Semana deprimente para o automobilismo. A morte de María de Villota e o acidente de Dario Franchitti na segunda corrida da rodada de Houston na Indy foram obviamente as mais tristes das notícias, mas três outras ocorrências relacionadas ao esporte a motor poderiam muito bem ter aparecido nas páginas policiais de qualquer jornal por aí. Todas elas curiosamente envolveram pilotos que fizeram carreira no automobilismo norte-americano.

No último sábado, o jornal finlandês Suomen Kuvalehti reportou que o ex-piloto de Fórmula 1 e da CART Mika Salo havia sido preso em seu país-natal no final de setembro sob acusação de fraude fiscal. Sem entrar em maiores detalhes sobre o suposto delito, a publicação contou que Mika foi pego pela polícia local assim que seu avião vindo de Cingapura, onde estava trabalhando como comentarista do GP de F-1, desceu no Aeroporto Internacional Helsinki-Vantaa. Salo passou dois dias em custódia e saiu da cadeia negando todas as acusações. Não foi a primeira vez que o piloto finlandês se viu submetido à dura força da polícia. Em 1990, ele foi detido na Inglaterra por ter sido flagrado bebaço enquanto dirigia. Por conta disso, perdeu a carteira de motorista e a moral com chefes de equipe da Fórmula 3000 e da Fórmula 1.

No domingo, os americanos ficaram assustados com a notícia de que um ex-piloto da Indy Racing League havia sido preso por várias acusações de pedofilia. Jon Herb, 43 anos, se deu mal depois de estupidamente ter largado seu notebook ligado e aberto. Sua esposa foi utilizá-lo e acabou encontrando nada menos que 246 fotografias de atos sexuais com crianças e também três vídeos em que o próprio Herb aparecia “interagindo” com uma garotinha de apenas quatro anos de idade. Aterrorizada com o que viu, a esposa denunciou o marido à polícia, que não perdeu tempo e o mandou para o xilindró. Se fodeu, malandrão. E pelo visto, a fama do cara não era boa. Uma ex-esposa o classificou como um “pervertido”. O piloto inglês Alex Lloyd afirmou no Twitter que “sempre o achou um esquisitão”. E ainda desejou ao ex-colega que “apodrecesse na cadeia”. Pra você ver…

Na noite de terça-feira, outra notícia estarreceu a comunidade automobilística americana. Durante uma briga com sua mulher, o piloto da NASCAR Sprint Cup Travis Kvapil a arrastou pelo cabelo até o quarto e tentou prendê-la lá dentro. Quando a vítima tentou escapar, levou umas bordoadas da cabeça de seu amoroso e carinhoso marido. Cerca de 1h30 depois, Kvapil já estava preso na penitenciária de Iredell e só saiu de lá na quarta-feira de manhã após pagar fiança de US$ 2 mil. Agora, Kvapil terá de responder na justiça por agressão. Pelo menos, poderá disputar normalmente a etapa de Charlotte pela BK Racing.

Três tipos de acusações diferentes, um piloto da CART, um da Indy Racing League e um da NASCAR Sprint Cup. Pilotos são seres humanos como quaisquer outros e, por isso, também estão sujeitos a cometer crimes e atrocidades por aí. O problema é que pessoas públicas, especialmente nos Estados Unidos, estão sempre sujeitas a ter suas vidas devassadas quando fazem alguma bosta. Não é como um zé-mané que assalta um banco, vai preso e é tratado como um delinquente qualquer. Um lunático como Jon Herb tem de tomar cuidado redobrado para não ser pego. Caso contrário, será merecidamente apedrejado pela opinião pública.

O Top Cinq de hoje relembra alguns pilotos que já correram no automobilismo americano e que já se envolveram em problemas legais amplamente explorados pela mídia. Não repetirei histórias que já foram contadas aqui antes, como as de Bertrand Gachot (que disputou uma corrida da Indy em 1993) e de Al Unser Jr. Reconheço que casos interessantes como os de Hélio Castroneves e Charles Zwolsman Jr. tiveram de ficar de fora, mas algumas das histórias abaixo são ainda mais cabeludas. Os causos são todos inéditos nesse blog. Um dos pilotos apresentados é europeu e teve uma carreira mais relevante na Fórmula 1 do que nos EUA, mas tudo bem. Os outros são todos americanos, foram presos em uma época parecida e conseguiram manchar o nome de uma categoria inteira.

