MARK WEBBER10 – Em tese, o australiano não mereceria o dez. Perdeu a pole, andou em terceiro no início da corrida e mesmo que estivesse na liderança após o safety-car, provavelmente não terminaria a corrida nesta posição. Porém, aproveitou-se da punição de Vettel, andou o máximo possível com seus pneus macios e abriu distância o suficiente para voltar dos pits na ponta. Ao fazer tudo isso, venceu a corrida de maneira sensacional. Diria até que foi a mais saborosa de suas quatro vitórias.

FERNANDO ALONSO 9 – Poderia ter vencido a corrida, e de maneira verdadeira e ética. Com a evolução de seu F10, conseguiu um bom terceiro lugar no grid. Esse terceiro se transformou em segundo e poderia ter se transformado em uma liderança na primeira curva, mas não foi possível. Após isso, andou o máximo que seu carro permitia, ganhou a posição de Vettel, punido, e perdeu a de Webber, que tentou uma estratégia ousada. Terminou em um bom segundo lugar e mostrou que, sim, estará na briga pelo título.

SEBASTIAN VETTEL 7,5 – Chega a ser impressionante a sua incapacidade de converter uma pole-position em uma vitória. Em Hungaroring, circuito travadíssimo, tudo indicava que a vitória, dessa vez, viria fácil. No entanto, não veio. Após o safety-car deixar a pista, o alemão acelerou mais que o recomendável e abriu uma distância longa o suficiente para render uma punição. Com isso, sua liderança se transformou em um magro terceiro lugar. No final da corrida, ainda tentou ganhar o segundo lugar de Alonso, mas não conseguiu.

FELIPE MASSA 7,5 – Está se recuperando, o que é algo positivo. No entanto, sua corrida não chamou a atenção, embora tenha sido eficiente. Largou em quarto e terminou em quarto, sem ameaçar os três primeiros e sem ser ameaçado por ninguém.

VITALY PETROV 9 – Fez, de longe, seu melhor fim de semana do campeonato. Largou à frente de seu companheiro Kubica, ganhou algumas posições na primeira volta e, apesar de ter tomado uma ultrapassagem fácil de Hamilton, conseguiu se manter sempre entre os primeiros. Com o abandono do inglês e as reviravoltas da corrida, conseguiu terminar em um excelente quinto lugar. Melhor atuação de um novato até aqui.

NICO HÜLKENBERG 8 – Assim como Petrov, fez sua melhor atuação no ano até aqui. Largou à frente de Barrichello e manteve-se sempre entre os dez primeiros. Com as confusões geradas pelo safety-car e a estratégia desastrada de seu companheiro, conseguiu subir para sexto. Dá sinais de evolução.

PEDRO DE LA ROSA 8 – Esquecido por muitos, o espanhol teve uma grande atuação e uma enorme ajuda da sorte pela primeira vez nesse ano. Largou em um ótimo nono lugar e ganhou algumas posições com a bagunça ocorrida no momento do safety-car. Os primeiros pontos tardaram, mas chegaram.

JENSON BUTTON 2 – Mal nos treinos, pior ainda na largada e apenas mediano no restante da corrida. Terminou em oitavo, encaixotado entre os dois carros da Sauber. Pior fim de semana do ano até aqui.

KAMUI KOBAYASHI 8,5 – É um maluco. Na primeira volta, ganhou nada menos do que sete posições. Mesmo que vários dos carros ultrapassados fossem das equipes novatas, ganhar tantas posições em tanto pouco tempo em uma pista como Hungaroring é algo indiscutivelmente sensacional. Depois disso, subiu mais algumas posições e chegou à zona de pontuação após os abandonos na sua frente. Nono lugar heróico, uma das melhores atuações do ano. Só não leva nota maior porque sobrou no Q1 da classificação.

RUBENS BARRICHELLO 5 – Andou como um moleque que acabou de chegar à Fórmula 1. No entanto, sua estratégia de permanecer na pista por tanto tempo acabou com qualquer chance de um bom resultado. No fim das contas, mostrou força ao marcar a terceira volta mais rápida da corrida. E mostrou mais personalidade ainda ao ultrapassar Schumacher de modo quase suicida. Faria bem a ele esquecer um pouco da antiga rivalidade. Perdoar é divino, pois.

MICHAEL SCHUMACHER 3 – Para variar, mal nos treinos. E também não fez nada na corrida a não ser jogar seu bólido para cima do Williams de Barrichello para conter uma ultrapassagem nas últimas voltas. Além de não ter funcionado, tomou uma punição que será aplicada em Spa-Francorchamps. É o velho Schumacher: extremamente competitivo, desesperado e sujo nesse tipo de briga.

