A quarta equipe, seguindo a ordem das apresentações oficiais, a ser descrita aqui é a Mercedes GP, ou simplesmente Mercedes.

MERCEDES GP PETRONAS F1 TEAM

Como manufatura de carros, a Mercedes-Benz é uma das marcas mais celebradas do mundo. O logotipo de três pontas e a qualidade e elegância de seus carros são duas de suas marcas registradas. No automobilismo, sua história só pode ser comparada à da Ferrari.

Nos primórdios, quando Bernie Ecclestone era apenas um senhor de meia-idade, Daimler e Benz eram duas pequenas empresas concorrentes. Ambas participavam daquelas competições de Grand Prix que começavam a se proliferar na Europa em plena Belle Époque. Em 1926, Gottfried Daimler e Karl Benz, donos das respectivas, decidiram unir suas companhias visando a sobrevivência em uma época na qual a economia alemã ainda se recuperava dos efeitos da Primeira Guerra Mundial e da hiperinflação de 1922. Criada a Daimler-Benz, os sócios decidiram utilizar a Mercedes-Benz como marca final de seus produtos.

Nos anos 30, a Mercedes-Benz mandou ver nas corridas europeias pré-Fórmula 1. Tendo como rival maior a também alemã Auto Union, ela ganhou de baciada um monte de competições e projetou à eternidade nomes como Rudolf Caracciola e Manfred von Brauchitsch. Tanto a Mercedes como a Auto Union representavam nomes de orgulho para o führer Adolf Hitler, que acreditava que ambas propagandeavam ao mundo a superioridade tecnológica alemã. Esta disputa fratricida, que incluía competições de recorde de velocidade em estradas, perdurou até a Segunda Guerra Mundial, quando o automobilismo europeu foi sumariamente interrompido.

Com o fim da guerra e do Terceiro Reich, a Mercedes-Benz voltou ao automobilismo europeu em meados dos anos 50. Em seus dois anos de Fórmula 1, venceu um bom número de corridas e fez Juan Manuel Fangio campeão em 1954. Tudo corria perfeitamente bem até as 24 Horas de Le Mans de 1955, quando o francês Pierre Levegh bateu seu Mercedes 300 SLR no Jaguar de Mike Hawthorn e voou sobre a arquibancada da reta dos boxes, matando 83 espectadores e o próprio Levegh. Esta tragédia, a maior da história do automobilismo, fez com que a Mercedes se retirasse imediatamente do automobilismo. Corrida de carro foi um tabu para a marca durante décadas.

Foi só no fim dos anos 80 que os prateados decidiram voltar às atividades esportivas, mantendo uma parceria oficial com a equipe suíça Sauber no Mundial de Protótipos. Não demorou muito para os carros ganharem corridas e campeonatos nas mãos de medalhões como Jochen Mass e Jean-Louis Schlesser, além de revelarem ao mundo nomes como Michael Schumacher, Heinz-Harald Frentzen e Karl Wendlinger.

A parceria com a Sauber foi prolongada até a Fórmula 1 em 1993. Em 1995, a Mercedes abandonou os suíços e bandeou para os lados da McLaren, configurando uma parceria que dura até os dias atuais e que resultou em três títulos de pilotos e um de construtores. Em 2009, em um momento particularmente delicado de sua relação com a equipe criada por Bruce McLaren, a Mercedes decidiu vender suas ações e preferiu comprar a maioria do controle da fulminante Brawn, que havia acabado de ganhar os títulos de pilotos e construtores. Surgia aí a Mercedes GP, que remeteria à equipe dos anos 50.

A Mercedes GP é a Brawn GP, que já foi Honda, que já foi BAR, que já foi Tyrrell, que já foi Matra. As inúmeras trocas de nome e de dono que a equipe já sofreu, de certa forma, são bons indicativos de sua irregularidade histórica. Jackie Stewart e Jenson Button ganharam quatro títulos correndo pela estrutura, mas os tempos ruins foram tão ou até mais numerosos do que os bons. Atualmente, a Mercedes é estritamente a quarta força do campeonato. Não ameaça a Red Bull, a McLaren e a Ferrari, mas também não tem muitos problemas para ficar à frente da Renault. As coisas podem mudar um pouco em 2011, caso a Renault melhore bastante. Uma pena. A marca de três pontas merecia uma situação um pouco melhor.

MERCEDES MGP W02

Quando a Mercedes apresentou o MGP W01 no ano passado, muita gente torceu o nariz. Ao contrário do empolgante Brawn BGP 001, Ross Brawn havia optado por um carro de linhas conservadoras e que ainda perdia parte de seu pouco brilho natural com uma pintura discreta. Longe de ser feio, o carro não representava o espírito de vanguarda sempre presente na Mercedes-Benz. O resultado foi um 2010 apenas razoável, indigno de sua história.

Para esse ano, a Mercedes GP buscou afastar um pouco a caretice. Mesmo inspirado no antecessor em algumas áreas, o W02 é um carro bem mais interessante visualmente falando. O bico, alto porém curvado para baixo, segue a tendência iniciada pela Red Bull. Aquela curiosa entrada de ar dividida em dois foi abandonada para este modelo. Os sidepods e a cobertura do motor estão em um formato mais curvilíneo e suavizado. As entradas de ar laterais, a suspensão dianteira e a asa dianteira, a princípio, não mudaram muito.

