Tétrico


Michael Schumacher há vinte anos

Era dez da manhã em Spa-Francorchamps, algo em torno de cinco da manhã aqui no Brasil. O tempo estava bonito lá na região das Ardenhas, com o céu tão azulado como um carro da Leyton House e sem as ameaçadoras nuvens que costumam encharcar a floresta local. Lá nos boxes, os primeiros motores ecoavam seus inúmeros decibéis. Trinta pilotos entrariam naquela belíssima pista pela primeira vez naquele ano. Retificando: vinte e seis destes trinta pilotos entrariam na pista pela primeira vez. Quatro deles (Brundle, Blundell, Grouillard e Caffi) haviam sobrevivido ao purgatório da pré-classificação duas horas antes.

No meio destes trinta pilotos, havia de tudo. Campeões como Ayrton Senna, Alain Prost e Nelson Piquet, veteranos da turma da frente como Nigel Mansell, Gerhard Berger e Riccardo Patrese, eternos sofredores do meio do pelotão como Olivier Grouillard, Martin Brundle e Pierluigi Martini, promessas como Jean Alesi, Mika Häkkinen e Gianni Morbidelli e jovens desiludidos como Stefano Modena, Alex Caffi e Nicola Larini. No meio desta patota, muito boa, por sinal, havia um aí que se destacava bastante. Era um garoto queixudo, estranho e magrelo de apenas 22 anos. Nunca tinha disputado uma corrida de Fórmula 1 antes. Seu nome era quase impronunciável: Michael Schumacher.

Schumacher substituía Bertrand Gachot na Jordan pelos motivos que retratei neste antigo post. Quem acompanhava o automobilismo com afinco até já tinha ouvido falar no cara, que havia vencido o Grande Prêmio de Macau da Fórmula 3 no ano anterior e que fazia bonito com um Mercedes C291. Quem só acompanhava a Fórmula 1 achava que este era apenas mais um piloto pagante, um Pedro Chaves que comia chucrute.

No primeiro dia daquele fim de semana de Spa, 23 de agosto de 1991, Schumacher pilotou em Spa-Francorchamps pela primeira vez na vida, contrariando a informação que seu empresário Willi Weber havia dado a Eddie Jordan sobre antigos trunfos do jovem notável na pista belga. O aprendizado foi rápido. Na Eau Rouge, Michael chegava a reduzir marchas e a dar leves toques no freio em suas primeiras voltas. Não demorou muito e ele já estava voando com tudo na temerária curva em subida. Na Blanchimont, destemido, ele vinha com o pé totalmente cravado no acelerador. Pequeno detalhe: seu companheiro, o experiente Andrea de Cesaris, não estava conseguindo fazer o mesmo.

Michael Schumacher em 2011

Logo de cara, Schumacher fez 1m55s322, o que lhe deu o 11º tempo. De Cesaris, no mesmo Jordan-Ford verde e azul, foi seis décimos mais rápido. Algumas horas depois, foi realizado o primeiro treino oficial. Mais à vontade com o Jordan 191, Schumi não precisou de mais do que um único jogo de pneus para fazer 1m53s290, o oitavo melhor tempo. Para surpresa de todos, De Cesaris ficou quase um segundo atrás. E olha que o tempo do piloto alemão poderia ter sido ainda melhor, mas uma de suas voltas rápidas foi interrompida por uma bandeira vermelha causada por um violento acidente de Eric van de Poele.

Este foi o primeiro dia de Michael Schumacher como piloto de Fórmula 1. Hoje, faz exatos vinte anos que tudo isso aconteceu. O alemão continua queixudo, estranho e relativamente magro, mas ganhou sete títulos mundiais e construiu um patrimônio que, dizem, ultrapassa a casa do bilhão de dólares. A personalidade também segue a mesma, a de um cara tímido, introvertido, simpático, dedicado, sério e razoavelmente humilde. Engana-se feio quem pensa que ele se acha o rei da cocada preta.

Eu tenho implicância com datas. Às vezes, me vejo pensando coisas do tipo “o que eu estava fazendo na tarde de 14 de fevereiro de 1996?” e viajo. Além disso, gosto de tomar uma data como referência e pensar em seu contexto. Por exemplo, o que aconteceu no dia 1 de maio de 1994 além da morte de Ayrton Senna? Fazendo pesquisa rápida, descubro que, na África do Sul, o ex-presidiário político Nelson Mandela havia se elegido presidente do país.

No Brasil, o ministro Rubens Ricupero havia anunciado que os preços dos derivados do petróleo, como a gasolina, seriam convertidos para URV, a unidade indexadora vigente no momento, em quinze dias. Para quem não sabe, a URV foi um mecanismo criado pelo Plano Real que ajudou a acabar com a hiperinflação que assolou o país durante quase duas décadas. Em São Paulo, foi anunciada a construção de um hotel e um estacionamento para quase quatro mil carros no Aeroporto de Congonhas. No futebol, o Palmeiras ganhou de virada do São Paulo por 3 a 2 e se aproximou do título do Campeonato Paulista. Por fim, Pelé curtia sua segunda lua-de-mel após juntar os trapos com uma psicóloga. Tudo isso aí não significou nada perante a tragédia de Imola.

No dia em que Schumacher fez seu primeiro treino oficial na Fórmula 1, este homem acabou com os últimos resquícios do comunismo na Rússia

Pois bem, o que acontecia lá no primeiro dia de Schumacher na Fórmula 1?

23 de agosto de 1991. Eu tinha dois anos, mas faltavam apenas treze dias para completar três. Era um moleque risonho e bobo, com olhos muito mais puxados do que agora. Tinha uma irmã que havia nascido em janeiro. Meu pai usava mullets e minha mãe usava aquele cabelo encaracolado e farto, licenças estéticas da época. Morávamos todos em uma pequena edícula erguida no quintal da casa da tia do meu pai, localizada na Vila Teixeira, periferia de Campinas. Era realmente pequena: sala, quarto, banheiro, cozinha e só. Na garagem, um Gol amarronzado. Confio apenas na minha memória.

Na sala, uma televisão da Philips com doze botões, do dois ao treze. Na época, dava para o gasto. Não existiam estas frescuras de HDMI, Blu-Ray, TV digital, TV por assinatura e HD externo. Nem controle remoto. No máximo, ajuste de cor, contraste e brilho, e seja feliz. E eu era. Vendo Pica Pau, Pernalonga e Fórmula 1.

Meus pais assistiam às corridas como qualquer outro brasileiro na época: apenas para ver o Senna vencer. No domingo de manhã, me largavam na sala e eu ficava lá, hipnotizado com aqueles carrinhos coloridos na tela. Dentro de uma caixa de papelão. Caixa de papelão dos leites Elegê. Disso eu me lembro bem. Toda vez que vejo Elegê no supermercado, me lembro da caixa de papelão, meu bunker infantil.

Fórmula 1 é algo confuso demais até mesmo para adultos, quanto mais para uma criança. Eu gostava do Senna. Gostava do capacete amarelo, da musiquinha que tocava no final, da felicidade que ele trazia para todos. Gostava de acidentes. Adorava, aliás. Meu negócio era pegar meus carrinhos e tacá-los sem dó na parede branca da sala. Nem Philippe Alliot faria melhor.

Em 23 de agosto de 1991, eu morava aí perto

Em 1991, já estávamos pensando em sair daquela casa. Meu pai havia arranjado uma casa um pouco maior para alugar no Jardim São Fernando, um bairro muito seguro, bonito e próspero para traficantes. Nunca gostei dessa nova casa. Na verdade, sinto uma ponta de saudade daquela casinha da Vila Teixeira. Da porta de ferro que dava para um barranco. Da linha de trem que ficava a algumas centenas de metros. Da agência do Nossa Caixa, Nosso Banco, com aquele logotipo com dois quadrados coloridos. Da Favarelli. Passei em frente à Favarelli, que vende peças, nesse fim de semana. As letras de metal e o logotipo da Bosch deram lugar a uma horrenda placa dessas impressas. Odeio placas impressas.

E o resto do mundo? O mundo, para uma criança como eu, se restringia a uma caixa de papelão, alguns carrinhos, leite com Toddy e diversão pura e inocente. Lá fora, o mundo acompanhava com apreensão o fim da União Soviética. No dia da estréia do Schumacher, o presidente russo Boris Ielstin anunciou a ilegalidade do Partido Comunista e de todos os jornais comunistas do país, como o Pravda. Em Minas Gerais, uma operação conjunta das polícias Civil e Militar prendeu 520 crianças e adolescentes de rua. E, coitadinho, a revista Fortune anunciou que a fortuna do magnata Antônio Ermírio de Moraes havia caído de 2,3 para apenas 1,7 bilhão de dólares. Ô, dó. Enfim, nada de novo neste mundo de loucos.

Para a Fórmula 1, sim. Aquele treino de sexta-feira marcou o início de uma nova fase na Fórmula 1. Fase que provou que até mesmo os títulos de Juan Manuel Fangio, as vitórias de Alain Prost e as poles de Ayrton Senna eram superáveis. Que irritou muita gente por valorizar demais as estratégias e os pit-stops. Que deixou muitos nostálgicos e saudosos aborrecidos. Que criou uma nova leva de fãs, que não puderam acompanhar uma Fórmula 1 menos perfeccionista e bitolada.  Que nos presenteou com belíssimas demonstrações de genialidade de um indivíduo que era largamente superior a qualquer outro na condução de carros.

