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GP DA AUSTRÁLIA: Mas olha só quem voltou! Lembra-se dela? A Fórmula 1, ela mesma! Nesse próximo fim de semana, todos nós sacrificaremos sono, balada ou sexo apenas pelo duvidoso prazer de acompanhar 22 homens correndo sem chegar a lugar algum. Cada um de nós tem seu motivo para se dar ao trabalho disso. Eu vejo corridas da mesma forma que assisto a uma briga entre barangas num terminal de ônibus: quero sangue, drama, acidentes, chuva, ultrapassagens estranhas e as coisas mais improváveis possível acontecendo. Se quisesse ver algo banal e corriqueiro, ficaria assistindo a uma fila do Banco do Brasil na hora do almoço. Há os que apenas acompanham seu ídolo, o tipo que desliga a TV na hora em que o Sebastian Vettel abandona ou o revolucionário Pastor Maldonado bate. Há os nerds que gostam de automobilismo por causa daqueles míseros detalhes técnicos que só eles entendem, como o tal do efeito Coandă. Esses daí chegam na mesa de bar e começam a debater sobre a diferença entre suspensão pullrod e pushrod ou o funcionamento do efeito solo, para desespero das pessoas normais que corretamente não ligam para isso. Há também o Pacheco, o eterno nacionalista que sempre torcerá para o compatriota, não importando se ele é o Senna ou o Fernandinho Beira Mar. Para esse, se não houver brasileiro no grid, é melhor ficar na cama até o meio-dia. E há o torcedor domingueiro, que só vê Fórmula 1 porque realmente não há nada melhor na televisão. Esse daí está apenas um nível acima daquele que diz que “o automobilismo morreu no primeiro de maio”. Não entende nada, não tem paciência para acompanhar tudo, mas ao menos é um simpatizante, o S do GLS. Todos esses, ou ao menos uma parte desses, ficarão babando na frente da televisão, ou da arquibancada, esperando pelo belo e doentio ronco dos motores. E obviamente não poderia haver pista melhor. Albert Park é basicamente um Ibirapuera com um gramado melhor cuidado. Inventaram de fazer corrida por lá e, desde então, o GP da Austrália virou um bom evento do mês do março. Ultrapassagens, acidentes e loucuras são sempre comuns por lá. A Austrália, em si, não é um país muito convencional. Não dá para levar a sério um lugar onde existem coalas. Vamos de Coandă, então.

GONZALEZ: Começo a quinta-feira com uma notícia muito triste: a Marussia anunciou a contratação do venezuelano Rodolfo Gonzalez, 26 anos, para a vaga de piloto-reserva. Gonzalez terá o direito de pilotar o MR02 em algumas sessões de sexta-feira nesse ano e também poderá assumir o lugar de Max Chilton ou Jules Bianchi quando necessário. Portanto, oremos. Oremos para que Chilton e Bianchi permaneçam intactos até o final da temporada. Se o boyzinho inglês é meia-boca e o francês andou decepcionando nos últimos anos, Rodolfo Gonzalez é realmente um tapa na cara do mortal que faz o pai vender casa e carro para financiar sua profícua carreira no automobilismo. Sua carreira nos monopostos completará dez anos em 2013 e o cara só venceu uma única vez na vida, uma corrida da Euro 3000 em Zolder na temporada de 2009. Naquele mesmo ano, ele fez sua estreia na GP2, onde disputou 63 corridas até o ano passado e marcou um total de apenas dez pontos. Em resumo, o piloto venezuelano é ruim de chorar, mas seu passe é disputado à tapa por várias equipes porque seu patrocinador é a mesma PDVSA de Pastor Maldonado. Ou seja, sua falta absoluta de qualquer capacidade para pilotar um carro é amplamente compensada pelos milhões de dólares que a petrolífera bolivariana depositará na conta corrente. Eu, sinceramente, não sei como Gonzalez conseguiu esse acordo de última hora mesmo após a morte de seu grande mecenas, o iconoclasta Hugo Chavez. Mas já que conseguiu, que aproveite bem. Só não destrua muitos carros. E procure ficar longe da GP2.

