RED BULL 9 – Com uma primeira fila em um circuito aonde ultrapassar é quase tão possível quanto ganhar na Tele Sena, a equipe esperava sair de Mogyoród com uma bela dobradinha. O trabalho foi feito pela metade: apenas a vitória foi obtida, já que a Ferrari conseguiu colocar um em segundo lugar. Além do mais, quem venceu foi Webber, que atuou de maneira brilhante. Para variar, Vettel fez a pole e colocou tudo a perder na corrida. Começo a achar que é mais negócio para a equipe apoiar o australiano.

FERRARI 8,5 – De algumas corridas para cá, tomou da McLaren o posto de segunda melhor equipe. Como costuma ocorrer em Hungaroring, Alonso fez uma ótima corrida e obteve um bom segundo lugar. Felipe Massa, que costuma ter maus momentos na Hungria, não andou tão mal e terminou em quarto. Dessa vez, o resultado de ambos os pilotos foi merecido.

RENAULT 6,5 – Foi salva por Petrov, que fez um corridão e terminou em quinto. Kubica, ao contrário, teve um fim de semana ruim e se envolveu em um acidente ridículo com Sutil dentro dos pits. A culpa foi do mecânico da equipe, que liberou o polonês dos pits antes da hora. Incrível como um mero assalariado consegue estragar um fim de semana inteiro.

WILLIAMS 6,5 – Deu uma bobeira danada com Barrichello, que foi obrigado a permanecer na pista com pneus duros para trocá-los apenas no final, o que custou ao brasileiro várias posições. Assim como a Renault, foi salva pela boa atuação de seu segundo piloto, Hülkenberg. De qualquer jeito, a evolução é notória.

SAUBER 8 – Primeiro fim de semana no ano em que os dois pilotos saíram de Budapeste com sorrisos no rosto. De La Rosa marcou pontos pela primeira vez e Kobayashi saiu do 23º para o 9º lugar em uma performance impressionante. O carro não quebra mais e está se comportando bem na corrida. Só falta melhorar um pouco na classificação.

MCLAREN 2 – Que fim de semana ruim, hein? Os dois pilotos não brilharam nos treinos e não conseguiram se recuperar na corrida. Hamilton, aliás, fez o que pôde e chegou a andar na frente de Massa até o câmbio quebrar. Button, que não fez nada durante todo o fim de semana, levou apenas quatro pontos pra casa. Em uma Fórmula 1 que não perdoa duas corridas ruins seguidas, a equipe precisa reagir.

MERCEDES 1,5 – A outra prateada deixou a Hungria com um saldo ainda mais negativo. Rosberg vinha marcando pontos até o momento em que um mecânico não parafusou direito uma das rodas de seu carro. Ao reacelerar para sair dos pits, o pneu voou em direção aos mecânicos de outras equipes, o que rendeu uma boa multa à equipe de três pontas. Schumacher não fez nada além de empurrar Barrichello ao muro da reta dos boxes, quase causando um acidente.

TORO ROSSO 3 – Com um motor Ferrari arrebentado, Alguersuari abandonou a prova na segunda volta. Buemi não conseguiu nem sonhar com pontos. A equipe, que até aparentava estar crescendo algumas corridas atrás, acabou estagnando e pode ser facilmente rotulada como a pior entre as estabelecidas.

FORCE INDIA 2,5 – Não foi bem outra vez. Nem Sutil e nem Liuzzi andaram bem na classificação e a corrida conseguiu ser pior. O alemão foi atingido por Kubica dentro dos pits. O carro do italiano perdeu um pedaço da asa dianteira. É a segunda corrida consecutiva que a equipe não pontua. O que falei para a McLaren vale para ela: em uma Fórmula 1 que não perdoa duas atuações ruins consecutivas, é melhor começar a trabalhar mais.

LOTUS 5 – Apesar dos dois pilotos terem largado atrás de Glock, ambos conseguiram se recuperar na corrida e terminaram em razoáveis 14º e 15º lugares. Ainda assim, ficaram muito atrás do último colocado entre as equipes normais, Liuzzi.

