Plantão Verde


Marcel Tiemann em foto recente

Vocês já ouviram falar do alemão Marcel Tiemann? Marcel, 36, é um piloto que, neste exato momento, se recupera de um violentíssimo acidente sofrido no circuito de Imola no ano passado, quando competia no International GT Open. Seu carro foi criminosamente empurrado em direção ao muro pelo Aston Martin DBRS9 do italiano Angelo Lancelotti, bateu violentamente e ricocheteou de volta à pista. Tiemann sofreu traumatismo craniano, fratura na vértebra e várias costelas quebradas, ficando em coma por quase um mês.  

Eu já tinha ouvido falar de Tiemann na época em que eram fortes os rumores de que ele seria o parceiro de Bryan Herta na equipe Forsythe/Zakspeed na CART em 2011. Após o fracasso das negociações, ele decidiu se dedicar às categorias de turismo. Fez bem, pois conseguiu o vice-campeonato no German V8 Star em 2003 e nada menos que cinco vitórias nas 24 Horas de Nürburgring. Sua relevante carreira, no entanto, está ameaçada.

Após quase sete meses, embora em excelente estado, Marcel Tiemann ainda luta para se recuperar de algumas pequenas sequelas. Devido às lesões cerebrais, ele ainda tem problemas de memória, de equilíbrio e de orientação. Os médicos garantem que as chances de melhora nos próximos anos são grandes. O que pega mesmo é o olho direito, que é capaz de enxergar em apenas uma das metade, problema conhecido como hemianopsia. As chances de melhora, nesse caso, são baixas. Quem conta esses detalhes é o próprio piloto em seu blog.

O que me motivou a escrever esse texto, no entanto, foi seu penúltimo post, do dia 24 de dezembro. Ele faz um doloroso desabafo sobre a postura do causador de seu acidente, Angelo Lancelotti.

Segundo Marcel, nem Lancelotti e nem sua equipe, a Team Villois, se manifestaram sobre o acontecido. Não o visitaram no hospital, não mandaram condolências, não fizeram porcaria alguma. Compreensivelmente ofendido, Tiemann diz no blog que “isto prova qual é o tipo de caráter, ou falta de, que Lancelotti e sua equipe têm. Espero que as pessoas que venham a trabalhar (desejo que não) com eles no futuro tenham isso em mente, como eles se comportaram, em especial o piloto Lancelotti”.

Veja o acidente. Olhando uma ou duas vezes e considerando o fato que Lancelotti quase saiu da pista após empurrar Tiemann para o muro, eu só posso dizer o seguinte: perda de licença é pouco para você, Angelo Lancelotti.

As duas quentes do dia.

- Segundo esse site, cuja confiabilidade eu realmente desconheço, a Renault não vai mudar seu nome para esta semana. Desmentindo o que a Autohebdo (e mais um monte de gente que me inclui) falou ontem, a equipe continuará sendo Renault F1 Team durante essa semana. E não fala sobre o que vai acontecer depois.

- Olhe a asa traseira do carro da Renault que testou hoje:

Porque uma imagem vale mil palavras.

Hoje, 16 de novembro de 2010, é o último dia da Renault F1 Team. Acabou. Au revoir.

A partir de amanhã, a equipe passará a ter o honroso nome de Lotus Renault F1 Team. Sim, amanhã. Jerôme D’Ambrosio e Mikhail Aleshin serão os primeiros pilotos a testarem pela Lotus Renault.

Isso significa que também não teremos Lotus Racing no ano que vem. Talvez tenhamos Team Air Asia ou 1Malaysia ou coisa pior.

Seguinte, personas. Um jornal belga, o La Libre, andou falando que a Virgin deverá ter, de fato, um novo companheiro de equipe para o alemão Timo Glock. Lucas di Grassi, portanto, estaria realmente fora. A novidade é que quem ocuparia essa vaga não será mais o belga Jerôme D’Ambrosio. O agraciado é o holandês Giedo Van Der Garde, sexto colocado na atual temporada da GP2 Series.

