Fogo. Ou imortal. Você quem sabe

Depois de apresentar a etimologia dos pomposos nomes dos circuitos atuais da Fórmula 1 e da Indy, este indivíduo vos apresenta a história de mais uma série de nomes. Nesse caso, eu vou pegar os últimos circuitos a constarem no calendário da Fórmula 1 até 1985. Só abro uma exceção para Indianápolis, cujo nome já foi destrinchado no post anterior.

NÜRBURGRING – Como a esmagadora maioria dos circuitos germânicos, o nome é uma junção das palavras Nürburg e ring e significa “circuito de Nürburg”. Nürburg é uma vila de apenas 165 habitantes localizada no estado da Renânia-Palatinado, extremo oeste da Alemanha. Este nome teria surgido lá pelos idos do século XII, quando o Conde de Nürburg ergueu um castelo que acabou tomando sua alcunha. A vila teria surgido ao redor deste castelo.

CIRCUIT DE NEVERS MAGNY-COURS – Vamos por partes. O circuito foi construído no meio do caminho entre as vilas de Magny-Cours e Nevers. Magny-Cours tem quase o dobro de tamanho, mas apenas 3% da população de Nevers e ambas estão localizadas no meião da França. O nome Nevers surgiu a partir de uma sucessão de corruptelas. O imperador romano Julio César teria estabelecido, naquela distante região franca, uma cidade que funcionaria como entreposto de mercadorias localizado às margens do Loire. Seu primeiro nome foi Noviodunum. Posteriormente, ele se transformou em Nevirnum e terminou afrancesado como Nevers. Infelizmente, não achei nada a respeito da história de Magny-Cours. Imagino que esteja relacionado ao fato de estar no meio do caminho de várias cidades importantes do interior francês.

FUJI SPEEDWAY – Explicação simples e direta, o circuito está localizado ao pé do famosíssimo Monte Fuji. A palavra fuji, no japonês contemporâneo, significa basicamente “abastado”. No entanto, não há uma única explicação para o nome do monte. Dependendo da corrente, fuji pode significar “imortal” ou “inigualável” ou “arco-íris” ou “fogo”.

AUTODROMO ENZO E DINO FERRARI – O nome do circuito que sediava o GP de San Marino é uma óbvia homenagem a Enzo Ferrari, morto em 1988, e seu filho Dino, morto nos anos 50. O circuito também é usualmente conhecido como Imola por ser o nome da cidade aonde ele está localizado. O nome Imola foi criado pelos lombardos no século XII para designar um forte construído por eles e que acabou sendo o embrião da tal cidade.

A1-RING – É o tipo de nome que eu não gosto muito. A1 é o nome da empresa de telefonia celular que patrocinou o circuito durante anos.

AUTÓDROMO JUAN Y OSCAR GALVEZ – É o autódromo do antigo GP da Argentina. Juan e Oscar Galvez eram pilotos famosos no país nos anos 40 e 50. Oscar, por sinal, chegou a correr no GP de seu país da Fórmula 1 em 1953 com um Maserati. O autódromo foi construído em 1952 pelo presidente Juan Perón e tinha o nome de Autódromo 17 de Octubre, dia em que se comemora o aniversário do peronismo. No dia 17 de outubro de 1945, uma greve geral à frente da Plaza de Mayo exigiu a libertação de Perón, na época o vice-presidente de um governo com grande aprovação popular que havia sido deposto pela oposição. Perón estava preso havia alguns dias na ilha Martín Garcia e a revolta popular acabou dando certo. O circuito também é chamado de Buenos Aires, alusão à cidade onde ele está localizado.

CIRCUITO PERMANENTE DE JEREZ – O circuito recebe o nome da cidade de Jerez de la Frontera, localizada a pouco menos de sete quilômetros de distância de lá. Jerez é uma palavra de origem árabe e remete à cidade saudita de Sherish. Vale lembrar que, por muitos anos, os árabes dominaram a Península Ibérica. A palavra frontera remete ao fato da cidade estar localizado em uma região fronteiriça entre os territórios dos cristãos e dos mouros.

AUTÓDROMO DO ESTORIL – Estoril é o nome da pequena cidade onde está localizado o circuito. O nome derivaria de “estéril” ou “inabitado”, uma indicação a respeito do meio do nada onde cismaram de erguer uma vila.

