Nem falei muito da Indy em São Paulo. É muita coisa pra falar. Vou tentar ser breve. Mas como eu me conheço bem, sei que não vou conseguir. E como me conheço bem, vou reclamar pra caralho.

– O circuito é de uma primariedade que dá até dó. Tudo bem, alega o defensor, a pista foi construída em apenas quatro meses, a região é crítica, pistas de rua sempre trazem problema, blablabla. Oras! Como disse Tony Kanaan, só mesmo aqui para alguém ter a brilhante idéia de fazer um circuito em um tempo tão curto. Se não desse pra fazer, não deu, fica pra próxima.

A região é uma merda, de fato. Marginal Tietê sentido Zona Leste, região do Santana, é uma das partes mais feias da cidade. É tudo muito mal-cheiroso e cinzento. Aquele Holiday Inn parece mais um cortiço gigante. Não poderia haver lugar pior para a São Paulo Conventions & Visitors Bureau fazer publicidade de sua querida cidade.

– Falemos agora do traçado. Ele tinha uma reta quilométrica e algumas curvas de baixa velocidade. Me lembrou Long Beach, Phoenix e Pau. Até aí, tudo bem, a Indy não tem lá muita frescura com essa coisa de traçado. Mas devo destacar a reta do sambódromo.

– Que coisa linda, aquela reta branca. Os pilotos mal podiam usar 30% do acelerador. A Bia Figueiredo perdeu o controle do carro em 4ª marcha! Nunca vi nada igual no automobilismo. Pelo menos, arrumaram a tempo. Mas é uma situação muito feia. Que pode sempre ser piorada, quando temos um Luciano do Valle enaltecendo essa monstruosidade.

– Evento 100% financiado com dinheiro público. Ridículo isso. O orçamento destinado para a corrida era de 12 milhões de reais. Gastou mais, é claro. Vamos ver se os 100 milhões de reais de retorno virão, de fato. Desculpem, acho essa corrida um tremendo golpe eleitoreiro. A Dilma vai com o PAC, o Serra vem com a Indy.

– Mas chega de reclamar. A corrida foi boa, afinal. Muito melhor que a da Fórmula 1. Isso porque eu só vi os treinos e a parte final da prova. Acidentes, ultrapassagens, vários líderes, tudo o que esperávamos ver na Fórmula 1 pôde ser visto na Indy.

– Will Power venceu usando o terceiro carro da Penske. É um excelente piloto. Aliás, os três primeiros são. Ryan Hunter-Reay (singelamente chamado de “Hunter” por LDV) e Vitor Meira mereciam equipes melhores, principalmente o Meira. 

– Ryan Briscoe tinha a vitória nas mãos, mas perdeu em um acidente besta. O cara já vinha arriscando havia algumas voltas. É um vaca brava. Se não tomar juízo, a Penske adota o Power como segundo piloto.

– Pancada feia do Andretti com o Moraes na largada. Sorte do Marco. Esse tipo de acidente deveria receber mais atenção por parte das organizações.

– Sobre os outros brasileiros, Bia Figueiredo fez uma ótima corrida e conseguiu terminar. Raphael Matos terminou em um ótimo quarto lugar, mesmo andando em um carro não tão bom. Mario Romancini bateu muito, mas não comprometeu. Tony Kanaan atingido pateticamente por Dan Wheldon. Nem prestei muita atenção ao Hélio, sorry.

– Torci muito pelo Tagliani, segundo no grid com a FAZZT. Mas bateram nele também. Bah.

– As pinturas da Indy são sensacionais. E os patrocinadores também.

– Enfim, deu tudo certo. A Indy passou de ano, não com louvor, mas passou. Que seja melhor nas próximas edições.

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