dezembro 2011


Galvão Bueno: a aposentadoria se aproxima, o MMA o fascina e a Fórmula 1 se distancia

Neste último fim de semana, no qual estive absolutamente longe de qualquer coisa que se conecta à Internet, surgiram alguns rumores sobre o gradual afastamento de Galvão Bueno, voz oficial da Fórmula 1 na Globo há trinta anos, das transmissões a partir do ano que vem.

Acalmem-se, fãs. Contenham os fogos de artifício, detratores. Galvão continuará narrando corridas na próxima temporada, mas não tantas como ele vem fazendo de uns quatro anos para cá. Há várias e boas razões para isso. Em primeiro lugar, o implacável peso da idade. O narrador, que se jacta de ter mais de trinta anos de Fórmula 1 há pelo menos uns cinquenta, ultrapassou a barreira dos sessenta anos de idade no ano passado e já deve estar de saco cheio da rotina de viagens intermináveis, fonoaudiólogos, gravações e esbarrões de ombro com Tiago Leifert e Tadeu Schmidt. Vendo por este prisma, sua milionária e divertida vida realmente se torna um saco.

Por já estar velho e por ser a mais valiosa das pratas da casa global, Galvão Bueno pode se dar ao luxo de fazer o que quiser. Neste domingo, para surpresa de muitos, ele não quis saber de narrar algum jogo da última rodada do Campeonato Brasileiro. Foi para Florianópolis e narrou, de bermudão, óculos escuros e chinelão, o Desafio Internacional das Estrelas, uma brincadeira de alguns dos pilotos mais gabaritados daqui e lá de fora.

Parece piada. A última rodada do Campeonato Brasileiro de 2011 entrou para história com a disputa entre Corinthians, que dependia apenas de si mesmo e jogava contra o Palmeiras, e o Vasco da Gama, que dependia da derrota dos paulistas e enfrentava o Flamengo no Engenhão. Prato cheio para os futebolistas, como é o pai de Cacá e Popó. Mas ele não quis saber e largou o labor sujo para os narradores secundários globais, que vêm ganhando crescente importância e presença nos últimos anos. Em São Paulo, Cléber Machado foi o narrador do título do melhor time do país.

É difícil dizer com propriedade, mas me parece claro que Galvão Bueno só não narrou algum destes jogos simplesmente porque não quis. Notório flamenguista, não interessava a ele cobrir um jogo que não só não valia nada para seu time como também poderia consagrar o Vasco como campeão. E o Corinthians é coisa de paulista, oras. Como se vê, são novos tempos. É curioso pensar, por exemplo, que ele chegou a narrar um Coritiba x Bangu em 1985. Tudo bem, era final do Campeonato Brasileiro daquele ano, mas alguém imaginaria o cara se dando ao trabalho de trabalhar neste jogo hoje em dia? Se bem que não dá para imaginar sequer a Globo de hoje transmitindo esta partida.

Nos últimos anos, Bueno concentrou-se nas corridas de Fórmula 1, em jogos da Seleção Brasileira e em eventos realmente especiais, como uma final do Mundial Interclubes ou uma competição das Olimpíadas. Recentemente, ele fez sua primeira transmissão de MMA. Ao lado de Vitor Belfort, cobriu a luta entre Junior Cigano e Cain Velásquez no UFC. Se divertiu bastante. Criou novos bordões. Esquerda, esquerda, esquerda, direita, direita, direita. Acabou!

A nova paixão de todos, inclusive do Galvão

É engraçado, mas se você quiser analisar a situação do esporte do Brasil, basta olhar para Galvão Bueno e suas transmissões. A razão é óbvia. A Rede Globo nunca irá escalar outro narrador para cobrir seus eventos mais importantes, aqueles que viram conversa de cobrador de ônibus. Por isso, se um determinado esporte passa a ter o vocal do “bem, amigos”, não é necessário ser extraordinariamente genial para concluir que ele caiu no gosto da emissora. Foi o que aconteceu com o MMA, que deverá se estabelecer de vez como o segundo esporte global – e do país, portanto.