A Fórmula 1 precisou se adequar a Michael Schumacher neste interregno. Após seu efêmero período de vigorosos sucessos, a Benetton acabou perdendo Michael e seus amigos Ross Brawn e Rory Byrne para a Ferrari. Imediatamente, a equipe das roupas se transformou em uma cansada participante que não ganhava mais nada, enquanto que os vermelhos voltaram aos seus dias de glória. Alguns anos depois, cansada de tantos sucessos do alemão, a FIA decidiu mudar algumas regras para literalmente acabar com seu domínio. Desde então, a entidade se mostra incapaz de manter o mesmo regulamento por duas temporadas. Quem vê a Fórmula 1 em 1991 não reconhece quase nada na de 2011. Os carros ainda disputam entre si e ganha quem cruzar a linha de chegada em primeiro. Daqui a pouco, nem isso.

Vinte anos. Tudo mudou. Mas o Schumacher ainda está lá. Com a mesma cabeça de piloto vencedor.

Carl Jung, o pai da psicologia analítica

Primeiramente, sou completamente leigo em Psicologia. Confesso que gostaria de me aprofundar mais no assunto, mas o que me sobra de preguiça me falta de tempo. Mas é sempre bom saber o que se passa na cabeça das pessoas, até mesmo para você conviver melhor com elas ou para utilizá-las a seu favor no caso de você ser um maquiavélico filho da puta e desalmado. Portanto, se seu interesse no assunto é nulo, até amanhã. Vou falar um pouco sobre isso, misturar o assunto com automobilismo e ver no que dá.

O fato de nunca ter estudado Psicologia não me impede de falar um pouco sobre tipos psicológicos junguianos. Vamos à Wikipedia para falar sobre Carl Jung, o criador da bagaça. Pai da psicologia analítica, o suíço Jung gostava de analisar sonhos e de identificar comportamentos e características pessoais, bem como algumas de suas peculiaridades, como os complexos e a oposição entre introversão e extroversão. Resumindo: Jung é o típico sujeito que tomaria um chope com você e, em três horas, faria uma radiografia da sua personalidade, colocando-te em determinada categoria. Ele é dos meus.

A coisa mais legal que Jung criou foi a Teoria dos Tipos Psicológicos. Em 1921, após duas décadas de intensa pesquisa, ele desenvolveu a obra “Tipos Psicológicos”, espécie de bíblia do assunto. Serei breve e simplificarei o que for necessário, ou seja, quase tudo. Segundo esta obra, os seres humanos são divididos entre os extrovertidos e os introvertidos. Os primeiros são ligados à externalidade das coisas: dão importância à estética, são comunicativos e abertos, gostam de interação. Os introvertidos, por outro lado, são ligados ao aspecto mais interno das coisas: tendem a prestar mais atenção nos detalhes e nas minúcias, preocupam-se mais consigo do que com outras pessoas ou coisas, são mais fechados e menos comunicativos.

Mas há diferenças fundamentais dentro de um mesmo grupo, seja ele o dos extrovertidos ou o dos introvertidos. Estas diferenças são definidas pelas chamadas funções psíquicas, conjuntos de habilidades e atributos que determinam o relacionamento do indivíduo com o mundo.  Estas funções psíquicas podem ser categorizadas em três categorias de oposição: sensação/intuição, pensamento/sentimento e julgamento/percepção.

Em suma, o indivíduo pode ser extrovertido (E) ou introvertido (I), sensorial (S) ou intuitivo (N), pensador (T, de thinking) ou sentimental (F, de feeling) e julgador (J) ou perceptivo (P). Conforme você define, para cada categoria, qual dos comportamentos é o seu, você vai unindo as letras e acaba formando um tipo psicológico completo composto pelas quatro letras que te caracterizam: ESTJ, INFP ou ISTP, por exemplo. São 16 possibilidades.

Explico cada letra:

EXTROVERTIDO (E): Pessoa que gosta do contato com o mundo externo. Tende a ser sociável, “simpática” e empática aos problemas dos outros. Simplificando, é aquela que gosta de música alta, festa no apê e telefone. Exemplo: Ivete Sangalo.

INTROVERTIDO (I): Pessoa que prefere a reclusão e o autoconhecimento, deixando de lado o contato excessivo com outras pessoas e coisas. Tende a ser mais tímida, solitária e tranquila. É aquela que gosta de ouvir música no fone de ouvido, ler e andar sozinha. Exemplo: Thom Yorke.

SENSAÇÃO (S): Pessoa que se dá melhor no contato com coisas concretas, que utiliza os cinco sentidos para receber informações do meio e agir. Tende a ter boa coordenação motora e a ser boa com trabalhos manuais e corporais. Exemplos: engenheiros, marceneiros e agricultores.

INTUIÇÃO (N): Pessoa que tende a pegar as coisas por meio do pensamento, da abstração e da imaginação, buscando observar algo além do que os cinco sentidos permite. Tende a ter coordenação motora terrível, mas é boa para chegar a conclusões estrambólicas sobre os mais variados assuntos. Exemplos: intelectuais em geral, críticos de arte, compositores.

PENSADOR (T): Pessoa que acredita na razão. Todas as suas ideias e atitudes são baseadas em conceitos racionais, sem a intervenção da emoção. Exemplo: físicos e matemáticos.

SENTIMENTAL (F): Pessoa que acredita na emoção. Para ela, não há como não agir sem a emoção, pois a razão é muito fria para ser levada a cabo pelos seres humanos. Exemplo: aquela menina chata de 15 anos que gosta de filmes de vampiros.

JULGADORES (J): Pessoa metódica que acredita na ordem. Um julgador acredita que as coisas devem ser feitas de maneira organizada e estritamente ortodoxa, sem abrir espaços para contratempos e arestas. Exemplos: militares, religiosos e positivistas.

PERCEPTIVOS (P): Pessoa que acredita na liberdade, no improviso e na relatividade. Para ela, não há uma única maneira de fazer as coisas, um sistema que deva ser consensual, um cronograma. O perceptivo, teoricamente, tem um leque maior de opções. Exemplos: hippies, liberais clássicos e anarquistas.

Quer fazer o teste para saber qual você é? Tenta este, em inglês.

Kimi Räikkönen, representante dos ISTP

Tá, mas e daí?

E daí que, sem muitos assuntos, decidi aplicar estes tipos junguianos a alguns personagens do automobilismo. Não sou psicólogo e nem conheço ninguém pessoalmente, ou seja, posso estar falando um monte de besteira e sendo injusto com os caras. Em alguns casos, a conclusão pode até soar forçada, mas tive de fazer isso para citar o maior número possível de exemplos. Enfim, não ligo para nada disso, escrevo e sigo em frente.

KIMI RÄIKKÖNEN – Um típico ISTP. Sujeito recluso e estranho que tende à misantropia. Não faz o tipo intelectualizado, mas é bom pra caramba na arte de pilotar. É tão emotivo quanto um boneco de neve. E definitivamente não é organizado e nem seguidor de consensos.

AYRTON SENNA: O tricampeão brasileiro é um bom ISFJ. Sempre muito tímido, Senna era um mestre em perceber problemas em seu carro e sentir as condições da pista, além de extremamente hábil ao pilotar. Emotivo, costumava chorar em suas maiores vitórias. E era um sujeito absolutamente organizado e compenetrado. Creio que Felipe Massa seja outro ISFJ.

NELSON PIQUET: O outro tricampeão brasileiro era INTP. Apesar de não ser propriamente tímido, certamente era alguém que não gostava muito de ser incomodado em alguns momentos. Mesmo sendo um ótimo acertador de carros, Piquet era um cara com boa capacidade de abstração e imaginação, algo que podíamos ver pelas suas declarações. Ele também não era um padrão Räikkönen de falta de emoção, mas parecia ser bem mais racional que a média. E improviso e contrassenso são com ele.

RON DENNIS: Um ISTJ dos bravos. Ron Dennis, definitivamente, não era o cara mais simpático e sociável de todos. Como a maioria das pessoas ligadas ao automobilismo, era um bom tipo sensorial. É também totalmente racional e completamente metódico. Fernando Alonso e Michael Schumacher poderiam ser outros ISTJ.

JAMES HUNT: Fiquei um pouco em dúvida, mas o classifiquei como ESFP. Um cara que comeu o tanto de mulheres que comeu e que fez um monte de amigos não pode ser introvertido. Bon vivant, exercia os cinco sentidos da melhor maneira possível. Não fazia o tipo racional, já que se acabava em drogas e bebida. E organização e obrigações não eram com ele. Juan Pablo Montoya, mesmo com outro perfil, é outro ESFP.

RUBENS BARRICHELLO: ESFJ. Esse daqui é absolutamente extrovertido, completamente sensorial (o que dizer de alguém precisa ler autoajuda?), totalmente emotivo e, convenhamos, não é um irresponsável heterodoxo. O oposto de Piquet. Explica muita coisa.

NICK HEIDFELD: INTJ.  Como a maioria dos alemães, não é exatamente extrovertido. Por gostar de arte, gastronomia e umas coisas bizarras, o considerei como intuitivo. É racional e não é do tipo que costuma fazer coisas bizarras demais ou sair da linha.

JACQUES VILLENEUVE: ENTP. Bocudo, não é tão introvertido quanto poderia se imaginar. Parece gostar mais de música e livros do que de carros, é um sujeito racional e costuma ser meio transgressor.

GERHARD BERGER: Seria ele um ESTP? Vejamos: era bastante extrovertido, um exímio sensorial no trato com os carros, racional especialmente em termos políticos e, pelas brincadeiras com Senna e por algumas manobras no início da carreira, um doido avesso a padrões.

KAMUI KOBAYASHI: Talvez um INFP. Claramente introvertido, sujeito relativamente avoado em seus pensamentos (quem mais diria que gostaria de ter sido comediante ou que, se não corresse, acabaria fazendo sushis?), bastante emotivo para um japonês e mais inventivo do que metódico.