5- JJ LEHTO

jjlehto

O tal de Jyrki Juhani Jarvilehto é uma figura que todos nós já conhecemos. Bicampeão das 24 Horas de Le Mans, campeão da ALMS e da Fórmula 3 britânica, ex-piloto das equipes Onyx, Dallara, Sauber e Benetton na Fórmula 1, JJ Lehto foi um dos pilotos de maior sucesso de seu país. Teve bons momentos na categoria principal e poderia ter chegado muito longe, mas um acidente em testes em Silverstone no início de 1994 acabou com seu pescoço e também com suas chances de ter se tornado um piloto de ponta.

Na segunda metade dos anos 90, Lehto tentou e conseguiu ser feliz nos campeonatos de protótipos e de carros GT. Prestou serviços tão bons à BMW por intermédio da McLaren que acabou atraindo as atenções da concorrente maior Mercedes-Benz, que o contratou para ser o piloto de fábrica da empresa na CART em 1998. Lehto pilotou o Reynard-Mercedes da equipe Hogan, comandada pelo magnata dos transportes Carl Hogan, em substituição a um certo Dario Franchitti.

A temporada foi bastante difícil e, de relevante, JJ só conseguiu um quinto lugar em Surfers Paradise. Ainda assim, Carl Hogan pretendia continuar com ele em 1999, mas Hélio Castroneves apareceu e assumiu o carro faltando apenas dias para o início da temporada. Acabou aí a empreitada americana de Jarvilehto, que retornou à vida de piloto de carros-esporte e de turismo.

Lehto passou por várias categorias, ganhou corridas e também chegou a trabalhar como comentarista. Parecia destinado a ter uma vida sossegada e sem grandes polêmicas, mas tudo mudou na madrugada do dia 17 de junho de 2010. JJ e um amigo estavam pilotando um barco em um canal na cidadezinha finlandesa de Ekenäs. A embarcação estava a uma velocidade de 75km/h num leito de apenas 2,5m de largura onde o limite era de 5km/h. Lógico que deu merda. Lehto e o amigo perderam o controle do barco e acabaram se chocando com tudo contra a pilastra de uma ponte.

O amigo desapareceu no meio da água e morreu. Lehto teve costelas quebradas e ferimentos na cabeça, mas ainda conseguiu nadar até uma margem. Antes de ser levado ao hospital, o pessoal do resgate ainda aplicou ao piloto um teste de bafômetro. Resultado: nível de 0,253mg/L, ou cerca de 0,08% de substância etílica no sangue. JJ podia não estar completamente insano, mas certamente havia alteração em seu organismo.

Lehto foi posteriormente levado a julgamento e condenado a dois anos e quatro meses de prisão por homicídio culposo, condução perigosa e condução de veículo sob efeito de álcool, além de ter de pagar 100 mil euros à família do amigo falecido. O finlandês jamais deixou de dizer que não havia pilotado o barco, mas a polícia investigou o cadáver do seu parceiro e concluiu pelos ferimentos que a possibilidade de JJ ter sido o causador de tudo era quase total. No fim das contas, ele nem chegou a ser preso. Recorreu várias vezes e conseguiu se livrar das acusações no fim de 2012. Hoje, está por aí. Procurem não dividir embarcações com ele.

4- SALT WALTHER

saltwalther

Caras como Felipe Massa, Cristiano da Matta e Alessandro Zanardi sabem que um acidente muito sério pode mudar sua vida por completo. Rotinas novas, impedimentos para comer isso ou beber aquilo, doses diárias de coquetéis, visitas frequentes ao médico e claras limitações físicas e mentais que impedem até mesmo a atividade automobilística. Mas nenhum acidentado sofreu tanto após sua tragédia pessoal como o americano Salt Walther.