Resumindo: além de velho, Galvão também está cansado da sua rotina de narrar futebol e Fórmula 1, que não parecem estar em um grande momento. O MMA passa a ser uma coisa interessante para ele porque não tem momentos entediantes (não há 0x0 ou corrida em Abu Dhabi dentro de um ringue), é ágil, enérgico, curto e os eventos que interessam aos brasileiros não cumprem um calendário de regularidade suíça e tabelamento por pontos como os dois esportes tradicionais. Ou seja, dá para acompanhar apenas ocasionalmente, o que é bem cômodo para um cara da meia-idade.

Enquanto isso, a Fórmula 1 perde espaço. Neste ano, os índices de audiência foram miseravelmente baixos. O GP do Brasil, que costuma ter pontuação polpuda no IBOPE, não passou dos 14 pontos. O restante da temporada foi ainda pior: 10,7 pontos de média. A título de comparação, em 2008, a média no ano foi de 17 pontos. O GP do Brasil daquele ano, o da derrota do Felipe Massa nos últimos metros, registrou 32,7 pontos.

Achou pouco? Nos dias de Ayrton Senna, a categoria chegava a alcançar picos de 40 pontos no IBOPE. Hoje em dia, se a metade disso for mantida, já será um resultado excepcional. A tendência, no entanto, é que as coisas fiquem ainda piores. Não por acaso, a Globo não pôde sequer aumentar os preços das cotas de publicidade para a categoria. Para o ano que vem, as seis empresas que quiserem anunciar durante as corridas pagarão os mesmos 62 milhões de reais deste ano.

São números que devem, sim, preocupar o fã do automobilismo. Antes que você me apareça com alguma manifestação imbecil de egoísmo do tipo “se parar de passar na Globo, OK, que vá logo para a TV por assinatura e está tudo bem”, saiba que qualquer forma de se despopularizar o esporte no país só apressará ainda mais sua morte. O raciocínio é simples e intuitivo. Sem audiência, não há patrocinador. Não há transmissão na TV aberta. Menos gente continuará vendo as corridas. Menos crianças se interessarão pelo automobilismo. Menos pilotos serão revelados. A chance de surgir algum grande nome no futuro tenderá a zero. A Fórmula 1 continuará sem um piloto brasileiro nas cabeças. A audiência diminuirá. Forma-se um moto contínuo que resultará no fim da Fórmula 1 para nós.

Naquela época, o IBOPE chegava a registrar 40 pontos nas corridas. Bons tempos...

Hora de viajar um pouco. Como eu não costumo encontrar uma única razão, contexto ou consequência para as coisas, falo um pouco sobre tudo o que ronda a situação. Se você parar para ver as notícias sobre a audiência das emissoras, perceberá que a Rede Globo vem apresentando queda em basicamente todos os programas. O futebol já não anima como antigamente, as novelas vêm batendo recordes negativos de audiência em todos os horários, o jornalismo está ficando para trás e, portanto, as pessoas estão vendo menos Globo. Do mesmo jeito que também estão vendo menos SBT, Record, Bandeirantes, Gazeta e TV Shoptime. Ainda bem.

Até uns dez anos atrás, muita gente só tinha a TV aberta para passar o tempo. Hoje em dia, você tem a internet e a TV por assinatura para abocanhar grande parte da atenção. Então, nada mais natural que toda a programação, incluindo aí a tal da Fórmula 1, perca espaço para o Facebook, o Bandeira Verde e os programas que ensinam como fazer bonequinhos de biscuit no Bem Simples.