VIRGIN 3,5 – Os dois carros terminaram, o que é bastante positivo. Ainda assim, a equipe quase acabou com a corrida de Lucas di Grassi ao se embananar toda na troca de pneus do piloto brasileiro. Se ela quiser peitar a Lotus, terá de resolver esses detalhezinhos que sempre a atrapalham.

HISPANIA 3 – Sua lentidão em Hungaroring era desesperadora. A equipe dependia do trabalho dos pilotos para conseguir algo melhor. Bruno Senna até conseguiu se sobressair e terminou na frente do Virgin de Di Grassi. Sakon Yamamoto não fez porra nenhuma, o que era esperado. A impressão que me dá é que a equipe tende a decair ainda mais até o fim do ano.

CORRIDA GRAZIE, LIUZZI! – Se não fosse o bico safado do carro do italiano, a corrida teria sido uma deliciosa procissão de Aparecida do Norte da primeira até a última volta. Até a volta 15, era exatamente isso que estava acontecendo. A partir do momento em que o safety-car veio à pista, para que os fiscais retirassem os pedaços do tal bico, a bagunça se estabeleceu na corrida. Houve até batida dentro dos pits. Alguns pilotos se beneficiaram bastante, como foi o caso de Kamui Kobayashi. Após a balbúrdia, a estratégia ousada de Mark Webber e a punição aplicada a Sebastian Vettel mudaram a dinâmica da prova lá na frente também. No fim, o australiano venceu e muita gente saiu satisfeita. Eu, inclusive.

TRANSMISSÃO TOMEM MUITO CUIDADO! – De volta às transmissões, Galvão Bueno não conseguiu me convencer de que é extremamente perigoso colocar fotos das minhas viagens à Dubai ou da minha mansão em Saint Tropez nas minhas contas do Flickr ou do Facebook. Por duas vezes, o mais novo sessentista da Globo insistiu nessa idéia, que seria explicada com mais detalhes no Fantástico. Fora isso, só me senti um pouco contrariado ao ver o narrador dizendo que um piloto genial como Senna conseguiria ultrapassar em uma pista como Hungaroring, mesmo com carros ultrassensíveis aerodinamicamente e freios de carbono-carbono. Quando Vettel tentava, ele perdia a frente do carro, saía da pista e lá vinha o cara dizer que ele não fazia parte dos “cinco pilotos”. Pura bobagem. GB está há quase 40 anos na Fórmula 1 e ainda não aprendeu que o piloto não pode fazer nada além do que o carro e a categoria permitem.

GP2 ENTRE MORTOS E FERIDOS – O venezuelano Pastor Maldonado disparou na liderança do campeonato. Após vencer uma Feature Race pela quinta vez consecutiva, ele chegou a abrir 26 pontos de vantagem para Sergio Perez, o vice-líder. O piloto da Rapax só perderá esse título se o ditador Hugo Chavez quiser. Na corrida dominical, fiquei bastante feliz com a vitória da DPR, a primeira desde 2005. O subestimadíssimo Giacomo Ricci foi o responsável pelo feito. Campeão da Fórmula 3000 européia em 2006, Ricci é um desses que merecem um carro melhor. O destaque no fim de semana, no entanto, fica para o acidente que mandou Jules Bianchi e Ho-Pin Tung para o hospital. À primeira vista banal, o choque entre os dois na primeira volta da corrida de sábado quebrou vértebras dos dois pilotos, que deverão ficar de molho por um tempo. Bianchi, por sinal, vem fazendo um ano infelicíssimo. Deve ser zica minha. Falei que ele era o favorito para o título dessa temporada.

MARK WEBBER10 – Em tese, o australiano não mereceria o dez. Perdeu a pole, andou em terceiro no início da corrida e mesmo que estivesse na liderança após o safety-car, provavelmente não terminaria a corrida nesta posição. Porém, aproveitou-se da punição de Vettel, andou o máximo possível com seus pneus macios e abriu distância o suficiente para voltar dos pits na ponta. Ao fazer tudo isso, venceu a corrida de maneira sensacional. Diria até que foi a mais saborosa de suas quatro vitórias.

