JENSON BUTTON10 – Finalmente teve um fim de semana digno de seus melhores dias. O britânico praticamente não andou na sexta-feira chuvosa, mas nem precisou. Logo no treino classificatório, esteve veloz em todas as sessões e cavou uma pole-position facílima. Na corrida, partiu bem e escapou do apocalipse que limou alguns pilotos que vinham atrás. Disparou na liderança e não teve nenhum problema para aguentar 20 voltas com os pneus mais macios. Venceu a corrida com 13 segundos de vantagem. Não brigará pelo título, mas conseguiu edulcorar um pouco seu histórico sempre turbulento em Spa-Francorchamps.

SEBASTIAN VETTEL9 – Não tinha um carro bom nos treinos e a corrida serviu somente para mostrar por que ele conseguiu dois títulos mundiais. No sábado, surpreendeu negativamente a todos sobrando no Q2 por muito pouco. Largar mais atrás pode ter sido um dos ingredientes do sucesso, já que ele conseguiu escapar incólume do acidente da primeira curva, embora tenha ficado para trás tentando desviar do caos. Sob bandeira verde, fez uma excelente corrida de recuperação, ultrapassou muita gente por fora na Bus Stop e ainda sobreviveu a uma fechada violenta de Michael Schumacher na mesma Bus Stop. A estratégia de apenas um pit-stop o ajudou a subir para um excelente segundo lugar. Corrida de gênio.

KIMI RÄIKKÖNEN9 – Decepcionou as multidões que esperavam que ele brigasse pela vitória e pelo título mundial no Superbowl. O tal duto ligado ao DRS não chegou a ser utilizado na corrida e o finlandês teve um domingo menos interessante do que o esperado. Ainda assim, subiu ao pódio, bebeu champanhe e nem se deu ao trabalho de espirrar o líquido nos colegas. Arranjou um bom terceiro lugar no grid, escapou das pancadas e até se esforçou bastante, mas não deu. Provavelmente nem mesmo ele contava com o mau desempenho do carro preto em alguns momentos da corrida, em especial na hora da ultrapassagem de Nico Hülkenberg. Em compensação, quando o bólido estava rápido, Kimi até conseguiu passar Michael Schumacher em plena Eau Rouge. É, o nego é fodão.

NICO HÜLKENBERG8,5 – Os treinamentos discretos foram amplamente compensados pela melhor corrida de sua carreira até aqui. Não passou para o Q3, ao contrário de seu colega de equipe, mas foi talvez o maior beneficiário da lambança perpetrada por Romain Grosjean: ganhou nove posições de uma vez só. Na relargada, ainda peitou Kimi Räikkönen e conseguiu a ultrapassagem, subindo para a segunda posição. Ele só caiu para quarto porque Kimi retomou sua posição após o primeiro pit-stop e também porque Sebastian Vettel fez apenas uma parada. Mesmo assim, deu para marcar doze pontos e superar Paul di Resta no campeonato.

FELIPE MASSA7,5 – Sejamos honestos, o resultado final da corrida foi mais expressivo do que o desempenho do piloto brasileiro no fim de semana. Como o que conta é o número de pontos que o cara leva para casa, o saldo de Spa foi altamente positivo. Felipe não começou bem o fim de semana e foi massacrado novamente no treino oficial, saindo apenas da 14ª posição. O engavetamento da La Source o ajudou muito, permitindo que pilotos mais velozes fossem extirpados. Mas também não posso ser injusto e deixar de lado algumas boas ultrapassagens que ele fez sobre Nico Rosberg e Mark Webber. Sem cometer erros, o paulista completou a prova na quinta posição e sonha conseguir manter o mesmo nível de competitividade até o fim.

