Notas


WILLIAMS8,5 – Que Pastor Maldonado foi o rei da Espanha no último domingo, ninguém tem o direito de discordar. Mas é injusto deixar de lado o papel da Williams nesta vitória, sua primeira desde 2004. O venezuelano só conseguiu largar da pole-position, deixar Fernadno Alonso para trás e manter a liderança mesmo com os pneus em condições precárias porque seu carro estava impecável e a estratégia adotada pela equipe deu um baile na Ferrari. Mas o fim de semana não foi perfeito, longe disso. O próprio Maldonado perdeu alguns preciosos segundos em um dos pit-stops e poderia ter arruinado sua corrida aí. O outro piloto da equipe, Bruno Senna, também não colaborou muito com aquela rodada na qualificação. Na corrida, levou uma pancada de Michael Schumacher e saiu da corrida bem cedo. Mas nada foi mais desagradável do que o incêndio iniciado lá nos boxes da equipe, que causou enormes prejuízos e mandou um bocado de gente ao hospital. Um fim de semana quente, por assim dizer.

FERRARI7,5 – É de se filosofar bastante se o carro é tão ruim como todos estão falando. Em Barcelona, nem parecia. Os ferraristas andaram trazendo algumas boas modificações que aparentemente fizeram bom efeito. Fernando Alonso cavou uma segunda posição no grid e pilotou como nunca no domingo. Poderia ter vencido, mas teve lá seus pequenos contratempos e também sofreu com os pneus nas últimas voltas. Felipe Massa dispensa maiores explicações: 17º no grid, 15º na corrida com direito a punição por não respeitar a bandeira amarela. Nem mesmo a Ferrari esconde a insatisfação com o piloto paulista. Se o carro não é brilhante, até dá para culpá-lo. Mas e quando o companheiro de equipe quase embolsa uma segunda vitória no ano?

LOTUS8,5 – Pode não ter exatamente o carro mais veloz do ano, mas concorrente nenhum supera a esquadra preta e dourada em termos de consistência. Em Barcelona, os dois pilotos se meteram entre os primeiros novamente e um deles abocanhou mais um pódio. Kimi Räikkönen largou bem pra caramba, andou em terceiro durante todo o tempo e tinha pneus bons o suficiente para caçar a vitória, mas ela acabou não acontecendo. Podemos colocar o revés na conta da própria equipe, que anda deslizando nas estratégias e acaba deixando seus pilotos muito distantes da liderança nas últimas voltas. Romain Grosjean largou em terceiro e terminou em quarto, tendo feito mais uma corrida sensata. Não se enganem: a primeira conquista da equipe virá logo. Desde que os estrategistas colaborem.

SAUBER7,5 – É outra que tem um carro bom o suficiente para sonhar com uma vitória, mesmo que ela tenha passado longe da realidade em Barcelona. Desta vez, quem salvou as honras da equipe foi Kamui Kobayashi, que fez uma de suas melhores corridas na carreira, inventou novos pontos de ultrapassagem e se premiou com uma excelente quinta posição. Sergio Pérez poderia ter ido tão bem quanto, mas deu muito azar, tomou pancada de Romain Grosjean e teve problemas de transmissão. O acordo com o Chelsea fez muito bem. Pelo visto, quem estampa o emblema azul e branco sempre se dá bem em Barcelona.

RED BULL6,5 – Liderou um treino livre e só. O RB8 realmente não mete medo em mais ninguém, embora também esteja muito longe de ser ruim. E sem um carro excepcional, Mark Webber derrapa e padece. Não passou para a fase final da classificação, teve problemas com sua estratégia de paradas e não marcou ponto algum. Pelo menos, o outro piloto da equipe é bom demais, sô. Sebastian Vettel conseguiu manter os pneus em ótimo estado nas últimas voltas e ganhou algumas posições, terminando em sexto e mantendo-se na liderança do campeonato empatado com Fernando Alonso.

MERCEDES5,5 – As adversárias apareceram tão bem em Barcelona que a Mercedes acabou o fim de semana um tanto obliterada. Nico Rosberg e Michael Schumacher não tiveram um carro prateado tão bom como nas primeiras etapas e passaram longe até mesmo do pódio. O mais jovem ainda conseguiu terminar em sétimo mesmo tendo sofrido novamente com os pneus na parte final da corrida. Já o velho Schumacher é o grande encrenqueiro do momento. Bateu de maneira prosaica em Bruno Senna e saiu da corrida achando que estava certo. Não estava e será punido em Mônaco. Como se não bastasse, o diretor Ross Brawn ficou doente e sequer apareceu na Espanha. A equipe precisa trabalhar mais se quiser voltar à forma do início da temporada.

MCLAREN2 – Para quem tem o melhor carro da temporada, um verdadeiro fim de semana de merda. Terminar a corrida espanhola em oitavo e nono definitivamente não estava nos planos. E o pior é que os pilotos não tiveram culpa alguma. Lewis Hamilton, pelo contrário, se esforçou ao máximo e fez uma pole-position tranquila. Um erro crasso fez com que ele ficasse sem combustível e sequer conseguisse retornar aos pits. Com isso, Lewis acabou punido e teve de largar em último. Mesmo assim, ele enfrentou todas as adversidades e ainda terminou à frente de Jenson Button. Este daqui, diga-se, fez uma porcaria de fim de semana. E ainda não foi ajudado pelo alto consumo de pneus de seu carro. Devo dizer que a temporada 2012 só está divertida graças aos inúmeros erros da McLaren.

FORCE INDIA3,5 – Num fim de semana onde quase todo mundo que conta andou bem, a Force India simplesmente não deu as caras. Paul di Resta e Nico Hülkenberg, pilotos de carisma escasso, não fizeram muita coisa nem nos treinos e nem na corrida. O escocês parecia estar em melhores condições, mas quem acabou marcando o único ponto da equipe foi Hülkenberg, que se deu melhor com a questão dos pneus. O carro definitivamente só disputa alguma coisa com a Toro Rosso nos dias atuais.

TORO ROSSO3 – Foi a única equipe daquelas que contam que não marcou ponto algum em Barcelona. Na verdade, o único momento em que ela apareceu mais foi naquela sensacional ultrapassagem dupla que seus dois pilotos sofreram de Lewis Hamilton. Jean-Eric Vergne sempre vai mal no sábado, mas apareceu melhor na corrida, meteu-se em algumas brigas e poderia até ter pontuado. Mas não pontuou. Já Daniel Ricciardo não fez nada de interessante em momento algum e ficou preso lá no meio do pelotão.

CATERHAM4 – Seu grande mérito foi ter terminado a prova com os dois carros, fato único entre as equipes pequenas. Vitaly Petrov até ameaçou fazer um trabalho melhor que o de Heikki Kovalainen ao superá-lo no treino oficial, mas o finlandês reestabeleceu a verdade das coisas no domingo. Heikki tentou adiar ao máximo seus pit-stops, mas o resultado final não mudou muito. Já Petrov teve alguns pequenos problemas, mas também conseguiu cruzar a linha de chegada. Não há muitas novidades aqui.

MARUSSIA3 – Corrida convencional. O sábado foi um pouco diferente, já que Charles Pic conseguiu bater Timo Glock em cinco décimos no treino oficial. Mas o francês rodopiou de maneira artística na primeira volta da corrida, atrapalhou Fernando Alonso durante alguns segundos e abandonou com o semieixo arrebentado. Glock fez seu trabalho honesto de sempre e levou o carro vermelho e preto ao fim. A equipe aparenta estar um pouco mais próxima da Caterham, mas nada que assombre demais os malaios esverdeados.

HRT2,5 – Sortes totalmente distintas na equipe mais furreca da Fórmula 1. Correndo em casa, Pedro de la Rosa estava bem feliz, já que só ele utilizaria as novidades que a equipe espanhola traria em seu carro. O desempenho realmente melhorou um pouco e o veterano conseguiu até mesmo ficar no mesmo segundo da Marussia no treino oficial, um verdadeiro milagre neste ano. Já Narain Karthikeyan teve problemas para dar e vender nos três dias. Não conseguiu sequer fazer um tempo normal na classificação e, como esperado, não chegou ao fim da corrida. Coitado do indiano, que ainda tem de conviver com a sombra incômoda de Dani Clos ali nos boxes.

TRANSMISSÃOÍDOLOS – E não é que rei morto, rei posto? Até duas horas atrás, Felipe Massa era o cara. Há alguns minutos, Bruno Senna era a salvação do automobilismo brasileiro. Hoje em dia, resignado, o locutor oficial da Fórmula 1 no Brasil decidiu que era hora de apoiarmos o único piloto sul-americano que conseguiu ganhar uma corrida nesta temporada até aqui. Nunca vi uma narração tão empolgada com a vitória de um estrangeiro. Honesto, o locutor até soltou um “torci pra ele memo!”. No mais, não são muitas as coisas a serem lembradas. As orelhas de Michael Schumacher ficaram mais vermelhas do que mocinha tímida quando ele atropelou o carro de Bruno Senna. Atropelar um brasileiro não pode! Caramba, o país já não anda ganhando nada e ainda aparece um alemão nazista filho da puta e mau caráter pra piorar ainda mais as coisas? Por fim, a memória de narrador e comentarista, que “estão nesse meio faz quarenta anos”, anda meio falha. Primeiramente, acharam que a última pole-position da Williams havia ocorrido em 2004. Depois, alguém se lembrou de uma que o Nico Hülkenberg fez em Interlagos há dois anos. Pô, e o Nick Heidfeld em Nürburgring? Ninguém se lembra dele…

CORRIDABARCELONA? – E quem diria que uma pista de merda como Barcelona poderia protagonizar uma das melhores corridas dos últimos, sei lá, dez anos? E sem chuva ou engavetamentos. A Fórmula 1 até que anda bem divertida e nada como uma vitória de um sujeito gente boa de uma equipe admirada para deixar todo mundo um pouco mais contente. A Williams não ganhava nem jogo de bolinha de gude desde 2004 a.C. e estava devendo as calças até alguns meses atrás. E Pastor Maldonado deixou de ser apenas um sujeito meio desastrado patrocinado por um presidente polêmico para se tornar um dos alunos bons da sala. Maldonado fez a corrida de sua vida e segurou um Fernando Alonso colérico e ansioso para ganhar em frente aos torcedores. Lá atrás, gentes como Kamui Kobayashi, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton davam um jeito de animar as coisas no meio do pelotão. Cara, sei lá, o fim de semana foi legal pra caramba. Até Barcelona tem salvação.

GP2GERIATRIA – O que o vencedor do sábado e o do domingo têm em comum? Ambos estão fazendo a GP2 pelo quarto ano seguido, uma eternidade em se tratando de uma categoria de base. Para Giedo van der Garde, a vitória não poderia vir em melhor hora: ele não ganhava uma corrida no certame desde setembro de 2009 e suas últimas provas haviam sido deprimentes. Vale dizer, no entanto, que ele só levou o troféu para casa porque sua equipe fez um trabalho de troca de pneus muito melhor do que a Lotus de James Calado e a Racing Engineering de Fabio Leimer. No dia seguinte, Razia largou da pole-position após ter terminado a corrida de sábado em oitavo e manteve-se em primeiro até a bandeirada final, sem grandes problemas para conter os ataques do francês Nathanaël Berthon. Felipe Nasr teve um fim de semana discreto, perdoável para um primeiranista. Dessa vez, a Fórmula 1 foi mais emocionante, devo admitir.

PASTOR MALDONADO10 – Quem imaginaria que um GP da Espanha seria uma das melhores corridas dos últimos tempos? E a maior parte da graça da corrida obviamente se deve a Pastor Maldonado, o surpreendente vencedor. Discretíssimo na sexta-feira, a sorte do venezuelano começou a mudar no sábado, com o segundo tempo no terceiro treino livre e a liderança no Q2 da classificação. Obteve um sensacional segundo lugar no grid de largada que virou pole-position após a punição de Lewis Hamilton. Na corrida, perdeu a ponta para Fernando Alonso logo na primeira curva, mas tratou de recuperá-la logo após a segunda rodada de pit-stops. Mantendo quase sempre um ritmo muito forte, ele conseguiu permanecer à frente do espanhol em plena Catalunha sem maiores dificuldades. E venceu. Um dia histórico para o automobilismo, sem dúvida.

FERNANDO ALONSO9,5 – Faltou-lhe somente a vitória. Nos treinos, contrariou o que vinha sendo a lógica desta temporada e foi bem, liderando o primeiro treino livre e obtendo um notável segundo lugar no grid. Bom largador em Barcelona, Alonso passou Pastor Maldonado na primeira curva e foi o líder de facto até a volta 26, quando fez seu segundo pit-stop e voltou atrás do venezuelano. Após isso, esteve quase sempre mais lento que Maldonado. Nas últimas quinze voltas, até chegou a se aproximar perigosamente, mas foi obrigado a desistir da briga por causa do péssimo estado de seus pneus. Chegou em segundo poucos décimos à frente de Kimi Räikkönen. Não venceu, mas ainda não deixou a liderança do campeonato.

KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – É, sem dúvida, um dos melhores pilotos do ano. Em Barcelona, assim como Alonso, também esteve muito próximo da vitória. Sempre competitivo nos treinos, Kimi obteve um bom lugar quarto lugar do grid, embora seu companheiro tenha ido ainda melhor novamente. Mas sua sorte sempre muda na corrida. Largou bem, assumiu a terceira posição e esteve sempre ali, esperando que algo acontecesse com os hispanohablantes à sua frente. Achava que seria o único espertão a fazer apenas três paradas, mas acabou sendo surpreendido com a decisão de Maldonado e Alonso de não fazer uma quarta parada. Tinha pneus em condições muito melhores nas últimas voltas e quase ultrapassou o espanhol, mas teve de se contentar com o terceiro lugar. De qualquer jeito, outra corridaça.

ROMAIN GROSJEAN8 – Fez mais uma boa prova, mas já começa a ficar definitivamente atrás de Kimi Räikkönen dentro do coração da Lotus. Fica claro que sua especialidade maior é o treino classificatório, onde o falso francês conseguiu ser mais rápido que o colega de equipe pela terceira vez no ano. Largou da terceira posição, mas perdeu posições logo no começo e ainda furou um pneu de Sergio Pérez com o bico do seu carro. Depois do primeiro pit-stop, subiu para a quarta posição e manteve-se lá até o fim. Nunca conseguiu se aproximar de Räikkönen durante a corrida. Em compensação, fez a volta mais rápida de todas.

KAMUI KOBAYASHI9 – Japonês doido de pedra. Ele definitivamente não é um piloto genial na maioria das vezes, mas sabe assombrar a concorrência em um dia inspirado. Andou bem em todos os treinos e só não obteve posição melhor no grid porque teve um problema hidráulico no Q2 da classificação. E o dia seguinte foi legal demais da conta. Kobayashi permaneceu quieto na primeira metade da corrida, mas decidiu tocar o foda-se na parte final e empreendeu ultrapassagens inacreditáveis sobre Jenson Button e Nico Rosberg enquanto teve pneus melhores. Terminou numa belíssima quinta posição e trouxe para si as atenções que vinham até então se concentrando no companheiro de equipe.

