Notas


Ops, cingalês não é de Cingapura, e sim de Sri Lanka. Quem nasce em Cingapura é cingapuriano. Ficamos combinados?

SEBASTIAN VETTEL10 – Faz tudo parecer ridiculamente fácil. Mesmo tendo liderado apenas um dos três treinos livres, o futuro bicampeão marcou a pole-position sem o menor esforço, largou bem, abriu boa vantagem logo no começo e conseguiu administrar a liderança até o fim. Jenson Button tentou se aproximar, mas a legião de retardatários no final aplacou o sonho do britânico. Nona vitória em catorze corridas. Em Suzuka, se ele marcar um único ponto, já é campeão do mundo e rei das latinhas.

JENSON BUTTON9,5 – Faltou só a vitória. Nesse fim de semana, foi o principal piloto da McLaren desde o treino de classificação, algo até incomum. Saindo da terceira posição, passou Webber na primeira curva e manteve-se em segundo durante todo o tempo. Nas últimas voltas, começou a se aproximar perigosamente de Vettel e até marcou a melhor volta da prova, mas não conseguiu tomar a liderança. Mesmo assim, terminou a menos de dois segundos de distância e é o único que ainda tem chances matemáticas de título. Chances tão grandes quanto às de achar chocolate em Plutão, mas não inexistentes.

MARK WEBBER 6,5 – Fez o de sempre: passou apuros mesmo tendo o melhor carro. Ao conseguir uma posição na primeira fila, até sonhou com uma boa corrida, mas não se lembrou de seu curioso hábito de largar pessimamente mal. E lá foi ele: perdeu duas posições na largada e passou boa parte do tempo atrás de Alonso. Precisou se aproveitar da costumeira má situação dos pneus da Ferrari para executar duas ultrapassagens na pista em momentos distintos e terminar em terceiro. Com isso, o sonho do título acabou ali.

FERNANDO ALONSO8 – Pilotando um carro pior do que os da Red Bull e McLaren, o asturiano fez a lição de casa. Não brilhou, mas também não passou vergonha. Fez o quinto tempo na classificação, largou bem e assumiu o terceiro lugar na primeira curva. Com o passar do tempo, sofreu com os rotineiros problemas nos pneus e teve de antecipar suas duas primeiras paradas. Além disso, chegou a ser ultrapassado por Webber em duas ocasiões. Com isso, não havia como obter algo melhor do que um quarto lugar. E as chances de ser campeão também acabaram para ele neste domingo.

LEWIS HAMILTON2 – O que será que acontece com ele? O próprio pai criticou a atuação de seus novos empresários, gente ligada à popularesca indústria do entretenimento. O caso é que Hamilton, que não anda em boa fase, aprontou das suas novamente. O alvo deste fim de semana foi Felipe Massa. No treino oficial, o inglês tentou uma ultrapassagem estúpida e quase bateu na Ferrari do brasileiro. No domingo, ele tentou outra ultrapassagem sobre o mesmo Massa e só conseguiu enfiar o bico de seu carro no pneu traseiro da Ferrari. Com isso, teve de trocá-lo, tomou uma punição e foi obrigado a fazer uma corrida de recuperação. Ganhou posições e terminou em quinto, mas foi eleito o palhaço do dia. Good job, Lewis!

PAUL DI RESTA9 – O atual pupilo de Anthony Hamilton fez uma grande corrida. Começou bem ao conseguir passar para o Q3. Na corrida, apostou em uma estratégia de apenas duas paradas e uma primeira perna bem mais longa que a dos demais concorrentes. Com isso, o escocês chegou a andar em terceiro e finalizou em uma ótima sexta posição. Disse ter feito sua melhor corrida no ano. Não há como discordar.

NICO ROSBERG6,5 – Apareceu muito pouco neste fim de semana, mas foi o único piloto de sua equipe a sair de Cingapura com pontos na cesta. Largou da sétima posição, subiu para sexto na primeira volta e esteve sempre naquelas posições pontuáveis mas não geniais. Só chamou a atenção quando, devido a problemas com pneus, escorregou e foi ultrapassado por Sergio Pérez na volta 28. Na curva seguinte, o alemão conseguiu dar o troco e recuperou sua posição. Sem ter as melhores condições de aderência, restou a ele terminar apenas em sétimo.

ADRIAN SUTIL7 – Tentou uma estratégia diferente da do companheiro Di Resta e não se deu tão bem, mas também conseguiu marcar alguns bons pontos. Largou à frente do companheiro unicamente pelo fato de ter uma numeração menor, já que nenhum dos dois treinou no Q3. Na corrida, começou como o melhor piloto da Force India, mas foi ultrapassado por Di Resta na volta 25. Depois, teve problemas com os pneus macios e acabou não conseguindo nada melhor que o oitavo lugar. Ainda assim, um bom fim de semana.

FELIPE MASSA5,5 – Tinha chances razoáveis de ter terminado em quinto, mas foi prejudicado pela idiotia de Hamilton e não passou do nono lugar. No treino classificatório, chamou mais a atenção por quase ter sido atingido pelo inglês no Q1 do que pelo sexto lugar. Na corrida, apareceu razoavelmente bem nas primeiras voltas, mas foi atingido por Lewis na volta 12, teve um pneu furado e caiu para o fim do grid. A partir daí, teve de efetuar uma corrida de recuperação e ganhou boas posições nas últimas voltas.  Depois da prova, demonstrou toda sua raiva com Hamilton. E nasceu aí uma bela inimizade entre os dois.

SERGIO PÉREZ5,5 – Parece estar se dando melhor nesta má fase da Sauber do que o badalado companheiro nipônico. No treino classificatório, ficou a uma posição do Q3. Na corrida, apostou em duas paradas para tentar se infiltrar nas dez primeiras posições e até conseguiu se dar bem, embora tenha sido atropelado por Schumacher na volta 29 e, com isso, tenha tido de antecipar sua segunda parada. Levou o último ponto para casa.

PASTOR MALDONADO6 – Está cada vez mais adaptado à Williams e à Fórmula 1. Nos treinos, deu muito trabalho a Rubens Barrichello. Na largada, ele efetivamente deixou o experiente companheiro para trás e nunca mais foi superado. Tinha chances de pontos, mas os pneus se desgastaram rapidamente e o venezuelano acabou ficando sem aderência no final da prova. Com isso, o sonho dos pontos acabou ali.

SÉBASTIEN BUEMI4 – Em um fim de semana no qual a Toro Rosso não esteve bem, o suíço passou longe dos pontos. Pelo menos, conseguiu deixar o companheiro Alguersuari no treino oficial e na corrida. Teve problemas com a falta de agilidade do carro nas curvas e com o excessivo desgaste de pneus. Com isso, não deu para obter nada além do 12º lugar.

RUBENS BARRICHELLO3,5 – Ele tentou fazer uma parada a menos que o companheiro e se deu mal com o safety-car, que o obrigou a permanecer na pista com os problemáticos pneus macios. Mesmo assim, não dá para ignorar o fato de ele ter ficado atrás do companheiro venezuelano desde a largada. Com um carro muito ruim, dá para dizer que não foi uma corrida tão desastrosa. Mas é por uma corrida não tão desastrosa que Rubens espera neste momento da vida?

KAMUI KOBAYASHI2 – É bastante chegado aos muros de Cingapura. No Q2 do treino oficial, voou por sobre a zebra daquela chicanezinha ingrata e bateu com força considerável na barreira de proteção. Com isso, o japa teve de largar de uma distante 17ª posição. Na corrida, foi prejudicado pelo safety-car, que arruinou a estratégia prevista por sua equipe. Além disso, tomou uma punição por desrespeitar uma bandeira azul. O 14º lugar foi até bom diante de tudo isso.

BRUNO SENNA4 – Não foi um fim de semana tão bom quanto os dois anteriores, mas dá para creditar na conta da Renault, que teve talvez seu pior fim de semana na temporada. Mesmo assim, Bruno conseguiu aparecer bem ao deixar Petrov para trás no treino classificatório pela segunda vez em três fins de semana. Na corrida, ele teve problemas com o desgaste dos pneus e chegou a danificar o bico em um toque no muro, o que acabou resultando em uma indesejável parada extra nos pits. Com quatro paradas e um carro instável, não dava para ter sonhado com um resultado melhor do que o 15º lugar.

HEIKKI KOVALAINEN6 – Mais uma vez, foi o melhor das equipes pequenas. A grande novidade, neste caso, foi ter terminado com uma ótima vantagem sobre o Renault de Vitaly Petrov. No treino oficial, fez o 19º tempo que costuma lhe cair bem. Na corrida, optou pela conservadora estratégia de três paradas e não teve problemas para deixar o russo definitivamente para trás a partir do safety-car. Inspirado, chegou a andar também à frente de Bruno Senna. Foi, de fato, o melhor piloto Lotus da corrida.

VITALY PETROV1 – Não pegou nem um pouco bem ter sobrado no Q1 e ter terminado tão atrás do Lotus de Kovalainen. Tudo bem, ele tinha um carro bastante problemático, mas seu companheiro conseguiu fazer bem mais com o mesmo equipamento. Na corrida, teve problemas com os pneus – assim como a maior parte dos pilotos – e com o KERS. Mas terminar atrás de um Lotus não estava nos planos. Foi, talvez, seu pior fim de semana na carreira.

JERÔME D’AMBROSIO5 – Trabalho digno, como de costume. Largou atrás de Glock, mas deixou o companheiro para trás na largada e, enquanto ambos estiveram na pista, sempre foi o comandante. Depois, teve a solitária tarefa de levar o carro até o fim poupando os pneus macios, já que ele havia optado pela estratégia de duas paradas. Não teve maiores problemas e fez aquilo que lhe cabia, ao contrário de seu colega.

DANIEL RICCIARDO 4,5 – É realmente um sujeito para se prestar atenção no futuro. No treino oficial, já deixou claro quem é que manda na HRT ao colocar quatro décimos no experiente companheiro de equipe. A corrida não foi tão tranquila, já que Daniel bateu sozinho na primeira volta e danificou o bico, o que o fez perder mais tempo do que ele já faria com a sua carroça. Mesmo assim, sabe-se lá como, terminou à frente de Liuzzi. Se não conseguir vaga na Toro Rosso em 2012, é melhor explodir o mundo e recomeçar do zero.

VITANTONIO LIUZZI3,5 – Já está ficando feio. O italiano, que tinha a obrigação de andar na frente do colega novato, ficou definitivamente para trás. No treino oficial, fez um tempo quatro décimos mais lento que o de Ricciardo. Na corrida, assim como o australiano, chegou a tocar o muro e teve de trocar o bico. Devemos considerar que ele teve de fazer uma parada a mais que o companheiro, o que pode ter lhe prejudicado. Mas se considerarmos de maneira cruel que o que importa é terminar na frente, o italiano não tem motivos para ficar feliz.

JAIME ALGUERSUARI3 – Retomou um padrão mais comum no início do ano, quando ele largava atrás e terminava atrás do companheiro Buemi. Apostou em uma estratégia de largar com pneus macios e não conseguiu se dar bem com isso. Para encerrar o mau fim de semana, bateu sozinho nas últimas voltas e passou o restante da corrida vendo a novela. De quebra, ainda irritou o compatriota Fernando Alonso por supostamente não ter lhe facilitado a ultrapassagem em bandeira azul.

JARNO TRULLI4 – Chamou a atenção por ter largado muito bem e por ter chegado a ocupar a 11ª posição durante duas voltas, quando todo mundo estava parando. Mas Alguersuari não estava muito disposto a colaborar e tocou a traseira de seu Lotus, o que prejudicou todo o comportamento da Lotus. Mais para a frente, o câmbio quebrou e sua noite acabou mais cedo.

MICHAEL SCHUMACHER3 – O gênio de Spa-Francorchamps e Monza se transformou no bobo de Marina Bay. Mas não precisamos ser tão injustos. Schumacher ficou atrás de Rosberg durante todo o tempo, mas nunca ficou tão distante. No momento de seu perigoso acidente, ele estava imediatamente atrás do companheiro e tentou se aproveitar da briga dele com Sergio Pérez. Em determinada curva, o velho alemão colocou de lado para ultrapassar o mexicano por dentro, mas calculou mal e bateu na roda traseira do Sauber. Com isso, sua Mercedes decolou e bateu de frente na barreira de proteção. Não se machucou, mas provou que a vista cansada pode atingir até mesmo os campeões mundiais.

TIMO GLOCK2,5 – Não teve um domingo fácil. No treino oficial, não teve problemas para deixar o companheiro D’Ambrosio para trás, embora a diferença entre os dois não tenha sido maior do que dois décimos. Na corrida, perdeu uma posição para o belga na largada e ainda foi acertado por Ricciardo na traseira. Com isso, seu carro ficou todo desalinhado e o resultado foi uma rodada e uma batida de traseira na volta nove.

RED BULL9 – Antes do fim de semana, todo mundo dizia que a McLaren era a favorita para esta corrida. Pois não é que todos estavam errados? Com exceção do primeiro treino livre, os rubrotaurinos pontearam todas as sessões possíveis, inclusive a mais importante, a corrida. É uma pena que apenas um piloto consiga usufruir das muitas qualidades do RB7. Sebastian Vettel marcou a pole-position, recuperou a ponta perdida para Alonso ainda no começo e desfilou rumo à sua oitava vitória. Enquanto isso, Mark Webber fez tudo errado e terminou com o carro destruído.

