SEBASTIAN VETTEL10 – Que fim de semana, hein? Primeiro colocado em dois dos três treinos livres, pole-position com quatro décimos de vantagem para o segundo colocado, líder da corrida a partir da quinta volta e vencedor com absoluta folga. Sua oitava vitória foi impecável, devastadora e incontestável. No pódio, chorou. Lembrou-se de sua primeira vitória na Fórmula 1, obtida em 2008 com um Toro Rosso. Tem boas chances de fechar o campeonato já em Cingapura, local da próxima corrida. É um jovem estratos acima da média.

JENSON BUTTON9,5 – Lamarck teria orgulhos deste cara. Mais uma vez, Button se aproveitou de todas as situações para se dar bem e obter um brilhante segundo lugar. Não conseguiu a primeira fila e ainda perdeu várias posições na primeira volta, mas se recuperou e conseguiu a proeza de ultrapassar os bélicos Hamilton e Schumacher em uma única volta. Depois, aproveitou-se do mau estado dos pneus de Alonso para assumir a segunda posição. Sua inteligência o deixa nove pontos à frente do companheiro Hamilton.

FERNANDO ALONSO9 – Mais uma vez, fez mais do que o carro permite. Na largada, como uma bala perdida, saiu da quarta posição para a primeira sem qualquer oposição. Sob bandeira verde, não conseguiu permanecer na frente por mais do que uma volta e alguns metros, mas andou tranquilamente em segundo durante um bom tempo. Depois, teve problemas com os pneus e perdeu a segunda posição para Button, mas ainda conseguiu pegar um lugar no pódio. Considerando que quatro pilotos tem um carro melhor que o seu, fez até demais.

LEWIS HAMILTON 8,5 – Liderou o primeiro treino livre e dava impressão de que, finalmente, conseguiria peitar Sebastian Vettel. Mas o sonho acabou aí. Embora tenha feito o segundo treino na classificação, ficou quatro décimos atrás do alemão. Na corrida, sucumbiu a Alonso na largada e a Schumacher na relargada. Depois, protagonizou ao lado do heptacampeão a disputa mais bonita dos últimos tempos. Durante exatas vinte voltas, Lewis ficou atrás de Michael tentando encontrar um espaço para ganhar sua posição. Em determinado momento, até conseguiu, mas tomou o troco logo depois. O inglês só conseguiu concretizar o feito na volta 27. Mas estava muito atrás dos três primeiros e sossegou ali na quarta posição. Vale lembrar que a velocidade do McLaren não era a maior – o que certamente dificultou sua vida na briga com Schumacher.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Como é que eu vou dar uma nota mais baixa do que essa para ele? Pela segunda corrida consecutiva, Schumacher deu show e mostrou que, estando inspirado, ainda é um dos grandes pilotos da Fórmula 1. Foi melhor que Rosberg no treino classificatório, fez uma superlargada e estava em quarto quando o safety-car entrou na pista. Depois, ainda ultrapassou Hamilton com classe. E manteve-se à frente do inglês por vinte voltas, mesmo com o inglês usando o DRS nas retas. Só perdeu a briga na volta 27. E permaneceu em quinto até o fim.

FELIPE MASSA6 – Mais uma corrida silenciosa. Mais um sexto lugar silencioso. Nem mesmo no quintal da Ferrari, Felipe Massa conseguiu realizar uma corrida expressiva. Tudo bem, o acidente com Mark Webber não facilitou sua vida. Mas é triste vê-lo esquecido em uma espécie de limbo, tão longe dos pilotos de ponta como dos pilotos do meio do grid. Pelo menos, se divertiu um pouco ultrapassando pilotos de carros mais lentos. Mas, fazendo alteração livre nas palavras de Galvão Bueno, não é isso que se espera de um piloto da Ferrari.

JAIME ALGUERSUARI8,5 – Está em ótima fase e, nesse momento, é o que tem maiores chances de sobreviver ao cruel vestibular da Toro Rosso. No treino classificatório, ao contrário de Spa-Francorchamps, não foi bem e largou só à frente dos carros das equipes pequenas. Na corrida, no entanto, foi o que mais se beneficiou com as confusões da primeira volta e ganhou uma baciada de posições. Mas devemos destacar também o fato de ter sido rápido o suficiente para ter deixado Maldonado e Di Resta para trás.

