LEWIS HAMILTON10 – É um babaca que age como um rapper mimado e problemático, mas também é um dos melhores pilotos do grid. No domingo passado, ele venceu pela primeira vez um GP em Monza e assumiu a vice-liderança do campeonato. Se parar de se comportar como um idiota, terá tudo para ser a maior ameaça a Fernando Alonso na disputa pelo título. Na Itália, Lewis liderou dois treinos livres, assinalou a pole-position sem problemas e liderou a corrida quase que de ponta a ponta. Nas últimas voltas, até imaginou que poderia ser ameaçado por Sergio Pérez, mas não titubeou e seguiu na frente até o fim. Ganhou, mas nem celebrou tanto. Está tiririca da vida com a McLaren.

SERGIO PÉREZ10 – Atuação imperial, digna de um cara que quer pilotar para a Ferrari em 2013. Seu único momento infeliz em todo o fim de semana, o mau resultado no Q2 da qualificação, foi o ponto de partida para um domingo perfeito. Explica-se: como o mexicano não passou para o Q3, ele pôde escolher a estratégia de pneus que lhe conviesse. Então, o cara decidiu largar com pneus duros e fazer apenas um pit-stop. A sacada deu muito certo. Na volta 24, Pérez assumiu a liderança. Seu pit-stop aconteceu apenas na volta 29. Ao voltar para a pista, seus pneus médios lhe permitiriam andar mais rápido do que qualquer um. E foi graças a isso que ele ultrapassou quase todos que estavam à sua frente. Nas últimas voltas, o mexicano até tentou se aproximar do líder Lewis Hamilton, mas não deu para disputar a liderança. De qualquer jeito, o segundo lugar foi não menos que espetacular.

FERNANDO ALONSO9,5 – Pode não ter sido brilhante como Sergio Pérez ou dominador como Lewis Hamilton, mas tem até mais motivos para sorrir do que eles. O próprio asturiano sabia que tinha carro para vencer e provou a afirmação liderando o Q1 e o Q2 da qualificação. No Q3, deu seu único azar no fim de semana: teve problemas na suspensão e não passou do décimo lugar no grid. Na corrida, só felicidade. Largou bem pra caramba, sobreviveu a uma tremenda escapada de pista enquanto brigava com Sebastian Vettel, passou o alemão e ainda viu três de seus maiores rivais (Button, Vettel e Webber) abandonando a corrida. Ser ultrapassado por Sergio Pérez, no fim das contas, nem foi tão triste assim. O terceiro lugar teve um verdadeiro sabor de vitória.

FELIPE MASSA7,5 – Não foi exatamente genial durante todo o tempo e nunca teria terminado em quarto se não fossem os abandonos de Sebastian Vettel e Jenson Button. Mas também não dá para ignorar que o brasileiro demonstrou combatividade e ânimo, qualidades tão raras a ele até aqui. Apareceu muitíssimo bem em todos os treinos e surpreendeu a todos marcando o terceiro lugar no grid, sua melhor posição desde há muito tempo. Na largada, continuou surpreendendo ao ultrapassar Jenson Button e ameaçar roubar a liderança de Lewis Hamilton na primeira chicane. Com o decorrer do tempo, seus pneus médios se desgastaram e ele teve de parar na volta 19. No segundo stint, Massa chegou a sonhar com o pódio, mas teve de dar uma posição a Fernando Alonso e perdeu mais uma após ser ultrapassado por Sergio Pérez. Ainda assim, o quarto lugar não deixou de ser um resultado importante.

KIMI RÄIKKÖNEN6,5 – Infeliz com o carro, fez uma corrida de chegada. Seu Lotus não era muito bom nas retas e isso obviamente é um desastre quando se trata de Monza. Ainda assim, pegou um digno sétimo lugar no grid de largada. Antes do primeiro pit-stop, teve um duelo interessante com Michael Schumacher e o ultrapassou após a visita aos pits. No segundo trecho, só apareceu mesmo quando duelou contra Sergio Pérez e perdeu. Mesmo assim, aproveitando-se dos abandonos de alguns pilotos de ponta e tocando o carro na maior tranquilidade, terminou em quinto e assumiu a terceira posição no campeonato. Totalmente pelas beiradas, Kimi está tentando chegar.

MICHAEL SCHUMACHER7 – Foi o primeiro colocado entre aqueles que fizeram dois pit-stops. O mais engraçado é constatar que ele sempre destroça o companheiro Nico Rosberg quando o carro é apenas razoável. No primeiro treino livre, lembrando os bons tempos ferraristas, foi o líder. No treino oficial, andou muito bem e galgou um quarto lugar no grid. Não teve como segurar os velocíssimos Fernando Alonso e Sebastian Vettel nas primeiras voltas, mas esteve sempre ali, na humildade e dignidade. Apostou numa estranha estratégia de duas paradas devido ao sempre altíssimo consumo de pneus de seu carro. Ainda assim, terminou em sexto com um carro que não lhe permitiria muito mais.