MCLAREN7,5 – Para uma equipe que foi apontada como a favorita até mesmo por gente da Red Bull, Monza não foi o fim de semana mais legal de todos. O maior problema foi a limitada velocidade no fim das retas, o que atrapalhou, por exemplo, a corrida de Lewis Hamilton, que ficou preso atrás de Schumacher por um tempão, mesmo utilizando o DRS. Lewis terminou em quarto. Jenson Button, mais espertinho, passou algumas pessoas e terminou em segundo. Não foi tão ruim assim, mas para quem esperava bater a Red Bull…

FERRARI6,5 – Não sei como é que a equipe quer alguma coisa se os pilotos chegam no final das corridas com os pneus em estado de miséria. Fernando Alonso, aquele que fez uma largada excepcional e que peitou Vettel nos primeiros metros da corrida, perdeu o segundo lugar para Button porque seus pneus haviam acabado. Não sei se Felipe Massa teve esse problema. Se teve ou não, isso não fez diferença, já que ficou naquela mesma sexta posição discreta de sempre.

MERCEDES8 – Poderia ter tido um fim de semana bem mais feliz se os dois pilotos tivessem feito um pouco mais no treino oficial. Nico Rosberg, aliás, acabou prejudicado pela sua posição desvantajosa, já que foi atingido no acidente da largada. Michael Schumacher, o moicano sobrevivente, protagonizou uma belíssima briga com Hamilton por duas dezenas de voltas e conseguiu terminar em quinto. O carro estava velocíssimo nas retas.

TORO ROSSO8 – Se o objetivo da equipe é sempre marcar pontos com os dois carros, Monza não poderia ter sido melhor. Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari não arrancaram sorrisos no treino oficial, mas se deram bem com o acidente da largada, o espanhol mais que o suíço. Jaime terminou em sétimo, Sébastien ficou em décimo e o DJ volta a estar na frente na preferência dos chefões da equipe.

FORCE INDIA6 – Não fez nada de mais, mas saiu da Itália com quatro pontinhos na carteira. Eles foram marcados por Paul di Resta, que não foi afetado pelas confusões da primeira chicane. Adrian Sutil se deu mal na largada, perdeu um monte de posições e ainda teve problemas hidráulicos.

RENAULT8 – Tinha um carro muito bom em Monza, ainda mais sabendo que Vitaly Petrov e Bruno Senna estiveram sempre entre os mais velozes nas retas. Os dois passaram para o Q3 da classificação e Petrov conseguiu um bom sétimo tempo. A corrida de ambos foi estragada pelo kamikaze Liuzzi. O russo não conseguiu sobreviver à primeira chicane. Bruno ainda terminou em nono e salvou a honra da Renault, além de ter feito seus primeiros pontos na Fórmula 1. O carro preto parece gostar de pistas velozes.

WILLIAMS4 – Nos terríveis dias correntes, um 11º e um 12º lugares podem ser considerados bons resultados. Pastor Maldonado até poderia ter marcado pontos, mas perdeu muito desempenho conforme a corrida avançou. Rubens Barrichello também poderia ter pontuado, mas teve de ir para os pits muito cedo consertar a destruição da largada. O carro não parecia ser tão rápido nas retas. E nem nas curvas.

LOTUS6,5 – Andar lá atrás, às vezes, tem suas vantagens. No caso dos esverdeados, Jarno Trulli e Heikki Kovalainen puderam sobreviver ao caos da primeira chicane. Os dois largaram nesta ordem, mas Kovalainen inverteu as coisas durante a corrida. Mas mesmo assim, os primeiros pontos ainda não vieram.

VIRGIN3,5 – O desempenho é o mesmo de ontem, hoje e sempre. Novidade foi o abandono do confiável Jerôme D’Ambrosio, que ficou sem câmbio após apenas três voltas. Timo Glock treinou, largou, se arrastou e chegou. É a equipe que me fornece menos material para escrever aqui.

HISPANIA1 – Que primeira volta, hein? Enquanto Daniel Ricciardo ficava parado no grid, Vitantonio Liuzzi abusava de seus talentos kenblockianos e, após belo drift, acertava os carros de Petrov e Rosberg sem dó. O australiano ainda teve problemas de superaquecimento no motor, mas conseguiu voltar à pista para dar algumas voltinhas. E até conseguiu chegar ao fim.

SAUBER1,5 – Fim de semana terrível. Os carros não estavam rápidos e nem confiáveis. No treino classificatório, Kamui Kobayashi quase ficou no Q1 e Sergio Pérez não esteve em situação muito melhor. Na corrida, o mexicano até conseguiu se aproveitar do acidente para ganhar um monte de posições, mas o câmbio de seu carro quebrou. E o mesmo problema também tirou Kobayashi da prova.

TRANSMISSÃOKING FOR A DAY – Ih, olha só, o roqueiro Jamiroquai! Ele está prestigiando o Grande Prêmio da Itália nos boxes da Ferrari. Espera um momento. Eu estou confundindo as bolas. O Jamiroquai não é uma pessoa. Muito menos um roqueiro. Talvez eu esteja me referindo ao vocalista da banda, o Jay Kay. Agora, sim. Ninguém olha para o Jim Morrison e diz que “aquele cara que canta Light My Fire, o Doors, é muito bom”. E o Jamiroquai não é uma banda de rock. Eles misturam um monte de coisa e etiquetam a mistureba com os adesivos “jazz” e “funk”. Mas tudo bem, pois quem lida com esportes não tem a menor obrigação de saber disso. Quem lida com esportes deve, sim, apontar a realidade. E a realidade não foi tão dourada (e preta) assim para Bruno Senna. Ele largou em décimo, caiu para o fim do grid e terminou em nono. Foi bom, mas não foi sensacional. Alguns que trabalham nas transmissões deveriam se tocar disso.

CORRIDAAGRADECIMENTOS A SCHUMACHER E LIUZZI – Estes dois aí foram os grandes nomes da corrida. O primeiro, com toda a sua coragem e a sua genialidade habituais, manteve um sedento Lewis Hamilton em seu lugar por vinte voltas. A disputa entre os dois foi bonita, perigosa e selvagem. Não por acaso, um é heptacampeão mundial e o outro ainda tem tudo para ser um dos grandes da história da categoria. Quem contesta a qualidade de qualquer um dos dois não está com suas faculdades mentais em bom estado. E o outro grande personagem, Liuzzi, só protagonizou o acidente mais legal do campeonato, que levou dois (Petrov e Rosberg) para casa e bagunçou todo o grid do meio do pelotão para baixo. Mesmo que alguns momentos tenham sido calmos até demais, os dois personagens aí em cima produziram uma das melhores corridas da temporada.

GP2PUNTO E BASTA – É, gente, acabou. A categoria mais legal dos monopostos encerrou sua sétima temporada ontem, no mesmo circuito de Monza da Fórmula 1.Uma temporada boa sem ser ótima que teve boas e péssimas corridas, bons e péssimos pilotos e um carro que parece permitir mais brigas que o anterior. Nesta semana, ou na outra, escrevo o resumo da temporada 2011. Falando sobre Monza, Luca Filippi deixou o pole-position Charles Pic para trás e ganhou a primeira corrida do fim de semana, aquela que vale mais pontos e uma estrelinha na testa. Na corrida do dia seguinte, Christian Vietoris repetiu a vitória do ano anterior. As provas foram inesperadamente chatas, mas bem significativas para os vencedores. Filippi conseguiu um inédito vice-campeonato, algo muito positivo para alguém que insiste obcecadamente nesse negócio de Fórmula 1. Vietoris acabou superando o companheiro Dani Clos no campeonato. Na pista, acabou desse jeito. Fora dela, todo mundo ficou triste pra caramba com a notícia da morte do dinamarquês Christian Bakkerud, que havia sofrido um acidente de carro na Inglaterra no sábado à noite. Escrevo sobre ele amanhã.

SEBASTIAN VETTEL10 – Que fim de semana, hein? Primeiro colocado em dois dos três treinos livres, pole-position com quatro décimos de vantagem para o segundo colocado, líder da corrida a partir da quinta volta e vencedor com absoluta folga. Sua oitava vitória foi impecável, devastadora e incontestável. No pódio, chorou. Lembrou-se de sua primeira vitória na Fórmula 1, obtida em 2008 com um Toro Rosso. Tem boas chances de fechar o campeonato já em Cingapura, local da próxima corrida. É um jovem estratos acima da média.

JENSON BUTTON9,5 – Lamarck teria orgulhos deste cara. Mais uma vez, Button se aproveitou de todas as situações para se dar bem e obter um brilhante segundo lugar. Não conseguiu a primeira fila e ainda perdeu várias posições na primeira volta, mas se recuperou e conseguiu a proeza de ultrapassar os bélicos Hamilton e Schumacher em uma única volta. Depois, aproveitou-se do mau estado dos pneus de Alonso para assumir a segunda posição. Sua inteligência o deixa nove pontos à frente do companheiro Hamilton.

FERNANDO ALONSO9 – Mais uma vez, fez mais do que o carro permite. Na largada, como uma bala perdida, saiu da quarta posição para a primeira sem qualquer oposição. Sob bandeira verde, não conseguiu permanecer na frente por mais do que uma volta e alguns metros, mas andou tranquilamente em segundo durante um bom tempo. Depois, teve problemas com os pneus e perdeu a segunda posição para Button, mas ainda conseguiu pegar um lugar no pódio. Considerando que quatro pilotos tem um carro melhor que o seu, fez até demais.

LEWIS HAMILTON 8,5 – Liderou o primeiro treino livre e dava impressão de que, finalmente, conseguiria peitar Sebastian Vettel. Mas o sonho acabou aí. Embora tenha feito o segundo treino na classificação, ficou quatro décimos atrás do alemão. Na corrida, sucumbiu a Alonso na largada e a Schumacher na relargada. Depois, protagonizou ao lado do heptacampeão a disputa mais bonita dos últimos tempos. Durante exatas vinte voltas, Lewis ficou atrás de Michael tentando encontrar um espaço para ganhar sua posição. Em determinado momento, até conseguiu, mas tomou o troco logo depois. O inglês só conseguiu concretizar o feito na volta 27. Mas estava muito atrás dos três primeiros e sossegou ali na quarta posição. Vale lembrar que a velocidade do McLaren não era a maior – o que certamente dificultou sua vida na briga com Schumacher.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Como é que eu vou dar uma nota mais baixa do que essa para ele? Pela segunda corrida consecutiva, Schumacher deu show e mostrou que, estando inspirado, ainda é um dos grandes pilotos da Fórmula 1. Foi melhor que Rosberg no treino classificatório, fez uma superlargada e estava em quarto quando o safety-car entrou na pista. Depois, ainda ultrapassou Hamilton com classe. E manteve-se à frente do inglês por vinte voltas, mesmo com o inglês usando o DRS nas retas. Só perdeu a briga na volta 27. E permaneceu em quinto até o fim.

FELIPE MASSA6 – Mais uma corrida silenciosa. Mais um sexto lugar silencioso. Nem mesmo no quintal da Ferrari, Felipe Massa conseguiu realizar uma corrida expressiva. Tudo bem, o acidente com Mark Webber não facilitou sua vida. Mas é triste vê-lo esquecido em uma espécie de limbo, tão longe dos pilotos de ponta como dos pilotos do meio do grid. Pelo menos, se divertiu um pouco ultrapassando pilotos de carros mais lentos. Mas, fazendo alteração livre nas palavras de Galvão Bueno, não é isso que se espera de um piloto da Ferrari.

JAIME ALGUERSUARI8,5 – Está em ótima fase e, nesse momento, é o que tem maiores chances de sobreviver ao cruel vestibular da Toro Rosso. No treino classificatório, ao contrário de Spa-Francorchamps, não foi bem e largou só à frente dos carros das equipes pequenas. Na corrida, no entanto, foi o que mais se beneficiou com as confusões da primeira volta e ganhou uma baciada de posições. Mas devemos destacar também o fato de ter sido rápido o suficiente para ter deixado Maldonado e Di Resta para trás.

PAUL DI RESTA6,5 – Voltou a pontuar em uma corrida bastante sólida, embora não perfeita. Ficou perto do Q3 na classificação, mas podemos dizer que, provavelmente, ele teria tido problemas na primeira curva se tivesse largado em nono ou décimo. Ao sobreviver ao pandemônio causado por Liuzzi, se livrou de vários adversários e pôde pelejar pelos pontos. Acabou perdendo uma posição para Alguersuari na estratégia, mas não tem o direito de ficar chateado pelo oitavo lugar.

BRUNO SENNA7 – Não, não foi uma corrida brilhante e genial como muita gente gostaria. O trabalho do brasileiro foi, sim, muito bom para alguém em sua situação. E só. No treino oficial, quase ficou de fora do Q3, mas se salvou no segundo tempo da prorrogação. Nesta última parte, inteligentemente optou pelo sacrifício de uma posição melhor para conseguir poupar um jogo de pneus. Na corrida, foi prejudicado indiretamente no acidente da largada e caiu para o fim do grid. Recuperou-se, fez boas ultrapassagens sobre Kobayashi e Buemi e marcou seus dois primeiros pontos. Que a lucidez seja despejada sobre aqueles que ainda babam pela combinação entre carro preto e capacete amarelo.