SEBASTIEN BUEMI 3 – Não há muito o que dizer. Fez o 15º tempo nos treinos, algo normal para sua equipe. Largou muito mal e, apesar de ter conseguido ganhar algumas posições com os abandonos, não passou nem perto dos pontos.

VITANTONIO LIUZZI 2,5 – Com a decadência da Force India nas últimas corridas, estabeleceu-se nas últimas posições entre os pilotos das equipes que contam. Mal nos treinos, só chamou a atenção quando seu carro perdeu um pedaço do bico, o que ocasionou o safety-car que bagunçou a prova. Para piorar, ficou preso atrás de Buemi por várias voltas.

HEIKKI KOVALAINEN 4 – Foi o melhor entre os pilotos das equipes novatas, mas não foi sua melhor atuação no campeonato. Ficou atrás de Glock na classificação, largou mal e só recuperou algumas posições com as confusões no momento do safety-car. Apesar de ter superado seus cinco adversários diretos, tomou uma volta e mais um minuto de Liuzzi.

JARNO TRULLI 3,5 – Ficou atrás de Kovalainen na classificação, mas fez uma boa largada e chegou a passar os dois Toro Rosso. Após os pits, acabou perdendo a posição para seu companheiro finlandês e não fez mais nada até a linha de chegada.

TIMO GLOCK 3,5 – Foi o melhor entre os pilotos das novatas na classificação, mas pôs tudo a perder ao andar do lado de fora na primeira curva, o que custou algumas posições. Depois, restou apenas terminar.

BRUNO SENNA 4,5 – Dentro dos limites do carro, fez outra boa corrida. Com as confusões geradas pelo safety-car, ganhou a posição do Virgin de Di Grassi. No final da corrida, conseguiu colocar uma volta no compatriota. Muito bom.

LUCAS DI GRASSI 5 – Depois de muito tempo, voltou a terminar uma corrida. De quebra, fez a melhor volta entre os pilotos das equipes novatas. Dava para ter terminado à frente de seus rivais, mas um problema na troca de uma roda acabou jogando-o para a última posição após a rodada de pits. Depois disso, seu ritmo não foi mais o mesmo. Uma pena.

SAKON YAMAMOTO 2 – Sua presença destoa do resto do grid. Na corrida, sua melhor volta foi sete segundos mais lenta do que a de Vettel. Sem qualquer sinal de competitividade, o negócio é terminar a corrida. No difícil Hungaroring, ele conseguiu.

LEWIS HAMILTON 7,5 – Em mais um fim de semana no qual a McLaren não tinha o melhor carro, o campeão de 2008 vinha se sobressaindo. Fez uma boa ultrapassagem por fora sobre Petrov na segunda volta e, após a rodada de pits no período do safety-car, ganhou a posição de Massa. Infelizmente, o câmbio o deixou na mão e a liderança do campeonato escapou por entre os dedos.

ROBERT KUBICA 4 – Uma corrida medíocre que culminou em um acidente bizarro com Sutil nos pits. Culpa do “homem do pirulito”, que liberou o polonês enquanto o alemão da Force India posicionava seu carro para a parada. Após a batida, ele tentou voltar à pista, mas a suspensão havia sido afetada e ele achou melhor abandonar. Foi o fim de um fim de semana no qual ele brilhou muito menos que seu companheiro de equipe.

NICO ROSBERG 5 – Dessa vez, até que ele não foi tão mal na classificação. Na corrida, vinha andando em sétimo até seu pit-stop. Nesse momento, um mecânico da Mercedes lhe fez o favor de parafusar mal a roda traseira direita, que saiu voando em direção aos boxes da Williams após o carro começar a se movimentar. O maior feito do alemão nesse fim de semana foi machucar um ex-mecânico seu.

ADRIAN SUTIL 3 – Não foi bem nos treinos e sua corrida acabou prematuramente quando foi atingido por Robert Kubica dentro dos pits. O acidente, que não foi culpa sua, foi o único instante no qual ele apareceu.

JAIME ALGUERSUARI 1 – Mal nos treinos e mal na largada. Poucos minutos depois, seu motor estourava de maneira pirotécnica. Um mau fim de semana para alguém que comemorava um ano de Fórmula 1.

