A essa foto, só digo: puta que o pariu! Primeira vitória de Ayrton Senna em Mônaco. Primeira de seis. Que deveriam ser oito. Não consigo engolir, principalmente, a pataquada de 1988. Mas tudo bem.

Vou ser breve, que o tempo me é precioso. Senna tinha um carro menos rápido e mais constante em 99T. Sem os motores Renault de classificação, que ultrapassavam com folga os 1000cv e eram uma enorme ajuda para Ayrton nos treinos, a vantagem de Senna nos treinos diminuiu enormemente. Pelo menos, o motor Honda era confiável e os próprios problemas estruturais de confiabilidade da Lotus nos últimos anos foram resolvidos. Ayrton Senna fez o segundo tempo, logo atrás da Williams de Nigel Mansell.

A largada foi sossegada para Mansell e ele manteve a liderança, com Senna sempre atrás. A corrida seguiu assim até a volta 29, quando o turbo do motor Honda da Williams falhou e o Leão teve de deixar a prova. Ayrton, assim, passava a liderança. E com maestria, manteve-se sempre à frente até o final. Tirando um erro de troca de marcha na Piscina, que quase o mandou para o muro, Senna não teve mais percalços na corrida.

Tudo bem, não foi aquela corrida memorável. Mas que a foto é linda, convenhamos que é.

O começo de 1985 vinha sendo meio atribulado para Ayrton Senna. O brasileiro ainda se recuperava daquela paralísia facial que o acometeu em Novembro do ano anterior e, portanto, havia feito poucos testes na pré-temporada com o seu Lotus 97T e sua corrida em Jacarepaguá havia terminado com um problema elétrico. Segunda etapa do campeonato, Estoril, Portugal.

Ayrton Senna não estava tão esperançoso de conseguir alguma coisa. Logo no início dos treinos, o carro apresenta um problema no sistema de combustível. Por causa disso, não haveria tempo para utilizar pneus de classificação. Senna, portanto, tem apenas uma volta para fazer tempo com pneus normais. E com essa volta, ele faz a pole provisória, com 1m27s708!

Dia seguinte, Ayrton dispõe de pneus de classificação e, em uma daquelas típicas voltas de Senna, faz sua primeira pole-position na Fórmula 1, com o monstruoso tempo de 1m21s007, 4 décimos mais rápido que Alain Prost e mais de um segundo mais rápido que o companheiro Elio de Angelis. Começa aí o show de Ayrton Senna.

Para apimentar ainda mais a situação, chove horrores em Estoril momentos antes da largada. Como eram outros tempos, os pilotos não tentaram postergar a largada, que ocorreu normalmente. E Ayrton Senna largou muitíssimo bem, deixando todo o restante do gird para trás.

A corrida parecia ser outra para Senna. Os pilotos atrás sofriam para manter seus bólidos dentro da pista, mas Ayrton simplesmente desfilava. É evidente que estava difícil até para ele, que chegou a sair da pista em determinado momento. Mas a diferença para os outros era gritante. A volta mais rápida de Senna foi 7 décimos mais rápida que a melhor de Alboreto, o segundo mais rápido.

E os pilotos atrás sofriam. Riccardo Patrese batia com Stefan Johansson. Alain Prost rodava sozinho, assim como Keke Rosberg. Alguns outros, como Elio de Angelis e Nelson Piquet, se arrastavam. Mas Senna seguia sublime. E após duas horas de corrida e 67 voltas, o brasileiro recebeu a bandeirada de chegada quase 63 segundos à frente de Michele Alboreto da Ferrari.

Foi a primeira pole-position entre 65. Foi a primeira vitória entre 41. Não foi sequer seu primeiro show, mas ainda viriam muitos.

Nesses próximos dias, a seção Clique será destinada ao tricampeão supracitado. Ayrton Senna faria 50 anos no dia 21 de Março e todo mundo está fazendo homenagens a ele. Eu sou modista, muito pouco criativo e vou fazer o mesmo. Até lá, algumas fotos de momentos especiais na carreira dele. Por mais clichê que pareça, e mesmo sabendo que não sou fã dele, devo admitir: Ayrton Senna é um artista. E as fotos com ele são, de fato, quase artísticas.

Primeiro ano de Senna na Fórmula 1, sua estréia se dá em um Toleman-Hart. Tudo no carro é ruim, com exceção do chassi, que é um dos melhores do grid. Em Mônaco, Senna largou em 13º. Caía um dilúvio em Montecarlo e a promessa era de um corridão. E foi. Logo na largada, os dois Renault bateram e Patrick Tambay quebrou uma perna. Senna pula para 10º. E a partir daí, começa seu primeiro grande show na Fórmula 1.

