novembro 2012


RED BULL10 – Só não ganha onze porque não pode. O que dizer da equipe que lidera os três treinos livres, o Q2 e o Q3 da classificação, a corrida de ponta a ponta e ainda bota seus dois pilotos no pódio? Que esta equipe é genial demais da conta e merece, sim, o título deste ano. Sebastian Vettel foi supremo durante todo o fim de semana e só não esteve na frente no Q1 da qualificação porque Pastor Maldonado pregou uma peça em todos. Mark Webber é o cara que poderia ter ido um pouco melhor, mas ao menos ele salvou um pódio mesmo sem ter o KERS funcionando. E não há como se esquecer dos mecânicos, que são tão rápidos nos pit-stops quando o próprio RB8.

FERRARI6,5 – Era claramente a terceira equipe do fim de semana, anos-luz atrás da Red Bull e também inferior à McLaren. Ninguém conseguiu acertar o carro corretamente, Felipe Massa rodopiou para lá e para cá graças à falta de estabilidade e até Fernando Alonso perdeu a paciência com sua equipe. No treino oficial, os dois colegas lotearam a terceira fila e não tinham muitas esperanças sequer de obter um pódio. Alonso ainda foi muito bem, peitou os dois pilotos da McLaren e ultrapassou Mark Webber quando este tinha problemas no carro, garantindo o segundo lugar. Massa teve problemas de consumo de combustível, mas ainda assegurou o sexto lugar. Ruma para perder mais um título, os ferraristas.

MCLAREN7,5 – Embora estivesse em melhor forma que a Ferrari, não tinha como brigar com a Red Bull. Na sexta-feira, a falta de estabilidade dos MP4-27 era visível, ainda que o carro não estivesse tão lento assim. Jenson Button e Lewis Hamilton asseguraram a segunda fila do grid de largada, mas passaram perto de um belo acidente na primeira volta, quando os dois se envolveram numa carambola com Fernando Alonso. Hamilton e Button acabaram sendo superados por Alonso e terminaram, respectivamente, em quarto e quinto. Destaque para o mecânico ninja que trocou o volante do carro de Hamilton em um punhado de segundos.

LOTUS5,5 – Está devendo até as calças, dizem. O carro refletiu o excesso de escorpiões no bolso e não colaborou, para desespero daqueles que sonham com a primeira vitória da equipe nesta temporada – vitória esta que não virá, que fique claro. Kimi Räikkönen e Romain Grosjean, principalmente este último, sofreram pra caramba nos treinamentos e só o cachaceiro passou para o Q3. Na corrida, os dois marcaram pontos, embora tenham sofrido com a falta de velocidade nas retas. Kimi ficou em sétimo após ter tentado superar Felipe Massa durante toda uma corrida. Grosjean se envolveu em algumas disputas e conseguiu um razoável nono lugar. A primeira curva deixou de ser um grande empecilho.

FORCE INDIA5,5 – Tinha um carro apenas correto, insuficiente nos treinos e competente nas mãos de Nico Hülkenberg durante a corrida. O alemão, novo contratado da Sauber, não foi brilhante nos treinos, mas largou com competência e terminou numa boa oitava posição. Quem não se deu tão bem assim foi Paul di Resta, que teve grandes dificuldades tanto nos treinos como na corrida e acabou terminando fora dos pontos. Em resumo, foi mais um típico fim de semana da Force India. Quem anda passando por maus bocados é o chefão Vijay Mallya, outro que terá de vender as calças para pagar os salários atrasados de seus funcionários.

WILLIAMS5 – Tinha um carro bom, melhor do que nas etapas anteriores. Pastor Maldonado pôde provar este fato sendo o piloto mais rápido do Q1 da classificação, única vez em que algum piloto cujo sobrenome não seja “Vettel” liderou algo na Índia. Até mesmo Bruno Senna, ameaçado pelo desemprego, foi bem. Infelizmente, somente Maldonado traduziu a qualidade de seu FW34 em uma boa posição no grid. Na corrida, os dois andaram próximos durante algum tempo e até se envolveram em boas brigas. Pastor conseguiu escapar das garras de Romain Grosjean, mas acabou tocado por Kamui Kobayashi e perdeu um pneu traseiro. O sobrinho não se envolveu em nenhum problema e conseguiu um pontinho redondinho.