HUNGARORING: Modificando livremente a declaração de Chico Buarque, deve ser a única pista que o diabo respeita. Lenta, travada, abrasiva, destruidora de pneus e freios, ainda por cima sedia uma corrida de Fórmula 1 no período mais quente possível do Leste Europeu, os meses de julho e agosto. Para os pilotos, uma verdadeira via crucis, o pagamento de todos os pecados cometidos na vida. Um conjunto ideal para esta pista é o piloto com preparação física impecável e o carro com bastante downforce. O país é indescritivelmente belo e as corridas são indescritivelmente chatas, só valendo a pena pelo deslumbrante cenário formado pelos casebres da vila de Mogyoród. Acredito que, por ser uma pista extremamente exigente, ela é absolutamente necessária para um calendário decente. Gostaria de pilotar lá um dia.

MASSA: Foi um dos chamados para a entrevista coletiva da FIA. Disse que não era segundo piloto e que deixaria se correr se o fosse. Disse que o episódio alemão não se repetiria e que lutaria pelas vitórias. Disse que trabalha para a equipe e quer o melhor para ela. É preciso ponderar algumas coisas. Felipe mente quando diz que não é segundo piloto. Nesse momento, é, sim senhor. Do mesmo jeito que foi em 2007. Em 2008, foi o primeiro piloto. Se Alonso quebrar a perna amanhã, Massa volta a ser primeiro piloto. Tão simples de entender. Por outro lado, está certíssimo quando diz que trabalha pela equipe. Afinal de contas, é ela que paga seu salário e lhe proporciona um carro minimamente razoável. Se há uma pataquada como a de Hockenheim, como cansei de dizer, a falta de ética é total por parte dos chefões e não dos pilotos.

WARWICK: Será ele o comissário-piloto do fim de semana. Tenho a impressão de que ele sempre obteve bons resultados nessa pista. Vou conferir. É, exatamente. Derek Warwick marcou pontos por lá em 1987, 1990 e 1993. Nesse último ano, passou muito perto do pódio com um Footwork. Não que os ex-pilotos escolhidos o sejam pelo seu retrospecto em uma pista, mas não deixa de ser algo interessante. Espero que não tenha tanto trabalho quanto tiveram, por exemplo, Emerson Fittipaldi e Danny Sullivan.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO: Como alguém que escreve bobagens na internet, defendo visceralmente. No entanto, depois do ocorrido em Hockenheim, alguns indivíduos não envolvidos diretamente na história andam abusando deste direito pétreo. Mark Webber, aquele que se acha preterido na Red Bull, disse que a Ferrari fez o certo. Flavio Briatore, pivô do escândalo Cingapura/2008, disse que absurda é a regra de proibição de ordens de equipe. Do outro lado, Rubens Barrichello, aquele da Áustria, disse que as ordens de equipe deveriam ser proibidas e que não seria campeão sendo um cara mau. Estando certos ou estando errados, acho que nenhum deles foi chamado para a conversa.

DI GRASSI: Equipes “descoladas”… hahahaha. Depois da tensão vigente na Red Bull, agora é a Virgin que fecha o semblante. E o mais insólito é que isso aconteceu devido a uma brincadeira boba de Lucas di Grassi, um dos pilotos da equipe. Pouco após a corrida, ele pegou as declarações emitidas pelo seu companheiro de equipe Timo Glock e fez algumas alterações, colocando que “foi um começo de corrida difícil, já que Lucas me ultrapassou em uma manobra brilhante”. O alemão, longe de ser o tipo mais bem-humorado do grid, não gostou. E a equipe também não. Irritar-se por isso é bobagem, mas na Fórmula 1 do estresse vem sendo bastante comum. Nesses tempos atuais, todo mundo perde a cabeça com facilidade. Mesmo se você é “descolado”.

Neste humilde espaço, o inglês Nigel Mansell foi ridicularizado, tripudiado, bombardeado e devidamente criticado por este maldoso escriba em várias ocasiões. Meu problema com o Leão não é exatamente técnico, mas sim pessoal. Não que eu deixe de achar o cara um australopiteco britânico que acelerava mais do que o motor permitia, freava além do que o freio permitia e se mostrava incapaz de poupar pneus e gasolina. O problema é sua postura. Sabe aquela música que diz que malandro é malandro e mané e mané? Mansell é um completo mané. E só um mané para fazer uma corrida como o GP da Hungria de 1988.