PAUL DI RESTA6,5 – Voltou a pontuar em uma corrida bastante sólida, embora não perfeita. Ficou perto do Q3 na classificação, mas podemos dizer que, provavelmente, ele teria tido problemas na primeira curva se tivesse largado em nono ou décimo. Ao sobreviver ao pandemônio causado por Liuzzi, se livrou de vários adversários e pôde pelejar pelos pontos. Acabou perdendo uma posição para Alguersuari na estratégia, mas não tem o direito de ficar chateado pelo oitavo lugar.

BRUNO SENNA7 – Não, não foi uma corrida brilhante e genial como muita gente gostaria. O trabalho do brasileiro foi, sim, muito bom para alguém em sua situação. E só. No treino oficial, quase ficou de fora do Q3, mas se salvou no segundo tempo da prorrogação. Nesta última parte, inteligentemente optou pelo sacrifício de uma posição melhor para conseguir poupar um jogo de pneus. Na corrida, foi prejudicado indiretamente no acidente da largada e caiu para o fim do grid. Recuperou-se, fez boas ultrapassagens sobre Kobayashi e Buemi e marcou seus dois primeiros pontos. Que a lucidez seja despejada sobre aqueles que ainda babam pela combinação entre carro preto e capacete amarelo.

SÉBASTIEN BUEMI6 – Volta a ficar em larga desvantagem em relação a Alguersuari na briga fraticida da Toro Rosso. Andou melhor que o catalão no treino oficial, mas acabou tocando o carro estacionário de Rosberg na primeira curva e danificou a traseira de seu STR6. O suíço até conseguiu recuperar algumas posições no decorrer da prova e representou adversário difícil para Bruno Senna nas últimas voltas, mas não conseguiu nada além de um décimo lugar.

PASTOR MALDONADO 5 – Bateu na trave. Em um dos treinos livres, fez das suas e bateu seu Williams no guard-rail. No treino oficial, chegou a ficar à frente de Barrichello durante boa parte do Q2, mas acabou ficando uma posição atrás. Na largada, se deu muitíssimo bem com o acidente e pulou para a nona posição. Depois, até tentou se manter nas posições pontuáveis, mas seu FW33 era fraco demais para isso e ele acabou voltando para casa de mãos vazias. Enfim, muita ação para pouco resultado.

RUBENS BARRICHELLO3,5 – Haja motivação para seguir na Fórmula 1 desse jeito. Não, ele não fez papelão, mas também não conseguiu nada digno de seus mais de 300 GPs. No treino oficial, suou para superar o companheiro Pastor Maldonado. Na largada, acabou quebrando um bico em um toque no Mercedes de Rosberg e teve de fazer uma parada prematura. Depois, não fez rigorosamente mais nada de relevante. Mas chegou ao fim.

HEIKKI KOVALAINEN6 – Em determinado momento, eu até achei que daria para ele marcar algum ponto. Dessa vez, Heikki largou atrás de Jarno Trulli, mas as coisas se inverteram logo na largada. Para sua felicidade, um monte de gente à sua frente abandonou em acidentes ou quebras. Por isso, o 13º lugar. Como presente, ganhou um contrato novinho em folha com a Lotus em 2012.

JARNO TRULLI6 – Também conseguiu um resultado bom para suas possibilidades. No treino oficial, superou Heikki Kovalainen e foi o melhor das equipes nanicas. Na corrida, acabou perdendo a asa dianteira em um daqueles múltiplos incidentes da primeira curva e teve de fazer uma parada prematura. Mas não teve problemas para superar carros mais lentos e conseguiu terminar em uma interessante 14ª posição.

TIMO GLOCK5 – É outro que corre sem grandes ambições.  No treino classificatório, teve algum trabalho para permanecer à frente de Jerôme D’Ambrosio. Na corrida, sobreviveu incólume à primeira curva e chegou a assumir a 14ª posição. Com o passar das voltas, foi ultrapassado por todo mundo e acabou terminando à frente apenas do inexplicável Hispania de Daniel Ricciardo.

