Este carro, de pintura bastante interessante e aparência um tanto quanto robusta, é o ancestral do atual carro campeão, o Red Bull RB6. Explica-se: a Red Bull Racing é a equipe que foi criada no fim de 2005 a partir do espólio da Jaguar Racing, que por sua vez havia comprado a Stewart Grand Prix no fim de 1999. E a simpática Stewart, que chamava a atenção pela pintura branca coberta com aquele tartan que identifica o clã escocês a que pertencia a família Stewart e pelo enorme patrocínio do banco HSBC, surgiu como equipe de Fórmula 1 em 1997. Ela já participava, com enorme sucesso, da Fórmula 3 inglesa e da Fórmula 3000 Internacional desde o início dos anos 90, mas sua empreitada na Fórmula 1 só se deu no final da década. E o primeiro carro que surgiu daquela pequena fabriqueta de Milton Keynes foi o SF1.
O sonho da dupla Jackie e Paul Stewart de abrir uma equipe de Fórmula 1 surgiu ainda em 1995, quando se comentava muito sobre um possível fim da Fórmula 3000 e muitas equipes da categoria, como a DAMS, a Supernova e a Durango, apareceram com projetos para a ascensão para a categoria principal. No entanto, apenas a turma dos escoceses tinha bala na agulha para isso. Em fevereiro de 1996, Jackie Stewart anunciou que, no ano seguinte, estrearia sua própria equipe na Fórmula 1. O mais legal é que tudo seria feito do zero, algo positivo para uma Fórmula 1 que só perdia carros a cada ano que passava.
Os Stewart eram pobres, mas limpinhos e organizadinhos. Em um primeiro momento, enquanto a novíssima fábrica em Milton Keynes não ficava pronta, o pessoal se reunia na pequena oficina que sediava as estruturas de F3 e F3000. Aos poucos, mecânicos e engenheiros, muitos deles egressos de outras equipes, eram contratados. No final de 1996, já eram 100 os funcionários da Stewart Grand Prix. Entre eles, gente de gabarito como o diretor técnico Alan Jenkins, roubado da Footwork e o aerodinamicista Eghbal Hamidy, saído da Williams. Se o staff crescia a passos largos, os acordos comerciais e tecnológicos impressionavam ainda mais.
A Stewart não teve dificuldades para roubar a parceria da gigante de automóveis Ford das mãos da Sauber. Com esse apoio, a equipe passou a ter acesso ao Centro de Engenharia Avançada da Ford, localizado no estado americano de Michigan. Este centro tinha como chamariz maior o uso de supercomputadores que faziam detalhadas análises a respeito do comportamento aerodinâmico de carros e partes. Em outras palavras, a Stewart passou a ter acesso ao moderníssimo sistema CFD (dinâmica de fluido computacional), aquele que a Virgin tanto se orgulha de ter utilizado para desenvolver seu carro. O SF1, primeiro carro da equipe, foi também o primeiro carro da história da Fórmula 1 a ter parte de seu desenvolvimento aerodinâmico feito em computador, dispensando algumas boas horas de túnel de vento. Mas ao contrário da combalida equipe de Richard Branson, a Stewart não dispensou o tradicional ventiladorzão, aproveitando o equipamento da Swift, localizado na Califórnia. O mais interessante é que esse é o mesmo túnel de vento que a campeã Williams utilizava. Logo, as coisas estavam bem encaminhadas.
E ao contrário dos tempos atuais, não era tão difícil assim arranjar patrocinadores em 1996. A Stewart conseguiu um contrato com a HSBC que previa 8 milhões de dólares anuais durante cinco anos, um outro com o governo malaio que renderia 8,2 milhões de dólares anuais em 1997 e 1998 e mais alguns bons apoios da Texaco, da Sanyo e da Hertz. Estima-se que o orçamento da equipe para o ano de estreia girava em torno dos 30 milhões de dólares. Este valor, na verdade, não era muito maior do que o que a ridiculamente falida Mastercard Lola conseguiu juntar para sua estreia, mas vale considerar que o fato da Ford fornecer motores gratuitos e todo o suporte técnico oficial já representava uma enorme economia para os cofres de Jackie e Paul Stewart.
Os pilotos seriam o brasileiro Rubens Barrichello, ex-Jordan, e o dinamarquês Jan Magnussen, a sensação da Fórmula 3 inglesa em 1994. Para um ano de estreia, a estrutura da equipe era exemplar.
O SF1 foi lançado em dezembro de 1996, sendo o primeiro da temporada de 1997 a ser mostrado aos curiosos olhos do mundo. De aparência bastante conservadora, ele tinha laterais altas, bico alto mas curvado para baixo, asa traseira reduzida e tampa do motor curvada. Embora não tivesse arrancado suspiros de ninguém, também não era um carro para fazer passar vergonha. Além do mais, os pneus Bridgestone poderiam representar um ótimo diferencial.
Quando o carro entrou na pista, ele realmente se mostrou muito rápido. Mas também era muito problemático. Ainda na pré-temporada, Magnussen sofreu um violento acidente e acabou machucando uma das pernas. A causa do acidente foi o ponto fraco do SF1, as falhas estruturais na suspensão, que tornavam o bólido até meio perigoso. Com o início da temporada, outro grave problema foi descoberto: o sistema de óleo simplesmente não conseguia lubrificar os componentes do motor de maneira correta. E o resultado foi uma série de motores estourados, principalmente em pistas velozes. Além disso, o câmbio e o sistema hidráulico também renderam várias dores de cabeça.