LUCAS DI GRASSI: Fico em dúvidas, mas vou de ENTJ. Não é introvertido, é alguém que, ex-estudante de Economia e participante do Mensa, tem um lado intuitivo forte, é racional e é metódico e organizado, meio avesso a loucuras.

GILLES VILLENEUVE: Penso que era um ISTP. Bastante introvertido, especialista em controle do carro, não muito emotivo (só assim para conseguir sobreviver às disputas nas quais ele se metia) e totalmente doido.

JENSON BUTTON: Um ESTJ? Vejamos: extrovertido, bastante sensorial, relativamente racional e, como visto várias vezes em sua carreira, bastante cauteloso e conservador na pilotagem.

Confesso que não consegui exemplos para os outros três tipos (ENFP,ENFJ,  INFJ). Se quiserem mandar sugestões, aceito.

Aliás, eu sou INTP. Assim como Einstein, Darwin e o próprio Jung. Sabia que era um gênio.

A verdade é que todos adoram odiar Bernie Ecclestone. O judeu, que tem 80 anos de idade mas aparenta ter uns vinte a mais, é o alvo no qual devemos mirar as pedras quando uma corrida não está legal. É claro que esta é uma verdade absolutamente superestimada, já que a culpa maior é das mudanças costumeiras e estúpidas nos regulamentos feitas pela FIA, até porque Bernie não tanto poder assim para concretizar suas maluquices. Mas é ele quem se expõe na mídia e a fama pegou. Portanto, taca pedra no Berninho, joga bosta no Berninho.

Na pré-temporada, a Fórmula 1 fica tão escassa de assuntos que qualquer coisa se torna pauta, desde uma declaração imbecil até mesmo uma fofoquinha ali e acolá. Ecclestone, nesse sentido, é sempre um dos sujeitos mais visados. Há pouco tempo, foi anunciado o lançamento de uma biografia sua, escrita pelo jornalista Tom Bower, que contará detalhes sobre a vida de um dos homens mais poderosos do esporte mundial. O livro apresentará detalhes sórdidos sobre sua vida privada, como as bolachas físicas e mentais que costumava tomar de sua ex-mulher Slavica, e sobre a vida alheia, como a tentativa de sabotagem de Fernando Alonso sobre Lewis Hamilton em 2007. Imperdível.

Nessa semana, Bernie voltou a proferir suas polêmicas de sempre. Sugeriu a transferência do GP do Bahrein para julho, em pleno verão na já normalmente escaldante monarquia. Disse que a Fórmula 1 não precisa de mais corridas na Europa, mas sim de corridas no Bahrein. Disse que o sistema de medalhas ainda seria adotado. E para completar, ainda sugeriu a criação de um sistema de pista artificialmente molhada para aumentar a emoção. Todos ficaram irritados. Sem razão, diga-se.

De tonto, Bernie não tem nada. Ele mesmo não acredita nessas coisas que diz, talvez com exceção do tal sistema de medalhas, e só o faz para irritar as pessoas e para aumentar um pouco sua audiência. É um gênio da autopromoção, em suma. A verdade é que Ecclestone sabe o que é bom e o que é ruim para o esporte, sempre contrabalanceando com o que é bom e o que é ruim para seu bolso. Se ele tomar uma medida esdrúxula demais, o risco de perder dinheiro e tempo é grande. Na verdade, ele também não gosta das regras atuais da Fórmula 1, impostas pela FIA, esta, sim, uma entidade não muito espertinha. E eu duvido que ele prefira lidar com um monte de sheiks malucos a ficar na sua Europa.

Já que Bernie Ecclestone é um sujeito tão peculiar, uma mistura britânica de Tio Patinhas com Andy Warhol, imaginemos: como seria a vida do sujeito? Fa-lo-ei aqui, devaneando um dia na vida de Bernie Ecclestone. Ainda com Slavica.

O despertador toca às 4h30 da manhã. Como um gato que acabou de ser atingido por uma golfada de água, Bernie abre os olhos rapidamente, acende as luzes e se levanta com a disposição de um atleta. Incomodada pela claridade, Slavica resmunga e coloca o travesseiro sobre a cabeça. A cama é king size, muito mais adequada ao corpanzil balcânico de Slavica do que à diminuta estrutura de Ecclestone. A casa, localizada em uma esquina do centro londrino, não é tão grande como poderia comportar o bolso do 212º homem mais rico do mundo. É bonita, mas 380 metros quadrados não a caracteriza como uma mansão. Foi uma escolha de Slavica, como sempre. Paciência, as mulheres mandam.

Bernie faz alguns poucos movimentos aeróbicos e segue em direção ao banheiro para lavar seu rosto e tornar sua cara um pouco mais aceitável perante todos. Sem apagar a luz do quarto. Slavica, em um inglês fluente mas carregado de sotaque, grita algo como “velho idiota, por que não apaga a porra da luz?”. O casamento vai mal, muito mal. Eles não fazem sexo desde que a Croácia de Slavica ainda fazia parte da Iugoslávia e o único gozo de Ecclestone é financeiro. Slavica é agressiva e impaciente. Bernie é egocêntrico e indiferente. Duas personalidades problemáticas, alguém diria. Mas quem, no íntimo, não é problemático?

Após lavar o rosto, ele vai à cozinha (sem apagar a luz do quarto, é claro; Slavica se levanta, a apaga e mostra o dedo do meio ao marido à distância) e prepara seu café da manhã. Homem apressado, Bernie já porta em suas mãos um smartphone, seu melhor e único verdadeiro amigo. O café é frugal: pão com manteiga, chá preto e algumas cerejas, nada que não demore mais do que cinco minutos para ser engolido. Enquanto devora o pão e beberica o Twinnings aromatizado com frutas vermelhas, Ecclestone acompanha os primeiros indicadores financeiros da manhã: variações das bolsas NYSE, Nasdaq, FWB, TSE e LSE, cotações cambiais, derivativos e análises de um monte de economistas importantes e prolixos… Enquanto você está aí, preocupado com a queda do seu time no campeonato estadual, Bernie se preocupa com a queda da cotação da libra esterlina.

Após fazer tudo isso em dez minutos, Bernie Ecclestone se isola em seu escritório, localizado ao lado do seu quarto. E que escritório! Três computadores de última geração, uma biblioteca com livros de economia, administração, marketing, psicologia, história da Inglaterra – e também alguns poucos sobre automobilismo –, caixas de som Harman Kardon, um telão para vídeoconferências, porta-retratos com fotos com Ayrton Senna e Jochen Rindt, um bico de uma Ferrari F2002 pendurado na parede, uma cafeteira Nespresso e um telefone Bang & Olufsen ornamentam aquele que seria o local de trabalho dos sonhos de muita gente.

Antes de começar o trabalho, lá pelas 4h45 da manhã, ele abre todos os jornais e agências de notícias na internet e os lê um por um: BBC, New York Times, Washington Post, Reuters, Economist, Times e por aí vai. Quando se lembra que há um esporte chamado Fórmula 1, ele dá uma passadinha pelo Autosport. E lê também um blog brasileiro, traduzido pelo Google Translator, cujo nome traduzido é Green Flag. Após saber sobre a situação política e econômica dos mais de 200 países do globo, é hora de começar a trabalhar… não sem, antes, ligar o som.

O Bernie é meio maluco, sabe? Ele não gosta de música, a não ser alguns clássicos. Durante todo o dia, suas Harman Kardon tocam Beethoven e Wagner. Ah, Wagner. As valquírias funcionam para qualquer pessoa de espírito minimamente grandiloquente. Hitler só conseguiu erguer o Reich com sua ajuda. Paulo Francis costumava dizer que Wagner era boa companhia após fumar um pouco de maconha – e seus gatos morriam de medo daqueles acordes iniciais. Sobe o som e é hora de começar a brincar de mandar no automobilismo.

Não tarda muito e as primeiras ligações começam a acontecer. Elas vêm da Ásia. O secretário de esportes do Cazaquistão quer porque quer uma corrida em Astana, capital do país. Bernie, não muito interessado, disse que veria o que faria. Um dos militares que compõem a junta que governa Myanmar também ligou pedindo para sediar a última corrida do campeonato em um circuito novíssimo a ser construído na região norte do país. O autódromo faria parte de uma região turística a ser construída e custaria cerca de um bilhão de dólares. Ecclestone ficou muito feliz em saber que a Fórmula 1 poderia ir para Myanmar e agendou uma reunião para dezembro de 2011.

Conforme amanhecia, as ligações começaram a vir também da Europa e do Oriente Médio. Malta, Iêmen e Lituânia também ligaram pedindo por uma corrida. Secretários espanhóis imploraram pela diminuição das taxas de realização das suas duas corridas. Um funcionário de alto escalão de Mônaco o convidou para seu casamento. Flavio Briatore ligou também. Este liga todo dia. Os dois são amigos até que uma polêmica os separe.

Mas Bernie também faz suas ligações. Ele liga para quase todas as equipes todos os dias. Os ferraristas só reclamam. Dizem que a Ferrari é a mais importante de todas, que ela merece mais dinheiro dos direitos televisivos e mais um monte de lamúrias. Italianos… Os ingleses da McLaren não são de falar muito. As equipes menores só reclamam dos seus problemas. E Frank Williams sempre pede discretamente por uma ajudinha ou um contato com alguma grande empresa. Bernie não dá muita bola para o que as equipes dizem. Se uma sair, outra entra e tudo segue numa boa.