SÉBASTIEN BUEMI6 – Volta a ficar em larga desvantagem em relação a Alguersuari na briga fraticida da Toro Rosso. Andou melhor que o catalão no treino oficial, mas acabou tocando o carro estacionário de Rosberg na primeira curva e danificou a traseira de seu STR6. O suíço até conseguiu recuperar algumas posições no decorrer da prova e representou adversário difícil para Bruno Senna nas últimas voltas, mas não conseguiu nada além de um décimo lugar.

PASTOR MALDONADO 5 – Bateu na trave. Em um dos treinos livres, fez das suas e bateu seu Williams no guard-rail. No treino oficial, chegou a ficar à frente de Barrichello durante boa parte do Q2, mas acabou ficando uma posição atrás. Na largada, se deu muitíssimo bem com o acidente e pulou para a nona posição. Depois, até tentou se manter nas posições pontuáveis, mas seu FW33 era fraco demais para isso e ele acabou voltando para casa de mãos vazias. Enfim, muita ação para pouco resultado.

RUBENS BARRICHELLO3,5 – Haja motivação para seguir na Fórmula 1 desse jeito. Não, ele não fez papelão, mas também não conseguiu nada digno de seus mais de 300 GPs. No treino oficial, suou para superar o companheiro Pastor Maldonado. Na largada, acabou quebrando um bico em um toque no Mercedes de Rosberg e teve de fazer uma parada prematura. Depois, não fez rigorosamente mais nada de relevante. Mas chegou ao fim.

HEIKKI KOVALAINEN6 – Em determinado momento, eu até achei que daria para ele marcar algum ponto. Dessa vez, Heikki largou atrás de Jarno Trulli, mas as coisas se inverteram logo na largada. Para sua felicidade, um monte de gente à sua frente abandonou em acidentes ou quebras. Por isso, o 13º lugar. Como presente, ganhou um contrato novinho em folha com a Lotus em 2012.

JARNO TRULLI6 – Também conseguiu um resultado bom para suas possibilidades. No treino oficial, superou Heikki Kovalainen e foi o melhor das equipes nanicas. Na corrida, acabou perdendo a asa dianteira em um daqueles múltiplos incidentes da primeira curva e teve de fazer uma parada prematura. Mas não teve problemas para superar carros mais lentos e conseguiu terminar em uma interessante 14ª posição.

TIMO GLOCK5 – É outro que corre sem grandes ambições.  No treino classificatório, teve algum trabalho para permanecer à frente de Jerôme D’Ambrosio. Na corrida, sobreviveu incólume à primeira curva e chegou a assumir a 14ª posição. Com o passar das voltas, foi ultrapassado por todo mundo e acabou terminando à frente apenas do inexplicável Hispania de Daniel Ricciardo.

DANIEL RICCIARDO4,5 – Ele demorou um pouco, mas conseguiu. Uma volta dois décimos mais rápida que a de Vitantonio Liuzzi fez o australiano ganhar a parada pela primeira vez na temporada. Para sua infelicidade, o carro estava travado na terceira marcha na largada e não conseguiu partir. Empurrado para os pits, Daniel tentou voltar, mas o motor superaqueceu e ele teve de voltar aos pits novamente. Depois de tantos problemas, só restava a ele ir para a pista e ganhar alguma experiência. Pelo menos isso deu certo.

SERGIO PÉREZ6,5 – Certamente tinha boas chances de pontos para essa corrida, até mesmo pelo fato de ter de utilizar os pneus macios na parte final. Começou bem ao conseguir se sair bem melhor que Kobayashi no treino classificatório e ainda ganhou um monte de posições na carambola da primeira curva, mas teve problemas de câmbio enquanto estava em sétimo.

KAMUI KOBAYASHI 2 – É chato admitir isso, mas o japonês está em sua pior fase desde que estreou na Fórmula 1. No treino oficial, quase ficou de fora do Q2. Na largada, mesmo estando mais atrás, foi afetado no acidente da largada e teve de ir aos pits para trocar de bico e pneus. Depois, ficou longe dos pontos até o câmbio quebrar. Neste exato momento, me parece estar atrás de Pérez.

ADRIAN SUTIL2,5 – Neste fim de semana, parece ter voltado aos maus dias do início do ano. Já começou mais ou menos no treino oficial, quando ficou atrás do companheiro Paul di Resta. Seu domingo não começou melhor: na largada, o alemão escapou do acidente passando reto na chicane e, com isso, perdeu um monte de posições. Sem conseguir andar perto dos pontos, restava a ele tentar ao menos chegar ao fim. Mas nem isso deu certo, já que o sistema hidráulico falhou.

MARK WEBBER1 – Ridículo. Só não ganhou zero porque, por incrível que pareça, não dá para ficar surpreso com esse tipo de atuação. Já começou mal fazendo apenas o quinto tempo no treino oficial, perdendo para o companheiro Vettel, as duas McLaren e até mesmo a limitada Ferrari de Alonso. No início, para variar só um pouco, largou mal e perdeu duas posições. Logo após o safety-car, tentou ultrapassar Felipe Massa na primeira chicane, se atrapalhou e bateu no brasileiro. Ao tentar ir para os pits para consertar o bico, perdeu o controle na Parabolica e bateu de frente na barreira. Uma corrida ruim até mesmo para seus vulgares padrões.

JERÔME D’AMBROSIO2,5 – Difícil avaliar alguém lá do fim do grid que só dá três voltas e abandona por um problema no câmbio. Ossos do ofício, enfim. O belga até se saiu bem no treino classificatório, pois seu tempo ficou bem próximo do de Glock. A corrida acabou logo ali no comecinho, mesmo. E só.

VITALY PETROV5,5 – Coitado. O sétimo tempo no treino oficial indicava que ele teria ótimas chances na corrida. Para sua enorme infelicidade, Vitantonio Liuzzi veio lá do inferno direto para a lateral de seu carro. Sua corrida acabou ali, naquela conturbada chicane.

NICO ROSBERG4,5 – Outro coitado. A nota menor vai pelo fato de ter perdido para uma Renault e para o Schumacher no treino oficial. Fez uma largada digna e vinha tocando rodas com Petrov na primeira curva. Mas Vitantonio Liuzzi transformou tudo em uma salada mista e Rosberg foi um dos contemplados, sendo tocado também por Barrichello e Buemi. Fim de prova.

VITANTONIO LIUZZI0 – Esse não é coitado porra nenhuma. Na classificação, foi superado por Daniel Ricciardo pela primeira vez. Só por isso, sua nota já não seria tão alta, mas o que ele viria a fazer no domingo carimbaria o zero de vez. Ao grudar na traseira de Kovalainen, ele perdeu o controle de seu Hispania, foi para a grama, veio deslizando de lado e acertou uns duzentos pilotos lá na chicane. Pela proeza, tomou punição de cinco posições a menos no grid, o que não mudará nada. Ainda por cima, culpou Kovalainen pelo acidente. Nem na Force India ele conseguia um fim de semana tão desastroso assim.

RED BULL9,5 – Pelo resultado perfeito do domingo, merecia um dez. No entanto, devido ao enorme desgaste dos pneus de seus dois carros após o treino oficial, Sebastian Vettel e Mark Webber correram o sério risco de ter de largar dos boxes. Mas a destemida equipe decidiu arriscar a troca de pneus logo nas primeiras voltas. A tática funcionou e os dois pilotos chegaram ao fim nas duas primeiras posições. Depois de um tempão, a equipe rubrotaurina volta a lotear o lugar mais alto do pódio.

MCLAREN7,5 – Foi um daqueles típicos fins de semana em que um vai mal em um dia e o outro estraga tudo no dia seguinte. No sábado, Lewis Hamilton até arranjou confusão com Pastor Maldonado, mas conseguiu uma boa primeira fila. Quem se ferrou foi Jenson Button, que teve problemas de comunicação com sua equipe no Q2 e acabou largando lá no meio do povão. No dia seguinte, Button fez uma corrida espetacular e terminou no pódio. Quanto a Hamilton, deixa pra lá… Não creio que a equipe esteja lá muito feliz pelo fato do seu segundo piloto ser o que está mais à frente na tabela.

FERRARI6 – O mesmo que eu falei para a McLaren vale para a Ferrari: no sábado, um sai chorando; no domingo, é o outro. Fernando Alonso foi mal no treino classificatório, mas se garantiu com uma boa corrida. Por outro lado, Felipe Massa fez um ótimo quarto tempo no Q3, mas teve uma de suas piores corridas na Fórmula 1. Quanto ao 150TH, continuou às voltas com os mesmíssimos problemas com pneus mais duros. Como é que a equipe vai sonhar com boas posições se seus dois pilotos estão sapateando com um carro incapaz de andar bem com um determinado tipo de pneu?

MERCEDES8,5 – Teve sua melhor corrida no ano até aqui e merecia nota até maior, mas como é que o pneu traseiro do W02 do Schumacher escapa daquela maneira no Q1 da classificação? Coisa de Hispania, aquilo lá. No domingo, os dois pilotos usufruíram do ótimo desempenho do carro prateado em retas e fizeram grandes atuações. Schumacher saiu lá de trás e terminou em quinto. Nico Rosberg chegou a liderar a corrida, mas terminou em sexto.

FORCE INDIA6 – Vai entender o que aconteceu. A equipe, que costuma andar bem na veloz pista belga, não conseguiu acertar o carro nos treinos. Os únicos que conseguiram acertar alguma coisa foram os pilotos no guard-rail: Paul di Resta na sexta e Adrian Sutil no sábado. Largando lá atrás, a equipe teve de apostar na estratégia. O alemão se deu bem por ter parado durante o safety-car e terminou em sétimo. Di Resta não se deu tão bem assim e não marcou pontos.

RENAULT7,5 – A troca de Nick Heidfeld por Bruno Senna, por incrível que pareça, surtiu efeito positivo. O brasileiro andou muitíssimo bem nos treinos, mas se prejudicou na corrida ao bater em Alguersuari na primeira volta. Vitaly Petrov, por outro lado, conseguiu se dar bem na corrida e marcou dois pontos. Vale notar que a equipe trouxe novidades para esta pista e o carro melhorou bastante, mas ainda não o suficiente. Resta saber agora quem será o companheiro de Petrov em Cingapura. Só a justiça dirá.

WILLIAMS5,5 – Diz Rubens Barrichello que o carro estava bom neste fim de semana. Talvez ele estivesse certo, já que o companheiro Pastor Maldonado fez seu primeiro ponto nesta temporada. O venezuelano largou lá atrás após causar um acidente bem idiota com Hamilton, mas se redimiu no domingo com uma bela atuação. Quanto a Barrichello, estava mal até bater em Kobayashi e piorar tudo de vez. Patrick Head e Adam Parr não precisavam destes acidentes, definitivamente.

SAUBER4,5 – Dessa vez, a equipe foi bem melhor no treino classificatório do que na corrida. Sergio Pérez até passou para o Q3, mas sua corrida foi arruinada após tocar em Sébastien Buemi. Kamui Kobayashi, que não passou para a última fase do treino, largou muito bem e estava entre os dez primeiros, mas também teve sua corrida prejudicada quando Hamilton quis se matar utilizando o japonês como apoio. Precisa reagir.

LOTUS6,5 – Quase protagonizou um momento pastelão quando Heikki Kovalainen e Jarno Trulli se tocaram na La Source. Seria chato se os dois abandonassem ali, pois o finlandês andou muito bem no treino oficial e o italiano também não havia ido tão mal. No fim, ambos terminaram à frente de Rubens Barrichello. E não ficaram à frente de Bruno Senna por pouco. Muito lentamente, avança.

VIRGIN3,5 – Jerôme D’Ambrosio ficou perigosamente próximo do limite dos 107% no treino oficial, mas conseguiu largar e terminar. Timo Glock fez o que se esperava dele no sábado, mas causou um tremendo salseiro na primeira curva e prejudicou suas chances aí. Acabou terminando atrás do belga, o que nunca lhe é interessante. Quanto à Virgin, sem novidades: medíocre pacas.

HISPANIA2 – Estava correndo sério risco de ficar de fora da corrida com os dois carros, mas a regra de 107% não vale para a chuva e, portanto, daria para largar. Daniel Ricciardo vinha muitíssimo bem, mas acabou abandonando quando estava em 15º. Vitantonio Liuzzi, mais lento, conseguiu chegar ao fim. Te cuida, Tonio!

TORO ROSSO8,5 – Não gosto da equipe, mas fiquei com bastante dó dela neste domingo. Jaime Alguersuari e Sébastien Buemi se destacaram positivamente no sábado e o espanhol conseguiu um milagroso sexto lugar no grid. Infelizmente, em menos de seis voltas, os dois já estavam fora da corrida, vítimas de acidentes nos quais não tiveram a menor culpa. Alguersuari foi acertado por Bruno Senna e Buemi foi tirado da prova por Pérez. Péssimo resultado para uma equipe que tinha totais chances de marcar um monte de pontos com os dois pilotos.

