Sem grandes assuntos para hoje, continuo apresentando os carros da temporada 2011. Como dito no meu artigo sobre a Ferrari, a ordem dos carros é referente à data de lançamento deles. O primeiro apresentado aqui foi o Ferrari F150, que mudou de nome e virou F150th Italia, nome que só expõe a já latente breguice ferrarista. Falo, agora, da Lotus, a segunda equipe a se apresentar nesse ano.

TEAM LOTUS

Se você porventura entrou em coma após o GP da Austrália de 1994 e acordou hoje, tenderá a pensar que a Lotus conseguiu sobreviver às suas inúmeras crises, enterrou adversárias e está aí, firme e forte. Pois é, pequeno gafanhoto: você está redondamente enganado. O nome é igual, o logotipo é igual e os resultados estão muito parecidos com aqueles obtidos no início dos anos 90. Mas as semelhanças acabam aí. A Team Lotus atual é a Lotus Racing do ano passado, equipe criada por uma turma de malaios ambiciosos no final de 2009. E aos que acordaram do coma: o tal GP australiano foi a última corrida da antiga Lotus criada por Colin Chapman.

A Lotus original é talvez a segunda equipe mais admirada de todos os tempos, perdendo apenas para a Ferrari. Liderada pelo engenheiro Colin Chapman, ela dominou inúmeros campeonatos de várias categorias e notabilizou-se pela sua inventividade e pelo espírito de vanguarda, trazendo inúmeras novidades à Fórmula 1. Foi a Lotus que implantou, entre outras novidades, os aerofólios, os patrocinadores comerciais que não tem envolvimento direto com a indústria automobilística, o carro-asa e a suspensão ativa.

Mas Chapman morreu (ou não) em 1982 e a equipe entrou em um processo inevitável de decadência. Com Ayrton Senna, teve seus últimos momentos felizes. Os anos 90 foram cruéis para uma equipe que, definitivamente, havia perdido a capacidade de se reinventar. A falência veio em janeiro de 1995, de maneira triste.  Findava-se a história do Team Lotus… até 2009.

Um grupo de empresários malaios, liderado pelo magnata aéreo Tony Fernandes, decidiu recriar a lendária equipe, com direito a pintura british racing green, aprovação de Clive Chapman e tudo o mais. Com o nome Lotus Racing, os asiáticos construíram um belo porém conservador bólido verde e amarelo e entregaram duas unidades aos experientes Jarno Trulli e Heikki Kovalainen. O ano de estreia foi difícil e nenhum ponto foi obtido, mas a impressão deixada foi muito melhor do que a das outras duas equipes novatas. Em 2011, já com o nome Team Lotus, a equipe pretende sair do pelotão da pindaíba e dar um salto para o meio do grid.

LOTUS T128

Assim como a Ferrari, a Lotus também foi obrigada a mudar o nome de seu carro. Inicialmente, ele seria TL11, referência clara ao nome da equipe (Team Lotus) e ao ano de 2011. Sabe-se lá por que razão, a apresentação oficial, feita por meio de uma revista eletrônica, foi feita com o nome T128. Paciência… Mas para felicidade dos novos fãs da equipe, o carro tem linhas bem mais interessantes do que o T127.

As diferenças entre os dois carros são marcantes. O motor será o Renault, em substituição ao Cosworth do ano passado. Enquanto o T127 tinha um bico reto e alto, o T128 tem um bico curvado para baixo de maneira acentuada. Mais atrás, a entrada de ar sobre a cabeça do piloto foi dividida em duas, com cada parte sendo colocada em um lado da quilha, solução criada pela Mercedes no ano passado. A suspensão traseira, agora, é pushrod. O KERS, no entanto, segue ausente. Detalhes que deverão garantir resultados bem mais expressivos do que no ano passado. Até agora, os resultados nos testes não foram geniais. Mas ainda é cedo pra qualquer prognóstico.

20- JARNO TRULLI

Maior pensador do niilismo, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche acreditava que, a partir do momento em que a moral cristã era desmascarada e todos os seus alicerces eram reduzidos à ruína, o ser humano perdia seu norte e sua vida deixava de ter qualquer sentido ou propósito. Sendo bem reducionista, o niilismo é a expressão mais complexa e radical do pessimismo. Nietzsche, que disse que Deus estava morto, morreu. Mas reencarnou em um piloto de Fórmula 1, o italiano Jarno Trulli.