Segundo o jornal, o próprio D’Ambrosio teria desistido da vaga, uma vez que não tem dinheiro o suficiente. Van Der Garde, por outro lado, é MUITO rico. Por meio de seus patrocinadores, como a grife McGregor, ele teria conseguido oferecer o dobro da quantia oferecida pelo belga. Além disso, seu padrasto seria um dos homens mais ricos da Holanda.

O contrato seria assinado em Interlagos. É uma pena que isso venha a acontecer. Tanto Di Grassi quanto D’Ambrosio são bem mais talentosos do que Van Der Garde, que é bastante experiente e só conseguiu o título da World Series by Renault em 2008 devido a isso.

Vale lembrar que o jornal é belga e não seria normal da parte deles anunciar o infortúnio do único piloto de seu país com chances concretas de chegar à Fórmula 1. A conferir.

Rápidas, rápidas, muito rápidas.

Peter Sauber está louco pra colocar Pastor Maldonado, o líder da atual temporada da GP2, no lugar de Pedro De La Rosa. Mas este não ficaria sem vaga.

De La Rosa pode ir pra Hispania. Colin Kolles quer uma dupla nova e Pedro seria o cara para liderar a equipe. Ao seu lado, um jovem e limitado espanhol da GP2, Dani Clos.

Não me cobrem. Apenas ouvi falar.

Mandei um e-mail à equipe Durango pedindo uma entrevista. Algo feito meio que na má vontade, já que estava com uma enorme preguiça de escrever em inglês. Responderam rapidamente e sucintamente. Enfim, aqui está:

COMO SURGIU A IDÉIA DE SE INSCREVER PARA A DISPUTA PELA 13ª VAGA NA FÓRMULA 1 EM 2011?

Após 25 anos disputando corridas no automobilismo internacional, esta decisão de se inscrever para disputar a categoria máxima do automobilismo representa um processo natural de evolução e amadurecimento.

VOCÊS JÁ ESTÃO FALANDO COM ALGUM PILOTO?

Sim, é claro. Se nós formos os escolhidos, não haverá duvida de que Jacques Villeneuve pilotará um dos carros. O outro piloto será revelado no tempo certo.

VOCÊS JÁ TEM ALGUM PATROCÍNIO OU OUTRO TIPO DE APOIO?

Temos, sim. Se não fosse assim, não teríamos a menor chance de sermos escolhidos no processo seletivo da FIA.

SABEM QUANDO A FIA IRÁ REVELAR A EQUIPE ESCOLHIDA?

No fim de agosto.

COMO ANDAM AS COISAS?

Bem, nós enviamos à FIA uma extensa documentação a respeito de como iremos corresponder às requisições da FIA. Acreditamos que esta documentação é séria e concreta o suficiente para consolidar nossa inscrição.

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O que importa nessa minúscula entrevista: Jacques Villeneuve faz parte do projeto porque quer pilotar. Assim como ocorria na BAR, ele fará o papel de sócio e  piloto. Interessante.

Ao mesmo tempo, a equipe parece confiante com relação à sua escolha. Sem muitas delongas, afirma que possuem parceiros e que, caso eles não existissem, não haveria a menor chance de ser escolhida. Interessante.

Por fim, só saberemos quem, de fato, será escolhido no fim de agosto. Portanto, esperemos sentados.

Descobri (descobri é modo de falar: dêem crédito ao Auto Motor und Sport) mais um projeto que se candidata à vaga de 13ª equipe da Fórmula 1 de 2011. E essa equipe carregaria o simples porém forte nome de Villeneuve Racing. Reconheceu? Sim! A equipe seria liderada pelo canadense Jacques Villeneuve, filho do Gilles e campeão da Fórmula 1 em 1997.

Quase nada é conhecido sobre a tal Villeneuve Racing. Especula-se que seria sediada na Inglaterra e poderia ter as polêmicas colaborações de Flavio Briatore e Pat Symonds. Os funcionários seriam remanescentes dos staffs das antigas Super Aguri e Arrows. Enfim, pouco há o que falar sobre isso ainda.