TRANSMISSÃOREGINALDO SENNA E KEKE ROSBERG – Nesse fim de semana, o convidado especial da transmissão brasileira era o tio de Bruno Senna, Reginaldo, sujeito barrigudo, careca, gordo e muito gente boa, que conta piadas de português e arrota após tomar cerveja barata. Não ouvimos muitos comentários dele, mas se o locutor o chamou, é porque ele estava lá. Vale notar também a homenagem que a Mercedes quis fazer a Michael Schumacher pelos seus 20 anos na Fórmula 1. Como Nico Rosberg é uma menininha chinfrim, Ross Brawn decidiu colocar seu pai, o ex-campeão Keke Rosberg, para correr em Spa e deixar o heptacampeão um pouco mais feliz. O locutor, extasiado, não parava de falar no nome de um dos pilotos mais pirados que a categoria já teve. No mais, Bruno Senna teve seu saco devidamente chupado pela emissora que transmite a Fórmula 1 no Brasil e foi cuidadosamente empalado no domingo, quando atropelou Alguersuari na largada. Tudo para não macular a imagem do garoto. Por fim, uma última observação: colocaram chimpanzés para comandar as câmeras de TV? As transmissões estão perdendo muitos acidentes e momentos importantes.

CORRIDATHIS IS SPA – Uma corrida meia-boca em Spa-Francorchamps, salvo aberrações (1999, por exemplo), é nota sete, no mínimo. Essa daqui foi nota oito. Não é a corrida que você fará questão de contar para os seus netos, mas também não será jogada na lata de lixo. Sem chuva, tivemos muitas ultrapassagens, diferenças de estratégia, acidentes e desmaios. Lewis Hamilton acertou o guard-rail com tudo, passou alguns segundos em outro planeta e saiu vivo. Esse daí tem de ter o santo forte. O companheiro Jenson Button, por outro lado, abrilhantou a prova com sua excepcional corrida de recuperação. Melhor que ele, só o Schumacher, que saltou da última posição para a quinta. Não me lembro dele ganhando dezenove ou mais posições em outras ocasiões. E Vettel ganhou mais uma. Só para mostrar quem é que manda.

GP2GROSJEAN, PORRA! – Neste último sábado, a GP2 Series fez seu sétimo campeão. Romain Grosjean, suíço metido a francês, não precisou de nada além de um terceiro lugar e dos infortúnios de Giedo van der Garde e de Charles Pic para, finalmente, se sagrar campeão da categoria imediatamente anterior à Fórmula 1. Grosjean mereceu: ganhou cinco corridas e foi muito constante nas demais. Em 2012, pode pintar na Renault, na Williams, na Toro Rosso ou em lugar nenhum, o que é improvável. Voltando a Spa, quem ganhou a primeira corrida foi Christian Vietoris, que liderou de ponta a ponta. Esta primeira corrida foi bem chata e apenas Stefano Coletti, que adora se autodestruir na Bélgica, animou as coisas com um violento acidente com Mikhail Aleshin. No dia seguinte, o literalmente eterno Luca Filippi venceu pela segunda vez no ano após tomar a liderança do José Créu, conhecido entre os checos como Josef Kral. O destaque fica para Fabio Leimer, outro com tendências suicidas, que sofreu um dos acidentes mais pavorosos da história da categoria na Radillon. Pelo menos, não se machucou. Mas tá pedindo.

SEBASTIAN VETTEL10 – Quem achava que ele já não era mais capaz de dominar um fim de semana como no início do ano estava simplesmente errado. Após três corridas na secura, o jovem alemão venceu de maneira impecável. Marcou uma bela pole-position quando o cronômetro já estava encerrado e quando seus pneus macios já não estavam nas melhores condições. Na corrida, largou mal devido às bolhas dos compostos e teve de parar na quinta volta para trocá-los. Oito voltas depois, quando o safety-car entrou na pista, parou novamente para utilizar os pneus mais duros. Além de ter sido preciso na estratégia, fez boas ultrapassagens, tomou a liderança e não foi incomodado por ninguém. Corrida de futuro bicampeão mundial.

MARK WEBBER7,5 – Não achei o resultado final tão ruim. Tudo bem, Mark não largou na primeira fila, mas não dá para esperar muito dele. Na corrida, largou absurdamente mal como de costume e decidiu fazer sua primeira troca de pneus na terceira volta. A partir daí, as coisas melhoraram drasticamente. Na volta 9, fez a ultrapassagem mais legal do ano sobre Alonso na temida Eau Rouge, mas tomou o troco na volta seguinte. Após o safety-car, ficou um tempo atrás do espanhol, mas conseguiu tomar a segunda posição quando os pneus da Ferrari estavam no fim.

JENSON BUTTON10 – Que corrida foda. Não há como dar nota menor a alguém que sobe de 13º para o pódio sem depender de muitas quebras ou da chuva. Na classificação, o mau resultado se deveu a um erro de comunicação com a equipe, já que ele acabou não conseguindo fazer uma volta rápida no melhor momento na pista. Na largada, acabou sendo atingido por um monte de peças voadoras e ficou sem retrovisor. Depois de tantos problemas, o fato dele ter ganhado um monte de posições na segunda metade da prova pode ser considerado, no mínimo, impressionante. Utilizar pneus macios no final certamente ajudou, mas só um Jenson Button conseguiria por em prática esse tipo de estratégia.

FERNANDO ALONSO8 – Mesmo que não pareça, fez uma corrida muito boa. Não foi bem no treino classificatório, mas compensou pilotando feito um maluco nas primeiras voltas. Ao voltar de sua primeira parada, foi surpreendido com uma belíssima ultrapassagem de Webber na Eau Rouge, mas deu o troco na volta seguinte. Após o safety-car, estava na segunda posição, mas acabou tendo problemas com os pneus e perdeu rendimento até o final.

MICHAEL SCHUMACHER10 – Fez uma de suas melhores corridas na vida e comprovou, para mim, que é melhor que Nico Rosberg até mesmo estando velho e babão. No treino classificatório, perdeu uma roda de maneira patética no Q1, bateu e teve de largar em último. Na corrida, já começou ganhando dez posições na primeira volta. Não satisfeito, continuou ultrapassando todo mundo até chegar na quinta posição. Seu companheiro, que chegou a completar a primeira volta na liderança, terminou 1s2 segundo atrás. Melhor maneira de comemorar os 20 anos de sua estréia, impossível.

NICO ROSBERG8,5 – Mesmo assim, não consigo dar nota baixa ao filho do Keke, que também andou muito bem em Spa. Começou bem no treino classificatório, quando fez um ótimo quinto tempo. Na corrida, deu uma de Ayrton Senna em Donington Park e ultrapassou os quatro rivais à frente até o fim da reta Kemmel. Depois, fez de tudo para atrapalhar a vida dos carros mais rápidos e conseguiu, principalmente no caso de Felipe Massa. Enfim, finalmente realizou uma corrida agressiva. Mas é impossível negar que não foi legal ter terminado atrás do companheiro que largou em último…

ADRIAN SUTIL8 – Não foi nem um pouco bem no treino classificatório, mas deu uma sorte do caramba na corrida, e isso é o que importa. Partindo da 15ª posição, ele ganhou algumas posições na primeira volta e se aproveitou dos pit-stops prematuros dos pilotos mais à frente para se dar muito bem. Quando o safety-car entrou na pista, Adrian espertamente entrou nos pits para fazer sua primeira parada sem perder tanto tempo. Com isso, conseguiu ficar na sexta posição no recomeço da corrida. Terminou em sétimo e saiu no lucro.

FELIPE MASSA3 – Realmente, não dá para entender o que aconteceu depois da primeira volta. No Q3 da classificação, fez um ótimo quarto tempo. Após as luzes vermelhas, largou bem e chegou a ameaçar a segunda posição. Depois disso, não só não conseguia atacar quem vinha à frente como também sucumbiu facilmente a quase todos que vinham atrás. No final, ainda teve um pneu furado e teve de fazer uma parada extra. Não é este o Felipe Massa arrojado e inconseqüente que nos acostumamos a ver.

VITALY PETROV6 – Dois bons pontos para alguém que não teve o melhor fim de semana de todos. Na sexta-feira, teve problemas em uma das sessões e não conseguiu marcar tempo. No sábado, ficou três posições atrás de Bruno Senna no grid. Na corrida, não fez nenhuma bobagem e também não chamou a atenção em momento algum, embora parte desta apatia seja justificada por um problema de freios no final. Corrida normal.

PASTOR MALDONADO6,5 – Até que enfim, hein? O venezuelano finalmente fez seu primeiro ponto na Fórmula 1. E o conseguiu após uma boa corrida. No sábado, além de ter ido mal, ainda jogou seu carro sobre o McLaren de Hamilton no fim do Q2 e, com isso, acabou perdendo cinco posições no grid. Silenciosamente, ganhou posições na largada e também durante a corrida. Não sei mais o que dizer sobre ele, mas o fato é que ele terminou à frente de pilotos com carros bem melhores que o seu FW33. Muito bom.

PAUL DI RESTA4 – Depois de um excelente fim de semana na Hungria, voltou a ter os probleminhas de sempre. Mesmo pilotando um carro razoável, foi mal no treino classificatório e sobrou no Q1, chegando a ficar atrás do Lotus de Kovalainen. Na largada, acabou se envolvendo em uma batida com Glock e ficou com o bólido avariado. Depois, ainda teve de atrasar seu pit-stop no momento do safety-car e perdeu muito tempo. Não fosse isso e ele até poderia ter marcado pontos. Mas bem que ele poderia ter largado um pouco mais à frente, né?

KAMUI KOBAYASHI3,5 – Faz tempo que não consegue fazer uma boa corrida. No treino classificatório, ao contrário de seu companheiro, sobrou no Q2. Na corrida, seu melhor momento foram as primeiras voltas, nas quais ele conseguiu se estabelecer entre os dez primeiros. No entanto, tudo mudou na volta 13, quando ele acabou sendo tocado por Hamilton, que se descontrolou e bateu com tudo no guard-rail. Kamui seguiu em frente, mas nunca mais conseguiu andar perto dos pontos.

BRUNO SENNA7,5 – Ganhará um post amanhã. Dessa vez, um post positivo. Devo dizer que o brasileiro me deixou emudecido após seu desempenho no sábado. Na sexta-feira, ele já havia andado razoavelmente bem. No sábado, no entanto, o sobrinho sempre esteve muito rápido e conseguiu se qualificar em uma brilhante sétima posição no grid, três posições à frente do companheiro Petrov. A corrida, de fato, não foi boa. Bruno perdeu o ponto de freada na largada e acertou violentamente o carro de Jaime Alguersuari. Com isso, foi punido e caiu lá para o fim do grid. A partir daí, ele só poderia tentar ganhar quilometragem e algumas posições. Conseguiu. Honestamente, fico feliz por ver um piloto calando minha boca. Que consiga fazer um bom trabalho em Monza.

JARNO TRULLI6,5 – Teve um fim de semana bastante razoável. No treino classificatório, fez o nada de sempre, mas tudo bem. Na largada, foi abalroado pelo companheiro Kovalainen, que tentou evitar bater em Di Resta. Mesmo com o assoalho danificado, o italiano conseguiu manter um bom ritmo durante a corrida. Até algumas voltas para o fim, havia um Williams e um Renault atrás dele. Nada mal.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – Também andou direitinho. No treino de classificação, deixou Paul di Resta para trás e conseguiu participar do Q2, o que é notável para sua equipe. Na largada, tocou em Jarno Trulli e perdeu o bico do carro. Mesmo assim, não desistiu e ganhou um bocado de posições. Sabe-se lá como, finalizou a prova à frente de Barrichello.

RUBENS BARRICHELLO3 – Fez o de sempre. O detalhe negativo é que seu companheiro Maldonado conseguiu marcar um bom ponto, o que fará Frank Williams ponderar se é realmente um bom negócio manter o brasileiro em 2012. Largou da 14ª posição e até chegou a andar entre os dez primeiros, mas perdeu muito tempo com Nico Rosberg e acabou ficando longe de qualquer possibilidade de pontos. No fim, ainda bateu em Kobayashi e teve de trocar o bico. Ficar atrás dos dois Lotus não estava nos planos.

JERÔME D’AMBROSIO 4 Correr em casa, no caso dele, não muda nada. Em sua posição, uma corrida boa é aquela em que seu companheiro termina atrás. Para sua felicidade, foi exatamente isso que aconteceu. No treino classificatório, chegou a correr sério risco de ficar de fora dos 107%, mas se safou. Na corrida, sobreviveu aos incidentes e chegou ao fim.

TIMO GLOCK2,5 – No treino oficial, o de sempre: uma espécie de limbo, em que ele fica muito atrás da Lotus e muito à frente do companheiro de equipe. A corrida não prometia muita coisa, mas não havia necessidade dele bater com tudo em Paul di Resta na La Source, o que lhe rendeu uma bela punição. Após o incidente, restou a ele ultrapassar Liuzzi e terminar em penúltimo.

VITANTONIO LIUZZI3,5 – No treino oficial, não conseguiu fazer um tempo dentro dos 107%, mas foi salvo pelo fato da chuva anular este limite. Largou muitíssimo bem e chegou a completar a primeira volta em 18º. Depois, como era de se esperar, despencou e terminou em último. Ao menos, terminou.

SERGIO PÉREZ5 – Tinha grandes chances na corrida após largar de uma excelente sétima posição, mas colocou tudo a perder na quinta volta, quando bateu na traseira de Sebastien Buemi e acabou sendo punido por isso. Após isso, ficou perambulando lá atrás até sentir a traseira de seu carro estranha e recolher para os pits.