FERNANDO ALONSO 9 – Poderia ter vencido a corrida, e de maneira verdadeira e ética. Com a evolução de seu F10, conseguiu um bom terceiro lugar no grid. Esse terceiro se transformou em segundo e poderia ter se transformado em uma liderança na primeira curva, mas não foi possível. Após isso, andou o máximo que seu carro permitia, ganhou a posição de Vettel, punido, e perdeu a de Webber, que tentou uma estratégia ousada. Terminou em um bom segundo lugar e mostrou que, sim, estará na briga pelo título.

SEBASTIAN VETTEL 7,5 – Chega a ser impressionante a sua incapacidade de converter uma pole-position em uma vitória. Em Hungaroring, circuito travadíssimo, tudo indicava que a vitória, dessa vez, viria fácil. No entanto, não veio. Após o safety-car deixar a pista, o alemão acelerou mais que o recomendável e abriu uma distância longa o suficiente para render uma punição. Com isso, sua liderança se transformou em um magro terceiro lugar. No final da corrida, ainda tentou ganhar o segundo lugar de Alonso, mas não conseguiu.

FELIPE MASSA 7,5 – Está se recuperando, o que é algo positivo. No entanto, sua corrida não chamou a atenção, embora tenha sido eficiente. Largou em quarto e terminou em quarto, sem ameaçar os três primeiros e sem ser ameaçado por ninguém.

VITALY PETROV 9 – Fez, de longe, seu melhor fim de semana do campeonato. Largou à frente de seu companheiro Kubica, ganhou algumas posições na primeira volta e, apesar de ter tomado uma ultrapassagem fácil de Hamilton, conseguiu se manter sempre entre os primeiros. Com o abandono do inglês e as reviravoltas da corrida, conseguiu terminar em um excelente quinto lugar. Melhor atuação de um novato até aqui.

NICO HÜLKENBERG 8 – Assim como Petrov, fez sua melhor atuação no ano até aqui. Largou à frente de Barrichello e manteve-se sempre entre os dez primeiros. Com as confusões geradas pelo safety-car e a estratégia desastrada de seu companheiro, conseguiu subir para sexto. Dá sinais de evolução.

PEDRO DE LA ROSA 8 – Esquecido por muitos, o espanhol teve uma grande atuação e uma enorme ajuda da sorte pela primeira vez nesse ano. Largou em um ótimo nono lugar e ganhou algumas posições com a bagunça ocorrida no momento do safety-car. Os primeiros pontos tardaram, mas chegaram.

JENSON BUTTON 2 – Mal nos treinos, pior ainda na largada e apenas mediano no restante da corrida. Terminou em oitavo, encaixotado entre os dois carros da Sauber. Pior fim de semana do ano até aqui.

KAMUI KOBAYASHI 8,5 – É um maluco. Na primeira volta, ganhou nada menos do que sete posições. Mesmo que vários dos carros ultrapassados fossem das equipes novatas, ganhar tantas posições em tanto pouco tempo em uma pista como Hungaroring é algo indiscutivelmente sensacional. Depois disso, subiu mais algumas posições e chegou à zona de pontuação após os abandonos na sua frente. Nono lugar heróico, uma das melhores atuações do ano. Só não leva nota maior porque sobrou no Q1 da classificação.

RUBENS BARRICHELLO 5 – Andou como um moleque que acabou de chegar à Fórmula 1. No entanto, sua estratégia de permanecer na pista por tanto tempo acabou com qualquer chance de um bom resultado. No fim das contas, mostrou força ao marcar a terceira volta mais rápida da corrida. E mostrou mais personalidade ainda ao ultrapassar Schumacher de modo quase suicida. Faria bem a ele esquecer um pouco da antiga rivalidade. Perdoar é divino, pois.

MICHAEL SCHUMACHER 3 – Para variar, mal nos treinos. E também não fez nada na corrida a não ser jogar seu bólido para cima do Williams de Barrichello para conter uma ultrapassagem nas últimas voltas. Além de não ter funcionado, tomou uma punição que será aplicada em Spa-Francorchamps. É o velho Schumacher: extremamente competitivo, desesperado e sujo nesse tipo de briga.