Mas não dá para ficar sentado achando que a queda da audiência da Fórmula 1 só pode ser creditada à decadência da TV aberta. O fato é que os mortais não têm mais para quem torcer. Não importa se as corridas são as mais legais do universo, os pilotos são melhores que Ayrton Senna e as pistas são todas iguais a Spa-Francorchamps ou Enna-Pergusa. Se não há um representante brasileiro para torcer, não há audiência, simples assim. Nenhum esporte escapa disso, nem mesmo o futebol. Gostaria muito de ver o que aconteceria se uma Copa do Mundo não tivesse o Brasil participando.

Até Emerson Fittipaldi, pouca gente ligava para as corridas de carro. A Quatro Rodas e a Auto Esporte reportavam detalhadamente as corridas que aconteciam aqui e lá fora, mas a cobertura não passava disso. Com a ascensão do Rato, a Fórmula 1 virou a nova febre do país e chegamos a um ponto em que duas emissoras concorrentes transmitiam a mesma corrida ao vivo! O sonho da Copersucar só aumentou ainda mais este ôba-ôba, mas as coisas rapidamente mudaram de figura quando o governo brasileiro proibiu as corridas em decorrência dos problemas na oferta de combustíveis, a equipe dos irmãos Fittipaldi não correspondeu nas pistas e Emerson virou apenas um participante do meio do pelotão. Em 1979, a Globo largou a mão da Fórmula 1 e a Bandeirantes decidiu transmiti-la sem grandes ambições. Foi aí que Galvão Bueno, então funcionário da emissora paulista, surgiu ao mundo.

Mas o fim de Emerson na Fórmula 1 coincidiu com o início de Nelson Piquet. Não muito depois, surgiu um nome ainda mais forte, carismático e arrebatador de corações, Ayrton Senna. Ao mesmo tempo, o futebol estava em baixa e amargava uma crônica desorganização no panorama nacional e uma sequência de resultados decepcionantes nas copas. O automobilismo ganhou a força que MMA nenhum sonhará em ter.

Senna morreu em 1994 e o Brasil ficou um bom tempo sem um representante lá nas primeiras posições, mas podíamos ao menos contar com uma imensa, bem-nutrida e talentosa geração de jovens pilotos que cresceu vendo os dois tricampeões brilharem e decidiu mergulhar no automobilismo sonhando em repetir seus passos. Tudo bem, Rubens Barrichello pagava seus pecados no meio do grid e não dava para esperar muito de Rosset, Diniz e Marques, que nunca pilotaram um carro de ponta. Pelo menos, havia sempre um Zonta, um Bernoldi, um Haberfeld ou um Pizzonia para respirarmos fundo e sentenciarmos que o Tema da Vitória será tocado novamente.

Hoje em dia, este é o maior chamariz da Globo. Que coisa...

A década atual foi marcada pela presença constante de um piloto brasileiro na equipe Ferrari, a mais desejada e icônica de todas. Rubinho ficou por lá entre 2000 e 2005. No seu lugar, entrou Felipe Massa, que permanece lá até hoje. Oba, finalmente um piloto brasileiro em uma equipe de ponta, pensamos todos. É verdade. Oba, finalmente um piloto brasileiro que poderá disputar o título, pensamos todos. Não, não foi verdade. Felipe quase ganhou o título de 2008 e Rubens teve um ano dos mais tenros sonhos em 2009, mas nenhum deles chegou lá. Para o público brasileiro, que não costuma tolerar outros resultados além da vitória, os vice-campeonatos não foram lá muito aceitos.

Para piorar, episódios como o da Áustria em 2002 e o da Alemanha em 2010 desanimaram uma multidão de gentes que acreditavam que o brasileiro nunca abaixaria a cabeça aos europeus ao menos na Fórmula 1. Porque Ayrton Senna nunca faria isso, Nelson Piquet mandaria geral tomar naquele lugar e ninguém teria qualquer razão para pedir que Emerson Fittipaldi cedesse alguma posição a Ronnie Peterson, Jochen Mass ou Dave Walker. Rubens Barrichello e Felipe Massa são dois vendidos, traidores da pátria, bundões, picaretas e enumere aqui os xingamentos que você quiser.