DANIEL RICCIARDO 6,5 – Continua mostrando muito talento. No treino oficial, andou no mesmo décimo de segundo do companheiro Liuzzi. Na corrida, partiu como uma bala na largada e chegou a estar à frente de sete carros no fim da primeira volta. Mesmo com o decorrer da prova, manteve-se à frente de carros mais velozes e abandonou quando estava em 15º. É um sujeito diferenciado.

LEWIS HAMILTON1 – O que esse cara tem na cabeça? Desconfio que a tal massa cinzenta dele, na verdade, é amarronzada e cheira mal. Isso o faz um dos sujeitos mais velozes do planeta – e também um dos mais estúpidos. Eu torço muito por ele, mas há momentos em que você simplesmente sente vontade de torcer seu pescoço. No treino oficial, mesmo tendo feito um ótimo segundo tempo, chamou a atenção por ter se envolvido em um acidente ridículo com Maldonado – outro tonto – no Q2. Na corrida, largou mal e se viu obrigado a recuperar posições. Após sua primeira parada, Lewis ultrapassou Kobayashi e, logo depois, se viu obrigado a se defender do japonês. Sem a menor noção, o inglês se colocou na mesma linha do japonês e os dois se tocaram. Hamilton bateu de frente no guard-rail com tanta força que até eu desmaiei. Como ponto positivo, admitiu a culpa, algo novo em sua vida.

SEBASTIEN BUEMI7 – Pelo que vinha fazendo até seu abandono, acredito que tinha boas chances de terminar entre os cinco primeiros. No treino oficial, embora tenha ficado bem atrás de Alguersuari, não foi mal e obteve o 11º lugar. No dia seguinte, largou maravilhosamente bem e pulou para a sexta posição logo no começo. E ficou por lá até Pérez tocar em sua traseira e tirá-lo da corrida.

JAIME ALGUERSUARI7 – Fiquei até meio chateado. Ele, que não costuma ir tão bem em treinos classificatórios, obteve uma impressionante sexta posição no grid e tinha tudo para fazer sua melhor corrida na vida. Infelizmente, foi atropelado por Bruno Senna na primeira curva e teve de abandonar.

MCLAREN9,5 – Ah, se ela tivesse o melhor carro… Mesmo que o MP4-26 não seja a maior maravilha de Woking, a equipe está em ótima fase, especialmente com sua excelente e coesa dupla de pilotos. Jenson Button, em outra daquelas suas típicas atuações de gala em corridas estranhas, venceu após dar um show de estratégia e pilotagem. Lewis Hamilton, quarto colocado, também andou uma barbaridade e poderia ter vencido se não tivesse cometido alguns erros no final. A cena mais legal, no entanto, foi o abraço sincero entre os dois pilotos e Jessica Michibata, a namoradinha do Button. Porque companheiro de equipe não precisa ser teu inimigo de escola.

RED BULL7,5 – Em Hungaroring, a equipe das latinhas sentiu a proximidade incômoda das adversárias, algo que não vinha acontecendo em etapas anteriores. Sebastian Vettel fez a pole e liderou algumas voltas, mas perdeu posições para os dois McLaren e só pegou um segundo lugar graças às bobagens de Hamilton. Mark Webber largou em sexto e terminou em quinto, nada digno de aplausos. Três corridas sem vitórias é um pouco demais para a construtora do RB7. Hora de reagir, não?

FERRARI6,5 – Apesar de tudo, pegou um pódio. Em Hungaroring, os ferraristas não conseguiram bater a McLaren e a Red Bull, mas Fernando Alonso ainda deu uma de enxerido e se embrenhou no degrau mais baixo do pódio. Felipe Massa terminou em sexto mesmo tendo largado à frente do companheiro, fato inédito neste ano. Destaca-se o sofrimento de Alonso e Massa em aquecer os pneus quando a pista está mais fria. As rodadas e erros não se deram por acaso.

FORCE INDIA7 – Deu uma boa melhorada de algumas corridas para cá. Até mesmo as besteiras na hora de executar as estratégias ficaram para trás, para felicidade de Paul di Resta, que deixou a má sorte de lado, fez uma excelente corrida e terminou em sétimo. Adrian Sutil, seu companheiro, tinha chances de ter ido até melhor, mas se complicou na primeira volta e acabou ficando para trás. De qualquer jeito, do jeito que estão as coisas, os indianos podem sonhar em marcar pontos com os dois pilotos.

TORO ROSSO6,5 – E a Toro Rosso, veja só, marcou pontos com os dois pilotos. Mesmo após um mau treino classificatório para os dois pilotos, tanto Sébastien Buemi como Jaime Alguersuari saíram satisfeitos com os resultados obtidos na corrida. Buemi fez uma ótima largada, ultrapassou bastante gente e levou quatro pontos para casa. Alguersuari foi menos brilhante, mas também ganhou posições e marcou um ponto. O trabalho dos mecânicos e estrategistas foi muito bom.

MERCEDES3 – Apareceu bem apenas no início da corrida, quanto tanto Nico Rosberg como Michael Schumacher estiveram brigando com os dois pilotos da Ferrari. No entanto, o heptacampeão abandonou com problemas no câmbio e Rosberg teve problemas com a estratégia. Apenas dois pontos foram marcados e a equipe das três pontas segue naquela medíocre posição de quarta equipe que não ameaça ninguém e que também não é ameaçada.

SAUBER2,5 – Saiu de Hungaroring sem pontos, mesmo tendo um carro que consome menos pneus que qualquer outro no grid. No sábado, Sergio Pérez foi bem melhor que Kamui Kobayashi, mas a situação se inverteu dramaticamente na corrida. Kobayashi chegou a andar nos pontos, mas teve de permanecer na pista com pneus ruins por muito tempo e perdeu algumas posições. Já Pérez acabou com sua corrida na primeira volta, quando perdeu um monte de posições após um erro.

RENAULT2 – Segue ladeira abaixo a equipe preta e dourada. Dessa vez, nenhum dos dois pilotos conseguiu largar entre os dez primeiros. Na corrida, Vitaly Petrov até se esforçou, mas errou na estratégia e terminou apenas em 12º. Nick Heidfeld teve a bunda chamuscada quando seu carro começou a pegar fogo logo ao sair de sua segunda parada nos pits. Demonstrando como está bom o clima lá na Renault, o chefe Eric Boullier insinuou que o único culpado pelo incêndio foi o próprio piloto. Pode?

WILLIAMS3 – Não passou vexame, mas também não trouxe novidade nenhuma. Na classificação, Rubens Barrichello deixou Pastor Maldonado para trás, mas nenhum deles foi bem. Na corrida, Rubinho até se esforçou, mas acabou utilizando pneus intermediários e, assim como o venezuelano, passou muito longe dos pontos.

VIRGIN4 – Com o abandono dos dois pilotos da Lotus, foi a melhor equipe pequena, embora não tenha conseguido terminar totalmente à frente da HRT. Timo Glock andou bem e não teve problemas para ficar à frente de seus adversários mais próximos. Jerôme D’Ambrosio foi o pateta do mês ao rodar dentro dos boxes. Como se não bastasse, ainda terminou atrás do novato Daniel Ricciardo.

HRT3,5 – Passando por grande reestruturação, a equipe não apresentou novidades na Hungria. Ambos os pilotos terminaram, mas Daniel Ricciardo conseguiu a proeza de superar Vitantonio Liuzzi e também o Virgin de D’Ambrosio. Aos poucos, ele aprende. Quanto a Liuzzi, ele tinha chances de ter terminado à frente do companheiro, mas foi surrado por trás na primeira volta e perdeu muito tempo. Ah, só para constar, o nome Hispania foi descontinuado. A partir daqui, só chamo a equipe de HRT, o nome adotado oficialmente pela nova gestão a partir de agora.

LOTUS2,5 – Em termos de velocidade pura, apareceu bem e seus dois pilotos enfiaram quase dois segundos na Virgin e na HRT. Infelizmente, a confiabilidade foi um problema na Hungria. Tanto Heikki Kovalainen como Jarno Trulli tiveram problemas de vazamento de água e foram obrigados a parar para não estourar os reluzentes propulsores Renault.

Não tem foto da Hungria. Foda-se. GO, COLETTI!

TRANSMISSÃOEU NUNCA VI ISSO – No sábado, o narrador impressionante foi escalado para fazer o servicinho sujo. Fiquei incomodado, pois não gosto dele, de sua cara de tonto e do seu didatismo quase infantil. O narrador principal estava cobrindo o sorteio das eliminatórias da Copa 2014, que certamente será realizada em Londres. No domingo, ele estava de volta, para minha felicidade. Desta vez, não houve lá grandes absurdos a serem considerados. Destaco o pito que ele deu aos desocupados que invadiram o site do pobre Jenson Button, que estava no hospital AEK agonizando de dores após um acidente. No momento do incêndio do Heidfeld, o respeitável narrador apontou que o problema havia sido no reabastecimento – banido no ano passado. Por fim, a frase mais engraçada foi esta do título, dita no replay da rodada do D’Ambrosio. Com direito a riso irônico. Porque nos meus 414 anos de Fórmula 1, eu já vi de tudo, blábláblá…

CORRIDAVIVA MOGYORÓD! – A gente se acostumou a falar mal do Grande Prêmio da Hungria, mas devemos concordar que esta foi uma das melhores corridas do ano – e certamente uma das melhores destes quase 25 anos de provas nos arredores de Budapeste. A chuva não apareceu com força, o que não é algo negativo, já que os pederastas que mandam na categoria não gostam de provas debaixo de muita água. Sebastian Vettel fez a pole, mas felizmente não foi bem e acabou impedindo que a prova magiar fosse uma chatice como só ela sabe ser. Lewis Hamilton e Jenson Button brilharam cada um à sua maneira, sendo que o primeiro se deu mal e o segundo venceu. Outros destaques foram Paul di Resta, Sébastien Buemi e Heikki Kovalainen. Convenhamos: uma corrida com muitos destaques é uma corrida boa.

GP2TEMOS UM CAMPEÃO? – Até Silverstone, ninguém lá no grid da minha querida GP2 estava lá merecendo muito este título. Todo mundo, sem distinção de raça, cor e religião, ganhava corridas e fazia besteiras imperdoáveis de maneira alternada. Nas últimas duas rodadas, no entanto, o pseudofrancês Romain Grosjean ganhou duas corridas e disparou na ponta do campeonato. Em Hungaroring, Romain herdou a vitória da Feature Race após Luiz Razia largar mal pra cacete e Marcus Ericsson, líder durante a maior parte da corrida, ser punido após ser liberado em momento perigoso quando fez sua parada nos boxes. Pena para o sueco, que é piloto bom e tem cara esquisita. No domingo, choveu e a corrida foi um manicômio geral. Alguns pilotos decidiram largar com pneus slicks na pista úmida e se deram bem com isso. Stefano Coletti, piloto para quem escolhi torcer neste ano, venceu de maneira brilhante após apostar nesta estratégia, fazer um monte de ultrapassagens e contar com a sorte. Eu não erro nunca. Coletti será o primeiro monegasco octacampeão mundial de Fórmula 1, anotem.

JENSON BUTTON9,5 – De internado em estado grave no hospital AEK a grande vencedor da etapa húngara. Este foi o domingo de Jenson Button, que não teve um dia tranquilo. De manhã, alguns hackers engraçadinhos postaram em seu site a falsa notícia que deixou todos assustados. Verdade revelada, Button saiu da terceira posição do grid para uma de suas melhores corridas na vida. Ainda na primeira metade da prova, passou Vettel e tomou a segunda posição. Depois, na terceira parada, deu o grande pulo do gato ao optar por permanecer na pista com pneus macios e, portanto, economizar uma parada. Lá pela volta 50, protagonizou um dos grandes duelos do ano com o companheiro Hamilton. 27 voltas depois, cruzou a linha de chegada em primeiro. Neste momento, é o grande piloto das corridas malucas.

SEBASTIAN VETTEL7,5 – Silencioso segundo lugar, o que não preocupa muito, já que o jovem germânico ainda tem uma enorme vantagem para o resto. Sofreu para fazer a pole-position, mas a fez, 23ª de sua carreira. Na corrida, resistiu na liderança por apenas algumas voltas até ser ultrapassado por um inspiradíssimo Hamilton. Após sua primeira parada, foi ultrapassado também por Button. Só terminou em segundo porque Lewis teve lá sua série de contratempos. Ainda assim, obteve mais um resultado importantíssimo para o campeonato.

FERNANDO ALONSO7 – Fim de semana movimentadíssimo para alguém que pilota um carro que não se dá bem em um clima mais frio e chuvoso. No treino oficial, o espanhol perdeu para o companheiro Massa pela primeira vez no ano. Na corrida, passou por tudo quanto é tipo de perrengue. Disputou posição com Nico Rosberg e com Massa, saiu da pista duas vezes no momento em que os pneus Pirelli não estavam aquecidos e até chegou a rodar no fim. Mesmo assim, entre mortos e feridos, chegou em terceiro.

