A USF1, retirada da temporada 2010 da Fórmula 1, acabou virando o grande mico dos últimos anos. Mas não foi o único. Em 60 anos da categoria, muitos projetos surgiram com furor e pareciam ser não só absolutamente viáveis como também muito bons, mas acabavam não dando em nada. O Top Cinq de hoje fala sobre cinco (ooh!) esboços de equipe que fizeram muito barulho mas sequer um parafuso de carro. Nada de DAMS, Dome e First. O buraco é mais abaixo aqui, e repare que essas equipes tem muito em comum com as novatas desse ano. Os anos citados são aqueles nos quais estas equipes eram esperadas.

5- BRAVO (1993)

O Andrea Moda foi tão bom que a Bravo quis reutilizar

Quando se fala em Nick Wirth, pensamos em Simtek e em Virgin. Depois, pensamos em Andrea Moda. Alguns ainda se lembram da sua passagem pela Benetton. Mas ele ainda teve outra, ainda que não tenha corrido: a espanhola Bravo, aquela que seria a primeira equipe do país na F1.

No final de 1992, Jean-François Mosnier, ex-diretor da Lola, anunciou a criação de uma nova equipe de Fórmula 1 com dinheiro de investidores espanhóis. O carro seria construído pelo estúdio Simtek baseado no Andrea Moda S921 e utilizaria motores Judd, ou seja, seria uma bomba. O chefe de equipe seria outro nome muito falado recentemente, Adrian Campos. Os pilotos seriam a sensação catalã Jordi Gené (irmão de Marc, e melhor que este) e Nicola Larini. Duas revelações espanholas fariam parte do programa de desenvolvimento de pilotos da equipe, um tal de Ivan Arias, da
F-Renault, e um certo Pedro de la Rosa, na época correndo na F3 Inglesa.

O projeto começou a morrer quando Mosnier morreu, de câncer fulminante, apenas dias depois da apresentação do projeto. A equipe ainda se inscreveu para 1993, mas o carro acabou não sendo colocado sequer pra testes e sumiu, oficialmente, dias antes do GP da África do Sul.

Equipe espanhola, Nick Wirth, Adrian Campos, desistência… não parece atual?

4- ASIATECH (2002, 2004)

Talvez a coisa mais concreta construída por alguma dessas equipes do Top 5

A Asiatech era uma empresa de engenharia malaia liderada por John Gano que surgiu na Fórmula 1 em 2001, quando pegou os antigos motores Peugeot e passou a fazer o trabalho de preparação e fornecimento para a Arrows naquele ano e para a Minardi em 2002. Mas a ambiciosa empresa queria mais: uma equipe de Fórmula 1 própria, a primeira da Malásia. Inicialmente, ela tentou comprar a Jordan ainda naquele ano, mas em vão. Se não deu, pensaram os malaios, vamos começar do zero.

Para isso, a Asiatech comprou um antigo estúdio de design da Williams e contratou Enrique Scalabroni para desenhar o carro. Uma maquete em escala reduzida daquilo que seria seu primeiro carro, o A01, foi apresentada à mídia no final de 2002 como o esboço do carro que viria a correr em 2004.  A equipe anunciou que a maior inovação estaria no câmbio de sete marchas, sabe-se lá qual.

Mas a Asiatech faliu impiedosamente meses depois, ainda em 2002, deixando até a pobre Minardi sem motores. E Scalabroni, conhecido por se envolver em um monte de projetos natimortos (daria um outro Top Cinq), fica a ver navios novamente.

3- EKSTROM (1986, 1987)

Bonitinho no papel... não, nem tanto

Uma equipe comandada por uma mulher. Já pensou?

Pois é, essa seria a Ekstrom Racing, equipe que estrearia na Fórmula 1 com a temporada de 1986 a todo vapor. Cecilia Ekstrom, que já tinha trabalhado na área de marketing em várias equipes, queria ter a sua própria. Só que o destino foi duro com ela.

Por ser uma mulher, Ekstrom teve na captação de patrocinadores sua maior dificuldade. Falou com empresas estabelecidas (a BAT, que faz cigarros) e com empresas voltadas para o público feminino, como a Fleur de Santé. Como ninguém levava a sério seu projeto, a Ekstrom não atraiu patrocinador nenhum. Sem dinheiro para nada, teve de demitir todos os mecânicos e até dívidas com companhias telefônicas ela conseguiu.