No fim, os dois pilotos conseguiram terminar, juntos, apenas oito das 34 corridas (um altíssimo índice de 76% de abandonos) e Barrichello conseguiu um milagroso segundo lugar em Mônaco, corrida chuvosa que exigiu muito menos do Stewart do que faria uma prova normal. A conclusão era de que SF1 era um carro veloz que poderia perfeitamente colocar o brasileiro entre os dez primeiros em um grid (Magnussen simplesmente não conseguia andar nada), mas que não conseguia concretizar as coisas em resultados finais. Rubens andou muitíssimo bem nos treinos em Buenos Aires, em Montreal e em A1-Ring e chegou até a sonhar com a vitória em Nürburgring, mas problemas ocorridos em todas estas corridas acabaram deixando o belo carrinho branco parado em algum ponto da pista.
No fim, a Stewart terminou o ano com seis pontos e o nono lugar entre as equipes. Rubens Barrichello, o único piloto a pontuar, ficou em 13°. Ainda houve uma pequena polêmica sobre o fato do nome da equipe não constar na primeira lista de inscritos para 1998 devido a uma dúvida suscitada pela FIA a respeito da real saúde financeira da equipe. Mas tudo deu certo e a equipe seguiu existindo pelos dois anos seguintes até se tornar Jaguar e, posteriormente, a Red Bull que ganhou tudo nesse ano e que quase todos aprenderam a gostar.

7 de dezembro de 2010 at 14:01
Números finais da Stewart, simpatica equipe !
– 3 temporadas (97,98,99)
– 49 gp´s
– 4 pilotos
(Rubinho c/ 49 corridas
Jan Magnussen com 24 corridas
Johnny Herbert com 15 corridas
Jos Verstappen com 9 corridas)
– 1 vitória
(J. Herbert, GP da Europa 99
em Nurburgring)
– 1 pole
(Rubinho, GP da França 99
em Magny Cours)
– 5 podiums
GP da Europa 99, JH em primeiro, RB em terceiro.
GP da França 99, RB em terceiro.
GP de San Marino 99, Imola, RB em terceiro.
GP de Monaco, Monte Carlo, 97, RB em segundo.
– 47 pontos conquistados.
– 84 voltas na liderança.
– 363 km na liderança.
7 de dezembro de 2010 at 14:02
Ah faltou dizer:
Quarto lugar no campeonato de construtores de 1999,com 36 pots.Um pto à frente da Williams Supertec.
7 de dezembro de 2010 at 15:34
Os pneus Bridgestone eram mágicos na chuva e no calor, um dos motivos pelos quais eles andaram tão bem em algumas pistas. A destacar Nuburgring: com estratégia de uma parada e largando de um bom nono lugar, Barrichello escapou da confusão provocada por Ralf Schumacher na largada e subiu para quarto, segurando Alesi até o francês parar. Barrichello sobe para segundo e vinha 22 segundos a frente de Villeneuve. Na volta seguinte o canadense faz seu segundo pit stop e gasta 24 segundos…provavelmente voltaria atrás de Barrichello, que não mais pararia… e a chance de ultrapassagem de um F1 naquela época era parecida com a de hoje, pequena…lógico que a Williams tinha muito mais carro, mas uns 50% de chances de manter a posição, Barrichelli tinha com certeza.
Naquele ano o carro quebrou na largada do GP do Canadá e se arrastou pela pista (Barrichello perdeu a 6ª marcha), mas era uma corrida em que os pneus Bridgestone eram muito superiores e Rubinho vinha do terceiro lugar no grid, com grandes chances de vitória. Na Argentinha era fácil pensar num pódio, mesmo com o acidente provocado pelo Michael na largada… e Panis ganharia aquela corrida com 1 minuto de vantagem mais ou menos.
7 de dezembro de 2010 at 16:11
Ola,
Acompanho seu otimo blog a tempos, dá uma olhadinha no meu lá
Abraços
9 de dezembro de 2010 at 14:23
Curioso!
Esta foi a primeira incursão malaia na F1?
A segunda teria sido com Alex Yoong (arghhh!!)?
Traçando um (ou até outro) paralelo entre equipes, a Lotus de Tony Fernandes também começou do zero. E, tal qual a Stewart, ganhou a simpatia de muita gente… os resultados foram muito piores que os da Stewart, mas… sejamos honestos, a Stewart era escocesa (Escócia, terra de engenheiros) e a atual Lotus é malaia!
Quem sabe, daqui a uns dois anos, a Lotus de Tony Fernandes não vença um GP? Pessoalmente, acho improvável!
um abraço.
9 de dezembro de 2010 at 14:35
Tem a Petronas, que patrocinou a Sauber (e depois BMW Sauber) entre 1995 e 2009.
E o Bernie Ecclestone já falava em corrida malaia desde os anos 80, se não me engano.
10 de dezembro de 2010 at 2:13
É verdade!!! Como pude me esquecer da PETRONAS???!!!!
um abraço.