerado no momento em que o piloto tira o pé do acelerador. Este sistema permitia que o motor funcionasse a quase 90% quando o acelerador é “desligado” – é um punta-taco eletrônico, por assim dizer. Bacana, assim como boa parte das inovações sutis dos últimos anos. Mas a FIA, sempre ela, pisa em cima da meritocracia e anuncia o fim do tal difusor para Silverstone. Houve, no entanto, quem quis adiantar o banimento para Valência. E a distinta Federação, desta maneira, segue matando o pouco que resta de criatividade e ousadia na outrora gloriosa Fórmula 1.

BUTTON: É o cara, ainda mais depois de vencer de maneira primorosa o Grande Prêmio do Canadá. Recentemente, o jornal Marca até andou sugerindo que a Ferrari poderia colocá-lo no lugar de Felipe Massa em 2012 – algo veementemente rechaçado pelos italianos hoje mesmo. De qualquer maneira, Jenson é um cara que consegue ser uma quase unanimidade: é veloz, inteligente, simpático, tem cara de artista e uma namorada fora de série. No Censo, que terá resultados publicados semana que vem, ele foi um dos mais citados. É o cara.

SILLY SEASON: Para quem escreve sobre Fórmula 1, a silly season é um dos períodos mais aguardados. Afinal, é aquela época na qual podemos divergir sobre quem vai para aonde, podendo apostar nas possibilidades mais esdrúxulas e torcer por fulano ali, sicrano acolá e beltrano na puta que o pariu. Mas até agora, muito pouco foi falado sobre o ano que vem. Não há boatos, não há equipe querendo entrar, não há piloto com medo do desemprego, não há mafioso russo querendo comprar equipe pequena, não há gente devendo até as calças, não há nada além de silêncio e bolas de feno voando. Lembre-se: estamos entrando em julho. Já está mais do que na hora da boataria começar.

PIETSCH: Sem grandes assuntos, comento sobre a notícia mais importante dos últimos tempos: o alemão Paul Pietsch, o piloto de Fórmula 1 mais antigo entre os que ainda vivem, completou 100 anos hoje, sendo o primeiro ex-piloto a fazê-lo. Curiosamente, Pietsch já foi citado por cima em um post meu, quando falei sobre o circuito de Nordschleife. O cara é tão antigo que seu primeiro Grand Prix foi o da Alemanha em 1932! Naquela corrida, disputada no mesmo Nordschleife, Pietsch abandonou ainda na primeira volta, com o radiador de seu Bugatti furado. Correram contra ele gente como Tazio Nuvolari, Rudolf Caracciola, Louis Chiron e René Dreyfus. E, em pleno 2011, Pietsch está aí, lúcido e saudável. Pode parecer bizarro falar isso, mas que venham mais anos para Paul Pietsch!

BANDEIRA VERDE: Normalmente, eu só comento sobre cinco assuntos aleatórios. No entanto, uso esse espaço para dizer que esta semana está uma correria dos infernos para mim e que não teremos post na quarta-feira. Farei, sim, a continuação do Censo, dessa vez com outra pergunta. Não me deixem só. Ainda.

Ontem, este compêndio de textos gigantes e prolixos completou seu primeiro ano de vida. Queria ter escrito algo, mas me faltou tempo. Paciência. Escrevo hoje. Está aí registrado, o fato.

Embora sempre tenha gostado muito de escrever, nunca achei que esse blog duraria um ano. Como sempre fui do tipo que enjoava fácil das coisas, imaginava que o Bandeira Verde duraria não mais do que três ou quatro dias. Minhas expectativas foram superadas. Os números são bem modestos se comparados com os de um site de verdade, mas já me deixaram bem satisfeitos: 342 posts, 140.000 visitas (na verdade, 139.801, mas esse número certamente será arredondado hoje) e 1.031 comentários. Os planos para o anno II são ultrapassar as 300.000 visitas. E transformar isso daqui em algo rentável. E o de sempre: dominar o mundo.

Como começou isso daqui? Há uns bons anos, um amigo meu, que simplesmente ignora a existência de corridas de carro, disse que eu deveria criar um blog sobre automobilismo. Como ele já havia lido textos meus sobre outros assuntos e gostava, creio que ele viu alguma capacidade obscura neste aqui. Eu sempre escrevi em uma comunidade de orkut, a Fórmula 1 Brasil, e algumas pessoas também já haviam sugerido a criação de um blog. Eu não queria abrir outro blog, já que já existiam muitos por aí e o assunto era meio saturado na rede. Mas decidi abrir.

Escrever é um prazer pra mim, e confesso que, como alguém que estuda e trabalha com coisas completamente diferentes de jornalismo e automobilismo, gostaria muito de viver disso. Por isso, nem tenho problemas em escrever os textos que escrevo. E a recompensa é a atenção dos leitores, que gastam um pouco de seu tempo e muito de sua paciência por aqui. E, às vezes, um ou outro visitante ilustre, como Ricardo Rosset e Thomas Danielsson.

Vou parar nesse parágrafo antes que ele fique mais longo. Muito obrigado aos leitores que leram, gostaram, odiaram e continuaram lendo. Comam mentalmente um pedaço do bolo da foto acima. O Bandeira Verde segue em frente para um segundo ano. Que venham mais aniversários.