DANIEL RICCIARDO4,5 – Ele demorou um pouco, mas conseguiu. Uma volta dois décimos mais rápida que a de Vitantonio Liuzzi fez o australiano ganhar a parada pela primeira vez na temporada. Para sua infelicidade, o carro estava travado na terceira marcha na largada e não conseguiu partir. Empurrado para os pits, Daniel tentou voltar, mas o motor superaqueceu e ele teve de voltar aos pits novamente. Depois de tantos problemas, só restava a ele ir para a pista e ganhar alguma experiência. Pelo menos isso deu certo.

SERGIO PÉREZ6,5 – Certamente tinha boas chances de pontos para essa corrida, até mesmo pelo fato de ter de utilizar os pneus macios na parte final. Começou bem ao conseguir se sair bem melhor que Kobayashi no treino classificatório e ainda ganhou um monte de posições na carambola da primeira curva, mas teve problemas de câmbio enquanto estava em sétimo.

KAMUI KOBAYASHI 2 – É chato admitir isso, mas o japonês está em sua pior fase desde que estreou na Fórmula 1. No treino oficial, quase ficou de fora do Q2. Na largada, mesmo estando mais atrás, foi afetado no acidente da largada e teve de ir aos pits para trocar de bico e pneus. Depois, ficou longe dos pontos até o câmbio quebrar. Neste exato momento, me parece estar atrás de Pérez.

ADRIAN SUTIL2,5 – Neste fim de semana, parece ter voltado aos maus dias do início do ano. Já começou mais ou menos no treino oficial, quando ficou atrás do companheiro Paul di Resta. Seu domingo não começou melhor: na largada, o alemão escapou do acidente passando reto na chicane e, com isso, perdeu um monte de posições. Sem conseguir andar perto dos pontos, restava a ele tentar ao menos chegar ao fim. Mas nem isso deu certo, já que o sistema hidráulico falhou.

MARK WEBBER1 – Ridículo. Só não ganhou zero porque, por incrível que pareça, não dá para ficar surpreso com esse tipo de atuação. Já começou mal fazendo apenas o quinto tempo no treino oficial, perdendo para o companheiro Vettel, as duas McLaren e até mesmo a limitada Ferrari de Alonso. No início, para variar só um pouco, largou mal e perdeu duas posições. Logo após o safety-car, tentou ultrapassar Felipe Massa na primeira chicane, se atrapalhou e bateu no brasileiro. Ao tentar ir para os pits para consertar o bico, perdeu o controle na Parabolica e bateu de frente na barreira. Uma corrida ruim até mesmo para seus vulgares padrões.

JERÔME D’AMBROSIO2,5 – Difícil avaliar alguém lá do fim do grid que só dá três voltas e abandona por um problema no câmbio. Ossos do ofício, enfim. O belga até se saiu bem no treino classificatório, pois seu tempo ficou bem próximo do de Glock. A corrida acabou logo ali no comecinho, mesmo. E só.

VITALY PETROV5,5 – Coitado. O sétimo tempo no treino oficial indicava que ele teria ótimas chances na corrida. Para sua enorme infelicidade, Vitantonio Liuzzi veio lá do inferno direto para a lateral de seu carro. Sua corrida acabou ali, naquela conturbada chicane.

NICO ROSBERG4,5 – Outro coitado. A nota menor vai pelo fato de ter perdido para uma Renault e para o Schumacher no treino oficial. Fez uma largada digna e vinha tocando rodas com Petrov na primeira curva. Mas Vitantonio Liuzzi transformou tudo em uma salada mista e Rosberg foi um dos contemplados, sendo tocado também por Barrichello e Buemi. Fim de prova.

VITANTONIO LIUZZI0 – Esse não é coitado porra nenhuma. Na classificação, foi superado por Daniel Ricciardo pela primeira vez. Só por isso, sua nota já não seria tão alta, mas o que ele viria a fazer no domingo carimbaria o zero de vez. Ao grudar na traseira de Kovalainen, ele perdeu o controle de seu Hispania, foi para a grama, veio deslizando de lado e acertou uns duzentos pilotos lá na chicane. Pela proeza, tomou punição de cinco posições a menos no grid, o que não mudará nada. Ainda por cima, culpou Kovalainen pelo acidente. Nem na Force India ele conseguia um fim de semana tão desastroso assim.

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