Neste ano, a participação brasileira foi a mais discreta desde 1998. Felipe Massa não conseguiu um podiozinho sequer. Pior: não conseguiu sequer um quarto lugar. Pior ainda: teve dificuldades até para obter seus poucos quintos lugares. Rubens Barrichello marcou apenas quatro pontos e teve talvez o ano mais difícil de sua vida. Bruno Senna fez alguma coisa ali e acolá, mas o pacote final não foi suficiente. Diante disso, quem é que vai querer acordar para acompanhar a Fórmula 1, “que ficou chata depois do Senna”? Diante disso, quem é que vai querer narrar um troço desses?

Galvão Bueno, sempre otimista e tal, percebeu que a canoa furou. Ele sabe que não vai voltar a berrar efusivamente enquanto um piloto brasileiro domina a Fórmula 1 tão cedo. Hoje em dia, Galvão só cobre a categoria porque gosta de viajar, tem muitos amigos no paddock e residência em Mônaco. Pacheco como só ele, não há nenhuma outra motivação para isso. Rubens Barrichello e Felipe Massa estão na espiral decadente. E apostar em qualquer um outro, neste momento, é arriscado. Até mesmo o ultrapromissor Felipe Nasr é mais incógnita do que qualquer coisa.

Os inimigos de Galvão Bueno ficarão felizes se não houver mais Fórmula 1 no Brasil com ele narrando. Pois eles poderão ficar mais contentes ainda. Com este primeiro sinal, pode ser que nem haja mais Fórmula 1 no Brasil.

Bom dia, orangotangos. Tempo nublado e seco aqui, ótimo para viajar. Odeio pegar estrada com chuva forte. Minha maior homenagem ao Alain Prost é ser um completo cagão dentro de um carro sob chuva forte.

Viajar? Pois é, viajo daqui a pouco para Lins, que fica muito longe daqui. Por isso, não vai ter Top Cinq hoje. Ao invés disso, abro um espaço para vocês fazerem o Top Cinq da semana que vem para mim.

É fácil. Quero saber apenas quais foram os CINCO MELHORES PILOTOS DA FÓRMULA 1 NESTE ANO. Se quiserem, postem suas opiniões.

Só uma coisa: sejam criativos, isto é, não me apareçam com uma réplica da tabela do campeonato. Impossível que Mark Webber, por exemplo, esteja na lista da maioria das pessoas.

É isso, criançada. Hasta.

Minha lista? Sem dar maiores detalhes, Vettel, Button, Alonso, Sutil e Kovalainen.

MARK WEBBER9 – A vitória foi chocha, sim, mas nós temos de ser justos com ele. O australiano esteve rápido desde a sexta-feira, chegou a liderar o primeiro treino livre e nunca ficou muito atrás de Vettel enquanto esteve em segundo. A partir do momento em que o problema do câmbio do alemão se intensificou, Mark chegou de vez e ganhou de presente de Natal a liderança. Depois, só desfilou rumo à sua primeira e única vitória no ano. Um bom fim de ano para alguém que fez uma de suas piores temporadas na carreira.

SEBASTIAN VETTEL9 –Domingo não foi seu dia. A pole-position, 15ª nesta temporada histórica, foi sua e com louvores. A liderança também foi sua durante a primeira parte da prova. No entanto, ainda na parte inicial, o câmbio começou a falhar. Um problema esquisito, que o obrigava a trocar de marcha mais rapidamente e que fazia o RB7 despejar óleo do câmbio pela pista. Não deu para manter a liderança, mas Sebastian ainda permaneceu na pista e chegou a ser dono da volta mais rápida. Terminou em segundo, mas não parecia tão insatisfeito. Perder uma faz parte, mesmo para ele.

JENSON BUTTON8 – Vice-campeão mundial com sobras e com méritos. A corrida foi boa, estritamente boa, nada além de boa. O ponto alto foi ter batido Lewis Hamilton desde o treino oficial. No domingo, teve problemas com os pneus e tomou um passão por fora de Fernando Alonso na Ferradura, coisa linda de se ver. Mais à frente, as coisas se inverteram e Button assumiu a terceira posição de Alonso sem problemas.