TI CIRCUIT AIDA – Após uma operação de mudança de donos em 2004, o circuito passou a ser conhecido como Okayama International Circuit, nome referente à região de Okayama. Com relação ao nome antigo, TI é a abreviação de “Tanaka International”, o nome da empresa que era a antiga dona do autódromo. E Aida é o nome de uma cidadezinha localizada na tal região de Okayama.

ADELAIDE STREET CIRCUIT – Adelaide é o nome da cidade cujas ruas sediaram o GP da Austrália até 1995. A cidade, planejada e construída como uma colônia britânica em 1836, recebeu este nome em homenagem à Rainha Adelaide, esposa do Rei William IV da Inglaterra. Um dos criadores da colônia, Edward Wakefield, queria dar o nome de Wellington a ela, mas foi barrado por Williams IV e seu intento de homenagear sua patroa.

KYALAMI – Kyalami é uma palavra de origem zulu e significa “minha casa”.

DONINGTON PARK – O circuito surgiu em 1931 como parte de Donington Hall, uma enorme propriedade de 1.100 acres cuja construção princpal é uma mansão que foi habitada por famílias riquíssimas da Inglaterra, utilizada como cadeia para prisioneiros de guerra na Primeira Guerra Mundial e que atualmente sedia um museu. O nome desta propriedade é uma referência à pequena vila de Castle Donington, localizada no extremo norte do condado de Leicestershire.

AUTÓDROMO HERMANOS RODRIGUEZ – Uma clara homenagem aos pilotos mexicanos Pedro e Ricardo Rodriguez, duas esperanças do país no automobilismo internacional que faleceram precocemente. Pedro chegou a vencer corridas na Fórmula 1 e também a edição de 1968 das 24 Heures du Mans.

PHOENIX STREET CIRCUIT – Phoenix é o nome da cidade do estado do Arizona na qual se realizou o GP americano entre 1989 e 1991. Antes de ter esse nome, a árida cidade teve outros desde seu surgimento, em meados do século XIX. Em uma bela ocasião, o lorde Phillip Duppa, um dos fundadores, decidiu renomeá-la como Phoenix remetendo à ave da mitologia clássica que renasce das cinzas. A intenção era dizer que os caras eram geniais por terem criado algo tão próspero no meio do deserto.

CIRCUIT PAUL RICARD – O autódromo foi construído em 1969 por Paul Ricard, um magnata do ramo das bebidas alcóolicas que era conhecido pelo amor ao automobilismo e pela excentricidade. Para alguém do tipo, nada mais natural do que dar seu próprio nome à pista.

AUTÓDROMO INTERNACIONAL NELSON PIQUET – Preciso mesmo responder? De qualquer jeito, o circuito também é conhecido como Jacarepaguá, nome do bairro da zona oeste carioca onde ele se localiza.

DETROIT STREET CIRCUIT – Detroit é o nome da metrópole do estado do Michigan cujas ruas sediaram a corrida americana de Fórmula 1 por alguns anos. O nome da cidade, por sua vez, surgiu a partir do Rio Detroit. Este rio era conhecido pelos franceses como le détroit du Lac Érié, algo como “o estreito do lago Erie”, uma referência ao fato dele ligar os lagos Huron e Erie.

ÖSTERREICHRING – Uma pessoa que sabe um pouco de alemão consegue captar que o nome nada mais é do que “circuito da Áustria”.

BRANDS HATCH – O nome é derivado da expressão gaélica brondehach, junção das palavras bronde e hach. A primeira significa algo como “descida cheia de árvores” e a segunda remete à “entrada da floresta”. Uma gororoba muito esquisita que eu não consegui compreender direito até agora. Deve se referir às mudanças de relevo e à presença maciça de árvores naquela região.

CIRCUIT PARK ZANDVOORT – Zandvoort é o nome da cidadezinha praiana localizada na província holandesa de Nova Holanda. Seu nome teria surgido no século XII como sandevoerde, uma combinação das palavras sande (areia) e voerde (vau, que é a parte de um rio tão rasa que dá pra atravessá-la andando). Estou tentando entender o significado até agora. O fato de haver uma praia ao redor deve ter algo a ver. Ou não.

No próximo post, mais nomes de circuitos que já fizeram parte do calendário da Fórmula 1.

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