NICO ROSBERG6 – O sétimo lugar foi um alívio para um cara que não consegue um resultado tão bom quanto desde Valência. Mandou muito bem nos treinamentos, nunca esteve de fora dos dez primeiros e ainda largou da sexta posição. Foi ultrapassado por vários na primeira volta, mas se recuperou bastante no longuíssimo segundo stint de 24 voltas. Após o segundo pit-stop, tinha um carro veloz o suficiente para ganhar mais posições nas últimas voltas. Contando também com alguns abandonos, o filho do Keke conseguiu somar seis pontinhos.

PAUL DI RESTA6,5 – Tinha chances de ter feito sua grande corrida no ano até aqui, mas foi bastante atrapalhado por um problema de câmbio que surgiu no último treino livre. Para trocá-lo, o escocês teve de se desfazer de cinco posições do grid, uma tragédia grega para alguém que viria a ser o quarto colocado no Q3 da classificação. Na corrida, não fez muito mais do que dar aquela trancada de porta em Bruno Senna na Variante dela Roggia, mandando o brasileiro lá para as cucuias. Com um desempenho conservador, eficiente e a ajuda de alguns abandonos, deu para terminar em oitavo e quebrar a sequência de resultados favoráveis ao companheiro Nico Hülkenberg.

KAMUI KOBAYASHI5 – Não foi tão brilhante quanto seu companheiro Sergio Pérez e também não costuma ser ajudado pela sorte. O japa voltou a superar seu companheiro cucaracho no treino oficial e ainda foi o único da Sauber a ir para o Q3, mas isso ironicamente se mostrou um revés para ele. Utilizando a mesma estratégia de um pit-stop da maioria dos rivais, Kamui não tinha como se destacar muito com um carro que naturalmente é pior do que os outros. No segundo stint, até ganhou muitas posições, mas não dá para fazer milagre quando você retorna à pista em 16º após o pit-stop. Nono lugar apenas correto.

BRUNO SENNA5,5 – Na última volta, pegou o ponto derradeiro. Graças à mediocridade da Williams em Monza, não esteve bem nos treinos e ficou apenas em 13º no grid de largada. Apareceu bem na ótima largada e nas boas disputas que teve com o pessoal do meio do pelotão, com direito a um duelo encarniçado com Paul di Resta, que o empurrou de maneira sacana para fora da pista. Faltando apenas poucos metros para o fim da corrida, ultrapassou Daniel Riccardo e marcou mais um pontinho. De grão em grão, deixará Pastor Maldonado para trás na tabela de pilotos.

PASTOR MALDONADO4 – Pela primeira vez desde que nasceu, teve um fim de semana tranquilo e comedido. Após tomar duas punições de perda de posições de grid em Spa-Francorchamps, nem adiantava caprichar no treino oficial. Com um carro ruim, o venezuelano não passou para o Q3 e só arranjou um lugar na penúltima fila. No domingo, apostou em dois pit-stops e usou pneus médios nos dois últimos stints. Nas últimas voltas, tinha um carro rápido e ganhou algumas posições. Terminou batendo na trave. Não marca pontos desde Barcelona.

DANIEL RICCIARDO4,5 – Coitado. O piloto mais italiano de um grid sem italianos se esforçou, flertou com um pontinho e terminou o domingo na seca. O carro da Toro Rosso aparenta ser razoável para pistas mais velozes e Ricciardo parecia estar em melhores condições do que em outras ocasiões nesse ano. Largou e andou no meio do pelotão durante todo o tempo, mas a estratégia de um pit-stop o colocou na décima posição nas últimas voltas. Mas a miséria se manifestou na última curva, quando o carro desligou e o australiano se viu obrigado a se arrastar até a linha de chegada, sem lenço nem documento.

JÉRÔME D’AMBROSIO4 – Difícil avaliar um cara que só tinha tido contato com o carro da Lotus em uma sessão molhada em Mugello. Chamado às pressas para substituir Romain Grosjean, o belga não quis saber de inventar demais. Fez seu trabalho honesto e discreto de sempre, não se destacou nos treinos livres e teve dificuldades na qualificação. Durante a corrida, pouco apareceu. Deu uma bela escapada na Seconda di Lesmo e ainda tomou algumas ultrapassagens, mas ao menos sobreviveu e terminou. Não prometeu nada e não decepcionou.

HEIKKI KOVALAINEN4 – Teve um fim de semana bem mais satisfatório do que em Spa-Francorchamps, ainda que isso não tenha sido traduzido em pontos. Nos treinos livres, ficou sempre em 18º ou 19º. Largou em 17º por causa das punições de Pastor Maldonado e do infortúnio de Nico Hülkenberg. Na corrida, teve alguns duelos com gente como o próprio Maldonado e Jérôme D’Ambrosio, mas acabou terminando na mesma posição de sempre, à frente apenas de seus colegas de fim de pelotão.

VITALY PETROV3,5 – No fim de semana de seu aniversário, ficou contente com seu Caterham, embora não tenha conseguido nada de novo como presente. Nos três treinos livres, ficou em 20º. Na corrida, teve alguns duelos com o companheiro Heikki Kovalainen e acabou terminando atrás, como sempre. Ainda assim, a posição final não foi tão ruim assim. Pena que isso signifique que o russo tenha ficado a cinco posições do último ponto.