Ecclestone é compenetrado no trabalho. Não abre MSN, não manda correntes para seus contatos, não vê sites de esporte, não vê sites pornô, não abre o Youtube, não joga, não faz nada que não tenha uma mínima utilidade profissional. Após passar a manhã na frente do computador, ele vai almoçar na cozinha. Slavica está lá.

Na geladeira, há uma torta de rim, típica iguaria inglesa, da semana passada. Bernie não reserva muito tempo para comer, algo que ele considera praticamente inútil para alguém de sua idade. Ele esquenta o acepipe no micro-ondas e se senta com Slavica. O diálogo começa com ela:

- Vou ao shopping daqui a pouco com umas amigas minhas.

- É o que você sabe fazer.

- Alguém tem de gastar o dinheiro que você se preocupa tanto em ganhar.

- Ainda bem que eu ganho. Senão, você estaria tomando sopa de batatas lá no seu fim de mundo da Croácia com um marido bêbado e desempregado – sentencia, Bernie, sempre muito calmo.

Slavica olha enfurecida para os olhos do marido, joga seu prato no chão e sai sem dizer uma única palavra. Sem conseguir comer muito, Bernie pega um pão, um pedaço de queijo gruyère, manda tudo para dentro e sai. Dessa vez, ele pega seu casaco. Chega de ficar em casa.

Bernie entra em seu Bentley Continental e segue para seu escritório da FOM, Formula One Management. Por lá, ao menos, há algumas secretarias novinhas e um clima um pouco menos carregado. Mais ligações e e-mails à tarde. Há uma televisão de Fiji querendo adquirir os direitos de transmissão. Um banco com sede nas Ilhas Virgens que quer comprar algumas ações da Slec, empresa que detém os direitos de transmissão. Uma cadeia de fast food americana que quer patrocinar o GP da Coréia. Um empresário eslovaco que quer viabilizar a criação de uma equipe de seu país. Assuntos assim são rotineiros para Bernie Ecclestone. Como 90% deles não são sérios ou são escusos demais, o judeu nem leva estas intenções para frente e nunca ficamos sabendo.

A vida dele segue assim até a parada para jantar, lá pelas 11 da noite. Nesse momento, ele saca uma latinha de feijões em conserva, esquenta no micro-ondas da copa e devora em poucos minutos. Bernie sai da sede da FOM lá pela meia-noite, quando já não há mais sinal de qualquer viv’alma por lá. Chega em casa, está tudo apagado, Slavica já está dormindo há algum tempo. E o que Bernie faz?

Entra no escritório novamente e fica trabalhando. De madrugada, é um bom horário para falar com os australianos e os japoneses. Naquele dia, no entanto, eles não ligam. Então, Ecclestone fica até as duas da manhã se divertindo da maneira que mais gosta: lendo mais notícias da Economist e do New York Times…

Depois, ele chega no quarto, acende a luz (Slavica acorda e o manda tomar no cu, dessa vez em croata) e se veste com o pijama dado de presente por Briatore em seu 78º aniversário. Pijama da Benetton, coisa chique. Satisfeito com sua vida, Ecclestone adormece como uma criança. Ao seu lado, sem conseguir recuperar o sono, Slavica range os dentes e espera pacientemente por um ataque cardíaco fulminante em seu cônjuge.

E era assim quase todo dia.

Ontem, este compêndio de textos gigantes e prolixos completou seu primeiro ano de vida. Queria ter escrito algo, mas me faltou tempo. Paciência. Escrevo hoje. Está aí registrado, o fato.

Embora sempre tenha gostado muito de escrever, nunca achei que esse blog duraria um ano. Como sempre fui do tipo que enjoava fácil das coisas, imaginava que o Bandeira Verde duraria não mais do que três ou quatro dias. Minhas expectativas foram superadas. Os números são bem modestos se comparados com os de um site de verdade, mas já me deixaram bem satisfeitos: 342 posts, 140.000 visitas (na verdade, 139.801, mas esse número certamente será arredondado hoje) e 1.031 comentários. Os planos para o anno II são ultrapassar as 300.000 visitas. E transformar isso daqui em algo rentável. E o de sempre: dominar o mundo.

Como começou isso daqui? Há uns bons anos, um amigo meu, que simplesmente ignora a existência de corridas de carro, disse que eu deveria criar um blog sobre automobilismo. Como ele já havia lido textos meus sobre outros assuntos e gostava, creio que ele viu alguma capacidade obscura neste aqui. Eu sempre escrevi em uma comunidade de orkut, a Fórmula 1 Brasil, e algumas pessoas também já haviam sugerido a criação de um blog. Eu não queria abrir outro blog, já que já existiam muitos por aí e o assunto era meio saturado na rede. Mas decidi abrir.

Escrever é um prazer pra mim, e confesso que, como alguém que estuda e trabalha com coisas completamente diferentes de jornalismo e automobilismo, gostaria muito de viver disso. Por isso, nem tenho problemas em escrever os textos que escrevo. E a recompensa é a atenção dos leitores, que gastam um pouco de seu tempo e muito de sua paciência por aqui. E, às vezes, um ou outro visitante ilustre, como Ricardo Rosset e Thomas Danielsson.

Vou parar nesse parágrafo antes que ele fique mais longo. Muito obrigado aos leitores que leram, gostaram, odiaram e continuaram lendo. Comam mentalmente um pedaço do bolo da foto acima. O Bandeira Verde segue em frente para um segundo ano. Que venham mais aniversários.

Querido Papai Noel é o cacete! Não tenho mais idade para chamá-lo desse jeito, para início de conversa. Queria bater um papo com você.

É evidente que “bater um papo” é um eufemismo para “leia minha lista de pedidos”. Mas você, velhinho bondoso, sabe disso. No aconchego da sua casa avermelhada devidamente instalada na periferia de Rovaniemi, tomando um cappuccino e comendo umas cerejas, o senhor deve ficar lendo cartas e mais cartas por aí. E se você se dispõe a ler verdadeiras súplicas vindas de purgatórios como Mali ou Turcomenistão, creio eu que não vai se importar em ler isso daqui.

Não vou pedir nada pra mim, até porque se fosse assim, eu não publicaria aqui. Vou pedir umas bobagens sobre automobilismo, que é o que me compete neste sítio.

Fórmula 1.

Eu não sei se você gosta desse negócio. Se gostar, provavelmente deve ser torcedor da Ferrari, vestido de vermelho do jeito que está. Mas como eu não estou nem aí com a italianada, peço mais um ano daqueles bem bagunçados, típicos de um almoço de domingo na Sicília. Quero ver Fernando Alonso dando seus trocentos pitis, Felipe Massa detonando seus empregadores na mídia brasileira, Stefano Domenicali perdendo o ponto da macarronada e de sua equipe e os tifosi aparecendo em Monza com aquelas velhas faixas “Ferrari vermelha… de vergonha!”.

E que o F11 seja um pangaré. E daqueles bem doentinhos. Sim, amigo, não gosto da Ferrari.

Você também pode dar uma sabotada na Red Bull. Seria legal ver Mark Webber dizendo que o carro é ruim, a equipe é injusta, a vida não presta, Christian Horner é careca e Sebastian Vettel tem cara de retardado. O australiano é aquela faísca que pode detonar a bomba rubrotaurina. E como eu gosto de ver o pau comer, que a torta desande! E eu queria ver a equipe metida em algum escândalo. Só pelo prazer de rir e dizer algo como “viu? A Red Bull é igual às outras. Não existe gente descolada e bem-intencionada nessa porra”. Não gostaria de ser tão niilista, mas…

A McLaren virou minha equipe favorita. Nunca pensei que isso iria acontecer. Deve ser porque Lewis Hamilton e Jenson Button são legais, como os hóspedes do hotel Hilton provaram em pesquisa recente. Button é um cara que aprendi a gostar não muito tempo atrás, e Hamilton tem minha torcida desde 2005, lá na Fórmula 3. E a equipe ficou tão deslocada, tão fora do noticiário e das polêmicas que até conseguiu despertar a minha simpatia. Não ligo que ela já tenha surrupiado projetos alheios, ou que seja a pioneira em ordens de equipe escandalosas. A reserva moral da Fórmula 1 está em Woking e ponto final. Portanto, Papai Noel, que os ventos sejam bons para a inglesada. E falando em ingleses, que Badly Drawn Boy lance um novo álbum.

A Mercedes voltou, mas voltou muito chatinha e burocrática. O carro nem era tão feio, mas aquela mancha de pasta de dente Oral-B na lateral era muito bizarra. Já que eu vou ter de engolir a presença do Nico Rosberg na equipe, que você consiga transformá-lo em um piloto minimamente mais empolgante. E que o velho Schumacher volte à forma. Mas esse pedido não é só meu. Garanto que tem uma patota enorme querendo que o tiozão arrebente a criançada e ensine com quantos paus se faz uma canoa. Em se tratando de um tiozão, nada melhor do que uma expressão de tiozão.

E o resto? Pra começar, Papai Noel, é bom você improvisar um milagre pra ter duas Lotus no grid. Em verdade, eu sou contra as duas, mas muito me agrada a ideia de ter um carro verde e outro preto e dourado. E vamos ser justos com o Fernandes, né? Foi ele o dono do projeto inicial e os usurpadores da Renault e da Lotus Cars são só… usurpadores. E vê se mantenha o Petrov aí no segundo carro da “outra Lotus”. Vai colocar quem no lugar dele? Só se for o Heidfeld, mas esse eu já percebi que nem o senhor dá um jeito.