SEBASTIAN VETTEL8,5 – Dou risada de quem acha que este daqui só funciona bem com um carro intergaláctico. O que dizer de um piloto que não tem o melhor carro do grid, larga em sétimo, toma punição por desrespeito à sagrada bandeira amarela, é obrigado a trocar o bico em um de seus pit-stops e ainda consegue terminar em sexto? Vettel foi muito bem na sexta-feira, mas não conseguiu ser tão feliz no treino classificatório. Na corrida, assim como Kobayashi, começou o dia silencioso e terminou como um dos grandes destaques. Com pneus em ótimas condições, deixou um bocado de gente para trás no final e até se deu ao luxo de ultrapassar Lewis Hamilton por fora. Se não tivesse sido punido, poderia ter terminado mais à frente.

NICO ROSBERG7 – Numa corrida com tantos destaques, este aqui foi um que desapareceu. Seu sétimo lugar está longe de ser um resultado ruim, ainda mais considerando o que aconteceu com o companheiro de equipe, mas também não houve lapso de brilhantismo algum. O filho de Keke Rosberg obteve um honesto sexto lugar no grid de largada e ainda conseguiu subir para quarto logo na primeira volta. Mas as coisas não melhoraram muito mais. Um stint final muito longo com pneus duros o fez perder duas posições nas últimas voltas. Terminou com Lewis Hamilton colado em sua caixa de câmbio. Definitivamente, um resultado que só será lembrado na contagem final de pontos.

LEWIS HAMILTON9 – É incrível o que acontece com este cara na temporada. Mesmo tendo feito o melhor tempo do Q3 da classificação pela terceira vez, Hamilton ainda não conseguiu ganhar nenhuma corrida. Na Espanha, a razão foi patética: uma pane seca o impediu de retornar aos pits na volta de desaceleração e resultou em sua desclassificação. Restou ao cara tentar fazer uma corrida de recuperação. Conseguiu. Fez apenas duas paradas e imprimiu um ritmo de corrida muito forte especialmente na primeira parte da corrida. Com várias ultrapassagens e uma boa estratégia, chegou em oitavo e não subiu para sétimo por pouco. Mas a vitória ainda não veio.

JENSON BUTTON2 – Terminar atrás do companheiro que largou da última posição definitivamente não estava nos planos dominicais de Jenson Button, que fez um de seus piores fins de semana desde que virou piloto de ponta. Embora tenha liderado um treino livre, o campeão de 2009 não conseguiu sequer passar para o Q3 da classificação e as coisas não melhoraram na corrida. Mesmo com dois stints curtos, teve problemas com os pneus e sofreu várias ultrapassagens – Kobayashi e Vettel certamente o deixaram envergonhado. No último stint, mais longo, somente se arrastou esperando ansiosamente pela bandeira quadriculada. Finalizou em nono e marcou apenas dois pontos.

NICO HÜLKENBERG4,5 – Um verdadeiro especialista em discrição. Sem ter um carro tão bom, o alemão não teve um fim de semana fácil. Embora não tenha ido tão mal nos treinos livres, só conseguiu o 13º lugar no grid e largou atrás do companheiro pela quarta vez consecutiva. Na corrida, fez uma corrida normal e não se envolveu em grandes problemas. Aparentemente, tinha pneus em melhores condições do que a maioria dos adversários no final da corrida, o que o ajudou a segurar Mark Webber durante tanto tempo. Ponto suado e bem-vindo.

MARK WEBBER 1,5 – Fim de semana horroroso. Horroroso mesmo. Não andou rápido e nem deu sorte. Na classificação, sequer passou para o Q3 e foi obrigado a largar no meio do bolo. As coisas não melhoraram no dia seguinte. Tendo mais problemas de desgaste de pneus que os demais, foi o cara que abriu a primeira e a segunda rodada de pit-stops. Logo após a primeira parada, voltou em último e quase bateu em Narain Karthikeyan. Mesmo após tantas coisas acontecendo na corrida, não conseguiu entrar na zona de pontuação. Terminou a prova preso atrás de Nico Hülkenberg. Enquanto isso, o companheiro finalizou em sexto mesmo tendo sofrido punição. Bom trabalho, Mark.

JEAN-ÉRIC VERGNE4 – Teve alguns bons momentos, mas acabou ficando de fora da pontuação. Não foi bem de novo no treino oficial, mas os sábados não parecem ser os dias mais frutíferos da semana para o francês. Jean-Eric largou bem, ganhou várias posições na primeira volta e parecia estar seguindo rumo aos pontos, mas a sorte não lhe favoreceu muito. Perdeu muito tempo atrás de Paul di Resta e acabou se afastando das dez primeiras posições. Por outro lado, também fez Felipe Massa perder bastante tempo no seu encalço. Não foi um fim de semana estritamente ruim, apenas inútil.

DANIEL RICCIARDO3 – Este daqui foi ainda mais discreto que o companheiro de equipe. O australiano da Toro Rosso nunca conseguiu andar entre os dez primeiros nos treinos e a situação não mudou durante a corrida. Só apareceu quando atrasou ao máximo seu pit-stop e chegou a ocupar a sexta posição durante uma volta. De volta à realidade, cruzou a linha de chegada apenas em 13º.

PAUL DI RESTA3 – Não sei exatamente o que aconteceu com este daqui, pois sua corrida não foi tão pior do que a de Nico Hülkenberg. Largou à frente do alemão e sua volta mais rápida também foi melhor, mas algum mistério da natureza o deixou em uma posição tão fraca. A culpa provavelmente deve ser dos pneus duros, que não funcionaram como o escocês gostaria. Chega a ser incômodo, de qualquer modo, o fato dele ser incapaz de fazer qualquer coisa diferente numa corrida mais adversa.

FELIPE MASSA2 – Este daqui não tem mais jeito. No treino oficial, foi o último colocado do Q2. Por incrível que pareça, apareceu muito bem na primeira parte da corrida ao largar bem e se meter em boas brigas no meio do pelotão. Mas as coisas não funcionam perfeitamente bem para quem não colabora. Massa se afastou definitivamente dos pontos quando não respeitou uma bandeira amarela e teve de pagar uma punição nos boxes. Além do mais, ele perdeu um bocado de tempo atrás de Jean-Eric Vergne. Com isso, Felipe teve de se satisfazer em terminar à frente apenas dos carros das equipes nanicas.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Boa corrida. No sábado, surpreendeu negativamente ao tomar três décimos de Vitaly Petrov no Q1 da qualificação. Dentro das possibilidades de sua carroça verde, o domingo foi bem mais interessante. Heikki largou muito bem e permaneceu à frente de Bruno Senna durante várias voltas. Ao atrasar ao máximo seu primeiro pit-stop, chegou a ocupar a quinta posição. Depois disso, a cruel verdade se restabeleceu. Ainda assim, foi o vencedor moral de sua classe.

VITALY PETROV4 – O ponto alto do fim de semana foi ter batido Heikki Kovalainen no treino oficial. Contudo, a ordem das coisas voltou ao seu normal no dia seguinte e o finlandês voltou a ficar na frente. Mesmo assim, o russo pôde fazer sua corrida honesta, fugiu das confusões e chegou ao final da corrida. Diz ter ficado para trás por problemas com os pneus e com o KERS. Mesmo se não tivesse tido os problemas, dificilmente teria terminado o domingo à frente de Kovalainen.

TIMO GLOCK3 – Terminou o sábado pensando sobre o que havia dado errado, já que Charles Pic havia conseguido ser meio segundo mais rápido no Q1 da classificação. Na verdade, tráfego e bandeiras amarelas o atrapalharam em suas melhores voltas – problemas comuns a todos em um sistema de classificação tão apertado. De qualquer jeito, a corrida aconteceu sem sobressaltos e Glock até se divertiu um pouco em um falso duelo com Lewis Hamilton. A comemorar, o fato de ter chegado ao fim e o companheiro, não.

PEDRO DE LA ROSA3,5 – Foi o único de sua equipe até aqui a receber as novas atualizações. Não por acaso, a distância entre ele e o companheiro Narain Karthikeyan foi bem maior que o normal. Fez um bom trabalho na qualificação ao ficar apenas meio segundo atrás de Timo Glock. Na corrida, Pedro andou bem, não se envolveu em bobagens e sobreviveu à estratégia de quatro pit-stops sem perder muito tempo. Terminou um GP da Espanha pela segunda vez na carreira.

SERGIO PÉREZ3,5 – Tinha grandes chances de ter feito um resultado ainda melhor que o de Kamui Kobayashi, pois havia conseguido um ótimo quinto lugar no grid. No entanto, era melhor ter ficado dormindo no hotel no domingo. Na largada, foi atingido por trás por Romain Grosjean e teve de trocar um pneu furado. Com isso, despencou para as últimas posições e nunca mais conseguiu se recuperar. Pelo menos, a transmissão do seu Sauber quebrou num momento em que os pontos não passavam de utopia.

CHARLES PIC3,5 – A nota maior em relação a Timo Glock se dá pelo ótimo resultado no treino oficial, onde ele conseguiu enfiar meio segundo na conta do experiente companheiro alemão. Na primeira volta, deu uma bela rodada à la Keke Rosberg em Long Beach, mas conseguiu prosseguir. Só que não por muito tempo, já que o semi-eixo quebrou e ele teve de se retirar na volta 36.

NARAIN KARTHIKEYAN0,5 – Fiquei com dó dele. O indiano conseguiu ter inúmeros problemas nos três dias de evento. Na qualificação, acabou tendo de encostar o carro, não fez nenhuma volta minimamente aceitável e só conseguiu largar porque sua equipe corria em casa. No domingo, fez apenas algumas voltas e abandonou. Foi talvez seu fim de semana mais difícil na vida.

BRUNO SENNA0 – Um fim de semana doloroso para o companheiro do vencedor Pastor Maldonado. Enquanto o venezuelano teve o melhor GP de sua vida, dá para dizer que Bruno Senna jamais teve três dias tão amargos em sua carreira. Nos dois treinos livres que fez, não andou bem. Na qualificação, enquanto tentava salvar o pescoço da degola do Q1, rodou sozinho na curva 12 e sequer passou pela linha de chegada. Na largada, conseguiu ser superado pelo Caterham de Heikki Kovalainen. Ao abrir a volta 13, tentou conter os ataques de Michael Schumacher e acabou atropelado pelo alemão na primeira curva. Já fora da prova, ainda foi chamado de “idiota” pelo heptacampeão. Como se não bastasse, seu carro ficou bastante danificado no incêndio dos boxes. De bom, só o fato de ter sobrevivido. Meio chamuscado, mas vivo.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Poderia ter feito uma ótima corrida, mas estragou tudo com uma cagada absolutamente primária. Foi para o Q3 da classificação e registrou uma razoável oitava posição no grid. Largou bem e chegou a ameaçar a quinta posição de Romain Grosjean. Tudo acabou na volta 13, quando atingiu o Williams de Bruno Senna de maneira grosseira na freada para a primeira curva. Abandonou a prova ali, puto da vida e crente de que tinha razão. Tinha nada. Os reflexos é que não funcionam mais, considerando que estamos falando de um senhor de 43 anos de idade.

Até aqui, só sorrisos. Depois...

Continuo a falar sobre a viagem que eu e a minha namorada, a Samia, fizemos a Monte Verde ocorrida neste último fim de semana. Como os senhores sabem, devido à ausência absoluta de fatos mais relevantes no automobilismo mundial, não tive escolha a não ser falar sobre o que fiz naquele gélido distrito da cidade mineira de Camanducaia.

Recapitulando um pouco, era domingo de manhã, meu carro tinha acabado de ser reavivado por um mecânico careiro e estávamos andando pela avenida principal de Monte Verde. Passou um quadriciclo em velocidade bem alta do nosso lado e a Sam me perguntou se a gente poderia andar naquilo lá. Gostei da ideia. Ela gosta de acelerar e eu só tenho minhoca na cabeça. Portanto, fomos atrás de alguém que alugasse quadriciclos.

Havia um cara, um sujeito com cara de duende e boné da Red Bull, que alugava um quadriciclo por cem reais. Uma puta fortuna, mas capitulamos, já que “seria só uma vez na vida” e tudo o que é apenas uma vez na vida vale a pena, mesmo que isso custe um milhão ou uma perna. Nós achávamos que andaríamos em um lugar para amadores, um campo aberto, uma trilha curta e não muito íngreme ou algo assim.

Como sempre, estávamos equivocados. O sujeito com cara de duende e boné da Red Bull nos levou a uma serra completamente escondida a uns dez quilômetros de distância de Monte Verde. Chegamos a uma espécie de chácara, onde havia uns seis quadriciclos prontos para serem judiados. Além de nós dois, alguns outros casais também estavam lá. Em comum, todo mundo querendo acelerar o brinquedo.

Eu e Sam ficamos uns dois ou três segundos recebendo instruções de como controlar o quadriciclo e então tivemos de dar uma volta ao redor de um campo para ver se éramos intelectualmente, fisicamente e emocionalmente aptos para acelerar e frear em terreno plano. Passamos com louvor, nós dois. Eu confiava mais na Sam – ela dirige melhor do que eu, dirige mais rápido do que eu e é bem menos desencanada.

Como funcionaria o negócio? Uma moto nos guiaria no meio de uma trilha. Além do nosso quadriciclo (eu e Sam dividiríamos a condução), haveria mais três nos acompanhando.  Eu começaria pilotando e ela tomaria o volante no meio do caminho. Troço difícil da porra. O guidão era duro pra caramba, assim como o freio dianteiro. O freio traseiro, acionado com o pé, era o mais recomendado para diminuir a velocidade. E o acelerador era bastante sensível. Você é praticamente obrigado a dirigir agressivamente para não perder o controle. Em comparação com uma moto, o quadriciclo é bem mais complicado.

Vamos dizer que o ambiente não jogava a nosso favor. O clima estava feio – não estava chovendo, mas o céu estava ameaçador. A trilha era lascada, com subidas e descidas absurdas. Para piorar, nós éramos o último quadriciclo da fila. Os outros casais seguiam na nossa frente, e na velocidade que eles desejavam.

E vou te contar uma coisa, os caras aceleravam muito. Pareciam profissionais. Enquanto isso, eu tentava sincronizar o meu pequeno cérebro para compreender o uso dos dois freios, do acelerador e do câmbio, também acionado no pé. Como pode perceber, não ando de motocicleta. Já tive contato, mas não tenho carta e nem pretendo. Em compensação, ando de bicicleta. E carrego os vícios, como enfiar o pé no chão para reduzir a velocidade.

Tentando não ficar muito para trás do resto do pessoal, eu dava umas aceleradas e frequentemente ficava à beira de perder o controle. Em alguns momentos, o quadriciclo ameaçava sair da trajetória e eu fazia malabarismo para não cair no barranco. Numa subida mais íngreme, eu acelerei demais em primeira marcha e a porra do quadriciclo empinou. Empinou mesmo, no melhor estilo Videocassetadas. Não capotou para trás por pouco. Mais tarde, a coitadinha da Sam me contou que quase começou a chorar quando fiz aquilo.