LEWIS HAMILTON8,5 – Foi talvez o nome mais expressivo de uma corrida que é a sua cara. Brigou pela pole-position com raça, mas perdeu para a latente superioridade do Red Bull de Vettel. Na corrida, largou pressionando de maneira fulminante o alemão. Em poucas voltas, fez a ultrapassagem e abriu boa distância rapidamente. Se a corrida fosse normal e comum, o inglês fatalmente teria se sagrado o vencedor. Como não foi, Lewis e sua equipe erraram em três momentos fundamentais. Em primeiro lugar, optou por utilizar pneus supermacios na terceira parada e fazer uma nova parada para colocar pneus macios no final, estratégia que se mostrou falha. Depois, rodopiou quando a chuva recomeçou e, kamikaze, fez um cavalo de pau à frente de vários carros que vinham atrás. Pela proeza, tomou merecida punição. Por fim, ainda chegou a apostar em pneus intermediários quando a pista já estava seca. Até que não foi tão ruim terminar em quarto, mas seu início de corrida foi bom o suficiente para uma vitória.

MARK WEBBER6,5 – Fez mais uma corrida bobinha. Ao contrário das duas etapas anteriores, passou longe da pole-position e largou apenas em sexto, sendo o pior das equipes grandes. Na primeira volta da corrida, como sempre, perdeu posições e caiu para oitavo. Depois, em dois momentos distintos, foi beneficiado e prejudicado pela estratégia. No início, foi um dos primeiros pilotos que apostaram na troca dos pneus intermediários pelos slick, o que o ajudou a subir algumas posições. No fim, no entanto, apostou nos pneus intermediários quando houve leve chuva e perdeu tempo. Quinto lugar magro para a Red Bull, mas normal para ele.

FELIPE MASSA6,5 – Seu melhor momento foi ter batido Fernando Alonso na classificação do sábado. No dia seguinte, Felipe teve uma corrida agitada com um resultado aquém do esperado. Não largou bem, mas estava agressivo e chegou a ganhar as posições de Schumacher e Alonso, que havia escapado da pista. Sua prova azedou de vez na volta oito, quando seu carro rodopiou e encostou o aerofólio na barreira de pneus. Mesmo com o bólido danificado, o brasileiro seguiu em frente e até fez razoável corrida de recuperação, finalizando em sexto. Mesmo assim, esperava-se mais. Largar à frente de Alonso e terminar quase um minuto atrás é quase inaceitável.

PAUL DI RESTA8,5 – Corridaça que serviu para afugentar a má fase. Mesmo tendo sobrado no Q2 da classificação, o primo de Dario Franchitti largou bem, apostou de maneira certeira no uso de pneus supermacios no começo e pneus macios no final, ganhou posições na pista e terminou em uma excelente sétima posição. Dessa vez, foi muito melhor que o companheiro.

SÉBASTIEN BUEMI9 – Atuação sensacional, certamente uma das melhores de sua carreira. No sábado, tudo indicava que sua corrida seria uma merda, já que ele não havia passado para o Q2 da classificação e ainda perderia mais cinco posições no grid como punição pelo acidente com Heidfeld em Nürburgring. No entanto, a sorte virou de vez no domingo. O suíço fez uma largada espetacular e ganhou onze posições na primeira volta. Depois, apostou na estratégia correta de três paradas e ainda foi beneficiado pelo bom trabalho dos mecânicos da Toro Rosso. De quebra, ainda fez algumas boas ultrapassagens. Oitavo lugar excepcional para alguém que largou da última fila. Só por hoje, não mereceria perder seu lugar na equipe.

NICO ROSBERG5 – Nem mesmo em uma corrida atípica ele é capaz de entregar algo diferente. Na classificação, um sétimo lugar apenas normal. Seu melhor momento na corrida foi a largada, na qual ele subiu para quarto. A partir daí, brigou para se manter à frente de carros mais velozes e não se deu bem. Mais à frente, quando a chuva voltou por alguns instantes, apostou no uso de pneus intermediários e se deu mal com isso, perdendo várias posições. Ficar atrás de uma Toro Rosso e uma Force India não estava nos planos.

JAIME ALGUERSUARI6,5 – Não andou mal e marcou um ponto, mas não impressionou como seu companheiro. No sábado, Jaime até conseguiu superar Buemi, e a diferença entre os dois foi amplificada por uma punição a este último. Na corrida, o espanhol ganhou algumas posições na pista e na estratégia, mas quase perdeu tudo quando se envolveu em um toque com Kobayashi. Poderia ter terminado um pouco mais à frente.

KAMUI KOBAYASHI4 – Fim de semana discreto. Não foi bem no treino oficial e também não brilhou na corrida. Embora tenha andado na zona de pontuação na maior parte do tempo, chegando a estar em sétimo durante algumas voltas, o japonês foi prejudicado pela estratégia de ficar muito tempo na pista com pneus desgastados e acabou ficando de fora dos dez primeiros. Ainda se envolveu em um toque com Alguersuari.

VITALY PETROV3,5 – A excelente corrida do ano passado havia enchido todos os seus fãs (e isso me inclui) de esperanças, mas o saldo da etapa deste ano foi diametralmente oposto. Acompanhando a decadência da sua equipe, Vitaly não conseguiu passar para o Q3 no treino oficial e largou apenas em 12º. Na corrida, ficou entre o nono e o 12º durante quase todo o tempo e ainda foi prejudicado pela decisão de utilizar pneus intermediários no final.

RUBENS BARRICHELLO4 – Perto de alguns outros fins de semana seus neste ano, até que não foi tão mal na Hungria. Largou à frente do companheiro Maldonado e esteve sempre próximo da zona de pontuação, sempre aparecendo próximo de algum piloto da Toro Rosso. Sucumbiu à má opção pelos pneus intermediários, que lhe custaram a chance de embolsar alguns pontos.

ADRIAN SUTIL4 – Pelo que fez no treino oficial, quando conseguiu a oitava posição no grid, o alemão mais uruguaio do grid certamente merecia resultado melhor. O domingo foi todo errado. Para começar, sua primeira volta foi totalmente desastrosa e ele acabou caindo para as últimas posições. Depois, assim como todo mundo que se deu mal, apostou nos pneus intermediários e perdeu mais um tempão. Ainda assim, ainda está muito à frente do companheiro nas tabelas. Por enquanto.

SERGIO PÉREZ3 – Começou bem o fim de semana ao ser o único piloto de sua equipe a passar para o Q3 do treino classificatório. Sua boa sorte acabou aí. Já na largada, Pérez errou e perdeu um monte de posições. Com sérias dificuldades, não conseguiu recuperar muitas posições. E quando conseguiu ganhar uma, a de Kovalainen, ainda foi punido por ter feito a ultrapassagem em bandeira amarela.

PASTOR MALDONADO2 – Mais um fim de semana terrível. Para começar, largou atrás de Barrichello, o que não estava sendo a regra nas últimas corridas. No domingo, fez uma boa largada e só. Apostou nos pneus intermediários e, assim como todo mundo que fez o mesmo, se deu mal. De quebra, contrariando sua lerdeza na pista, andou rápido demais nos pits e foi punido. Para variar, foi o último colocado entre os pilotos das equipes normais.

TIMO GLOCK6 – Sem os dois carros da Lotus na pista, o alemão da Virgin foi o melhor piloto das equipes nanicas. Não foi bem no treino oficial, ficando a quase dois segundos da Lotus, mas recuperou-se na corrida. Largou bem, manteve um bom ritmo de prova e apostou em não utilizar pneus intermediários, decisão corretíssima. Bom 17º.

DANIEL RICCIARDO6 – Continua aparecendo muitíssimo bem. No treino oficial, perdeu para Liuzzi por pouco mais de um décimo e bateu o Virgin de D’Ambrosio. Na corrida, aproveitou-se do infortúnio do companheiro italiano para ser o melhor piloto de sua equipe. E ainda manteve-se à frente do Virgin. Até aqui, ótimo início do australiano.

JERÔME D’AMBROSIO0 – Embora ter perdido para os dois carros da HRT no treino oficial não tenha sido algo exatamente agradável, o papelão protagonizado na corrida merece lugar cativo na história underground da Fórmula 1. Eu já vi de tudo nos pits, de atropelamentos a incêndios, mas um piloto rodando sozinho em baixa velocidade em frente aos seus mecânicos é uma novidade interessante. Como não matou ninguém, só fez todo mundo rir.

VITANTONIO LIUZZI3 – Ainda superou Daniel Ricciardo na classificação, mas já está tendo cada vez mais dificuldades. Na corrida, foi tocado por alguém na largada, rodou e perdeu ainda mais tempo do que já faria com seu precário carro. Depois, só levou o carro até o fim.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – Foi um dos destaques lá do fundão. Nenhuma novidade no treino oficial, no qual foi o melhor piloto das equipes nanicas. O domingo, sim, foi interessante. Kova largou muitíssimo bem e andou quase vinte voltas à frente de carros mais velozes. Mesmo após ter sido deixado para trás por estes carros, ainda manteve-se muito à frente dos demais pilotos das equipes pequenas. Infelizmente, um vazamento de água acabou abortando sua boa participação.

MICHAEL SCHUMACHER3,5 – Desta vez, nem ele levantou a moral da Mercedes. Não foi bem no treino oficial e ainda abandonou a corrida com problemas no câmbio. Sua participação no domingo, aliás, teve altos e baixos. A largada foi boa e Schumi conseguiu brigar com os carros da Ferrari por algumas voltas. A torta começou a desandar quando ele rodou para evitar um contato com Massa. Além disso, seu carro apresentava problemas com os pneus e praticamente não tinha  aderência nas curvas mais lentas. Enfim, uma desgraça de dia.

NICK HEIDFELD1,5 – Como se não bastasse estar sendo fritado pela equipe, seu carro também quase o fritou neste domingo. Após largar no meio do bolo e perder uma baciada de posições na primeira volta, Nick vinha se arrastando lá no fundão até a volta 23, quando entrou nos pits para fazer sua segunda parada. Ao sair, seu carro começou a soltar uma fumaça espessa e abundante. Metros depois, o Renault preto e dourado começou a ser consumido pelo fogo que saía lá da parte de trás. Em cena dramática, Nick estacionou seu carro logo na saída dos boxes e quase foi chamuscado pelas chamas que fizeram um belo estrago. Para piorar, o chefe Eric Boullier ainda o responsabilizou pelo incidente. Um verdadeiro dia de Hades.

JARNO TRULLI3 – Retorno pouco auspicioso à Fórmula 1. O italiano largou novamente atrás do companheiro Kovalainen, não chamou a atenção enquanto esteve na pista e, assim como o finlandês, teve de se retirar por problemas de vazamento de água.

MCLAREN – 9 – O retorno do difusor aquecido foi o grande acontecimento neste fim de semana para a equipe de Martin Whitmarsh. Lewis Hamilton pôde largar em segundo, brigar com a Ferrari de Alonso e com a Red Bull de Webber e vencer de maneira brilhante. O carro, que estava bem ruim em Silverstone, voltou a colocar sorrisos nas bocas de todos, com exceção de Jenson Button. O campeão de 2009 não andou bem nos treinos e ainda teve um problema eletrônico. A felicidade não é igualitária, mas é abundante lá pelos lados de Woking.

FERRARI – 8 – Se aproximar da Red Bull, ela se aproximou. O 150TH Italia realmente melhorou nas últimas corridas e os bons resultados de Fernando Alonso deixam isso bem claro. O trabalho nos pits também melhorou. Falta, no entanto, juntar tudo no pacote. O espanhol andou bem e chegou a assumir a liderança após um ótimo trabalho da equipe no segundo pit-stop, mas faltou carro para seguir na frente. Já Felipe Massa até fez uma boa corrida para seus novos padrões, mas perdeu uma posição na última volta pelo precário pit-stop realizado pelos mecânicos ferraristas. Na era Schumacher, tudo funcionava perfeitamente bem. Esta é a diferença fundamental para a era Domenicali.

RED BULL – 5 – Um dia, haveria dela fracassar. Em Nürburgring, a equipe ainda tinha o melhor carro, mas não foi páreo para Hamilton e Alonso. Mark Webber fez a pole, mas largou mal e não conseguiu conter os dois campeões. Sebastian Vettel esteve apático, chegou a rodar e passou boa parte do tempo brigando com Felipe Massa. Pelo menos, Webber e Vettel pontuaram e a equipe segue distante nas tabelas.

FORCE INDIA – 6,5 – Tinha um carro honesto para esta corrida alemã. Adrian Sutil largou em oitavo e terminou em um ótimo sexto lugar. Paul di Resta também tinha chances de pontuar, mas bateu com Nick Heidfeld na largada e caiu lá para o final do grid. Dessa vez, os estrategistas da equipe não se embananaram com erros primários. E a ordem, aos poucos, se reestabelece, com Adrian ensinando o caminho das pedras a Di Resta.

MERCEDES – 5 – Mais um fim de semana convencional. Na verdade, ficar atrás da Force India é algo até mesmo aquém do convencional, mas tudo bem. Nico Rosberg largou em sexto e terminou em sétimo. Bah. Michael Schumacher rodou, perdeu um monte de posições e recuperou quase todas estas posições, mas terminou atrás de Rosberg. Bah. Notável era a velocidade dos carros cinzentos nas retas.

SAUBER – 4 – Sem velocidade, os suíços apostaram na estratégia e na confiabilidade. De certa forma, funcionou. Kamui Kobayashi saiu lá do inferno do fim do grid para terminar em nono após parar apenas duas vezes e andar o mais depressa possível. Sergio Pérez também tinha boas chances de fazer algo parecido, mas errou logo no começo e teve de antecipar sua primeira parada. O resultado final foi normal para a equipe, mas um pouco mais de desempenho e caldo de galinha não fazem mal a ninguém – exceto às penáceas.

