A realidade é mais ridícula do que isso

A USF1 acabou. O que seria minha equipe favorita em 2010 não durou sequer uma pré-temporada. Hoje, o canal Speed (para quem se lembra, um dos principais apoiadores do projeto americano) noticiou que Ken Anderson e Peter Windsor enviaram um pedido à FIA para não participar da temporada 2010, que começa daqui a duas semanas no Bahrein. Porém, isso não significaria para eles o final da equipe: Anderson e Windsor querem uma vaga para 2011 e enviariam, para isso, um cheque-caução que garantiria sua participação.

Honestamente? Não acredito. Não há como acreditar em mais nada que venha dessa natimorta equipe. Peter Windsor garantiu, até semanas atrás, que sua equipe estaria no Bahrein e que todos trabalhavam arduamente. Porém, a cada dia, as coisas ficavam mais negras para os ianques. O ambicioso Type 1, que a equipe garantia ser um projeto revolucionário, não passou de um bico construído e exibido pelo YouTube. Dos 60 funcionários, pelo menos 10 abandonaram a equipe nesses últimos dias.

Agora pouco, descobri no blog do Adam Cooper um fato novo e completamente tétrico vindo da equipe: muito antes de José-Maria Lopez, a USF1 já tinha um contrato secreto assinado desde Dezembro com o inglês James Rossiter, aquele que testou um belíssimo carro preto na Indy em Barber há alguns dias. Assim como o argentino, Rossiter levaria 8 milhões de dólares para a equipe.

Até o começo de Fevereiro, Windsor garantia a James que o carro estava progredindo bem e que a equipe estaria pronta para o Bahrein. Com a realidade vindo à tona nas últimas semanas, Rossiter pegou suas libras esterlinas e sumiu de Charlotte. O teste na Indy foi um acordo feito meio que às pressas nos últimos dias. Resumindo a história: aquele mistério sobre a segunda vaga da USF1 era, como tudo na equipe, uma enorme farsa. Muito antes de Lopez, James Rossiter já era da família gringa.

A história toda é ridícula. A USF1 surgiu há exatamente um ano como um ambiciosíssimo projeto que tentaria trazer a atenção americana para a Fórmula 1. Ainda em Março de 2009, a equipe anunciou uma entrevista coletiva com Windsor e Anderson que revelaria “todos os planos da equipe para 2010”. É óbvio que todos esperavam até mesmo anúncios de pilotos, motores e patrocinadores. Falaram, falaram, falaram e não disseram absolutamente nada, nem mesmo a marca da cafeteira que seria utilizada no motorhome.

Com o passar do tempo, mesmo após a confirmação de sua inscrição em meados de 2009, a equipe não avançou quase nada. A USF1 simplesmente deixou o lado técnico de lado para captar patrocinadores e a atenção de todos. Tiveram um rápido flerte com o Best Buy e com a Monster Drink, mas não chegaram a lugar nenhum. Chegaram ao final do ano só com o apoio de Chad Hurley, do YouTube. O carro começou a ser desenvolvido às pressas. Para amenizar as suspeitas da mídia e dos torcedores, a equipe começou a divulgar vídeos da pretensa construção de suas partes. “Olha aqui nosso bico sendo feito!”. Por incrível que pareça, o bico foi o ponto mais avançado no qual a equipe chegou.

E a equipe, representante do orgulho americano, chegou ao seu ponto mais baixo e humilhante agora, ao pedir arrego. Deus não abençoou a América.

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