Giorgio Pantano, campeão da GP2 em 2008. Se não teve vaga pra ele, imagine pro resto...

Estava aqui dando uma olhada nos campeonatos em 2010 e algo me chamou muito a atenção. Vocês já viram o número de categorias de base internacionais que existem, ou existirão, nesse ano? Se vocês não se atentam para esse tipo de coisa, contem comigo: GP2 Series, World Series by Renault, AutoGP, GP3 Series, Fórmula 2, Fórmula 3 Européia, Fórmula Master. Todas essas são categorias de cunho europeu que visam unicamente mandar pilotos para as categorias top do automobilismo de monopostos, ou seja, a Indy e a Fórmula 1.

É campeonato demais. Não era pra haver tantos, ainda mais sabendo que o mundo não se encontra em situação financeira confortável e Fórmula 1 e Indy estão em situação econômica ainda mais delicada.

Todos os campeonatos são conceitualmente muito parecidos entre si. São categorias monomarca com grids entre 20 e 30 carros e algo entre seis e doze fins de semana anuais de corridas. Até mesmo os calendários são parecidos: pistas como Barcelona, Magnycours, Spa-Francorchamps, Nurburgring, Hockenheim, Algarve, Valência e Oschersleben aparecem com frequência em vários destes calendários. Não por acaso, vemos sempre a mesma panelinha de equipes participando desses campeonatos: ART Grand Prix, Addax, Carlin, Arden, Durango, Coloni, Rapax, Tech 1, Manor e por aí vai.

E aí me surge a pergunta: pra quê? Não há necessidade de tantos. As equipes de Fórmula 1 e Indy se importam apenas com a GP2, a World Series e a Fórmula 3 Européia, e olhe lá. Nem mesmo os campeões das outras categorias são levados em conta. O campeão da Fórmula 2, Andy Soucek, só encontrou uma mísera vaga de piloto reserva da Virgin. Muitas dessas categorias só existem mesmo para tirar dinheiro de otários. Com o excesso de vagas por aí, muitos pilotículos ricos aparecem e se iludem com a idéia que podem subir para patamares maiores um dia. Aí ele descobre que ninguém dá a mínima para o campeonato que ele corre e tudo o que ele conseguiu fazer foi jogar o dinheiro no lixo. E as ART e Addax da vida enchem as burras.

Andy Soucek, campeão de F2 em 2009. Ninguém deu bola

A Fórmula 1 tem apenas 24 carros. A Indy tem um número variável entre 20 e 33 carros dependendo da corrida. Sendo bem otimista, são cerca de 50 carros em categorias top, e a cada ano devem abrir apenas umas 10 vagas para novatos. Agora vamos às categorias de base: 24 na GP2, 26 na World Series, 24 na Fórmula 2, 30 na GP3, 25 na AutoGP, 19 na Fórmula 3 Européia e por aí vai. São quase 150 pilotos, e olha que eu nem considero os campeonatos nacionais de relevância, como a Fórmula 3 Inglesa. 150 pilotos disputando 10 vagas anuais no automobilismo top. Pra mim, a matemática já é o suficiente pra dizer que há algo muito errado. A maioria dos pilotos acaba parando em categorias de turismo e protótipos ou em campeonatos B como a Superleague, como é o caso de Giorgio Pantano, campeão da GP2 em 2008.

E são campeonatos que competem entre si e que só destroem uns aos outros. A GP3 praticamente afundou a F3 Européia e a Fórmula 2 surgiu como uma alternativa mais barata à GP2. Os grids acabam perdendo muito em qualidade e em quantidade, especialmente nas categorias menos favorecidas tecnicamente. No fim das contas, nesses campeonatos, apenas meia dúzia de pilotos de cada grid é competitiva. O resto é composto por brações endinheirados e iludidos com a idéia de que chegarão lá em cima um dia. Nem mesmo as corridas são tão boas: algumas categorias como a World Series realizam provas tão ou mais chatas do que as da Fórmula 1. Não há qualidade, diversão, aspecto técnico, não há nada.

É uma situação insustentável. Esse é um motivo que me faz defender uma expansão considerável dos grids da Fórmula 1 e Indy, mas sei que isso é insustentável a curto prazo. O negócio é ver algumas categorias morrendo. Restando apenas a GP2, a Fórmula 2 (por ser muito barata) e a Fórmula 3 Européia, além dos campeonatos nacionais, está bom demais.

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