FERNANDO ALONSO7,5 – Se não é ele, quem é que vai fazer a Ferrari disputar posição no pódio? Na sexta-feira, teve problemas com o motor. No sábado, não conseguiu pegar nada além do quinto lugar no grid. O domingo é que foi melhorzinho. Alonso deixou Hamilton para trás na largada e, não muito depois, fez uma das ultrapassagens mais bonitas da temporada, por fora sobre Button na Ferradura. No final da prova, padecendo com pneus duros, tomou o troco de Button e acabou ficando em quarto. Para o carro que tinha, foi bom.

FELIPE MASSA6 – Seis. Este é o número que esteve presente na temporada 2011 de Felipe Massa quase que constantemente. Pelo menos em Interlagos, ele repetiu seu melhor resultado: um quinto lugar… No treino oficial, foi o brasileiro que menos se destacou tendo feito apenas o sétimo tempo. Na corrida, apostou em uma arriscada estratégia de duas paradas que não alterou o destino. Os destaques vão para o bom duelo com Hamilton durante algumas voltas e os zerinhos que ele fez no final da corrida. Zerinho. Zero. De zero para seis é só um rabisco para cima, não?

ADRIAN SUTIL8,5 – Mais uma boa corrida, uma de suas melhores em 2011. Aproveitou-se do excelente desempenho da Force India neste final de temporada para colocar o carro no Q3. Na corrida, esteve sempre entre os dez primeiros e chamou muito a atenção na sua briga com Nico Rosberg pelo sexto lugar. Na primeira tentativa de ultrapassagem, tomou o troco ainda no S do Senna. Na volta seguinte, finalmente completou a ultrapassagem. Se ele ficar desempregado, será a maior injustiça da próxima temporada.

NICO ROSBERG6,5 – Mais uma corrida eficiente e tediosa. O melhor momento, se é que dá para falar assim, foi ter batido Massa no treino oficial. No dia seguinte, largou mal e perdeu terreno para o mesmo Massa muito rapidamente. Meio sumido na transmissão, só voltou a aparecer quando devolveu uma tentativa de ultrapassagem sobre Sutil (de maneira bonita, diga-se) e tomou a ultrapassagem definitiva na volta seguinte. O melhor de ter terminado em sétimo foi ter permanecido à frente de Schumacher na classificação final pela segunda vez.

PAUL DI RESTA 7 – Boa corrida, outra. Não passou para o Q3 como fez seu companheiro de equipe, mas ficou bem perto. Largou, fez sua corridinha tranquila e parou apenas duas vezes. A partir da segunda metade, começou a ter problemas no câmbio, mas conseguiu levar o carro até o final e marcou quatro pontos. Terminou o ano como o estreante que mais pontuou.

KAMUI KOBAYASHI6,5 – Penou pra cacete na sexta e no sábado, mas conseguiu se recuperar e fez sua melhor corrida no segundo semestre. Desta vez, conseguiu largar à frente do companheiro Pérez, mas por muito pouco. Para a prova, apostou em uma estratégia de duas paradas. Largou bem, não perdeu tempo e não teve problemas nos pit-stops. No fim, se viu na nona posição. Um bom final de campeonato, certamente.

VITALY PETROV4 – Nem sei como é que ele pegou o último ponto da temporada. Não que o carro tenha colaborado muito, mas o russo já teve performances melhores neste ano. Na classificação, levou uma surra assustadora de Bruno Senna e ficou em 15º enquanto via o companheiro avançando ao Q3. Na corrida, perdeu muito tempo atrás dos carros da Toro Rosso e também ao ter de fazer um pit-stop a mais que os adversários mais próximos. Continuo sem saber como é que ele terminou em décimo.