O sonho parecia terminado no final de 1986, mas ela ainda tentou comprar o espólio da Lola Haas e, com uma base estabelecida, poderia finalmente obter patrocinadores. Mas nada disso deu certo e Cecilia Ekstrom nunca mais falou em Fórmula 1 na vida. Mais para frente, publicarei um antigo texto meu mais detalhado sobre a equipe.

2- PHOENIX (2002)

Imagine esse carro com um motor Hart de 1999, sonho de consumo

Se desse certo, seria um caso patético no estilo Andrea Moda.

A Phoenix era uma, er… coisa que surgia a partir do espólio da então recém-falida Prost Grand Prix. O projeto da equipe surgiu com o nome de Dart apenas alguns dias antes do GP da Austrália de 2002. O pacote não poderia ser mais apetitoso: chassis Prost AP04 de 2001, motores Hart utilizados pela Arrows em 1999, transmissão do Arrows de 3 lugares utilizado em eventos promocionais e Gaston Mazzacane e Tarso Marques como pilotos. Um verdadeiro Reject GP.

Após o GP da Austrália, a equipe mudou de nome para Phoenix. E entrou com um pedido na justiça para que a FIA liberasse o enxerto para correr em 2002. Os boatos de que a equipe correria em Sepang eram fortes e, por isso, Gaston Mazzacane até chegou a ir para a Malásia esperando correr. Não deu em nada, e a Phoenix, caso tivesse o pedido deferido, só poderia aparecer em Mônaco.

Em primeira instância, no final de março, ele chegou a ser, e a Phoenix foi anunciada como a 12ª equipe. Mas a FIA recorreu e, em Maio, saiu o veredito final: nada disso. A alegação era que a Phoenix só serviria para manchar a honra do esporte. Além do mais, havia um monte de problemas de ordem financeira por trás: ela seria obrigada a pagar 48 milhões de dólares caso quisesse correr com o nome Phoenix, pois seria considerada novata. Além disso, a Minardi reclamou, pois se a Phoenix corresse, a equipe italiana não receberia os milhões de dólares que ela teria direito por, sem a Prost, ter sido considerada a 10ª equipe da F1.

Foi uma novelinha chata e de final feliz para o esporte.

1- PRODRIVE (1995, 1998, 1999, 2001, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011?)

Esse é literalmente um carro da Prodrive para 2008

A Prodrive é uma empresa de competições pertencente a David Richards, ex-co-piloto de rally e ex-dirigente das equipes Benetton e BAR. Não é pouca bosta: ela prepara carros de corrida para a Aston Martin em Le Mans e para a Subaru no WRC, entre outros clientes famosos. O faturamento da empresa é de mais de 100 milhões de libras. Com a história, o pessoal e o dinheiro que possui, nada mais natural do que pleitear uma vaga na Fórmula 1. Mas, puxa vida, que insistência!

A saga de Richards tentando ser dono de equipe começa em, acredite, 1995! Naquele ano, ele tentou comprar, sem sucesso, o espólio da Simtek para completar aquela temporada. Em 1997, flertou com a Benetton e com a Tyrrell. Na Benetton, acabou entrando na equipe em 1998 e tentou fazer naquele mesmo ano uma espécie de “management buyout”, aquilo que Ross Brawn fez com a Honda, ao se associar à Arden (F3000) e à Pacwest (CART), mas também sem sucesso.

Em 2000, a Prodrive conversou com a Arrows e com a Minardi. Em 2005, ao mesmo tempo em que fazia uma oferta à Jordan, Richards fez sua inscrição para a temporada de 2008 como equipe B da McLaren. A FIA abriu uma seletiva para a 12ª vaga em 2008 e, entre 22 possibilidades, a Prodrive foi escolhida por apresentar o melhor projeto. Só havia um pequeno problema: a equipe queria usar o antigo McLaren, o que era proibido no regulamento.

No final de 2007, meses antes da estréia da equipe, a Williams vetou sua participação, alegando exatamente isso. Além do mais, a FIA fez uma verificação e concluiu que a Prodrive, com quatro funcionários (!), estava atrasada demais para competir em 2008. E assim acabou o sonho de Richards. NOT.

No início de 2009, ele ainda tentou comprar a Honda. Ainda nesse ano, a FIA abriu outra seletiva para escolher três equipes que compusessem o grid de 26 para 2010. A Prodrive se inscreveu outra vez, mas acabou não sendo escolhida graças à situação de 2007. No fim das contas, Richards ainda se ofereceu para comprar a Renault no fim do ano, mas a equipe foi vendida para o grupo Genii. Porém, Richards ainda não desistiu e quer aparecer na F1 em 2011.

Ufa.

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