Depois de cair num buraco, a Sam quis dirigir. Reclamou comigo, dizendo que eu estava muito agressivo no volante e que eu deveria parar de sair da trajetória. O guia do passeio, que conduzia a moto, voltou para ver se nós estávamos bem, pois tínhamos ficado para trás. Respondemos que sim e seguimos em frente, tentando reencontrar o pessoal. Mas era difícil: eles aceleravam e sumiam.

Sam pegou a direção e também sentiu as dificuldades. Em um momento, ela errou uma curva e passou reto, quase batendo em uma cerca. A curva era de 180°, feita em descida e exigia muita força no braço. Descemos do quadriciclo, empurramos de volta e voltamos à trilha. O pessoal que estava conosco deveria estar bem incomodado. O que pensavam? Aquele casal retardatário estava estragando o nosso passeio! Tinha de ser esse povo barbeiro de Campinas!

Chegamos a uma descida. Ambiente de filme de terror, com o céu totalmente cinza e um monte de pinheiros altíssimos e enfileirados ao redor. Ao se aproximar de uma curva, Sam tentou contorná-la e não conseguiu. Então, ela tentou diminuir a velocidade. O pé enroscou no pedal de freio. O quadriciclo se descontrolou. Seguimos ladeira abaixo rumo à tragédia.

Reagindo instintivamente, Sam se jogou do quadriciclo em alta velocidade e caiu no meio das folhas. Desesperado, eu tentei assumir o controle para parar a máquina e socorrer minha namorada. Nisso, eu também agi instintivamente e voltei a enfiar a bendita da perna no chão. Com isso, o quadriciclo trepidou e passou por cima de mim. E parou. A meleca estava feita.

Enquanto todos lá na frente perceberam que algo de errado havia acontecido e voltaram para nos socorrer, eu me levantei e fui correndo até a Sam achando que ela estava inconsciente ou sem um braço, sei lá. Para meu enorme alívio, ela estava viva, consciente e inteira. Mais ou menos. Estava com a roupa toda suja e cheia de dores pelo corpo, principalmente em uma das pernas. Mal conseguia se levantar. Todo mundo ficou preocupado.

Eu JURO pra vocês que caímos em um lugar mais ou menos assim. Sem brincadeira, o ambiente estava bem parecido com o da foto

Enquanto isso, eu percebi que também estava um pouco machucado. A roda do quadriciclo passou por cima da minha perna e deixou uma bela duma marca um pouco abaixo do joelho. Mas não estava preocupado comigo. Estava pensando na Sam, que estava muito dolorida. Voltamos ao quadriciclo e decidimos completar a descida o mais devagar possível, só no freio. Enquanto isso, o guia nos falou que estávamos perto da base e que poderíamos voltar se quiséssemos. Não pensamos duas vezes: jogamos a toalha.

Mesmo sem acelerar, percebi que o quadriciclo era muito difícil de guiar. A qualquer buraco, ele ameaçava escorregar, tombar, virar do avesso, explodir. Terminei a brincadeira com uma tremenda dor nos dois braços e um calo na mão direita. Para nossa sorte, estávamos a poucos metros do estacionamento. Deixamos o quadriciclo assassino por lá e pedimos para que nos levassem de volta para Monte Verde, já que tínhamos de fazer o check-out da pousada até o meio-dia.

Voltando ao distrito, entramos imediatamente no meu Corsa Sedan. A Sam ainda continuava dolorida e eu preocupado com ela e com a possibilidade da carroça não funcionar. Sei lá, as últimas horas haviam sido tão bizarras que qualquer coisa poderia acontecer.

Pois a porra do carro não ligou de novo. Ah, aí é demais. Sou o sujeito mais azarado do planeta.

Não sabia bem o que fazer. Não tinha dinheiro em espécie, o da Sam estava quase no fim, nossos bancos não existiam em Monte Verde e os nossos dois celulares estavam sem crédito. Entrei numa loja e pedi o telefone emprestado para ligar para o tal mecânico que havia reavivado meu carro, mas ele falou que estava ocupado e que só estaria livre em uma hora e olhe lá. Praticamente o mandei à merda, mas precisei ser mais pragmático e tive de começar a pensar no que fazer.

Avistei um Astra estacionando na mesma rua e pedi ajuda ao seu motorista, um AJ Foyt tupiniquim de 2m de altura e 4m de largura. Solícito, o cara decidiu me ajudar e estacionou seu carro do lado do meu para tentarmos a transmissão de carga. Não funcionou. O Corsa continuou em coma profundo. Estávamos desconfiados do cabo de “chupeta”, que parecia não estar mandando carga. Agradeci ao AJ Foyt e fui atrás de outro que pudesse me ajudar.

Não muito longe de onde estávamos, havia um estacionamento onde trabalhava um cara mais velho que o Bernie Ecclestone e infinitamente mais simpático. Ele aceitou emprestar um cabo para transmitir carga e até levou seu Chevette azul para emprestar a energia. Mesmo assim, o Corsa não ressuscitou. Puto da vida, tentamos a última solução: um tranco em segunda marcha. A Sam, com todas as suas dores, tentou fazer o carro ligar na marra. Não conseguiu. O carro ameaçou descer ladeira abaixo. Duas vezes no mesmo dia, não. Ela puxou o freio de mão com tudo e o Corsa, mesmo inconsciente, fez um belo drift. Empurramos o carro para a lateral da calçada e o deixamos lá. Somente um guincho poderia nos ajudar.

Doloridos, empobrecidos, esfomeados e de péssimo humor, tivemos de voltar à pousada a pé para fazer o check-out. Como o caminho até lá incluía uma subida quilométrica, Sam decidiu não subir nem a pau. Sugeri a ela que ficasse sentada na calçada enquanto eu seguia a pé até a pousada – e tome caminhada. Curiosamente, foi o único momento de um fim de semana tipicamente chuvoso em que o sol bateu mais forte.

Cheguei lá e pedi o telefone para ligar para um guincho. Fui abrir a porta do nosso quarto e… cadê a chave? A maldita tinha ficado na bolsa da Sam e eu teria de voltar até ela para pegá-la. Pedi ao dono da Pousada Aconchego, o camarada Zico, para que fôssemos buscar a Sam e voltássemos com a chave para fechar a conta. O período do check-out já havia expirado em mais de uma hora e corríamos o risco de ter de pagar uma nova diária, mas o Zico perdoou, gente boa como só ele.

Buscamos a Sam, fizemos as malas e pedimos um guincho, que viria de Camanducaia e me cobraria inacreditáveis 600 reais para me levar a Campinas. Enquanto isso, fomos almoçar no centro de Monte Verde. Sem dinheiro, pedimos o prato mais barato do restaurante mais barato que tinha. Mesmo assim, quase quarenta reais de conta. Estávamos mais do que falidos.

O guincho chegou uma s duas horas depois. O motorista era um cara da nossa idade que dirigia de chinelo e ignorava esta viadagem conhecida como cinto de segurança. Mesmo assim, gente boa pacas. Durante a viagem, contou sobre suas proezas, como fazer 210km/h em um Peugeot 206 e participar de um racha com caminhões em plena Fernão Dias a 150km/h. Ele contava tudo isso enquanto sentava o pé e andava a 130km/h, velocidade considerada normal.

Chegamos em casa às seis da tarde. Todos salvos, mais ou menos inteiros  e na bancarrota. Levei o carro para consertar ontem cedo e cheguei atrasado ao trabalho por isso. Qual era o problema? Uma mísera bateria problemática. Duro é gastar 600 reais de guincho e 200 de conserto. Estava guardando uma grana suada. Pois bem, não estou mais.

Este foi o meu fim de semana. Entendo a insatisfação de quem queria ter lido alguma coisa automobilística, mas é que realmente não aconteceu nada de útil. Então, tive de improvisar com historinha.

O post de hoje não tem nada a ver com a efêmera equipe de Peter Monteverdi, que adquiriu a Onyx no primeiro semestre de 1990. Vou comentar sobre o assunto mais importante do automobilismo no fim de semana, minha viagem para Monte Verde.

Para quem não sabe, Monte Verde é um pequeno, distante e razoavelmente gelado distrito da cidade mineira de Camanducaia. Tem uma avenida, muitos restaurantes, lojas de quinquilharias típicas de cidades serranas, dondocas da classe média alta paulistana desfilando seus SUVs empapados de barro, um bocado de árvores, um aeroporto (!) e vários habitantes parecidos com o Alfred E. Neuman, da Revista Mad. Um lugar legal para ir com a namorada. Foi o que eu fiz.

Eu e a Samia, minha grande paixão de quatro anos, adoramos viajar. Uma vez que os fins de semana em Campinas são sempre uma bosta fétida e entediante, qualquer oportunidade para nós cairmos fora daqui, nem que fosse para ir a Bagdá, é uma oportunidade. Certo dia, a Sam, que é como eu vou chamá-la aqui, chegou e me surpreendeu. Amor, a gente vai para Monte Verde nos dias 21 e 22 de abril, sábado e domingo. Reservei pousada e tudo o mais.

Legal, pensei. Nós iríamos para lá no fim de semana exatamente anterior à São Paulo Indy 300, que eu inventei de comprar tíquetes para o setor J há um bocado de tempo. Eu só precisava ver se estava tudo certo com o meu carro, um velho Corsa Sedan 1999 de câmbio duríssimo, para-choque dianteiro pendurado e retrovisor direito torto. Não queria deixar esta merda quebrar no meio da viagem, ora pois. Verifiquei o óleo e a água do radiador. Tudo estava certo. À Monte Verde, pois.

Dias antes, fiquei conferindo o clima de Campinas e Monte Verde. Não sei se já comentei isso aqui, mas odeio dirigir na chuva. Tenho o maior cagaço, no melhor estilo Alain Prost. Para minha aflição, vi que só choveria bastante em dois dias: o sábado e o domingo da viagem. Sol na sexta-feira anterior, sol na segunda-feira posterior. Que ótimo!

Chegou o sábado, 21 de abril, dia de Tiradentes. Abro a janela e vislumbro um céu azul acompanhado de lindo sol, mas exatamente o contrário. Chovia intermitentemente e tudo estava assustadoramente envolto em névoa branca e aterrorizante. Estava torcendo para que a chuva diminuísse, mas isso não aconteceu. Tive de ir desse jeito mesmo, fazer o quê?

Peguei a Sam na casa dela lá pelas 10h30 e entramos na Rodovia Dom Pedro I às 11h. Chovia. Chovia pra cacete. Não estava ventando, não havia muitos raios e a possibilidade de chover granizo era algo próximo de zero. Mesmo assim, caía água abundante e o limpador de para-brisa estava meio velho, coitado. A cada esfregada no para-brisa, um ruído. Nheeec. A porra do limpador estava mais velha do que Michael Schumacher na Jordan.

Os primeiros 130 quilômetros de viagem, entre Campinas e Camanducaia, foram sossegados. Não sofri nenhum acidente após aquaplanar e nenhum tornado F5 levou nosso carro embora, ao contrário do que minha paranoia costuma sugerir nestas ocasiões. As rodovias Dom Pedro I e Fernão Dias são de uma simpatia única, sinuosas e rodeadas de árvores e morros. As cidades pequenas após Bragança Paulista são graciosas.

Chegamos a Camanducaia lá pelo meio-dia. Faltavam apenas 28 quilômetros até o distrito de Monte Verde. Moleza, nós dois pensamos. Para quem fez 130 quilômetros sob chuva, o que seria fazer um quarto disso numa estrada pouco movimentada? Puta ingenuidade, a nossa.

A estrada que vai até Monte Verde é assassina, pior que o Rali da Córsega. Curvas fechadíssimas de 180° em subida, trechos estreitíssimos, barrancos quilométricos, aclives intermináveis, a morte sempre à espreita. Para piorar, chuva e neblina. Para piorar um pouco mais, um Corsa Sedan cujo motor 1.0 não chegava aos 60cv. Inspirado em Jarno Trulli, orgulhosamente criei uma fila indiana de sete carros atrás de mim. Cada motorista que me ultrapassava disparava um olhar assassino para mim. Morra, filho da puta, algo do tipo.

Após quatro meses de viagem nesta estrada, chegamos a Monte Verde lá pelas 13h. Avistamos uma cidade molhada e lambuzada de barro. Os motoristas que ficaram presos atrás de mim se vingaram e começaram a andar bem devagar na avenida principal, causando um enorme congestionamento. Como eu estava andando em rotações altas na serra, o motor MPFI do Corsa estava superaquecendo, o que me deixou meio aflito. Não havia lugar para parar. Os Tucsons e Ecosports haviam dominado o lugar.

Abandonei o Corsa num lugar meio ermo, distante de qualquer vigilância policial. Cansados de ficar tanto tempo dentro do carro, eu e Sam fomos dar uma volta. Ela queria comprar coisas para família, eu só queria me empanturrar de alguma coisa. Fomos atrás de um banco para sacar alguma grana. Descoberta terrível: não há bancos em Monte Verde. Sim, é isso mesmo. Há apenas uma grande agência do Bradesco, onde felizmente a Sam tinha uma conta mais ou menos abandonada. Banco do Brasil? Caixa Econômica Federal? Santander? Itaú? Bamerindus? Credit Suisse? Esqueça. Tivemos de nos virar com cartões.

Fondue em Monte Verde. Muito ruim, mas não

Fomos dar uma volta. Passamos por algumas lojas, não encontrei nada de interessante e nem ela. Somente xícaras, camisetas com dizeres humorísticos, sabonetes e barras de chocolate, tudo vigorosamente faturado. Almoçamos em um restaurante legal, até. Sam foi de truta com alcaparras. Eu escolhi truta com amêndoas. Truta é algo como o alimento principal de Monte Verde, assim como sorvete é o principal alimento de Espoo, cidade de Kimi Räikkönen.

Logo depois, fomos atrás da pousada onde ficaríamos. Ela se situava longe de tudo que era turístico, o que é interessante, pois daria para fugir um pouco daquela vida meio clichê de dondocas oxigenadas carregando meia dúzia de sacolas. A Pousada Aconchego, que é realmente aconchegante, ficava perto de uma farmácia bem simples e uma loja de materiais de construção. Nosso quarto, o nº 5, tinha lareira, chuveiro que utilizava energia solar e um monte de cobertores. Muito bom.

À noite, a gente foi comer fondue, outra especialidade de Monte Verde. Antes, fomos à Choperia do Fritz. Já ouviu falar? Criada pelo mestre-cervejeiro Jörg Schwabe em 1993, a choperia é uma das mais famosas do Brasil nesse ramo de cervejas artesanais. Na fábrica de Monte Verde, havia degustação de vários tipos e ainda uma visita à fabriqueta que ficava ao lado do bar. Sam, que não é de beber muito, não quis ir. Eu fui.

Nesta visita, além de mim, havia uns casais, uma família grande e até mesmo uma menina de uns nove anos de idade, que certamente preferia estar na fábrica da Coca-Cola. Tadinha dela. Tentando mostrar algum interesse no assunto, após ouvir algumas explicações sobre o lúpulo (que fede a queijo parmesão), perguntou à guia algo como “que bebida tem mais lúpulo, cerveja, chope ou vinho?”. Vinho com lúpulo? Eu não estava interessado em explicações sobre a história da cerveja e coisas do tipo, pois isso é coisa de cidadão que quer pagar de sommelier. Só queria beber de graça. Consegui: tomei dois copos cheios de cerveja pilsen especial. Pilsen, mas boa pra caralho.