Até aqui, o carro não empolgou muito dentro da pista. Além dos resultados iniciais não terem sido excepcionais, o W02 apresentou crônicos problemas de refrigeração. Até Melbourne, é bem provável que muita coisa seja mudada. Assim esperamos. O relativo pessimismo que permeia o ambiente na Mercedes é incômodo.

7- MICHAEL SCHUMACHER

Não dá pra falar em Fórmula 1 sem se lembrar do nome deste cidadão de Hürth-Hermülheim. Michael Schumacher é simplesmente o recordista absoluto de títulos mundiais (sete), vitórias (91), pontos (1.441) e poles (68). Aos 42 anos, Schumi ainda esbanja motivação e preparo físico de um jovem que acabou de iniciar a carreira. Infelizmente, o desempenho não é mais o mesmo de seus bons tempos de Benetton e Ferrari, equipes pelas quais ganhou seus títulos.

Além de ter os melhores números de todos os tempos, Schumacher é também o piloto mais velho do grid atual (42 anos recém-completados) e, não por acaso, o mais antigo, tendo estreado na categoria no GP da Bélgica de 1991 com um Jordan-Ford esverdeado. Daquele dia nublado de agosto em diante, Michael se tornou uma lenda do esporte, despertando amor e ódio, nunca indiferença, entre aqueles que acompanham minimamente o esporte. Eu tendo a considerá-lo o melhor piloto de todos os tempos, mas esta é uma questão que nunca será resolvida, já que há sempre um Senna, um Clark, um Fangio e um Prost à espreita.

Schumacher é bom em qualquer quesito: estratégia, arrojo, ultrapassagem, ritmo de classificação, ritmo de corrida, inteligência, performance na chuva, improviso em situações difíceis, enfim, qualquer situação relacionada a automobilismo pode ser resolvida pelo polivalente teutônico. Mas ele tem também seus defeitos – e pecados históricos. Os detratores não se esquecem do acidente com Damon Hill em Adelaide, da tentativa de acidente com Jacques Villeneuve em Jerez, das ordens de equipe, da mutreta da Rascasse em 2006 e de inúmeras outras histórias que colocam seu caráter em dúvida. Se o povo tem opiniões tão divididas – e tão apaixonadas -, é porque o cara dá bons argumentos para os dois lados.

O QUE VOCÊ NÃO SABE DELE: Em 1996, durante os treinos para o Grande Prêmio do Brasil, a esposa de Schumacher, Corina Betsch, encontrou uma pobre vira-latas vagando pelo autódromo de Interlagos. Michael, que adora animais, não pensou duas vezes e levou a cachorrinha para a sua casa na Suíça. Pelo seu tamanho diminuto, a cadela ganhou o nome de Flöh, pulga em alemão.

8- NICO ROSBERG

Quando o ano de 2010 começou, boa parte da mídia e dos torcedores proferiu que Nico Erik Rosberg, sujeito de aparência andrógina e inteligência acima do normal, levaria uma surra inesquecível do multicampeão Schumacher. Enquanto Michael era a lenda, Rosberg era só um piloto bom, como muitos outros, que tinha como melhor predicado a genética. Nico é filho de Keke Rosberg, campeão de 1982 e um dos pilotos mais subestimados de todos os tempos.

O parentesco é curioso, já que Keke e Nico parecem ter saído de planetas diferentes. Keke era gordão, barbudo, fumava horrores e era conhecido pela rudez e pela falta de qualquer princípio civilizatório. Nico, por outro lado, é um garoto de berço que conseguiu estudar e aprender cinco línguas fluentemente. Em 2005, ele largou sua inscrição para o curso de Aerodinâmica no Imperial College of London, um dos melhores institutos da área no mundo, para correr na GP2, categoria na qual viria a ser campeão naquele mesmo ano. No ano seguinte, fez sua estreia na Fórmula 1 pela Williams.

Sua passagem pela equipe de Frank Williams teve altos e baixos determinados pela saúde financeira e técnica da equipe. Ainda assim, Rosberg conseguiu deixar uma boa impressão e não teve dificuldades para ser contratado pela Mercedes no final de 2009. No ano passado, contrariando as previsões, carregou a equipe nas costas e obteve três pódios. Em 2011, a expectativa pela primeira vitória segue. É um piloto de estilo calmo e sensato, meio avesso a estripulias e extravagâncias.

O QUE VOCÊ NÃO SABE DELE: Em 2003, quando ainda corria na Fórmula 3 europeia, Rosberg teve uma pequena desavença com alguns jornalistas da Finlândia. Após uma corrida, ele foi abordado pelos tais jornalistas, que o cobriram de perguntas em finlandês. Eles acreditavam que os fatos do pai ter se naturalizado finlandês e dele mesmo correr sob a bandeira azul e branca significavam que Nico entenderia tudo e responderia naturalmente. Contrariado, Nico respondeu laconicamente: “desculpem, não falo sua língua”. E os deixou lá, com cara de tacho. Posteriormente, Nico Rosberg estudou e aprendeu um pouco do maldito finlandês. Além desta língua, ele é fluente em inglês, alemão, francês e italiano. E fala um pouco de espanhol também.

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