Coitado do Mansell, dirão alguns. Afinal, as circunstâncias que o acompanharam nesta corrida escaparam de seu controle. Vítima de uma prosaica catapora contraída de um dos filhos, o inglês apareceu no autódromo magiar febril e todo cheio de bolotas vermelhas no corpo. Se um Mansell com 36,5ºC já era perigoso, imagine um com 39ºC. Na sexta-feira, choveu e ele foi o mais rápido nos treinos livres. Tudo bem que seu Williams-Judd aspirado tinha um bom rendimento em circuitos de baixa velocidade, mas o inglês teve um pequeno devaneio ao dizer à mídia que havia sido quatro segundos mais rápido que o resto! Na verdade, sua diferença para Alessandro Nannini havia sido de apenas 0,297s. Mas tudo bem.

Mesmo com todo o problema de tráfego, algo comum por lá, Mansell fez um bom segundo tempo e se garantiu na primeira fila, atrás apenas de Ayrton Senna. Largou bem e manteve-se em segundo nas primeiras voltas. Seu carro era mais rápido que o de Senna, mas praticamente não tinha downforce algum e sofria com graves problemas de saída de traseira. Na volta 12, o inglês colou na traseira de Senna na atual curva 4. Sem muito espaço, acabou passando por sobre a zebra, o que fez o carro se descontrolar e rodopiar espetacularmente. Como Mansell era especialista em se recuperar de rodopios, ele pôde voltar à pista em quarto.

Uma corrida na Hungria no mês de agosto é mortificante. O calor é insuportável e os pilotos são obrigados a conduzir verdadeiros microondas ambulantes por quase duas horas. Completamente frágil, Mansell vinha tendo cada vez mais dificuldades de controlar um carro difícil de guiar em uma pista complicada como a húngara. Na volta 37, ele foi para os pits trocar os pneus. Para sua infelicidade, o carro passou a se comportar de maneira ainda pior.

Febril, esgotado de cansaço e tendo de dar um jeito de controlar um bólido inguiável, Mansell começa a extrapolar sua condição física. Mantém-se por algum tempo em quinto até começar a tirar o pé de vez a partir da volta 59. Antes de completar a volta 60, Mansell estava a poucos metros de tomar uma volta de Ayrton Senna quando algum outro retardatário escapa na entrada da reta dos boxes, deixando uma nuvem de poeira naquele trecho. Mansell e Senna acabaram escapando naquela curva, e o brasileiro conseguiu continuar.

O Leão, por outro lado, aproveitou a deixa e parou o carro ali, no meio do poeirão, alguns metros antes da linha de chegada. Saiu do carro cambaleante, em péssimo estado. Diz a lenda que chegou a desmaiar lá nos boxes. Em se tratando de Mansell, não duvido.

Como convalescença, Nigel Mansell ganhou duas corridas de folga. Voltou em Jerez, ainda sentido os efeitos da doença, e fez uma de suas melhores corridas no ano. Este é Mansell. Os vírus podem até ganhar uma batalha, mas não a guerra contra o “brutânico” do Red Five.

Agora este escriba enlouqueceu de vez! Como assim esse lunático comete a picardia de deixar templos sagrados do automobilismo como Indianápolis, Mônaco, Monza e Silverstone de fora para considerar um circuito tão chato, tão entediante, tão travado como Hungaroring? Pois é, como pode? Se esse blog tivesse opiniões convencionais, não compensaria sequer mantê-lo. Vamos às explicações sobre o motivo de eu considerar Hungaroring um circuito especial, e necessário.

Hungaroring é um pequeno autódromo localizado a alguns quilômetros do centro de Mogyoród, uma simpática vila de 5.700 habitantes localizada na região metropolitana de Budapeste. A idéia do circuito surgiu ainda na primeira metade dos anos 80 e em apenas oito meses, entre Outubro de 1985 e Maio de 1986, o autódromo foi levantado. Ele era considerado bastante moderno, pois priorizava a redução de velocidade dos carros (a F1 estava no auge da era turbo) e a segurança, assunto até então esquecido pelos autódromos ao redor do mundo. A primeira corrida de F1 aconteceu em Agosto de 1986, vencida por Nelson Piquet após batalha épica com Ayrton Senna.

O circuito nasceu em um período particularmente interessante. Em 1986, a Hungria ainda era um país comunista comandado havia exatos trinta anos por János Kádár, o secretário geral do Partidão local. A gestão Kádár foi marcada por uma forte aproximação com a União Soviética. Porém, apesar disso, o padrão de vida era relativamente bom e os direitos civis eram mais respeitados do que nos outros países. Ao mesmo tempo, o país ensaiava uma transição para a economia de mercado e trazer o automobilismo ocidental seria um ótimo cartão de visita para o mundo capitalista. Ao mesmo tempo, Bernie Ecclestone vislumbrava a expansão da categoria ao mundo comunista. Era a Fórmula 1 ultrapassando os limites do mundo bipolarizado.

