Quando Timo Glock começou a perder bastante rendimento naquela última volta, ninguém imaginava que a carreira de um determinado piloto de ponta nunca mais seria a mesma. O piloto alemão da Toyota havia apostado em permanecer com pneus para pista seca num asfalto que apenas começava a se molhar para tentar ao menos chegar em quarto. Deu certo, não. O chuvisco virou monção e Glock teve de se virar para não sapatear e terminar entalado na brita. Numa dessas, ele foi ultrapassado por Lewis Hamilton. A corrida mudou de cara. O campeonato mudou de cara. Hamilton ganhou o título ali. Felipe Massa perdeu o título ali. Brasil, 2008.
O 2 de novembro de 2008 foi o auge da carreira de Massa, então com 27 anos. Estava rico, muito bem casado e tinha fãs ao redor do mundo. No Brasil, a Fórmula 1 havia voltado a ser uma febre. Febre passageira, de 37°C, mas ainda uma febre, algo mais ou menos próximo do UFC hoje em dia. A revista Época o adicionou na sua lista anual de cem brasileiros mais influentes. Perder o título, no fim das contas, foi um detalhe. Outras oportunidades virão. A torcida estava com ele.
É incrível o que o destino faz com as pessoas. Após aquela maldita ultrapassagem de Lewis Hamilton sobre Timo Glock que valeu uma estúpida quinta posição, absolutamente nada deu certo para Felipe Massa. Mais nada. No mundo da mídia televisiva americana, existe uma gíria que designa quando um programa de TV famoso e bem-reputado comete alguma barbaridade ou sofre algum revés e nunca mais consegue se recuperar. Jump the shark. Pular o tubarão, em tradução literal.
Exemplifico: no Brasil, o Domingo Legal de Gugu Liberato pulou o tubarão em 2003, quando apresentou uma entrevista falsa com um suposto integrante do PCC. Descoberta a farsa, Gugu Liberato enfrentou problemas legais e nunca mais conseguiu o mesmo nível de credibilidade e projeção de antigamente. O Domingo Legal, que ameaçava a audiência do Domingão do Faustão global, virou um zumbi nos domingos à tarde. Pois é. A ultrapassagem de Hamilton sobre Glock foi a verdadeira pulada de tubarão de Felipe Massa. E o pior: sem a menor sombra de culpa.
Claro, você pode argumentar que Massa não perdeu o título apenas ali. Perdeu porque rodou sozinho em Sepang, por exemplo. Perdeu porque girou mais que pião em mão de criança em Silverstone. Perdeu porque o motor fundiu em Hungaroring. Perdeu porque a mangueira foi embora junto com o carro em Marina Bay. Oras bolas, perdeu porque fez menos pontos que Lewis Hamilton. Punto e basta.
Depois daquela tarde chuvosa de São Paulo, o que se passou com Felipe Massa? Um F60 lamentável, concorrência melhor, Hungaroring, mola, coma induzido, fim de temporada. Retorno, F10, Fernando Alonso, Hockenheim, faster than you, confirm it? 150th Italia, pneus frios, desânimo, nada de pódios, seis, six. F2012, pneus gastos, Q2, zero pontos.
Hoje, aos 30 anos, Felipe Massa é um piloto que só gera pena e constrangimento enquanto dirige. Fora do carro, nada a reclamar: continua rico e bem casado, além de ter um filho gorducho e saudável. O problema é a vida profissional. Em seu sétimo ano na Ferrari, sua moral e sua auto-estima foram reduzidos a pó. A mídia brasileira, inclusive a global, o abandonou. Os torcedores de padaria, aqueles que o chamavam de “novo Ayrton Senna” em 2008, estão agora maravilhados com a troca de sopapos do UFC. Muitos nem se lembram que, um dia, existiu um Felipe Massa.
Dentro da pista, o Massa de hoje não chega nem perto daquele piloto abusado e agressivo até demais da conta que barbarizava o meio do pelotão com o carro azul da Sauber. Incomodava bastante gente porque ultrapassava de qualquer jeito, não tinha medo de fazer bobagem, batia pra caramba e era fonte inesgotável de diversão. Nunca vou me esquecer da ultrapassagem que ele fez na marra sobre David Coulthard na Rivazza durante o GP de San Marino de 2005. Depois daquilo, o escocês pegou enorme antipatia por ele, um cara que não tinha limites.
O Felipe de hoje tem limites. Até demais. Não consegue andar rápido com pneus novos. Nem com os velhos. Tem dificuldades para aquecer a borracha. Não faz uma única volta rápida e nem é constante durante uma prova inteira. Anda tendo dificuldades para defender posições. É a pura imagem do desânimo – algo quase criminoso num mundo efusivo por natureza como é o ferrarista.