E a Williams, hein? Pobrezinha de marré. Então, eu peço que você descole uma grana pro Frank e pro Patrick. Como? E eu lá sei? Você é que manja dos meios. Patrocinadores, sócios, Mega Sena, Tele Sena, caixinha de fim de ano, caixa 2, sei lá. O caso é que o pessoal tá se desdobrando pra fazer a caranga azul e branca andar. O Rubinho, que você deve conhecer de muitos verões, merece coisa melhor. E o Maldonado… bom, esse não precisa de você. Quem tem as costas quentes de Hugo Chavez por trás não precisa de outro barbudo avermelhado.

E o resto? A Force India é muito chata. E tá sempre no vermelho. Vê se você arranja outro dono para a equipe, de preferência de um país mais insólito ainda. Muito me agrada uma Force Malta ou Force Antígua e Barbuda. A Toro Rosso é pior ainda. Pode sumir com ela. A Sauber, não. Essa é simpática, equipe brother da galera. O Koba e o Perez vão arrepiar em 2011. Então, seja legal com eles.

As duas últimas novatas merecem atenção especial. Pra começar, Papai Noel, tire logo aquele Richard Branson da Fórmula 1. Faça-o tentar alguma outra coisa, como salto de paraquedas sobre jacarés… A Marussia não deve ser grandes coisas também, empresa de ex-comunistas mafiosos. Não peço nada para o Glock, talvez só um pouco mais de brilho próprio. E o D’Ambrosio não precisa de mais nada. Nunca achei que o veria na Fórmula 1. Bom trabalho, velho! Conseguiu fazer um belga feliz.

Pra Hispania, eu vou pedir basicamente tudo. Dois carros, uma fábrica, alguns patrocinadores, um dono menos enrolado e dois pilotos minimamente razoáveis. Não ria! A Hispania não é a Andrea Moda ou a Life, cara. Acredite em mim. E pense também nos pilotos desse ano: Senna, Chandhok, Klien e Yamamoto. Imagine que você precisa entregar seus presentes, mas o seu trenó está todo arregaçado e Rudolf está doente. É o perrengue pelo qual a Hispania e seus pupilos estão passando.

Peço também mais equipes no grid. 13. 15. 20. Quantas você quiser. E que as corridas sejam um pouco mais interessantes. Muitos concordam comigo. E quem não concorda, boa gente não é.

Peço também um bom 2011 na GP2, na Indy e nas demais categorias de monopostos. E que o automobilismo brasileiro tenha melhores dias. Você não foi muito generoso conosco. A Fórmula Future foi bacana, mas faltou mais gente competindo. E não precisamos de Hybernons Cysnes e politicagens nas diversas categorias.

Pedi muito? Nem olhe assim para mim. Se tem gente que pede a paz, o fim da pobreza, da fome e das guerras, qual é o problema de pedir algumas coisas bestas em um esporte besta como o automobilismo?

Sem mais.

Verde.

PS: Talvez este tenha sido o último texto do ano. Saio de férias. Provavelmente, volto no dia 17 de janeiro. Tentarei, no entanto, publicar alguma coisa nesse período. Mas não esperem por nada. Bom Natal (ou Hanukkah, ou Ramadã) a todos. E um feliz 2011.

Meu pequeno e humilde censo sobre os gostos dos leitores deste humilde sítio eletrônico está concluído. Resultados interessantes. No geral, tudo dentro do esperado. Mas sempre há alguma surpresa aqui ou acolá. E alguns dos meus pilotos preferidos foram impiedosamente surrados, o que me fez cogitar fechar o Bandeira Verde e abrir um site sobre quiromancia ou física nuclear. Meus votos não contaram aqui. Abro exceções a alguns votos atrasados. Aos resultados, vamos:

MCLAREN JENSON BUTTON 15 X 13 LEWIS HAMILTON

MEU VOTO: LEWIS HAMILTON

Já começo levando pau aqui. De certa forma, um resultado que me surpreendeu. Achei que Hamilton seria votado em massa, mas o pessoal parece gostar bastante do estilo mais comedido e mais discreto do campeão de 2009. De qualquer jeito, disputa acirrada entre a dupla que reedita Ayrton Senna e Alain Prost.  

Thiago Medeiros: “Acho impressionante alguém ser campeão do mundo pilotando politicamente correto daquela forma. É um dos poucos casos em que gosto mais da competência que do show”

MERCEDES – MICHAEL SCHUMACHER 17 X 11 NICO ROSBERG

MEU VOTO: MICHAEL SCHUMACHER

Aqui, pesou o currículo impecável do heptacampeão mundial, até porque não creio que as pessoas tenham pensado em seu desempenho nesta temporada para votar nele. Pelo visto, a discrição de Nico Rosberg não consegue agradar a muitos.

António Guimaraes: “É o piloto com mais titulos mundiais, é hepta-campeão!“

RED BULL – SEBASTIAN VETTEL 15 X 13 MARK WEBBER

MEU VOTO: SEBASTIAN VETTEL

Mesmo com a ótima temporada de Webber, muitos acreditam que Vettel ainda tem mais talento natural e mais potencial para se tornar um fenômeno nos próximos anos. Ainda assim, é notável o número de pessoas que apoiam o australiano.

Joel Batata: “Agressivo e imaturo. E isso é muito bom”

FERRARI – FELIPE MASSA 9 X 17 FERNANDO ALONSO (DOIS NÃO ESCOLHERAM NINGUÉM)

MEU VOTO: FERNANDO ALONSO

A presepada de Hockenheim e a excepcional forma de Fernando Alonso nesta temporada custaram a Massa um bocado de pontos. O espanhol, favorito ao título, também é o favorito dos leitores aqui, mesmo sendo um dos sujeitos mais polêmicos que a Fórmula 1 já conheceu.

 Roberto L.: “Bicampeão mundial, andando pra caralho num carro que não é essa Brastemp toda. Merece todo o respeito e admiração. Massa é bom piloto, mas não chega aos pés do espanhol”

WILLIAMS – RUBENS BARRICHELLO 27 X 1 NICO HÜLKENBERG

MEU VOTO: RUBENS BARRICHELLO

Uma surra daquelas. E Rubens, mesmo com 38 anos de idade e 17 na Fórmula 1, ainda consegue agradar a muitos com sua experiência e suas boas colaborações para a Williams. E olha que Hülkenberg definitivamente não pode ser considerado um mau piloto.

Arthur Simões: “O cara é foda! Quase 40 anos e correndo como uma criança… ou melhor, como um novato”

RENAULT – ROBERT KUBICA 27 X 1 VITALY PETROV

MEU VOTO: VITALY PETROV

É de pedir pra sair e ir pra casa. Robert Kubica é um dos maiores talentos da Fórmula 1 atual e vem fazendo uma temporada simplesmente impecável. Quem torce pelo Petrov (no caso, eu e o Bruno Simões) o faz porque é um dos sujeitos mais pitorescos do grid. Surra inquestionável e previsível.

Pedro Meinberg Junior: “Merecia um carro melhor, mas é excelente vê-lo render tanto com um carro limitado”

FORCE INDIA ADRIAN SUTIL 26 X 1 VITANTONIO LIUZZI (UM VOTOU EM PAUL DI RESTA, TEST-DRIVER)

MEU VOTO: VITANTONIO LIUZZI

Terceira surra consecutiva, dessa vez por um pouco menos: 26 x 1. Nesse caso, até eu pensei em votar em Adrian Sutil, pois também gosto do seu estilo de pilotagem e torço para que encontre uma boa vaga. Mas Liuzzi é campeão de Fórmula 3000 Internacional e não tem como eu não ter simpatia por ele. O Pedro Meinberg Junior também gosta mais dele.

Gabriel Vargas: “Veloz e pouco sutil

TORO ROSSO – SEBASTIEN BUEMI 8 X 18 JAIME ALGUERSUARI (UM NÃO ESCOLHEU, UM VOTOU NO TEST-DRIVER DANIEL RICCIARDO)

MEU VOTO: JAIME ALGUERSUARI

Fiquei surpreso, já que achei que Buemi ganharia com facilidade. Mas o suíço não está fazendo uma grande temporada e Alguersuari, que não é nenhuma Brastemp, está convencendo um pouco mais. Mas a dupla peca por ser absolutamente sem sal.

Lucas Domakoski: “Não tenho nenhuma simpatia especial por nenhum dos dois, mas o espanhol às vezes mostra alguns lampejos de agressividade”

LOTUS – JARNO TRULLI 3 X 21 HEIKKI KOVALAINEN (QUATRO NÃO ESCOLHERAM)

MEU VOTO: HEIKKI KOVALAINEN

É isso aí. Teve mais gente que não votou em ninguém do que apoiadores do veterano Trulli. Mas a verdade é que o italiano foi completamente ofuscado pelo ótimo desempenho do outrora desacreditado Kovalainen. Resultado previsível.

Natan D. Rodrigues: “Dá um banho de aguerrimento no Trulli.”

HISPANIA – SAKON YAMAMOTO 1 X 22 BRUNO SENNA (KARUN CHANDHOK RECEBEU TRÊS VOTOS, CHRISTIAN KLIEN RECEBEU UM E UMA PESSOA NÃO VOTOU EM NINGUÉM)

MEU VOTO: BRUNO SENNA

É difícil fazer uma avaliação dessas com uma equipe que teve quatro pilotos diferentes nessa temporada. Bruno Senna, no fim das contas, só recebeu mais votos por falta de opção, já que Sakon Yamamoto é naturalmente inferior ao brasileiro e Karun Chandhok acabou saindo muito cedo.