CHARLES PIC4,5 – Definitivamente, é o melhor companheiro que Timo Glock teve nos últimos três anos. O francês voltou a superar seu experiente companheiro em dois treinos livres e na corrida. Na qualificação, ficou atrás por apenas três centésimos. Você pode ressaltar que Pic só ficou à frente porque Glock teve de fazer um pit-stop prematuro, mas não dá para negar seu bom trabalho nas últimas corridas. Merece seguir na Fórmula 1 em 2013.

TIMO GLOCK3 – Voltou a ser derrotado pelo companheiro inexperiente, talvez um mau sinal de desânimo. Ficou atrás Charles Pic em dois treinos livres e também levou sufoco na qualificação, embora tenha ficado à frente. Nas primeiras voltas, levou um esbarrão de Vitaly Petrov e teve de ir aos pits mais cedo para colocar um bico novo. Retornou à pista muito atrás e só conseguiu superar os dois adversários da HRT. Vida infeliz.

PEDRO DE LA ROSA3 – Fez em Monza seu GP de número 100 na Fórmula 1, algo curioso em se tratando de um piloto de 41 anos de idade que estreou em 1999. No mais, não há muito que comentar. Ficou sempre nas duas últimas posições nos treinos, teve problemas com os pneus médios durante a corrida e só conseguiu terminar em 18º graças à sequência de abandonos das últimas voltas. Corrida discreta, assim como sua carreira.

NARAIN KARTHIKEYAN3,5 – Não teve um fim de semana tão ruim. No treino oficial, até conseguiu derrotar o companheiro Pedro de la Rosa por dois décimos. Na largada, chegou a ultrapassar os dois pilotos da Marussia, mas acabou batendo em um deles e danificou o bico. Esteve à frente de De La Rosa até seu único pit-stop. Depois, se resignou com a última posição.

MARK WEBBER1,5 – Fim de semana horrível, indigno para alguém que estava lutando pelo título até algumas corridas atrás. Por incrível que pareça, seu melhor momento foi o nono lugar no primeiro treino livre. Depois disso, só sofrimento. Ficou de fora do Q3 da classificação novamente e teve de largar em 11º. Perdeu várias posições na largada e só conseguiu adentrar o Top 10 por causa de sua estratégia de um único pit-stop. Mas nem isso deu certo: no fim da corrida, seu Red Bull ficou sem pneus e o australiano sofreu uma rodada assustadora na saída da Variante Ascari. Amedrontado, ele achou melhor trazer seu carro lentamente de volta para os pits.

NICO HÜLKENBERG1 – Outro para quem nada deu certo na Itália. Já nos treinos livres, ficava claro que Paul di Resta seria o melhor piloto da Force India em Monza. Para complicar ainda mais a vida do piloto alemão, um problema de motor no Q1 da classificação o obrigou a largar da última posição. Na corrida, apostou em apenas um pit-stop, mas não conseguiu escalar muito. Nas últimas voltas, o freio começou a ficar muito ruim e Nico preferiu recolher seu carro para os boxes.

SEBASTIAN VETTEL2 – Fim de semana difícil, no qual nem o carro e nem a organização colaboraram. Sem ter um bólido legal, não ficou entre os dez primeiros em nenhum dos treinos livres. No último dele, aliás, teve o primeiro de seus dois problemas de alternador no fim de semana. Na qualificação, fez um pequeno milagre e arrancou um quinto lugar no grid. A corrida teve apenas um único momento bom: a ultrapassagem sobre o velho Michael Schumacher logo nas primeiras voltas. O duelo com Fernando Alonso resultou em uma fechada de porta que só a FIA viu. Resultado: uma injusta punição para o alemão, que acabou perdendo várias posições. No fim da corrida, novo problema de alternador e Vettel foi obrigado a parar o carro para não estourar o motor de vez.

JENSON BUTTON9 – Vida injusta. Quando parecia que Jenson Button estava voltando a enfileirar uma série de bons resultados, o maldito do McLaren MP4-27 quebra e o deixa na mão. O inglês tinha tudo para completar uma bela dobradinha de sua equipe. Esteve rápido em todas as sessões e não teve problemas para largar na primeira fila ao lado do companheiro Lewis Hamilton. Chegou a perder a segunda posição para Felipe Massa na primeira curva, mas conseguiu recuperá-la antes mesmo de seu único pit-stop. Vinha andando tranquilamente nesta posição até seu bólido apresentar problemas de alimentação. O motor apagou e o belo fim de semana de Button acabou ali.

JEAN-ÉRIC VERGNE2 – Vinha tendo mais um fim de semana aborrecido até sofrer talvez o maior susto do fim de semana. Na oitava volta, seu carro rodou sozinho na freada para a primeira chicane, passou por cima de uma zebra, decolou e aterrissou violentamente na área de escape. O francês deixou o carro com dores nas costas e na cabeça, mas nada de mais grave lhe aconteceu. Um fim desagradável para alguém que não fez nada de mais nos treinos e só escapou do Q3 graças aos problemas de Nico Hülkenberg.

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