Até aqui, não falei nada de novo. Qualquer blog mequetrefe de automobilismo é capaz de enumerar todos os defeitos do Felipe Massa pós-mola ou do Felipe Massa pós-Hockenheim, como queira. Difícil é falar alguma coisa além disso. E advogar.
Advogar a favor de quê? O piloto brasileiro realmente faz uma temporada péssima e se continuar assim, será demitido antes do final do ano de forma merecida. Não, não vou tentar elogiar seu desempenho. A história é outra.
Em 2008, Felipe Massa era febre no Brasil. Falei lá em cima, febre passageira, de 37°C, mas ainda uma febre. Mas o que é ser febre? É você chegar numa rodinha de boteco com seus amigos, beber umas garrafas de cerveja pilsen vagabunda, comer frituras e filosofar sobre os assuntos do momento. Pois Massa, o piloto, era assunto. Viu a corrida? Ah, eu acho que ele vai ser campeão do mundo. Finalmente um piloto bom, que honra o Brasil. Viva o Brasil!
Lembro-me bem. Horas antes do GP do Brasil de 2008, estava na fila de um supermercado com a minha namorada. Atrás de mim, uma mulher quarentona falando no celular. O assunto? Não queria de jeito nenhum perder a largada da corrida. Após ela desligar o aparelho, perguntei sobre o interesse dela por Fórmula 1. Ficamos lá, batendo papo. Você nunca diria que ela era fã de corrida de carros. Nunca.

GP da Alemanha de 2010. Um torcedor de verdade deixaria este infelicíssimo momento para trás e seguiria apoiando
Onde será que está essa mulher hoje? Será que ela acordou às quatro da manhã do último domingo, desperdiçando provavelmente a única noite em que ela conseguiria dormir um pouco mais na semana para ver os pilotos brasileiros disputando um ou outro ponto? Será que ela continua ligando para o marido, o filho ou o demônio para dizer que não quer perder a largada do que quer que seja? Ou será que hoje ela vê o MMA sentada com a família no sofá da sala? Porque o Anderson Silva é muito bom, né?
Sou meio chato com algumas coisas. Mentira, eu sou chato com tudo. Acho apenas um pouco triste que Felipe Massa tenha sido descartado tão rapidamente. De “futuro herói nacional” e “novo Senna” (argh!) a “mais um capacho” e “novo Barrichello”. Tudo isso em somente quatro anos.
Em 2008, Massa era o queridinho de todos. Sua tropa de novos-fãs era insuportável: gente que tinha acabado de começar a ver Fórmula 1, ignorava a história da categoria, achava que a Ferrari era a única equipe que existia e tripudiava os principais adversários do brasileiro sem a menor vergonha, especialmente Lewis Hamilton. Não que somente doutorandos em automobilismo possam acompanhar o esporte, mas era bem desagradável quando um moleque de 16 anos se aproximava, tratava o piloto da Ferrari como um semideus e sentava a bota em todo o resto com a arrogância de alguém que até parecia ter acompanhado o esporte desde Emerson Fittipaldi.
O moleque de 16 cresceu, virou adulto, dobrou a década e hoje nem fala mais em Felipe Massa. Provavelmente nem assiste mais à Fórmula 1, irritado que está com a falta de brasileiros nas primeiras posições. Se seu antigo ídolo é mencionado, o sujeito torce a cara e dá vazão à verborragia. “Pra mim, ele morreu”. “Nunca foi um bom piloto”. “Só ganhava porque tinha o melhor carro”. “Um cagão”. “Vendido do caralho”. “O real Felipe Massa é esse daí”.
Existem três coisas que me incomodam profundamente. Calor e arroz com uvas passas são duas delas. A terceira é este maldito comportamento volúvel, que puxa o sujeito de um extremo a outro em três tempos. Trazendo isso ao mundo automobilístico: gente que torce de maneira xiita por um piloto na segunda-feira, deixa de torcer por ele na quarta-feira e passa a ser seu maior detrator na sexta-feira. Geralmente, por duas motivações: ir na onda dos outros ou simplesmente só gostar de torcer para quem está ganhando.