JAIME ALGUERSUARI4 – Se ferrou na largada, quando perdeu um monte de posições e ficou preso atrás de pilotos que haviam largado atrás. Com isso, não conseguiu pontuar. Tivesse feito o trabalho direito na primeira volta e poderia ter sido o salvador da Toro Rosso em Interlagos. Mesmo assim, ficou à frente de Buemi no sábado e no domingo. Na briga por uma vaga na equipe no ano que vem, está na vantagem.

SÉBASTIEN BUEMI3,5 – Também não fez nada que o elevasse à condição de gênio. Na sexta-feira, teve de dar lugar a Jean-Eric Vergne. Quando teve seu carro de volta, ficou uma sessão livre inteira parado nos boxes por problemas. No sábado, largou atrás de Alguersuari. Na corrida, até conseguiu deixar o espanhol para trás na largada, mas as coisas se inverteram na última rodada de pit-stops. Não teve a melhor das temporadas e pode ter feito sua última corrida na Fórmula 1.

SERGIO PÉREZ3 – Fez um ano de estreia bastante razoável, mas sua prova de estreia em Interlagos não foi tão boa assim. Dá para culpar os outros, no entanto. Em um dos treinos livres, teve problemas. No sábado, a equipe decidiu acertar o carro para o tempo chuvoso. Não choveu. Por isso, o mexicano largou lá atrás e não se recuperou na corrida mesmo tendo parado duas vezes. Bom piloto, merece uma temporada melhor.

RUBENS BARRICHELLO3,5 – Teria sido sua 322ª largada na Fórmula 1 a derradeira? Para ser honesto, fico um pouco assustado com isso. Rubens Barrichello é piloto de Fórmula 1 ininterruptamente desde que eu tinha quatro anos de idade. Hoje, tenho 23. De verdade, fico até meio chocado com isso. Enfim, ob-la-di, ob-la-da. Se a corrida de Interlagos foi uma despedida, bem que ela poderia ter sido melhor. O sábado foi excelente com o suado 12º lugar obtido no Q2. Infelizmente, sua péssima largada arruinou o sonho dos pontos. Restou apenas chegar ao fim. Falo a verdade? Torço muito pela sua permanência na Fórmula 1. Mas acho que não vai dar mais. E nem adianta forçar a barra em uma equipe ainda pior que a Williams. Barrichello não merece isso.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Viveu situação parecidíssima com a etapa brasileira de 2006. Assim como naquele ano, teve de largar da décima posição (naquele caso, por problema; neste, por opção da equipe). No domingo, partiu para uma tentativa de recuperação e até conseguiu passar Di Resta. No entanto, quando chegou em Bruno Senna, acabou se enroscando com o sobrinho e teve um pneu furado, assim como em 2006. Caiu para último e só lhe restou recuperar as posições dos carros de merda até o fim. Que 2012 seja melhor do que isso.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – Terminar à frente de um carro melhor tornou-se uma constante de Heikki Kovalainen nesta parte final da temporada. Desta vez, e mais uma vez, ele ficou à frente de Bruno Senna, que teve de parar quatro vezes e padecia de problemas no câmbio. Mas não dá para justificar a boa etapa do finlandês apenas por isso. No treino oficial, ponteou os pilotos das equipes nanicas. Largou bem e deixou um Sauber e um Toro Rosso para trás. Depois, fez sua corrida eficiente e fechou o ano em alta. OK. Só espero que sua terceira temporada na Lotus não seja apenas um “2011 melhorado“, pois este ano já foi um “2010 melhorado”.

BRUNO SENNA4 – Puxa vida, hein? O sábado do brasileiro foi talvez o melhor dia de Bruno Senna na Fórmula 1, talvez melhor até mesmo do que a classificação na Bélgica. Não só passou para o Q3 como também deu uma surra inesquecível em Petrov na frente da torcida. O domingo, por outro lado, foi negro. Logo no começo, em uma disputa com Schumacher, não facilitou a vida do alemão e os dois se acharam. Com isso, Senna teve de ir aos pits para trocar o bico. Mais tarde, foi punido e teve de ir aos pits mais uma vez. Para piorar, assim como aconteceu com seu tio há vinte anos, o câmbio começou a falhar no final. Sua corrida foi para o saco, é claro.