A idéia de uma Villeneuve Racing não é nova, já que seu pai também já teve um sonho do tipo. Falarei sobre isso mais tarde.

Por fim, a mesma fonte diz que apenas três equipes estão concorrendo à 13ª vaga: a Cypher, a Villeneuve Racing e uma terceira que poderia ser Durango ou Epsilon Euskadi. Porém, as notícias envolvendo estas duas últimas não são boas e falarei sobre isso depois.

Escolher entre Cypher, Villeneuve e Durango seria complicado, hein?

Juro que não queria ficar dando audiência para a tal da Cypher, aquele projeto de equipe americana de Fórmula 1 para 2011. Mas não é que os caras surgem do nada e me mandam um e-mail com algumas perguntas e respostas? Não é nada que irá mudar o mundo, os jornalistas da grande mídia já devem ter recebido este comunicado há séculos, mas irei reproduzir o que eu recebi de qualquer jeito. As perguntas não foram feitas por mim: é um questionário pronto.

COMO VOCÊ AVALIA O RETORNO DA FÓRMULA 1 AOS ESTADOS UNIDOS?

Nós acreditamos que o retorno da Fórmula 1 aos EUA é bastante positivo. E não é algo bom apenas para o país e para os fãs americanos da categoria, mas também para o continente como um todo. É uma oportunidade perfeita para as Américas apresentarem seus talentos automobilísticos e culturais por meio das corridas no Brasil, nos Estados Unidos e no Canadá.

O FATO DE TER SIDO ANUNCIADA UMA CORRIDA DE FÓRMULA 1 EM SOLO AMERICANO AUMENTA AS CHANCES DA CYPHER SER A EQUIPE ESCOLHIDA?

É algo que certamente atrairá a atenção e o interesse de todos em nosso favor. Nós acreditamos que a 13ª vaga é a oportunidade perfeita para uma equipe americana e isso também beneficiará todo o continente americano. Será ótimo para os pilotos do continente americano, pois eles não necessariamente terão de viajar para a Europa se quiserem pleitear uma vaga na Fórmula 1.

Se quer um exemplo, temos o Brasil, país que já produziu campeões mundiais como Ayrton Senna e Nelson Piquet. Nós consideramos que um piloto como Nelson Piquet Jr. competindo ao lado de um jovem piloto americano em uma equipe americana seria algo excelente tanto para os EUA como para o Brasil, não acha?

QUANDO VOCÊS ANUNCIARÃO MAIS DETALHES SOBRE O PROJETO?

Como nós dissemos anteriormente, nós só faremos uma inscrição definitiva quando tivermos o orçamento necessário para construir uma equipe minimamente competitiva. Nós queremos entrar na Fórmula 1 com uma estrutura respeitável e sólida. Assim que nós conseguirmos completar este orçamento, nós informaremos a mídia e os torcedores sobre nossa inscrição definitiva. A partir daí, só nos restará esperar pela decisão da FIA.

POR QUE VOCÊS DECIDIRAM SE INSTALAR NO ESTADO DA CAROLINA DO NORTE?

Nós acreditamos que a Carolina do Norte possui inúmeras qualidades que são necessárias para o desenvolvimento de uma equipe de Fórmula 1. A questão da logística é vital para qualquer projeto do gênero, mas não é nossa única preocupação. Nós precisamos de um corpo de funcionários que tenha uma mentalidade dinâmica e pensamos que, para isso, precisaríamos estar no maior celeiro de talentos do automobilismo americano, que é exatamente este estado. A Carolina do Norte concentra a maior parte das estruturas participantes da NASCAR e acreditamos que uma equipe desta categoria e uma equipe de Fórmula 1 podem trabalhar em conjunto, algo que o presidente da FIA, Jean Todt, parece ter percebido ao comparecer a algumas corridas em Daytona.

ESTÁ MUITO DIFÍCIL OBTER PATROCÍNIO?