SEBASTIEN BUEMI 3 – Não há muito o que dizer. Fez o 15º tempo nos treinos, algo normal para sua equipe. Largou muito mal e, apesar de ter conseguido ganhar algumas posições com os abandonos, não passou nem perto dos pontos.

VITANTONIO LIUZZI 2,5 – Com a decadência da Force India nas últimas corridas, estabeleceu-se nas últimas posições entre os pilotos das equipes que contam. Mal nos treinos, só chamou a atenção quando seu carro perdeu um pedaço do bico, o que ocasionou o safety-car que bagunçou a prova. Para piorar, ficou preso atrás de Buemi por várias voltas.

HEIKKI KOVALAINEN 4 – Foi o melhor entre os pilotos das equipes novatas, mas não foi sua melhor atuação no campeonato. Ficou atrás de Glock na classificação, largou mal e só recuperou algumas posições com as confusões no momento do safety-car. Apesar de ter superado seus cinco adversários diretos, tomou uma volta e mais um minuto de Liuzzi.

JARNO TRULLI 3,5 – Ficou atrás de Kovalainen na classificação, mas fez uma boa largada e chegou a passar os dois Toro Rosso. Após os pits, acabou perdendo a posição para seu companheiro finlandês e não fez mais nada até a linha de chegada.

TIMO GLOCK 3,5 – Foi o melhor entre os pilotos das novatas na classificação, mas pôs tudo a perder ao andar do lado de fora na primeira curva, o que custou algumas posições. Depois, restou apenas terminar.

BRUNO SENNA 4,5 – Dentro dos limites do carro, fez outra boa corrida. Com as confusões geradas pelo safety-car, ganhou a posição do Virgin de Di Grassi. No final da corrida, conseguiu colocar uma volta no compatriota. Muito bom.

LUCAS DI GRASSI 5 – Depois de muito tempo, voltou a terminar uma corrida. De quebra, fez a melhor volta entre os pilotos das equipes novatas. Dava para ter terminado à frente de seus rivais, mas um problema na troca de uma roda acabou jogando-o para a última posição após a rodada de pits. Depois disso, seu ritmo não foi mais o mesmo. Uma pena.

SAKON YAMAMOTO 2 – Sua presença destoa do resto do grid. Na corrida, sua melhor volta foi sete segundos mais lenta do que a de Vettel. Sem qualquer sinal de competitividade, o negócio é terminar a corrida. No difícil Hungaroring, ele conseguiu.

LEWIS HAMILTON 7,5 – Em mais um fim de semana no qual a McLaren não tinha o melhor carro, o campeão de 2008 vinha se sobressaindo. Fez uma boa ultrapassagem por fora sobre Petrov na segunda volta e, após a rodada de pits no período do safety-car, ganhou a posição de Massa. Infelizmente, o câmbio o deixou na mão e a liderança do campeonato escapou por entre os dedos.

ROBERT KUBICA 4 – Uma corrida medíocre que culminou em um acidente bizarro com Sutil nos pits. Culpa do “homem do pirulito”, que liberou o polonês enquanto o alemão da Force India posicionava seu carro para a parada. Após a batida, ele tentou voltar à pista, mas a suspensão havia sido afetada e ele achou melhor abandonar. Foi o fim de um fim de semana no qual ele brilhou muito menos que seu companheiro de equipe.

NICO ROSBERG 5 – Dessa vez, até que ele não foi tão mal na classificação. Na corrida, vinha andando em sétimo até seu pit-stop. Nesse momento, um mecânico da Mercedes lhe fez o favor de parafusar mal a roda traseira direita, que saiu voando em direção aos boxes da Williams após o carro começar a se movimentar. O maior feito do alemão nesse fim de semana foi machucar um ex-mecânico seu.

ADRIAN SUTIL 3 – Não foi bem nos treinos e sua corrida acabou prematuramente quando foi atingido por Robert Kubica dentro dos pits. O acidente, que não foi culpa sua, foi o único instante no qual ele apareceu.

JAIME ALGUERSUARI 1 – Mal nos treinos e mal na largada. Poucos minutos depois, seu motor estourava de maneira pirotécnica. Um mau fim de semana para alguém que comemorava um ano de Fórmula 1.