É fácil ter este comportamento de manada. Conveniente também. E socialmente necessário. Se todos gostam do vermelho, por que raios inventar de apreciar o azul? Basta parar e refletir: quantas coisas você realmente gosta ou pensa por conta própria? Abrir aquela maldita conta de Facebook, lotada de fofocas, demonstrações baixas de inveja e falso moralismo religioso, estava em seus planos de vida ou você simplesmente o fez porque a “galera” fez? Ou aquela merda de comercial de cerveja que você fingiu dar risada porque, se o achasse um punhado de bosta publicitária, seria tachado de ranzinza e idoso pelos amigos?
Hoje em dia, defender Felipe Massa é algo como defender um estuprador: inexplicável aos olhos do senso-comum. Se o cara perde, é ruim, fracassado e indigno de qualquer sentimento bom. Se ele deu uma posição ao colega de equipe, além de ruim e fracassado, é também vendido e mau caráter. Porque não há mais nada de bom a ser dito sobre Felipe, nem mesmo que ele quase ganhou um título de Fórmula 1 há não muito tempo. É o velho maniqueísmo que pessoas de baixa capacidade imaginativa e cognitiva costumam abraçar.

Quantos destes aí da arquibancada ainda assistem Fórmula 1? Quantos aí ainda torcem por Felipe Massa e se vestem de vermelho?
Tem também o torcedor-farofa, que te dá a maior força apenas quando você está bem. Isso daí é um comportamento que nunca consegui ter e nem entender. Não sou fã de equipes pequenas e pilotos de carreira duvidosa na Fórmula 1 à toa: são eles que precisam do apoio da torcida. Expliquem-me: qual é a porra de sentido de se torcer por alguém que somente ganha? Mais ainda: que tipo de torcida é essa que pula fora no primeiro infortúnio? Torcer é, acima de tudo, estar do lado de quem está com dificuldades. Se você é vira-casaca nas horas ruins, sinto muito: você não é torcedor de bosta alguma.
Não vou negar que já torci e destorci para muita gente. No geral, por incrível que pareça, paro de torcer por um piloto quando ele deixa de ser uma promessa presa em uma equipe ruim para se tornar um vencedor numa equipe astronômica. Exemplo? Sebastian Vettel, um de meus pilotos favoritos nos tempos de Toro Rosso e apenas mais um atualmente. Se Nick Heidfeld, por exemplo, tivesse ganhado sua primeira corrida na Fórmula 1, minha torcida provavelmente minguaria um pouco. O mesmo valeria para um título de Rubens Barrichello. Sou utilitário: eles não precisariam mais de torcida alguma, pois já se deram bem. Mas já que Massa possuía torcedores enquanto estava por cima, qual é o problema de mantê-la depois?
Ah, muitos vão falar de Hockenheim/2010. Felipe Massa realmente teve seu pior momento na carreira ali naquela ordem de equipe. É incrível como o sujeito é bombardeado por simplesmente ter aceitado uma ordem que provavelmente lhe custaria um emprego desejado por quase todos os envolvidos em automobilismo e até mesmo um lugar na Fórmula 1. Mas, vá lá, vamos supor que o que ele fez realmente fosse imperdoável. Caramba, será que o fato dele ser ídolo o torna imune a erros ou fraquezas? Um torcedor de verdade o mandaria tomar no cu na hora, como é normal entre torcedores, mas seguiria esperando por dias melhores que sempre podem acontecer. Não se abandona seu ídolo por causa de um único evento.
Dizer que há apenas um jeito certo de torcer é fascismo, mas sei bem como diferenciar torcida de oportunismo. Aquela multidão que lambia o saco de Felipe Massa em 2008 e disparava bazucas contra quem não fazia parte do oba-oba era simplesmente oportunista. Exatamente o mesmo tipo de gente que, por exemplo, condenou Ronaldo Fenômeno e seus exóticos hábitos sexuais em 2008 e passou a tratá-lo como rei não muito depois. Vocês me perdoem, mas gente sem idéia, sem postura, sem senso crítico, sem coerência com seus valores e sem ídolos definidos não merece meu respeito. Trato a pontapés, mesmo.
Não torço por Felipe Massa. Nunca fui seu torcedor, aliás. Mas não há como não me solidarizar com o mau momento pelo que ele passa. Sim, mau momento: suas enormes dificuldades profissionais devem afetá-lo de uma maneira que ninguém sequer imagina. É aí que ele descobre que, no fundo, está sozinho. Que a torcida que deveria estar ali, falando “calma, Massa, a situação está foda mas vai melhorar”, prefere jogar gasolina na fogueira e correr atrás de outro esportista de sucesso instantâneo. Que a mídia tem o poder de mandá-lo ao céu ou ao inferno em uma única reportagem. Que a Fórmula 1 lhe virou as costas de vez e está contando os dias para que seu carro vermelho seja ocupado por qualquer outro.