MARK WEBBER5,5 – Outro cujo resultado final não reflete exatamente o nível de desempenho apresentado. Para ser sincero, o australiano talvez nem teria marcado pontos se não tivesse acontecido o acidente. Seu fim de semana já estava mais ou menos comprometido com a punição por troca da caixa de câmbio. Sem ter andado bem em nenhum dos treinos livres e largando apenas em 12º, Mark sobreviveu ao caos da primeira curva e fechou a primeira volta em oitavo. Foi sempre um dos primeiros pilotos a abrir as rodadas de pit-stops. Faltou-lhe velocidade em alguns momentos fundamentais. No fim da corrida, não tinha pneus em bom estado e acabou ultrapassado por Felipe Massa. Mais um fim de semana discreto.

MICHAEL SCHUMACHER8 – No seu GP de número 300, ladrou muito mais do que mordeu. Longe de querer insinuar que seu desempenho tenha sido ruim, terminar em sétimo esteve muito longe daquilo que ele esperava – e merecia. Estava perdido da silva nos treinos e sofreu para ficar em 13º no grid. Como estava mais atrás no grid, não foi atingido por Grosjean nenhum e pulou para quinto logo na primeira volta. Com o carro bom, ultrapassou Paul di Resta e Kimi Räikkönen. A bonança acabou logo após o primeiro pit-stop, quando o Mercedes parou de funcionar tão bem. Por causa disso, Schumacher levou de Räikkönen uma das ultrapassagens mais bonitas do ano, em plena Eau Rouge. A quebra da sexta marcha também não o ajudou muito. Se isso o consola, ele foi o único piloto da equipe prateada que marcou pontos.

JEAN-ÉRIC VERGNE8 – Melhor fim de semana do ano com sobras. O quarto lugar no chuvoso primeiro treino livre parecia apenas fogo de palha, mas Vergne teve outros bons momentos em Spa. Na qualificação, se livrou facilmente do Q3 e obteve um razoável 15º lugar no grid. O acidente da largada o catapultou para a sétima posição. Poderíamos imaginar que o miserável carro da Toro Rosso o faria cair para o fim do pelotão, mas não foi isso o que aconteceu. O francês esteve competitivo durante todo o tempo e até ultrapassou caras como Nico Rosberg e Bruno Senna. Sempre à frente de Daniel Ricciardo, deu para Jean-Éric marcar quatro bons pontos.

DANIEL RICCIARDO8 – É foda. Ele quase sempre termina à frente do companheiro. Quando é para marcar pontos, no entanto, Ricciardo acaba ficando atrás de Vergne. Ainda assim, o sempre sorridente australiano estava ainda mais sorridente com aquele que foi seu melhor resultado na Fórmula 1 até aqui. No primeiro treino de sexta, ele conseguiu um notável terceiro lugar. Na qualificação, saiu da 16ª posição, sem impressionar. O engavetamento da primeira volta o colocou na sexta posição. Ele ficou à frente de Vergne até a volta 33, quando os dois pilotos inverteram as posições. Nono lugar bom, mas um pouco amargo.

PAUL DI RESTA4 – A corrida parecia feita para ele. Piloto sensato, largando da nona posição do grid, um acidente de grandes proporções tira da prova um monte de pilotos à sua frente. No complemento da primeira volta, já era o quarto colocado. Infelizmente, o escocês não conseguiu capitalizar o razoável desempenho dos treinos no domingo. Perdeu um monte de posições após a primeira parada e não conseguiu mais voltar lá para as cabeças. Ainda deu sorte de conseguir um pontinho nas últimas voltas.

NICO ROSBERG0 – Não gosto dele, mas até fiquei com pena. Na sexta-feira, choveu e ele andou muito pouco. No treino livre do sábado de manhã, o câmbio quebrou. Na qualificação, ele assustou a todos não conseguindo passar pelo Q1 da qualificação, juntando seus trapos aos dos Karthikeyans da vida. Punido pela troca do câmbio, teve de largar em 23º. Na corrida, mesmo com o grande número de abandonos nas primeiras voltas, não conseguiu ganhar tantas posições. Só foi visto quando tomava ultrapassagens, e ele tomou muitas delas, até mesmo dos carros da Toro Rosso. Era só o que faltava ter marcado pontos, mas o alemão quase conseguiu.