Senna vai ganhando posições indiscriminadamente. Passa por Manfred Winkelhock, Keke Rosberg e René Arnoux sem tomar conhecimento e tendo um carro com motor mais fraco que os dos três pilotos. Quando chega a Niki Lauda, faz uma antológica ultrapassagem por fora. Com a batida do líder Nigel Mansell e os problemas dos outros, Ayrton assume a segunda posição. Na volta 24, faz a melhor volta da prova, 1m54s334, sete décimos mais rápido que a segunda melhor volta, de Elio de Angelis. O único piloto à sua frente é Alain Prost, da McLaren.

Ayrton Senna vai se aproximando de Prost muito rapidamente. Sua pilotagem é tão agressiva que, em um momento, dá uma violenta pancada em uma zebra e afeta ligeiramente a suspensão dianteira direita. A chuva segue intermitente e forte. Na volta 32, preocupado com as condições da pista e ao mesmo tempo querendo beneficiar Alain Prost, o diretor de prova Jacky Ickx dá a bandeira quadriculada terminando a corrida. Prost não passa na linha de chegada, mas isso não importa, já que o que conta de fato é a volta anterior. Vitória de Prost, apenas 7 segundos à frente de Senna.

Essa imagem foi tirada logo após a bandeirada. Senna comemorou muito. Mas ele próprio sabia que poderia ter vencido a corrida. E poderia mesmo.

Esta é mais uma seção do Bandeira Verde. Toda semana, um top cinq (porque “top five” é clichê pra caramba) sobre o que há de melhor (ou pior) no automobilismo. A seção estréia com cinco histórias de pilotos que tinham um relacionamento especial com cinco pistas, seja pelo lado feliz ou pelo lado triste.

5- PASTOR MALDONADO, MÔNACO

 

Maldonado em 2009

 

Peraí, Maldonado em quinto? O cara sequer chegou à Fórmula 1! Mas esse é o Bandeira Verde: não importa se você está na F1 ou na F3 lituana, você terá algum espaço aqui.

Na sua ainda incipiente carreira, Maldonado tem muita história pra contar no principado. Em 2005, no seu primeiro ano correndo na World Series, ele foi banido para sempre de correr em Montecarlo. O motivo? Durante os treinos livres da corrida, ele ignorou uma bandeira vermelha e atropelou um fiscal de pista, deixando-o com uma séria lesão na coluna. Porém, o venezuelano recorreu da decisão e venceu, tendo sua participação permitida.

E como isso faria a diferença na sua carreira. Em 2006, Maldonado venceu pela primeira vez no circuito monegasco, ainda na World Series. Em 2007, fazendo sua quinta corrida na GP2 pela mediana Trident, Pastor venceria de ponta a ponta. Em 2008, largou na pole e só perdeu a corrida porque Bruno Senna estava inspirado e o ultrapassou na primeira curva. Em 2009, na segunda corrida do fim de semana, herdou uma vitória sortudíssima faltando poucas voltas para o fim. Já fez mais em Mônaco do que muito piloto estabelecido de Fórmula 1.

4- JEAN ALESI, MONTREAL

 

Alesi em 1995

 

Jean Alesi é um cara que ainda vai aparecer muito aqui no blog. E Montreal foi, definitivamente, a sua pista.

Sua primeira participação não foi muito brilhante: ele rodou em alta velocidade e bateu no carro estacionado de Nannini, quase capotando. Mas depois disso ele fez do circuito insular sua segunda casa: fez um corridão em 1991 até abandonar e, até 1997, teria feito nada menos que cinco pódios, quatro consecutivos.

A vitória de 1995, sua única na carreira, é o resultado que obviamente chama a atenção. Depois de tantas corridas azaradas, Alesi vinha em um sossegado segundo lugar quando Michael Schumacher apresentou problemas no final. O francês tomou a liderança e, segundo ele, as lágrimas não puderam ser contidas. Depois de cruzar a linha de chegada, o carro ficou sem combustível. E Alesi completou o trajeto de volta aos pits de carona no carro de Schumacher, saudando a torcida.

Depois disso, a sorte diminuiu e Alesi virou um ímã de acidentes: dois acidentes nas duas largadas da edição de 1998 e mais um acidente de largada em 1999. Mas em 2001, depois de um período negro, Alesi alcançava um brilhante quinto lugar a bordo de um Prost-Acer. Com direito a zerinhos no final e a jogar o capacete para a torcida.