Massa pulou o tubarão. Ao invés de jogar uma corda, seus falsos torcedores decidiram ir embora. Quando não me serve mais, eu jogo fora, compro outro, uso enquanto servir, jogo fora de novo e assim por diante. E a vida das efemeridades segue.


18 de abril de 2012 at 18:55
Verde…esse desvio de caráter é típico do brasileiro, um povo que de tão corrupto não sabe torcer mas sabe ser subornado pelas vitórias, ou os outros povos também são assim e sou eu que pego demais no pé dos brasileiros?
Em tempo: Massa nunca foi meu ídolo e nunca será, não vejo nele esse perfil.
18 de abril de 2012 at 18:57
Eu gosto de ver corrida sozinho justamente porque não quero ninguém chingando o Massa porque ele não tá na ponta ou dizendo que ele é um bundão/vendido/vergonha etc. Me enche o saco. Ninguém lembra de nada do passado.
18 de abril de 2012 at 20:21
A grande maioria é assim.Não tem jeito…
Sou vascaíno FANÁTICO.
Não conheço ninguém que conheça mais sobre o Vasco,que de tanta importância para um Vasco x Olaria ou que seja mais neurótico durante um jogo com eu.
Mesmo assim,vou menos a São Januário do que gostaria porque 90% dos torcedores me irrita.
A maioria se enquadra em pelo menos um dos perfis de torcedor que você citou.
Para eles,só vale a pena torcer quando o time está bem e por aquele jogador que todos gostam…
Com F1 é a mesma coisa.
São os mesmos perfis…
Não tem como bater de frente com isso…
18 de abril de 2012 at 20:56
Mais uma vez, um bom artigo de opinião, Verde. Olhando prós últimos anos da carreira do Massa, esta caiu mesmo muito (qualquer um percebe isso facilmente)… será que pode melhorar? Acho que isso só é possível com muito apoio do público e claro da equipa, porque se o povo só chingar e a equipa lhe disser que ele é mais lento que o colega de equipa as coisas não vão melhorar. A humilhação pública não resolve nada, só traz depressão, angustia e isolamento.`
E apesar de nunca ter gostado da equipa Ferrari ou de qualquer um dos seus pilotos, incluindo o Rubinho e o Massa, eu grito bem alto: FORÇA MASSA! Arrisca, cara! Tenha confiança nas suas capacidades, porque se você teve muito perto de vencer o campeonato uma vez, quem sabe se você não tem outra oportunidade? Mostre ao “simpático” (ironicamente, é assim que eu chamo o Alonso) que as contas na Ferrari não são favas contadas! E repito: FORÇA MASSA!
18 de abril de 2012 at 21:00
Uma vez li uma entrevista do ex boxeador Acelino Popó, ainda em seu auge, na Veja, e ele disse o seguinte: ” No Brasil, quando um esportista está no topo, todo mundo vira fã numero um. Quando o cara perde a primeira, além de falar mal, as pessoas fazem questão de te empurrar ainda mais para baixo.” Sábias palavras…
P.s Belíssimo texto como sempre. Apenas para constar, se considera febre a partir de 37,8 graus.
18 de abril de 2012 at 21:18
Em primeiro lugar, calor e arroz com passas são entre as coisas mais irritantes – e, para quem veio do sul e está morando em Campinas, o calor irrita um pouquinho mais.
Lembro de ter gostado bastante da temporada de estréia do Massa, em 2002, mas, nunca fui grande fã dele.
No entanto, concordo plenamente com o que foi colocado, que é nas horas ruins que se precisa de torcida e confesso que comecei a simpatizar mais com o piloto brasileiro nos últimos anos. Talvez seja empatia, talvez solidariedade, mas confesso que gostaria muito de vê-lo dar a volta por cima ou, ao menos, ter um tratamento mais digno.
O acidente de 2009, o GP da Alemanha de 2010 certamente abalaram o Massa, mas acho que também há, e não sei em que grau, um abalo exatamente pelo abandono por parte de “fãs” e, mais recentemente e de maneira mais forte, por parte da mídia. Isso tudo contribuiu para abalar o psicológico do Massa e ele vai ter de ser muito resiliente para superar isso.
Sinceramente, não sei se ele conseguirá, mas, pela primeira vez, posso dizer que estou torcendo por isso… e para ele.
18 de abril de 2012 at 21:28
Concordo em genero numero e grau
18 de abril de 2012 at 21:43
Como sempre… excelente artigo, Verde. Não acrescentarei muito mais daquilo que tu dizes, a não ser que esse tipo de torcida existe um pouco por todo o mundo: todos te aplaudem enquanto estás no topo, quando estás em baixo, és deixado para canto, qual vira-lata.