Rodrigo Rocha: “Provavelmente é o piloto da F1 com menos corridas na carreira (somando todas as categorias), ainda tem muito a aprender, mas já é rápido. É que com Hispania não dá para avaliar”

SAUBER – NICK HEIDFELD 5 X 20 KAMUI KOBAYASHI (UM NÃO VOTOU EM NINGUÉM, DOIS INDECISOS)

MEU VOTO: NICK HEIDFELD

É uma das duplas mais simpáticas do grid. A vitória de Kamui Kobayashi era esperada, já que o japonês é a sensação do momento. Heidfeld, no entanto, não foi tão absurdamente mal como eu esperava. Um dos votantes, o Luís, simplesmente não escolheu ninguém por gostar dos dois. E é isso que acontece. São dois pilotos legais.

Luís: “Sempre fui fã do Nick e agora do Koba”

VIRGIN – TIMO GLOCK 3 X 22 LUCAS DI GRASSI (TRÊS NÃO ESCOLHERAM NINGUÉM)

MEU VOTO: LUCAS DI GRASSI

Ao contrário da Sauber, a Virgin tem uma das duplas mais apagadas do grid. Ainda assim, Lucas di Grassi vem agradando a vários com sua evolução no ritmo de corrida. E é um sujeito mais gente boa do que o fechado Glock.

Lucas Domakoski: “É um bom piloto, simpático e batalhador. Timo Glock é um piloto mediano, arrogante e mal-humorado”

Aproveitando que esse site vai ficar parado até quarta-feira, queria saber quais são as preferências dos respeitáveis leitores.

Sexuais? Gastronômicas? Etílicas? Não. É simples. A Fórmula 1 tem doze equipes e 24 pilotos. Para cada uma das 12 equipes, só poste qual é o seu piloto preferido. Não é nada que toma muito tempo, acho eu.

Deixo a minha, com alguns comentários:

MCLAREN - LEWIS HAMILTON – No grid atual, é o piloto que mais me lembra Ayrton Senna. É agressivo, voa na chuva, anda de McLaren e tem capacete amarelo. Além do mais, como provado na Coréia do Sul, é um sujeito que gosta dos desafios e que não se acomoda.

MERCEDES – MICHAEL SCHUMACHER - O que dizer que um cara que foi sete vezes campeão mundial? Para mim, ele é o maior de todos os tempos.

RED BULL – SEBASTIAN VETTEL - Apesar de estar em um momento particularmente burro, considero que é um cara que vai dar muito o que falar no futuro. Não foi campeão no ano passado e as coisas estão difíceis neste ano, mas ainda é jovem e tem muito tempo pela frente.

FERRARI – FERNANDO ALONSO - Se Hamilton é o Senna, Alonso é uma mistura bastante interessante de Schumacher das antigas com Prost. É um piloto completo e um seguidor fiel de Maquiavel. Muitos o odeiam por esse lado pouco politicamente correto, mas é exatamente isso que o coloca em um nível acima.

WILLIAMS – RUBENS BARRICHELLO - Perdoe-me, Nico Hülkenberg, mas teu companheiro de equipe ancião ainda tem muita lenha para queimar. É excelente acertador de carros e voa na chuva. E é um cara que ainda emociona quando consegue uma performance melhor.

RENAULT – VITALY PETROV - Não vou negar que minha admiração se dá mais pelo nome dele ser legal e por sua nacionalidade, inédita na Fórmula 1. No mais, era um cara legal de se assistir na GP2. E que até pode dar certo na Fórmula 1, desde que receba uma segunda chance e que não bata tanto.

FORCE INDIA – VITANTONIO LIUZZI – É um cara bastante subestimado que aprendi a admirar na Fórmula 3000, quando conseguiu a proeza de vencer 7 das 10 corridas da temporada de 2004. Ainda acho que merecia uma chance melhor. Mas não tenho nada contra Adrian Sutil.

TORO ROSSO – JAIME ALGUERSUARI – Não que eu o ache grandes coisas, mas o maior problema é que não consigo engolir Sebastien Buemi. Gosto de ver o espanhol largando à frente do helvético e terminando nos pontos. Sim, gosto de eventos raros.

LOTUS – HEIKKI KOVALAINEN – Heikki é outro sujeito bastante subestimado devido à sua fraca passagem pela McLaren. Mas é um piloto de respeito. Na Lotus, está andando bem melhor que seu companheiro de equipe.

HRT – BRUNO SENNA – Não vou muito com a cara do sobrinho, mas a presença de Sakon Yamamoto simplesmente vai contra minha religião. Eu torcia pelo Karun Chandhok.

SAUBER – NICK HEIDFELD – Parada dura. Kamui Kobayashi é o piloto do momento, muito rápido e um tanto quanto avoado. Mas Nick Heidfeld é meu piloto preferido desde 2005. Considero-o um dos melhores do grid, e também um dos mais injustiçados de todos os tempos.

VIRGIN – LUCAS DI GRASSI – É a dupla mais insossa do grid, mas Lucas di Grassi deu uma boa melhorada de uns fins de semana para cá. Acho que, na verdade, trato os dois da mesma maneira: com indiferença.

E você? Quais são os seus pilotos preferidos em cada equipe? Nem precisa explicar, é só jogar a lista.

Fogo. Ou imortal. Você quem sabe

Depois de apresentar a etimologia dos pomposos nomes dos circuitos atuais da Fórmula 1 e da Indy, este indivíduo vos apresenta a história de mais uma série de nomes. Nesse caso, eu vou pegar os últimos circuitos a constarem no calendário da Fórmula 1 até 1985. Só abro uma exceção para Indianápolis, cujo nome já foi destrinchado no post anterior.

NÜRBURGRING – Como a esmagadora maioria dos circuitos germânicos, o nome é uma junção das palavras Nürburg e ring e significa “circuito de Nürburg”. Nürburg é uma vila de apenas 165 habitantes localizada no estado da Renânia-Palatinado, extremo oeste da Alemanha. Este nome teria surgido lá pelos idos do século XII, quando o Conde de Nürburg ergueu um castelo que acabou tomando sua alcunha. A vila teria surgido ao redor deste castelo.

CIRCUIT DE NEVERS MAGNY-COURS – Vamos por partes. O circuito foi construído no meio do caminho entre as vilas de Magny-Cours e Nevers. Magny-Cours tem quase o dobro de tamanho, mas apenas 3% da população de Nevers e ambas estão localizadas no meião da França. O nome Nevers surgiu a partir de uma sucessão de corruptelas. O imperador romano Julio César teria estabelecido, naquela distante região franca, uma cidade que funcionaria como entreposto de mercadorias localizado às margens do Loire. Seu primeiro nome foi Noviodunum. Posteriormente, ele se transformou em Nevirnum e terminou afrancesado como Nevers. Infelizmente, não achei nada a respeito da história de Magny-Cours. Imagino que esteja relacionado ao fato de estar no meio do caminho de várias cidades importantes do interior francês.

FUJI SPEEDWAY – Explicação simples e direta, o circuito está localizado ao pé do famosíssimo Monte Fuji. A palavra fuji, no japonês contemporâneo, significa basicamente “abastado”. No entanto, não há uma única explicação para o nome do monte. Dependendo da corrente, fuji pode significar “imortal” ou “inigualável” ou “arco-íris” ou “fogo”.

AUTODROMO ENZO E DINO FERRARI - O nome do circuito que sediava o GP de San Marino é uma óbvia homenagem a Enzo Ferrari, morto em 1988, e seu filho Dino, morto nos anos 50. O circuito também é usualmente conhecido como Imola por ser o nome da cidade aonde ele está localizado. O nome Imola foi criado pelos lombardos no século XII para designar um forte construído por eles e que acabou sendo o embrião da tal cidade.

A1-RING – É o tipo de nome que eu não gosto muito. A1 é o nome da empresa de telefonia celular que patrocinou o circuito durante anos.

AUTÓDROMO JUAN Y OSCAR GALVEZ – É o autódromo do antigo GP da Argentina. Juan e Oscar Galvez eram pilotos famosos no país nos anos 40 e 50. Oscar, por sinal, chegou a correr no GP de seu país da Fórmula 1 em 1953 com um Maserati. O autódromo foi construído em 1952 pelo presidente Juan Perón e tinha o nome de Autódromo 17 de Octubre, dia em que se comemora o aniversário do peronismo. No dia 17 de outubro de 1945, uma greve geral à frente da Plaza de Mayo exigiu a libertação de Perón, na época o vice-presidente de um governo com grande aprovação popular que havia sido deposto pela oposição. Perón estava preso havia alguns dias na ilha Martín Garcia e a revolta popular acabou dando certo. O circuito também é chamado de Buenos Aires, alusão à cidade onde ele está localizado.

CIRCUITO PERMANENTE DE JEREZ – O circuito recebe o nome da cidade de Jerez de la Frontera, localizada a pouco menos de sete quilômetros de distância de lá. Jerez é uma palavra de origem árabe e remete à cidade saudita de Sherish. Vale lembrar que, por muitos anos, os árabes dominaram a Península Ibérica. A palavra frontera remete ao fato da cidade estar localizado em uma região fronteiriça entre os territórios dos cristãos e dos mouros.

AUTÓDROMO DO ESTORIL – Estoril é o nome da pequena cidade onde está localizado o circuito. O nome derivaria de “estéril” ou “inabitado”, uma indicação a respeito do meio do nada onde cismaram de erguer uma vila.

TI CIRCUIT AIDA – Após uma operação de mudança de donos em 2004, o circuito passou a ser conhecido como Okayama International Circuit, nome referente à região de Okayama. Com relação ao nome antigo, TI é a abreviação de “Tanaka International”, o nome da empresa que era a antiga dona do autódromo. E Aida é o nome de uma cidadezinha localizada na tal região de Okayama.