Filho do dono da organização Dayton Steel Foundry, Walther foi um piloto com uma carreira relativamente modesta. Para sua infelicidade, o que o tornou famoso nos Estados Unidos foi o violento acidente ocorrido na largada das 500 Milhas de Indianápolis de 1973, um dos piores da história do automobilismo. O carro de Salt explodiu após bater na cerca de proteção e se desintegrou, deixando as pernas do piloto à mostra. Ele foi levado ao hospital em estado crítico e teve queimaduras graves em 40% de seu corpo, mas sobreviveu.

Porém, sua vida nunca mais voltou ao normal. Salt Walther teve de passar por um longo período de recuperação no qual o uso de fortes analgésicos, como hidromorfona, era corriqueiro. De tanto se entupir de pílulas e comprimidos, o cidadão acabou se tornando um viciado no melhor estilo Dr. House. Walther até chegou a voltar a correr, mas não conseguiu retomar a carreira normalmente. Com as duas mãos seriamente afetadas pelo acidente, correr de forma competitiva era uma impossibilidade.

A vida do cara virou um inferno desde então. Completamente atordoado pelos analgésicos, Salt Walther se tornou um infelicíssimo delinquente que se envolvia em delitos tão imbecis como o roubo de um carrinho de golf em pleno autódromo de Indianápolis e a desnecessária fuga da polícia durante uma então inofensiva blitz generalizada. Em 1998, durante uma de suas estadias na cadeia, ele tentou contrabandear alguns comprimidos de codeína para sua cela e acabou condenado a três anos de liberdade condicional e obrigado a passar por um programa de desintoxicação. Em 2000, Salt foi condenado a 16 meses de cárcere por colocar a vida de seu filho em risco e por violar alguns termos de sua liberdade condicional.  Em 2007, ele voltou a ser preso por não ter pagado cerca de 20 mil dólares de pensão aos seus dois filhos. Outras detenções aconteceram até 2012, ano de sua morte.

Salt era um cara detestado no paddock. Como seu pai era muito rico e razoavelmente poderoso no automobilismo americano, muitos julgavam que Walther era um caso típico de vitória do dinheiro sobre o talento. O cabra chegou ao ponto de ter comprado a vaga de um piloto mais popular para largar na Indy 500 de 1977 após ele mesmo não ter conseguido se qualificar para a corrida. As inúmeras críticas da mídia e de espectadores fizeram Salt voltar atrás. De fato, uma atitude lamentável. Mas nem mesmo um playboy polêmico como ele merecia a vida que acabou levando após a tragédia de 1973.

3- JOHN PAUL SR / JOHN PAUL JR.

John Paul Jr. na Indy 500 de 1998

John Paul Jr. na Indy 500 de 1998

 

A partir daqui, as histórias se entrelaçam. Os nomes citados aqui se envolveram em esquemas ilegais enormes, milionários, inacreditáveis, praticamente cinematográficos. Alguns deles se deram razoavelmente bem, outros ficaram presos durante um bom tempo, há quem ainda esteja mofando atrás das grades. Em comum, a paixão pela velocidade. Nos anos 80, você poderia encontrá-los facilmente nos paddocks das corridas da IMSA GT, categoria de protótipos organizada pela International Motor Sports Association nos EUA.

Em meados dos anos 80, o mundo do automobilismo ficou chocado com a notícia de que o FBI estava investigando vários pilotos da IMSA GT por envolvimento com o narcotráfico internacional. Os pilotos em questão estariam utilizando as corridas da categoria para lavar o dinheiro obtido com a venda de drogas nos Estados Unidos. Dois dos nomes que constaram nos autos da justiça ianque foram os do papai John Paul Sr. e do filhinho John Paul Jr.

John Paul Sr. era um descendente de holandeses que ganhou muito dinheiro gerenciando fundos mútuos nos mercados financeiros. Além de bem-sucedido, ele também era um piloto muito bom nas horas vagas, tendo vencido até mesmo as 24 Horas de Daytona e as 12 Horas de Sebring ao lado de seu filho John Paul Jr. em 1982. Nada de desabonador, certo? O problema é que John Paul Sr. era um tremendo de um casca-grossa vestido de cordeiro.