MERCEDES2,5 – Não marca pontos há três corridas, para consternação de Lewis Hamilton. Em Buddh, os carrinhos prateados não eram dos piores e Nico Rosberg até conseguiu alguns bons resultados nos treinos livres. A realidade dura só começou a se manifestar quando realmente valeu, isto é, no treino oficial. Michael Schumacher ficou lá atrás no Q2 e nem Rosberg se deu ao trabalho de se esforçar demais no Q3. Na corrida, o azarado Schumacher teve um pneu furado na primeira volta e Rosberg ficou se arrastando o tempo todo. Um péssimo final de temporada para uma equipe que havia iniciado o ano tão bem.

TORO ROSSO2,5 – Pra variar, mais uma corrida ruim. OK, injustiça minha com uma equipe que havia marcado pontos nas três provas anteriores, mas também não seria justo dizer que o STR7 é bom. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne continuaram andando lá atrás tanto nos treinos como na corrida. O australiano, como sempre, largou melhor e andou melhor. Vergne, um tantinho desastrado em alguns momentos pontuais nesta temporada, atropelou Michael Schumacher na primeira volta e prejudicou a corrida dos dois. A jovem dupla dinâmica prosseguirá na Toro em 2013. Talentosos, os dois. Que tenham um bom carro à disposição.

SAUBER2,5 – Outra das montanhas russas desta temporada, a Sauber não teve lá um grande carro na Índia. Na sexta-feira, a equipe decidiu dar uma chance a Esteban Gutiérrez, que participou do primeiro treino livre e ficou apenas em 20º. Mas nem mesmo Kamui Kobayashi e Sergio Pérez fizeram muito mais do que isso. O mexicano até foi mais rápido, mas não muito, embora tenha conseguido o milagre de se qualificar para o Q3. Na corrida, os dois não tiveram vida fácil. Kobayashi fez a segunda cagada consecutiva em corridas e acabou com a corrida de Pastor Maldonado. Pérez teve problemas de equilíbrio, se envolveu em um toque com Daniel Ricciardo e abandonou. Zero pontos para o exército de Hinwil.

CATERHAM2 – Já que não acontece nada de novo na equipe, que nem consegue mais desafiar a Toro Rosso, vamos fazer um breve comentário sobre sua situação de pilotos. Tony Fernandes quer gente com grana, tutu, gaita, verdinhas. Heikki Kovalainen não tem dinheiro e corre o risco de dançar. Vitaly Petrov tinha algumas moedas até uns dias atrás. Agora, está correndo atrás de verba soviética para tentar permanecer na Fórmula 1 no ano que vem. Giedo van der Garde e Charles Pic, dois pilotos com piscinas de dinheiro familiar, estão à espreita. A dupla só será definida quando o departamento financeiro fechar as contas para o ano que vem. Quanto ao GP da Índia, a mesma ladainha de sempre.

MARUSSIA3 – A equipe do pai de Max Chilton também está passando por dificuldades financeiras, mas ninguém se surpreende. Afinal, são russos e ninguém sabe de onde vem seu dinheiro. O carro, que até vinha melhorando a passos de tartaruga, estagnou e até levou pau da HRT em alguns momentos. Charles Pic largou em último, mas ganhou boas posições e até terminou à frente do companheiro Timo Glock, que teve problemas aqui e acolá. Os mecânicos continuam ruins de doer nos pit-stops.

HRT3 – Não achei o desempenho dela ruim, não. OK, não dá para elogiar demais uma equipe cujo melhor carro larga em 22º, mas a distância dela para a Marussia aqui foi bem menor do que nas etapas anteriores. Correndo em casa sob a bênção de Krishna, Narain Karthikeyan até foi melhor do que o esperado e conseguiu chegar ao fim da corrida mesmo sem freios, dinheiro, sorte e felicidade. Pedro de la Rosa também não andou tão mal: fez uma superlargada e poderia ter brigado mais com a Marussia, mas os freios brecaram sua corrida. Gostei da metáfora.