ADELAIDE STREET CIRCUIT – Adelaide é o nome da cidade cujas ruas sediaram o GP da Austrália até 1995. A cidade, planejada e construída como uma colônia britânica em 1836, recebeu este nome em homenagem à Rainha Adelaide, esposa do Rei William IV da Inglaterra. Um dos criadores da colônia, Edward Wakefield, queria dar o nome de Wellington a ela, mas foi barrado por Williams IV e seu intento de homenagear sua patroa.

KYALAMI – Kyalami é uma palavra de origem zulu e significa “minha casa”.

DONINGTON PARK – O circuito surgiu em 1931 como parte de Donington Hall, uma enorme propriedade de 1.100 acres cuja construção princpal é uma mansão que foi habitada por famílias riquíssimas da Inglaterra, utilizada como cadeia para prisioneiros de guerra na Primeira Guerra Mundial e que atualmente sedia um museu. O nome desta propriedade é uma referência à pequena vila de Castle Donington, localizada no extremo norte do condado de Leicestershire.

AUTÓDROMO HERMANOS RODRIGUEZ – Uma clara homenagem aos pilotos mexicanos Pedro e Ricardo Rodriguez, duas esperanças do país no automobilismo internacional que faleceram precocemente. Pedro chegou a vencer corridas na Fórmula 1 e também a edição de 1968 das 24 Heures du Mans.

PHOENIX STREET CIRCUIT – Phoenix é o nome da cidade do estado do Arizona na qual se realizou o GP americano entre 1989 e 1991. Antes de ter esse nome, a árida cidade teve outros desde seu surgimento, em meados do século XIX. Em uma bela ocasião, o lorde Phillip Duppa, um dos fundadores, decidiu renomeá-la como Phoenix remetendo à ave da mitologia clássica que renasce das cinzas. A intenção era dizer que os caras eram geniais por terem criado algo tão próspero no meio do deserto.

CIRCUIT PAUL RICARD – O autódromo foi construído em 1969 por Paul Ricard, um magnata do ramo das bebidas alcóolicas que era conhecido pelo amor ao automobilismo e pela excentricidade. Para alguém do tipo, nada mais natural do que dar seu próprio nome à pista.

AUTÓDROMO INTERNACIONAL NELSON PIQUET – Preciso mesmo responder? De qualquer jeito, o circuito também é conhecido como Jacarepaguá, nome do bairro da zona oeste carioca onde ele se localiza.

DETROIT STREET CIRCUIT – Detroit é o nome da metrópole do estado do Michigan cujas ruas sediaram a corrida americana de Fórmula 1 por alguns anos. O nome da cidade, por sua vez, surgiu a partir do Rio Detroit. Este rio era conhecido pelos franceses como le détroit du Lac Érié, algo como “o estreito do lago Erie”, uma referência ao fato dele ligar os lagos Huron e Erie.

ÖSTERREICHRING – Uma pessoa que sabe um pouco de alemão consegue captar que o nome nada mais é do que “circuito da Áustria”.

BRANDS HATCH – O nome é derivado da expressão gaélica brondehach, junção das palavras bronde e hach. A primeira significa algo como “descida cheia de árvores” e a segunda remete à “entrada da floresta”. Uma gororoba muito esquisita que eu não consegui compreender direito até agora. Deve se referir às mudanças de relevo e à presença maciça de árvores naquela região.

CIRCUIT PARK ZANDVOORT – Zandvoort é o nome da cidadezinha praiana localizada na província holandesa de Nova Holanda. Seu nome teria surgido no século XII como sandevoerde, uma combinação das palavras sande (areia) e voerde (vau, que é a parte de um rio tão rasa que dá pra atravessá-la andando). Estou tentando entender o significado até agora. O fato de haver uma praia ao redor deve ter algo a ver. Ou não.

No próximo post, mais nomes de circuitos que já fizeram parte do calendário da Fórmula 1.

Semicondutores

Em um período sabático da Fórmula 1, a falta absoluta de assunto faz com que eu tenha de exercitar minha criatividade e escrever sobre qualquer idiotice para não deixar isso aqui parado. Na semana passada, falei sobre a origem dos nomes dos circuitos do atual calendário da Fórmula 1. Como gostei da pesquisa, decidi fazer sobre todos os circuitos possíveis. Hoje, apresento os nomes dos circuitos da Indy. Só ressalto: a esmagadora maioria dos nomes se refere a cidades ou estados onde os respectivos autódromos estão localizados. Se você não está interessado em etimologia geográfica, até amanhã.

CIRCUITO DE SÃO PAULO – É o nome da cidade que o sedia, oras. Nome este que foi escolhido porque o colégio jesuíta que deu origem à cidade foi construído no dia 25 de janeiro de 1554, exatamente o dia em que a Igreja Católica celebrou a conversão do apóstolo Paulo de Tarso.

CIRCUITO DE ST. PETERSBURG - Idem. O nome da cidade teria surgido de um evento bastante curioso. Diz a lenda que, no final do século XIX, os dois fundadores da cidade, John Williams e Pyotr Dementyev, decidiram na moeda quem nomearia aquela nova localidade. Dementyev venceu e, russo de nascença, quis homenagear a segunda cidade mais importante de seu país. Indo mais longe, a cidade russa ganhou esse nome lá no começo do século XVIII, quando Pedro, o Grande, invadiu a região e fundou uma cidade com o nome de seu santo padroeiro, São Pedro.

BARBER MOTORSPORTS PARK - O nome é uma homenagem a George W. Barber, dono dos laticínios Barber e entusiasta do automobilismo. Nas horas vagas, George competia em corridas locais e colecionava Porsches.

CIRCUITO DE LONG BEACH - Mesmo caso de São Paulo e St. Petersburg. O nome da cidade surgiu lá em meados do século XIX, quando um sindicato sediado em Los Angeles e conhecido como Long Beach Land and Water Company comprou 16km² do famoso Rancho Los Cerritos para formar uma comunidade. Como primeira medida quase óbvia, o sindicato deu seu nome para a nova comunidade.

KANSAS SPEEDWAY - O oval ganhou o nome do estado onde está localizado por ser seu principal autódromo. O nome do estado se refere ao rio Kansas, que por sua vez ganhou esse nome da tribo Kaw há alguns séculos. A palavra “kansas” se refere a algo próximo de “vento” e seria uma referência aos fortes ventos que costumam atingir a região.

INDIANAPOLIS MOTOR SPEEDWAY - Mais um caso de circuito com o nome da cidade. O nome Indianápolis, explicando de modo bem simplista, significa “cidade de Indiana”, referindo-se ao estado no qual ela está localizada. O nome do estado, por sua vez, tem origem latina e significa “terra dos índios”.

TEXAS MOTOR SPEEDWAY - Mesmo caso do oval de Kansas. O nome Texas representa uma hispanização de “tayshaʔ”, palavra utilizada pela tribo Caddo que significa “amigo”.

IOWA SPEEDWAY - Idem. O nome do estado é uma referência à antiga tribo Iowa, que ocupava a região antes dos cara-pálidas. A palavra “iowa”, por sua vez, não tem um significado definido. A corrente majoritária diz que ela é uma versão afrancesada de “ayuhwa”, que significa “sonolento”.

WATKINS GLEN INTERNATIONAL – É o nome da cidadezinha do estado de New Jersey na qual se localiza o circuito. O nome da cidade surgiu em 1926 e significa “vila de Watkins”, clara referência ao dr. Samuel Watkins, um dos fundadores.

CIRCUITO DE TORONTO - Outro circuito que toma o nome de sua cidade. A história do nome da cidade é longa. Toronto deriva de “taronto”, que por sua vez deriva da expressão “tkaronto”, que significa “onde há três árvores sobre a água” na língua indígena mohawk. A palavra “tkaronto” evoluiu para “taronto” no século XVII, quando os franceses a utilizaram para nomear o curso de água localizado entre os lagos Simcoe e Couchighing. Em 1750, o governador da província de Nouvelle France quis construir um forte que marcasse a presença francesa e espantasse os índios. O forte ganhou o nome de Fort Toronto, primeira vez que a palavra aparece desta forma. A cidade que surgiu ao seu redor só ganhou esse nome em 1834 a pedido dos residentes da região.

EDMONTON CITY CENTRE AIRPORT - O circuito recebe o nome do aeroporto no qual ele está implantado desde 2005. O nome da cidade canadense surgiu no século XVIII e é uma homenagem à vila inglesa de Edmonton, local de nascimento de alguns dos seus fundadores. No caso inglês, Edmonton seria uma corruptela de “Ēadhelm tūn”, expressão oriunda do inglês arcaico que significa “fazenda do Ēadhelm”.

MID-OHIO SPORTS CAR COURSE - Vamos por partes. O circuito é considerado como um “sports car course” porque surgiu com a pretensão de receber apenas corridas de carros-esporte. O nome “Mid-Ohio” se refere ao fato do autódromo estar localizado na cidade de Lexington, que fica exatamente no meio do estado de Ohio. O nome do estado surgiu em referência ao Rio Ohio, que o corta em sua divisa ao sul. A palavra é originária da língua indígena seneca e significa “riacho”.

INFINEON RACEWAY - O nome original da pista era Sears Point Raceway, muito melhor ao meu ver. Infineon é o nome da empresa de semicondutores que patrocina o autódromo desde 2002. A quem interessar possa, o nome Sears Point se referia ao fato de estar localizado a alguns quilômetros do rancho Sears Point, fundado no século XIX por Franklin Sears.