Infelizmente, não vejo o Massa melhorar de um dia para o outro. Vai ser complicado e temo que sairá da Scuderia pela porta pequena. E se calhar, até da Formula 1, porque depois disto, não acredito muito que tenha lugar noutras equipas. Veremos, a temporada ainda vai no seu inicio.
18 de abril de 2012 at 22:10
Parabéns pelo texto , concordo que essa situação é ruim não só para quem torce de verdade para F1 , mas também para qualquer atleta ou equipe de outras modalidades.
18 de abril de 2012 at 22:37
Alguns quando espremidos dão caldo, outros explodem na mão de quem tenta aperta-los.
Cerder posição o caralho, se quiser me passa seu puto.
Era essa a postura que eu esperava.
Abriu as pernas já era.
Existem vários fatos pro desanimo do Massa.
O que a Ferrada fez com ele foi ridiculo.
Minaram o seu proprio piloto.
Como querem que o cara se acerte ?
Abraços.
19 de abril de 2012 at 3:22
Esperimente ser ameaçado e ficar em dúvida sobre perdeu seu emprego milionário, em uma das equipes de ponta, sem ter prospecto de ter outras equipes lhe visando exatamente no meio de uma temporada. Receber uma ordem de equipe para cumprir “x” e ter que analisar em alguns segundos tudo isso e tomar uma decisão. Com o nosso na reta, aposto que ninguém faria o contrário, cara. Se não fizesse, seria queimado até a morte na ferrari e depois ainda em outras equipes. Tipico da vermelhinha.
É mole falar que esperava algo diferente. Eu também esperaria alguém que batesse de frente com ordens da equipe, mas sei o quanto isso é difícil e impraticável, porque depois é tua fama como piloto que vai pro brejo. Descatar uma equipe e suas ordens traz consequencias muito maiores do que um “oba oba” da torcida, honrando o piloto por ser ousado. De que adianta ser ousado, e estar sem um carro?
19 de abril de 2012 at 22:18
Orgulho, respeito por si mesmo pelos fãs e torcedores, marcar territorio, etc etc etc não conta ???
Não teve atitude de campeão.
18 de abril de 2012 at 23:11
Verde, antes de mais nada Parabéns pelo Blog e por fazer parte agora do Tazio!
Eu torço pela Portuguesa!! E tenho muito orgulho disso! Minha família tem em sua maioria torcedores do São Paulo e alguns do Palmeiras. Corintianos e santistas, no máximo 2 ou 3. Mas torcedor da Portuguesa eu sou o único e quem sabe até o primeiro bonobo (como vc mesmo nos chama). Pois bem, acho que não preciso dizer o que isso significa. Na faculdade sou um tanto zuado por isso, no trabalho idem, enfim a chacota é constante. Quase Bullying. Nem ligo. Amo o meu time. Acabamos de cair pra Série B do Paulista. Mas o orgulho de ser Lusa pra sempre é muito grande! E sempre será! Bom, futebol a parte, vamos ao presente do Massa. Não sou torcedor do piloto Felipe Massa. Não gosto da Ferrari e muito menos do Alonso (chega a doer o fato de o cara ser um gênio!). Acho que apedrejar o cara não é exclusividade dos brasileiros. Olhe para os italianos. Chama-lo de “desperdicio de combustivel” é um desrespeito. Mas como você disse brasileiro é um povo besta que torce por um participante do BBB pelo simples fato de que, no fundo, gostaria de ser igual a ele. Quem quer ser igual a um BBB não é digno de muita moral convenhamos. Na música o cara é idolatrado hoje pelo tanto de grana que ele consegue ganhar. A obra do artista em si é apenas um pequeno detalhe. O esporte é a mesma coisa. Ainda mais quando se trata de uma modalidade em que o atleta age “individualmente” e o resultado depende muito dele. Logo o Anderson Silva vai perder a primeira luta e vai se tornar um bosta em menos de um round. Moda. É o que todo mundo gosta. E agora a moda é bater no Massa. Um dia foi no Barrichello. Se o Bruno vencer corridas e depois apanhar do companheiro de equipe será espancado por esse motivo e ainda por manchar o nome da família. Assim caminha a humanidade. Fazer o que? O Massa precisa de apoio e eu quero muito que ele saia dessa fase ruim e de cabeça erguida!
19 de abril de 2012 at 0:08
IRADO!!
Gosto muito da Portuguesa.
Tenho até uma camisa de 2010.