TRANSMISSÃOALGUÉM? – Eu até tinha uma ou outra coisa mais engraçadinha proferida na transmissão brasileira para postar aqui, mas minha memória de Alzheimer não me permitiu tal coisa. Então vamos cornetar um pouco o Sr. IMPRESSIONANTE, narrador da bagaça pela terceira vez consecutiva. O outro narrador, mais antigo, mais soberbo, mais petulante, mais irritante, é muito mais divertido. Como já está muito rico e mais perto da eternidade do que da vida, pode se dar ao luxo de falar a merda que quiser que não há nenhum problema. Já o outro narrador, um bom funcionário, correto, que veste a camisa da empresa e demonstra empolgação mesmo na mais filha da puta das horas, apenas fala coisas amenas, feitas para o netinho e a vovó escutarem. Lá vai o carro vermelhinho! Lá vai o piloto e sua plantação de coelhinhos! Não gosto deste estilo. Meu negócio é punk, é sujeito que chega com os dois pés no peito. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDANINGUÉM – Ninguém. Ninguém gostou desta corrida. A verdade é que Sebastian Vettel é um vencedor irritante. Larga na frente, desaparece na primeira volta e ganha. No melhor estilo Michael Schumacher em 2004. Eu gostava quando era o Schumacher, piloto pra quem sempre torci. Ver alguém para quem você não torce ganhando tudo aborrece. Talvez seja isso, questão de torcida. Não importa. A corrida foi chata. Vettel ganhou fácil, Fernando Alonso ultrapassou Mark Webber sem grandes encrencas e as brigas lá atrás até aconteceram, mas não encheram tanto os olhos. Teve Felipe e Kimi numa eterna disputa pela sexta posição, os pilotos da Williams se metendo em duelos com os Grosjeans e Kobayashis da vida e até mesmo uma troca de volantes no carro de Lewis Hamilton. A pista é legal, uma das mais deste campeonato. Mas não sei, não gostei da corrida, e vários outros também não gostaram. Deve ser o Vettel. Ou deve ser eu, que estou ficando velho e ranzinza como um aposentado.

SEBASTIAN VETTEL10 – Deu até medo. Ou raiva. Ou sono. O cara só não esteve no comando das coisas no Q1 da classificação, pois ficou 0,3s atrás de Pastor Maldonado. De resto, a Índia foi engolida por Sebastian Vettel, que liderou os três treinos livres, fez a pole-position, não perdeu a ponta em momento algum e ganhou com absoluta tranquilidade. Foi sua segunda vitória em um circuito que é a sua cara. No pódio, nem comemorou tanto. Deveria. Do jeito que está, vai ganhar o título num sossego constrangedor. Constrangedor para a concorrência.

FERNANDO ALONSO8,5 – O resultado foi até excelente, considerando que seu carro parecia não ser páreo sequer para a McLaren. Sempre batalhador, o espanhol não esmoreceu e foi à luta. No treino oficial, teve dificuldades e ficou apenas na quinta posição no grid, ao lado do companheiro Felipe Massa. Seu melhor momento, definitivamente, foi a primeira volta. Bateu rodas com os dois carros da McLaren e chegou a engolir suas duas posições de uma vez, mas acabou ficando para trás logo em seguida. Porém, não precisou de muito mais tempo para ultrapassar Lewis Hamilton e Jenson Button para assumir a terceira posição. A segunda posição veio após Mark Webber começar a ter problemas com o KERS, o que permitiu a ultrapassagem do asturiano. Não deu para pegar Sebastian Vettel, obviamente. Após a corrida, estava puto da vida e mandou todo mundo na Ferrari comer merda. Alonso é tipo aquele chefão temperamental que quando as coisas dão errado, fica doido e quebra tudo.

MARK WEBBER7 – De certa forma, fez menos do que deveria, ainda que tenha sido prejudicado pelo problema com o KERS na segunda metade da corrida. Decepcionou um pouco por não ter acompanhado Sebastian Vettel no domínio avassalador dos treinos, embora tenha ficado a menos de 0,1s do alemão no treino oficial. Largou bem e quase ultrapassou Vettel na primeira curva, mas ficou só na vontade. Dali para frente, vinha rumando para terminar numa sólida segunda posição até o KERS quebrar. Sem ação, acabou sendo ultrapassado por Fernando Alonso e teve de se contentar com o suado terceiro lugar, mesmo.