Depois, fomos comer fondue. A foto acima é deste horário. Não vou me estender sobre isso. O fondue foi caro pra cacete (fiquei com medo real de não ter grana pra pagar) e só tinha gente muito mais endinheirada do que nós dois naquelas mesas. Na verdade, até mesmo os garçons deveriam estar dirigindo coisa melhor que o meu Corsa. Sabe como é, crédito facilitado, IPI reduzido, comerciais e reportagens apresentando a suposta vantagem da compra de um carro chinês…

Mas vou falar uma coisa, como estava bom aquele fondue. Vai se foder, estava bom pra caramba. Faltou apenas vinho, que era caríssimo no restaurante, mas eu tinha uma garrafa guardada para a pousada.

Tudo estava bem até aí. A partir daí, nossa sorte acabou.

Saímos do restaurante lá pelas 23h. Fui ligar o carro. Não ligou. Tentei de novo. Não ligou. O Corsa até ameaçava ligar, mas desistia meio segundo depois. Não parecia ser problema na bateria, porque todas as luzes acendiam normalmente. Meu humor acabou ali. Cara, nada me deixa mais consternado do que carro quebrado. Ainda mais num sábado à noite em uma cidade totalmente desconhecida.

Fui atrás de ajuda. O pai da dona do restaurante ofereceu sua Kombi para emprestar um pouco da carga da sua bateria. Como eu tinha aqueles cabos para transmitir carga de uma bateria para outra, tentamos fazer a conexão. Não deu. Meu carro continuou inerte. Fiquei, sei lá, possesso, com vontade de meter um tiro em alguém, talvez no presidente da GM. Não dava nem para dar partida no tranco, já que ele estava parado em uma subida estreita.

O sujeito da Kombi, um velhinho pra lá de simpático, aceitou dar carona até a pousada. Mais ainda: disse que nos arranjaria um improvável mecânico no domingo logo pela manhã e que nos levaria até a oficina às nove. Consertaríamos o carro e prosseguiríamos normalmente com o passeio.

Acordamos lá pelas oito da manhã. Fomos tomar café e o velhinho já estava esperando lá fora, sentado na Kombi. Entramos na kombosa e fomos até o tal mecânico, um cara que aparentava estar lotado de coisa para fazer. Mesmo assim, ele aceitou ir até meu carro, que ainda estava parado ao lado do restaurante. Sacou um trambolho enorme, desfibrilou a bateria e o carro, como mágica, ligou. Eu e Sam ficamos felizes. Ufa, foi só um contratempo. Fiquei acelerando um pouco para garantir um mínimo de carga na bateria. O mecânico nos tomou trinta reais para fazer quase nada, mas tudo bem.  Manobrei o carro e o deixei parado no lado oposto, na descida. Se desse alguma zebra, daria ao menos para tentar um tranco em segunda marcha.

Fomos andar na cidade. De repente, a Sam viu um quadriciclo circulando em alta velocidade na avenida principal. “Amor, vamos andar de quadriciclo?”. Aceitei, é claro. Nós dois gostamos desse tipo de coisa. Mas a história do quadriciclo e o restante do dia vão ficar para uma segunda parte. Não, não foi uma viagenzinha de namorados qualquer.

O que importa é que este foi o evento mais importante relacionado ao automobilismo neste último fim de semana.

MERCEDES9 – Veja só. Há apenas alguns dias, vazou uma informação de que alguns acionistas da Daimler estavam muito insatisfeitos com o desempenho da equipe e queriam tirá-la da Fórmula 1 para economizar um pouco. De repente, Nico Rosberg e Michael Schumacher voam nos treinos, abocanham a primeira fila e ganham a primeira corrida desta nova era da Mercedes. Nico, que obteve seu primeiro sucesso na Fórmula 1, liderou quase que de ponta a ponta e não teve problemas com desgaste de pneus. A escuderia só não leva dez porque seu mecânico não conseguiu colocar corretamente uma roda no carro de Schumacher, que acabou abandonando a prova. Graças a isso, não houve dobradinha. Mas Stuttgart foi dormir feliz.

MCLAREN9 – Ainda é a equipe do ano até aqui. Lewis Hamilton poderia ter vencido se não tivesse tido de trocar a caixa de câmbio ainda antes da sexta-feira. Mesmo assim, andou o mais rápido que podia e terminou em terceiro. Jenson Button, sempre sortudo e sempre muito eficiente, largou em quinto e terminou em segundo. Com exceção do próprio Rosberg, todos os que largaram à frente do Sr. Michibata se deram mal – é um verdadeiro iluminado. O carro continua exemplar e somente um problema no terceiro pit-stop de Button conta negativamente para a equipe de Woking.

RED BULL6,5 – Precisará melhorar um bocado se quiser ao menos retornar ao patamar de 2009. Sebastian Vettel e Mark Webber utilizaram escapamentos e estratégias diferentes durante o fim de semana, mas os resultados foram parecidos: um terminou em quarto e o outro em quinto, tendo perdido um pódio certo nas últimas voltas. Webber andou constantemente mais rápido que Vettel, mas pode não ter se dado bem por causa da parada a mais e também graças aos seus instintos de piloto de avião. Vettel apostou em duas paradas para se recuperar do péssimo primeiro lugar do sábado e passou perto do segundo lugar. O RB8 definitivamente não é o melhor carro. Quiçá, nem o segundo melhor.

LOTUS7 – Na sexta-feira, estava usando um carro da HRT. No sábado, percebeu a cagada, arrendou dois carros da Mercedes e os pintou de preto e dourado. Qual outra explicação seria mais razoável para o desempenho tão diferente de um dia para outro. Kimi Räikkönen pôs fim a uma desagradável tendência de largar atrás do companheiro Romain Grosjean e fez um ótimo quarto tempo no treino oficial. Na corrida, o finlandês vinha andando em segundo até seu pneu virar fóssil e todo mundo passar tranquilamente pelo seu Lotus. O outro carro, de Grosjean, se comportou melhor e chegou em sexto, dando ao cara seus primeiros pontos na Fórmula 1. O carro é muito bom, mas que tal um fim de semana sem encrencas?

WILLIAMS7,5 – Ainda bem que a sombra de 2011 ficou para trás. O FW34 é um carro muito bonito e ainda é muito constante. Faltou, sim, ser mais ligeiro no treino oficial, porque monopolizar a sétima fila nunca é algo animador. Mas Pastor Maldonado e Bruno Senna se recuperaram aproveitando da regularidade do bólido para fazer duas paradas sem perder tanto terreno. Os dois subiram um bocado de posições e marcaram pontos. Nem me lembro qual foi a última vez que dois Williams terminaram na zona de pontuação. A propósito, já falei que o carro é muito bonito?

FERRARI2,5 – Nossa Senhora das Astúrias… Ninguém esperava bulhufas de Felipe Massa, que simplesmente perdeu qualquer traço da competitividade que ele tinha até 2009. O problema é ver Fernando Alonso, até então líder do campeonato, sofrendo no treino classificatório e na corrida. Ele até tentou as estripulias de sempre, mas não conseguiu recuperar posições mesmo tendo pneus bons por mais tempo e ficou apenas em nono. Massa fez sua não-corrida de sempre e terminou o dia como o único piloto das equipes normais a não ter marcado pontos ainda. O que a Ferrari está esperando para tomar uma atitude?

SAUBER3,5 – Com essa montoeira de pit-stop, eu costumo me perder na hora de analisar as estratégias dos pilotos. Mas fica claro que a Sauber complicou a vida de seus dois pilotos sabe-se lá como. Não que Kamui Kobayashi e sua largada deprimente tenham ajudado, mas sair de Shanghai tendo marcado apenas um ponto com o japonês é muito pouco. O novo astro Sergio Pérez até largou melhor, mas teve problemas com os pneus e com o tráfego e terminou fora dos pontos. Os dois ainda protagonizaram o momento mais arrepiante da prova, com Pérez fechando Kobayashi a trezentos e tantos por hora na grande reta. Depois do céu malaio, Shanghai foi uma verdadeira estadia no purgatório.

FORCE INDIA2,5 – Sabe de uma coisa? Eu achava que Paul di Resta e Nico Hülkenberg formavam uma dupla muito promissora, mas o que vi até aqui foi uma equipe conservadora e até meio chata de se ver. O burocrático Di Resta, que não entusiasma nem os britânicos, foi o melhor neste fim de semana, mas não marcou pontos. Hülkenberg, a meu ver mais promissor, foi ainda pior e mal conseguiu andar entre os quinze primeiros. Fica claro, também, que o carro não é aquela maravilha. Não é feio, mas briga com a Toro Rosso pelo posto de pior bólido das equipes normais.

TORO ROSSO2 – Esta é outra que parece ter errado a mão no carro. Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne são dois pilotos interessantes, mas nenhum deles conseguiu fazer o STR7 andar na China. Ricciardo ainda andou melhor no treino, mas Vergne deu um banho na corrida, com direito a ter marcado a segunda melhor volta da prova. No fim, tudo isso significou o 16º e o 17º lugares na classificação final.

CATERHAM3 – Segue na sua vida medíocre de sempre. Na verdade, o resultado final não foi muito diferente do de Sepang. Heikki Kovalainen e Vitaly Petrov continuaram naquela de andar muito à frente de HRT e Marussia e muito atrás do resto. Petrov voltou a terminar à frente, mas unicamente porque não teve os problemas do companheiro de equipe. Kovalainen até vinha fazendo um papel bacana, andando no meio do pelotão durante alguns instantes, mas o carro teve todos os problemas de pneus do planeta e restou a ele ficar atrás até mesmo da HRT. Isso mesmo, dos dois carros da HRT!

MARUSSIA4 – Confesso que a Marussia vem me agradando mais que a Caterham neste início de temporada. Dentro de suas enormes limitações, a equipe russa vem fazendo aquilo que se espera dela: quase nada, isto é, andar à frente da HRT sem problemas e incomodar a Caterham vez ou outra. Na corrida, isso chegou a acontecer, mas não por muito tempo. De qualquer jeito, Timo Glock e Charles Pic não tiveram grandes pepinos e terminaram em 19º e 20º. Não foi o resultado dos sonhos, é claro, mas foi o melhor que deu para entregar.

HRT4 – Não consigo pensar em outra nota. Avanço houve, pois nem mesmo o dalit Narain Karthikeyan sofreu para se qualificar. Os problemas patéticos que afetaram os F112 nas duas primeiras corridas não retornaram e tanto Narain como Pedro de la Rosa tiveram um fim de semana sem sobressaltos. As novidades aerodinâmicas apareceram, mas fizeram alguma diferença a olho nu? No mais, os dois largaram, não incomodaram ninguém e terminaram. É a HRT calando a boca de quem achava que ela nem participaria das provas pelo terceiro ano seguido.

TRANSMISSÃOAVIÕES DO FORRÓ – O melhor momento da transmissão brasileira foi no sábado, definitivamente. Após um infográfico deixar claro aos espectadores o que era exatamente aquela solução aerodinâmica da Mercedes que havia deixado toda a Fórmula 1 de cabelo em pé, o locutor não titubeou em louvar aquilo que havia feito “um avião voar para trás”. É isso mesmo: Ross Brawn gastou horas e mais horas bolando um negócio simples porém muito engenhoso para a asa traseira para chegar um e dizer que ele fazia o avião voar para trás! A aerodinâmica global agradece. No domingo, sem a companhia do ex-piloto brasileiro, a dupla narrou sem grandes sobressaltos – afinal, isso é coisa do Mark Webber. Talvez a vitória de Keke Rosberg, a primeira desde 1985, tenha emocionado muita gente. E não, não vai batê, não vai batê, não vai batê: nem sempre Lewis Hamilton e Felipe Massa juntos resultam em merda.

CORRIDAUM LUXO – Apesar da pista de Shanghai continuar sendo uma porcaria sonolenta, as corridas que acontecem por lá estão sendo muito divertidas e sou obrigado a dar o braço a torcer. Mesmo que o resultado tenha me irritado profundamente (Rosberg, Vettel e Button andando bem; Schumacher, Kobayashi, Grosjean e Maldonado só nos apuros), não vou dizer que deixei de gostar da prova. Ultrapassagens aconteceram, fechadas aconteceram, disputas roda a roda aconteceram, decolagens aconteceram e a vitória da Mercedes, uma equipe que respeito pra caramba, aconteceu também, embora com o piloto errado. Não dá para reclamar da Fórmula 1 neste início de temporada, convenhamos. O problema é que a diversão vai minguar a partir das próximas etapas, a começar pelo Grande Prêmio de semana que vem, que será realizado em Granada e terá as participações de Timo Glock, Olivier Beretta e Miguel Angel Guerra.

NICO ROSBERG10 – Fez em Shanghai a corrida de sua vida. Não digo isso apenas pela vitória, a primeira de sua já longa carreira na Fórmula 1, mas pela atuação em si, impecável. Sempre veloz em todos os treinos, o filho de Keke Rosberg aproveitou de seu bom retrospecto na China para sentar a bota no treino oficial e marcar sua primeira pole-position na vida. No domingo, contrariou todas as expectativas e venceu com folga. Largou bem, não teve os sérios problemas de consumo de pneus que o prejudicaram nas duas primeiras corridas e pôde até mesmo fazer uma parada a menos. Disse que as últimas trinta voltas pareciam tão longas como as 24 Horas de Le Mans. Não gosto dele, mas mereceu o triunfo.

JENSON BUTTON9,5 – Um desgraçado do caramba. Não há como torcer contra. Isso é, bem que eu tentei no sábado, quando o piloto da McLaren não conseguiu nada além da quinta posição do grid, resultado da punição do companheiro Lewis Hamilton. Mas a sorte deste cara é tamanha que praticamente todos à sua frente se deram mal e ele se encontrou na segunda posição após a primeira rodada de pit-stops. Parecia estar vindo rumo à vitória, pois faria uma parada a mais e teria pneus bons durante mais tempo, mas Nico Rosberg manteve-se surpreendentemente bem na liderança. Ainda perdeu seis segundos no último pit-stop, mas conseguiu segurar o segundo lugar, tremendo de um lucro para uma corrida que complicou a vida de tantos.

LEWIS HAMILTON8 – O rei do terceiro lugar até aqui. Lewis começou o fim de semana já em desvantagem, já que ele perderia cinco posições no grid por ter de trocar a caixa de câmbio. Mesmo assim, não desistiu e foi à batalha. Liderou dois treinos livres, tentou tomar a pole-position de Nico Rosberg no Q3 e não conseguiu, tendo de largar apenas da sétima posição. Partiu bem, fez ultrapassagens e aproveitou bem a estratégia de três paradas. Nas últimas voltas, deixou Sebastian Vettel para trás para obter o terceiro posto pela terceira vez seguida. Com esta fileira de resultados, assumiu a liderança do campeonato de maneira até surpreendente.