Se fosse paulista,não tenho a menor dúvida de que torceria para Lusa!
19 de abril de 2012 at 1:08
Minha foto do orkut tá com camisa da Lusa…é meu segundo time, mas de coração mesmo.
19 de abril de 2012 at 3:18
Eu sou ainda pior… Torço para o Alecrim FC. Só joga três meses no ano, e mesmo assim não deixo de ir lá torcer.
Que é óbvio que Massa não está nem na réstia da sombra de sua melhor fase não tem o que se discutir. Mas deixar de apoiar justamente quando mais se precisa de apoio… Ferra a autoestima e diminui ainda mais as chances de recuperação.
E o maior problema é que quando estão numa boa de novo tudo vira flores: É reportagem com família, convocação para o povo ir ao autódromo, o “Nome Sobrenome do BRASIL!!!”. E caem na onda de dar plateia. Rubinho se ferrou em 2009 dessa maneira.
19 de abril de 2012 at 3:20
Faço minhas as palavras do Artur…só não tenho a camisa hehehe.
Acho a lusa fodalhona demais
19 de abril de 2012 at 0:02
“Gente sem idéia, sem postura, sem senso crítico, sem coerência com seus valores e sem ídolos definidos não merece meu respeito.”
Faço das sua palavras as minhas, sem tirar nem por…
19 de abril de 2012 at 1:30
Cara, texto absolutamente brilhante.
A realidade é que o brasileiro só segue a máxima do Barão de Itararé: Haja o que houver, aconteça o que acontecer estaremos sempre… Com os vencedores! E no Brasil já não é de hoje que não se sabe torcer para automobilismo. Isso é notório desde a morte do Senna em 1994. Quantas vezes o Rubinho não passou por isso?
E isso acabou acarretando até nos negócios do Felipe, pois nesta quarta, a Fórmula Futuro, categoria apadrinhada pelo Massa foi para a vala.
Para ele, talvez uma mudança de ares faça bem, mas não dá pra contar muito com o povo daqui, pois a chance de ser mais destruído é enorme
19 de abril de 2012 at 2:22
Sensacional.
O brasileiro é assim mesmo, infelizmente. Antes fosse só no esporte. Mas é em tudo.
Também não torço e nunca torci pelo Massa, mas confesso que estou até com pena do rapaz, torcendo para pelo menos marcar uns pontinhos na próxima corrida para calar a boca de uns “jornaleiros” italianos.
19 de abril de 2012 at 9:05
Excelente ponto de vista. Pior que isso não deve ser “exclusividade brasileira”.
Até entendo porque Kimi Raikkonen é tão indiferente com os “fans”; deve saber que um dia que não for “o mesmo”, esses fans irão desaparecer.
19 de abril de 2012 at 9:09
Massa? Trágico… (piada interna)
Outro dia eu estava no computador lendo sobre F1 e um amigo percebeu e falou: “Eargh, dá um desânimo só de pensar em assistir. Os brasileiros estão muito mal”.
Massa merece muito respeito por muita coisa. Inclusive a moribunda F-Future, uma rara iniciativa para tentar retardar a morte do automobilismo no Brasil. E também por sua atitude vencedora na amarga derrota de 2008, quando as revistas britânicas anunciaram que havia dois campeões, Massa e HAM.
Nunca torci pela Ferrari, exceto em 2008, quando a cabeça ficou bastante edemaciada com Hungaroring e Marina Bay. Confesso que não se deve fazer isso, mas às vezes imagino um mundo em que a merda da biela não explodiu e a luz verde não acendeu antes do tempo…
Carlos Del Valle
19 de abril de 2012 at 9:44
Massa? Trágico… (piada interna)
Confesso que não se deve fazer isso, mas às vezes eu imagino um mundo onde o motor não estourou em Hungaroring e a luz verde não acendeu cedo demais em Marina Bay. No único ano em que torci para a Ferrari, o pé frio foi assombroso.
Respeito muito Massa, e é triste ver o que acontece. Mas ele já não estava bem em Hockenheim 2010, estava longe demais de Alonso no campeonato. Felizmente ele é muito respeitado no UK pela sua atitude nobre e honrosa após a tragédia de Interlagos 2008, eu me lembro da revista GP+ declarando que havia dois campeões, Felipe e Lewis. E eles nunca esqueceram, mesmo com tantos acidentes com Hamilton ano passado a mídia britânica sempre permaneceu respeitosa (desconfio que em parte porque não são os maiores fãs de Alonso).