LEWIS HAMILTON7,5 – Seu posto de direito era realmente o quarto lugar. Veja só: ele ficou em quarto em dois treinos livres, no Q1 e no Q2 da qualificação. Na bacia das almas, assegurou um terceiro lugar no grid. Meteu-se numa briga encardida com Fernando Alonso e Jenson Button na primeira volta e acabou superado por ambos. Na volta 5, passou Button e assumiu a quarta posição para nunca mais abandoná-la. Vale mencionar a boa briga que teve com Mark Webber até o finalzinho, ainda que Lewis não tenha conseguido a ultrapassagem. E, é óbvio, não dá para deixar de falar da inusitada troca de volantes em seu pit-stop. São ninjas, os mecânicos da McLaren.

JENSON BUTTON7 – Sendo justo, ele até merecia ter conseguido um resultado melhor. Em dois treinos livres, Jenson ficou em segundo, logo atrás apenas de Sebastian Vettel. Na classificação, ele também andou forte e pegou o quarto lugar no grid. Foi o grande destaque da largada ao sair vencedor de um pega-pra-capar com Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Depois disso, apagou. Seus pneus macios não funcionaram bem e ele acabou ultrapassado por Hamilton e Alonso. Andou em quinto durante grande parte do tempo e em quinto terminou.

FELIPE MASSA6 – Rodou aqui, acolá e lá também, lembrando os bons tempos daquelas corridas molhadas em Silverstone. Só no segundo treino de sexta-feira, deu duas rodadas. Na qualificação do sábado, escapou de novo enquanto vinha em uma boa volta. Culpa da Ferrari, que delegou a tarefa de acertar seu carro a alguns chimpanzés. Mesmo assim, Felipe superou as agruras da sexta-feira e conseguiu um razoável sexto lugar no grid. O domingo foi menos monótono do que o resultado sugeriu. O brasileiro teve trabalho com Kimi Räikkönen durante quase todo o tempo e ainda foi obrigado a tirar o pé durante alguns momentos para poupar combustível. Deu tudo certo e ele conseguiu finalizar à frente do finlandês. Quanto à gasosa, ela acabou logo depois da linha de chegada.

KIMI RÄIKKÖNEN6 – Treinos convencionais, corrida sonolenta, sétimo lugar pouco empolgante, este foi o fim de semana indiano do Homem de Gelo. Kimi não mandou tão mal nos dois últimos treinos livres e conseguiu um bom sétimo lugar no grid, o primeiro daqueles que não pilotavam por Red Bull, McLaren ou Ferrari. Sua atuação no domingo foi discreta, até meio modorrenta, mas ao menos lhe rendeu mais seis pontos. O finlandês passou quase que a corrida inteira tentando ultrapassar Felipe Massa, até antecipou seu pit-stop para ganhar a posição nos boxes, mas não conseguiu. Está virtualmente fora da briga pelo título.

NICO HÜLKENBERG6,5 – O novo contratado da Sauber voltou a ter um bom desempenho, sempre melhor do que o do companheiro Paul di Resta. Mesmo tendo pisado pela primeira vez na Índia nesta última semana, adaptou-se rapidamente e finalizou em oitavo em dois treinos livres. Ficou no Q2, mas conseguiu largar quatro posições à frente de Di Resta. Ganhou boas posições na primeira volta e ainda ultrapassou Sergio Pérez na volta 14, subindo para oitavo. Na maior tranquilidade, seguiu nesta posição até o fim.

ROMAIN GROSJEAN5,5 – Para quem quase nunca sobrevive à primeira volta, terminar em nono pode ser considerado lucro. Num fim de semana em que o carro da Lotus esteve longe do brilhantismo, o franco-suíço voltou a fazer seu trabalho de maneira comedida e se livrou das confusões. Não foi bem nos treinos e ficou no Q2 pela segunda vez nesta temporada. O domingo foi bastante razoável. Envolveu-se numa explosiva disputa com Pastor Maldonado, se deu melhor e até saiu com o bólido inteiro. Também ganhou posições ultrapassando Nico Rosberg e herdando o posto de Sergio Pérez e garantiu dois pontinhos.

BRUNO SENNA6,5 – Para seus padrões, o mais novo desempregado do grid fez boa corrida. Na verdade, ele andou bem desde os treinos livres, quando conseguiu um décimo e um sexto lugar. Poderia ter ido bem também na qualificação, mas errou no Q2 e acabou ficando somente em 13º. A posição insuficiente acabou tirando a chance de uma corrida melhor, mas ainda deu para o sobrinho mostrar alguma coisa no pelotão do arranca-rabo. Fez uma ultrapassagem legal sobre Pastor Maldonado no início da corrida, meteu-se em outras boas brigas e ainda arrancou o ponto de Nico Rosberg no final da corrida. Boa atuação, mas não deu para salvar o emprego.