MARK WEBBER8 – Neste fim de semana, foi o único a ter utilizado o novo escapamento que a Red Bull tinha preparado para esta corrida. A escolha foi certeira e ele conseguiu ser, em média, três décimos mais veloz que o companheiro Sebastian Vettel. Foi o único de sua equipe a ir para o Q3 e acabou obtendo o sexto lugar no grid, superando Vettel pelo terceiro fim de semana seguido. Apostou em fazer suas três paradas antes do resto dos pilotos e parece ter se dado bem com isso. Chamou a atenção pelo lado positivo (uma bela disputa roda a roda com Kimi Räikkönen) e pelo negativo (que vôo foi aquele?). No fim, terminou uma razoável quarta posição. Não é um aluno genial, mas vem fazendo bem suas lições de casa.

SEBASTIAN VETTEL5 – Ao contrário de Mark Webber, escolheu utilizar o escapamento antigo e parece ter tido problemas com isto. Não andou tão bem nos treinos livres e sequer passou para o Q3, situação inaceitável para alguém em sua posição. Na corrida, apostou em uma estratégia de apenas duas paradas e dois stints longuíssimos com os pneus médios. Parecia ter se dado muito bem até o final da corrida, quando chegou a ocupar a segunda posição. Mas a péssima situação dos pneus cobrou a fatura e ele acabou caindo para o quinto lugar.

ROMAIN GROSJEAN7,5 – Finalmente fez seus primeiros pontos na Fórmula 1. Menos espetacular do que em Melbourne e Sepang, o suíço só conseguiu andar forte pela primeira vez no treino de classificação, quando ficou em décimo. No dia seguinte, foi um dos que apostaram na estratégia de duas paradas para economizar tempo nos pits. Por incrível que pareça, não teve problemas sérios de desgaste de pneus e pôde se meter em boas disputas no final da corrida com os dois pilotos da Williams. Sexto lugar muito bem-vindo.

BRUNO SENNA7,5 – É, sem dúvida, uma agradabilíssima surpresa deste início de campeonato. Não foi tão genial como em Sepang, mas também apareceu muitíssimo bem na China. Mal nos treinos, o brasileiro decidiu apostar em apenas dois pit-stops e acabou subindo um monte de posições entre as voltas 30 e 40. Não conseguiu segurar o sexto lugar dos ataques de Romain Grosjean, mas ainda conseguiu ótimos seis pontos e, neste momento, está numa surpreendente nona posição no campeonato.

PASTOR MALDONADO6,5 – Superou Bruno Senna por meio cabelo de diferença no treino oficial e dividiu a sétima fila com ele. Na primeira volta, perdeu algumas posições e teve dificuldades para se recuperar, não conseguindo mais ficar à frente do companheiro. Mesmo assim, também foi beneficiado pela estratégia de apenas duas paradas e conseguiu subir para a oitava posição, obtendo, assim, seu melhor resultado na carreira até agora.

FERNANDO ALONSO3 – Voltou à realidade de abóbora após a estonteante vitória de Sepang. Na verdade, sua realidade foi até pior do que o esperado. Sofreu para ficar à frente do decadente Felipe Massa no treino oficial e não ficou de fora do Q3 por pouco. Na corrida, apostou em uma estratégia de três paradas achando que ultrapassaria todo mundo facilmente, mas nada disso aconteceu. Quanto tentou ultrapassar Pastor Maldonado por fora, escapou e quase acertou Sergio Pérez ao voltar para pista. Terminou preso atrás do venezuelano e não conseguiu nada além de dois pontos.

KAMUI KOBAYASHI6 – Uma tremenda decepção se considerarmos o inacreditável terceiro lugar no grid. Andou sempre entre os dez primeiros em todos os treinos livres e foi a grande sensação da sessão oficial do sábado. Infelizmente, o domingo foi arruinado por uma péssima largada. A estratégia de três paradas não ajudou muito e ele não ficou de fora dos pontos por pouco. Só pegou o último pontinho porque arriscou o pescoço numa manobra suicida contra o companheiro Pérez na grande reta. Fez a volta mais rápida da prova.

SERGIO PÉREZ4,5 – Fim de semana frustrante para alguém que quase havia vencido a corrida anterior. Chegou a ser o mais veloz do Q1 da classificação, mas só conseguiu o oitavo tempo, cinco posições atrás do companheiro Kobayashi. No domingo, foi relativamente melhor que o japonês, mas não pontuou. Fez uma largada digna e apostou no velho baixo consumo de pneus do carro da Sauber, sendo um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop. Mesmo assim, não conseguiu melhorar muito e foi visto travando pneus e se embolando para segurar carros mais rápidos. Tentou fechar Kamui Kobayashi na grande reta, mas não conseguiu segurar a décima posição e ficou de fora dos pontos.

PAUL DI RESTA4 – Num dia em que Nico Rosberg deu show, alguém tinha de fazer o papel de mosca-morta do grid. Pode-se dizer que o escocês é bastante apto para esta função. No treino oficial, não fez mais do que superar o companheiro Nico Hülkenberg, outro que preza pelo conservadorismo. O dia seguinte foi apenas correto e Di Resta empreendeu sua estratégia de duas paradas enquanto esperava ganhar algumas posições e até mesmo um ou outro ponto. Não deu certo e ele ficou apenas em 12º.

FELIPE MASSA1,5 – Está numa fase simplesmente negra. Ter dito que o 13º lugar foi um passo para frente definitivamente não pegou bem, ainda mais em se tratando de um piloto da Ferrari. O pior é que ele tem alguma razão. Fez talvez seu melhor treino oficial da temporada ao conseguir ficar a poucos décimos do companheiro Fernando Alonso no Q2, embora não tenha conseguido ir ao Q3. Na corrida, foi o único de sua equipe a apostar em duas paradas e até conseguiu liderar uma volta inteira, mas foi ultrapassado com facilidade por todos que estavam atrás. Por outro lado, a dificuldade para ele conseguir sequer tentar passar Paul Di Resta foi constrangedora. A Autosprint classificou o piloto como “desperdício de gasolina”. Como contestar?

KIMI RÄIKKÖNEN5 – Parece destinado a ser um dos mais rápidos e mais problemáticos pilotos desta temporada. Não conseguiu andar bem de jeito nenhum na sexta-feira, mas a Lotus acertou o carro no sábado e deu para Kimi fazer um excelente quarto tempo. Ainda insatisfeito, ele partiu para a corrida e manteve-se em quarto nas primeiras voltas. Chamou a atenção quando tentou ultrapassar Mark Webber e tomou um belo troco. Fez apenas duas paradas e vinha rumo a um bom segundo lugar, mas alguma maldição afetou seu carro na volta 48, quando ele começou a ser ultrapassado facilmente por quase todo mundo. Até Felipe Massa o deixou para trás, veja só.

NICO HÜLKENBERG3 – Conseguiu ser ainda mais discreto que o companheiro Paul di Resta e passou muito longe dos pontos. Não foi bem no treino oficial e arruinou de vez seu fim de semana quando bateu em alguém na primeira volta e danificou a asa dianteira, perdendo bastante desempenho nas primeiras voltas e tendo de trocar o bico na primeira parada. Parou mais uma vez e nunca conseguiu sair lá do meio do pelotão.

JEAN-ERIC VERGNE4 – Foi mal pra caramba no treino oficial e sequer passou para o Q2, mas salvou o fim de semana com um domingo razoável. Escolheu largar dos pits para trocar algumas peças de seu Toro Rosso e parecia estar condenado devido à desvantagem, mas preferiu ir à luta e se recuperou bastante. Chegou a andar à frente de Hülkenberg e conseguiu terminar à frente do companheiro Daniel Ricciardo, que largou normalmente. Fez a segunda melhor volta da corrida. Se tivesse largado numa posição boa, poderia ter feito bons pontos.

DANIEL RICCIARDO3 – Ficou devendo, especialmente na corrida. No treino oficial, bateu o companheiro Jean-Eric Vergne por pouco, mas também sofreu com a falta de velocidade do STR7. Na corrida, teve problemas na largada e perdeu posições. Recuperou-se, mas ficou bem atrás dos seus adversários diretos e só terminou à frente dos pilotos das equipes nanicas. Não estava no roteiro finalizar atrás do companheiro que largou dos boxes.

VITALY PETROV 3,5 – Terminou a segunda consecutiva à frente de Heikki Kovalainen, mas o resultado não fez jus ao real desempenho da dupla da Caterham. Largou atrás do finlandês e chegou a ter problemas com Timo Glock durante a prova, mas não enfrentou grandes desastres e conseguiu ser o melhor das equipes pequenas.

TIMO GLOCK4 – Não faz uma má temporada, considerando que sua equipe é uma droga. Não tem muito o que fazer no treino oficial, ficando atrás das duas Caterham e à frente do companheiro de equipe. No domingo, chegou a aparecer bem em alguns momentos e deu algum trabalho a Vitaly Petrov, mas teve vários problemas com os pneus e também chegou a ser ameaçado por Charles Pic durante algum tempo. No fim, chegou ao fim no patamar de sempre.

CHARLES PIC3,5 – Também fez o arroz-com-feijão de sempre, não tendo problemas para terminar a corrida. Terminou o Q1 à frente da HRT, ganhou uma posição com a escolha de Jean-Eric Vergne em largar dos pits e fez sua corridinha de sempre. Chegou a dar alguma dor de cabeça ao companheiro Timo Glock enquanto teve pneus em melhores condições, mas acabou terminando atrás.

PEDRO DE LA ROSA4 – Difícil analisar. O carro aparenta ter melhorado, o que não significa lá muito. O quarentão espanhol não teve problema para se qualificar e também não teve grandes dificuldades na corrida, tendo chegado a ocupar a 18ª posição durante uma volta. Com apenas um abandono, não deu para terminar numa posição melhor.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – Mesmo dentro da HRT, é possível perceber uma grande disparidade entre os dois pilotos. Embora também não tenha tido problemas para se qualificar, andou claramente atrás de De La Rosa durante todo o tempo. Não atrapalhou ninguém na corrida e cruzou a linha de chegada, mas duas voltas atrás.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Apesar do péssimo resultado, foi o melhor piloto das equipes miseráveis com sobras. Saiu em 18º, ganhou algumas posições na largada e chegou a ocupar a 11ª posição durante alguns momentos. Fez a 13ª volta mais rápida da corrida e parecia vir bem para terminar em 18º, mas um problema nos pneus o fez perder muito tempo, obrigando-o a fazer uma parada extra. Só isso explicaria o fato dos dois HRT terem terminado à sua frente.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Anda numa ótima fase em termos de pilotagem e numa péssima fase em termos de sorte, aquela que sempre esteve presente em sua carreira. Liderou um treino livre, andou bem nos outros e esteve sempre no páreo na disputa pela pole-position. Graças à punição a Hamilton, conseguiu um lugar na primeira fila pela primeira vez desde 2006. Largou razoavelmente bem e manteve-se em segundo nas primeiras voltas, embora bastante atrás de Nico Rosberg. Ao fazer o primeiro pit-stop previsto, um mecânico de pouca destreza não conseguiu colocar o pneu dianteiro direito corretamente e Michael não conseguiu andar mais do que alguns metros antes de abandonar.

FERRARI8 – O mérito da equipe é contar com um piloto como Fernando Alonso. Somente alguém da categoria do espanhol poderia fazer uma corrida tão sensacional, partindo da oitava posição rumo à vitória e à liderança no campeonato. Largou bem, ultrapassou, empregou uma ótima estratégia e ainda conseguiu se livrar das investidas de Sergio Pérez. Vale dizer também que o trabalho nos boxes, ao contrário do que vinha sendo a regra, foi muito bom. Mas as coisas boas acabam aí. O carro continua indecente nos treinos. E Felipe Massa dispensa comentários. A Autosprint pode ser até meio grosseira, mas não falta com a verdade.

SAUBER9,5 – Desconsiderando os dias de BMW Sauber, nunca a equipe suíça esteve tão perto da vitória. E olha que ela está presente na Fórmula 1 desde 1993. Neste último domingo, Sergio Pérez provou que o carro é bom, a equipe é competente e a peça que vai entre o banco e o volante é da melhor qualidade. O mexicano largou em nono, parou antes de todo mundo para colocar pneus para chuva e arrematou um monte de posições. Depois da bandeira vermelha, seu carro se comportou muitíssimo bem tanto com pneus intermediários como com pneus slick. Pérez só não venceu por um erro estúpido, mas ainda conseguiu assegurar o melhor resultado da história da Sauber. Kamui Kobayashi ficou atrás o tempo todo e ainda teve problemas no câmbio. Dessa vez, o japa ficou à margem dos holofotes.

MCLAREN8,5 – Tinha o melhor carro do fim de semana com sobras e poderia ter feito uma tranqüila dobradinha. Mas acabou sucumbindo às doideiras da corrida e foi obrigada a se satisfazer com apenas um terceiro lugar de Lewis Hamilton. Não fosse alguns problemas em dois pit-stops e uma sorte maior de Alonso e Pérez, o campeão de 2008 não teria dificuldades para ter se sagrado o vencedor. Jenson Button também poderia ter ganhado, mas bateu em Narain Karthikeyan e afastou-se das primeiras posições. Foi apenas um grande prêmio de exceção. Hamilton e Button ainda são os caras desta temporada.

RED BULL6 – Mesmo em uma corrida que favorecia os menos favorecidos, não aproveitou a chance para obter um resultado melhor. Sebastian Vettel largou atrás de Mark Webber novamente e desperdiçou um quarto lugar sossegado enquanto colocava uma volta no coitado do Narain Karthikeyan. Terminou fora da zona de pontuação, desobedeceu a uma ordem da equipe e ainda chamou o piloto indiano de idiota ou algo assim. Um estado de espírito bem diferente daquele do ano passado, onde só havia vitórias, sorrisos e bajulação. Webber, ao menos, herdou a quarta posição e ficou por lá. Colocou pneus para pista seca antes dos três primeiros colocados e tentou um último pulo do gato, mas não conseguiu nada.

LOTUS7 – Nestas duas primeiras corridas, cumpriu um ritual até certo ponto desagradável: felicidades com Romain Grosjean apenas no sábado e com Kimi Räikkönen apenas no domingo. O franco-suíço largou da sexta posição e ganhou posições na primeira curva, mas afobou-se e bateu em Michael Schumacher. Poucas voltas depois, rodou sozinho e abandonou. Kimi teve de largar em décimo por causa de uma troca de caixa de câmbio, mas fez uma corrida silenciosamente excepcional e finalizou em quinto. Vem se notabilizando pelo oportunismo nestes primeiros momentos. O carro ainda não teve seu real potencial explorado.

WILLIAMS6,5 – É outra equipe que parece ter um carro melhor do que o que os resultados sugerem. Pelo menos, o então desprezado Bruno Senna conseguiu fazer a corrida de sua vida até aqui e finalizou em um ótimo sexto lugar. Mesmo perdendo muito tempo no começo, o brasileiro ultrapassou bastante gente e aproveitou-se da boa estratégia e do ótimo comportamento do FW34 para levar os oito pontos. Pastor Maldonado cometeu suas burradas de sempre, mas também demonstrou velocidade e fez uma corrida de recuperação boa o suficiente para um décimo lugar. Um motor Renault envolto em fumaça na última volta não estava nos planos. Somente com a pontuação de Bruno Senna na Malásia, a Williams já superou o resultado do ano passado inteiro.

