RED BULL9,5 – Durante a última semana, estava morrendo de medo de ter de usar a fatídica ordem de equipe que tanto criticou quando a Ferrari a empregou. Para sua felicidade, Mark Webber não foi bem nos treinos e se complicou com o tráfego na corrida, assim como Alonso. Sendo assim, caminho livre para Sebastian Vettel ganhar seu primeiro título de pilotos. E que 2010 sirva de lição para a equipe taurina, que tinha o melhor carro mas que quase perdeu os dois títulos devido a problemas internos e à falta de cabeça de seus dois pilotos.

MCLAREN8,5 – Realista e sem grandes ambições, restava à equipe tentar colocar os dois pilotos no pódio e torcer por uma conspiração cósmica que pudesse permitir o segundo título a Lewis Hamilton. A conspiração não aconteceu, mas tanto Lewis quanto Jenson Button andaram muito bem e lotearam o pódio de Abu Dhabi com o cromado da equipe de Woking.

MERCEDES8 – Um dos pilotos, Michael Schumacher, rodou sozinho e teve seu carro arrebentado logo na primeira volta. O outro, Nico Rosberg, fez um corridão e terminou em quarto. A equipe de estratégia, capitaneada pelo sempre competente Ross Brawn, fez um trabalho exemplar e permitiu que “Britney” subisse um monte de posições. Bom final de ano.

RENAULT9 – Foi a única equipe que conseguiu acertar na estratégia com os dois pilotos. E olha que ambos tentaram estratégias distintas. Robert Kubica preferiu postergar ao máximo a troca de pneus para ganhar terreno, parar e voltar em uma boa posição. Vitaly Petrov fez sua parada no instante do safety-car e não precisou parar mais. Com isso, os dois terminaram, respectivamente, em 5º e 6º.

FERRARI5 – Ninguém fez sua parte nesse fim de semana. Dou um desconto a Fernando Alonso, que até fez muito ao levar sua F10 à terceira posição no grid. Mas o carro não se comportou bem durante todo o fim de semana e a equipe de estratégia também não ajudou. E Alonso acabou ficando preso atrás de Petrov por um tempão. O mesmo aconteceu com Felipe Massa, que acabou terminando atrás de Jaime Alguersuari.

TORO ROSSO6,5 – Nos treinos, a porcaria de sempre. Mas Jaime Alguersuari foi espertão e parou no momento do safety-car, algo que deu muito certo e lhe premiou com dois pontos. Sebastien Buemi não fez nada. E apesar do salto positivo em Abu Dhabi, a equipe terminou o ano chafurdada na mediocridade.

SAUBER 4 – Não brilhou nos treinos e também não fez nada na corrida. E olha que os dois pilotos chegaram a andar na zona de pontuação, mas as estratégias de Kamui Kobayashi e Nick Heidfeld falharam visceralmente.

WILLIAMS3,5 – Ao largar em sétimo, Rubens Barrichello poderia ter salvado as honras da equipe inglesa. Mas sua estratégia deu errado e ele acabou caindo para o fim do pelotão. E Nico Hülkenberg teve um de seus piores fins de semana do ano, algo que não poderia ter acontecido em um momento como esse. Ainda assim, a equipe conseguiu terminar à frente da Force India no campeonato.

FORCE INDIA3 – Adrian Sutil não andou tão mal e poderia ter sonhado com pontos, mas sua estratégia foi falha. E Vitantonio Liuzzi bateu de novo. O desempenho da equipe não chega perto daquele que ela estava conseguindo no início do ano. Como resultado, terminaram atrás da Williams no campeonato. Situação indesejável.

LOTUS5 – Até parecia estar melhor do que o esperado. Heikki Kovalainen terminou novamente como o melhor piloto das equipes novatas e conseguiu, definitivamente, reerguer sua imagem em 2010. Jarno Trulli, por outro lado, teve problemas com as asas dianteira e traseira e precisou abandonar. Apesar do bom 10º lugar e dos mais de 40 milhões de dólares que serão recebidos, é melhor a equipe, que não deverá manter o lendário nome em 2011, aprender a fazer peças um pouco mais resistentes.

VIRGIN3 – Em sua última corrida com esse nome, nenhuma novidade na performance. Timo Glock liderou a equipe, mas teve problemas de câmbio. E Lucas di Grassi apenas terminou. O saldo final não é positivo: devido ao alto número de quebras, a equipe ficou atrás até mesmo da Hispania na tabela final.

HISPANIA4 – Os dois pilotos, Bruno Senna e Christian Klien, chegaram ao final novamente. O carro é indiscutivelmente lento, mas é bem mais confiável do que os de suas duas adversárias diretas. E a equipe termina o ano em um até certo ponto surpreendente 11º lugar. Mas o amanhã é incerto. Falta dinheiro, falta carro, falta tudo.

TRANSMISSÃOA BOLA DE FOGO – Acho ótimo quando a televisão é educativa. No início do treino oficial, o locutor Galvão Bueno fez questão de proferir um comentário sobre o calor que caracteriza a região dos Emirados Árabes Unidos. E me vem com essa: “o sol, em Abu Dhabi, é uma bola de fogo!”. Excelente, Galvão! Imagino que na Suécia, ele deve ser algo como uma bola de gelo, certo? No mais, destaco também a tentativa de culpa que o trio global tentou imputar em Lewis Hamilton pelo seu quase-acidente com Felipe Massa no mesmo treino oficial, culpa essa que só existe nas patologicamente ufanistas cabeças globais. Mas o charme maior foi a queda do sinal no início da corrida, algo remetente às transmissões dos anos 80, com Galvão falando no telefone, o telefone caindo e Léo Baptista ou Fernando Vanucci entrando em seu lugar às pressas.

CORRIDAABU DHABI, NÉ? – Chega a ser um crime haver uma decisão de título em uma pista tão chata e tão pouco conectada com o espírito do automobilismo. Porque, me desculpem, é um sacrilégio ficar elogiando hotelzinho envidraçado e parque de diversões da equipe carcamana quando há uma decisão de título mundial a ser resolvida. No mais, a corrida até que não foi tão horrível. As estratégias deram o tom da dinâmica da prova. Quem fez a troca de pneus durante o safety-car, motivado pelo acidente entre os saltimbancos Liuzzi e Schumacher, se deu muito bem. Quem parou muito tarde e conseguiu andar muito rápido antes também se deu muito bem. E quem não fez nada disso se deu muito mal. O destaque maior, no entanto, vai para Fernando Alonso. Após passar um tempão atrás da Renault de Vitaly Petrov, o espanhol se descontrolou, errou um monte, perdeu o título e foi descontar no pobre do russo. Bem que o campeonato poderia ter terminado de maneira um pouco menos desagradável, né?

GP2ALGUÉM LIGOU? – Pelo visto, nem a SporTV. Justamente em um fim de semana no qual eu conseguiria acompanhar a etapa de sábado, o glorioso canal de esportes da Globo simplesmente ignorou a existência da corrida. Mas tudo bem, afinal o automobilismo é um esporte decadente e brasileiro nenhum vence mais, né? Vamos à corrida. O pequeno mexicano Sergio Perez tomou a liderança das mãos do pole Oliver Turvey e venceu a corrida de sábado. No dia seguinte, Davide Valsecchi, um especialista em Abu Dhabi, conseguiu sua primeira e única vitória no ano com o colorido carro da iSport. Em segundo lugar, o brasileiro Luiz Razia, que obtinha, assim, seu melhor resultado de um ano um tanto quanto infeliz. E acabava, assim, a GP2 2010. Sem ninguém dar bola.

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