NICO ROSBERG5 – Ficou fora da zona de pontuação pela terceira corrida consecutiva. Sentiu a encrenca, seu Hamilton? E olha que até pareceu, durante certo momento, que o filho de Keke Rosberg teria um domingo para celebrar. Nos dois primeiros treinos livres, ficou em sexto e quarto. No Q1 do treino oficial, foi o terceiro mais veloz. Largar em décimo soou como uma brochada, mas o alemão não imaginava que a corrida seria tão fraquinha. Sem ter um carro veloz, foi ultrapassado por Romain Grosjean no primeiro terço da corrida e por Bruno Senna nas últimas voltas.

PAUL DI RESTA3,5 – Enquanto Nico Hülkenberg estava andando sempre na zona de pontuação, o escocês passou o fim de semana inteiro sem sequer sentir o cheiro dos pontos. Sem conseguir encontrar um acerto decente, não ficou entre os dez primeiros em treino nenhum e largou lá atrás. Na corrida, andou sempre na mesma, não se envolveu em maiores disputas e teve uma corrida típica de seus piores dias, chata pra cacete.

DANIEL RICCIARDO3 – A maldição se repete: toda vez que a Toro Rosso não marca pontos, Ricciardo anda bem melhor do que o companheiro Jean-Éric Vergne. Foi o caso na Índia. O australiano chegou a ficar em nono no primeiro treino livre e foi o único da equipe que passou para o Q2, embora não tenha conseguido muito mais do que o 15º lugar. Na primeira volta, perdeu uma posição para Di Resta e se enfiou em algumas brigas com outros pilotos, mas não deu o pulo que gostaria. Só começou a andar bem quando colocou pneus macios, mas terminou a corrida com Kamui Kobayashi fumegando no cangote.

KAMUI KOBAYASHI1 – Corrida horrível, bem cara de fim de festa. Nos treinos livres, passou enorme sufoco com um carro ruim e não saiu do meio do pelotão. Na qualificação, sobreviveu ao Q1 por muito pouco e foi o último colocado do Q2. Na corrida, ainda com um bólido terrível, esteve lento durante todo o tempo. Na única vez em que chamou a atenção, tocou no carro de Pastor Maldonado e estourou um pneu do venezuelano. Terminou a corrida colado em Daniel Ricciardo. Está praticamente fora da Sauber e só um milagre o manterá na Fórmula 1 em 2013.

JEAN-ÉRIC VERGNE0,5 – Garantiu o emprego para o ano que vem, mas não por causa deste GP. Estava com um carro tão ruim quanto o de Daniel Ricciardo, mas ficou sempre muito atrás do australiano. Mal em todos os treinamentos, largou apenas em 18º e afundou-se de vez ao bater em Michael Schumacher na primeira volta, estourando o bico de seu carro azulado. Recuperou-se, mas não o suficiente para sequer brigar com os pilotos do meio do pelotão.

PASTOR MALDONADO4 – Teve um fim de semana esquisito, difícil de definir. Uma verdadeira montanha russa, assim como a grande reta de Buddh. Foi mal demais nos treinos livres, mas o carro mudou da água para o vinho na qualificação e o chavista não só conseguiu um nono lugar no grid de largada como também foi o único, além de Sebastian Vettel, a liderar alguma coisa no fim de semana, o Q2. A corrida é que foi tumultuada. Largada ruim, disputa complicada com Romain Grosjean e Bruno Senna, furo de pneu causado pelo toque de Kamui Kobayashi e um final de corrida lá nas últimas posições. Bem que ele merecia ao menos um pontinho.

VITALY PETROV4,5 – Está dando trabalho a Heikki Kovalainen, motivado provavelmente pela possibilidade de ficar desempregado em 2013. Embora tenha ficado atrás do finlandês nos treinos livres, acabou sendo o melhor piloto das equipes nanicas tanto no treino oficial como na corrida. Tudo bem, ele largou mal pacas e chegou a ser ultrapassado por Charles Pic, mas recuperou-se e deixou o próprio Kovalainen para trás no final.