FORCE INDIA7 – Mesmo em uma corrida tão sui generis, é intrigante o fato da Force India ter sido a única equipe a ter marcado pontos com os dois carros. Assim como Lotus e Williams, o potencial do bólido indiano ainda não é muito claro, mas aparenta ser inferior ao do ano passado. Paul di Resta e Nico Hülkenberg tiveram dificuldades nos treinos e ficaram estagnados no meio do grid. Na corrida, sabe-se lá como, os dois avançaram várias posições e terminaram em sétimo e nono. A escuderia precisa de uma corrida normal para chegar a alguma conclusão mais certeira.

TORO ROSSO6,5 – Resultados diametralmente opostos. Jean-Eric Vergne foi um dos destaques da corrida e marcou seus primeiros pontos na Fórmula 1. Poderia ter ido até melhor, pois foi o único maluco a seguir com pneus intermediários até a bandeira vermelha. Se não houvesse a obrigação de relargar com pneus para chuva forte, o francês teria economizado uma parada e poderia até mesmo ter assumido a liderança da prova. Mas o oitavo lugar já está de bom tamanho. Daniel Ricciardo não apareceu em momento algum e terminou fora da zona de pontuação. E a equipe é aquilo lá mesmo: uma sólida competidora do meio do pelotão.

MERCEDES2,5 – Ser a última das que pontuaram é uma tremenda vergonha para uma equipe que se diz grande. Michael Schumacher fez exatamente a mesma coisa que na Austrália: foi muito bem no treino oficial e se deu mal na corrida por causa de forças externas. Dessa vez, Romain Grosjean foi o culpado. Já Nico Rosberg terminou fora da zona de pontuação pela segunda vez seguida. O W03 continua sendo um cruel algoz dos pneus, levando os dois pilotos à aguda perda de rendimento no final. Difícil enxergar um bom futuro se algumas coisas não forem mudadas.

CATERHAM4 – Conseguiu terminar a prova com os dois carros, algo inédito neste início de temporada. De forma até surpreendente, Vitaly Petrov foi o líder da equipe no fim de semana, tendo largado e terminado à frente. Não podemos nos esquecer da punição que Heikki Kovalainen sofreu por causa de uma irregularidade em Melbourne, mas o fato é que o finlandês não fez mais do que ultrapassar os carros da Marussia e da HRT. O desempenho continua o mesmo dos dois anos anteriores: muito melhor que o das demais nanicas e muito pior do que o das equipes estabelecidas. Tédio.

MARUSSIA4,5 – Por que a nota maior em relação à Caterham? Confesso que fiquei impressionado com Timo Glock conseguindo finalizar à frente de Heikki Kovalainen mesmo com um carro, no mínimo, um segundo mais lento. Também me chamou a atenção o estreante Charles Pic, que chegou a andar em oitavo durante alguns micronésimos. Ambos chegaram ao final e a equipe russa é a única das pequenas que conseguiu completar as duas corridas com os dois carros, algo notável para quem era a menos confiável das novatas em 2010. E o carro é bonito demais quando visto de frente.

HRT4,5 – Chorem, corneteiros. A HRT conseguiu largar com os dois carros. E terminou com os dois. Veio contra tudo e contra todos, superou o ceticismo deste que escreve, e conseguiu sobreviver ao sábado e ao domingo. Melhor ainda, Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan conseguiram andar na zona de pontuação durante alguns instantes no início da corrida, fato inédito para a combalida escuderia espanhola. O indiano apareceu quando seu carro foi judiado por Jenson Button e Sebastian Vettel. Em ambos os incidentes, não teve culpa, embora o alemãozinho chorão tenha esperneado. Que as coisas melhorem daqui para frente. HRT campeã em 2013, eu acredito.

TRANSMISSÃOZORRA TOTAL – Nada como uma transmissão de quase três horas para pegar um monte de pérolas e comentários bizarros numa tarrafada só. Nesta madrugada, provavelmente almejando homenagear o falecido humorista Chico Anysio, o narrador brasileiro abusou do humor. Tudo era humor. Piada. Sarro. Um verdadeiro comediante stand-up, só que sentado e de pijamas. Sacaneou o repórter em duas ocasiões, contou uma história absurda envolvendo Luciano Huck e Peter Sauber em uma festa e, no momento mais engraçado do show, afirmou que a Stock Car Brasil tem o nível de pilotos mais alto do planeta. Em seu quadro “Proteste Já”, reclamou de Romain Grosjean e disse que sua batata estava assando na Lotus. Um gênio na arte do rir. E os velhos clichês não foram deixados de lado: a velha história do Mauricio Gugelmin na chuva, a participação de Keke Rosberg e FeRRRRRRRRnando Alonso estiveram lá para agradar a platéia. Quem precisa de Pânico e CQC quando se tem Fórmula 1 de madrugada?

CORRIDAZORRA TOTAL – Cansei de falar nos dias anteriores: Sepang é uma grande pista. Talvez uma das melhores do calendário. Lamentaria profundamente se este circuito fosse retirado do calendário. A prova deste domingo serve como álibi desta opinião. Só é de mandar todo mundo pro quinto dos infernos esse negócio de iniciar a corrida às cinco da tarde do horário local, algo em torno das três da manhã aqui, inaceitável para os filhos de Deus que só têm o fim de semana para dormir um pouco mais. Pior ainda foi a interrupção de 51 minutos por causa da chuva. A FIA precisa regulamentar melhor esse negócio de corrida sob temporal, pois fãs e emissoras de TV não podem continuar torrando tempo por nada. Fora isso, a prova foi excelente, com várias brigas e disputas. Mas a perseguição de Sergio Pérez a Fernando Alonso foi algo especial, de entrar para a história da categoria. Valeu a pena esperar por quase uma hora e jogar fora uma noite de sono.

GP2NÃO TEVE ZORRA – Primeiro fim de semana duplo da GP2 em 2012. Extrapolando meu ínfimo lado pacheco, foi uma rodada legal pra caramba para os torcedores brasileiros. Quem poderia imaginar que o baiano Luiz Razia, em sua quarta temporada e pilotando por uma equipe apenas média, largaria da primeira fila e ganharia com tanta facilidade a etapa de sábado? Na segunda corrida, ele deu um show ao induzir adversários ao erro (Stefano Coletti) e ao fazer ultrapassagens fenomenais (Fabio Leimer) para conseguir terminar em quinto e sair da Malásia com a liderança do campeonato. O outro brasileiro, Felipe Nasr, também foi muitíssimo bem. Na primeira corrida, terminou em sexto e não tomou o quinto lugar de Coletti por pouco. Na segunda corrida, sobreviveu bem à pressão do mesmo Coletti no início da corrida (coitado do monegasco) e rumou a um excelente terceiro lugar. Não me lembro de um fim de semana tão positivo assim para os brasileiros. Que continue assim, pois. Destaque também para o inglês James Calado, que foi bem pra caramba na primeira corrida e venceu a segunda, para deleite da Lotus GP e desespero do companheiro Esteban Gutierrez, de quem se esperava mais. Grande fim de semana de uma categoria que, apesar da presença de muito piloto picareta, promete.

FERNANDO ALONSO10 – Quem poderia imaginar que este filho da mãe deste espanhol rabudo ganharia o GP da Malásia com um carro tão ruim? Mas ganhou e ainda assumiu a liderança do campeonato, para deleite dos ferraristas mais pessimistas. Nem ele deve ter acreditado no resultado final, ainda mais após ter partido da oitava posição. Mas largou muito bem e enfiou seu carro na quinta posição antes da bandeira vermelha. Na relargada, foi aos boxes e ganhou todas as posições à sua frente sem esforço. Dali para frente, teve de segurar um Sergio Pérez em estado de graça e conseguiu impedir as ameaças do mexicano. Cruzou a linha de chegada em primeiro e me deu mais um motivo para acreditar que é o melhor piloto do grid atualmente.

SERGIO PÉREZ10 – Como é bom ver um piloto ainda novato levando um carro apenas mediano a uma posição tão boa. Com o resultado de ontem, o jovem Pérez pode ter garantido até mesmo uma vaga na Ferrari no ano que vem. Já começou o fim de semana muito bem ao ir para o Q3 da classificação e deixar o companheiro Kamui Kobayashi lá para trás. No começo da corrida, foi muito mais esperto que o resto ao colocar pneus para chuva forte e voltar para a pista muito mais rápido que qualquer outro, assumindo a terceira posição antes da bandeira vermelha. Na relargada, ainda conseguiu subir para segundo após os pit-stops. A partir dali, deu show ao pressionar Alonso tanto com pneus intermediários como com pneus slick. Poderia ter vencido, mas errou no final e teve de se contentar com a segunda posição. Contentar? O mexicano dificilmente terá um fim de semana mais feliz do que este.

LEWIS HAMILTON8 – Em tese, fracassar ao tentar converter uma pole-position em vitória pela segunda vez consecutiva deveria ser uma boa razão para dar uma nota bem menor. Mas não vejo justiça em fazê-lo, considerando a loucura que foi esta corrida. Ele poderia ter vencido a corrida sem maiores problemas, mas foi bastante prejudicado no segundo pit-stop e acabou perdendo a liderança para Fernando Alonso. No último pit-stop, também perdeu um pouco mais tempo. E ainda não contava com o desempenho inacreditável de Alonso e Sergio Pérez. Apesar de tudo, o terceiro lugar não lhe caiu mal.

MARK WEBBER7,5 – Não apareceu muito, mas obteve um resultado bastante razoável. Bateu Sebastian Vettel pela segunda vez consecutiva em treinos oficiais e apareceu muito bem nas primeiras voltas, mas sua participação perdeu bastante brilho após a relargada. Tomou ultrapassagens de Vettel e Fernando Alonso, mas conseguiu fazer uma sobre Rosberg. No final da prova, foi o primeiro dos ponteiros a apostar em pneus pra pista seca, mas não conseguiu mudar muito sua fortuna. De qualquer jeito, foi o único piloto da Red Bull a ter algum motivo para ficar satisfeito.

KIMI RÄIKKÖNEN7 – Não foi mal, mas deu a impressão de ter obtido a quinta posição mais pelo acaso do que por demonstração de talento. Largou atrás de Romain Grosjean novamente, mas graças a uma penalização por troca de câmbio. No primeiro pit-stop, perdeu bastante tempo e várias posições. Conseguiu recuperá-las logo após a relargada, quando foi um dos primeiros a apostar em pneus intermediários. Na verdade, ele até abocanhou alguns carros a mais e estabilizou-se em quinto. Fez sua 975ª volta mais rápida na vida.

BRUNO SENNA9 – Brilhante atuação, talvez a melhor de um piloto brasileiro nos últimos anos. Seu resultado apenas mediano nos treinos e seu azarado início foram compensados por um espetacular desenrolar de corrida. Na primeira volta, largou mal de novo, bateu no companheiro de equipe e teve de ir aos boxes na primeira volta. As coisas começaram a melhorar na relargada, quando Bruno foi um dos primeiros a colocar pneus intermediários. Decisão acertadíssima e ele pôde ultrapassar muitos que estavam à sua frente. No final, ainda foi um dos primeiros a colocar pneus slick. Sexta posição altamente merecida. Lá de cima, o tio gostou.

PAUL DI RESTA6,5 – Obteve um ótimo resultado, mas não sei como. Parece padecer de certa falta de ritmo em treinos – problema compartilhado com o companheiro Nico Hülkenberg neste fim de semana. Na corrida, entretanto, as coisas melhoram. No início, o primo de Dario Franchitti foi tocado por trás por Pastor Maldonado e perdeu algumas posições. Após a bandeira vermelha, ele colocou pneus intermediários e se deu bem, ganhando algumas posições. Não fez muito mais coisa, mas salvou pontos importantes.

JEAN-ERIC VERGNE7,5 – Foi um doido ao tentar insistir em correr com pneus intermediários naquelas voltas diluvianas que precederam a bandeira vermelha, mas acabou premiado pela ousadia. Muito mal no treino oficial, o francês preferiu partir para uma estratégia arriscada para recuperar posições. Conseguiu e se garantiu na décima posição após a segunda rodada de paradas. Com a queda brusca de desempenho de Felipe Massa e Nico Rosberg, deu para subir para a oitava posição. Primeiros pontos na Fórmula 1.

NICO HÜLKENBERG5,5 – Não foi bem nos treinos e não brilhou na corrida, mas salvou seus primeiros pontos no ano. Conservador, adotou estratégias parecidas com a de Paul di Resta, esteve à frente dele durante o safety-car, mas não conseguiu superá-lo no final. Após o segundo pit-stop, ainda ficou atrás de Jean-Eric Vergne. Nono lugar honesto, mas discreto.

MICHAEL SCHUMACHER7 – Está muito azarado, caramba. Foi um dos grandes destaques do treino oficial ao assinalar a terceira posição no grid, mas foi atingido por Romain Grosjean nas primeiras curvas e caiu para o meio do pelotão. Sem apostar em estratégias muito diferenciadas e sem ter um carro excepcional em uma pista que secava gradativamente, não deu para se recuperar muito. Mesmo assim, herdou um pontinho na última volta e saiu na frente na lamentável briga interna da Mercedes.

SEBASTIAN VETTEL3 – Fim de semana horrível como não era visto havia muito tempo. Teve dificuldades para ir para o Q3 do treino oficial e levou de Mark Webber pelo segundo GP consecutivo. Na corrida, pareceu vir melhor e pulou para as primeiras posições. Após a bandeira vermelha, parou nos boxes e tentou ganhar posições na parada, mas não conseguiu. Com o DRS, conseguiu passar Rosberg, assumindo a quarta posição. Vinha para terminar nesta posição, mas cometeu um erro idiota e bateu no HRT de Narain Karthikeyan, arrebentando o pneu traseiro esquerdo. Na última volta, foi lhe pedido para que abandonasse a corrida, mas um problema de rádio impediu que a ordem fosse cumprida. Terminar a corrida fora dos pontos não é o que costuma fazer um bicampeão mundial feliz.

DANIEL RICCIARDO3 – Não teve um fim de semana fácil. No treino oficial, superou Vergne, mas não deve ter ficado muito feliz com o 15º lugar. Na corrida, perdeu tempo na primeira volta e caiu para 17º. Não conseguiu subir para as dez primeiras posições em momento algum, mesmo tendo sido o primeiro a apostar em pneus slick no final da corrida, o que lhe rendeu a volta mais rápida da prova por alguns momentos. Ter feito quatro pit-stops definitivamente não ajudou. O problema maior é ter saído da prova atrás de Jean-Eric Vergne no campeonato.

NICO ROSBERG2,5 – Vive uma fase terrível. Largou bem atrás de Michael Schumacher novamente, o que poderia denotar uma melhor adaptação ao W03 por parte do heptacampeão. Ganhou posições na largada e parecia vir rumo a uma boa corrida, mas o destino mudou de humor após a bandeira vermelha. Ao ser um dos primeiros a apostar nos pneus intermediários, Nico esperava ganhar algumas posições por ser mais esperto. Mas aconteceu o contrário devido ao rápido desgaste dos pneus e ele foi ultrapassado várias vezes. No fim das contas, foi obrigado a fazer uma parada a mais que os outros e terminou bem longe da pontuação.