BRUNO SENNA6 – Não gosto muito dele, mas admito que merecia um resultado bem melhor. Não fez muita quilometragem na sexta-feira, mas pôde ao menos contar com sua experiência de dois anos de Fórmula 1 nesta pista. Foi mal na classificação, mas sobreviveu aos incidentes da primeira volta e subiu para a nona posição. Tentou aplicar uma estratégia de apenas uma parada, mas o carro ficou lento em alguns momentos e o sobrinho acabou perdendo posições importantes no final. Obrigado a fazer um último pit-stop, suas chances de pontos acabaram ali. Pelo menos, o consolo da primeira volta mais rápida da vida. Faltam apenas 18 para igualar o tio.

KAMUI KOBAYASHI8 – A maior tristeza que eu tive como espectador de Fórmula 1 nesta temporada foi ver aquele carro branco e preto levando pancada de tudo que é lado. O japonês vinha fazendo talvez o melhor fim de semana de um piloto de seu país na história da categoria, com direito à liderança no primeiro treino e ao inacreditável segundo lugar no grid. Mas é óbvio que um piloto oficialmente apoiado por minha pessoa tenderia ao fracasso, senão à tragédia. Antes da largada, o freio esquentou demais e começou a verter espessa fumaça. Sabe-se lá o que aconteceu, sua largada foi horrorosa e Kamui perdeu umas trinta posições. Em seguida, o acidente. Por incrível que pareça, o carro seguiu mais ou menos inteiro, mas o sonho do primeiro pódio virou pó.

VITALY PETROV5 – Fez o treininho e a corridinha de sempre. Dessa vez, foi o melhor dos alunos do fundão. O acidente da largada o fez ficar atrás até mesmo de um carro da HRT, mas o russo não teve problemas para se livrar dele na relargada. Dali para frente, apenas pilotou para chegar ao final.

TIMO GLOCK4,5 – Um fim de semana cheio de coisas para contar, raridade em se tratando de seu caso, mas que terminou mais ou menos bem. Na sexta-feira chuvosa, o alemão conseguiu um irreal sexto lugar naquela sessão onde choveu ácido e poucos pilotos marcaram volta rápida. Na qualificação, se aproximou bastante da Caterham graças às atualizações trazidas pela Marussia. Na corrida, teve alguns momentos nervosos como o acidente com Pastor Maldonado na relargada e o espetacular duelo com o companheiro Charles Pic, ignorado solenemente pela transmissão brasileira. Achei que os dois iriam se chocar e Glock desceria do carro para quebrar a cara do francês, mas tudo felizmente terminou bem.

CHARLES PIC5,5 – Ganha nota maior pelo insólito de ter liderado o segundo treino livre, aquela loteria empapada com a mais pura água da chuva belga. Só voltará a repetir o êxito se subir parar uma equipe maior, algo que soa bastante improvável por ora. No mais, não tem muito mais o que contar. Envolvido naquele belo duelo com Timo Glock, trocou algumas ultrapassagens com o companheiro e deixou muita gente de cabelo em pé. É um piloto que eu definitivamente gostaria de ver tendo uma oportunidade melhor.

HEIKKI KOVALAINEN3,5 – Outro iludido. Este daqui ganhou um monte de posições no acidente da primeira curva, deixou Felipe Massa e Sebastian Vettel para trás e assumiu a décima posição. Ficou por lá enquanto o safety-car esteve na pista. A bandeira verde trouxe o carro verde de volta à sua triste realidade. Chamou a atenção quando se chocou com Narain Karthikeyan dentro dos pits. Culpa do mecânico da Caterham, que liberou o piloto finlandês numa hora que não podia. Terminar à frente apenas de Pedro de la Rosa, e por poucos segundos, não estava nos planos.

