O ano de 1992 vinha sendo um tremendo de um calvário para Ayrton Senna. Seu McLaren MP4/7A era uma enorme decepção e não conseguia conter o domínio do impressionante Williams FW14B de Nigel Mansell e Riccardo Patrese. O carro amarelo, branco e azul era perfeito em curvas e retas graças principalmente à impecável suspensão ativa e à gasolina especial Elf. O carro vermelho e branco não era rápido e nem confiável.

Mônaco era a sexta etapa do campeonato de 1992. As cinco primeiras foram vencidas de modo inconteste por Nigel Mansell, que assim chegava a um recorde de vitórias consecutivas em um início de campeonato. O Leão chegava ao principado monegasco com 50 pontos. Ayrton Senna tinha apenas oito, frutos de dois terceiros lugares em Kyalami e Imola. Entre os dois, ainda havia Riccardo Patrese e Michael Schumacher. Senna era honesto consigo mesmo: a briga pelo título parecia encerrada. Mas Mônaco é Mônaco, tudo pode acontecer.

Os treinos se seguiram da mesma maneira que nos outros fins de semana. Mansell foi sempre o mais rápido e acabou fazendo o absurdo tempo de 1m19s495, quase um segundo mais rápido que o segundo colocado, seu companheiro Patrese. Porém, Ayrton não ficou tão atrás. Na quinta-feira, chegou a estar na primeira fila. No fim das contas, ficou em terceiro, a apenas 1s1 de Mansell.

No dia seguinte, a McLaren conseguiu melhorar o carro para a corrida, nada que mudasse muito a situação. Na largada, Senna conseguiu o milagre de passar Patrese na primeira curva, tomando a segunda posição. Já era um lucro danado, sabendo que o italiano dificilmente conseguiria passar Senna naquela pista. Mansell, porém, mantinha a primeira posição e disparava.

A princípio, Senna apenas segurava Patrese enquanto o Leão ia embora. Com o passar do tempo, porém, o Williams nº 6 começou a ter problemas de dirigibilidade e Riccardo Patrese ficou para trás. A corrida seguia tranquila para Mansell, que chegou a abrir 30 segundos para Senna na segunda metade da corrida. Restava a Senna esperar que algo acontecesse. E não é que aconteceu?

Na volta 70, a roda traseira esquerda do carro de Mansell se esvazia e o carro do Leão dá uma desgarrada perigosa dentro do túnel. Lentamente, ele vai aos boxes e aproveita para colocar pneus novos. Com o tempo perdido, Ayrton Senna assume uma liderança inesperada, no que é a primeira vez no ano que consegue ficar na frente!

Mas Mansell tem pneus novos e muito mais carro. Além disso, a diferença entre os dois quando Nigel voltou à pista era de apenas 5 segundos. Fazendo voltas mais rápidas nas de nº 73 e 74, Mansell chega rapidamente em Senna. Todo mundo esperava que o Leão repetisse aquela sensacional ultrapassagem feita em Alain Prost em 1990. Mas como estava difícil!

Senna, sem pneus e com um carro precário, segurava heroicamente Mansell nas curvas do travado traçado. A pista era proibitiva para ultrapassagens, mas Mansell colava na traseira de Senna de uma maneira que muitos pediriam arrego. Mesmo assim, Senna fechava as portas em todas as curvas e, quase sem tração, dava um jeito para evitar que Mansell tentasse na curva seguinte. Essa batalha persistiu durante as últimas cinco voltas. Nigel Mansell, mesmo tentando tudo, não conseguiu passar Ayrton Senna, o vencedor do Grande Prêmio de Mônaco de 1992.

Foi a primeira vitória de Senna em 92, a quinta no principado, a quarta consecutiva por lá e uma das mais bonitas de sua carreira. Termino o post com uma frase de Mansell: “Foi o segundo lugar mais bonito da minha carreira!”

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