RENAULT – 3,5 – Definitivamente, estacionou no meio do caminho. O carro até anda bem nos treinos e larga bem, mas parece não funcionar legal durante uma corrida inteira. Vitaly Petrov, como vem acontecendo, liderou a equipe nos treinos e teve um desempenho inferior no domingo, mas pontuou. Nick Heidfeld sobrou no Q2 e sofreu dois acidentes em apenas dez voltas. Precisa urgentemente reencontrar o caminho do sucesso. Sem dinheiro e afundada em crise institucional, fica difícil.

TORO ROSSO – 3 – É algo como a Mercedes do meio do pelotão. Não tem apelo, não tem carisma e nunca consegue sair do mesmo patamar, tanto o carro como os pilotos. Sébastien Buemi, em fase claudicante, teve seus azares rotineiros e ainda foi considerado o culpado no acidente com Heidfeld. Jaime Alguersuari foi um pouco melhor, mas não marcou pontos. E só.

WILLIAMS – 2 – Tá ruço. O carro segue ruim, mesmo com aquelas alterações que andam sendo anunciadas a cada fim de semana de corrida, e nada indica que as coisas mudarão. Em Nürburgring, Pastor Maldonado ditou o ritmo no treino oficial e foi o único da equipe a terminar, mas passou muito longe dos pontos. Rubens Barrichello largou atrás do venezuelano e ainda se viu obrigado a abandonar, vítima de um vazamento no óleo. O brasileiro não queria e insistiu em permanecer na pista, mas foi obrigado a aceitar. Indisciplina é a última coisa da qual a Williams precisa agora.

LOTUS – 4 – Estranho. Na quinta-feira, Karun Chandhok foi anunciado como o substituto de Jarno Trulli na corrida alemã, mas Tony Fernandes afirmou que negocia a permanência do italiano para 2012. Coisas da Fórmula 1… Quanto ao resto, o indiano só fez besteira, sofreu para andar com os carros da Virgin e da Hispania e terminou em último. O companheiro Heikki Kovalainen, por outro lado, andou direitinho e foi um dos destaques lá atrás.

VIRGIN – 3,5 – Sabe-se lá como, convenceu Timo Glock a permanecer na equipe até 2014. Quanto ao presente, a mesma tristeza de sempre. O alemão apanhou de Kovalainen no treino oficial, mas fez um trabalho decente na corrida. Já Jerôme D’Ambrosio, embora tenha se aproximado de Glock na classificação, sofreu um bocado na corrida e chegou a andar atrás dos dois pilotos da Hispania. Nada de novo.

HISPANIA – 5 – A nova gestão, comandada pela tal de Thesan Capital, está arregaçando as manguinhas para transformar a várzea espanhola em algo digno de orgulho ibérico. Daniel Ricciardo andou bem perto de Vitantonio Liuzzi, mas o italiano ainda comandou as coisas. Os dois terminaram a corrida à frente de um Lotus, de Chandhok, uma agradável novidade para a ex-equipe de José Ramón Carabante.

CORRIDA QUEM PRECISA DE CHUVA? – Em 2011, os fãs da Fórmula 1 aprenderam que corridas com chuva são do mal e legais mesmo são as disputas no seco, pois não tem safety-car, bandeira vermelha e discípulos de Alain Prost. Em Nürburgring, não choveu na Fórmula 1 e a corrida foi bem bacana. Mark Webber largou pessimamente mal como sempre e permitiu que um monótono GP da Alemanha fosse bastante divertido. Lewis Hamilton e Fernando Alonso comprovaram o porquê de serem talvez os dois melhores pilotos do grid atualmente e deram um baile na favorita Red Bull. E Felipe Massa fez seus torcedores alternarem entre a felicidade e a depressão. Vale notar que a asa móvel não serviu para muita coisa.

TRANSMISSÃO ALTISSÍSSIMO – Gostei dessa palavra. É neologismo? Pelo o que diz o Professor Google, é. Em uma corrida na qual o trio brasiliano da transmissão se comportou, não há muita coisa para registrar, salvo a boa lembrança dos três anos em que Felipe Massa correu ao lado de Mika Häkkinen. Porque todo finlandês é loiro, seco e cachaceiro. Gostei mesmo é da bronca dada pelo narrador aos chatos que implicam com as expressões “pneu quadrado” e “reta curva”. Endosso: “reta curva” é a coisa mais genial do mundo para designar, por exemplo, aquela “coisa” dos boxes de Mônaco. E o jogo de câmeras estava ruim demais. Aquele superslowmotion do acidente do Heidfeld com o Buemi repetido várias vezes encheu o saco. E os alemães conseguiram perder o acidente da largada, com o mesmo Heidfeld e Di Resta. Se eu fosse um nacionalista chato, contestaria. Se fosse no Brasil…

GP2 – FILIIIIPIIIIIIIIII – Se Cléber Machado narrasse a GP2, você já sabe qual seria o bordão utilizado na primeira corrida de Nürburgring. O pole-position Charles Pic fez uma superlargada e vinha com tudo para vencer a primeira corrida alemã, mas a Addax tem o mau costume de importar mecânicos da Ferrari e estragou novamente a corrida de seu piloto com um trabalho porco nos pits. Com isso, quem se deu bem foi Luca Filippi, que fazia sua centésima corrida na categoria. O italiano tomou a ponta e venceu pela terceira vez, número magro para alguém tão experiente. No dia seguinte, Romain Grosjean venceu pela quarta vez no ano após Jules Bianchi fazer mais uma bianchisse e jogar a vitória fora no finalzinho da prova. Com isso, Grosjean abre 18 pontos de vantagem para Giedo van der Garde. O título da GP2, aos poucos, vai ganhando um dono.

LEWIS HAMILTON 10 – Mandou abraços a quem achava que vencer seria um feito inimaginável. Largou em um segundo lugar excepcional para seu carro e começou a ganhar a corrida quando Webber cagou novamente na largada e lhe deu a ponta de bandeja. Resistiu bem aos ataques do australiano e só perdeu a ponta na primeira rodada de pits, quando a McLaren fez um trabalho inferior ao da Red Bull. Na segunda rodada, voltou à ficar à frente de Webber, mas chegou a perder a ponta para Alonso. Demonstrando garra, o inglês não demorou muito para ultrapassar por fora seu antigo desafeto. E venceu com maestria. Foda-se quem discorda: é um puta piloto.

FERNANDO ALONSO 9 – De novo, foda-se quem discorda: é outro puta piloto, o melhor de todos. Saindo da quarta posição do grid, o asturiano se meteu em uma briga encardida com Vettel na primeira volta e se deu bem. Durante a prova, sempre se manteve próximo dos líderes Hamilton e Webber. Após um trabalho impecável de sua equipe na segunda rodada de pits, chegou a tomar a liderança, mas a perdeu pouco depois após ser ultrapassado por Hamilton. Mesmo assim, ótima corrida. Está em grande fase.

MARK WEBBER – 7,5 – Dessa vez, até foi um pouco combativo, o que não deveria servir de consolo para alguém que voou nos treinos e marcou a pole-position. Para variar, largou mal e perdeu a ponta para Hamilton. Tentou ultrapassá-lo e até chegou a conseguir o feito lá na volta 12, mas tomou o troco rapidamente. Na primeira rodada de pits, assumiu a ponta graças à competência dos mecânicos rubrotaurinos. Na segunda, foi driblado por Hamilton e Alonso e caiu para terceiro. Em um dia no qual teve todo o apoio da equipe para ganhar, terminou no degrau mais baixo do pódio. É por isso que não merece ser campeão do mundo.

SEBASTIAN VETTEL – 6,5 – Com louvores, fez seu pior fim de semana do ano. Sistematicamente inferior a Webber nos treinos, fracassou no Q3 e largou apenas em terceiro. Na largada, caiu para quarto. Sem conseguir se aproximar dos líderes, passou boa parte da corrida peleando com Massa. Antes da primeira rodada de pits, foi ultrapassado pelo brasileiro na chicane e permaneceu atrás dele até a última volta, quando os dois foram para os pits e a Ferrari aprontou mais uma das suas. Ainda assim, um quarto lugar importante no campeonato. E o fato dele ter terminado uma péssima corrida em quarto enquanto seu companheiro termina sua melhor corrida em terceiro mostra o porquê de um estar a caminho do bicampeonato e o outro não ser nada.

FELIPE MASSA – 7 – Boa corrida, a do brasileiro. Apesar de ter largado e de ter terminado em quinto, Felipe demonstrou garra durante quase toda a prova. Na largada, peitou Vettel e só perdeu uma posição para Rosberg. Onze voltas depois, após muito sufoco, conseguiu passar o andrógino e começou a tirar diferença para Vettel. Pouco antes de parar, passou também o atual campeão e subiu para quarto. Daí para frente, manteve-se nesta posição, embora sempre atacado pelo piloto da Red Bull. Na última volta, para sua infelicidade, a Ferrari perdeu um segundo fundamental que lhe custou a quarta posição. O quinto lugar não é o resultado dos sonhos, mas a corrida em si foi digna.

ADRIAN SUTIL – 8 – Recuperou-se da traumática corrida nesta pista há dois anos, quando jogou fora os primeiros pontos da Force India em um toque com Kimi Räikkönen. Fez um bom oitavo lugar no treino de classificação, largou bem e protagonizou um bom duelo com Nico Rosberg em alguns momentos. Apostou em apenas duas paradas e consolidou-se na sexta posição após a última delas. Ótima corrida, ainda mais para alguém que, segundo alguns, estaria levando uma surra do (ainda superestimado) Paul di Resta.

NICO ROSBERG – 6 – Nem em casa ele consegue fazer mais do que um simples arroz e feijão sem sal. No treino oficial, fez o sexto tempo. Na corrida, começou razoavelmente bem, conseguindo segurar Felipe Massa por doze voltas. Depois, só apareceu quando foi desafiado pelo companheiro Schumacher e quando conseguiu ultrapassar Kobayashi. No fim, ainda perdeu uma posição para Adrian Sutil nos pits. Fico sem entender como consideram esse daí um futuro campeão do mundo.

MICHAEL SCHUMACHER – 5,5 – Se há alguém na Mercedes que consegue animar as coisas com um pouco de arrojo, este alguém é o heptacampeão. Mal nos treinos oficiais, foi o último colocado do Q3. Na corrida, largou bem e chegou a subir para sétimo, mas rodou ao tocar a roda em uma faixa branca úmida e perdeu cinco posições. A partir daí, começou a dirigir como se não tivesse filhos e chegou a se aproximar perigosamente de Rosberg. Terminou próximo, mas terminou atrás – e é por isso que sua nota não pode ser maior que essa.

KAMUI KOBAYASHI 6 – Poderia ter obtido nota maior, mas foi mal demais no treino oficial, sobrando no Q1. O domingo, embora não tenha sido brilhante, foi bem melhor. O ex-sushiman largou bem e ganhou várias posições na primeira curva. Sua estratégia de duas paradas o permitiu entrar definitivamente na turma dos dez que pontuam. Sem um grande carro, foi presa fácil para os dois pilotos da Mercedes, mas também não teve problemas com o pessoal mais atrás. Mais discreto que eficiente, levou dois pontos para casa.

VITALY PETROV – 5 – Pontinho bem meia-boca de alguém que não apareceu em momento algum. Com alguma dificuldade, conseguiu deixar Heidfeld para trás no treino classificatório e largou em nono. Na corrida, até fez uma boa largada, mas acabou se mantendo na mesma posição em que largou. Apostou em duas paradas e, por alguma razão, sua estratégia não funcionou tão bem. Terminou a prova insatisfeito com o carro e com a equipe, no que não estava de todo errado.

SERGIO PÉREZ – 3,5 – Fim de semana fraco. Embora tenha batido Kobayashi no treino oficial, largou apenas da 15ª posição. No início da corrida, escapou para fora da pista e teve de antecipar sua primeira parada. Tendo de fazer um longo stint com pneus macios, acabou perdendo bastante tempo pouco antes de seu segundo pit-stop. No fim, até que não foi tão ruim terminar em 11º.

JAIME ALGUERSUARI – 3,5 – Na briga interna da Toro Rosso, o espanhol se saiu melhor novamente. Isso, no entanto, não vale lá muita coisa. Na verdade, ele até foi pior do que o companheiro Buemi no treino oficial, mas largou à frente devido à desclassificação do suíço. Na corrida, apostou em duas paradas e até conseguiu ganhar algumas posições. Mas não pontuou.

PAUL DI RESTA – 3 – Já está mais do que na hora de transformar sua velocidade em pontos. Ao contrário do que vinha acontecendo na maioria dos fins de semana, ficou atrás de Sutil no treino oficial. Sua corrida foi arruinada por um toque com Heidfeld na primeira volta, que mandou os dois lá para o fim do grid. Parando duas vezes, o escocês deixou carros mais lentos para trás, mas estacionou na 13ª posição. Só marcou dois dos vinte pontos da equipe até aqui.

PASTOR MALDONADO – 2,5 – É curioso acompanhá-lo durante o fim de semana. No sábado, ele se destaca com a mais pura velocidade chavista e consegue bater Rubens Barrichello sem grandes dificuldades. No domingo, perde terreno igualmente sem grandes dificuldades. Foi o único piloto da Williams a terminar, mas esteve tão longe dos pontos como nas demais corridas.