CHICAGOLAND SPEEDWAY - Quem vê, à primeira vista, pensa que o circuito está localizado na gigantesca cidade de Chicago. Ledo engano. O autódromo foi construído há dez anos na cidade de Joilet, localizada a apenas 64 quilômetros de Chicago. Por questões comerciais, preferiram dar o nome da cidade maior. Afinal de contas, qual seria a graça de “Joilet Speedway”? Quanto ao nome Chicago, ele é uma versão afrancesada de “shikaakwa”, palavra da língua illinois que significa “alho selvagem.” É… pensando bem, Joilet é um nome mais agradável.

KENTUCKY SPEEDWAY - Mesmo caso de Kansas e Iowa, um circuito que utiliza o nome do estado onde está localizado. Kentucky é um nome iroquês que significa “na pradaria”, referente ao tipo de relevo no qual se localiza o estado.

TWIN RING MOTEGI - Imagino eu que a alcunha “twin ring” se refira ao fato do autódromo ter dois circuitos interseccionados. O nome do circuito se refere à cidadezinha japonesa de Motegi. E o que significa Motegi? Não faço idéia.

HOMESTEAD-MIAMI SPEEDWAY - Homestead é o nome da cidadezinha do estado da Flórida na qual o circuito se localiza. Miami não é a cidade, mas o condado no qual se localiza a cidade. O nome Homestead se refere à Lei Homestead, criada em 1862 para dar títulos de terra a estrangeiros que se dispusessem a ocupar os vastos espaços americanos. Um dos locais fornecidos pela tal lei foi ocupado por trabalhadores da construção civil que participavam da criação da Estrada de Ferro da Costa Leste da Flórida. Os trabalhadores criaram ali uma cidade e o nome Homestead foi dado por engenheiros que também estavam envolvidos. Quanto ao nome Miami, ele surgiu a partir da tribo Mayaimi, que ocupava a região.

Minha mãe tinha um livro muito interessante sobre a origem de todos os nomes mais comuns do Brasil. Ao contrário do que temos na internet, era um livro extenso e com explicações bem detalhadas. Era legal saber sobre a origem de nomes estranhos como Firmino ou Deoclécio. Etimologia e coisas do tipo são assuntos que me interessam um monte. E tento trazer o assunto para o automobilismo.

Não, não vou falar sobre a origem do nome dos pilotos. Não será hoje que você descobrirá o que significa Karun, Kamui ou Timo. Ao escrever sobre a pista de Montreal para o Calendário do Verde, conferi que o circuito já teve dois nomes, um relacionado à sua localização geográfica, a Île Notre-Dame, e outro homenageando o falecido Gilles Villeneuve. E desandei a pensar sobre quantos circuitos por aí não carregam nomes legais, ou com algum tipo de história. Trago a vocês o significado dos nomes dos circuitos ao redor do mundo.

Comecemos com a Fórmula 1, aquela categoria que é a favorita dos outros. Primeiramente, devo lembrar que nós chamamos a maioria dos circuitos pelos nomes errados, especialmente naqueles casos em que os chamamos pelas cidades nos quais eles estão sediados. Isso não só acontece com o Autódromo Gilles Villeneuve, sediado em Montreal, mas também com circuitos como o Autódromo Internacional do Bahrein, localizado na pequena vila de Sakhir, e o Circuito da Catalunha, sediado na cidade espanhola de Montmeló. É algo irrelevante, mas não custa nada ressaltar. Eu mesmo sempre cometo esse erro.

Campânula

BAHREIN INTERNATIONAL CIRCUIT - Bahrein é o país aonde se localiza o circuito (jura?). Esse nome vem do árabe e significa “dois mares”. Existem várias hipóteses sobre esse nome, uma vez que não há clareza sobre quais mares são esses.

ALBERT PARK GRAND PRIX CIRCUIT - O nome do circuito refere-se ao parque Albert Park, uma espécie de Ibirapuera localizado a alguns quilômetros da cidade de Mélbourne no qual é realizada a corrida de Fórmula 1. O tal do Albert, homenageado no parque, era o marido da Rainha Vitória, monarca da Grã-Bretanha e da Irlanda no século XIX. Vale dizer que a Austrália obteve a independência durante seu reinado.

SEPANG INTERNATIONAL CIRCUIT - Sepang é o nome da cidadezinha localizada na parte sul do estado de Selangor. Nos últimos anos, ela ganhou importância internacional não só pela Fórmula 1, mas também por sediar o aeroporto internacional de Kuala Lumpur, o 13º mais movimentado do mundo. A cidade ganhou esse nome a partir de uma árvore, também chamada sepang, que aparece abundantemente na região.

SHANGHAI INTERNATIONAL CIRCUIT – Aportuguesando, Xangai é a maior cidade da China. No entanto, o circuito não está localizado exatamente no perímetro urbano da metrópole, e sim em um de seus 18 distritos, o de Jiading. O nome Shanghai é uma união de duas palavras, “shang” e “hai”, que formam a expressão “sobre o mar”.

CIRCUIT DE CATALUNYA - Catalunha é a comunidade autônoma onde se localiza o autódromo. Há várias teorias para esse nome. A mais aceita é a que diz que ele surgiu no século XII e é derivado do termo “terra dos castelos”.

CIRCUIT DE MONACO - Mônaco é o país, oras bolas. Seu nome surgiu do grego “monoikos”, que significa “sozinho por si mesmo”. É uma referência ao semideus Hércules, cultuado em um santuário localizado em Montecarlo.

ISTANBUL PARK - Localizada no estreito de Bósforo, Istambul é a maior cidade da Turquia. Em tempos em que Bernie Ecclestone era jovem, ela teve outros nomes como Bizâncio e Constantinopla. Não há uma origem clara para o nome Istambul. A corrente majoritária diz que o nome veio do grego arcaico e significa “na cidade”.

CIRCUIT GILLES VILLENEUVE - O circuito canadense nasceu com o nome de Circuit Île Notre-Dame, referente à ilha aonde ele foi construído. Em 1982, ele ganhou o nome de Gilles Villeneuve em homenagem ao piloto canadense, falecido naquele mesmo ano em um acidente na Bélgica.

VALENCIA STREET CIRCUIT - Valência é a terceira maior cidade da Espanha. O nome veio do latim e significa “valentia”, algo que não precisa ser gênio para perceber. Foi dado pelo Império Romano como uma homenagem aos bravos soldados imperiais.

SILVERSTONE CIRCUIT - Silverstone é uma minúscula cidade localizada no condado inglês de Northamptionshire. De acordo com o dicionário Oxford, o nome Silverstone viria de “Saewulfston”. “Saewulfs” seria um sobrenome e “ton” significa fazenda. Seria algo como “fazenda dos Saewulfs”.

HOCKENHEIMRING – O nome, em termos literais, é “circuito de Hockenheim”. Hockenheim é uma cidade localizada ao norte do estado de Baden-Württemberg. Não consegui achar a origem exata do nome, mas consta que ele foi utilizado pela primeira vez no século XXI. Tentando quebrar a palavra em duas, cheguei a um resultado parecido como “casa onde se agacha”, mas não me parece provável que seja isso.

HUNGARORING - Assim como Hockenheim, o nome da pista se refere a uma união de palavras. Neste caso, “circuito da Hungria”. O nome do país é uma palavra de origem turca que significa “aliança dos dez povos”.

CIRCUIT DE SPA-FRANCORCHAMPS - Nos primórdios do automobilismo, o tal circuito era uma espécie de triângulo que ligava as cidades de Francorchamps, Malmedy e Stavelot. Ainda assim, a sede da pista era a vila de Spa. Como Francorchamps era a primeira cidade a qual a pista percorria, uniu-se o nome das duas.

AUTODROMO NAZIONALE MONZA - Monza é uma cidade de tamanho médio localizada na Lombardia. Diz a lenda que esse nome surgiu no século VII a partir de um sonho de Teodelinda, mulher do rei Autari. Segundo esse sonho, um pombo veio a ela e disse “modo”, palavra em latim que significa “aqui”, indicando o local no qual ela deveria construir uma capela. Diante da indicação, a rainha respondeu ao pombo “etiam”, que significa “sim” em latim. A junção de palavras formou o nome Modoetiam, que com o passar do tempo, se transformou em Monza. A igreja construída é a basílica de São João, principal ponto turístico da cidade até os dias atuais.

MARINA BAY STREET CIRCUIT - Marina Bay é o nome de uma baía localizada na área central de Cingapura.

SUZUKA CIRCUIT - Suzuka é uma cidade de quase 200 mil habitantes localizada na prefeitura de Mie. Não confunda o conceito de prefeitura japonesa, que remete ao conceito de região metropolitana, com a prefeitura que temos aqui. Suzuka, em português, significa campânula, uma flor de origem setentrional com formato de sino. Uma curiosidade: Suzuka tem como cidade-irmã Le Mans, aquela da corrida de 24 horas.

KOREAN INTERNATIONAL CIRCUIT - Nem um pouco original, o nome do circuito se refere ao país que sedia a pista. O nome Coréia surgiu a partir de Goryeo, um antigo reino do norte da península onde se localiza o país. Esse nome foi traduzido pelo italiano Marco Polo em uma de suas viagens e virou algo como Coréia.

AUTÓDROMO JOSÉ CARLOS PACE - O nome do circuito é uma homenagem a José Carlos Pace, piloto brasileiro falecido em um acidente de helicóptero em 1977. Interlagos é o nome do bairro da Zona Sul paulistana onde se localiza o circuito. O nome do bairro remete ao fato dele estar localizado entre dois lagos que viriam a se transformar nas represas Billings e Guarapiranga.

YAS MARINA CIRCUIT - Yas é uma ilha artificial de 2.500 hectares que sedia parques, hotéis e marinas que dão o nome à pista. Típica breguice de árabe emergente.

Em um outro dia qualquer, provavelmente na semana que vem, vou falar da origem dos nomes de outros circuitos.

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