Em 1979, Paul Sr. foi condenado a uma multa de 32,5 mil dólares e três anos de liberdade condicional após ter sido flagrado conduzindo o transporte de 710kg de maconha na Louisiana. Em 1983, quando já não estava mais competindo, John foi preso pela acusação de ter tentado assassinar com cinco tiros Steven Carlson, uma testemunha que depôs contra ele nas investigações de tráfico de drogas. Não muito depois, ele conseguiu fugir da cadeia e se mudou para a Suíça com documentação falsa. Pego pelas autoridades suíças em 1986, foi extraditado de volta para os Estados Unidos, onde acabou condenado a vinte e cinco anos de cárcere. Ufa!

Só que ele não cumpriu toda a pena. John Paul Sr. conseguiu a liberdade monitorada em 1999, quando já estava com 60 anos de idade. Livre, se amigou com uma mulher chamada Colleen Wood. O relacionamento pareceu correr bem até dezembro de 2000, quando Colleen foi dada como desaparecida. A polícia interrogou Paul Sr. e ele negou que tivesse feito algo contra a companheira. Pouco depois, o próprio John sumiu sem deixar qualquer rastro. De lá para cá, ninguém sabe o que aconteceu com ele. Se você desconfia daquele vizinho velhinho de sotaque gringo que se mudou para seu bairro há pouco tempo, ligue para o FBI.

John Paul Sr. era um cara complicado e ainda tinha fama de arrogante. Felizmente, seu filho parecia ser muito mais tranquilo. John Paul Jr. era daqueles que se davam bem com todo mundo no automobilismo americano. Para ser completamente diferente do patriarca, só faltava ter sido uma pessoa totalmente livre de problemas com a justiça, o que não foi o caso. Em 1986, para evitar que seu pai fosse sentenciado, ele confessou que havia sido o responsável pela preparação de uma embarcação que transportaria maconha da Colômbia até a Louisiana. A manobra legal não funcionou e tanto pai como filho foram condenados à cadeia.

Paul Jr. ficou preso durante apenas dois anos. Por ter deixado uma boa impressão tanto como piloto quanto como pessoa, acabou conseguindo voltar sem grandes dificuldades para o automobilismo. Disputou corridas na Indy e chegou a vencer a etapa do Texas da Indy Racing League em 1998. Em 2001, abandonou a carreira quando descobriu que tinha Mal de Parkinson.  Hoje em dia, vive de boa e sem problemas com a lei.

2- RANDY LANIER

randylanier

No combate contra o tráfico de drogas que o FBI estava empreendendo em meados dos anos 80, uma das figuras mais caçadas era a do piloto Randy Lanier. Foi graças principalmente a ele que a IMSA ganhou naquela época o honroso apelido de “International Marijuana Smugglers Association”, ou “Associação Internacional de Contrabandistas de Maconha”. O semblante tranquilo e os bons resultados conseguidos no automobilismo norte-americano não puderam esconder a realidade por muito tempo: Randy Lanier era um poderoso traficante de drogas travestido de esportista.

As suspeitas sobre seu nome começaram a surgir em 1984. Naquele ano, Lanier venceu seis corridas e o título da IMSA GTP com a Blue Thunder Racing, uma equipe obscura e desprovida de patrocinadores. Muita gente achou o feito notável. Notável até demais. A Blue Thunder Racing não era nada perto de esquemas de ponta, como os das equipes Holbert Racing e Group 44. Se o Chevy-March pilotado por Lanier e pelos irmãos Bill e Don Whittington não exibia nenhum logotipo sequer, de onde estava vindo o dinheiro que financiava uma operação tão competente?

O FBI também queria uma resposta convincente para essa pergunta. Por dois anos, investigadores federais vasculharam as vidas de todos os envolvidos com a Blue Thunder. Acabaram descobrindo que Lanier utilizava as corridas da IMSA GTP e da Indy, onde correu entre 1985 e 1986, para maquiar a grana que ele e mais um grupelho de traficantes amealhava com o milionário tráfico internacional de maconha colombiana. Entre 1982 e 1986, Randy e amigos transportaram cerca de 68 milhões de dólares em erva da Colômbia para cinco estados americanos. Há quem afirme que toda essa gente estava subordinada às ordens de Meyer Lansky, um dos pais do crime organizado nos EUA.