SÉBASTIEN BUEMI – 2,5 – De umas corridas para cá, sua estrela apagou. E sua costumeira má sorte voltou a se manifestar. Mesmo tendo superado Alguersuari no treino classificatório, foi punido por irregularidades na gasolina utilizada e teve de largar em último. Ainda no início da corrida, fechou Nick Heidfeld, tirou o alemão da pista e ainda furou um pneu, tendo de antecipar a primeira parada. Mesmo assim, ganhou algumas posições e terminou lá no meio do bolo.

HEIKKI KOVALAINEN – 6 – De companheiro novo, teve um de seus melhores fins de semana no ano. Sem a ameaça de Jarno Trulli, ausente nesta etapa, enfiou quase um segundo no rival imediatamente atrás no treino classificatório e quase foi para o Q2. Na corrida, largou bem e tentou se misturar com a turma do meio, mas seu carro não lhe permitiu tamanha proeza. Mesmo assim, não teve trabalho com seus adversários diretos. Fez o trabalho direitinho.

TIMO GLOCK – 5 – Tendo renovado contrato com sua equipe por mais alguns anos, Timo também teve um fim de semana digno. Embora tenha tomado quase um segundo de Kovalainen no treino oficial, conseguiu ao menos largar à frente do Lotus de Chandhok. Na corrida, fez trabalho digno e não foi ameaçado por quem vinha atrás, mesmo tendo problemas com os freios. É um bom piloto e merece melhor sorte agora que decidiu seguir amarrado às agruras da Virgin.

JERÔME D’AMBROSIO – 3,5 – No treino oficial, ficou a apenas dois décimos do Lotus de Chandhok e do Virgin de Glock. Na corrida, alternou momentos bons e ruins, chegando a andar à frente de Glock em alguns instantes e atrás dos dois carros da Hispania em outros. Terminou naquela posição de sempre, atrás do companheiro e à frente dos espanhóis.

DANIEL RICCIARDO – 6 – Para a Hispania, sem dúvida alguma, um enorme avanço em relação ao indiano Narain Karthikeyan. Em seu segundo fim de semana como piloto titular, o australiano ficou a poucos milésimos de Liuzzi e largou à sua frente por conta da punição do italiano. Na corrida, fez um bom trabalho e chegou a andar à frente de D’Ambrosio por um bom tempo, além de quase sempre ter estado à frente do Lotus de Chandhok. Ótimo 19º lugar para um piloto que tem tudo para se tornar um astro da Fórmula 1.

KARUN CHANDHOK – 1 – Retorno difícil à Fórmula 1. O indiano, que substitui Jarno Trulli, nunca conseguiu andar perto de Kovalainen e teve problemas para disputar com os carros da Virgin e da Hispania. No treino oficial, até que não foi tão mal com o 20º tempo. Na corrida, deu uma bela rodada e andou em último durante quase todo o tempo. Para alguém que errou horrores no fim de semana, chegar ao final foi algo positivo.

VITANTONIO LIUZZI – 1,5 – Fim de semana complicado. No sábado, teve de trocar o câmbio e acabou punido com a perda de cinco posições do grid – o que não significa muito para alguém que fatalmente largaria na última fila. Na corrida, até conseguiu largar bem e empreender um ritmo forte, mas teve problemas eletrônicos e abandonou na volta 38. Ainda está rendendo mais que Daniel Ricciardo, mas já vê a imagem do novato em seu retrovisor.

JENSON BUTTON – 2 – Segunda corrida consecutiva na qual o britânico não consegue chegar ao fim. Desta vez, um problema eletrônico foi a causa mortis. Até ali, o fim de semana estava longe de ser brilhante. Jenson fez apenas o sétimo tempo na classificação, largou muito mal, ficou preso atrás de Petrov durante um bom tempo e seu abandono aconteceu justamente em seu melhor momento na prova, quando ele tinha acabado de deixar Rosberg para trás. Em uma Fórmula 1 na qual ninguém abandona, registrar dois DNF seguidos é algo bem ruim.

RUBENS BARRICHELLO – 2 – Mais um fim de semana de merda, infelizmente. Seus sábados se transformaram em dias de sofrimento tão logo Pastor Maldonado aprendeu a superá-lo, como aconteceu em Nürburgring. No domingo, ao menos, ele contrariou a lógica e fez uma ótima largada. Ainda na primeira metade da corrida, silenciosamente, o brasileiro encostou os carros nos pits e abandonou. Sua equipe havia pedido, já que foi detectado um manhoso vazamento de óleo.

NICK HEIDFELD – 1 – Deu tudo errado, e em apenas dez voltas. Batido por Petrov novamente no treino classificatório, o alemão, que estreava capacete novo, se envolveu em um toque com Di Resta na largada e caiu para a última posição. Ao tentar se recuperar, acabou se envolvendo em outro acidente com Buemi, voou para fora e ficou atolado na caixa de brita. Péssima corrida em casa.

FERRARI 9 – Dessa vez, fizeram um trabalho excelente. Os dois carros renderam bem e dominaram a segunda fila. Na corrida. Fernando Alonso andou muito rápido, deu bastante sorte e conseguiu deixar os dois Red Bull para trás. Felipe Massa terminou em quinto, nada ruim para ele. Ao contrário das demais etapas, os mecânicos fizeram o trabalho direitinho. Fazia tempo que os italianos não tinham um fim de semana tão próspero. Algo a ver com o negócio do escapamento?

RED BULL6,5 – Para uma equipe que vinha ganhando tudo até aqui, o fim de semana britânico foi bem pior do que se esperava. Os taurinos desembarcaram na Inglaterra desanimados com a proibição do uso dos tais difusores aquecidos, que ajudavam a equipe a construir a vantagem que tinham. Mesmo assim, os dois pilotos dominaram a primeira fila, com Mark Webber largando à frente de Sebastian Vettel pela primeira vez. Na corrida, Webber não correspondeu e ficou em terceiro. Vettel até vinha para vencer, mas um erro crasso no segundo pit-stop custou um tempão e a vitória do alemão. Rimou. Enfim, não é o tipo de fim de semana que pode se repetir para quem quer bisar os títulos.

MCLAREN6 – Outra que fez besteira nos pits e estragou a corrida de um de seus pilotos. No caso, Jenson Button acabou tendo de abandonar a corrida após uma das rodas de seu carro quase escapar em decorrência de má colocação. Lewis Hamilton não foi bem nos treinos, mas se recuperou e terminou em quarto. Ainda assim, ele teve de lidar com problemas de consumo, algo que não foi visto (pelo menos aparentemente) em outros carros. Assim como foi dito para a Red Bull, não é o tipo de fim de semana que pode se repetir para os ingleses.

MERCEDES7 – Teve mais uma corrida típica. Nico Rosberg esteve discreto e eficiente e conseguiu um bom sexto lugar, embora não tenha feito nada além de segurar Sergio Pérez.  Michael Schumacher, como sempre, esteve agressivo, quebrou o bico tentando ultrapassar Kobayashi e terminou em nono.

SAUBER6,5 – A capacidade de poupar pneus do carro suíço é impressionante. Sergio Pérez conseguiu seu melhor resultado do ano ao fazer apenas duas paradas e andar muito rápido, pressionando Nico Rosberg durante boa parte do tempo. Kamui Kobayashi foi tocado por dois pilotos, teve problemas nos pits e abandonou com o motor quebrado. E a Sauber segue como a equipe mais empolgante do meio do pelotão.

RENAULT5,5 – Essa daqui cai em queda livre, afundada em problemas financeiros. Nenhum dos dois pilotos andou bem nos treinos oficiais, mas Vitaly Petrov enfiou mais de um segundo em Nick Heidfeld. Na corrida, o alemão subiu algumas posições e terminou em oitavo. Petrov continuou lá no meio do grid. O carro preto e dourado, que não está sendo desenvolvido, vai ficando para trás.

TORO ROSSO5 – O clima na equipe é ruim, como sempre costuma acontecer, e os pilotos se odeiam como Tom e Jerry. Jaime Alguersuari conseguiu mais um ponto e passou Sebastien Buemi na briga interna que vale a sobrevivência na equipe. O suíço, que vem em fase ruim, teve de abandonar após bater em Paul di Resta e furar um pneu. É por isso que eu não gosto da Toro Rosso: enquanto a equipe e o carro seguem a mesma merda, toda a responsabilidade pelos maus resultados é depositada sobre os ombros dos pilotos. E a pressão acaba sendo imensa.

FORCE INDIA4 – Mais uma equipe que jogou no lixo o bom trabalho de um de seus pilotos. No caso, Paul di Resta perdeu a chance de obter seu melhor resultado na temporada depois que a equipe se embananou na troca dos pneus. Além disso, fica claro que a estratégia de três paradas, adotada tanto pelo escocês como por Adrian Sutil, não era a mais adequada. No fim, nenhum dos dois marcou pontos. É engraçado ver que, às vezes, os indianos fazem um fim de semana completamente desastroso. O que salvou a nota aí foi a boa atuação de seus pilotos.

WILLIAMS 2 – Nos treinos, até que Pastor Maldonado conseguiu se sair bem, colocando o precário carro azul e branco no Q3 pela terceira vez no ano. Na corrida, o venezuelano ficou lá atrás e conseguiu a proeza de terminar atrás do companheiro Rubens Barrichello, que havia ido mal no treino classificatório e pior ainda na largada. Se seguir assim, não há motor Renault que ajude.

VIRGIN5 – Pode se gabar de ter colocado seus carros nas duas primeiras posições entre a turma das nanicas, uma vez que nenhum carro da Lotus chegou ao fim. Só isso poderá ser motivo de orgulho, já que o desempenho permaneceu a mesma coisa triste. Timo Glock e Jerôme D’Ambrosio só largaram e terminaram.

HISPANIA4 – Muito lentamente, vem deixando de lado aquela cara amadorística. A substituição de Narain Karthikeyan por Daniel Ricciardo veio bem a calhar e o australiano com sobrenome de italiano já chegou apertando o ritmo sobre Vitantonio Liuzzi. Os dois passaram sem problemas pela barreira dos 107% e terminaram a prova. Enfim, nada de novo. O que não é ruim, mas também não é bom.

LOTUS1,5 – Heikki Kovalainen trouxe o único momento feliz para a equipe ao passar para o Q2 da classificação e conseguir um tempo melhor que os dois pilotos da Toro Rosso. Na corrida, ele teve problemas de câmbio e abandonou após apenas três voltas. Jarno Trulli não andou bem e abandonou logo depois, com problemas de motor. É estranho dizer isso, mas foi a nanica que teve mais motivos para sair de Silverstone chorando.

CORRIDABOA PARA SILVERSTONE – Como já disse antes, nunca esperei a corrida inglesa com água na boca. A reforma que empurrou os boxes lá para o meio do traçado era vista por mim com muitas dúvidas. De fato, quando os carros largaram, as primeiras curvas davam a desagradável impressão de que estávamos vendo uma corrida em um circuito novíssimo no Cazaquistão ou no Vietnã. Paciência. Os erros nos boxes, o comportamento errático de alguns carros enquanto a pista secava e os pequenos incidentes fizeram com que a prova fosse legal, embora nada muito além disso. Fernando Alonso venceu após Sebastian Vettel perder um tempão nos pits, algo que deixou os ferraristas malucos de felicidade e aqueles que gostam de ver equilíbrio no automobilismo ligeiramente aliviados. As brigas no final, entre Mark Webber e Sebastian Vettel e entre Felipe Massa e Lewis Hamilton, foram os acontecimentos mais legais da corrida. A asa móvel não representou lá um grande diferencial nesta pista. Pelo visto, ela só funciona melhor nas pistas tilkeanas.

TRANSMISSÃOTIRA O OVO DA BOCA, MENINO! – O narrador “impressionante” voltou. Não estou entre as quatro bilhões de pessoas que mais o admiram, para dizer a verdade. É chato, enfadonho e tem cara de almofadinha que anda de SUV e repassa correntes. Essa frase aí do título foi dita por ele quando comentava sobre a impossibilidade de se entender o que Jenson Button diz no rádio. Houve outros momentos, com destaque para a narração emocionante e empolgada da saída para a volta de apresentação, como se os carros estivessem largando de verdade. Impressionante! E o Sergio Pérez não é venezuelano, sabe? São todos uns cucarachas com cara de coadjuvante do Chaves, mas Venezuela e México ainda não tem nada a ver.

GP2FINALMENTE, BIANCHI – Normalmente, eu dou sorte contrária aos pilotos. Duas semanas atrás, escrevi um texto criticando Jules Bianchi. Um dos argumentos dizia respeito ao fato dele nunca ter vencido na GP2 europeia. Nesse fim de semana, o garoto prodígio da Ferrari calou a minha boca com uma bela vitória em Silverstone. Ele largou na pole-position, segurou Christian Vietoris de maneira notável e ganhou pela primeira vez na categoria. No dia seguinte, Romain Grosjean foi o vencedor. Ainda não vi esta última corrida, tentarei fazê-lo hoje à noite. Luiz Razia, infelizmente, não fez nada novamente. E o campeonato segue embolado. Grosjean chegou a 40 pontos, mas Giedo van der Garde vem com 34. E há mais um bocado de gente por perto.

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