Aos 37 anos, Trulli é aquele sujeito que nem deve saber por que ainda está na Fórmula 1. Após quatorze temporadas e apenas uma mísera vitória, obtida de maneira brilhante no principado de Mônaco, ele é apenas uma sombra daquele jovem atrevido que arrepiou o paddock com seus brilhantismos na Minardi e na Prost. Quem não se esquece daquelas 37 voltas lideradas de maneira magistral no GP da Áustria de 1997? Tão espalhafatoso como seu desempenho na pista era seu visual, repleto de chuquinhas, rabos de cavalo e capuzes.

Pois bem, esse Trulli está morto. Após chamar a atenção de todos nos seus três primeiros anos de carreira, Jarno embarcou na Jordan, na Renault e na Toyota. Em todas essas equipes, o italiano mostrou enorme garra nos treinos oficiais, mas um desempenho bastante apático nas corridas. Para piorar, como um Jean Alesi do novo milênio, a sorte raramente estava ao seu lado. Trulli já perdeu vários pódios e bons resultados devido a quebras. Na Lotus, sofreu bem mais problemas do que seu companheiro Kovalainen. O que Jarno ainda espera da Fórmula 1? Pelo tom sempre negativo de suas declarações, não muita coisa. Afinal, não dá pra esperar muita felicidade de um italiano que não gosta de futebol…

21- HEIKKI KOVALAINEN

Se Trulli é aquele cara com motivação de funcionário público em vias de se aposentar, o finlandês Heikki Kovalainen é só sorrisos. Mas como um cara que já andou de Renault e de McLaren pode ser feliz na Lotus? Oras, nem sempre estar na melhor empresa significa ser mais feliz. Nas duas equipes grandes, e em especial na McLaren, Kovalainen era tratado como um zero à esquerda e ninguém dava muito crédito a ele. Na Lotus, por outro lado, ele é o rei.

Kova é um dos sujeitos mais subestimados do grid. Seu talento pode ser comprovado em uma rápida olhada em seu currículo: destaque da Fórmula Renault e da Fórmula 3 britânica, campeão da World Series by Nissan em 2004 e vice-campeão da GP2 em 2005. Na Renault, foi piloto de testes em 2006 e segundo piloto de Giancarlo Fisichella em 2007. Seu ano de estreia, aliás, foi dividido em duas partes: uma terrível, que durou até os treinos oficiais do GP do Canadá, e outra ótima, que iniciou a partir do GP do Canadá e foi até o fim do ano. Nas tabelas, Heikki conseguiu terminar à frente de Fisichella. Nada mal para um piloto considerado tão ruim.

Sem grandes escolhas tanto por parte do piloto como por equipe, a McLaren acabou trazendo Heikki Kovalainen para debaixo de suas asas em 2008. O relacionamento entre os dois lados não foi grandes coisas e era visível que a única utilidade do finlandês na equipe era a de ajudar Lewis Hamilton na briga pelo título. Em 2008 e 2009, mesmo dirigindo um carro minimamente razoável, ele só conseguiu uma vitória e uma pole-position, ambas obtidas no primeiro ano. No segundo, ele marcou o mesmo número de pontos que Felipe Massa, ausente em várias etapas, e foi considerado um dos piores pilotos do ano. Sua carreira na Fórmula 1, após apenas três anos, parecia encerrada.

Mas eis que aparece a mão santa de Tony Fernandes, que decide dar uma chance ao finlandês mais extrovertido que já correu na Fórmula 1. Kovalainen agradeceu o voto de confiança e fez uma ótima temporada para os padrões da equipe, quase sempre liderando a turma das equipes novatas e obtendo um bom 12º lugar em Suzuka. De um dos piores pilotos de 2009, ele se transformou em um dos destaques positivos em 2010. Em 2011, a expectativa é de marcar os primeiros pontos da equipe. Pode ser que Heikki Kovalainen nunca mais volte às primeiras posições, mas só o fato de correr em um lugar onde todos os respeitam já está muito bom.

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