JENSON BUTTON4 – Contrariando o senso comum, cometeu um erro primário e desperdiçou o que poderia ter sido uma bela corrida. Mas não foi de todo mal. Embora não tenha superado Lewis Hamilton na briga pela pole-position, assegurou uma confortável primeira fila. Nas primeiras voltas da corrida, esteve sempre muito próximo do companheiro e chegou a ameaçar sua liderança em alguns momentos. Logo após a bandeira vermelha, foi o primeiro a entrar nos boxes para colocar pneus intermediários e estava em posição boa para ganhar a corrida. Mas um toque besta em Narain Karthikeyan (sem a menor culpa do indiano) acabou quebrando seu bico e estragando sua corrida. Preso no meio do pelotão, Button ficou por lá mesmo.

FELIPE MASSA1 – Pois é… No treino classificatório, só não ficou no Q1 porque teve de apelar ao pneu mais macio para poder se garantir. Mesmo assim, largou apenas em 12º. No início da corrida, até esboçou uma reação e chegou a estar em uma sólida oitava posição, mas seu gravíssimo problema com o desgaste de pneus voltou a se manifestar e o brasileiro perdeu posições como se estivesse dirigindo um Ford T. Em seu pior momento, teve dificuldades para acompanhar a Caterham de Vitaly Petrov. Definitivamente, precisará de um milagre para conseguir reverter sua imagem.

VITALY PETROV6 – Não esteve mal, não. Em dois dos treinos livres, superou o companheiro Heikki Kovalainen. No treino oficial, aproveitou-se da punição imposta ao finlandês para largar em 19º. O domingo foi bem interessante. Embora tenha sido superado por Kovalainen nas primeiras voltas, foi perspicaz o suficiente para colocar pneus intermediários logo no recomeço da corrida e ganhou várias posições com isso. O ponto alto do dia foi ter andado tranquilamente à frente de Felipe Massa por várias voltas. Não terminou muito atrás da Ferrari, uma proeza para um piloto da Caterham.

TIMO GLOCK5 – Não apareceu em momento algum, mas foi um tremendo felizardo ao ter conseguido terminar à frente do Caterham de Heikki Kovalainen. Andou no patamar de sempre tanto nos treinos como na corrida, mas teve alguns duelos com pilotos de equipes melhores, como Felipe Massa e Jenson Button. Trabalho honesto.

HEIKKI KOVALAINEN3 – Já teve fins de semana bem mais interessantes na equipe de Tony Fernandes. Começou perdendo cinco posições no grid de largada por uma punição referente à corrida australiana e acabou obrigado a largar da última posição. A primeira volta, ao menos, foi excelente e ele conseguiu subir para 15º. Foi seu melhor momento, já que sua primeira parada o fez retornar à sua dura realidade. Durante um bom tempo, andou atrás dos dois pilotos da Marussia, algo negativo para um piloto como ele. Pelo menos, chegou ao fim pela primeira vez no ano.

PASTOR MALDONADO5,5 – Além de não ser o piloto mais inteligente do grid, ainda é um tremendo azarado. Dessa vez, seu desempenho no treino oficial não foi tão espetacular como na Austrália, mas ele ainda foi mais veloz que Bruno Senna. Largou muito bem e chegou a andar em quinto, mas acabou cometendo um erro bizarro ao errar a entrada dos boxes durante um dos pit-stops. No final da corrida, estava recuperando algumas posições e vinha para marcar seu primeiro ponto no ano, mas o motor quebrou na última volta. Pela segunda vez seguida, o venezuelano perde um bom resultado nos últimos instantes.

CHARLES PIC3,5 – Fez o trabalho dele e terminou mais uma corrida. Chegou a ocupar a improvável oitava posição na volta 15, mas sua atuação foi bem mais discreta que isso. Como menção positiva, andou à frente de Heikki Kovalainen durante algum tempo. Não fez besteiras e também não sofreu demais. O problema é repetir a falta de brilho de seus antecessores Lucas di Grassi e Jerome D’Ambrosio.

NARAIN KARTHIKEYAN4,5 – Não só largou e chegou ao fim como também chamou a atenção em alguns momentos pontuais na corrida. Um dos poucos pilotos a terem largado com pneus para pista molhada, o indiano não precisou parar nas primeiras voltas e chegou a ocupar a nona posição, fazendo a HRT andar entre os dez primeiros pela primeira vez em sua história. Na volta 16, foi atingido por Jenson Button, mas seguiu em frente sem problemas. No final da prova, voltou a ser acertado por outro piloto lá da frente, Sebastian Vettel. Mais uma vez, não teve culpa e foi dirigindo até o fim.

PEDRO DE LA ROSA4 – Também largou e terminou a prova. Diz ele que chegou a andar entre os dez primeiros por alguns instantes, mas não consegui checar esta informação em lugar algum. Não duvidaria, no entanto, já que ele também foi um dos poucos que largaram com pneus de chuva. Cometeu um pequeno erro na curva 9 em uma volta qualquer aí, mas não cometeu mais nada de absurdo.

KAMUI KOBAYASHI3,5 – Deve ter sido duro para o nipônico ver o companheiro de equipe quase ganhando a corrida enquanto ele ficava nos boxes lamuriando sobre os freios que pararam de funcionar. Mas a verdade é que ele, que derrotou Sergio Pérez nos três treinos livres, apanhou feio no treino oficial e por pouco não ficou no Q1. O domingo prometia e Kamui fez uma bela largada, pulando para oitavo. As coisas boas acabaram aí. Ele caiu para o meio do grid após seu pit-stop e não conseguiu recuperar muito após a relargada. Quando abandonou, estava fora da zona de pontuação.

ROMAIN GROSJEAN5 – Não que ele mereça as críticas abobalhadas que o narrador brasileiro fez durante a transmissão, mas um pouco mais de voltas completadas faria muito bem a ele, certamente. O franco-suíço andou bem novamente nos treinos e conseguiu a sexta posição no grid após a punição ao seu companheiro de equipe Kimi Räikkönen. Na largada, ganhou algumas posições e pulou para uma excelente terceira posição. De repente, um erro permitiu que Mark Webber o ultrapassasse e Michael Schumacher viesse logo atrás. Mas Romain não quis saber e tentou dividir uma curva com o alemão, o que resultou num toque e em ambos rodopiando. Mas a corrida só terminou para o piloto da Lotus.

MCLAREN10 – Vixe, será que a McLaren fez o certo? Muita gente ficou intrigada com a opção da equipe inglesa pelo bico sem degrau, contrariando a tendência que assolou o grid deste ano. Ao menos em Melbourne, a decisão parece ter sido a mais correta. Lewis Hamilton e Jenson Button estiveram constantemente entre os mais rápidos e monopolizaram a primeira fila, confirmando o enorme favoritismo. Infelizmente para Hamilton, sua largada não foi tão boa e o safety-car ainda entregou o segundo lugar a Sebastian Vettel. Button, por outro lado, venceu no maior estilo. Foi a melhor equipe do fim de semana e certamente dará um trabalho daqueles à Red Bull.

RED BULL8 – Começou o fim de semana sem seu “Enzo Ferrari”, o tailandês Chaleo Yoovidhya, falecido no sábado aos 89 anos. O camarada aí havia criado o tal energético que virou febre em todo o planeta a partir dos anos 90. Pelo visto, a morte trouxe ares pesados à equipe, que não conseguiu ser a protagonista em momento nenhum. No último treino livre, viu Sebastian Vettel rodar sozinho na curva 6. Na classificação, colocou seus dois carros apenas na terceira fila. No domingo, até foi bem e celebrou o segundo lugar de Vettel, mas o resultado final foi bastante insuficiente para uma equipe que fez o que quis em 2011.

FERRARI3 – Existe clichê mais antigo, e melhor, do que rossa, ma di vergogna? Esta frase comumente utilizada nos semanários italianos nos maus dias da Ferrari do jejum de 21 anos sem título pode ser perfeitamente aplicada neste início de 2012. O F2012 é um carro tão veloz quanto bonito, o que é um evidente mau sinal. Pelo menos, Fernando Alonso está lá. O espanhol rodou sozinho no sábado e comprometeu sua posição no grid, mas fez uma ótima corrida de recuperação e terminou em quinto. Felipe Massa rodou na sexta, estacionou no Q2 do treino oficial e não fez muita coisa além de muitas paradas de pit-stop e um acidente desnecessário com Bruno Senna no final. A indignada Autosprint pediu Jarno Trulli em seu lugar. Os italianos não são campeões de paciência.

SAUBER7,5 – Parece ter um carro eficiente e certamente tem uma dupla do barulho. Falta apenas resolver os pequenos problemas que sempre a atrapalham. Não fosse por um problema no câmbio no sábado e pelo acidente com Nico Rosberg na última volta da corrida, Sergio Pérez poderia ter se dado muitíssimo bem. O mexicano parou apenas uma vez, comprovando o baixíssimo consumo de pneus proporcionado pelo C31, e marcou pontos após ter largado da última posição. O companheiro Kamui Kobayashi bateu em um ali e aprontou outra acolá, mas deu uma sorte tremenda na última volta e ficou em sexto. Um início de temporada muito animador para a turma de Peter Sauber.

LOTUS8 – Tem um carrão e poderia ter saído de Melbourne com muitos pontos no bolso, mas seus dois pilotos tiveram aborrecimentos em momentos distintos do fim de semana. O campeão Kimi Räikkönen se embolou todo no Q1 e sequer conseguiu passar para a próxima fase. No dia seguinte, andou direitinho, sobreviveu a Kobayashi e terminou em oitavo. Romain Grosjean foi a sensação do treino oficial ao marcar o terceiro tempo, mas abandonou na segunda prova após Pastor Maldonado ter lhe dado uma porrada em uma das rodas. Mas o carro é bom e a dupla é ótima. Fiquemos de olho.

TORO ROSSO6,5 – O STR7 é um carro bastante correto e seus dois pilotos são da turma dos bons. O resultado no treino oficial, com Daniel Ricciardo em décimo e Jean-Eric Vergne logo atrás, foi mais promissor que o da corrida, mas ninguém ficou muito chateado. O australiano bateu em Bruno Senna na largada e teve de trocar o bico, mas não desanimou e fez uma excelente corrida de recuperação, abocanhando o nono lugar. Vergne fez uma corrida de aprendizado, conservadora e cautelosa. Não pegou um pontinho por alguns malditos metros. É outra equipe para ficarmos de olho – a contenda lá dentro vai ser pesada.

FORCE INDIA4 – Esta, de certa forma, decepcionou. O bom desempenho da pré-temporada não se repetiu em terras oceânicas, mas Paul di Resta ainda anotou um pontinho graças às loucuras das últimas curvas. O escocês é tipo o Nico Rosberg tocando gaita de foles, eficiente e muito, mas muito discreto. Já Nico Hülkenberg andou melhor no treino oficial, mas sua corrida acabou ainda na primeira volta. O carro não começou bem, mas o mesmo aconteceu no ano passado e a equipe acabou melhorando muito. Talvez seja a Force India que não goste tanto assim do reino dos coalas.

MERCEDES8 – Poderia e merecia ter ganhado nota bem maior, mas não dá para ser muito benevolente com uma equipe grande que termina o fim de semana sem pontos. O W03 é um carro promissor e Michael Schumacher demonstrou suas qualidades com o primeiro tempo no segundo treino livre e o quarto lugar no grid de largada. Ele vinha andando num confortável terceiro lugar quando o câmbio quebrou, um problema duro de engolir numa Fórmula 1 de peças inquebráveis. Nico Rosberg, menos exuberante, apareceu bem com uma ótima largada e uma corrida que se desenvolveu bem até o safety-car. No fim, nem deu para ficar entre os dez primeiros. Vamos considerar que o GP australiano foi um ponto fora da reta de uma equipe que tem tudo para ganhar a primeira neste ano.

WILLIAMS5 – É foda, rapaz. No fim de semana em que a equipe parecia estar pronta para marcar mais pontos do que em 2011 inteiro, seus dois pilotos decidiram não colaborar. Muita gente pode achar que estou sendo duro demais com Pastor Maldonado, que fez um ótimo treino oficial e uma corrida melhor ainda, mas temos de ser pragmáticos: ele jogou um sexto lugar no lixo por culpa inteiramente sua. Para uma Williams que precisa de cada ponto, foi uma tremenda duma cagada. Bruno Senna pode ao menos alegar que foi atingido por Daniel Ricciardo e Felipe Massa, mas seu confesso conservadorismo não pegou bem. Esperamos mais colaboração por parte da dupla, pois o carro se comportou muito bem em Melbourne e promete estar num nível acima ao lamentável FW33 do ano passado.

MARUSSIA6 – Única equipe das nanicas que conseguiu terminar a corrida, e ainda por cima com seus dois carros. Mesmo sem ter feito uma pré-temporada completa com seu carro novo, Timo Glock e Charles Pic conseguiram andar razoavelmente bem durante todo o fim de semana, não tiveram problemas e o alemão ainda andou à frente de carros melhores na primeira volta da corrida. Os dois chegaram ao fim e demonstraram que, sim, dá para ter uma participação digna sem ter feito um teste decente anteriormente. Não é, HRT?

CATERHAM2,5 – Cadê aquele avanço que tanto foi prometido? Pelo visto, a esquadra de Tony Fernandes permanecerá monopolizando a 10ª fila dos grids de largada pelo terceiro ano consecutivo. Heikki Kovalainen e Vitaly Petrov ainda tiveram a desagradável experiência de andar atrás de uma Marussia durante algumas voltas. Os dois abandonaram mais ou menos no mesmo momento, um por problemas na suspensão e o outro por contingências soviéticas. Ser a única equipe das que largaram a não completar a corrida não foi das coisas mais agradáveis.

HRT0 – Dessa vez, fica difícil defender. Não digo nem por causa dos atrasos, já que a novela é a mesma desde 2010. O problema é ter feito, no treino oficial, um tempo ainda pior do que na edição de 2011, na qual a equipe também não conseguiu se dar bem. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan nem sonharam em repetir o 1m32s9 marcado por Vitantonio Liuzzi no ano passado. O espanhol só conheceu o novo carro no fim de semana e penou um bocado. Dono da grana, Narain andou um pouco mais, mas foi triste vê-lo parar na sua primeira volta no primeiro treino de sexta-feira. Pressinto que as dificuldades serão ainda maiores do que nas duas primeiras temporadas. Espero estar errado.

TRANSMISSÃOVICK VAPORUB – Cof, cof! O que foi aquilo? O narrador oficial da transmissão brasileira estava com catarro ou cimento na garganta? Nas últimas dez voltas, sua dificuldade para pronunciar seis ou sete palavras consecutivas era dramática – talvez ele já tenha chegado ao limite extremo de suas cordas vocais, certamente afetadas por antigos hábitos tabagistas. Fora isso, seu companheiro não precisava estragar a surpresa do primeiro carro de corrida no Brasil, que seria apresentado num programa qualquer. “Um Alfa Romeo”. Puxa vida, e eu esperando assistir ao programa e dar de cara com um Hyundai ou um EFFA. Não prestei muita atenção em outras bobagens, pois acompanhar minúcias as três da manhã é coisa de zumbi.