Pouco antes de ser sentenciado, Randy Lanier fugiu para Porto Rico e depois para Antígua e Barbuda, onde foi preso em 26 de outubro de 1988. Levado para julgamento no estado americano do Illinois, Lanier foi condenado à prisão perpétua por envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Ele também recebeu condenações de quarenta anos de prisão por formação de quadrilha e de mais cinco anos por fraude fiscal, mas eles seriam cumpridos concomitantemente à pena principal.

Mesmo preso, Randy não se deixou abater. Continuou mantendo contato com seus fãs, participou de vários eventos esportivos dentro do complexo penitenciário de alta segurança de Coleman e até se casou com María Maggi em 1990. Os dois tinham várias coisas em comum, inclusive a propensão para o crime: Maggi foi presa em 1993 por lavagem de dinheiro. Hoje, Lanier tenta um pedido de clemência ao Presidente dos Estados Unidos. Enquanto isso, mantém sua vida ativa, dá entrevistas e mantém até mesmo um site, o Release Randy Lanier. Será que ele conseguirá a liberdade?

1- FAMÍLIA WHITTINGTON

Don Whittington

Don Whittington

Se um criminoso já é uma coisa complicada, o que dizer de uma família de criminosos? OK, o termo família pode não ser tão adequado aqui, pois estamos falando apenas de irmãos. De qualquer jeito, é muita ficha criminal para um sobrenome só.

Don, Bill e Dale Whittington eram três caras cuja genética os condicionou ao mundo da velocidade. Os dois primeiros ganharam notoriedade quando venceram de forma surpreendente as 24 Horas de Le Mans de 1979 dividindo um Porsche 935 com o alemão Klaus Ludwig. Foi um ano brilhante para ambos: além da vitória, Don e Bill conseguiram comprar o lendário circuito de Road Atlanta, um dos mais tradicionais dos Estados Unidos. Eles também participaram das edições de 1980, 1981, 1982, 1983 e 1985 das 500 Milhas de Indianápolis. Mais competitivo, Don Whittington conseguiu terminar a edição de 1982 na sexta posição.

Dale Whittington não era tão famoso e bem-sucedido como seus irmãos mais velhos. Sua única participação na Indy 500 não durou uma volta sequer: na largada da edição de 1982, ele se assustou com um acidente ocorrido ainda antes da bandeira verde e atingiu o carro de Roger Mears, abandonando a prova.

Além das corridas de carro, os irmãos Whittington também gostavam de participar de competições aéreas, como as Reno Air Races. Curiosamente, eles não portavam nenhum grande patrocinador em seus brinquedinhos. Na Indy 500 de 1982, por exemplo, os três competiram com carros pintados de amarelo cujo único adesivo relevante era o próprio sobrenome da família, “Whittington”. Muito estranho.

Vale lembrar que Don e Bill Whittington foram companheiros de Randy Lanier na IMSA Camel GTP em 1984 – Bill inclusive teria ensinado a Lanier alguns macetes importantes sobre pilotagem e acerto de carros. A partir do momento em que o FBI iniciou investigações sobre Lanier e a equipe Blue Thunder Racing, os irmãos Whittington se tornaram suspeitos de envolvimento com o narcotráfico internacional. Na mosca!

Bill Whittington era um dos chefões de um esquema sofisticadíssimo de contrabando internacional de maconha colombiana e de evasão fiscal que teria movimentado até 73 milhões de dólares. Graças a esse estilo de vida pouco moral, ele conseguiu juntar um patrimônio de 7 milhões de dólares que incluía aviões, barcos, carros de luxo e negócios na Flórida. Pelo seu papel no narcotráfico, ele foi condenado a quinze anos de prisão em 1986. Porém, Bill obteve a custódia em 1990 e vive hoje em liberdade, cuidando de um resort no Colorado.

Don Whittington não estava diretamente envolvido nas operações de narcotráfico. Sua única traquinagem foi a de ter lavado cerca de 20 milhões de dólares do dinheiro sujo nas competições esportivas em que ele e seus irmãos participavam. Por isso, ele foi condenado a “apenas” 18 meses de prisão. Livre, hoje ele mexe com aviões.

Dale Whittington foi o único que não foi pego fazendo bobagem. No entanto, ele faleceu em 2003 vítima de overdose de drogas. Que família, hein?

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