Quando a primeira corrida de Fórmula 1 foi realizada, mais de 100 mil pessoas de vários países da Cortina de Ferro compareceram ao autódromo. Quem não pôde ver não ficou triste, já que houve transmissão televisiva ao vivo da corrida para todos os países da região. Bernie Ecclestone, sempre afiado, lançou um “esse é o melhor circuito do mundo”. Se bobear, nem ele acreditava realmente nisso, mas valia tudo pela grana. A corrida foi um sucesso de público e de crítica. Com o passar do tempo, o comunismo acabou, a Hungria abraçou o capitalismo e Hungaroring manteve-se no calendário.

TRAÇADO E ETC.

À primeira vista, o traçado é uma bela duma bosta. Lento, travado, cansativo e sem pontos de ultrapassagem. Para acompanhar corridas como um espectador domingueiro, é a pior coisa do mundo. O Red Bulletin, jornalzinho metido a engraçadinho emitido pela equipe de F1, contou até uma piadinha sobre isso. Médico e paciente conversavam. O médico disse que o paciente teria apenas mais um dia de vida. O paciente entrou em desespero e perguntou ao doutor o que poderia fazer. Ele disse para ele ver o GP da Hungria porque o tempo demora tanto pra passar que ele vai achar que viveu mais… tá, foi engraçado na hora. Até mesmo o próprio site do circuito diz que “os pilotos nunca gostaram muito do circuito por causa da lentidão e da demora das corridas, mas o Bernie ama porque é mais tempo para expor os patrocinadores”!

Mas não vamos analisar só pela ótica do torcedor. Hungaroring é único. É um dos traçados mais sinuosos que eu tenho conhecimento, se não o mais. O traçado analisado, utilizado entre 1989 e 2002 e que tem extensão de 3,968 km, tem apenas uma reta de verdade, a dos boxes. O restante do circuito é composto por retas muito pequenas e curvas, muitas curvas. Não me refiro a cotovelos, mas curvas de verdade, de formato circular e angulação minimamente considerável. Além disso, o asfalto é muito abrasivo, o que destrói os pneus. Some isso com a sujeira formada pela falta de uso do circuito e temos uma persistente falta de aderência.

Como se percebe, o piloto deve ter um carro com muito downforce para fazer curvas. Além disso, devido ao calor típico do verão húngaro e ao esforço exigido pelo excesso de curvas, o piloto deve estar em ótima forma física para suportar uma corrida inteira nessa pista. Além disso, com as zebras muito altas nas chicanes, o piloto deve conduzir agressivamente, jogando o carro por cima delas. Velocidade pura não é o que importa por aqui, mas sim técnica, preparo físico e paciência, muita paciência.

A segurança era moderna para sua época. Hoje em dia, com guard-rails próximos à pista e áreas de escape pequenas, podemos dizer que Hungaroring já não é mais a prima donna nesse quesito.

Trechos a serem considerados (pra variar, a falta de criatividade no nome das curvas reina):

1: Primeira curva do circuito. É o melhor, pra não dizer o único, ponto de ultrapassagem desse circuito, pois é o ponto final da única reta verdadeira. Na versão de 1989, é uma curva de 180º de raio médio que possui aspecto circular. Largura média e aderência baixa. O piloto tende a frear o mais tarde possível, sacrificando um pouco a tangência para o setor seguinte.

3: Não sei dizer se isso é uma reta ou é uma curva. Mas é o segundo trecho mais veloz da pista, feito em subida. Tem piloto que se ilude tentando pegar o vácuo do carro à frente para tentar ultrapassar na 4, sem conseguir.

4: Interessante curva cega à esquerda feita em subida. Como é bastante estreita e seguindo a tendência de pouca aderência, é comum ver pilotos errando e indo para fora. Se o carro sair demais de frente ou principalmente de traseira, terá problemas para contorná-la.

6: Chicane que muita gente já sonhou, sem sucesso, utilizar para ultrapassagem. Se quiser ganhar tempo, é obrigatório passar pelas zebras, que são bastante altas.

12: Difícil dizer se é uma chicane ou só uma perna de alta velocidade à direita. Mas tem zebra e o piloto deve atacá-la com vontade.

13 e 14: São curvas parecidas, de angulação de 180º e raio médio, exatamente como a curva 1. São mais estreitas, no entanto, e também ainda menos aderentes. Se o piloto perde o traçado ideal, ele vai para fora sem dó.