3- JIM CLARK, SPA-FRANCORCHAMPS

Clark em 1962

Clark em 1962

Todo piloto ama Spa-Francorchamps, certo? Errado. E um detrator do circuito era, acredite, Jim Clark.

Clark achava o circuito, um mero punhado de estradas, perigoso demais para a Fórmula 1. Seu argumento era válido: na Copa de Spa de 1958, ele testemunhou a morte de Archie-Scott Brown, seu compatriota e amigo. Na corrida de F1 de 1960, ele viu as mortes dos também britânicos Alan Stacey, seu companheiro de equipe, e Chris Bristow. Tinha motivos para traumas, portanto.

Mas isso não o impediu de ser competitivo no circuito. Em 1962, Clark teve problemas com o motor Climax nos treinos e só conseguiu ser 12º. Porém, em um início de corrida no estilo Jim Clark, passou oito carros na primeira volta, se aproveitou do acidente entre Willy Mairesse e Trevor Taylor e deixou para trás também Graham Hill, vencendo com extrema folga. Foi sua primeira vitória na categoria.

E depois? Clark venceu as três edições seguintes da corrida de Spa, nunca largando da pole. Em 1967, fez sua única pole no circuito mas acabou tendo problemas e terminou apenas em sexto.

Spa foi o circuito onde Clark mais venceu na Fórmula 1. Um circuito que ele odiava, veja só. É bão ou não esse cara?

2- GERHARD BERGER, HOCKENHEIM

 

Berger em 1994

 

O austríaco sempre foi uma atração à parte em Hockenheim, um circuito que sempre gostou.

Em 1986, ele fez sua primeira melhor volta da vida lá. Isso depois de começar a corrida extremamente competitivo, ao largar em quarto e brigar pela liderança no começo.

Em 1988, só confusões: no warm-up, Eddie Cheever e Oscar Larrauri o empurraram, em conjunto, para fora da pista em altíssima velocidade. Berger mostrou muita habilidade em não bater. Na corrida, foi novamente testado: Piercarlo Ghinzani o empurrou para a grama molhada, mas Berger segurou o carro, passou o italiano por fora e ainda completou a rápida chicane que vinha logo a seguir. No ano seguinte, outra desventura: o pneu de sua Ferrari furou antes da primeira chicane e Berger passou reto, decolando e quase capotando de frente, perdendo o bico e a corrida.

Mas a sorte mudou para ele. Em 1994, Berger fez a pole, se livrou das confusões e venceu com extrema facilidade, dando à Ferrari sua primeira vitória desde 1990. Em 1996, ele largou em segundo e liderou a maior parte da prova até o motor estourar faltando apenas três voltas para o fim.

Em 1997, alegria e drama: depois de realizar uma complicada cirurgia dentária e de se ausentar por algumas corridas, Berger voltava à F1 em Hockenheim. Seu retorno ganhava contornos ainda mais dramáticos pelo fato de seu pai ter morrido dias antes. Mas Berger superou tudo isso, fez uma pole espetacular, liderou quase toda a corrida e venceu com sobras. E de quebra marcou a volta mais rápida, sua segunda (danke, Hiro) última na vida, exatamente 11 anos depois da primeira.

1- AYRTON SENNA, IMOLA

 

Senna em 1994

 

O nome de Ayrton Senna sempre é associado com pistas como Mônaco, Suzuka, Interlagos ou Silverstone. Mas não foi em nenhum desses quatro rincões que o brasileiro teve mais agruras e felicidades. Foi em Imola. Imola? Imola, exato.

Sua primeira experiência em Imola foi péssima: Senna teve problemas em seu Toleman, não conseguiu acertar o carro e acabou não conseguindo tempo para largar, fato único em sua carreira. Mas sua sorte mudaria: entre 1985 e 1991, ele obteria TODAS as poles desse circuito, sendo que em 1987, foi sua única pole do ano. Somando com a pole de 1994, oito poles em Imola. Ele não repetiu esse feito em nenhum outro circuito.

Suas corridas também marcaram: em 1985, ele liderou boa parte da corrida mas ficou sem combustível no final. Em 1988, ele venceu sua primeira corrida pela McLaren no fim de semana mais fácil da equipe naquele ano. Em 1989, ele venceu mas não sem se envolver em uma polêmica com Prost, ao desobedecer um acordo prévio e ultrapassá-lo na primeira volta. Em 1990, um pneu furado o tirou da corrida no começo. Em 1991, venceu debaixo de chuva e de erros de adversários. Em 1993, fez seu pior fim de semana debaixo de chuva na vida, ao sofrer dois acidentes.

E em 1994, todos sabem o que aconteceu. Imola se transformou no algoz de Senna.