PEDRO DE LA ROSA4 – Fez o que estava ao seu alcance – nada. OK, análise simplista. De La Rosa voltou a superar um carro da Marussia, o de Charles Pic, na qualificação. Na corrida, poderia ter ganho algumas posições no acidente da largada, mas atropelou algumas peças voadoras e teve de ir aos boxes para colocar um bico novo. Durante a corrida, se envolveu com alguns pegas com Pic, o companheiro Narain Karthikeyan e até mesmo Heikki Kovalainen. Mais um pouco e ele conseguiria terminar a corrida à frente do finlandês.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – Não ficou de fora da corrida por pouco: seu melhor tempo no Q1 não superou a barreira dos 107% por pouco. A largada conturbada foi ótima para ele, que pulou da última para a 14º posição sem esforço. Obviamente, a felicidade durou pouco e o indiano não demorou muito para voltar aos últimos lugares. Nem deu para chegar ao fim da corrida. A suspensão dianteira esquerda de seu HRT quebrou na Stavelot e Karthikeyan escapou até bater na barreira de pneus sem maiores consequências.

PASTOR MALDONADO0 – E ele se supera novamente. Cavar duas punições num único fim de semana, como ele fez em Mônaco, não é o suficiente. Em Spa-Francorchamps, o venezuelano conseguiu a proeza de tomar três punições, todas causadas por imprudências totalmente suas. No Q1 do treino oficial, ele foi penalizado com a perda de três posições no grid por ter dado uma fechada daquelas em Nico Hülkenberg. Na corrida, ele largou um mês antes dos outros pilotos e quase assumiu a liderança da corrida. Só não ficou lá na frente porque acabou tocado por Sergio Pérez e acabou caindo para o fim do grid. Para coroar um fim de semana terrível, ainda acabou batendo em Timo Glock na relargada e abandonou a corrida. Total: três punições e dez posições a menos no grid da próxima corrida. Sabe o que é mais chato? Ter desperdiçado um belíssimo terceiro lugar obtido no treino oficial do sábado.

SERGIO PÉREZ7,5 – Assim como seu companheiro Kamui Kobayashi, era outro piloto para chegar ao pódio. Não liderou treino algum e também não encontrou lugar na primeira fila, mas andou direitinho durante todo o tempo e conseguiu um quarto lugar muito legal no grid. O sonho acabou no sábado. No domingo, Pérez foi esmurrado pelos carros de Lewis Hamilton e Romain Grosjean. Após a batida, ainda acabou acertando o Williams de Pastor Maldonado. Depois de tanta pancada, só restou a ele abandonar. Pena.

FERNANDO ALONSO5,5 – Spa-Francorchamps, definitivamente, não é sua pista. Mesmo após onze anos de Fórmula 1 e dois títulos mundiais, o asturiano ainda está devendo uma vitória na Bélgica. Não foi desta vez, e a culpa nem foi dele. Longe de ter o melhor carro, Alonso ainda deu um jeito de liderar o terceiro treino livre. Na qualificação, obteve um honrado quinto lugar no grid. O fim de semana acabou daquele jeito atabalhoado ali, com Romain Grosjean passando a cinco centímetros de suas sobrancelhas. Assustado, o espanhol demorou um pouco para sair do carro. Sobreviveu intacto.

LEWIS HAMILTON3 – Quando não ganha, dá tudo errado. Em Spa-Francorchamps, sofreu o terceiro acidente nas últimas quatro edições, um assombro. Em momento algum, parecia estar na disputa pela vitória, ao contrário do companheiro Jenson Button. Treinou pouco, conseguiu um lamentável oitavo lugar no grid e abandonou logo na primeira curva, quando Romain Grosjean fechou sua porta e causou aquilo lá que todo mundo viu. A temporada deste aí tem sido uma grande montanha-russa.

ROMAIN GROSJEAN0 – Alguém imaginava que a nota seria diferente? Toda a sua atuação no fim de semana, que nem foi aquelas coisas nos dois primeiros dias, pode ser resumida em uma única palavra: desastre. O acidente que ele iniciou quando fechou a porta no nariz de Lewis Hamilton foi assustador e poderia, sim, ter machucado alguém seriamente. Como esse seu comportamento agressivo em largadas é reincidente, a suspensão de uma corrida foi bem aplicada. Que fique em casa e esfrie um pouco a cabeça.

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