CORRIDAZICAS – Sabe, eu torço para alguns pilotos. Pastor Maldonado, Romain Grosjean, Michael Schumacher, Kamui Kobayashi, Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Pode perceber que, sim, me aborreci um pouco. Quem foi bem no sábado se deu mal no domingo e vice-versa. Dei um soco no colchão onde estava deitado quando vi aquela anta do venezuelano batendo na última volta. Para quem torce pra Jenson Button, por outro lado, foi uma madrugada divertida. Não houve tantos acidentes ou horrores que sempre acontecem em Melbourne, mas também não bocejamos tanto. Foi uma corrida honesta para quem se dispôs a ficar acordado até altas horas da madrugada.

JENSON BUTTON10 – Nunca torça contra Jenson Button, pois não funcionará em hipótese nenhuma. O campeão de 2009 iniciou a temporada da melhor maneira possível, vencendo sem dar chance aos rivais. Liderou o primeiro treino livre da temporada e não teve dificuldades para largar na segunda posição, mas dia bom mesmo foi o domingo. Logo na largada, deixou Lewis Hamilton para trás e só deixou a liderança momentaneamente nos dois pit-stops. Mesmo com o safety-car juntando todos os carros, nunca foi ameaçado. Obteve seu terceiro trunfo na Austrália. Filho da mãe.

SEBASTIAN VETTEL9 – Não tinha o melhor carro e sabia disso, mas fez uma grande corrida. O atual bicampeão foi discreto nos treinos, mas compensou com uma atuação de gala na corrida. Houve até ultrapassagem por fora, feita sobre Nico Rosberg. Deu-se muito bem com o safety-car, que entrou na pista quando os dois McLaren haviam acabado de fazer seu pit-stop. O alemão entrou nos boxes na hora certa e conseguiu tomar a segunda posição de Lewis Hamilton no retorno.

LEWIS HAMILTON8 – Era o grande favorito para a vitória, pois tinha o melhor carro e mais velocidade que o companheiro de equipe. No sábado, fez a pole-position sem dificuldades. Mas a primazia evaporou logo na largada, quando Jenson Button conseguiu tomar a liderança metros antes da primeira curva. O segundo lugar parecia um porto seguro, mas o safety-car permitiu que o oportunista Sebastian Vettel o ultrapassasse. Nas últimas voltas, ainda sofreu pressão de Mark Webber e quase perdeu o pódio. Começar atrás do iluminado companheiro não estava nos planos.

MARK WEBBER6,5 – As diferenças entre ele e Sebastian Vettel continuaram evidentes mesmo em um carro que ainda está longe da perfeição. Embora tenha batido o companheiro no treino oficial, o piloto da casa levou um chocolate dos mais amargos na corrida. Como de costume, largou mal e se viu envolvido na lambança que quase virou o carro de Bruno Senna de ponta-cabeça. Teria terminado a corrida mais para trás, mas se deu muito bem com o safety-car, que acabou o colocando na quarta posição e com enormes chances de tomar a terceira de Lewis Hamilton. Não conseguiu, mas assegurou os doze pontos.

FERNANDO ALONSO8,5 – Excelente corrida, considerando a tristeza de carro que dirige. No sábado, rodou artisticamente e acabou ficando no Q2, sem esperança ou futuro algum na vida. A sorte mudou já na largada, com uma negada à sua frente tendo problemas e ficando para trás. Pouco depois, Maldonado e Grosjean se estranharam e o espanhol herdou mais algumas posições. No primeiro pit-stop, ele acabou deixando Nico Rosberg para trás. No final, Pastor Maldonado até ameaçou tomar sua posição, mas bateu sozinho e o deixou em paz. Milagres existem e Alonso operou um.

KAMUI KOBAYASHI6 – Deu a maior sorte da Oceania ao cruzar a linha de chegada na sexta posição. O feito só foi possível porque Pastor Maldonado bateu na última volta e quem veio atrás se embolou todo. No fim, o japa terminou sorridente uma corrida apenas discreta. Sempre no meio do pelotão, chamou a atenção por algumas manobras agressivas e toques na lateral de adversários como Kimi Räikkönen, com quem duelou durante boa parte do tempo. Diria que seu companheiro Sergio Pérez merecia muito mais o resultado, mas o destino não concordou e premiou Kamui.

KIMI RÄIKKÖNEN6,5 – É um cagado do caralho, com o perdão da expressão altamente ofensiva. Largou lá da milésima oitava posição e terminou em sétimo sem mover uma sobrancelha. O péssimo resultado no treino classificatório se deveu a um erro em sua volta rápida, reforçado pelo azar total de não conseguir abrir mais uma volta nos últimos segundos. As coisas melhoraram drasticamente no domingo, com uma largada limpa, o azar dos adversários e a estratégia de parar o mais tarde possível. Foi um dos felizardos com a entrada do safety-car e foi ainda mais felizardo com o acidente de Maldonado no final. O papa-léguas do dia.

SERGIO PÉREZ8,5 – Foi muito melhor que o companheiro de equipe, mas terminou atrás porque deu azar. As adversidades começaram antes da corrida, quando foi obrigado a largar em último por ter de trocar a caixa de câmbio. Largou maravilhosamente bem e ainda arriscou a estratégia de apenas um pit-stop, o que o permitiu andar na segunda posição por algumas voltas. Nas últimas voltas, estava em sétimo e poderia ter se dado muitíssimo bem com o acidente de Maldonado, mas bateu com Rosberg nas últimas curvas e acabou perdendo duas posições. Se continuar nesta forma, toma tranquilamente o lugar de Felipe Massa na Ferrari.

DANIEL RICCIARDO8,5 – Na sua primeira corrida de verdade na Fórmula 1, fez o que tinha de ser feito com um carro médio de uma equipe que cobra tanto quanto a Ferrari: ficou entre os dez primeiros na classificação e pontuou. Andou bem nos treinos e nem esquentou a cabeça no Q3 da classificação, preferindo largar em décimo e poupar um pouco seus pneus. Largou e teve problemas na primeira curva, envolvendo-se num acidente com Bruno Senna. Caiu pro fim do grid e se viu obrigado a fazer uma bela corrida de recuperação. No final, estava disputando posição com o companheiro Jean-Eric Vergne e se deu bem nos acontecimentos da última volta, ficando à frente dele. Dane-se quem discorda, mas estamos diante do melhor piloto australiano da Fórmula 1 atualmente.

PAUL DI RESTA5 – Fez uma corrida com a sua cara: discreta pacas. Levou um caminhão de tempo do companheiro Nico Hülkenberg no treino oficial e só conseguiu largar em 15º. Na primeira volta, chegou a ficar atrás da Marussia de Timo Glock. Até o final, fez sua corridinha e estava bastante distante dos pontos. Com todas as coisas que aconteceram na última volta, ganhou um monte de posições até a bandeirada de chegada e assegurou o último ponto da corrida. Mas ficou devendo.

JEAN-ERIC VERGNE6 – Este é alguém que merecia ter terminado mais à frente. Fazendo seu primeiro fim de semana como piloto oficial, o francês não cometeu grandes erros e poderia ter feito pontos tranquilamente. No treino oficial, não foi para o Q3 por muito pouco, mas não poderia reclamar do 11º lugar no grid. A largada, sim, foi problemática e ele passou reto na primeira curva tentando evitar o acidente de Bruno Senna. Tendo sobrevivido, Vergne fez sua corrida sem problemas e até sonhou em marcar pontos na última volta, mas foi ultrapassado por Paul di Resta na linha de chegada e ficou na vontade.

NICO ROSBERG5,5 – Terminou o domingo num prejuízo danado. E sem merecer. Perdeu para Michael Schumacher no primeiro treino oficial do ano, mas se recuperou com uma bela largada que o colocou em quarto na primeira volta. Embora tenha levado duas ultrapassagens de Vettel (uma por fora), perdido uma posição para Alonso no primeiro pit-stop e se ferrado com a entrada do safety-car no final, Nico vinha rumo aos pontos sem dificuldades. Mas tudo escapou pelo dedos na última volta, quando ele bateu em Sergio Pérez e acabou perdendo desempenho nas curvas finais, deixando escapar várias posições. Foi para casa zerado.

PASTOR MALDONADO7,5 – Foi talvez a grande atração da corrida, e certamente um dos melhores pilotos na pista. Mas precisa urgentemente parar de ser burro. O socialista extraiu o máximo de seu belo Williams e emplacou um ótimo oitavo lugar no grid de largada. No dia seguinte, alternou momentos de genialidade e demência grave. Logo na segunda volta, atropelou a roda dianteira de Grosjean e o tirou da prova. No decorrer da prova, apareceu bem e peitou pilotos mais gabaritados. No final, passou um tempão ameaçando a quinta posição de Fernando Alonso. Para desespero dos seus fiéis militantes, errou sozinho na última volta e estourou o carro no muro, deixando Simon Bolívar trêmulo na catacumba.

TIMO GLOCK7 – É um excelente piloto e não tinha de estar mofando no final do grid. Com um carro tão virgem quanto os antecessores, o alemão até conseguiu fazer algumas pequenas obras de arte, como o 12º lugar em um dos treinos livres. Na corrida, ganhou uma baciada de posições na largada e conseguiu a proeza de andar à frente da dupla da Caterham por algumas boas voltas. Retornando às últimas posições, ele conseguiu sobreviver às típicas ocorrências australianas e terminou a prova em 14º, sua melhor posição desde há muito tempo.

CHARLES PIC5 – Muito difícil avaliar. Ele nunca foi brilhante nas categorias menores, mas também está longe de ser um mau piloto. Na Marussia, enfrenta a barra de pilotar um carro lento e virgem ao lado de um companheiro experiente e gabaritado. Mesmo assim, fez seu trabalho. Ficou a apenas sete décimos de Timo Glock no treino classificatório e quase chegou ao final da corrida. Não conseguiu por causa de um problema na bomba de óleo. Mesmo assim, está na lista dos classificados – missão cumprida.

BRUNO SENNA2 – Enquanto seu companheiro peitava o céu e o inferno, o brasileiro preferiu ficar confortavelmente instalado no conservadorismo e na mediocridade. Resultado: nunca foi nem rápido ou constante. Nos treinos livres, andou sempre atrás de Maldonado. No treino oficial, ficou no Q2 e nunca esteve perto dos dez primeiros. Na corrida, foi tocado logo na primeira curva, quase capotou e retornou à pista lá atrás. Depois, só foi visto nas últimas voltas, quando se envolveu em um constrangedor toque com Felipe Massa. Talvez seu pior fim de semana na Fórmula 1.

FELIPE MASSA1 – Triste. Se continuar assim, não dá para deixar de imaginar que a Ferrari o substitua ainda nesta temporada. Apanhou do carro, do companheiro e de todo o resto durante todo o fim de semana. Ficou em 18º em dois dos três treinos livres. No oficial, não sobrou no Q1 por muito pouco, inimaginável em se tratando de um piloto da Ferrari. Na corrida, sofreu muito com o desgaste dos pneus traseiros e fez três trocas de pneus. Com este problema, perdeu muito terreno e passou boa parte da prova em 13º. Na volta 46, sofreu um acidente tão improvável quanto imbecil com Bruno Senna e teve de abandonar. Talvez seu pior fim de semana na Fórmula 1. Talvez o pior fim de semana do Brasil na Fórmula 1.

HEIKKI KOVALAINEN3,5 – Apareceu bem no segundo treino de sexta, quando ficou em oitavo, e só. Seu carro não melhorou muito, ao contrário do que muita gente imaginava. Ainda andou atrás da Marussia de Timo Glock nas primeiras voltas e teve trabalho com Vitaly Petrov em alguns momentos. Abandonou com problemas na suspensão. Já teve fins de semana mais interessantes. E o próximo também não deverá ser fácil: por ter feito ultrapassagem antes da linha do safety-car, ele perderá cinco posições no grid do GP da Malásia.

VITALY PETROV3 – Terá dias difíceis na Caterham após dois anos sossegados na Renault. Ficou atrás de Kovalainen durante todo o fim de semana, mas é bom que se diga que também não passou vergonha. Durante a corrida, parou mais tarde que a maioria dos seus rivais e chegou a ocupar a 11ª posição por algumas voltas. Na volta 35, abandonou em plena reta dos boxes e trouxe o safety-car que mudaria a vida de bastante gente na prova.

MICHAEL SCHUMACHER8 – Começou o ano a mil, liderando um treino livre e fazendo um excelente quarto tempo no treino oficial, melhor posição obtida desde que retornou à Fórmula 1. Na largada, deu-se bem com a péssima saída de Grosjean e assumiu a terceira posição. Tinha grandes chances de pódio, mas o câmbio de seu W03 falhou e o resultado foi uma saída de pista na primeira curva. Pouco depois, Michael viu que não dava para continuar e abandonou a prova. Uma pena.

ROMAIN GROSJEAN7 – Se não tivesse feito aquelas corridas vexaminosas em 2009, estaria sendo aclamado como o futuro Alain Prost. Apareceu de maneira espetacular no treino oficial, quando ficou em terceiro no Q1, segundo no Q2 e novamente terceiro no Q3, milhões de posições à frente do badalado companheiro Räikkönen. Infelizmente, sua corrida durou pouco e foi ruim. Largou muito mal e ocupava a sexta posição quando foi basicamente atropelado por Maldonado. Com a roda dianteira direita quebrada, teve de encostar e chorar.

NICO HÜLKENBERG5,5 – Não tem sorte em Melbourne. Há dois anos, foi envolvido em uma colisão daquelas com Kobayashi e Sébastien Buemi. Neste ano, a história se repetiu. O novo contratado da Force India foi acertado por sei lá quem e teve de abandonar ainda na primeira volta com pneu furado e suspensão arregaçada. Chato, pois tinha tudo para ser o melhor representante indiano da prova, a começar pelo ótimo desempenho no treino oficial.

PEDRO DE LA ROSA4 – Impossível fazer uma avaliação justa. Parecia claro que o quarentão espanhol viajou a Melbourne apenas para tirar fotos com os cangurus, pois seu carro sequer ficou pronto para o primeiro treino livre. Nas três sessões em que participou, deu um total de 19 voltas e nunca conseguiu fazer um tempo abaixo de 1m33s. Com esta marca, era impossível largar. Pelo menos, deixou o companheiro Narain Karthikeyan para trás mesmo tendo menos quilometragem.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – Nem sei o porquê de ter dado nota mais baixa a ele. Talvez por ter feito um total de 38 voltas em todas as sessões: era de se esperar que o indiano ao menos terminasse o Q1 da classificação à frente do companheiro, o que não aconteceu. Se não dá para deixar de responsabilizar o carro, também é verdade que Narain Karthikeyan não é o piloto dos sonhos de casta nenhuma. Mas as rúpias são sempre bem-vindas.

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