HEIKKI KOVALAINEN3,5 – Embora tenha largado e finalizado atrás de Vitaly Petrov, não dá para dizer que foi mal. OK, ninguém esperava que o finlandês rodasse sozinho no final do Q1 da qualificação, mas podemos dar um desconto por ele ter ficado sem participar do primeiro treino livre. Durante a corrida, teve problemas com o KERS e acabou sendo ultrapassado por Petrov na parte final. Está preocupado, pois seu emprego também corre risco.

CHARLES PIC3,5 – Teve um domingo inegavelmente melhor que a sexta e o sábado. Correndo pela primeira vez em Buddh, apanhou do carro e da pista e chegou a ficar atrás dos dois carros da HRT no segundo treino livre e, veja só, no grid de largada. Mas a tristeza acabou aí. Logo na primeira volta, ganhou cinco posições e pulou para 19º. Acabou sendo ultrapassado por Petrov não muito depois, mas ao menos deixou os carros da HRT e também o companheiro Timo Glock para trás sem dificuldades. Que consiga a tal vaga na Caterham em 2013.

TIMO GLOCK2,5 – Ao contrário do companheiro Charles Pic, seu melhor dia foi a sexta-feira e o pior foi o domingo. Nos treinos livres, tinha um carro razoável para seus baixos padrões e conseguiu fazer boas voltas, embora tenha ficado atrás de carros da HRT em duas das sessões. No grid de largada, sofreu com o carro, mas ainda conseguiu ficar a poucos milésimos de Heikki Kovalainen. Na corrida, largou mal, não conseguiu desafiar o companheiro Pic e até perdeu tempo com gente da HRT. Saiu da Índia sem grandes coisas para contar, como sempre.

NARAIN KARTHIKEYAN5 – O astro da casa fez um trabalho heroico e que merece consideração. Não ficou em último em nenhum dos treinos, embora tenha tido problemas hidráulicos na sexta-feira, e deixou a Marussia de Charles Pic para trás no treino oficial. Na corrida, perdeu um pedaço do bico após um toque na largada e ainda teve um superaquecimento prematuro nos freios que o obrigou a maneirar na condução de seu precário carro. Mesmo assim, ele resistiu a corrida inteira e chegou ao fim. É um cara que, definitivamente, se entendeu bem com o circuito de Buddh.

MICHAEL SCHUMACHER0 – Não foi nem por sua culpa. O homem tá realmente amarrado, completamente azarado neste ano de (des)graça que encerrará sua carreira. O melhor dia foi a sexta-feira, quando deu ao menos para andar um pouco e fazer alguns tempos razoáveis. No sábado, penou para passar do Q1 da classificação e nem sonhou em atravessar o Q2. A corrida acabou praticamente na primeira curva, quando Jean-Éric Vergne destruiu um pneu traseiro de sua Mercedes. Schumacher ficou tão para trás que não conseguiu sequer ultrapassar as duas Caterham durante a corrida. Nas últimas voltas, meio que na vergonha, recolheu o carro para os boxes e foi para casa.

SERGIO PÉREZ1,5 – Na sexta-feira, o chicano chegou a ficar de fora do primeiro treino livre por uma história muito mal explicada. Sergio estava gripado na quinta-feira e não tinha condição nenhum de ir para a pista, mas melhorou bastante no dia seguinte. Só que a Sauber preferiu colocar Esteban Gutiérrez para andar em seu carro no primeiro treino livre. Mas Pérez ainda conseguiu fazer um trabalho bem melhor que o de Kobayashi, incluindo a participação no Q3 da classificação. O domingo foi outra coisa esquisita. Seu carro estava muito ruim nas primeiras voltas e o cara decidiu antecipar a parada para ver se resolvia o problema. Isso não só não aconteceu como até piorou após uma colisão com Daniel Ricciardo. Após tanta dor de cabeça, o próprio mexicano decidiu abandonar a corrida.

PEDRO DE LA ROSA3,5 – Correu pela primeira vez em Buddh. Em dois treinos livres, ficou em último, ainda em período de adaptação. Mesmo assim, no outro treino livre, superou os dois carros da Marussia. No treino oficial, conseguiu escapar da última fila. A largada foi excepcional e o veterano conseguiu ultrapassar os dois carros da Caterham e a Marussia de Timo Glock. Infelizmente, seus freios acabaram muito cedo e ele teve de se retirar na volta 42.

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