19 de abril de 2012 at 11:09
Excelente como sempre Verde… sem mais
19 de abril de 2012 at 11:41
não conhecia o blog, excelente ponto de vista……
19 de abril de 2012 at 11:41
Simplesmente sensacional o texto, enfia o dedo na ferida e mostra o caráter oportunista da “””””torcida”””””. Mais se assemelham ao ratos de porão que, uma vez o navio afundando, tratam de fugir rapidinho.
19 de abril de 2012 at 12:51
Sim, essa análise é coerente, mas digo que mesmo com toda essa babaquice de “torcida” oportunista eu entendo um pouco as pessoas que assim o fizeram e assim o trataram, é algo muito evidente no brasil em todo o tipo de competição ou representação, nos torcemos para quem ganha apenas, nunca para o azarão, isso é tosco, na formula 1, a minha torcida sempre foi para ver provas com demonstração de pilotagem magistrais, e não para propriamente torcer para fulano, beltrano ou ciclano, eu queria ver memo era disputa mesmo, vitoria beijada é sem graça, mas é comum as pessoas torcerem para o ponteiro isolado mesmo, muitas vezes com um carro de outro mundo e tals. Mas quanto ao Massa, mesmo com problemas de constância e desempenho, é dever dele, agora mais do que nunca, foda-se se ele vai continuar na ferrari ou não, ele deve voltar pro tudo ou nada como era na sauber, é necessário, é divertido, agora é hora de arriscar mesmo, ainda mais se o futuro é incerto, e pensando em outros aspectos a ferrari hoje não esta sendo mais aquele time dos sonhos, o carro esta com problemas sérios e os engenheiros parecem não saber oque fazer, de repente sair da ferrari hoje não é tanto um mal negocio, ele ja ta rico mesmo não vai se ferrar se perder o emprego, vai se ferrar se não arriscar agora como era o inicio de carreira.
19 de abril de 2012 at 13:04
Um dos melhores textos que já li sobre o Felipe Massa e merece ser compartilhado. Só você verde pra conseguir transmitir o que os verdadeiros fãs sentem. Parabéns.
20 de abril de 2012 at 1:10
É rapaz… Concordo com o que você disse. Nunca fui torcedor do Felipe, até faço piada com ele, como faço com o Barrichello, este sim, um piloto para o qual sempre torci, desde que ele apareceu, em 1993. Mas acho que respeito é fundamental, além de ter uma postura coerente. na minha opinião, o grande problema é que no Brasil não existe, de fato uma cultura do automobilismo. Ao meu ver, o único esporte onde as pessoas torcem, independente de resultado, é o futebol, já que esse é realmente enraizado na cultura do brasileiro. Em relação a outros esportes, o automobilismo entre eles, o povo só acompanha mesmo quando tem brasileiro em destaque. É tudo uma questão meramente cultural, nós (enquanto povo) somos, mesmo, assim. Por isso, vai ser sempre desse jeito, por mais que soe incoerente…
20 de abril de 2012 at 1:31
Em 2008 eu parei de torcer pelo título do Massa depois do episódio entre ele e o Bourdais no Japão. O Massa bateu no Bourdais e o Bourdais foi punido. Típica atitude política da Ferrari (se fosse outra “grande” seria igual).
Em 2010 eu desisti de torcer pelo Massa após o episódio de Hockenheim. Típica atitude política da Ferrari (se fosse outra “grande” seria igual? Não sei, jogo de equipe na metade do campeonato é coisa de Ferrari.), e infelizmente típica desilusão para os torcedores brasileiros. Notável nos últimos tempos.
20 de abril de 2012 at 13:34
Meu caro…
Aprendi a gostar de Fórmula-1 com meu pai, um senhor português que em um dia de 1959, em Monsanto, viu ao vivo as baratinhas e se apaixonou…
Com ele, me acostumei a acordar mais cedo nos domingos, e me postar diante da TV. Pouco importava quem era a melhor equipe, o lider, o pole… gostamos de Fórmula-1, de automobilismo em geral.
Claro, cada um elegia os seus… ele sempre foi o maior fã do Prost, a ponto de ficar de olhos mareados quando o baixinho, em 1987, virou recordista de vitórias na categoria justo em Portugal.
Eu sempre fui muito fã do Piquet, pela picardia dele, e do Senna pelos vislumbres geniais dele. Mas sempre gostei de outros pilotos e equipes, por pura simpatia.
Sempre vibrei com o visual limpo, azul marinho e branco, da Brabham. Com o negro e dourado da Lotus… com a cor de anis da March… sempre torci para que dessem uma chance decente pro Moreno, pro Barrichello. Sempre quis loucamente ouvir uma vitória da Fittipaldi, carro made in Brazil…
Enfim… gosto, e acompanho porque gosto. Não por modismo.