A Cypher continua trabalhando duro visando cumprir seus objetivos e espera que os EUA e os países vizinhos ajudem a ampliar nosso projeto. Nós podemos dizer que estamos fazendo de tudo: já entramos em contato com várias multinacionais e estamos em negociações avançadas com algumas empresas que fazem parte da lista das 500 maiores empresas do mundo segundo a revista Fortune. Estamos buscando aumentar o número de colaboradores em nosso projeto.

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Enrolaram muito e não disseram muita coisa, como é esperado. Na verdade, se há uma novidade maior, seria uma possível ligação da Cypher com uma equipe da NASCAR, o que não me pareceria uma idéia tão horrível assim. Mas apesar da equipe aparentar estar avançando lentamente, tudo ainda é muito vago.

A propósito, como revelado pela edição 4 revista Grande Prêmio, uma das cabeças da equipe é um tal de Steve Brown. Tentarei apurar depois quem é o cabra.

A propósito 2, nem consegui falar que mais uma equipe pode ter desistido da 13ª vaga na Fórmula 1. Fica pra amanhã.

Li essa há pouco. O site MTV3 está sugerindo que o possível acordo entre Lotus e Renault com relação a motores pode significar uma migração de Heikki Kovalainen da equipe anglo-malaia para a equipe franco-luxemburguesa em 2011. Segundo essa fonte, Eric Boullier, chefão da Renault, gostaria de tê-lo por lá. Em troca, a Lotus poderia adquirir os motores da marca francesa a um precinho camarada.

Heikki já competiu na Renault em 2007 e foi bem, batendo Giancarlo Fisichella. Se isso viesse a acontecer, a Finlândia voltaria a ter um piloto em uma equipe razoável.

Fiquei com vontade de escrever mais um pouco. Como o tempo não me é escasso como já foi outrora, lá vai:

- Coincidências esportivas são demais. Na atual temporada da GP2, temos apenas um piloto holandês no grid, Giedo van der Garde. Ele corre pela Addax, equipe espanhola comandada pelo empresário Alejandro Agag. E todos nós sabemos quem jogou a final da Copa do Mundo. Em Silverstone, a equipe decidiu homenagear La Fúria com um adesivo “Vamos España” nos dois carros. E o pobre Van Der Garde teve de carregar uma mensagem de incentivo contra a seleção de seu país! Pelo visto, o resultado deu certo…

Única foto que eu encontrei, vinda do Sutton. A mensagem está lá no canto. O carro é o de de Sergio Perez, mas tudo bem

- A Red Bull está, definitivamente, em crise. Andei lendo por aí que está havendo uma divisão entre os mecânicos de Vettel e os de Webber. E o tratamento entre eles, como não poderia deixar de ser, está longe de ser cordial. Em Silverstone, a turma de Vettel chegou a provocar a de Webber brincando com a nova asa dianteira, o motivo do litígio. Ridículos, todos.

- Bernie Ecclestone está pedindo 19 milhões de euros para quem ocupar a 13ª vaga na Fórmula 1 em 2011. Esta taxa seria uma espécie de reedição daquela famosa caução de 48 milhões de dólares exigida no início da década por qualquer estrutura nova que quisesse participar da brincadeira. Ele alega que a equipe deve provar que tem bala no cartucho, algo que acho ridículo. No entanto, desconfio que o motivo seja outro. Os 19 milhões de euros cairiam muito bem em seu interminável bolso. É uma motivação mais nobre do que a alegada, ao meu ver.

- Bruno Senna ficou de fora do Grande Prêmio da Inglaterra por um motivo tão prosaico quanto imbecil. Diz a lenda que ele teria mandado, por engano, um e-mail ao próprio chefe metendo o pau no carro. Colin Kolles, o romeno que comanda a bagaça, não gostou e puniu o sobrinho com uma corrida de suspensão. Todo mundo sabe que o carro da Hispania é uma tremenda bomba. O que não sabemos é o real conteúdo da mensagem. Duvido que Senna tenha sido afastado unicamente por reclamar de sua diligência. E Bruno deveria conferir o destinatário, regra básica pra quem manda e-mails. Falta de noção completa.

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