Pulei o primeiro título simplesmente porque não tinha uma foto decente. E não achei uma foto que prestasse de 1989. Geralmente, só de corridas mornas como Hermanos Rodriguez ou Hockenheim. Vou direto para Suzuka 89, palco da história decisão do título de 89.

1989 foi um ano excepcional. 20 equipes, 39 carros, muitas corridas excepcionais, altíssimo nível de pilotos e um duelo visceral pelo título. Ayrton Senna e Alain Prost estavam em estado de guerra e com nervos à flor da pele que chegavam à Suzuka, 15ª etapa do campeonato. O campeonato estava exatamente assim: Prost tinha 76 pontos e Senna tinha 60. Ayrton precisava ganhar as duas corridas se quisesse ser campeão. Os descartes não favoreciam Prost, que tinha menos vitórias que Senna, mas precisávamos ser realistas: estava muito difícil tirar o título do francês.

Senna fez a pole-position, para variar. Colocou quase dois segundos em cima de Prost, que largaria ao seu lado. Porém, o brasileiro largaria do lado direito, o mais sujo da pista. No dia seguinte, Alain Prost começou a corrida queimando a largada e assumindo a liderança sem que punição alguma fosse discutida. Ayrton Senna manteve-se em segundo. E, a partir daí, a corrida se resumiu, durante um bom tempo, a Prost na frente e Senna a no máximo cinco segundos atrás. O carro de Prost tinha ligeira vantagem nas saídas de curva, mas nada que representasse perigo para Senna.

Nas paradas de boxes, a McLaren trabalhou melhor no carro do francês e Prost voltou com ainda mais vantagem. Porém, o carro de Senna voltou melhor e o brasileiro começou a empreender o ataque, marcando voltas mais rápidas e se aproximando. Na volta 46, aconteceu.

Na chicane que antecede a reta dos boxes, Senna colocou por dentro. Prost percebeu a tentativa e tangenciou a curva mais cedo que o normal. Os dois carros se engancharam. Fim de corrida para Prost. Mas não para Senna, que perde o bico, vai aos boxes cuidadosamente, coloca um bico novo e volta ainda em segundo graças à vantagem impressionante imposta ao resto do pelotão. Apenas Alessandro Nannini, da Benetton, está à sua frente.

Ayrton guia como um desvairado e demora apenas duas voltas para passar Nannini na mesma chicane do acidente. Ganha a corrida de maneira heróica. Mas antes de subir ao pódio, descobre que foi desclassificado. Nannini era o vencedor, seguido de Riccardo Patrese e Thierry Boutsen.

Termina a corrida e começa uma guerra entre Senna e a FISA de Jean-Marie Balestre. Prost é tricampeão mundial. A briga pelo título terminou, na pista, daquele jeito: Prost saindo do carro e Senna tentando dar partida no carro com uma mão e mostrando o dedo do meio com a outra.

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