E é péssimo ter de ouvir quem não gosta querer passar por pessoa de opinião falando sobre o que não conhece. São estes que espezinharam o Barrichello (lembro de, chorando de alegria por seu segundo lugar em Mônaco – 1997 e ouvir alguém dizer “Esse cara nunca ganha…”).
Porra! Jackie Stewart e Barrichello vibrando… dois caras fantásticos, alegres… uma equipe pequena mostrando a que veio, um cara respondendo com classe aos críticos… e um mané falando besteira sobre o que não entendia.
Hoje, são os mesmos que exaltam o Vettel como gênio, o Schumacher como “o maior de todos os tempos” (é um piloto excepcional, mas aquém a meu ver de Senna, Prost, Piquet, Villeneuve, Peterson, Fittipaldi, Lauda, Rindt, Clark, Hill, Moss e Fangio)… são os mesmos que achavam massa gênio e hoje o tacham.
Sinceramente, gosto muito de Fórmula-1. Não gosto é desses.
20 de abril de 2012 at 21:50
Nossa kra q texto interessante vc aborda realmente o q interessa o fingimento descarado dos q se dizem torcedores … e a midia coloca o cara lá em cima mais depois coloca o cara lá na fossa e foda torcedor oportunista msm fica em paz verde
21 de abril de 2012 at 3:56
Parece até que fui eu que escrevi (ainda mais porque detetesto calor e arroz com passas). Chega realmente a ser irritante essas atitudes de Pseudo-Fãs de F1.
O que acontece é o famoso “Efeito UFC”…Quem diabos assistia a torneios de artes marciais mistas a 10 ou mesmo 6 anos???? …Meu tio, aficcionado por lutas…Freequentadores e alunos de acadêmias de lutas, brigões metidos a lutadores e por aí vai. Resumindo, os verdadeiros Fãs. Será que eles vão deixar de torcer e acompanhar o Anderson Silva quando ele deixar de ser o melhor?? talvez alguns poucos sim, talvez alguns nem sejam sequer hoje. Mas em geral, eu acho que apenas os “Telespectadores” vão botar ele para baixo quando ele mais precisar.
Foi a mesma coisa com a Fórmula 1 na “Era-massa” entre 2006 e 2008 (especialmente o último) quando ele vencia. Todo mundo parava para ver. Eu lembro que assistindo ao GP do Brasil de 2008, Ouvi gritos de trocida do outro apartamento, não eram só “gritos”, estou falando de “GRITOS!!”. Coisa que só voltei a escutar com o título do Flamengo de 2009 e do Fluminense de 2010. Hoje em dia, sou obrigado a ver em comentários no Youtube e afins, esses famosos “Torcedores que não vêem as corridas” (Telespectadores) querendo achar que sabem de tudo de F1, quem é ruim, quem é e quem não é e etc, para cima de alguém que sabe quem foram os Campeões de todas (sem exceção) as temporadas da Fórmula 1. Ou de alguém que conhece as histórias de Tazio Nouvolari, Rudolf Caracciola, Rosenmeyer, Achille Varzi e ect. Resumindo alguém que realmente assiste a uma corrida, como se fosse a um jogo do Brasil (jogo do Brasil contra o Gabão ou Egito…mas Jogo do Brasil).
Se tem uma coisa que eu apreendi com isso tudo. É que é melhor você não perder seu tempo parando para ouvir (ou ler) o que esses meros “Telespectadores” falam (ou escrevem). É melhor perder seu tempo discutindo com alguém que embora talvez você não concorde, mas saiba ao menos do que está falando.
Volto a acrescentar: Excelente texto e um exemplo de opinão sensata. Fico feliz de saber que ainda existem tantos bons Fãs da Fórmula 1 por aí. Abçs.
28 de outubro de 2015 at 15:27
“Exatamente o mesmo tipo de gente que, por exemplo, condenou Ronaldo Fenômeno e seus exóticos hábitos sexuais em 2008 e passou a tratá-lo como rei não muito depois.”
Eu me orgulho de dizer que já não gostava dele desde 2006! Não porque ele perdeu a Copa, mas já vinha desde antes, desde que demonstrava descomprometimento em não querer emagrecer! Se alguém perde se esforçando (como o Kaká que foi pra 2010 no sacrifício) ou mesmo o Massa em 2008, é uma coisa.
Agora esse relaxo do Ronaldo… Me fez ter desprezo dele desde a época dos travestis!