BOLA DE CRISTAL: O que será que vai acontecer na Austrália? Pai Verde está aqui, comendo batatas fritas Pringles, coçando a cabeça, apertando alguns plásticos-bolha e mentalizando sobre o futuro. Podem cobrar de mim, pois é isso mesmo que acontecerá. Nos treinos, que certamente serão realizados com solzão alternando com precipitações de granizo do tamanho de um ovo de ornitorrinco, os pilotos se digladiarão na pista apenas para ver Sebastian Vettel liderando todas as sessões, inclusive o treino oficial. Felipe Massa largará em sexto. Lewis Hamilton, palhaço do fim de semana, rodará umas vinte vezes, brigará com uns três retardatários e ainda conseguirá um mágico quarto lugar no grid. Na animada disputa dos losers, Jules Bianchi baterá no carro de Giedo van der Garde duas vezes nos treinos. O genro holandês descerá do carro e irá chorar nos braços do sogrão, que lhe comprará um Rolls Royce para acalmá-lo. A corrida terá três largadas. A primeira será abortada porque Kimi Räikkönen adormeceu durante o acendimento das luzes vermelhas e ficou parado no grid. A segunda será paralisada após Romain Grosjean tirar sete colegas da pista na primeira curva. Na terceira, Mark Webber assume a ponta e animará o público local liderando as primeiras voltas, mas Sebastian Vettel o ultrapassará no 28ª giro. Depois, o alemão ainda confessará que ultrapassou Webber mesmo com o câmbio quebrado, o radiador furado e o zíper do macacão enroscado num pentelho do saco. Para surpresa de todos, Vettel abandonará após ser fechado por Charles Pic. Fernando Alonso assume a liderança, mas perde a ponta após Jenson Button ultrapassá-lo. Button vence e faz todo mundo acreditar que a McLaren blefou a pré-temporada inteira. E o coitado do Webber ainda é atingido pelo nosso querido Lewis Hamilton na última volta. Ao lado de Button no pódio, Alonso e Sergio Pérez. Felipe Massa terminará em sexto. Este é Pai Verde, de Ulan Bator. Câmbio final.

HAMILTON: Então, agora, o cara quer grandeza… Em entrevista ao diário britânico Daily Telegraph, Lewis Hamilton da Silva afirmou que quer ter a mesma grandeza de seu grande ídolo, Ayrton Senna. “Quando falo de grandeza, só penso nas histórias sobre Ayrton Senna, a maneira que ele entrava numa sala, a aura que ele tinha, como ele levava a vida, como ele pilotava e inspirava as pessoas, uma nação inteira – isso é grandeza”, afirmou Hamilton, completando que “quer ter essa mesma grandeza”. O que eu tenho para dizer sobre isso? Primeiro, que ele tem o direito de falar o que quiser. Segundo, que eu tenho o direito de dar meus pitacos sobre isso, que em nada afetarão a vida de Lewis. É bacana que o cara tome Senna como uma referência, uma meta a ser alcançada, mas não sei… Ayrton era um cara completamente obcecado com a vitória, com o trabalho, o andamento de sua carreira. Jamais deixaria se afetar por uma namorada assim ou um papai assado. Lewis, que é um excepcional piloto, precisa se concentrar um pouco mais em seu trabalho e menos em bobeiras como o fato dos espectadores gostarem dele ou não, assunto mencionado na mesma entrevista ao Daily Telegraph. Pelo menos, a princípio, sua atual equipe acertou a mão. Lewis fez uma aposta de risco ao largar o empreguinho estável da McLaren para mergulhar no caldeirão de estrelas cadentes que a Mercedes vinha sendo até há pouco tempo. Pelo visto, é bem possível que ele colha alguns frutos já. Mas como Pai Verde disse lá em cima, não será em Melbourne: ele vai errar um monte nos treinos e vai bater no Webber na última volta da corrida.

SAUBER: Essa daqui está circulando no paddock em Melbourne e ainda não li em nenhum veículo de imprensa brasileiro. No Twitter, o jornalista Dimitris Papadopoulos afirmou que dois investidores deixaram a Sauber nos últimos dias e a equipe estaria à venda. Sem entrar em maiores detalhes, Papadopoulos afirma apenas que o magnata mexicano Carlos Slim não está entre eles e o casamento entre Sauber e Telmex segue firme e forte. O fato é que a equipe atualmente gerenciada por Monisha Kaltenborn perdeu parceiros e está ameaçada. Triste situação, pois nós acreditávamos que a escuderia, ainda que sem ser de ponta, era uma das mais sólidas do grid. Tudo bem, reconheço que o belo carro estava meio pobre de decalques, mas o senso comum dizia que a grana mexicana, que justificou as presenças de Sergio Pérez e Esteban Gutierrez na equipe nos últimos tempos, fazia tudo funcionar sem tropeços. Nos próximos dias, é bem possível que mais informações venham à tona. E a Fórmula 1 segue, sem mover uma sobrancelha, observando suas equipes do meio e do final do pelotão agonizando. Até mesmo a Lotus, que é competente e tem patrocinadores, ainda corre riscos e não tem seu futuro garantido. A Force India, apesar de tudo, ainda está garantida para mais um ano, mas 2014 ainda é uma incógnita. E a Marussia teve de correr atrás de Rodolfo Gonzalez para fechar seu orçamento aos 45 do segundo tempo. É a marolinha que não acaba nunca no automobilismo.

ADVANCE AUSTRALIA FAIR? Exatamente. Este é o nome do hino nacional australiano. Como minha criatividade acabou para o nome desta coluna, as demais deste ano terão como título o nome das musiquinhas oficiais de cada país. Para conhecer o hino, haz click acá!

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