JARNO TRULLI3 – Não conseguiu sequer deixar um Bruno Senna com problemas de câmbio e quatro paradas para trás. Não que isso seja lá sua obrigação, mas Heikki conseguiu e isso conta pontos positivos a seu favor. No mais, largou atrás do companheiro e terminou atrás. Enfim, nada de novo. Não sei o que ele ainda espera da Fórmula 1.

JERÔME D’AMBROSIO3,5 – Desse daqui, deu pena. Fez seu trabalho honesto de sempre, mas terminou o domingo desempregado, já que Charles Pic foi anunciado como seu substituto horas depois. Maneira ruim de recompensar sua atuação competente em Interlagos. No dia anterior, embora batido pelos dois HRT no treino oficial, conseguiu deixar Timo Glock para trás. Na corrida, foi o único piloto da equipe a chegar ao final. Pelo visto, sua carreira na Fórmula 1 também chegou ao final.

DANIEL RICCIARDO4 – Corrida normal para um piloto da HRT. O sábado certamente foi melhor que o domingo, já que tanto ele como Vitantonio Liuzzi bateram os dois carros da Virgin, embora o australiano ainda tenha ficado atrás do companheiro. Na prova, contudo, somente ele terminou. Teve problemas de pneus, o que o impediu de ficar à frente de D’Ambrosio, mas ainda conseguiu chegar ao fim. Deve ter sido sua última corrida com um carro tão ruim.

VITANTONIO LIUZZI4 – Teve seu ponto alto no ano ao ficar à frente de três carros na classificação por puro mérito. Na corrida, infelizmente, pôs tudo a perder com uma má largada. Pelo menos, vinha andando à frente de Ricciardo até ter um problema no alternador. Impossível saber o que será de sua carreira no ano que vem.

LEWIS HAMILTON3 – Triste fim de uma temporada conturbada. Vindo de uma bela vitória em Abu Dhabi, Hamilton esperava fechar o ano com chave de ouro na pista onde foi campeão há três anos. Fracassou. No treino oficial, não conseguiu superar Button e obteve apenas o quarto lugar no grid. Na largada, saiu mal e perdeu uma posição para Massa. Tentou se recuperar e até chegou a brigar com Felipe Massa, mas o câmbio de seu carro quebrou e deixou o ex-Scherzinger a pé. Como ponto positivo, o capacete que homenageia Ayrton Senna e que será leiloado pra ajudar umas criancinhas carentes por aí.

PASTOR MALDONADO2,5 – Terminou 2011 sendo, provavelmente, o piloto da Williams com os piores resultados em um ano na história da equipe. Nem Zanardi em 1999 ou Nakajima em 2009 tiveram tantas dificuldades. Pudera. No treino oficial, ficou no Q1 com as três equipes porcas. Na corrida, até conseguiu se recuperar, mas rodou após ter ultrapassado Senna e deu adeus prematuro à prova. Nem sabe se irá continuar na Fórmula 1 no ano que vem, perdido nos problemas de contrato da PDVSA com a Williams.

TIMO GLOCK0 – Deus do céu, hein? O pior é que seu péssimo fim de semana nem foi culpa dele. Seu carro esteve muito ruim o tempo todo. No sábado, ele ficou atrás de D’Ambrosio e dos dois HRT no treino oficial. Ou seja, ficou em último no grid. Na corrida, logo após sair de seu pit-stop, o pneu traseiro esquerdo deu tchau ao seu carro e voou para longe. Por pouco, não atravessou a mureta dos pits e invadiu a pista. Glock ficou irritadíssimo e estava totalmente certo. É um cara que nunca vai ter um GP do Brasil tranquilo, pelo visto.

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